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Cerca de 1,3 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas zonas de origem em Moçambique desde 2017, devido à violência armada no norte do país. Deste total, 661.532 continuam deslocadas internamente, enquanto 721.691 regressaram aos seus distritos de origem, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

No relatório operacional referente ao primeiro semestre de 2026, a agência indica que os ataques de grupos armados provocaram 26.184 novos deslocados entre Janeiro e Junho, em vários distritos da província de Cabo Delgado. Muitos dos afectados foram obrigados a deslocar-se mais de uma vez.

O ACNUR considera que a situação humanitária continua complexa, devido à persistência da violência em distritos como Ancuabe, Chiúre, Macomia, Mocímboa da Praia, Palma, Quissanga, Muidumbe e Nangade.

Para além dos ataques contra civis e infra-estruturas, a agência assinala que os grupos armados têm visado cada vez mais os meios de subsistência das populações, incluindo campos agrícolas, actividades pesqueiras e locais de exploração mineira, agravando a vulnerabilidade das comunidades.

O relatório indica ainda que Moçambique acolhe 24.217 refugiados e requerentes de asilo, provenientes sobretudo de países da África Central e Oriental.

Entre Janeiro e Junho deste ano, o ACNUR prestou assistência directa a 39.699 pessoas, incluindo deslocados internos, refugiados e famílias vulneráveis, através da distribuição de bens essenciais e apoio monetário. A agência apoiou igualmente 15.804 pessoas com assistência jurídica e 8.637 na obtenção de documentos de identificação.

No âmbito do reforço dos serviços de protecção, está em curso um projecto de 34 meses, lançado em Março, em parceria com os Governos de Moçambique e do Japão. A iniciativa prevê a construção ou reabilitação de 27 postos de atendimento em Cabo Delgado, com o objectivo de facilitar o acesso à documentação civil de mais de 100 mil pessoas e prestar assistência jurídica a outras 45 mil.

Para 2026, o ACNUR solicitou 61,3 milhões de dólares para financiar as suas operações em Moçambique e Angola. Contudo, até Junho, apenas 38% do montante tinha sido disponibilizado, deixando um défice de financiamento de 38,2 milhões de dólares.

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O Banco Africano de Desenvolvimento já investiu cerca de 3,5 mil milhões de dólares em Moçambique, desde que o país aderiu a esta instituição financeira em 1997, ou seja, há 47 anos.

O valor investido, segundo o primeiro-ministro, Adriano Maleiane, serviu para financiar 115 projectos de diversas áreas, desde energia, água, saneamento, estradas e pontes, até à agricultura.

Maleiane frisou que, a par disso, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) tem apoiado o país no desenvolvimento do capital humano e na melhoria da estabilidade fiscal, ambiental e mobilização de recursos para o sector público e privado.

“Temos a destacar, ainda, a modernização do Corredor de Nacala, que permitiu melhorar a logística e a conectividade a nível interno, assim como contribuiu para o fortalecimento da posição competitiva de Moçambique nas cadeias de valor regionais”, recordou o primeiro-ministro.

O governante reconheceu, igualmente, o apoio prestado pelo BAD para mitigar os efeitos das mudanças climáticas – que têm afectado, ciclicamente, o país –, a pandemia da COVID-19 e o terrorismo no Norte do país.

Adriano Maleiane falava durante as celebrações dos 60 anos do BAD. No evento, o representante da instituição financeira em Moçambique, Macmillan Anyanwu, fez uma radiografia das seis décadas e referiu que vários foram os desafios enfrentados pelos países africanos, desde os desastres naturais, instabilidade macroeconómica e, mais recentemente, a COVID-19, e em todas as situações esteve envolvido para mitigar a devastação e o impacto nos países-membros.

Macmillan reconheceu que os desafios ainda são muitos, mas o foco é apoiar na transformação socioeconómica em todo o continente e resolver os problemas existentes na educação e saúde.

“Temos de continuar a integrar África”, disse e continuou: “Temos de continuar a apoiar investimentos em infra-estruturas que ajudem a aumentar a conectividade entre os países africanos. Isso ajudaria a aumentar o comércio inter-regional para que os países africanos possam acrescentar valor aos seus produtos”, disse.

Já o ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, disse que a visão do BAD de eliminar a pobreza e promover o bem-estar nos países africanos continua a mesma, mas entende que, neste momento, a instituição financeira deve reorientar a sua forma de assistir os países membros, provendo-se como um banco de soluções para problemas como desemprego dos jovens e mulheres, as dívidas nas economias africanas e a segurança.

O Ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, remeteu os jornalistas que querem ter detalhes sobre a saída da Fly Modern Ark (FMA) da gestão das Linhas Aéreas Moçambique (LAM) ao novo Presidente do Conselho de Administração da Companhia de Bandeira, Américo Muchanga. 

Mateus Magala foi interpelado pelos jornalistas, após um evento ocorrido na Cidade de Maputo. Na sua resposta, o governante deu voltas, divagou, mas não tocou no assunto da FMA. 

“Eu penso que vocês viram, fizemos algumas mudanças, apostamos em pessoas que pensamos que podem alavancar o estatuto actual da LAM, pusemos o novo presidente, o engenheiro Muchanga, que é uma pessoa credível e capaz, e gostaria que essas perguntas, que são importantes, darmos a oportunidade a ele de responder”, disse o ministro e acrescentou “receba-os, tenha uma conversa mais detalhada e construtiva”.  

Magala recomendou igualmente ao novo PCA das LAM a conceder uma conferência de imprensa para falar dos seus planos para tornar a companhia de bandeira uma empresa atractiva. 

Disse ainda que o governo está a fazer de tudo para melhorar a condição desta mas também da TMcel, e frisou que só em três ou cinco anos é que o país terá uma empresa atrativa, tanto para o sector público, quanto para o privado. 

“Quando tivermos uma empresa que realmente tem os fundamentos sólidos, nessa altura poderemos ter uma discussão de onde é que nós queremos levar a empresa em termos de qual é o modelo que é mais adequado para promover a nossa empresa e defender os nossos interesses”, explicou. 

O ministro disse que até aqui está tudo em aberto, o modelo pode ser público, privado ou uma parceria, mas o importante é primeiro solidificar a companhia de bandeira.

O Parlamento da Guiné-Bissau está novamente ocupado por soldados da Guarda Nacional. Os militares estão a impedir o acesso aos funcionários e deputados. Isto acontece depois da Comissão Permanente deliberar novas eleições do órgão, após dissolução por Umaro Sissoco Embaló.

Desde a manhã de domingo que ninguém pode entrar no palácio Colinas do Boé, sede do parlamento da Guiné-Bissau, no centro do país.

O Parlamento guineense está sob forte controlo dos militares, principal base de apoio do Presidente Umaro Sissoco Embaló, o que fez com que vários funcionários não se dirigissem ao local, por medo.

Na sexta-feira, o presidente do órgão, Domingos Simões Pereira, regressado ao país após sete meses no estrangeiro, convocou reuniões das estruturas intermédias do Parlamento ora dissolvido, entre as quais a Comissão Permanente, que substitui as competências da plenária. 

Na sua reunião de sexta-feira, a Comissão Permanente deliberou que se fizessem novas eleições legislativas para que possa retomar à normalidade do Parlamento. Entretanto, Embaló avisou que se a Comissão Permanente abordasse o assunto estaria a incorrer no crime de usurpação de competências, defendendo que esta é uma responsabilidade do Supremo Tribunal de Justiça.

O parlamento guineense foi dissolvido pelo Presidente Umaro Sissoco Embaló em Dezembro de 2023 e, dias depois, os deputados tentaram aceder ao local, por não reconhecerem a decisão, que consideraram inconstitucional visto que a dissolução ocorreu antes de passar um ano após as legislativas. Entretanto, foram dispersados pela polícia, com granadas de gás lacrimogêneo.

Desde então, o edifício vinha sendo vigiado por polícias armados, até que no mês passado foi reaberto, mas apenas para acesso pelos funcionários ou público que tiver algum expediente a tratar.

Um homem foi indiciado por matar a sua esposa e, depois, alegar suicídio, em Sussundenga, na província de Manica. O acusado nega as acusações e afirma que a mulher se enforcou, porque estava nervosa.

Acredita-se que seja mais um caso de crime passional, mas o acusado é veemente: “Eu não a matei. Ela ficou nervosa e enforcou-se”.

No entanto, a polícia tem uma visão diferente e acredita que as declarações do homem são apenas para enganar as autoridades.

