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Comerciantes instalados no interior do Mercado Central de Inhambane decidiram levar os produtos para fora em protesto contra as bancas improvisadas que ocupam a área reservada aos transportadores, alegam perda de clientes e dizem que sucessivas reclamações à gestão não produziram qualquer solução.

Cerca de dois anos depois de entrar em funcionamento com a promessa de organizar o comércio na cidade de Inhambane e oferecer melhores condições aos vendedores, o Mercado Central enfrenta um problema que começa a colocar em causa o propósito para o qual foi concebido, isto porque parte do espaço exterior reservado aos transportadores de passageiros está ocupado por comerciantes que montaram bancas improvisadas e vendem diariamente diferentes produtos, uma situação que há algum tempo provoca descontentamento entre aqueles que receberam lugares no interior e que esta quinta-feira decidiram transformar a insatisfação em protesto, retirando os seus produtos das bancas e levando-os para o exterior para disputar directamente a clientela com os vendedores cuja presença contestam.

O cenário revela duas realidades que se confrontam à porta da mesma infra-estrutura, pois enquanto os comerciantes instalados no interior reclamam que as bancas improvisadas lhes retiram clientes e tornam cada vez mais difícil manter os negócios, aqueles que vendem no exterior garantem que não escolheram voluntariamente ocupar o espaço destinado aos transportadores e justificam a permanência naquele local com a alegada falta de lugares suficientes dentro do Mercado Central. Albertina, uma das vendedoras que exerce a actividade do lado de fora, diz que a necessidade de garantir o sustento da família acaba por falar mais alto do que os riscos associados à ocupação de um espaço que não foi concebido para a venda, reconhecendo que existem perigos, mas insistindo que abandonar o local sem uma alternativa significaria perder a única possibilidade que tem de conseguir algum rendimento. “Sabemos que pode haver perigo, mas não temos para onde ir. Estamos à procura do pão. Ninguém pode viver com fome”, explica a comerciante, numa declaração que expõe o lado social de um problema que já ultrapassa a simples organização física do mercado.

Mas para quem recebeu uma banca no interior da infra-estrutura, a explicação apresentada pelos vendedores de fora não elimina aquilo que consideram ser uma situação de concorrência desigual, porque os consumidores que chegam ao Mercado Central encontram primeiro os produtos expostos no exterior e muitos acabam por fazer ali mesmo as compras, sem necessidade de entrar no edifício. Foi perante este cenário que, esta quinta-feira, vários comerciantes decidiram retirar os produtos das respectivas bancas e instalá-los igualmente do lado de fora, não por alegada falta de espaço, mas como forma de protesto e de pressão sobre os responsáveis pela gestão do mercado, numa tentativa de mostrar que não estão dispostos a continuar dentro de uma infra-estrutura onde dizem ter cada vez menos compradores enquanto a actividade comercial cresce à sua porta.

Laura, uma das vendedoras que aderiu ao protesto, explica que a decisão de sair resulta da queda da clientela e daquilo que considera ser a falta de resposta das autoridades às reclamações apresentadas ao longo do tempo, defendendo que todos os comerciantes deveriam estar sujeitos às mesmas regras e exercer a actividade dentro dos espaços definidos para o efeito. “Estamos aqui porque lá dentro não entram clientes devido ao outro mercado que está fora. O que estamos a pedir neste momento ao nosso município é que retire aquelas pessoas que estão fora e que elas também entrem no mercado”, afirma, deixando claro que o objectivo dos manifestantes não é abandonar definitivamente a infra-estrutura, mas pressionar para que seja encontrada uma solução capaz de devolver clientes às bancas interiores.

A situação está a transformar a área exterior num concorrente directo do próprio Mercado Central, porque quanto maior é a quantidade de produtos disponíveis nas bancas improvisadas, menor é a necessidade de os consumidores entrarem no edifício e, consequentemente, menor é o volume de vendas de quem permanece nas bancas formais. Benilde, uma das comerciantes que continua a trabalhar no interior, conta que há dias em que passa praticamente toda a jornada à espera de compradores, vendo do seu posto de venda o movimento concentrar-se no exterior, onde diferentes produtos são comercializados antes mesmo de os clientes atravessarem as portas da infra-estrutura, uma realidade que, segundo afirma, está a provocar perdas e a tornar cada vez mais difícil sobreviver exclusivamente do negócio instalado no interior.

