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Em entrevista ao “O País Económico”, o embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, defende que empresas portuguesas poderão reforçar a sua presença em Moçambique, caso o Governo implemente reformas para dinamizar a actividade económica no País. Neste momento, há cerca de 450 empresas de capitais portugueses presentes no mercado moçambicano. O diplomata falava em Maputo, após Portugal ter disponibilizado 17 milhões de euros para financiar micro, pequenas e médias empresas moçambicanas.

Temos aqui mais uma linha de financiamento de Portugal de 17 milhões de euros para micro, pequenas e médias empresas moçambicanas. Qual é a taxa de juros que poderá ser praticada pelos bancos?

Essa é uma pergunta muito técnica que eu vou deixar para os bancos responderem. Eu aproveito só para sublinhar que o objectivo do FECOP, o Fundo Empresarial da Cooperação Portuguesa, é apoiar aquelas que são o motor da economia moçambicana, que são as micro, pequenas e médias empresas. São empresas que, pela sua própria natureza, têm maiores dificuldades de acesso aos mecanismos tradicionais de financiamento. Portanto, nós, através do FECOP, pretendemos oferecer mais um instrumento desenhado para essas empresas de menor dimensão, e no fundo tem uma componente de assistência técnica e uma de financiamento para ajudá-las a apresentarem projectos válidos que criem valor, que criem emprego e contribuam para o desenvolvimento do País.

O que leva Portugal a apoiar essas empresas moçambicanas através deste financiamento e a não financiar as infra-estruturas que têm criado bastante obstáculos para estas? 

Portugal tem uma cooperação muito abrangente com Moçambique. Não há praticamente nenhum domínio da sociedade moçambicana em que não exista uma cooperação regular, normal e intensa em muitos casos entre Portugal e Moçambique. Moçambique é o nosso principal beneficiário da cooperação para o desenvolvimento, é um dos principais destinos do investimento português no estrangeiro, é uma economia que, acreditamos, tem um enorme potencial de desenvolvimento que ainda está por explorar e, portanto, Portugal está presente em todos os domínios onde é possível estar. Nós queremos apoiar os grandes projectos, mas queremos também olhar para aquilo que é o tecido das micro, pequenas e médias empresas, que são os principais dinamizadores da economia moçambicana. São as que criam o maior número de postos de trabalho e criam valor a nível local, por todo o País. Portanto, não poderíamos deixar de estar presentes também neste importante segmento das empresas moçambicanas.

Que mecanismos foram criados para assegurar que este novo fundo não financia o caixa dos bancos e financia propriamente essas micro, pequenas e médias empresas?

Como hoje aqui ficou claro, o próprio sistema de gestão da operacionalização do FECOP é um sistema de parceria em que juntamos a Associação Moçambicana de Bancos e o Instituto das Pequenas e Médias Empresas. Portugal é o financiador, mas deixamos nas mãos dos especialistas a definição do regulamento e das regras que serão aplicáveis aos projectos. Creio que estamos em boas mãos através da Associação Moçambicana de Bancos e do Instituto das Pequenas e Médias Empresas, que juntamente com as instituições financeiras irão definir a forma concreta de operacionalização deste fundo. O nosso único objectivo é que ele sirva para apoiar a economia, sirva para apoiar as empresas e que ajude a criar valor em Moçambique.

Como está a cooperação entre Moçambique e Portugal, em termos de comércio e Investimento Directo Estrangeiro aqui, no País?

Como eu disse há pouco, Moçambique é um dos nossos principais destinos de investimento. Nós possuímos cerca de 400 a 450 empresas de capitais portugueses, que actualmente estão presentes no mercado moçambicano. Tivemos uma cimeira bilateral há cerca de seis meses, na cidade do Porto. Foi uma cimeira histórica, porque foi uma cimeira que teve uma participação recorde em termos de áreas governativas: doze ministros portugueses e doze ministros moçambicanos participaram nessa cimeira. Realizamos um fórum empresarial que contou com a participação de 700 empresas portuguesas e moçambicanas, e isto constituiu um sinal claro da aposta que nós fazemos na economia moçambicana. Recentemente, tivemos aqui também duas grandes iniciativas europeias, o fórum de negócios do Global Gateway e a conferência RENMOZ, de energias renováveis. Portugal foi o país europeu que contou com a maior participação a nível empresarial. Contamos também com a presença do seu ministro adjunto e da Reforma do Estado, garantindo uma representação também de alto nível político, e isto sinaliza essa aposta clara e esse acreditar em Moçambique, acreditar que Moçambique tem muito para fazer e tem muito para crescer, e nós queremos apoiar Moçambique nesse caminho.