“A polícia deteve este indivíduo de 25 anos de idade, no dia 15 do mês em curso, em virtude de este, através da força física, ter retirado a vida da própria esposa. Como forma de apagar os vestígios do crime, o mesmo, após perpetrar este acto macabro, levou o corpo da finada, por sinal sua esposa, até uma árvore, próxima da residência do casal e amarrou com uma corda para simular um suicídio”, explicou Eunice Faustino, porta-voz da PRM em Manica.

A prisão do indivíduo já foi legalizada e, agora, aguarda julgamento.

A passagem da Black Bulls para a fase de grupos da Taça CAF vai trazer um impacto positivo ao nível financeiro para o clube. Os Touros vão receber 400 mil dólares americanos, que equivalem a pouco mais de 25 milhões de Meticais.

A entidade máxima do futebol africano anunciou o aumento dos prémios monetários para os clubes que cheguem à fase de grupos das Afrotaças. A Associação Black Bulls que eliminou o AS Otohô do Congo vai rechear os seus cofres com 400 mil dólares, pouco mais de 25 milhões de Meticais.

A este valor adicionam-se os 50 mil dólares, cerca de 3 milhões de Meticais, recebidos pela qualificação para o play-off de acesso à fase de grupos da Taça CAF

Mas há mais, caso passe da fase de grupos. A CAF vai premiar o vencedor da competição com dois milhões de dólares, o que equivale a 120 milhões de Meticais, enquanto o finalista vencido vai receber um milhão de dólares, perto de 60 milhões de Meticais.

As equipas que chegarem às meias-finais vão receber de premiação 750 mil dólares, sendo reservados 550 mil dólares, quase 33 milhões de Meticais, para as equipas que passarem da fase de grupos.

 

Black Bulls pode estar no Pote 4 do sorteio

Agora que venha a fase de grupos, em que os “touros” poderão estar no pote 4 do sorteio da Taça CAF, juntamente com o Desportivo Lunda Sul de Angola, Orapa United do Botswana e o Stellenbosch da África do Sul.

Os adversários dos “touros” podem ser algumas das seguintes equipas dos possíveis restantes potes:

Pote 1 com Zamalek do Egipto, RS Berkane do Marrocos, Simba da Tanzânia, e USMA da Argélia, no pote 2 com ASEC Mimosas da Costa do Marfim, Al Marsy do Egipto, Stade Malien do Mali e CS Sfaxien da Tunisia e ainda o pote 3, onde podem estar Enyimba da Nigéria, ASC Jaraaf do Senegal, CS Constantine da Argélia e Bravos Maquis de Angola.

O sorteio está marcado para 7 de Outubro próximo.

Desportivo da Matola e Clube de Chibuto, pela Zona Sul, é o jogo de cartaz da primeira jornada da Série A da poule de apuramento para o Moçambola 2025, segundo ditou o sorteio realizado, hoje, na sede da Federação Moçambicana de Futebol (FMF).

O Maxaquene, campeão da Cidade de Maputo, é o grande ausente da fase qualificativa. O clube não concluiu o processo de licenciamento.
Sem o histórico e centenário Maxaquene, mais de 20 equipas, nas três zonas dos país, vão lutar para garantir uma vaga no Moçambola 2025, numa maratona que se espera que seja electrizante. O arranque da “poule” está agendado para o próximo sábado.

Ainda na zona Sul do país, desta feita pela Série B, o Incomáti de Xinavane vai medir forças com o campeão da província de Gaza, Águias Especiais, equipa que participa pela primeira vez na fase de apuramento para o Moçambola.

Pela zona Centro, o sorteio ditou o cruzamento entre as formações de Matchedje de Mocuba e Ferroviário de Moatize, pela série A e Trans SK Company e Liga Desportiva de Sofala, pela Série B. Nesta zona, o destaque vai para a formação do Trans Sk, que vai lutar por uma vaga na maior prova futebolística nacional pela primeira vez.

Das oito equipas que vão disputar o acesso ao Moçambola 2025, o Matchedje de Mocuba é a única formação que já marcou presença na elite do futebol moçambicano ao nível de clubes, sendo que as restantes ainda estão à procura de um lugar ao sol.

Já a zona Norte, o sorteio ditou que a Associação Desportiva de Pemba, formação orientada pelo experiente treinador Mussá Osmas, técnico responsável pelo único título nacional do Ferroviário de Nampula em 2004, vai começar a maratona defrontando a turma das Águias Especiais de Lichinga, emblema que nos últimos anos tem espreitado a “poule” de apuramento.

