O país regista um total de 5661 casos de malária de Outubro do ano passado a esta parte, que resultaram em 71 óbitos, dos quais 52 aconteceram ao nível das comunidades e os restantes 19 foram nas unidades sanitárias de tratamento da doença.
Dados do Ministério da Saúde (Misau) tornados públicos esta quinta-feira pelo Director Nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, indicam que, neste momento, apenas 22 distritos apresentam casos da chamada doença das mãos sujas.
A província de Nampula é a que apresenta maior número, com de 2445, o que representa 43 por cento do total de casos. Na província de Tete, por sinal a segunda com maior número de casos, há registo de 2141 notificações de cólera, representando 38 por cento.
Segundo Quinhas Fernandes, recentemente foi notificado um caso de cólera na província de Gaza, no posto administrativo de Chicumbane, distrito de Limpopo, e outro na cidade de Maputo, concretamente na Katembe. Os dois casos, explica Quinhas, foram identificados um mês depois da ocorrência de chuvas, que culminaram em cheias em Gaza.
“Os dois pacientes evoluíram satisfatoriamente, pelo que já tiveram a respectiva alta. Esse facto constitui um ganho para nós, como autoridades da saúde”, explica Quinhas Fernandes.
Para fazer face à situação, o Ministério da Saúde destacou equipas em todo o país para fazer a monitoria e reforçar a vigilância de casos, particularmente para garantir a testagem em tempo recorde, em caso de suspeitas.
Para evitar o alastramento dos casos de cólera, o Misau realizou uma campanha de vacinação em cinco distritos do país, tendo a primeira dose sido administrada nos dias 4 e 8 deste mês. A vacina abrangeu aproximadamente duas mil pessoas, o que corresponde a uma cobertura de 102 por cento em relação ao grupo-alvo que o Misau tinha previamente definido.
Segundo Quinhas Fernandes, está em curso a preparação da segunda dose para os cinco distritos, processo que poderá se efectivar nos próximos dias. Em relação às províncias de Nampula e Tete, que apresentam maior número de casos, o Misau mobilizou vacinas para uma campanha reactiva para as zonas mais afectadas pela doença.
“Nas próximas duas semanas iremos vacinar contra a cólera também nos distritos Nacala Porto e Eráti, em Nampula, e na cidade de Tete e Moatize. Poderemos anunciar as datas exactas nos próximos dias, assim que terminarmos a preparação do processo”, assegura Fernandes.
O Ministério da Saúde assegura que dispõe dos insumos necessários, sobretudo os testes laboratoriais e os medicamentos essenciais para tratar a cólera no país, que eventualmente poderão surgir em qualquer parte do país.
MALÁRIA CONTINUA A PREOCUPAR
A malária continua a ser um dos principais problemas de saúde pública no país, particularmente nas zonas Centro e Norte. O país regista, neste momento, um aumento de 55 por cento de casos da doença comparativamente ao período similar do ano passado, passando de 876 mil do ano passado para um pouco mais de 1.3 milhões neste ano.
O Director Nacional de Saúde Pública explica que quase todas as províncias registaram aumento de casos, com a excepção de Cabo Delgado que teve uma redução na ordem de 40 por cento.
Apesar do quadro negro em termos de caso, o país registou uma redução nos casos de óbitos por malária em cerca de 38 por cento. Nas primeiras seis semanas do ano passado houve registo de 79 óbitos contra 49 deste ano.
Para conter o alastramento da doença, mormente neste período marcado por cheias, o Misau estabeleceu 59 postos de saúde nos centros de acolhimento, tendo sido já tratadas 1200 pessoas por casos de malária. Ainda em resposta à doença, foram distribuídas 26 mil redes mosquiteiras em Gaza, Cidade e província de Maputo.
“Vamos fazer antecipação de distribuição universal de redes mosquiteiras, cujo arranque da campanha estava previsto para Agosto. Estamos a fazer um grande esforço para vermos se conseguimos fechar esse processo ainda no primeiro semestre deste ano, entre os meses de Abril, Maio e Junho”, assegura Quinhas Fernandes.
A referida campanha irá apenas abranger as províncias de Gaza e Inhambane. Paralelamente à distribuição de redes mosquiteiras, as autoridades de saúde pretendem levar a cabo uma campanha de pulverização em seis distritos da província de Maputo e 11 na província de Gaza.
Quinha explica que o Ministério da Saúde está, neste momento, a fazer a mobilização de recursos para adicionalmente implementar larvicidas na província de Maputo, projecto que poderá, em princípio, abranger seis distritos ainda por identificar, e em Gaza em 11 distritos, sobretudo os que têm maior número de criadores de gado.