E, como está a questão do investimento português em Moçambique?

Em termos de investimentos, os investimentos têm vindo, como eu disse há pouco, a acontecer. Nos últimos anos, tivemos aqui um reforço dos investimentos portugueses em muitas áreas, desde a energia ao sector agro-industrial, às pescas, mas eu acredito que esses investimentos podem ir muito mais longe. Nós estamos muito atentos e acompanhamos muito de perto aquilo que são as políticas públicas de Moçambique e acompanhamos com grande expectativa aquilo que é a agenda de reformas deste governo. Estamos confiantes que essa agenda de reformas, quando for executada, irá contribuir fortemente para uma dinamização da actividade económica em Moçambique e, dessa forma, seguramente, os portugueses responderão, as empresas portuguesas responderão e serão capazes de levar mais longe os seus projectos de investimento em Moçambique.

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Um episódio trágico abalou o bairro 2, no distrito de Chongoene, em Gaza, onde uma mãe e suas duas filhas foram encontradas mortas em circunstâncias ainda desconhecidas. Familiares e vizinhos suspeitam de violação seguida de envenenamento.

É mais um caso de suposto assassinado por envenenamento que acontece na província de Gaza, concretamente no distrito de Chongoene.

De acordo com testemunhas, uma jovem de 38 anos e suas filhas, de 7 e 16 anos, foram encontradas sem vida no interior da residência da família. Isabel Langa, vizinha, descreveu o cenário:

“Quando nós entrámos para arranjar os corpos, estavam desorganizados. A mãe e a criança pequena estavam a sair espuma pela boca e pelo nariz. Por isso acreditamos que isto aqui foi veneno”, contou.

Outra residente, Terana Vasco, explicou que a família tinha-se mudado recentemente para a casa.

“O que vimos lá dentro estava desorganizado, tipo a panela de feijão que haviam feito no sábado estava despejada, o fogão no chão. A mãe estava na cama e a menina de sete anos estava no chão, já morta com a mãe. Queremos justiça, não podemos deixar assim”, disse.

O marido da vítima suspeita de uma acção criminosa que envolveu invasão, violação e envenenamento.

“A minha família foi assassinada. Eu desconfio que alguém as violou e, de seguida, lançou um spray. São pessoas movidas por maldade”, declarou.

O secretário do bairro 2, Américo Zunguene, afirmou que o caso deixou a comunidade em choque e medo, apelando a respostas urgentes das autoridades, no caso concreto o Serviço Nacional de Investigação Criminal, SERNIC.

“O Sernic e a saúde passaram daqui. O assunto está sendo investigado pela polícia. É a primeira vez que isto acontece. Estamos muito preocupados, sem saber o que aconteceu”, disse.

Uma das vítimas chegou a ser socorrida e levada ao hospital provincial de Xai-Xai, mas veio a falecer duas horas após a entrada. O hospital promete pronunciar-se sobre o caso esta quinta-feira.

Este episódio deixa a comunidade de Chongoene em alerta e reforça a necessidade de uma investigação rápida e rigorosa para esclarecer as causas da tragédia.

Bayport Financial Services Moçambique (Mcb) S.A., o principal microbanco do país e com a quinta maior carteira de crédito, conquistou o prestigiado prémio Global Banking & Markets (GBM) Africa 2026 Local Currency Bond of the Year – Financial Institutions.

O anúncio foi feito numa cerimónia de gala realizada na cidade do Cabo, na África do Sul, no dia 16 do corrente mês, que reuniu figuras de destaque dos mercados de capitais de África e de outras regiões.