As quatros equipas estão inseridas na Série A da prova. Pela Série B, o Desportivo de Pemba vai enfrentar a Universidade Pedagógica de Niassa, equipa que, curiosamente, já marcou presença na maior festa do futebol moçambicano.

As formações do Sporting de Nampula e Ferroviário de Nacala vão ficar de fora na primeira jornada devido ao número ímpar de equipas.

 

CLUBES CONFIANTES NA QUALIFICAÇÃO

Os clubes estão confiantes quanto à qualificação para o Moçambola 2025, embora antevejam muitas dificuldades. O representante da Associação desportiva de Pemba, Tomé Bartolomeu, garante que há muito trabalho que está a ser feito pelo clube, tendo em vista materializar os objectivos traçados para a presente temporada.

“O nosso treinador, Mussá Osman, juntamente com o nosso presidente, têm estado a fazer um bom trabalho. São pessoas muito dedicadas ao trabalho. Fora disso, temos um grupo de jogadores jovens que pretendem fazer história qualificando a equipa para o Moçambola”, garante o dirigente.

A mesma convicção é manifestada pelo representante do Matchedje de Mocuba, clube que quer regressar ao convívio dos grandes do futebol moçambicano.

“O nosso clube já está bem preparado para poder voltar à ribalta do futebol nacional. Falhámos esse objectivo no ano passado no jogo contra a Liga Desportiva de Sofala que, muitos devem lembrar-se, foi de muita confusão. Passado é passado, pelo que o importante agora é focarmo-nos na maratona que já vai começar, pensando desde já no jogo contra o Ferroviário de Moatize”, anotou Alberto Dongue.

Por sua vez, o secretário-geral da Associação Provincial de Futebol de Gaza, Tomás Machava, acredita que, com ou sem dificuldades, uma das equipas da sua província poderá qualificar-se para o Moçambola.

“Temos certeza de que vamos conseguir alcançar o nosso objectivo. O sorteio é muito acessível para qualquer umas das nossas equipas. Agora resta trabalho e foco quanto àquilo que pretendemos”, disse o dirigente.

Na semana passada, o Centro Cultural Português na Beira recebeu dois painéis de debates subordinados aos temas “Relação entre Literatura, Direito e Religião” e “Inventário da Memória”, orientados por José dos Remédios, jornalista e ensaísta, e pelos docentes universitários Martins Mapera, Fernando Chicumule, Nelson Moda, Cremilde de Andrade e Nídia Chamussora. As duas conversas foram moderadas pelas também docentes universitárias Carla Karagianis e Cidália Alberto.

Sobre o primeiro painel – “Relação entre Literatura, Direito e Religião” –, os oradores afirmaram que, tanto o Direito quanto a Religião abordam temas sobre valores e princípios que a sociedade deve seguir para o seu bem-estar em diferentes áreas. Entretanto, nem sempre essa relação é saudável, uma vez que, segundo os intervenientes, o que o Direito, às vezes defende, não encontra concordância com a religião, havendo, por essa razão, discordância entre os dois ramos.

No evento, falou-se da literatura como sendo o campo mais aberto e aglutinador, dado que nela são vistos o Direito e a Religião de uma determinada sociedade, através dos textos que abordam os diferentes comportamentos.

Quanto à segunda mesa – “Inventário da Memória” –, que também é o título do livro composto por um conjunto de artigos organizados pelo ensaísta e jornalista José dos Remédios, em comemoração aos 60 anos da obra “Nós Matamos Cão Tinhoso”, de Luís Bernardo Honwana, os painelistas sublinharam que não se deve observar a memória como um instrumento usado somente para buscar o passado. Pelo contrário, segundo os oradores, a memória servirá como um instrumento para observar o modo pelo qual a sociedade caminha, evitando, assim, repetir os erros do passado.

A este propósito, “Nós Matamos Cão Tinhoso”, de acordo com os painelistas, denuncia as diversas faces do comportamento colonial em Moçambique, de forma particular, e em África, em geral. Assim, entendem que, com o livro, é possível ter a imagem da dominação em variados contextos.

A equipa técnica, os jogadores e a direcção da Black Bulls, dizem que a qualificação da equipa para a fase de grupos da Taça CAF foi fruto de muito trabalho e que foi um objectivo alcançado. Os “touros” querem continuar a fazer história em África, procurando chegar o mais longe possível.