Para os comerciantes, não se trata apenas de uma questão de preferência dos consumidores, mas de localização e facilidade de acesso, porque quem chega à zona encontra primeiro os vendedores instalados na área exterior e pode adquirir os produtos sem entrar no Mercado Central, enquanto aqueles que cumprem a orientação de permanecer nas bancas atribuídas ficam numa posição menos favorável para disputar os mesmos clientes. “Lá fora está cheio de pessoas a vender e aqui no mercado ninguém entra”, lamenta Benilde, descrevendo dias em que o rendimento obtido fica muito abaixo das expectativas e mal permite compensar o tempo e os custos associados à actividade comercial.

O fenómeno começa, desta forma, a produzir um efeito contrário ao pretendido com a construção da nova infra-estrutura, pois o mercado criado para concentrar e ordenar a actividade comercial enfrenta agora uma dinâmica em que permanecer no interior pode representar uma desvantagem económica, enquanto vender no exterior permite contacto imediato com os compradores. É precisamente esta percepção que levou comerciantes formalmente instalados dentro do mercado a adoptar a mesma estratégia daqueles que criticam, criando um ciclo difícil de interromper: quanto mais vendedores saem, mais produtos ficam disponíveis no exterior, quanto mais produtos existem do lado de fora, menos razões os consumidores encontram para entrar e, quanto menor é a clientela no interior, maior se torna a pressão para que outros comerciantes façam exactamente o mesmo percurso.

A revolta desta quinta-feira, contudo, não nasceu de um problema identificado apenas nos últimos dias, uma vez que os vendedores garantem ter apresentado várias vezes as suas preocupações aos responsáveis pela gestão do Mercado Central e dizem ter recebido promessas de intervenção que, até agora, não se traduziram numa solução visível. Laura afirma que os comerciantes aguardam há algum tempo por uma resposta concreta e que a ausência de uma data para a resolução do problema aumentou a indignação entre quem continua a acumular prejuízos, explicando que “já falámos várias vezes, dizem que vão mandar uma equipa e nunca mais”, razão pela qual alguns vendedores decidiram que permanecer no interior à espera de uma solução deixou de ser uma alternativa economicamente sustentável.

A posição dos manifestantes é agora mais dura e alguns garantem que só pretendem regressar às bancas quando houver uma intervenção que coloque todos os vendedores em condições semelhantes de concorrência. “Nós vamos sair se virmos aquela gente que está aí fora dentro do mercado”, afirma Laura, numa declaração que aumenta a pressão sobre a administração do Mercado Central e sobre o Conselho Municipal de Inhambane, porque qualquer intervenção terá de encontrar uma saída para os comerciantes que alegam não dispor de lugares no interior sem, ao mesmo tempo, prejudicar aqueles que aceitaram instalar-se nos espaços formais e que agora reclamam estar a pagar o preço por respeitarem a organização definida.

É neste ponto que o problema deixa de ser apenas uma disputa entre vendedores e passa a colocar questões sobre a própria gestão do comércio urbano, uma vez que retirar os comerciantes instalados no exterior sem lhes apresentar uma alternativa poderá simplesmente deslocá-los para outros pontos da cidade, enquanto permitir que permaneçam no espaço destinado aos transportadores poderá continuar a reduzir a clientela no interior e incentivar novos vendedores a abandonar as bancas. A situação exige, por isso, uma solução capaz de conciliar a necessidade de ordenamento com uma realidade económica incontornável: para muitas destas famílias, a venda diária não é uma actividade complementar, mas a principal ou única fonte de rendimento.

A reportagem de O País procurou ouvir a administração do Mercado Central para perceber como pretende responder à revolta dos comerciantes, esclarecer a alegada falta de espaço no interior, explicar por que razão a área reservada aos transportadores continua ocupada por vendedores e indicar que medidas estão previstas para impedir que a saída dos comerciantes instalados nas bancas formais agrave ainda mais a desorganização, mas, no momento em que a equipa se deslocou ao local, o edifício onde funciona a administração encontrava-se encerrado e não foi possível obter qualquer pronunciamento dos responsáveis pela gestão até ao fecho desta reportagem.

