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O governador do Banco de Moçambique afirmou que a estrutura salarial da instituição não sofreu quaisquer alterações durante o seu mandato, rejeitando as críticas que, nas últimas semanas, têm surgido em torno dos níveis de remuneração dos funcionários e dirigentes.

Segundo o responsável, o modelo salarial actualmente em vigor existe há vários anos, tendo sido herdado de administrações anteriores. “Desde que assumi funções, não alterei a estrutura salarial”, afirmou, acrescentando que as contas do banco são publicadas anualmente e sempre reflectiram a mesma política remuneratória.

O governador considerou estranho que o tema tenha ganhado destaque apenas no final do seu mandato, defendendo que a discussão está a ser alimentada pelo contexto da transição de liderança. “Parece que, agora que estou de saída, transformou-se num problema”, declarou.

Relativamente às críticas segundo as quais os salários seriam financiados com recursos do Estado, esclareceu que o orçamento do Banco de Moçambique é autónomo em relação ao Orçamento do Estado. Segundo explicou, as despesas da instituição são suportadas pelo próprio banco e não constituem encargos directos para os cofres públicos.

O responsável sublinhou ainda que os reajustamentos salariais obedecem a um Acordo Colectivo de Trabalho, negociado entre a Associação Moçambicana de Bancos, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sistema Financeiro e as instituições bancárias, incluindo o Banco de Moçambique. De acordo com o governador, os aumentos são definidos anualmente no âmbito desse acordo e não resultam de decisões unilaterais da administração.

No que respeita aos valores que têm circulado nas redes sociais e nalguns espaços públicos, o governador classificou-os como «absurdos» e afirmou que muitos resultam de interpretações incorrectas das demonstrações financeiras. Explicou que a rubrica relativa a salários inclui igualmente provisões para responsabilidades actuariais, designadamente benefícios futuros dos trabalhadores no activo e dos reformados, conforme exigem as normas contabilísticas e os auditores.

O governador concluiu afirmando que as acusações de irregularidades não correspondem à realidade e defendeu que a gestão salarial do Banco de Moçambique sempre respeitou os procedimentos legais e institucionais em vigor.

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Morreu o padre Fernão Magalhães Raúl, que concorreu nas últimas eleições em Nampula como cabeça-de-lista do MDM para o cargo de governador provincial. O corpo foi encontrado estatelado na sua residência, na sala, sem sinais de violência.

No bairro de Namutequeliua, na periferia da cidade de Nampula, é onde vivia o padre Fernão Magalhães Raúl. Vivia apenas com empregados, e a irmã mais nova, que vive nas proximidades, é que desconfiou que algo ia mal, quando, até por volta do meio-dia de sábado, não recebeu nenhum sinal do irmão.

“Estava a tentar ligar e o telefone estava desligado, mas ontem à noite [sexta-feira] havia saído, regressou e entrou. As portas estavam todas trancadas. Liguei para papá para trazer as chaves que era para poder abrir estas duas portas. Papá veio, abriu a porta e quando entramos na sala encontramos o corpo”, descreveu Anatércia Magalhães Raúl, irmã do malogrado.

O corpo estava estatelado na sala e sem sinais de violência. A secretária-geral do Movimento Democrático de Moçambique, visivelmente abalada com a notícia, preferiu deixar que sejam as autoridades a esclarecer as causas da morte.

“São situações subsequentes que a gente pode, depois, procurar saber. O importante era mesmo saber se aquilo que tinha caído como notícia era verdade ou não, se ele já não estava em vida. O resto vamos saber, há-de se ver, existem entidades próprias para procurar saber”, anotou Leonor Lopes, secretária-geral do Movimento Democrático de Moçambique que acorreu à casa do padre para acompanhar tudo de perto e confortar a família enlutada.

Os técnicos do Serviço Nacional de Investigação Criminal estiveram no local, na tarde de sábado, fizeram a peritagem e, por fim, removeram o corpo. Presume-se que a morte terá ocorrido na noite de sexta-feira, pois o cenário sugere que antes da morte esteve a assistir televisão.