Faz-se festa em todos os cantos do país, pela conquista no futebol moçambicano! É um marco na vida da Black Bulls, que, seis anos depois da sua criação, começa a escrever seu nome no futebol africano.

Qualificou-se pela primeira vez para a fase de grupos de uma competição africana, na sua segunda experiência pelo futebol africano, depois de ter sido eliminado em 2022 na primeira eliminatória por uma equipa angolana.

Desta vez, foi uma equipa do Congo, com um saldo de 2-2 no conjunto das duas mãos, mas principalmente depois de uma derrota agridoce em Brazzaville, que ditou a qualificação para a fase de grupos, uma qualificação que coroa a união, esforço e dedicação de todos, dentro da estrutura dos “touros”.

Hélder Duarte já previa dificuldades nesta deslocação a Brazzaville, e tinha de preparar a equipa para um jogo que podia ser de glória, tal como foi. “Sabíamos que seria um jogo difícil num campo de relva sintética, que sempre nos cria dificuldades também num ambiente difícil. O golo de penálti não existe, mas prontos, descontrolou-nos um bocadinho. Não precisamos de passar por estas dificuldades, visto que eles não tinham criado nada até aí”, disse Duarte.

Aliás, o técnico vai mais longe e considera que é um objectivo alcançado. “Conseguimos passar para a fase seguinte. Esse era o objectivo e está conseguido. Estamos felizes pelo objectivo cumprido, pelo dever cumprido, mas não na totalidade, porque estes jogadores não mereciam sair derrotados por tudo o que fizeram no jogo”, considerou Duarte.

Entretanto, “agora é pensar no próximo jogo com o Ferroviário de Maputo”, disse o treinador, mostrando-se preocupado com a condição física dos jogadores que terão de enfrentar mais de 12 horas de voo para chegar a Maputo no início da tarde desta terça-feira.

Nené também está satisfeito com a qualificação, apesar das dificuldades enfrentadas. “Todos nos ressentíamos do cansaço causado pela viagem, mas também por causa do calor que se faz sentir. Só foi pena termos baixado as linhas muito cedo e acabamos por permitir aqueles dois golos, mas o importante era marcar primeiro e conseguimos isso e, depois, gerimos o jogo, conseguimos controlar e atingimos o nosso objectivo de qualificação”, disse.

Com o objectivo de chegar à fase de grupos alcançado, agora é tempo de virar as atenções para as provas internas. “Agora é nos focarmos no campeonato, nos jogos que temos, para tentarmos vencer a prova, e também na Taça de Moçambique, para encerrarmos aquilo que nos propusemos a fazer nesta época”, terminou, confiante numa época de sonhos.

 

“Vamos lutar para passarmos para a outra fase”, diz Lalgy

Os dirigentes da Black Bulls falam das dificuldades que a colectividade teve de enfrentar para conseguir a passagem para a fase de grupos da Taça CAF e consideram que é um prémio adicional.

Dino Dulá, director-desportivo, diz mesmo que não tem sido fácil gerir todas as provas em que a equipa está envolvida. “Não tem sido fácil jogar em África, ainda mais quando temos de gerir as provas internas, nomeadamente, o Moçambola e a Taça de Moçambique, principalmente quando temos um plantel curto como o nosso, mas nós mesmos nos desafiamos a fazer nossa história no continente e conseguimos, agora, alcançar o nosso objectivo”, disse Dino Dulá.

Alcançado o objectivo da fase de grupos, já se sonha com altos voos em África, onde o objectivo é chegar o mais longe possível. Junaid Lalgy, presidente da colectividade, era um homem feliz com o feito.

“É mais um objectivo traçado para esta época que foi alcançado e, obviamente, estamos todos felizes, mas mais do que isso foi o facto de, quando fomos eliminados em Luanda, ter passado a mensagem de que estamos em África para ficar”, recordou Lalgy, realçando que foi um desafio que motivou todos a trabalharem por esse objectivo.

Lalgy fala de responsabilidades acrescidas, uma vez que “temos de preparar a equipa para a fase de grupos e, ao mesmo tempo, para todas as competições em que estamos inseridos”.

Porém, o sonho é sempre alcançar mais voos. “O objectivo da fase de grupos está alcançado, mas não podemos ficar por aí. Queremos mais.