O Global Banking & Markets Africa 2026 Local Currency Bond of the Year – Financial Institutions é um prémio internacional do sector financeiro atribuído pela organização Global Banking & Markets, que distingue as melhores operações de financiamento, bancos e instituições que se destacam nos mercados de capitais em África.

Falando aos jornalistas na Cidade do Cabo, onde participava na conferência da GBM Bonds, Loans and ESG 2026, o administrador-delegado da Bayport Moçambique, Bene Machatine, disse que o prémio representa um marco importante na trajectória da empresa, sobretudo por operar num mercado onde o mercado de capitais ainda não está desenvolvido.

“Trata-se de um reconhecimento de âmbito continental, que nos destaca positivamente, tendo em conta que existem mercados de capitais em África mais desenvolvidos do que o de Moçambique. Portanto, este prémio valoriza, não só a Bayport, mas também o país, cujo nome foi projectado na cerimónia”, disse.

Este é o segundo prémio que a Bayport Moçambique recebe ao longo dos dez anos de emissões obrigacionistas e reflecte, segundo Bene Machatine, “o nosso contributo para o mercado de capitais em Moçambique, materializado na realização de mais de 20 séries de emissões, com um valor total superior a 7 mil milhões de meticais”.

Por isso, segundo disse, “gostaríamos de reconhecer o apoio do Standard Bank, do Absa e da CGA nesta emissão, bem como dos investidores que continuam a apoiar e a confiar no Bayport como destino para os seus investimentos”.

Ranganai Mubaiwa, administrador financeiro do microbanco, acrescentou dizendo: “Quando as pessoas ouvem falar do Bayport, ocorre-lhes um dos pioneiros na concessão de crédito a funcionários públicos, numa altura em que nenhum grande banco tencionava fazê-lo, por considerar que estes apresentavam demasiado risco no início. Muitos dos nossos clientes reflectem sobre a casa que conseguiram construir, o negócio que iniciaram, os filhos que entraram no ensino superior e os tratamentos médicos vitais realizados dentro e fora do país, tudo graças à confiança que a Bayport depositou neles”.

Para Mubaiwa, a Bayport é isso e muito mais. “Damos oportunidade a indivíduos comuns de investir e obter rendimentos através dos seus fundos de pensões. Temos vindo a emitir obrigações desde 2016, criando, sempre, um mercado para fundos de pensões, seguradoras, indivíduos, bancos, entre outros, para obterem bons retornos e ampliarem os seus activos”, disse.

Ranganai Mubaiwa também teve a oportunidade de partilhar a sua visão sobre como desbloquear os mercados de moeda local em África, através do fortalecimento da profundidade, da liquidez e da confiança, na conferência realizada no segundo dia do evento, no International Convention Centre na Cidade de Cabo.

Destacou que, como emitente, a organização considerava o custo de financiamento, a disponibilidade de liquidez, o prazo da operação e a disponibilidade de moeda estrangeira como factores-chave na avaliação da emissão de obrigações e obtenção de empréstimos em moeda estrangeira ou moeda local. Acrescentou que esperava que o financiamento em moeda local continuasse a crescer no continente.

A transacção vencedora corresponde a uma emissão obrigacionista de 600 milhões de meticais, em duas tranches (taxa fixa e variável), realizada em Outubro de 2025, organizada pelo Absa e pelo Standard Bank, com assessoria jurídica da Couto, Graça & Associados – CGA.

A Bayport opera em todo o País, oferecendo empréstimos acessíveis a funcionários públicos por períodos de até sete anos. A organização iniciou actividades em 2012. É uma das sete operações no continente, sob controlo maioritário da Bayport Management Limited, uma empresa cotada nas Maurícias.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) pediu, nesta quarta-feira, apoio de parceiros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) na promoção e desenvolvimento do turismo e da formação no sector.

Maputo acolheu, durante três dias, uma reunião organizada pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, envolvendo uma missão da Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP), que incluiu representantes da AHRESP (Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal) e da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

Tratou-se de uma reunião que serviu para reforçar o intercâmbio com Moçambique no sector de turismo e no final da mesma a CTA pediu o apoio da CPLP na promoção e desenvolvimento do turismo e da formação no sector.

