O governador do Banco de Moçambique afirmou que a estrutura salarial da instituição não sofreu quaisquer alterações durante o seu mandato, rejeitando as críticas que, nas últimas semanas, têm surgido em torno dos níveis de remuneração dos funcionários e dirigentes.
Segundo o responsável, o modelo salarial actualmente em vigor existe há vários anos, tendo sido herdado de administrações anteriores. “Desde que assumi funções, não alterei a estrutura salarial”, afirmou, acrescentando que as contas do banco são publicadas anualmente e sempre reflectiram a mesma política remuneratória.
O governador considerou estranho que o tema tenha ganhado destaque apenas no final do seu mandato, defendendo que a discussão está a ser alimentada pelo contexto da transição de liderança. “Parece que, agora que estou de saída, transformou-se num problema”, declarou.
Relativamente às críticas segundo as quais os salários seriam financiados com recursos do Estado, esclareceu que o orçamento do Banco de Moçambique é autónomo em relação ao Orçamento do Estado. Segundo explicou, as despesas da instituição são suportadas pelo próprio banco e não constituem encargos directos para os cofres públicos.
O responsável sublinhou ainda que os reajustamentos salariais obedecem a um Acordo Colectivo de Trabalho, negociado entre a Associação Moçambicana de Bancos, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sistema Financeiro e as instituições bancárias, incluindo o Banco de Moçambique. De acordo com o governador, os aumentos são definidos anualmente no âmbito desse acordo e não resultam de decisões unilaterais da administração.
No que respeita aos valores que têm circulado nas redes sociais e nalguns espaços públicos, o governador classificou-os como «absurdos» e afirmou que muitos resultam de interpretações incorrectas das demonstrações financeiras. Explicou que a rubrica relativa a salários inclui igualmente provisões para responsabilidades actuariais, designadamente benefícios futuros dos trabalhadores no activo e dos reformados, conforme exigem as normas contabilísticas e os auditores.
O governador concluiu afirmando que as acusações de irregularidades não correspondem à realidade e defendeu que a gestão salarial do Banco de Moçambique sempre respeitou os procedimentos legais e institucionais em vigor.
A Catalogus lança, esta sexta-feira, às 18 horas, o livro “Amores e outras cores”, da autoria de Armindo António, no Instituto Guimarães Rosa – Centro Cultural Brasil-Moçambique, em Maputo, com a apresentação de Aissa Mithá Issak.
No livro, “Armindo António traz-nos uma narrativa que leva-nos a concluir que o verdadeiro amor transcende as barreiras raciais. Alves Pereira da Veiga, um engenheiro recém-formado, chega a Moçambique vindo de Portugal, cheio de sonhos e ambições. Como que por uma escolha do destino, os seus caminhos cruzam-se com os de Melinha, uma mulher negra moçambicana por quem, contra tudo e todos, se entrega por completo”.
De acordo com a nota de imprensa, conhecer o romance protagonizado por Melinha e Alves é um convite a voltar no tempo e reflectir sobre a miscigenação, uma realidade muito presente na sociedade moçambicana. É também uma oportunidade para perceber que, durante o período colonial, muitas histórias de amor infelizmente não conseguiram resistir às limitações impostas pelas leis coloniais.
Tal como no seu primeiro livro “Sobreviver ao fogo” (2023), Armindo António traz, em “Amores e outras cores”, uma escrita carregada de perspicácia e direcção, sendo profundo e sensível ao mesmo tempo. As desavenças familiares, a tradição e o amor são temáticas predominantes neste livro, onde o autor apresenta uma escrita afinada, assertiva, que leva o leitor para dentro da história, apresentando as personagens e os enredos de forma subtil.
O livro é editado pela Catalogus, numa sessão que contará com leituras de Marcela Matimbe.
“Roleta Russa”, de Santos Mabunda, é uma peça visualmente complexa e instigante, que exige uma observação cuidadosa, na qual cada elemento parece contar parte de uma história maior. A justaposição de formas geométricas e figuras humanas sugere uma narrativa densa e multifacetada, o contraste em preto e branco adiciona uma qualidade dramática e atemporal à peça, sugerindo profundidade e seriedade no tema abordado.
A composição da obra é um emaranhado de formas e linhas que se entrelaçam de maneira quase caótica, mas que seguem uma harmonia interna. É também composta por dança de formas e figuras, em que o olho do observador é continuamente atraído para diferentes partes da obra. A interacção entre formas geométricas e figuras humanas cria uma sensação de movimento e conflito.
