A Fundação Joaquim Chissano quer afirmar-se como uma plataforma de reflexão, diálogo e construção de consensos para contribuir na resposta aos principais desafios de Moçambique. A instituição pretende reunir Governo, sector privado, academia, sociedade civil, parceiros internacionais e cidadãos na procura de soluções para questões relacionadas com a paz, o desenvolvimento sustentável, a governação, a inclusão social e a produção de conhecimento, num contexto em que considera que os problemas actuais exigem respostas colectivas e não acções isoladas.
Esta visão está consagrada no Plano Estratégico 2026-2035, documento que orientará a actuação da Fundação durante os próximos dez anos e que parte da convicção de que Moçambique enfrenta uma nova realidade, marcada por profundas transformações políticas, económicas, tecnológicas e sociais. A instituição entende que os desafios nacionais estão cada vez mais ligados às mudanças que ocorrem no mundo, desde os efeitos das alterações climáticas até à rápida evolução da inteligência artificial, passando pelos conflitos armados, violência, criminalidade transnacional e crescentes exigências da juventude africana por oportunidades, participação e dignidade.
Perante este cenário, a Fundação considera que é necessário criar espaços permanentes de diálogo, reflexão e produção de conhecimento que permitam aproximar diferentes sensibilidades e construir soluções sustentáveis para o desenvolvimento do país.
“Nenhuma tarefa desta envergadura pertence, por exemplo, exclusivamente ao Governo, ao sector privado ou à sociedade civil em separado. Pelo contrário, as respostas a estes desafios são responsabilidades partilhadas”, defendeu o presidente do Conselho de Administração da Fundação, Joaquim Chissano, sublinhando que apenas uma actuação articulada permitirá alcançar resultados relevantes para o país.
A estratégia da Fundação assenta precisamente nessa lógica de complementaridade. A organização deixa claro que não pretende assumir funções que competem ao Estado, mas contribuir para fortalecer o ambiente de diálogo e cooperação entre os diferentes actores nacionais.
“Não procuramos substituir o Estado. Queremos complementá-lo. Não pretendemos falar em nome da sociedade. Queremos trabalhar com ela, para ela e por ela”, afirmou Joaquim Chissano, acrescentando que a ambição da instituição passa por criar condições para que os cidadãos participem activamente na construção de um ambiente pacífico e democrático.
O plano identifica igualmente o capital humano como o principal recurso estratégico de Moçambique. Para a Fundação, o futuro do país dependerá menos da abundância de recursos naturais e mais da capacidade de valorizar as pessoas e criar oportunidades para o seu desenvolvimento.
“O nosso maior activo estratégico não são os nossos recursos minerais, nem o gás, nem a posição geográfica, mas sim são as pessoas”, afirmou Joaquim Chissano, destacando o papel desempenhado pelos jovens, mulheres, professores, profissionais de saúde, agricultores, empreendedores, trabalhadores do sector informal, funcionários públicos e membros das forças de defesa e segurança na construção do país.
Segundo o antigo Chefe de Estado, será precisamente este capital humano que estará no centro da intervenção da Fundação ao longo da próxima década, procurando reforçar a paz, estimular o desenvolvimento e consolidar uma cultura de participação e inclusão.
A construção da paz constitui, aliás, um dos principais eixos estratégicos do documento. A Fundação manifesta preocupação com o crescimento da violência em diferentes dimensões da sociedade, com especial incidência sobre mulheres e raparigas, considerando que este fenómeno representa uma ameaça ao desenvolvimento e à democracia.
No seu discurso, Joaquim Chissano defendeu que a violência baseada no género deve deixar de ser encarada como um problema exclusivamente das vítimas, apelando a uma mobilização colectiva para a sua erradicação.
“Chega! Precisamos de sair do lugar do problema e ir para o lugar da solução”, afirmou, acrescentando que “a paz é o maior investimento para o desenvolvimento e o bem-estar de todas as cidadãs e de todos os cidadãos”.