“Vai haver um trabalho coordenado pela CTA e outras entidades moçambicanas de forma a poder entender como pode preparar também, não só na cooperação de negócios, mas também na preparação daquilo que pode ser a mão-de-obra especializada, formada, que pode ser uma oportunidade para muitos jovens moçambicanos também trabalharem num mercado mais desenvolvido no sector do turismo”, disse Salimo Abdula, representante daquela confederação para o sector do turismo.

Abdula acrescentou que existe um sector muito importante que Moçambique prioriza como um dos seus pilares no aumento social e económico, “que é o sector do turismo”.

“É um sector que vem a agregar aquilo que nós ambicionamos, que é a geração de emprego, e é nesta esfera que a CTA e a CE-CPLP, através dos outros parceiros, a AHRESP e a ASAE, tencionam explorar, aprendermos, e também cooperar para que o sector de turismo em várias vertentes possa trazer a grande alavancagem de que precisamos no desenvolvimento social e económico”, acrescentou.

Por outro lado, Salimo Abdula destacou que a missão tem uma particularidade: “Moçambique foi o primeiro país [a] que eles vêm para este tipo de interacção. Certamente vão também trabalhar com outros países-membros da CPLP neste objectivo de interacção no sector específico, o sector do turismo”, reconhecendo ainda que Moçambique, também nesta área, ainda “precisa de muita coisa” para se afirmar.

Berta Montalvão, vice-presidente do CE-CPLP, explicou que esta missão visa “acompanhar o intercâmbio e o diálogo com a CTA”, para “desenvolver e capacitar” trabalhadores na área do turismo, incluindo restauração e hotelaria, neste caso em Moçambique.

“Nós sabemos que aquilo que nos une é a língua portuguesa. Acaba por ser a ponte da nossa comunidade, no entanto é preciso, também, desenvolver e capacitar as nossas empresas no sector, no sentido de também promover e desenvolver a economia dos nossos países”, destacou Berta Montalvão.

A vice-presidente do CE-CPLP prevê, nos próximos dias, contactos com várias associações e entidades do sector do turismo e da restauração moçambicanas.

Mas sobre a reunião, Berta Montalvão disse que se falou de três eixos principais, nomeadamente o desenvolvimento das infra-estruturas, o desenvolvimento e melhoria da qualidade dos serviços prestados e do capital humano.

“Eu diria que essas são as três áreas de foco e obviamente que temos de encontrar um caminho de colaboração entre todas as entidades para podermos levar a bom porto aquilo que são as prioridades do sector do turismo”, defendeu a dirigente portuguesa.

O objectivo, acrescentou, é definir, nos próximos dias, de que forma será possível “colaborar” com Moçambique nesta área.

“Moçambique tem recursos naturais, é uma prioridade do nosso Governo explorar a área de turismo, é também uma prioridade para a CTA. Nós precisamos de duas coisas importantes: formar e investimento, para alavancarmos os recursos que nós temos, todas as esferas, desde o turismo de praia, sinergético, montanhas, nós temos muitas coisas, precisamos de evoluir a qualidade do serviço. Porque, como se diz, no turismo, quando se é bem servido, as pessoas voltam. Mas se a coisa corre mal, as pessoas falam mal de nós e não regressam. Portanto, é preciso termos cuidado”, apelou, por seu turno, Abdula.

As obras da segunda fase de construção, reabilitação e ampliação de valas de drenagem na cidade da Beira, província de Sofala, estão na fase conclusiva e deverão terminar em Junho próximo.

O projecto prevê, entre outros componentes, a construção de uma segunda bacia de retenção e vai beneficiar directamente sete bairros afectados por inundações cíclicas.

Com a implementação da referida infra-estrutura, cenários recorrentes de cheias poderão deixar de fazer parte do quotidiano de várias zonas da cidade. A empreitada, já na sua segunda fase, contempla a melhoria significativa do sistema de escoamento de águas pluviais.

De acordo com o fiscal da obra, Carlos Simões, o impacto do projecto será expressivo, sobretudo na capacidade de retenção e drenagem.