O estilo de Mabunda, com as suas claras influências do cubismo e surrealismo, quebra as convenções tradicionais de representação, permitindo ao espectador uma interpretação mais subjectiva e emocional da obra.
A técnica de desenho utilizada por Mabunda é impressionante. As linhas são finas e detalhadas, e a precisão com que cada elemento é executado demonstra um domínio técnico elevado. O Passe-partout, utilizado de forma criativa, não só emoldura a obra, mas também participa dela, acrescentando uma camada adicional de profundidade e complexidade, permitindo acentuar suas qualidades visuais e a criar um espaço de reflexão em torno da mesma.
A paleta de cores monocromática (preto e branco) amplifica o drama e a tensão da obra. As formas geométricas, predominantemente quadrados e rectângulos, interagem com as figuras humanas de maneira a criar uma sensação de claustrofobia e incerteza. Os olhos dispersos pela composição parecem vigiar e interagir com o espectador, aumentando a sensação de estar sendo observado.
O título “Roleta Russa” sugere uma temática de risco e fatalidade. As figuras humanas na obra parecem estar envolvidas em uma situação de tensão extrema, talvez simbolizando a imprevisibilidade e a fragilidade da vida. As formas geométricas podem ser vistas como tentativas de imposição de ordem e controlo sobre uma situação intrinsecamente caótica e perigosa. O simbolismo dos olhos pode representar vigilância, paranoia ou introspecção, adicionando camadas de significado à interpretação da obra.
Santos Mabunda, conhecido por suas obras que frequentemente abordam temas sociais e psicológicos, traz para esta peça uma profundidade que reflete suas preocupações artísticas. A sua habilidade em criar narrativas visuais, que ressoam emocionalmente com o espectador, é evidente em “Roleta Russa”. A obra reflecte não só o contexto pessoal do artista, mas também questões mais amplas de humanidade, risco e vulnerabilidade.
No cenário contemporâneo da arte, “Roleta Russa” se destaca por sua combinação de técnica refinada e mensagem poderosa. A originalidade de Mabunda é visível na forma como o artista utiliza influências de movimentos artísticos passados para criar algo que é ao mesmo tempo inovador e profundamente reflexivo. A obra tem um apelo universal, abordando temas que são relevantes em qualquer contexto cultural.
A obra provoca uma forte reacção emocional, despertando uma sensação de inquietação e introspecção. A complexidade dos elementos visuais e simbólicos exige uma contemplação prolongada, recompensando o espectador com novas descobertas a cada observação, revelando um novo detalhe ou significado.
“Roleta Russa” é uma obra que demonstra o talento de Santos Mabunda em criar arte que é ao mesmo tempo tecnicamente brilhante e emocionalmente ressonante. A peça é uma exploração profunda de temas de risco, controlo e vulnerabilidade, apresentada através de uma composição visualmente rica e detalhada. Mabunda continua a afirmar-se como um artista cuja obra não só desafia as convenções, mas também enriquece o panorama da arte contemporânea com a sua originalidade e profundidade.
Título: Roleta Russa
Artista: Santos Mabunda
Técnica: Desenho com passe-partout
Dimensões: 31,5 x 34,5 cm
Ano: 2024
Nota do editor: A obra “Roleta russa”, de Santos Mabunda, pode ser visitada na galeria da Fundação Fernando Leite Couto, até 29 de Junho.
O presente artigo foi escrito no contexto da Oficina de escrita: crítica de arte, organizada pela Fundação Fernando Leite Couto.
Os historiadores Chuhila Maxmillian e James Zotto defendem a integração colectiva em África, sobretudo, na região de Sahara Ocidental. Os dois historiadores apelaram um diálogo eficaz e construtivo entre os marroquinos, baseado em interesses comuns, como forma de pôr fim ao conflito de longa data na região.
O posicionamento dos historiadores foi apresentado durante o lançamento do livro ”Obstáculos e Perspectivas da Integração Africana: a Questão do Sahara Ocidental”, editado e publicado pela APE, ”i.e”: African Proper Education Network, que foi exposto no 11 de junho de 2024, na Universidade de Joanesburgo, na África do Sul.