O antigo Presidente fez igualmente questão de sublinhar que a instituição deve ser entendida como um património colectivo e não como um projecto pessoal.
“A Fundação Joaquim Chissano não é de Joaquim Chissano. É uma Fundação com o nome dele. A Fundação é vossa”, declarou perante os convidados, apelando para que todos assumam a organização como um espaço de participação e construção colectiva.
Estas posições foram apresentadas esta quinta-feira, em Maputo, durante a cerimónia de lançamento do Plano Estratégico 2026-2035 da Fundação Joaquim Chissano, realizada sob o lema “Congregar sinergias para um mundo de paz”, que reuniu representantes do Governo, corpo diplomático, sector privado, academia, organizações da sociedade civil e parceiros de cooperação.
Reforçado pelas valorosas basquetebolistas moçambicanas, Ingvild Mucauro e Tamara Seda, o Interclube e o D’ Agosto iniciam, quinta-feira, 30 de Maio, às 18h00, no pavilhão da Cidadela, em Luanda, a disputa do “play-off” (a melhor de cinco jogos) da final da Liga Azule de basquetebol angolano.
É nada mais nada menos que a reedição da final do ano passado, na qual as “polícias” derrotaram as “agostinas” por 3-0, num “play-off” a melhor de três jogos. No jogo 1, o Interclube venceu por 72-57.
Pressionado, o D’Agosto fez de tudo para empatar a série, mas perdeu no limite do jogo 2 por 93-90. Forçado a adiar a decisão do título, no jogo 3, o D’Agosto não teve argumentos para travar o Interclube que conquistou a prova após triunfo por 76-69.
A verdade, e socorrendo-se dos números, manda dizer que Tamara Seda foi decisiva, na altura, para o Interclube conquistar o título ao contabiizar um duplo-duplo de 27 pontos e 10 ressaltos no jogo 3, disputado no Pavilhão Acácias Rubras, em Benguela.
Desta vez, como será? A ver vamos. O que é certo é que Paulo Macedo (coach do D’Agosto) e Elisa Pires (Interclube) terão que apresentar argumentos, quer defensivos, quer ofensivos, para erguerem o troféu na edição número 30 do Campeonato Angolano de Basquetebol sénior feminino.
De resto, Paulo Macedo transpira experiência, não tivesse ele sido seleccionador nacional dos hendecacampeões africanos, Angola.
Do lado contrário, estará Elisa Pires, aposta de Edson Quixito, vice-presidente do Interclube para o basquetebol, desde Janeiro de 2023.
Pires acumula bagagem como adjunta do ex-treinador do Interclube, Julian Martinez (já foi seleccionador nacional de basquetebol sénior feminino), e antiga seleccionadora nacional de basquetebol de Angola de sub-17 e 18.
TAMARA DECISIVA NAS MEIAS-FINAIS!
No jogo 2 do “play-off” das meias-finais, Tamara Seda dominou nas tabelas ao arrancar dum duplo-duplo, ou seja, 16 pontos e 13 ressaltos. Discreta, e longe dos “targets” a que nos habituou, Ingvild Mucauro ficou-se pelos dois pontos. Espera-se, dado o seu real valor, que venha ao de cima a diferença que tem marcado na quadra neste “play-off” da final da Liga Azuele. No decisivo jogo 2 do “play-off” das meias-finais, o Interclube derrotou as Formigas do Cazenga, por 72-45.
Para atingir a final, o D’Agosto “despachou” a sua equipa secundária na fase anterior, fazendo o 2-0 no “play-off” a melhor de três jogos. As “agostinas” derrotaram, no passado dia 23 de Maio, o seu adversário das meias-finais por 77-38 no jogo 2. Sem nenhuma dificuldade, o D’Agosto colocou-se em vantagem na série com uma vitória expressiva por 69-49 no jogo 1.