“Quando todo o sistema estiver a funcionar, tanto a primeira fase, com as comportas das Palmeiras, que são cinco, como esta segunda fase, com dez comportas da bacia do Estoril, teremos um aumento significativo do escoamento das águas pluviais. A capacidade de armazenagem quadruplicou, atingindo agora cerca de quatro milhões de metros cúbicos”, explicou.

Segundo a fonte, as obras estão executadas em cerca de 92% e já permitiram a intervenção em aproximadamente 12 quilómetros de valas de drenagem. O projecto culminará com a construção da segunda bacia de retenção na zona de Muave.

Carlos Simões assegurou ainda que a infraestrutura poderá reduzir drasticamente o risco de inundações. “Toda a zona abrangida pelo projecto garante, quase na totalidade, a não ocorrência de cheias. Há retenção suficiente para evitar que as águas invadam casas e propriedades”, afirmou.

Inicialmente previstas para Dezembro do ano passado, as obras sofreram um adiamento para Junho deste ano, devido a atrasos no processo de reassentamento e compensação de mais de 200 famílias residentes nas áreas abrangidas.

Durante uma visita às obras, o Secretário de Estado da província de Sofala, Manuel Rodrigues, apelou à busca de soluções dignas para as famílias reassentadas.

“Vamos arranjar soluções para a cidade da Beira e para os munícipes. A solução passa por garantir uma casa condigna, num local onde as pessoas sintam que valeu a pena ceder o espaço para este projecto estratégico”, destacou.

O governante defendeu ainda a necessidade de se assegurar a construção de infra-estruturas básicas sólidas nas zonas de reassentamento, de forma a evitar conflitos sociais e garantir melhores condições de vida às populações afectadas.

A previsão e resposta aos desastres naturais poderão melhorar no país com a inauguração, hoje, do centro de  previsão e alerta de cheias e secas. A Infra-estrutura inaugurada pelo ministro das Obras Públicas poderá também aumentar o tempo de aviso prévio sobre eventos extremos.

O país debate-se, todos os anos, com eventos climáticos extremos e um dos desafios tem sido a retirada antecipada das populações das zonas de risco, agravando assim os impactos.  

“O nosso país tem sido ciclicamente afetado por cheias, secas e ciclones e os impactos são severos e conhecidos, como é o caso de perdas de vidas, destruição de infraestruturas, interrupção de serviços básicos, danos na agricultura e impacto na própria economia. É um país vulnerável a eventos extremos, por isso a prevenção não é apenas uma mera necessidade, mas sim é uma obrigação que devemos cumprir”, explicou Fernando Rafael, ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos. 

Com vista a melhorar a previsão de desastres naturais, o governante inaugurou, esta quarta-feira, uma nova sala com equipamento moderno, na cidade de Maputo. 

“É aqui onde dados e modelos se transformam em alertas claros, e alertas claros se transformam em medidas de prevenção e evacuação e proteção de infraestruturas críticas. A sala representa um sistema integrado, com estações hidrometeorológicas de transmissão automática, modelos de previsão hidrológica e, onde necessário, componentes complementares como vídeo e monitoria. Esta integração consolida o centro de comando regional como centro, região, sul, centro e norte.

Para o alcance dos obectivos previstos no centro, Rafael deixou recomendações, “primeiro é a questão da disciplina operacional. Que deve ser permanente. A sala tem de funcionar com rigor, 24 horas, 7 dias por semana. Segundo, assegurar a integração efetiva e a coordenação, principalmente entre a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, o INAM, o INGD, as Administrações Regionais de Águas, os governos locais. Portanto, temos de assegurar essa integração, esta coordenação com todas as áreas, com todos os atores relevantes, quando estamos numa situação de época chuvosa. Terceiro, apelar para o reforço que a comunicação social tem apresentado. É através da comunicação social que nós temos divulgado todo o trabalho, todo o esforço que o governo vai exercendo para mitigar os efeitos dos danos. E, por fim, assegurar o investimento em sustentabilidade”.

O ministro esclareceu que “este projeto não se limita a esta Sala de Comando que hoje inauguramos. Está igualmente em curso a instalação de mais duas salas, uma em Nampula e outra em Mocuba,e a aquisição de 14 estações pluviométricas, 10 estações hidrométricas, 3 radares e 9 sirenes num investimento de cerca de 7,5 milhões de dólares”. 

