A crescente insatisfação da população sul-africana com a falta de água, electricidade e recolha de lixo está a enfraquecer o apoio ao Congresso Nacional Africano (ANC), numa altura em que o país se prepara para as eleições municipais, marcadas para 4 de Novembro. Várias sondagens recentes indicam uma redução da popularidade do partido, que enfrenta críticas pela corrupção e má gestão das autarquias.
A degradação dos serviços públicos tem levado alguns cidadãos a ameaçar boicotar as eleições, sobretudo nos bairros periféricos de Joanesburgo, onde milhares de famílias enfrentam dificuldades no acesso a serviços básicos.
Em Katlehong, nos arredores de Joanesburgo, cerca de 180 famílias dependem de ligações eléctricas ilegais há mais de 20 anos. Os cabos atravessam as calçadas e transportam energia de outras zonas da comunidade, numa tentativa dos residentes de contornar a falta de fornecimento regular. O líder comunitário Lesiba Rankapole afirma que os moradores decidiram não votar enquanto não tiverem acesso à electricidade. “Tomámos uma decisão colectiva: sem electricidade, sem voto”, declarou, defendendo que a falta de energia compromete o futuro das crianças e o desenvolvimento da comunidade.
A mesma revolta é manifestada por Enock Majola, outro residente de Katlehong, que acusa as autoridades de não resolverem os problemas locais, incluindo a deposição ilegal de lixo. O cidadão, que afirma ter crescido a apoiar o ANC, diz já não querer ouvir falar do partido devido às dificuldades que enfrenta.
Em Alexandra, outro bairro periférico de Joanesburgo, a situação também é preocupante. O lixo acumula-se nas ruas, as águas residuais correm a céu aberto e muitos residentes não dispõem de água canalizada.
Para vários cidadãos, a corrupção e a má gestão municipal estão entre as principais causas da deterioração dos serviços públicos e da perda de confiança nas autoridades. “Não vou votar porque já não acredito no nosso Governo. Decepcionou-nos inúmeras vezes”, afirmou o residente Sipho Mandala.
Apesar do descontentamento, alguns eleitores continuam fiéis ao ANC, sobretudo pelo seu papel histórico na luta contra o apartheid. Um morador de Katlehong, mesmo confrontado com problemas de saneamento na sua residência, admitiu que voltaria a votar no partido, caso conseguisse chegar a uma assembleia de voto.
O ANC, que tem no antigo Presidente Nelson Mandela uma das suas principais figuras históricas, conquistou quase 70 por cento dos votos nas eleições nacionais de 2004. Contudo, a sua influência eleitoral tem vindo a diminuir. Nas eleições municipais de 2021, o partido obteve 46 por cento dos votos, ficando pela primeira vez abaixo da fasquia dos 50 por cento.
A perda de apoio tornou-se ainda mais evidente nas eleições nacionais de 2024, quando o ANC conseguiu pouco mais de 40 por cento dos votos, resultado que o obrigou a formar uma coligação governamental.
Segundo o analista político Sethulego Matebesi, as eleições municipais tendem a registar uma participação inferior à das eleições nacionais. Ainda assim, os resultados poderão ajudar os partidos a avaliar a sua base de apoio e a preparar a disputa eleitoral de 2029.
Dos 257 conselhos municipais em disputa, Joanesburgo destaca-se como um dos principais campos de batalha política, devido à sua importância económica e à dimensão da população, estimada em mais de 4,8 milhões de habitantes.
Em Alexandra, o funcionário de manutenção Patrick Saohatse considera que o ANC não conseguiu melhorar as condições de vida da população, apesar de governar a região há vários anos. Por essa razão, afirma que pretende votar na Aliança Democrática (DA), o segundo maior partido da coligação governamental.
A DA, que governa a Cidade do Cabo, tem intensificado as críticas ao ANC, apontando falhas na prestação de serviços públicos e problemas de gestão. Num comício recente, Helen Zille, candidata à presidência da Câmara de Joanesburgo, alertou que mais cinco anos de corrupção e degradação das infra-estruturas poderão colocar a cidade numa situação irreversível.
Entretanto, a campanha eleitoral do ANC tem sido marcada por dificuldades, incluindo a ausência de um candidato escolhido para disputar a presidência da Câmara de Joanesburgo, segundo a informação divulgada.
O responsável pela comissão eleitoral do partido, Mdumiseni Ntuli, reconheceu que existem razões para a insatisfação dos eleitores, sobretudo em Joanesburgo e nas zonas circundantes.
Os analistas prevêem que vários municípios poderão terminar as eleições sem uma maioria absoluta, obrigando os partidos a negociar coligações. A instabilidade destes acordos poderá agravar os problemas de governação e comprometer ainda mais a prestação de serviços públicos, aumentando a pressão sobre o ANC.