Cerca de 50 pessoas morreram durante o ataque aéreo israelita a um acampamento de deslocados no nordeste de Rafah. Estas informações foram avançadas pelo Ministério de Saúde de Gaza, segundo o qual, a maioria dos mortos e dezenas de feridos eram mulheres e crianças.
Dois dias depois do Tribunal Internacional ter ordenado a suspensão de ataques militares em Rafah, o exército de Israel confirmou os ataques e disse que atingiu uma instalação do Hamas e matou dois membros do grupo palestiniano.
Um porta-voz do Crescente Vermelho Palestiniano disse que o número de mortos, provavelmente, vai aumentar à medida que os esforços de busca e resgate continuarem no bairro de Tal al-Sultan, em Rafah.
O ataque aéreo foi relatado horas depois de o Hamas ter lançado mísseis de longo alcance a partir de Gaza contra Israel.
Não há relatos de vítimas neste que foi o primeiro ataque com mísseis de longo alcance a partir de Gaza desde janeiro.
Foram liberados em Djibuti, um país da África Oriental, mosquitos geneticamente modificados, como forma de combate à Malaria, causada por um vector invasivo.
A iniciativa teve arranque, nesta quinta-feira, depois de, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), os casos de Malaria, em Djibuti, terem disparado de 27, em 2012, para mais de 70 000, nos últimos anos.
O órgão de saúde atribui o aumento de casos à chegada do Anopheles stephensi , uma espécie invasora de mosquito asiático que transmite a doença mortal. Esta espécie também foi detectada na Etiópia e na Somália , vizinhos do Djibuti no Corno de África, representando uma ameaça regional significativa.
Ao contrário da maioria dos mosquitos transmissores da malária em África que se reproduzem em zonas rurais , o Anopheles Stephensi prospera em ambientes urbanos, intensificando o desafio de saúde pública no Djibuti, que é predominantemente urbano.
Gray Frandsen, CEO da empresa de biotecnologia norte-americana Oxitec, que desenvolveu os mosquitos geneticamente modificados libertados no Djibuti, disse que o mosquito Anopheles stephensi representa uma grande ameaça no combate a Malária.
“Os Anopheles stephensi escapam às ferramentas convencionais, são resistentes aos insecticidas e aos que picam durante o dia, reduzindo a eficácia dos mosquiteiros”, explicou Frandsen.
O ministro da Saúde do Djibuti, Ahmed Robleh Abdilleh, acrescentou que o seu país estava a experimentar a nova tecnologia desenvolvida pela Oxitec e acredita que poderia ser uma forma de reverter a situação de aumento de casos de malária na região.
“Estamos em fase piloto, mas acreditamos na tecnologia. Temos certeza de que será uma virada de jogo”, disse Abdilleh.
Amigos e familiares juntaram-se este domingo, na Igreja de Cristo Unida em Moçambique, paróquia da Malhangalene, para celebrar os 100 anos de vida de Arão Zacarias Nguenha, pastor daquela confissão religiosa.
Com alegria, o pastor partilhou as suas experiências de vida, onde fez saber que o segredo da longevidade é ser temente a Deus acima de qualquer coisa.
“Isto é uma confiança de Deus, é uma confiança do próprio Deus. Nem eu imaginava que um dia pudesse celebrar esta data importantíssima, cem anos. O segredo é confiar em Deus e amarmo-nos uns aos outros conforme ele manda”, disse Arão Nguenha.
Para os seus filhos, Nguenha é descrito como um homem invicto, que os educou com “”punho de ferro”.
“Para ele, tudo precisava de uma preparação. Não se podia levar uma pessoa a desafios sérios sem preparação. Então, isso nos ajudou muito, a mim e aos meus irmãos”, disse Alcidio Nguenha, filho do centenário, também antigo Ministro da Educação.
No auge das celebrações, a Igreja de Cristo Unida em Moçambique, paróquia da Malhangalene, reconheceu todo o papel do pastor, como fundador da célula que hoje congrega centenas de cristãos.