A instalação do centro foi financiada pela Coreia do Sul. 

Quanto a época chuvosa e ciclónica ainda em curso, Fernando Rafael fez saber que  encontram-se ainda, em alerta,as bacias do Incomati Limpopo, no sul, no centro, a bacia do Búzi e Punga, e no norte, as bacias do Megarumo, Montepuez e Messalo, com impacto, sobretudo, em zonas ribeirinhas, áreas agrícolas e na transitabilidade rodoviária. 

“E face à evolução da precipitação e às projeções de subida de caudais, importa referir aqui que o INGD já ativou ações antecipadas e cheias para a bacia do Rio Salvo, com o reforço de medidas de prontidão, incluindo massificação de avisos às comunidades, preparação de centros de acomodação, mobilização de equipas e orientação para evacuação preventiva, com especial atenção aos grupos mais vulneráveis. Por isso, reiteramos o apelo para que as populações evitem travessias de rios e zonas inundadas”.

O Presidente da República do Congo-Brazzaville, Denis Sassou NGuesso, foi reeleito para um quinto mandato consecutivo, de acordo com resultados provisórios anunciados nesta terça-feira pelas autoridades.

Sassou NGuesso obteve 94,82% dos votos, segundo anunciou na televisão estatal o Ministro do Interior do Congo-Brazzavile.

Os outros seis candidatos que desafiaram o líder de 82 anos, um dos  mais antigos da África, tendo governado por um total de 42 anos, ficaram para trás.

 A votação, que decorreu neste domingo, foi marcada por cortes da Internet em todo o país, como é habitual durante as eleições presidenciais neste país africano.. 

O ministro do interior anunciou uma participação de 84,65% e 2,6 milhões de votos contabilizados. Mas muitos locais de votação na capital, Brazzaville, registaram filas curtas ou inexistentes, pois os habitantes disseram não acreditar que a eleição resultaria numa mudança de liderança de Sassou NGuesso, que governa há muitos anos.

Sassou NGuesso, candidato pelo Partido Congolês do Trabalho, chegou ao poder pela primeira vez em 1979 e governou até 1992, quando organizou as primeiras eleições multipartidárias do país. Retornou ao poder como líder de uma milícia após uma guerra civil de quatro meses em 1997.

Outros dois grandes partidos boicotaram as eleições devido a alegações de práticas eleitorais injustas.

Um referendo constitucional em 2015 eliminou os limites de idade e de mandatos presidenciais, permitindo que ele se candidatasse novamente.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, afirmou que a visita oficial à sede da União Europeia  (UE), em Bruxelas, no Reino da Bélgica, constituiu uma oportunidade  privilegiada para reforçar as históricas relações de amizade,  solidariedade e cooperação entre a República de Moçambique e a  União Europeia, uma parceria estratégica que continua a  desempenhar um papel de relevo no desenvolvimento económico social do país. 

Falando no balanço da missão, o Chefe do Estado referiu que a visita  reafirmou a União Europeia como um dos principais parceiros de  cooperação e desenvolvimento de Moçambique, com o qual o país  pretende continuar a aprofundar as relações de amizade e 

cooperação, tornando-as cada vez mais dinâmicas, equilibradas e  orientadas para resultados com benefícios mútuos. 

“Deste modo, saímos de Bruxelas com a firme convicção de que  abrimos novas perspetivas para o aprofundamento desta parceria  estratégica tanto no plano político como no plano econômico e social  para o desenvolvimento do nosso país”. 

Durante a visita, o Presidente da República manteve encontros de alto  nível com diversas autoridades europeias, incluindo o Presidente do  Conselho Europeu, António Costa, membros da Comissão Europeia e  representantes do Parlamento Europeu, com os quais fez uma análise  franca e construtiva da cooperação bilateral entre Moçambique e a  União Europeia. 

Segundo o estadista, os encontros permitiram constatar progressos em  áreas-chave como a governação, o desenvolvimento sustentável, a  segurança, a transformação digital e a transição energética, tendo  igualmente contribuído para o reforço do diálogo estratégico sobre  questões regionais e internacionais, com destaque para os desafios da  paz, segurança e desenvolvimento sustentável. 