O impasse deixa o Mercado Central de Inhambane perante uma contradição cada vez mais difícil de ignorar, porque uma infra-estrutura moderna que entrou em funcionamento para organizar o comércio começa a assistir à transferência da actividade das suas bancas para o espaço exterior que deveria permanecer livre para outras funções, ao mesmo tempo que vendedores que inicialmente cumpriram as regras sentem-se agora prejudicados por aqueles que comercializam fora e decidem responder fazendo exactamente o mesmo.

Enquanto a gestão não apresenta uma solução, o protesto desta quinta-feira deixa uma mensagem clara sobre a dimensão do problema: quando os comerciantes entendem que permanecer dentro de um mercado formal significa perder clientes e que colocar os produtos na rua aumenta as possibilidades de vender, a discussão já não pode limitar-se à disciplina de quem ocupa irregularmente os espaços, devendo também questionar a capacidade de organização, fiscalização e gestão da própria infra-estrutura. O Mercado Central foi criado para trazer ordem ao comércio de Inhambane, mas o desafio que agora se coloca é impedir que a luta diária pela sobrevivência transforme o seu exterior num segundo mercado e empurre para a rua precisamente aqueles vendedores que deveriam encontrar dentro dele melhores condições para trabalhar.

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Há fome no distrito de Machaze, na Província de Manica. A última safra agrícola resultou num total fracasso, mas, em contrapartida, quase houve aumento da produção da castanha de cajú e o governo local incentiva a sua venda para aquisição de alimentos.

No distrito de Machaze, o fenómeno El-nino se fez sentir no sector da agricultura familiar. Os camponeses lançaram semente à terra, mas não se colheu quase nada! A administradora do distrito diz haver alternativa para a população se alimentar. É que o distrito registou um recorde na produção da castanha de cajú.

A administradora de Machaze, Joana Guinda, assegura haver compradores para toda castanha de caju produzida este ano.

O distrito de Machaze espera, na presente safra agrícola, trabalhar uma área de 47 mil hectares de diversas culturas, contra 35 mil do ano passado.

Trinta e quatro agentes de segurança privada manifestaram, hoje, defronte da delegação do INAS, em Xai-Xai, para exigirem o pagamento de dois anos de salários em atraso, na sequência colocaram como reféns os funcionários e o delegado da instituição.

Os agentes de segurança privada de duas empresas contratadas pela Delegação Provincial do (INAS) paralisam por completo as actividades da instituição, em Xai-Xai, para reivindicarem o pagamento de dois anos de salários em atraso.

“Desde 2022 que a Delegação Provincial do Instituto Nacional de Acção Social não efectua o pagamento dos salários. Desde estamos a enfrentar cortes de energia e água nas nossas casas. Estamos totalmente agastados com a situação, inúmeras tentativas de conversa, mas não vemos resultado nenhum. Hoje exigimos que nos pague o nosso dinheiro, apenas isso’’, finalizou um dos representantes dos agentes de segurança em greve.

Os grevistas encerraram o acesso à delegacia fazendo reféns os funcionários e o respetivo delegado da instituição. A situação prevaleceu até a saída do País por volta das 15 horas.

“Para hoje, decidimos trancar as portas e manter todos no interior da instituição, até que tenhamos luz verde”, daqui só saímos com dinheiro nas mãos, caso contrário, ninguém entra, nem sai, Está tudo fechado”, explicou outro grevista.

Utentes chegaram logo às primeiras horas para tramitarem os seus processos, todavia, foram repelidos pelo grupo de manifestantes à porta.
“Estou totalmente indignado com a situação, na verdade, vinha tramitar meus documentos, mas, estou impedido de o fazer devido à greve dos trabalhadores”, lamentou uma utente.

O Delegado do INAS em Gaza, Enoque Mate, reconhece as reivindicações dos agentes de segurança, entretanto, diz estar de mãos atadas por falta de dinheiro. Mate avança ainda que os processos de pagamento, até estão preparados, mas aguardam “luz verde” do governo central.

Os agentes da segurança privada assumiram o controlo da delegação provincial do INAS em Xai-Xai e exigem o pagamento dos 24 meses em atraso no prazo de 48 horas.

34 agentes de segurança privada manifestaram, hoje, defronte da delegação do INAS, em Xai-Xai, para exigirem o pagamento de dois anos de salários em atraso, na sequência colocaram reféns os funcionários e o respetivo delegado da instituição.

Os agentes de segurança privada de duas empresas contratadas pela Delegação Provincial do (INAS) paralisaram por completo as actividades da instituição, em Xai-Xai, para reivindicarem o pagamento de dois anos de salários em atraso.