Nascido em 1924, em Sofala, Arão Nguenha é professor e pastor de igreja. Viúvo, pai de dois filhos, cinco netos e seis bisnetos.
Professores e alunos do ensino primário e secundário marcharam hoje em apelos para maior consciência sobre os direitos da criança africana, em especial, da moçambicana. Em apelo, os professores defendem que é preciso garantir “hoje um futuro saudável” as crianças do continente.
Com vestes e danças, foi um desfile pelas avenidas da capital do país. Os particpantes empunhavam as bandeiras dos países do continente historicamente conhecido como o “Berço da humanidade”.
O professor Luís Loforte, que dirigia a marcha disse que é uma ocasião especial e importante para as crianças, pais e encarregados de educação compreenderem o respeito que devem ter pelos direitos da criança.
“No final do dia temos todos nós de nos empenhar, primeiro em transmitir as crianças sobre os seus direitos assim como nós os adultos devemos encarar como nosso dever. Temos de pensar que o futuro do nosso continente é o futuro destas gerações. Temos de pensar que tudo aquilo que não fizemos nas nossas gerações, oxalá possamos transmitir pouco disto as gerações vindouras”, disse.
Uma vez que a marcha é feita em prol das celebrações do Dia de África, data que se regista a cada 25 de Maio, Luís Loforte explicou também a importância da identidade cultural africana.
“Não há melhor forma de axaltar e celebrar África. Nós fazemos isto com os nossos alunos para que desde pequenos, através de manifestações culuturaiis como: a dança, poesia, gastronomia e alguns trajes, possamos transmitir para a sociedade a importância de todas as sociedades africanas aqui representadas pelos professores, alunos e pais” referiu.
Os petizes que também são “donos da festa”, mostraram que sabem por que comemoram. “Estamos a celebrar a todos nós então temos todos de celebrar o Dia de África” disse uma aluna do ensino primário.
Por sua vez, os encarregados de educação que acompanharam a marcha reforçaram que as crianças precisam desta educação de forma continua. “Para nós é com muito orgulho que transmitimos valores a essas crianças. Nós mostramo-las quem nós somos e quais são as nossas raízes, e que continuemos a alimentar esta esperança as nossas crianças”, acrescentou Suzana.
Maputo acolheu, ontem, a segunda edição do “Poder do Network”. Um evento que juntou, no mesmo palco, oito jovens palestrantes, empresários de sucessos, moçambicanos e brasileiros.
Cerca de 1500 jovens, juntaram-se na mesma sala, por cerca de 10 horas, para ouvir directamente da boca de Bruno Avelar, Davi Braga, Lineu Candieiro, Mayra Cardi, Ayaz Hassan, Carlinhos Malaquias, Nilza Chipe e Thiago Nigro, jovens empresários, alguns milionários e outros até bilionários qual é o poder do Network e quais são os aspectos importantes a se ter em conta para se ser bom empreendedor.
No evento falou-se também dos caminhos para se ser vencedor. Quem começou foi empresários, , especialista em network e conexões, residente nos Estados Unidos da América, mas nascido no Brasil.
“É importante que aquela pessoa que quer ser empreendedor saiba que desistir está fora de hipóteses, mas que também não deixe que a sua situação actual defina quem você é. Acredite em você, nunca desista, tenha fé, porque a fé está ligada a esperança e a esperança é o que te basta para poder vencer”, aconselhou Avelar.
O especialista em network e conexões disse que para se ter sucesso é preciso escolher bem as companhias, pois são elas que decidem quem nos tornaremos.
“Se as companhias forem medíocres, também seremos pessoas medíocres, porque elas não tem nada a oferecer é preciso nos afastarmos delas, mas se forem boas só temos a ganhar e precisamos nos aproximar a este tipo de pessoas, é tudo sobre conexao”.
E porque era tudo sobre vencer, foi trazido ao de cima, também, o facto de que o estado mental é determinante para o que as pessoas querem se tornar, conforme explicou Nilza Chipe, palestrante moçambicana.