Vamos lutar para ver se nos qualificamos para a fase seguinte, mas, se não conseguirmos, pelo menos teremos cumprido os objectivos da época. Mas vamos lutar, porque estamos sempre na luta”, acrescentou Junaid Lalgy.

Black Bulls coloca o país novamente na alta roda do futebol africano de clubes, sete anos depois

Por: Vitor Gonçalves

 

Comecei a ler, aqui no NASCER DO SOL, o manifesto anti – Mia, do João Vasco Rodrigues (JVR), convencido que a coisa era sobre literatura.
Engano – percebi logo na segunda linha.
Afinal, é uma nova receita de bacalhau.
Abóbora! Afinal também não o é – entendi logo a seguir: é antes um ataque cerrado aos serviços gerais de empacotamento avulso. Mas, não percebi bem qual a dimensão do pacote em causa, nem o destinatário do envio.
Mas que texto tão ricamente embrulhado, que magnífico labirinto de metáforas; a que vastos e profundos becos somos conduzidos, pela galharda prosápia do autor.
É notável, como dispara – linha, após linha, após linha – múltiplas e absolutamente desnecessárias descobertas sobre tantos, tão diversos e complexos assuntos.
Um verdadeiro paladino de verdades gerais.
E, mesmo quando – modestamente – nos inclui nas suas geniais descobertas geográficas: – “Todos sabemos como África permanece um continente vastíssimo e ainda desconhecido.” – não deixa de vincar o carácter inovador e mesmo disruptivo do seu pensamento.
Como nunca tinha eu pensado nisto?
De facto, ele tem toda a razão: a África não tem encolhido quase nada, permanece um continente vasto, como sagazmente conclui.
Por que será?
Arguto, o autor responde fingindo que não sabe, mas sabendo, como não podia deixar de saber, porque o escreve.
É claro que é por causa daquilo que ele afinal conhece, mas finge – só para nos entusiasmar – não conhecer:
“Conhecemos apenas os seus desastres: as secas, as chuvas intensas, os ciclones, a fome severa…”. Brilhantemente original.
Registe-se o inteligente uso das reticências nesta frase, deixando-nos, poeticamente, vogar pela tal vastidão do Continente, de desgraça em desgraça. Honesta e definitiva a confissão.
Quem bom, que ele nos alerte para o facto.
E sim, desconhecido, como conclui.
Magnífica, a forma incansável como, palavra a palavra, JVG nos dá um cabal testemunho dessa tão comum ignorância. Notável, como cada uma das suas declarações comprova o seu axioma.
Que se cale de Pangloss toda a redonda retórica, Cândido tem novo mestre.

Só me atrevo, um quase nada, a perturbar a clarividência do autor para reclamar pela irritante e contumaz falta do artigo em África. Que diabo, pobres seremos, mas isto de sermos o único Continente que nem artigo pode ter já me cansa.
Em Moçambique não temos posses para ter quatro estações por ano.
Temos duas e a muito custo.
Ao menos deixem-nos um artigo bem definido.

Imparável, JVG, passa da ignorância assumida sobre o Continente, para a ignotícia sobre o Mia Couto.
E, numa hodierna reinterpretação do Mapa cor-de-rosa – na qual nos revela o seu profundo conhecimento de alguns arcanos e misteriosos sortilégios africanos – empacota o Mia e o Agualusa na tal literatura africana e, com aquela audácia que só a profunda ignorância permite, declara-os …”(…)dois vendedores de banha da cobra,(…) dois capatazes dissimulados de uma literatura africana(…).
Que inteligência, que argumento subtil. Vejam como ele metaforiza bem, como domina a antropologia e a História, como sintetiza – a África, as cobras e os capatazes numa polida frase.
Navega, de metáfora em metáfora, com a delicada elegância do hipopótamo, para nos atermos à fauna local.