O padre Fernão Magalhães Raúl desafiou a lei canónica da Igreja Católica que proíbe que os clérigos tenham militância política activa, e ele compreendia muito bem isso.
“A igreja tem uma missão, e a missão é a evangelização. Sendo esta mensagem central de difundir a mensagem de Cristo, de paz, de convivência pacífica, de solidariedade, de unidade, valores que a Igreja defende, é importante que a igreja observe, na sua relação com a comunidade política, o princípio da neutralidade, para que não esteja dividida”, disse à nossa reportagem em Agosto passado, no arranque da campanha eleitoral.

E mesmo assim, aceitou apresentar-se como candidato do Movimento Democrático de Moçambique para o cargo de governador da província de Nampula, nas eleições de 9 de Outubro. A Igreja Católica não gostou, e através de uma carta, ameaçou aplicar a sanção de perda do direito de direcção paroquial, mas, mesmo assim, o padre não retirou a candidatura.

“Há incompatibilidades ao olhar das pessoas e segundo aquelas que são as regras de neutralidade da própria Igreja, mas é uma questão de liberdade de escolha. Há uma escolha e a escolha é estar ao lado do povo, ajudar o povo a crescer na tomada de consciência de cidadania necessária para lutar junto para resolver os problemas que Moçambique tem e Nampula tem concretamente.”

Não conseguiu cumprir essa missão na política, mas, como padre, deixa muitas saudades.

Há importadores do mercado grossista do Zimpeto que perderam até 1,8 milhões de meticais em mercadorias em importação, que se deterioraram, devido ao encerramento da fronteira de Ressano Garcia. O economista Elio Cossa alerta que a crise pós-eleitoral pode provocar subida da inflação. 

As manifestações pós-eleitorais trouxeram enormes prejuízos para alguns importadores de produtos alimentares.

Após dias sem poder passar pela fronteira de Ressano Garcia, este sábado, há camiões que conseguiram chegar ao mercado grossista do Zimpeto. A mercadoria que estava retida chegou mas já sem proveito.

“Esse carro carregou no domingo, chegou à fronteira na segunda-feira. Depois começou aquela confusão toda. O carro ficou lá segunda, terça, quarta, quinta e sexta-feira, até que tive a ideia de tirar o carro pela fronteira de Namaacha” apontou Alzira Chida, uma importadora lesada.

Alzira Chida é proprietária da batata na imagem e faz de tudo para recuperar o que pode ter escapado. No entanto, já sabe que nenhum esforço poderá compensar o investimento.  

“Em termos de prejuízo, nem posso calcular agora. É acima de 500 mil rands. Conforme o mano está a ver, eu só tenho uma perda fora do céu por causa dessa confusão da greve. Esse carro carrega 3.520 sacos mas por aqui acho que nem mil sacos poderei recuperar” disse. 

O choro é partilhado por Rebeca José, que perdeu mais de 500 mil sacos de batata, e ficou com uma dívida porque o valor investido é fruto de um empréstimo.

“É só choro. O dinheiro que nós usamos para trabalhar não é nosso. Nós pedimos emprestado e depois devolvemos, mas estamos a somar grandes prejuízos mesmo. Temos dois carros. Há um carro link, aquele grande, tem 3.500 de sacos, toda batata foi-se embora. Tem esse carro aqui que tem 1.800 de sacos, conforme vê, é isso que está a acontecer aqui. Nos bancos, nós daqui do mercado, não nos dão dinheiro porque dizem que nós não trabalhamos no Estado, mas nós conseguimos, à nossa maneira. Nós estaríamos lá dentro do mercado, nas nossas bancas, nas tendas, mas estamos aqui no sol desde de manhã” Lamentou Rabeca. 