Sempre atentos e com bloco e caneta na mão, os participantes apontavam cada dica que lhes era dada. Davi Braga, jovem de 23 anos e milionário brasileiro que criou sua primeira empresa com 13 anos, disse que é as pessoas não devem ter medo de começar, e é preciso comer pelo simples que o resto virá sem muita dificuldade, mas que também não se deve ter medo de errar, pois é uma chance de se melhorar.
Cada palestrante falava de si, da sua experiência. Cada dúvida ia sendo sanada, cada sonho concretizado e o sentimento de satisfação era expresso através do sorriso no rosto de cada participante.
Aplausos não faltaram, sempre que o público se sentisse tocado, e isso chamou atenção daqueles que saíram do Brasil para Moçambique. Mayra Cardi e Thiago Nigro, considerado o maior youtuber do mercado financeiro, revelaram que nunca antes tinham encontrado um público assim.
“Palestrar foi muito incrível, tivemos muito retorno, o público respondia às nossas questões, interagiam, riam, batiam palmas e isso é muito importante para um palestrante porque sentimos que a informação que estamos a passar está a chegar e nos incentiva a continuar, senti uma galera sedenta para aprender. Muitas vezes palestramos para pessoas muito sérias e fechadas e aqui as pessoas mostravam que querem crescer”, celebrou Nigro.
Marquinhos Malaquias esteve cá pela segunda vez e diz que sai do poder da Network, não só com sentido de que a sua mensagem chegou ao destinatário, mas com vontade de voltar mais vezes, mesmo sem ainda ter voltado para casa.
O network foi feito, negócios foram fechados e houve quem num leilão conseguiu levar para casa um livro depois de pagar um milhão de meticais, na verdade foram duas participantes, que pagaram esse valor pelo livro de Bruno Avelar com o título “Descubra o seu nível de maturidade”.
Linda Cumbane diz que se tratou de um gasto, mas de um investimento pois usará o livro como sua segunda bíblia, enquanto empreendedora pois lá há muito conhecimento escrito e tem certeza que o milhão que ganhou, a partir do que está escrito no livro terá o retorno milhões de vezes, assim que aplicar os conhecimentos.
Um dos segredos para o sucesso lá apresentado, foi a arte da organização, e por estar bem vestido houve quem ganhou consultoria gratuita e um dia de interação com Bruno Avelar.
Quem lá esteve diz que não se arrepende e já espera por outras edições, como o caso de Valter João.
“Aprendi coisas novas, coisas que nalgum momento até sabemos mas não damos aquela importância, mas quando se realça fica a ser uma lição muito importante, pretendo sair daqui um homem novo, um homem que vai aplicar estes conhecimentos nos meus projectos”, disse.
Segundo o organizador do evento, Lineu Candieiro, era importante trazer uma vez mais pessoas de sucesso a Moçambique num contexto em que os jovens também querem vencer na vida através do empreendedorismo.
“Nós queremos que os empreendedores e empresários moçambicanos estejam no mesmo nível de igualdade com os empresários de qualquer parte do mundo, então há necessidade de haver troca de experiências, razão pela qual tivemos palestrantes moçambicanos que falaram da sua experiência e os estrangeiros que já sabem o que é fazer negócio e o que realmente estão a fazer, assim todos saímos a ganhar”, disse.
Esta é a segunda edição onde participaram cerca de 1500 pessoas, diz que foi um sucesso e já prepara mais uma, onde os palestrantes serão jovens empresários que fazem sucesso noutras províncias do país.
Depois de Maputo o poder do Network segue para Luanda no dia 1 de Junho.
Foto: O país
Os moradores de Chamanculo e Mavalane reclamam de uma perturbação resultante de uma poluição sonora, causada pelo som alto de barracas e casas de pastos durante às madrugadas. Os mesmos denunciam que os proprietários não cumprem o horário de encerramento estabelecido por lei.