“Talvez tenha chegado o momento de nos atravessarmos. E foi assim que por estes dias nos atirámos à leitura de “Compêndio para Desenterrar Nuvens”.
Esta é que me deixou de rastos.
Confesso, agora estou entusiasmado!
Isto vai aquecer, o plural majestático não nos permite duvidar.
Ele atirou-se – e sem rede como se percebe – à leitura de um livro. E teve a generosidade de o ler todo!
É sobre-humano, como num ápice, ele alcança uma compreensão tão profunda e genuinamente ignorante da obra do Mia.
Como, num relance, percebe que todos os que ao longo das últimas décadas admiraram a sua escrita estão errados.
Com que coragem denuncia a enormidade da conspiração intercontinental, que levou dezenas de incautos a, um pouco por todo o mundo, atribuírem os mais conceituados prémios da literatura a tal homem.
Ora, lá está outra vez o tal mistério africano que parece atormentar JVG.
Mas, como é que faz para conseguir ser o único a marchar com o passo certo nesta multidão de coxos?
E os adjectivos, já mediram bem o trabalho que dá atingir aquele nível de vulgaridade? É obra.
Os mais incautos de entre nós ainda poderiam vislumbrar, por entre as palavras assanhadas, um verde assomo de inveja por tantos e tão prestigiados prémios, por tão longa e profícua carreira.
Os mais distraídos, talvez pudessem pensar que tanto azedume não passa de uma tentativa serôdia e disparatada de, ao se confrontar com algo que não pode emular, sublinhar publicamente a sua incapacidade.
Uma espécie de Salieri caseiro, um pequeno Iago.
Mas não consigo acreditar que tão dramático objectivo habite em tão irreflectida prosa.
Nem percebi bem a metáfora culinária do bacalhau, ou a da banha.

E, confesso, que não fui suficientemente perspicaz para entender JVG, quando, magnânimo, declara:
Se, por um lado, nos vem oferecido diariamente como uma espécie de herói da literatura africana,  por outro, talvez nos bastasse o dia em que deixasse de escrever e de interferir na dinâmica da edição de livros, para que pudéssemos então começar a ouvir falar daquilo que nos oferecem grandes escritores como Maryse Condé, Aimé Césaire, Luís Bernardo Honwana ou Achille Mbembe.
Fiquei confuso.
Será uma intrincada citação de Camões – “Cesse tudo o que Musa antiga canta”?
Por momentos, debati-me com a complexidade da proposta.
Depois percebi a meridiana clareza da ideia: para promover a literatura, é preciso que um escritor deixe de escrever.
Não sendo Camões, será Goebbels?
Ultrapassa-me.

“Herói da literatura africana”, não sei bem se o Mia o será, mas se JVG diz que o é, lá terá as suas razões.
Mas acreditar que o seu heróico super-poder lhe permite estender a sua influência maléfica pelo espaço, do Índico às Caraíbas, para silenciar Maryse Condé; e pelo tempo – para calar Césaire e atirar Honwana aos cães; e convencer os Camarões e a Sorbonne que fazem mal em ler o Mbembe, porque ele está mesmo aqui à mão… isto não sei se o Mia o conseguirá.
Mesmo com o recurso aos tais mistérios africanos já listados.
Mas JVG diz que sim. E ele lá saberá o que diz.

Indomável, não hesita em discorrer sobre o que ignora.
E passa ao ataque!
Então não é que o Mia, em vez de aplicar o dinheiro em vacinas e nessas coisas a que os africanos se devem dedicar, teve a coragem de participar na criação de uma Fundação dedicada à literatura e à arte?
Mas que raio?
Que sentido é que faz um escritor querer promover a literatura – e o incentivo a jovens escritores; e a reflexão sobre a cultura moçambicana; e o teatro e as centenas e centenas de eventos com que, desde a sua criação, a Fundação Fernando Leite Couto tem marcado a vida cultural da capital moçambicana?
Pois claro, vê-se logo que JVG talvez saiba do que não fala e se mantém consistentemente desinformado sobre o que se passa em Maputo.

Faltava o golpe de mestre. O argumento derradeiro e imbatível.
Então não é – denuncia, garboso, o articulista – que não satisfeito com tanto êxito, o Mia ainda teve o dislate de promover a venda de livros a preços acessíveis ao comum dos cidadãos moçambicanos?
Mas então?
Então, tem algum sentido que um escritor, em vez de se preocupar com as leis do mercado – que JVG tão lustrosamente quer defender – se dedique, ao contrário, a tentar levar os seus livros ao maior número de pessoas possíveis, ao mais reduzido preço que consegue?
E que, não contente com o dislate, este escritor moçambicano, tente que os seus títulos sejam publicados em Moçambique, por uma instituição moçambicana?
Blasfémia!

E, finalmente, com o espírito de indómito cruzado que anima toda a sua catilinária, João Vasco Rodrigues termina com um apelo directo a deus.

Estou certo que será ouvido.
Ou não fosse dos simples o reino dos céus.

 

 

 

 

 

 

 

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