Durante as suas apresentações, os interlocutores tanzanianos, Chuhila Maxmillian e James Zotto, deram aos participantes uma visão histórica da questão do Sahara, apontando que existia uma ligação histórica entre os sultões marroquinos e as tribos saharianas, de acordo com os arquivos históricos dos quais dependeram durante a sua visita às províncias saharianas de Layoune e Dakhala, situadas na parte sul de Marrocos.
Para além disso, os historiadores dizem que a região do Sahara tem registado um grande desenvolvimento socioeconómico, que é resulta dos esforços envidados pelo governo marroquino para fazer do Sahara um centro de desenvolvimento e investimentos.
Chuhila Maxmillian e James Zotto apoiaram, durante o encontro, uma integração colectiva africana, particularmente, em Marrocos. Foram mais longe na argumentação ao sublinhar que os próprios marroquinos são capazes de encontrar soluções para os seus problemas internos, desde que, defendam os interesses de África como conteúdo unificado em termos de cultura e costumes, apesar da sua diversidade étnica e linguística.
Acrescentam também que a unidade e a integração são armas importantes para enfrentar qualquer ameaça externa.
Por fim, os interlocutores apelaram um diálogo eficaz e construtivo entre os marroquinos, baseado em interesses comuns, para pôr fim ao conflito “estéril” de longa data, tendo em consideração os esforços feitos pelas Nações Unidas e pela União Africana para acabar com esta disputa histórica.
Morreram, na quarta-feira, mais de 80 pessoas durante um naufrágio na República Democrática de Congo (RDC). A informação foi tornada pública pelo Gabinete do presidente congolês.
O presidente da RDC, Félix Tshisekedi, expressou as suas condolências às famílias das vítimas, e apelou que sejam averiguadas as causas do naufrágio. “O Presidente da República apela a uma investigação sobre as verdadeiras causas deste infeliz incidente, para evitar que tal desastre volte a acontecer no futuro”, lê-se no comunicado.
Segundo a nota, o navio afundou no rio Kwa, a 70 quilómetros da cidade de Mushie, na província de Maï-Ndombe.
A superlotação das embarcações é, frequentemente, apontada como a principal causa para os naufrágios no país.
Depois do lançamento e da repercussão da antologia Espíritos Quânticos: Uma Jornada por Histórias de África em Ficção Especulativa, em 2022, chega, agora, ao mercado o segundo volume desta colectânea, que será lançada no dia 19 deste mês de Junho.
De acordo com uma nota de imprensa, a cerimónia de apresentação irá arrancar às 17h45, na Galeria do Porto, na Cidade de Maputo.
Segundo se lê na nota da coordenação da antologia, ao cuidado da escritora Virgília Ferrão, o volume 1 contou com trinta e dois (32) textos de autores e autoras de Angola, África do Sul, Cabo Verde, Malawi, Moçambique e Nigéria, sendo que este novo volume conta com quinze (15) autores e autoras de Angola, África do Sul, Botswana, Moçambique, Nigéria, São Tomé e Príncipe e Uganda, dentre eles Dilman Dila, Lucílio Manjate, Wole Talabi, Carlos dos Santos, Déborah Cardoso Ribas, Goretti Pina.
Sobre o livro, a professora universitária Ana Mafalda Leite escreve que “neste volume há contos que tratam dos efeitos da IA Inteligência Artificial, de Mutantes e Metamorfos, de alienígenas e de uma tecnologia que mistura espelhos e aplicativos, dispositivos e sistemas artificiais avançados, simultâneos à regressão, animalização e barbárie, desertificação do espaço e à quase ausência de permanência do ser humano e da humanidade. Os cenários, a introdução de léxico e topografias de diferentes línguas, a presença espiritual do animismo, introduzem uma espacialização e localização africanas, permitindo a territorialização da escrita especulativa”, lê-se na nota de imprensa.
A falta de serviços especializados limita a realização de cirurgias de fenda labial no país. De 2022 a 2024, o número de pessoas com esta deficiência, subiu de 25 para 101, só na província de Tete.
Dados do sector da saúde na província de Tete indicam que no período de Janeiro de 2022 a Maio deste ano, foram notificados 101 casos de pessoas com condição de fendas lábio-palatina, sendo que parte significativa é composta por menores de cinco anos.
De acordo com o sector da Saúde, a maior parte destas pessoas não têm acesso ao tratamento e cirurgias correctivas porque não existem serviços especializados.
Para inverter o cenário, o Serviço de Saúde em Tete desencadeou uma campanha de cirurgias no Hospital Provincial de Tete.
