Os países do Golfo estão unidos no seu apelo pelo fim da guerra do Médio Oriente, afirmou esta terça-feira o Governo do Qatar, enquanto o Irão continua a atacar os vizinhos na região. Os Emirados Árabes Unidos distinguiram-se nos últimos dias dos seus vizinhos ao adoptarem um tom mais ofensivo em relação a Teerão.
Os Estados ricos em petróleo da região têm sido alvo de centenas de mísseis e drones iranianos desde o lançamento da ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irão a 28 de Fevereiro, enquanto as exportações de hidrocarbonetos são afectadas pelo encerramento do estreito de Ormuz por Teerão.
Uma situação que levou os países do Golfo a unirem-se no seu apelo pelo fim da guerra do Médio Oriente, segundo disse o Governo do Qatar esta terça-feira, enquanto o Irão continua a atacar os vizinhos na região.
“Parece-nos que existe uma posição muito unânime no Golfo a pedir uma desescalada e o fim da guerra”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed al-Ansari, numa conferência de imprensa em Doha.
Na segunda-feira, uma comissão parlamentar iraniana aprovou um plano para impor taxas de passagem aos navios que transitam pelo estreito estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo bruto e gás natural liquefeito do mundo.
O estreito foi “fechado devido a uma operação militar” e o seu futuro é “uma questão que toda a região e os parceiros internacionais devem decidir colectivamente”, disse ontem o responsável qatari.
“Creio que tomámos uma decisão colectiva, no Golfo, de tratar isto como uma ameaça colectiva”, insistiu.
Os Emirados Árabes Unidos, o país que tem sido mais atingido pelos ataques iranianos, distinguiram-se nos últimos dias dos seus vizinhos ao adoptarem um tom mais ofensivo em relação a Teerão.
“Um simples cessar-fogo não chega. Precisamos de um resultado conclusivo que aborde todas as ameaças iranianas: capacidades nucleares, mísseis, drones, proxies terroristas e bloqueios das rotas marítimas internacionais”, escreveu o embaixador qatari em Washington, Yousef Al Otaiba, na semana passada num artigo de opinião no Wall Street Journal.
O diplomata afirmou que Doha estava pronta “para aderir a uma iniciativa internacional para reabrir o estreito e mantê-lo aberto”.
Costa pede a Teerão “espaço para diplomacia” e desbloqueio de Ormuz
O presidente do Conselho Europeu pediu esta terça-feira ao Presidente do Irão um “espaço para a diplomacia” na guerra iniciada por Israel e Estados Unidos, que a União Europeia pode mediar, bem como o desbloqueio do Estreito de Ormuz.
“A situação actual no Médio Oriente é extremamente perigosa. Hoje, na minha conversa telefónica com o presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, apelei ao alívio das tensões e à moderação, à protecção dos civis e das infraestruturas civis, bem como à necessidade de todas as partes respeitarem plenamente o direito internacional”, informou António Costa numa publicação na rede social X.
Além disso, e para atenuar a situação, Costa diz que “exortei o Irão a pôr termo aos ataques inaceitáveis contra países da região e a empenhar-se de forma positiva na via diplomática, nomeadamente com as Nações Unidas, para garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz”.
“Tem de haver espaço para a diplomacia. A UE está pronta a contribuir para todos os esforços diplomáticos destinados a reduzir as tensões e a encontrar uma solução duradoura para pôr fim às hostilidades, abordando simultaneamente as preocupações de segurança mais amplas suscitadas pelo Irão”, defendeu o antigo primeiro-ministro português, que agora assegura a representação externa da União Europeia (UE) nas novas funções.
O contacto surge quando se assinala um mês desde que os Estados Unidos e Israel lançaram, a 28 de Fevereiro, um ataque militar contra o Irão e, em resposta, Teerão encerrou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada com a oferta, pressionando os preços, com o petróleo a ultrapassar os 100 dólares por barril.
Na mensagem, António Costa disse ainda que “a perda de vidas inocentes, incluindo na escola de Minab, é profundamente lamentável”.