Cinco pessoas morreram vítimas do ciclone Dikeledi, na província de Nampula. O fenómeno afectou mais de 35 mil pessoas, algumas das quais se encontram desalojadas.
Neusa Ibraimo é uma das vítimas do ciclone Dikeledi, que diz ter visto a morte depois das chuvas e ventos fortes, registadas no distrito de Mossuril. “Caiu todo o teto da minha casa, um dos blocos caiu na minha cabeça. Graças a Deus saímos ilesos, mas os bens ficaram todos estragados”, contou.
Tal como em Mossuril, na Ilha de Moçambique, o ciclone Dikeledi passou, arrasou e levou quase tudo de várias famílias.
A passagem do fenômeno por Nampula, já começou a contabilizar óbitos. Até ao momento, são cinco pessoas mortas.
“Temos um óbito em Mossuril, 3 em Angoche e um em Nampula” , explicou Luísa Meque, presidente do INGD.
Além de vias de acesso intransitáveis, há infra-estruturas que foram parcial ou totalmente destruídas. “Sao mais de cinco casas parcialmente destruídas e duas mil e cinquenta”, acrescentou.
O ciclone levou à abertura de três centros de acomodação, que já albergam mais de 700 pessoas.
O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres considera crítica a situação nos centros de acomodação.
Dikeledi afectou mais de 18 mil famílias na província de Nampula.
A Confederação Africana de Futebol, CAF, adiou o CHAN, prova reservada aos jogadores que militam nos campeonatos internos para Agosto deste ano. O evento, que terá lugar no Quénia, Tanzânia e Uganda, estava inicialmente agendado para entre os dias 1 a 28 de Fevereiro.
Mudança de planos na Confederação Africana de Futebol. Quando tudo parecia bem encaminhado, o organismo que gere o futebol africano anunciou o adiamento do CHAN, passando de Fevereiro para Agosto deste ano.
O organismo justifica que os três países que vão acolher a competição, no caso Quénia, Tanzânia e Uganda, precisam de tempo para finalizar as obras de construção e modernização de estádios, campos de treino, hotéis, hospitais e outras infra-estruturas essenciais.
Peritos e técnicos de infra-estruturas da CAF recomendaram o adiamento da prova, de modo a garantir que todas as condições necessárias sejam criadas para que o evento decorra na maior normalidade.
Recentemente, o presidente da CAF, Patrice Motsepe, visitou alguns estádios que vão acolher os jogos da segunda maior prova futebolística africana ao nível de selecções. Na altura, o dirigente terá ficado impressionado com o comprometimento dos três países que vão sediar a competição.
Recorde-se que a CAF, incrementou o prémio para o vencedor do CHAN, passando a receber 3.5 milhões de dólares, equivalentes a 223 milhões de meticais.
Cidadãos entrevistados pela pelo nosso jornal, nas províncias da Zambézia e Gaza, entendem que o novo Presidente da República fez um discurso reformista e que vai de acordo com os anseios do povo. A economia do país é onde os entrevistados defendem maior trabalho para combater as desigualdades.
Abdul Machava começou a sua a sua abordagem por lamentar o facto dos discursos feitos durante a cerimónia de tomada de posse, não terem sido incorporados às vítimas que pereceram durante o período das manifestações, porquanto são moçambicanos que lutavam por alguma causa.
O capitão tenente na reserva defende que Daniel Chapo entra num contexto em que a economia moçambicana está de rastos e, por isso, terá de trabalhar para inverter o cenário.
Machava diz igualmente que há uma insatisfação generalizada de todas as classe sociais no país e que o desafio passa por encontrar formas de resolver.
Na província de Gaza, os nossos entrevistados destacam a redução dos ministérios, restauração do ambiente de paz e a questão da empregabilidade como temas importantes avançados por Daniel Chapo e dizem esperar que cumpra com o prometido.
Horas depois de Daniel Chapo ter sido empossado Presidente da República de Moçambique, o Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa manifestou o seu interesse em continuar a aprofundar as relações históricas entre os dois países.
Marcelo Rebelo de Sousa enviou uma carta ao Presidente da República, na qual escreve que “transmito o reforçado empenho do Presidente da República de Portugal e do povo português em prosseguir e aprofundar essa cooperação, a todos os níveis, ao serviço do desenvolvimento sustentável, da justiça social, da plena realização do povo e da relevante projecção de moçambique no mundo”.
O Chefe do Estado português garantiu também a todos os moçambicanos “que podem contar sempre com os portugueses e com Portugal”.
Recorde-se que Rebelo de Sousa não participou da investidura do quinto Presidente de Moçambique. Portugal esteve representado pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
O Presidente de Portugal manifestou também o seu interesse em participar na celebração dos 50 anos da independência de Moçambique, no dia 25 de Junho.