Sem referenciar outras despesas, Rebeca avança que tem um prejuízo de cerca de 400 mil rands, mais de um milhão e quatrocentos meticais, ao câmbio do dia. 

“Aquele carro grande ali foram mais de 250, já não faço ideia. Nesse carro aqui foram 148 mil Randes, não estou a falar de metical, em rands. Deixando despesas de documentos, combustíveis, sim, foi uma perda muito grande” explicou.

A terceira fase da greve nacional, convocada pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane, levou à paralisação da fronteira de Ressano Garcia devido à vandalização protagonizada pelos manifestantes.O pelouro de transporte e logística da CTA fala de prejuízos enormes e consequências inevitáveis para a economia nacional. 

“O impacto é devastador porque a fronteira foi totalmente saqueada pelos manifestantes e dizer que muitas empresas vão fechar, muitas empresas foram vandalizadas, não é fácil enumerar aqui o número de empresas que foram vandalizadas, os camiões, desde três dias atrás, dos quais dois consecutivos de vandalização da terminal de carga. É um impacto muito triste, é o pior, é um tsunami” avancou Flávio Naene, presidente do Pelouro de Transportes na CTA. 

Não é para menos, é que segundo o presidente do pelouro de transportes na CTA, mais de uma centena de camiões não escaparam da fúria dos manifestantes.

“Estamos, ainda, a tentar fazer um mapeamento de quantos camiões tenham sido vandalizados, mas acima de 100 camiões foram vandalizados. É um número que eu tenho a olho nu pelo que eu tentei perceber e tentei ver, acima de 100 camiões. Há uma empresa que quase 23 camiões foram vandalizados, com mercadorias diversas, sensíveis, que eram preparativos para as festas que se avizinham em dezembro, então a economia ficou destruída” vincou. 

Os problemas não param por aí, o economista Elio Cossa alerta que o país pode voltar a enfrentar a subida da inflação. 

“Isto levanta riscos naturais, que é a escassez de produtos nas prateleiras dos diferentes centros comerciais e com isso levanta-se, também, o risco do recrudescimento ou a retoma da inflação para o país. Estamos a vir de uma série recente de controlo de estabilidade inflacionária e naturalmente com este novo risco, este novo evento, que é o encerramento da fronteira, que é um dos principais abastecedores dos nossos mercados, retoma-se aqui um risco inflacionário que já estava subjetivamente ou quase controlado” alerta o economista Élio Cossa.

E diz mais.

“Naturalmente irá levantar aqui um problema fiscal, em que não haverá coleta de receitas, o que é prejudicial para o funcionamento do nosso Estado, o que pode, a curto prazo, condicionar o funcionamento normal do nosso Estado, neste caso, o cumprimento daquilo que são as suas obrigações, tanto em termos de funcionamento e investimento. Aqui estamos a falar do pagamento das receitas de funcionamento, de pessoal e fornecedores. Isto desencadeia um efeito cascata para outros sectores da economia, estamos a falar das empresas” concluiu Cossa.  

Como resultado dos prejuízos somados pelos importadores, as bancas que neste momento deveriam estar a comercializar batata, cebola, cenoura e mais produtos provenientes da África do Sul estão vazias, o que significa que nos próximos dias pode haver escassez dos mesmos a nível nacional.

Uma organização não-governamental no Sudão acusou as Forças de Apoio Rápido do País de ter causado a morte, por envenenamento, a pelo menos 151 pessoas. Entretanto, os paramilitares alegam que as vítimas poderão ter sido vítimas de cólera.

Só nas últimas 24 horas foram reportadas 40 mortes pela Gezira Conferente, uma ONG do Sudão, que avançou que a cidade mais afectada é Hilaliya, que fica a 70 quilómetros da capital do Estado, Wad Madani.

Em declarações à publicação Sudan Tribune, um comandante das Forças de Apoio Rápido do Sudão (RSF), Muk Abid Abu Shotal, defendeu que as mortes podem ter sido causadas por um surto de cólera.