Com vista à resolução do problema, a Assembleia Municipal de Maputo fez a revisão da postura sobre poluição sonora de 2001, que resultou na Resolução nº 43/AMM/2015 que no artigo 3 denuncia: “Emissões sonoras que constituam poluição sonora, para os que trabalham ou residam nos espaços vizinhos ou circundantes (…) no período compreendido entre às 21:00 e às 6:00”.
Em resposta ao elevado número de queixas, em Março de 2022, a Polícia Municipal decidiu aplicar a lei, isentando apenas os donos de estabelecimentos com licença de “portas-abertas”, isto é, com uma autorização paga que lhes permite tocar alto até a meia noite. Ou seja, quem quiser fazer poluição sonora deve pagar.
“Este postulado vem para colocar limites na questão da emissão sonora”, disse o porta-voz da Polícia Municipal, Mateus Cuna.
Entretanto, parece que o objectivo não está a ser alcançado. Segundo os moradores do bairro de Chamanculo, os proprietários das casas excedem o horário imposto pela lei pertubando o descanso de todos. “Quando chega quinta, sexta, sábado e domingo nós não dormimos. Eles tocam música até segunda-feira às 9horas. Nós estamos cansados”, disse um jovem em anónimato.
Jaime Tovela acrescenta que “essa zona está assim porque tem muitas barracas, há que se ter limite para brincar”.
Os residentes queixam-se que a música e o ambiente de noite têm causado desconforto. “As pessoas fazem necessidades por ai e muitas outras coisas dentro dos carros. Nós estamos fartos disso”, disse um morador de Chamanculo.
O mesmo problema enfrentam os residentes de Mavalane, na capital do país, que também são forçados a conviver com o barrulho provocado pelas casas de pastos, que afecta a sua saúde, principalmente da terceira idade.
“Eu, Cacilda, tenho problema de tensão e quando ouço esse barrulho fico incomodada. E não só eu, tem uma vizinha ao lado que nem sair não saí por causa de doença por esse barrulho”, disse Cacilda Mahumane, residente do bairro de Mavalane.
Um cenário que compromete não só a saúde, mas também os estudos e o trabalho dos que residem nas proximidades. “As crianças atrasam na escola por causa desse barrulho. Porque dormem tarde e principalmente minha família. Mesmo eu atraso no serviço porque durmo 4h ou 5h, na hora que já tinha que acordar para ir trabalhar”, explicou Mariana Anselmo, moradora de Mavalane.
A lei sobre poluição sonora considera ruído todo o som superior a 70 decibéis, unidade usada para medir a intensidade do som. O ambientalista Fraydson Sebastião alerta para os riscos que podem ser causados à saúde das pessoas provocados pelo som acima do recomendado. “A poluição sonora pode causar vários problemas dentre as quais o estresse, depressão, insônia, perda de atenção, dor de cabeça, cansaço, perda parcial de audição e a mais grave: perda total de audição”, explicou o ambientalista Fraydson Sebastião.
Na tentativa de salvaguardar a saúde e tranquilidade pública, a Polícia Municipal, na semana passada, fiscalizou mais de 40 barracas, tendo, metade delas, sido fechadas por tocarem música acima da hora combinada, violando assim a lei.
“Na última semana, nós inspeccionamos cerca de 43 estabelecimentos e fechamos 20 estabelecimentos. 15 foram multados por incumprimento da lei”, explicou Ernesto Zualo, comandante da Polícia Municipal.
Segundo a Inspecção Nacional de Actividades Económicas, maior parte desses estabelecimentos dispõem da licença de “porta-aberta” e, por isso, permanecem até altas horas. Porém, a licença só autoriza a permanência em aberto até a meia noite, sem extensão de tempo.
“Eu tenho licença e nem sei porque estão a fechar”, explicou uma proprietária de um estabelecimento com licença “porta-aberta”.