A notícia trouxe esperança as dezenas de pais e encarregados de educação que estão “ansiosos em ver seus filhos com uma vida sem complexos”.
A campanha de cirurgias corretivas de fendas lábio-palatina vai durar cinco dias.
O Projecto Construindo com a Música apresenta o primeiro Music Hackathon em Moçambique. Trata-se de um fórum que vai reunir programadores, designers, músicos e entusiastas para criarem projectos relacionados à música, entre os dias 21 e 22 de Junho de 2024.
No Music Hackathon, avança uma nota de imprensa, os participantes deverão trabalhar em equipas para desenvolver soluções inovadoras que explorem o cruzamento entre a música, tecnologia, economia e sociologia.
O programa permite aos participantes apresentar propostas dinâmicas em termos de áreas, com abordagens e interesses inerentes ao ramo da música nas suas várias acepções. O objectivo é gerar um espaço de colaboração, bem como experimentar e criar novas formas de interação com a música utilizando habilidades técnicas e criativas.
Os participantes Music Hackathon terão a oportunidade de interagir em painéis, workshops e mesas-redondas, culminando com a apresentação e apreciação das suas propostas por um júri especializado. Os vencedores vão receber os prémios variados, que incluem: estágios, visitas a empresas entre outros.
O projecto Construindo com a Música é uma iniciativa conjunta do Ministério da Cultura e Turismo, a organização não-governamental AGAPE ONLUS da Itália, em parceria com Comune di Milano, Milano Música e Dispason Progetti Musicali, e financiado pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS).
O evento vai desafiar profissionais de diversos sectores a proporem soluções para o mercado da música.
O Conselho das Associações de Futebol da África Austral (COSAFA) decidiu pelo adiamento do torneio deste ano para uma nova data. Inicialmente agendada para decorrer de 14 a 22 de Junho em Durban, África do Sul, a prova só terá lugar em Julho próximo.
Em um comunicado de imprensa, a direcção do Cosafa explica que, “após discussões com várias partes interessadas, estamos a explorar um novo conjunto de datas para o torneio COSAFA de 2024 e forneceremos uma actualização em tempo útil”.
Ademais, para a direcção do Cosafa, o torneio é crucial para o desenvolvimento das selecções, dos jogadores e dos treinadores, “e queremos ter a certeza de que eles podem tirar o máximo proveito dele”. Por isso, “as novas datas serão em Junho ou Julho deste ano e serão baseadas na melhor exposição possível para todas as partes interessadas, a fim de garantir uma competição de classe mundial que ajude a fazer avançar o futebol na região”, lê-se no comunicado.
Para a edição deste ano Moçambique vai priorizar a selecção sub-23 com o selecionador nacional, Victor Matine, a trabalhar com 29 jogadores pré-seleccionados, já lá vão duas semanas. A selecção conta com jogadores nacionais e estrangeiros.
A Suécia reitera que vai continuar a apoiar Moçambique no combate ao terrorismo na província de Cabo de Delgado. O país europeu prometeu, também, continuar a prestar assistência humanitária aos moçambicanos.
A Cidade de Maputo acolheu, esta quarta-feira, o encontro entre os vice-ministros dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique e do Reino da Suécia, no qual discutiram temas relacionados com desenvolvimento, assistência humanitária, paz e segurança.
Do lado moçambicano, Manuel Gonçalves demonstrou gratidão pelo apoio da Suécia também na questão das mudanças climáticas que têm severamente afectado o país.
“A União Europeia tem-nos dado apoio na formação para o treinamento das nossas Forças de Defesa e Segurança. A Suécia tem-nos dado apoio na assistência humanitária na sequência das calamidades naturais e dos ataques terroristas em Cabo Delgado.”
Por sua vez, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino da Suécia, Jan Knutsson reforçou que as relações bilaterais entre as duas nações vão continuar em quatro pontos principais: “a área da economia, comércio, investimento e política internacional”.
O encontro teve, também, como agenda, a contribuição de Moçambique no Conselho de Segurança das Nações Unidas, organização que Moçambique presidiu em Maio passado, durante o debate sobre “a protecção dos civis e o reforço do papel dos Estados africanos na abordagem dos desafios globais de segurança e desenvolvimento”.
Da sua agenda no país, o dirigente sueco vai, ainda, visitar o centro de treinamento militar da União Europeia na Cidade de Maputo.