O comandante indicou ainda que a RSF quer enviar uma “delegação de alto nível” à cidade para confirmar as suas suspeitas.

Segundo a Gezira Conference, a cidade está sob o controle paramilitar (grupos civis armados, que não pertencem ao exército) há várias semanas.

No total, a ONG contabilizou 166 mortes, 151 das quais por envenenamento e 15 baleadas.

A Gezira Conference culpa também a RSF pela destruição da cidade, incluindo um centro médico de diálise, 18 celeiros e a infraestrutura elétrica, 10 poços e 10 farmácias.

 

Joga-se, neste final de semana , a última jornada do Moçambola. Apenas duas equipas têm a possibilidade de alcançar  o título de campeão nacional, que dá acesso à Liga dos campeões africanos. Todos os jogos vão decorrer em simultâneo, este domingo, às 15 horas.

21 jornadas intensas, onde 12 equipas deram o seu máximo entre subidas e descidas na classificação. À entrada da última jornada do Moçambola apenas duas equipas têm a possibilidade de conquistar a maior competição a nível de clubes do país: Black Bulls, líder com 48 pontos, e União Desportiva do Songo, o segundo com 46.

A matemática é simples para a Black Bulls ser campeã. Necessita apenas de um empate, enquanto que para a União Desportiva  do Songo é a conjugação da sua vitória e derrota dos touros.

A Associação Black Bulls viaja até Lichinga para defrontar o Ferroviário Local que neste momento ocupa um confortável oitavo lugar e já com a manutenção garantida. Já a União Desportiva Do Songo viaja a Nampula para defrontar o Desportivo de Nacala que ocupa a nona posição.

Em caso de vitória dos hidroeléctricos e empate dos touros, as duas equipas terminam com os mesmos pontos, mas a turma de Tchumene leva vantagem pela diferença de golos marcados e sofridos e, por isso, seria coroado campeão.

No confronto directo, Black Bulls e União Desportiva de Songo estão empatados, já que se anularam nos dois jogos.

O campeão nacional tem acesso aos Playoffs de acesso à fase de grupos da da liga dos campeões africanos.

Foram apreendidas 11 bombas de fabrico caseiro e 30 pneus, na noite de ontem, no bairro da Munhava, na cidade da Beira. Os fabricantes dizem que as bombas e os pneus seriam usados para manifestações de reivindicação dos resultados e, que, os mesmos não pertencem a qualquer partido.

As bombas feitas de garrafas, combustível e fiapos, fabricadas em casa, seriam usadas nesta sexta-feira (08), nas ruas da cidade da Beira por um grupo de jovens que residem no bairro da Munhava. Os jovens dizem que apenas queriam incendiar pneus.

“Era para colocar no pneu, deixar na estrada, para quando uma garrafa partir-se atirar uma outra para pegar fogo”, diz um dos indiciados.
Aliás, diz que nas marchas anteriores, as manifestações foram pacíficas e que esta nova ideia seria aplicada, também, “pacificamente”.

Estamos a manifestar por causa dos resultados e fizemos manifestações pacíficas, e há sempre alguém que dá uma ideia mas não posso revelar quem”. O jovem disse igualmente “não pertencemos a nenhum partido”.

Segundo a Polícia, contrariamente ao que os indiciados dizem, as bombas caseiras seriam usadas em actos criminosos. “As bombas caseiras não visam queimar pneus, estas visam a destruir bens. É com estas bombas, que estes indivíduos queimam viaturas, destroem antenas de telefonia móvel e tomam de assalto alguns estabelecimentos comerciais”, disse Roberto Selemane, porta-voz da PRM em Sofala.

Também, a Polícia disse que há pistas para o encalço dos outros 14 jovens envolvidos no fabrico das bombas caseiras.

Ainda sobre as manifestações o ambiente voltou a normalidade na cidade da Beira, com a movimentação de pessoas e bens em toda a urbe sem receio por parte dos munícipes, tal como diz Antónia, “tudo voltou à normalidade”. A mesma normalidade é referida pelo comerciante, Muhammad Waseem, “hoje abrimos lojas e está muito calmo”, acrescentou.