No plano económico, o Chefe do Estado destacou o crescente  interesse de empresários europeus em investir em Moçambique,  evidenciado pela elevada participação em encontros empresariais  realizados no quadro visita, sublinhando que o país continua  empenhado em criar um ambiente favorável ao investimento e ao  fortalecimento de parcerias mutuamente vantajosas. 

“Um dos eixos centrais desta visita foi o aprofundamento da  cooperação económica, onde tivemos encontro com empresários  belgas, organizado pelo Governo Federal belga, bastante concorrido  aqui na Europa, o que demonstra de forma clara e inequívoca o  interesse que os empresários europeus têm em investir no nosso país”. 

Outrossim, destacou ainda a realização do Digital Open Day UE Moçambique como um marco importante no reforço da cooperação  no domínio da transformação digital, considerada uma área  estratégica para o futuro das economias e para a inclusão social.

O Sporting de Portugal, equipa onde milita Geny Catamo, garantiu a qualificação para os quartos-de-final da Liga dos Campeões Europeus. Com o internacional moçambicano a titular, os “leões” venceram  a formação do Bodo/Glimt por cinco bolas sem resposta, em jogo da segunda mão da prova. 

A turma orientada Rui Borges recuperou da desvantagem do jogo da primeira mão, em que perdeu por 0-3. Com a qualificação, o Sporting quebra o jejum de 44 anos sem alcançar essa fase da prova, em que vai defrontar o Arsenal.

A Primeira-Dama defende que não será possível alcançar o desenvolvimento enquanto não houver paz. Gueta Chapo, que falava num encontro com mais de três mil mulheres, diz ser necessário fortalecer o apoio social às populações e o espírito de partilha.

A Primeira-Dama de Moçambique, Gueta Chapo, reuniu, nesta terça-feira, mais de três mil mulheres representantes de famílias carenciadas, muitas das quais afectadas pelas recentes inundações na cidade e província de Maputo. O encontro serviu como espaço de interacção e reflexão, marcado por apelos à paz, unidade e solidariedade entre os moçambicanos.

Durante a sua intervenção, a esposa do Presidente da República destacou que o desenvolvimento do país está directamente ligado à estabilidade social e aos valores espirituais.

“Não há desenvolvimento verdadeiro sem a paz. E não há paz duradoura sem valores espirituais”, afirmou Gueta Chapo.

Num contexto marcado por períodos religiosos significativos, a Primeira-Dama  sublinhou a importância da reflexão individual e colectiva. “Neste período de jejum e de Quaresma, somos todas chamadas a reflectir sobre a forma como podemos contribuir para um país melhor”, disse, apelando ainda à educação das novas gerações com base em princípios sólidos: “Que possamos educar os nossos filhos e filhas nos valores da paz, da honestidade e do respeito pelo próximo”.

Gueta Chapo destacou também a necessidade de inclusão e respeito pelas diferentes crenças religiosas, referindo-se tanto ao Ramadão, vivido pela comunidade muçulmana, como à Quaresma, observada pelos cristãos.

“Para as nossas irmãs muçulmanas, decorre o período sagrado do Ramadão, um tempo de profunda reflexão, disciplina espiritual, solidariedade e aproximação a Deus. Para as nossas irmãs cristãs, vivemos o tempo da Quaresma, igualmente marcado pela oração, pelo jejum e pela renovação da fé”, explicou.

Segundo frisou, apesar das diferenças religiosas, os valores partilhados são universais. “Estes dois momentos espirituais, embora provenientes de tradições diferentes, carregam valores que nos unem como seres humanos: a humildade, a solidariedade, o perdão, a compaixão e o amor ao próximo”, disse.

Na ocasião, foi igualmente reforçada a importância de apoiar as pessoas em situação de vulnerabilidade, independentemente das suas crenças religiosas, promovendo uma sociedade mais inclusiva.

O evento contou ainda com a oferta de mais de três mil kits de alimentação e higiene às participantes. A iniciativa destacou, igualmente, a necessidade de reforçar a reconciliação nas comunidades e promover a unidade nacional como pilares essenciais para o desenvolvimento sustentável do País.

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