E por essa razão, nas próximas semanas, a Inspecção Nacional de Actividades Económicas pretende encerrar mais de 20 estabelecimentos. “A INAE tem uma lista de cerca de 23 estabelecimentos com propostas de encerramento e retirada de licença de ‘portas-abertas’ por incumprimento da lei”, revelou Tomás Timba, Porta-voz do INAE.
A Vereação das Actividades Económicas e Turismo do Munícipio de Maputo, através da Direcção Municipal do Turismo, diz que o problema de violação do horário de fecho deve-se à falta de clareza dos donos de estabelecimentos em relação a licença de “portas-abertas”.
“A licença de portas-abertas é uma licença para a extensão do horário de fecho até as zero horas. A licença não é para ficar o dia todo e fazer um vento. Isso requer um outro tipo de licença. E há um problema de interpretação sobre as licenças entre os nossos operadores”, explicou Leonel Matos, da Direcção Municipal do Turismo.
Enquanto os operadores não se esclarecem, moradores de Chamanculo e Mavalane, bem como outros bairros, continuarão sofrendo com a poluição sonora à noite.
Pelo menos 30 pessoas morreram este sábado e mais de 60 ficaram feridas durante confrontos entre o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido e o Exército do Sudão em Al-Fashir. De acordo com as autoriades a maioria das vítimas são mulheres e crianças.
Em comunicado, citado pela EFE, os confrontos ocorreram na capital do estado de Darfur Norte, após a crescente violência nos bairros residenciais e acampamentos de deslocados na cidade e arredores.
Fontes do Crescente Vermelho sudanês em Darfur Norte indicaram à EFE que os confrontos continuaram hoje com grande intensidade, decorrendo sobretudo em bairros residenciais, refúgios e instalações civis.
Na sexta-feira foi registado um ataque a mesquita de Khatam al-Anbiya, onde um menino ficou gravemente ferido durante a oração de sexta-feira e acabou por morrer no Hospital Sul de Al-Fashir, o principal da localidade e um dos poucos em funcionamento.
Ahmed Hussein, porta-voz das Forças sudanesas disse que nas últimas duas semanas conseguiram “esmagar” os combatentes das Forças de Apoio Rápido (FAR) que tentam conquistar Al-Fashir há meses e garantiu que continuarão esforços de minimizar a ofensiva rebelde que usa arma pesadas.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou que os confrontos dos últimos dias tiveram lugar no acampamento de deslocados de Abu Shouk, no norte de Al-Fashir, assim como no bairro de Al Salam e em zonas do sudeste da cidade, provocando o deslocamento de pelo menos 400 famílias.
Com o objectivo de dinamizar a actividade pesqueira e acelerar o desenvolvimento na província de Nampula, o presidente da República, Filipe Jacinto Nyusi anunciou que Angoche passará a contar com um novo porto a partir de Julho. O anúncio foi feito este sábado durante a inauguraão do Mercado de Peixe, na zona turística de Chocas Mar, em Mossuril.
De acordo com o presidente será um porto muliti-uso, que numa primeira fase vai compreender a parte de pesca, mas vai evoluir para acomodar a exportação de outros productos incluíndo minerais.
“Nós vamos construir em Julho. Vai ser um porto de pescas construido de forma evolutiva. A primeira fase que vamos lançar terá grande impacto a partir da Baía de Sofala, Pebane até Moma. É uma zona que tem muito peixe e com o novo porto vai facilitar o embarque e desembarque do peixe para os grandes portos.”
Ao futuro porto junta-se a estrada Angoche-Nametil que já está em construção, num troço de cerca de 100 km que vai completar a ligação terrestre entre Angoche e a cidade de Nampula.
Segundo Manuel Rodrigues, governador de Nampula, as duas infraestruturas configuram uma das maiores oportunidades para o desenvolvimeto de Angoche e não só. “Para nós está realização do porto de pesca e as obras de asfaltagem são um marco que irá catapultar o desenvolvimento e completar a cadeia de produção pesqueira na região”, acrecentou.
Nampula tem 10 distritos ao longo dos cerca de 2770 quilómetros de costa do país.