Na cidade de Chimoio, dois agentes da Polícia foram feridos, quando tentavam remover barricadas numa via pública. “A população arremessou pedras e acabou ferindo os agentes, mas tiveram pronto socorro. Durante este período tivemos dois detidos que tentavam queimar pneus na via pública”, disse Mouzinho Manasse, porta-voz da PRM em Manica.

E, na província de Nampula, a Polícia deteve 14 pessoas sob acusação de manifestações violentas, contudo, a situação está controlada e a vida voltou à normalidade.

“Queremos reiterar a população para que não aderiram às manifestações com intuito de saquear e vandalizar bens e actos criminais. pautem por marcha pacífica que a Polícia estará pronta para para manter a ordem e segurança pública”, diz Rosa Chaúque, porta-voz da PRM em Nampula.

Ainda em Nampula, no distrito de Angoche, houve um naufrágio na passada quarta-feira que vitimou 4 pessoas e nove foram resgatadas com vida.

O Partido Povo Optimista para Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS), diz que o Conselho Constitucional está a ser injusto e ilegal por ignorar algumas fases da reclamação submetida pelo partido a reivindicar a sua vitória e do seu candidato persidencial, Venâncio Mondlane. O PODEMOS garante, igualmente, a continuidade das manifestações até que “haja reposição da legalidade eleitoral”.

O Partido Povo Optimista para Desenvolvimento de Moçambique, (PODEMOS) chamou a imprensa para dar a conhecer a sua posição em relação à resposta do Conselho Constitucional ao recurso interposto em relação à disparidade dos números de votantes nas três eleições de 9 de Outubro, nomeadamente presidenciais, legislativas e das assembleias provinciais. Para este partido, o acórdão do Conselho Constitucional é ilegal e injusto, até porque:

“De acordo com a nossa legislação, o recurso é uma prerrogativa que os entes cidadãos têm, para diante de um inconformismo, eles verem os seus direitos ressarcidos. Então, o Conselho Constitucional, em completo desalinhamento com a lei decidiu não apreciar o nosso recurso e mandou o recurso para fazer figurar na segunda fase. No escopo da Lei Eleitoral e da Constituição da República, o CC tem dois momentos: o primeiro, apreciar as reclamações e recursos, finalizados, passa a fase da validação e antes de fazer isso não se passa para a fase da validação. O Conselho Constitucional decidiu analisar o nosso recurso na fase da validação e isso constitui um atropelo à lei”, acusou Dinis Tivane.

Ou seja, o Conselho Constitucional está a faltar com verdade em relação à posição legal dos vencedores do escrutínio.

“O Conselho Constitucional tem que se conformar com a lei, portanto, entrou um recurso, ainda que pareça doloroso dizer que a Frelimo perdeu, que a CNE fez um mau trabalho, é essa consequência que tem que acatar. Se a Comissão Nacional de Eleições deixou de fazer o seu trabalho, e se efectivamente o número de pessoas que votaram a favor do Venâncio Mondlane e do PODEMOS é superior ao número de pessoas que votaram em Daniel Chapo e a Frelimo, então, nós fizemos uma reclamação para pedir nulidade dessa decisão”.

Relativamente às manifestações que acontecem no país, o PODEMOS diz continuar alinhado com Venâncio Mondlane, e que as mesmas vão continuar até a reposição da verdade eleitoral. “Na senda da pressão pela justiça eleitoral, nós vamos continuar a fazer as nossas marchas, separadas do vandalismo que tem estado a surgir. As instituições estão a trabalhar no processo para que possam ir à justiça”.

E, quanto a violência e pilhagem que tem caracterizado os propostos em Maputo, Albino Forquilha diz, “dissemos que no dia 07 faríamos a manifestação e aconteceu. E, as manifestações pacíficas vão continuar e não se podem associar ao vandalismo. Aquilo que está a acontecer não é desejável, mas quem começa com a violência é a Polícia.

