Pelo menos 18 pessoas morreram e mais de 120 famílias foram afectadas, na segunda vaga de inundações em Moçambique, segundo anunciou a presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
“Os óbitos que foram ocorrendo foram através de afogamento”, disse a presidente do INGD, falando aos jornalistas, cita Notícias ao Minuto.
Só nas cheias de Janeiro, morreram cerca de 50 pessoas, e perto de 725 mil foram afectadas, sobretudo no sul.
Segundo a responsável, parte das mortes está associada ao não cumprimento das orientações das autoridades durante as ações de sensibilização junto das comunidades em risco.
“O único óbito existente aqui a nível da província de Inhambane foi porque a pessoa acabava de ser sensibilizado pela sua excelência governador da província, mas não acatou a informação e fez-se ao barco, a pessoa estava embriagada e acabou perdendo a vida”, lamentou.
Em termos de impacto social, o INGD registou pelo menos 127 famílias afectadas em várias regiões do país, com destaque para distritos das províncias de Inhambane e Sofala.
A nível nacional, estão activos 31 centros de acomodação, que acolhem cerca de 10 mil pessoas, sendo que só na província de Inhambane funcionam quatro centros, onde estão instaladas aproximadamente quatro mil pessoas deslocadas.
As autoridades apontam ainda as províncias de Niassa, Tete e Sofala como das mais atingidas nesta fase da época chuvosa, mantendo-se em curso ações de assistência e monitorização da situação no terreno.
O total de mortos na actual época das chuvas em Moçambique subiu para 296, com mais de um milhão de pessoas afectadas, desde Outubro, segundo nova atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com informação da base de dados do INGD actualizada na manhã de ontem, contabilizam-se mais sete mortos em 24 horas, tendo sido afectadas 1 015 904 pessoas (mais 10 mil face ao balanço anterior) na presente época das chuvas, que se prolonga ainda até Abril, correspondente a 232 280 famílias, havendo também 17 desaparecidos e 351 feridos.
Só as cheias de Janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afectando globalmente 715 716 pessoas.
Já a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de Fevereiro, causou mais quatro mortos e afectou 9 040 pessoas, segundo os dados do INGD.
No total, 21 679 casas ficaram parcialmente destruídas, 10 179 totalmente destruídas e 204 789 inundadas, na presente época chuvosa.
Ao todo, 304 unidades de saúde, 104 locais de culto e 722 escolas foram afetadas em menos de seis meses.
Os dados do INGD indicam ainda que 267.205 hectares de áreas agrícolas foram perdidos, afetando 354 811 agricultores, e 531 068 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves.
Foram ainda afetados nesta época das chuvas 8 434 quilómetros de estradas, 50 pontes e 237 aquedutos.
Desde Outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano activou 184 centros de acomodação, que chegaram a albergar 127 426 pessoas, dos quais 53 ainda estão activos (mais cerca de 40 na última semana, devido às recentes inundações), com pelo menos 17 430 pessoas, além do registo de 7 214 pessoas que tiveram de ser resgatadas.
Maputo e Gaza sob aviso de chuvas fortes esta terça-feira
O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) alertou, nesta segunda-feira, que os fenómenos meteorológicos extremos no País estão a intensificar-se, à medida que continuam a ocorrer alterações climáticas significativas.
Mas foi através de um comunicado emitido que o INAM alerta para a ocorrência de chuvas moderadas a fortes, que poderão variar entre 30 a 50 milímetros, e localmente fortes até acima de 50 milímetros em 24 horas, para as províncias de Maputo e Gaza.
O fenómeno meteorológico será acompanhado por trovoadas e ventos com rajadas, desde o final desta segunda-feira. As áreas de risco identificadas incluem todos os distritos da Província de Maputo, nomeadamente Matutuine, Namaacha, Boane, Moamba, Marracuene, Manhiça e Magude, bem como as cidades de Maputo e Matola.
Na província de Gaza o alerta estende-se aos distritos de Macia, Limpopo, Chókwè, Guijá, Massingir e à cidade de Xai-Xai.
A entidade responsável pela previsão do tempo, recomenda a tomada de medidas rigorosas de precaução e segurança face a este fenómeno. Adicionalmente, o INAM prevê a continuidade de chuvas fracas a moderadas nas regiões centro e norte de Moçambique.
Entretanto, um relatório sobre o estado do clima em 2025 foi lançado durante um evento que assinalou o Dia Mundial da Meteorologia, que refere que, em algumas zonas, os níveis de precipitação atingiram valores historicamente elevados, com períodos de recorrência estimados entre 50 e 100 anos.
Nos distritos semiáridos da província de Gaza, como Massagena e Mabalane, caíram entre 400 a 500 milímetros de chuva em apenas uma semana, volumes equivalentes a toda uma estação chuvosa.
O relatório incluiu indicadores como a temperatura da superfície do mar e o nível do mar.
No que diz respeito às previsões sazonais para 2026, o documento indica que espera que o Inverno se situe dentro dos valores normais, devendo ser divulgada uma análise mais detalhada no início de Abril próximo. Quanto a 2024, o relatório revelou que foi o ano mais quente de que há registo.
O evento serviu também para apresentar a plataforma de monitorização climática do INAM, iniciativa que visa reforçar a presença digital da instituição e oferecer aos utilizadores um acesso mais eficiente e actualizado aos conteúdos meteorológicos.