O Parlamento português aprovou, na generalidade, uma recomendação ao Governo de Montenegro para que não reconheça os resultados das eleições.
O porta-voz e Juiz Conselheiro do Tribunal Supremo, Pedro Nhatitima, diz que as acções que Daniel Chapo se propôs a realizar, em cada uma das áreas, são bastante profundas e transformadoras.
“A paz é a condição para que outros elementos de governação possam acontecer, seja na área da saúde, governação, justiça, etc. Esse é o pilar essencial. E, depois, as acções que se propôs a realizar em cada uma das áreas são bastante profundas e transformadoras. Tomámos boas notas das acções que se propõe a realizar na área da justiça que tem a ver com a questão da celeridade, informatização processual, combate à corrupção, revisão constitucional no sentido da criação, eventualmente, do Tribunal Constitucional. Tomámos boa nota e pensamos que será um manifesto estadista e bem conseguido. “
O Bastonário da Ordem dos Advogados, Carlos Martins, também acompanhou, esta quarta, o discurso inaugural de Daniel Chapo.
Ao reagir à primeira intervenção do Presidente da República, Martins disse, no final, que “os discursos têm este condão de serem catalisadores”. E, neste sentido, acrescenta, “são bons porque trazem-nos aquilo que são as intenções da governação, mas devo dizer que muitas das coisas que foram ditas representaram, no passado, este mesmo sentimento da nossa governação. O que nós esperamos, neste momento, são acções práticas que contribuam para a melhoria do sector de administração da justiça.
Foi detido, hoje, o Presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, por tentar implementar uma lei marcial que prevê a imposição de normas militares, encerramento do parlamento e proibição de manifestações.
Yoon Suk-yeol é o primeiro Presidente da Coreia do Sul em exercício a ser detido na história do país, por tentar implementar uma lei marcial. Yoon acusou seus adversários de trabalharem em prol do regime comunista da Coreia do Norte.
As autoridades sul-coreanas enviaram cerca de 1.000 agentes na manhã desta quarta-feira para à residência presidencial, no distrito de Yongsan, em Seul.
Há semanas que o líder sul-coreano se encontrava escondido na residência de Hannam-dong, tendo prometido “lutar até ao fim” contra os esforços para o destituir.
A detenção ocorreu horas depois de centenas de agentes da autoridade terem entrado no recinto presidencial, numa segunda tentativa de deter Yoon Suk-yeol, após o debate e votação da sua destituição, a meio do mandato de 5 anos.
A presidente do Conselho Constitucional, Lúcia Ribeiro, diz que a cerimónia de empossamento de Daniel Chapo foi o culminar de todo o processo eleitoral. Ribeiro disse, em entrevista aos jornalistas, esperar que a paz seja uma realidade no país.
“É, de facto, o culminar de todo o processo eleitoral. É o culminar de todo este trabalho. O que nós auguramos, agora, é que o nosso país consiga retornar à paz que perdemos momentaneamente.
Já a antiga vice-ministra da Economia e Finanças, Carla Louveira, defende que o ” nosso país está cada vez mais exposto àquilo que é o processo de endividamento, quer seja ao nível de recursos externos.”
A antiga governante defende, por isso, que “temos que verificar como podemos redimensionar, minimizando aquilo que é a nossa exposição à dívida pública interna e externa. Nós sabemos que o maior crescimento da nossa população acaba impondo despesas maioritariamente nas áreas sociais”.
O Presidente da África do Sul disse, hoje, esperar dos moçambicanos espírito de unidade para um futuro mais brilhante. Cyril Ramaphosa assistiu à tomada de posse de Daniel Chapo como Chefe de Estado de Moçambique.
Em comunicado, Cyril Ramaphosa referiu que a tomada de posse de Daniel Chapo “constitui uma oportunidade para todo o povo de Moçambique trabalhar em conjunto em prol da paz, da democracia e do desenvolvimento”.
Ramaphosa disse, também, que espera trabalhar em estreita colaboração com Daniel Chapo, para “reforçar ainda mais as fortes relações fraternas existentes entre os dois países”.
A População de Coca-Missava invadiu e ateou fogo em residências de secretários, círculo do bairro e um posto policial esta terça e quarta-feira, em Chibuto, província de Gaza, na sequência de protestos pós-eleitorais.
É mais um episódio de violência popular que deixa marcas de destruição no distrito de Chibuto, em Gaza. Os ataques populares, na comunidade de Coca-Missava há 15 quilómetros da sede distrital, culminaram com a vandalização e destruição de infraestruturas públicas e residências de secretários dos bairros.
Os prestatários queimaram o círculo do bairro, o que resultou na destruição de todos documentos e equipamentos de trabalho.
Um posto policial foi igualmente incendiado. A polícia promete reagir ao assunto na sexta-feira.