Mas, porque os líderes do PODEMOS não são vistos nas manifestações na capital do país? Em resposta à pergunta, Forquilha diz que os membros estão a participar. “A marcha é popular, em todo o canto há pessoas a marcharem, então participamos. O descontentamento não é apenas dos membros do PODEMOS, é popular e há muita solidariedade e nós estamos felizes com isso”. Além de se alegrar com a adesão nas marchas, Forquilha assegurou que todos sabem que são os reais vencedores, “muitos que estavam nas mesas de voto e os que divulgaram sabem quem ganhou”.

O PODEMOS denunciou ainda o desaparecimento de três membros do partido que vinham da Zambézia. “Isso me parece um sequestro, uma ilegalidade. E se um sequestro desses é feito por pessoas que fiscalizam as vias, só por saberem que a pessoa é de certa província e é do PODEMOS, a nossa posição é exigir que haja esclarecimento, queremos saber onde param os nossos compatriotas”, exigiu Forquilha.

Para já, e segundo o PODEMOS as manifestações continuam e sem data para o seu fim, sendo que o limite será o que chamam de reposição da verdade eleitoral.

Israel pode estar a cometer crimes de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. A informação foi divulgada, hoje, em um relatório da Organização das Nações Unidas, que diz também que o país usou fósforo branco em pelo menos 24 ocasiões da guerra na faixa de Gaza.

O relatório, de 32 páginas, divulgado em Genebra na Suíça, a ONU não só volta a considerar as forças israelitas como possíveis autores de crimes de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, como também, refere que o país usou fósforo branco, uma substância química incendiária capaz de causar “ferimentos graves e dolorosos”, em pelo menos 24 ocasiões da guerra em curso.

O fósforo branco, que foi usado por Israel, durante a guerra, sobretudo nos seis meses de análise (entre novembro de 2023 e abril de 2024), é uma substância que “arde instantaneamente quando entra em contacto com o oxigénio e é muito difícil de extinguir”, refere a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo o documento, seis utilizações de fósforo branco foram registadas na capital de Gaza, nove no centro da Faixa de Gaza, quatro no norte, três em Khan Younis e duas em Beit Lahiya, algumas das quais em campos de refugiados.

Um dos momentos em que se registou a utilização da substância, foi no dia 25 de dezembro em que um bebé foi queimado por fósforo branco numa escola do campo de Al Bureij.

Apesar de não ser considerado uma arma química, o fósforo branco deve ser proibido ao abrigo das convenções que vetam o uso de armamento “com efeitos indiscriminados” ou que cause “sofrimento desnecessário e ferimentos supérfluos”, segundo a ONU.

Organizações não-governamentais como a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch já tinham denunciado a utilização de fósforo branco por Israel em Gaza, mas este é um dos primeiros documentos da ONU a conter tal acusação na actual guerra.

No conflito de Gaza no início de 2009, o chamado Relatório Goldstone, elaborado por uma missão de apuramento de factos da ONU, também acusou Israel de utilizar esta substância incendiária.

A substância também é propensa a aderir à pele e à roupa, provocando “queimaduras profundas e graves, penetrando até nos ossos”, disse a OMS.

A Associação dos Escritores Moçambicanos lamenta a escalada de violência pós-eleições em todo o território nacional, com perdas de vidas de cidadãos. Por isso, através de um comunicado apresentam algumas propostas para parar a violência que tem caracterizado os últimos dias. 

Através de um comunicado, enviado ao Jornal O País, A Associação dos Escritores Moçambicanos  lamenta o clima de violência, que “tem vindo a ceifar vidas humanas”, envolvendo cidadãos que protestam contra os resultados eleitorais, anunciados pela Comissão Nacional de Eleições e agentes das Forças da Lei e Ordem, nomeadamente da Polícia.

” A violência, venha ela de cidadãos civis, venha ela de agentes da Lei e Ordem, constitui um mecanismo errado para abordar desavenças na sociedade, pois ela apenas serve para aumentar sentimentos de ódio e vingança”, lê-se no comunicado.

Por acompanhar a larga escalada de violência, segundo o documento, os escritores moçambicanos decidiram vir a público para contribuir com propostas tendentes a solucionar o presente conflito e para a criação de um Moçambique de Paz, Concórdia, Reconciliação e Unidade, mas não sem antes apresentar as suas causas.

“O presente conflito pós-eleições tem as suas raízes, dentre outras causas, no sistema político moçambicano, onde os poderes dos diferentes órgãos do Estado acham-se confundidos e não se têm mostrado independentes, criando relações de promiscuidade e de ingerência nefastas uns sobre os outros”. Aliado ao facto de existir uma camada social, sobretudo jovem, penalizada pelas consequências da má gestão da coisa pública, sobretudo a Corrupção e consequente elevado e insuportável custo de vida. E ainda com  o funcionamento dos órgãos eleitorais, cuja conduta tem sido apontada como fonte constante de suspeições dos cidadãos, que não acreditam na sua independência e credibilidade. Os órgãos eleitorais são percebidos como partes importantes, fontes de criação e manutenção destes conflitos, entre vários outros factores. 

 Os escritores propõem a realização de um encontro urgente, entre os dois candidatos presidenciais mais votados, nomeadamente Daniel Francisco Chapo e Venâncio António Bila Mondlane, com uma agenda de três pontos: acordar em terminar com o actual clima de instabilidade e violência, para evitar mais perda de vidas humanas e destruição de infraestruturas, com o compromisso sério e verdadeiro de que, no encontro, se devem fazer cedências mútuas e jamais pautar pela arrogância ou posições radicais; Iniciar o Processo negocial para a criação de uma plataforma de entendimento que inclua a constituição de um Governo de inclusão efectiva, com vista a abrir portas para um processo de reforma profunda do Estado, envolvendo e beneficiando toda a Sociedade, sem exclusão, com particular realce para a camada jovem que é a mais numerosa e indiscutivelmente a mais penalizada pelas diferenças sociais; e a constituição de um Comité de Sábios, para desenhar a arquitectura do diálogo entre os dois candidatos presidenciais mais votados, fazer a moderação dos encontros entre ambos e comunicar ao povo sobre o seu progresso.

A Associação sugere ainda que os dois candidatos presidenciais venham rapidamente a público exprimir o seu compromisso com a paz, a estabilidade e o desenvolvimento harmonioso do país, ultrapassando expressões de ódio ou outras que incitem à violência.

Com tantos incidentes de mortes nas manifestações, que pessoas restarão para serem governadas? A pergunta é de uma idosa da Província de Gaza, que se junta a tantas outras vozes que apelam ao diálogo para pôr fim à crise pós-eleitoral.

Do bairro 10, na Cidade de Xai-Xai, Província de Gaza, Helena Manhique faz ecoar a sua voz, apelando ao diálogo entre o Governo e Venâncio Mondlane.

“Apelamos ao entendimento entre Venâncio Mondlane e Nyusi, para dialogarem para libertar o país, porque está a haver muitos incidentes. As pessoas são mortas. Não sabemos quem será governado. Já não estamos bem. Apelamos ao entendimento. Que prevaleça o entendimento”, disse Helena Manhique, idosa de 68 anos de idade.

No bairro Francisco Manyanga, na Cidade de Tete, o senhor Álvaro Damião, de 92 anos de idade, não se conforma com o curso dos acontecimentos no seu país.

Aos 92 anos, e a gozar da sua reforma na Hidroeléctrica de Cahora Bassa, entende que a energia deve ser buscada no diálogo que, ao seu ver, a iniciativa deve ser do Governo, ainda que para tal, recorra aos mediadores.

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