“Desde 2022 que a Delegação Provincial do Instituto Nacional de Acção Social não efectua o pagamento dos salários. Desde estamos a enfrentar cortes de energia e água nas nossas casas. Estamos totalmente agastados com a situação, inúmeras tentativas de conversa, mas não vemos resultado nenhum. Hoje exigimos que nos pague o nosso dinheiro, apenas isso’’, finalizou um dos representantes dos agentes de segurança em greve.

Os “grevistas” encerraram o acesso à delegação fazendo reféns os funcionários e o respetivo delegado da instituição. A situação prevaleceu até a saída do País por volta das 15 horas.

“Para hoje, decidimos trancar as portas e manter todos no interior da instituição, até que tenhamos luz verde”, daqui só saímos com dinheiro nas mãos, caso contrário, ninguém entra, nem sai, Está tudo fechado”, explicou outro grevista.

Utentes chegaram logo às primeiras horas para tramitarem os seus processos, todavia, foram repelidos pelo grupo de manifestantes à porta.

“Estou totalmente indignado com a situação, na verdade, vinha tramitar meus documentos, mas, estou impedido de o fazer devido à greve dos trabalhadores”, lamentou uma utente.

O Delegado do INAS em Gaza, Enoque Mate, reconhece as revindicações dos agentes de segurança, entretanto, diz estar de mãos atadas por falta de dinheiro. Mate avança ainda que os processos de pagamento, até estão preparados, mas aguardam “luz verde” do governo central.

Os agentes da segurança privada assumiram o controlo da delegação provincial do INAS em Xai-Xai e exigem pagamento dos 24 meses em atraso no prazo de 48 horas.

Hoje foi o dia escolhido pelo Conselho de Ministros de Israel para proceder a votação do acordo de cessar-fogo no Líbano, aprovado pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. Com a aprovação do acordo, o Líbano poderá estar em paz por pelo menos 60 dias.

São duas boas novas: Líbano sem tropas israelitas e em paz por pelo menos 60 dias, diz a proposta do acordo de um cessar-fogo de dois meses aprovado pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, na noite de domingo (24).

Netanyahu sinalizou sua potencial aprovação para o cessar-fogo com o Hezbollah durante uma consulta de segurança com autoridades israelenses na noite de domingo (24), ainda segundo a fonte.

A esperança de alguma paz no Líbano, apesar de próxima, se anuncia num contexto em que há discórdias.

Sobre os “prós e contras” , o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, na semana passada, revelou que é preciso continuar para a vitória de Israel sobre o o Hezbollah, ao que chamou um cessar-fogo de um “grande erro”.

Outra figura importante, que é contra o acordo, é Benny Gantz, que renunciou ao gabinete de guerra de Israel em junho devido à forma como Netanyahu lidou com a guerra em Gaza, pediu ao primeiro-ministro que torne públicos os detalhes do acordo de cessar-fogo, insistindo que é “é direito dos moradores do norte, dos combatentes e dos cidadãos de Israel saber”, os detalhes.

O Canal 12 de Israel noticiou que outros critérios para o acordo incluem a criação de um comité multinacional, chefiado pelos EUA, para monitorizar a sua implementação.

Em contrapartida, o Hezbollah substituiria as suas forças a sul do rio Litani por tropas do exército libanês.

Ainda assim, fontes, incluindo o embaixador de Israel na ONU, citadas pela CNN, observaram que as negociações parecem estar caminhando positivamente em direção a um acordo, mas reconheceram que, como Israel e o Hezbollah continuam a trocar tiros, um “passo em falso” pode atrapalhar o resultado.

Até ao momento, ainda não houve quaisquer informações sobre a votação.

O Município da Matola está a fazer uma reabilitação de raiz na avenida 5 de Fevereiro, na Matola 700. No terreno, as máquinas já roncam e o troço já foi vedado ao trânsito de viaturas.

As obras de reabilitação desta via, já há muito era esperada pelos munícipes da Matola até porque, quando chove, transitar por aqui é quase impossível.

Era aos solavancos em que as viaturas passavam e vezes sem conta problemas mecânicos eram as queixas dos automobilistas, que tinham o estado da via como a causa dos problemas.

Jorge Francisco, condutor disse ao “O País” que as obras são bem-vindas, mas frisou que é preciso ter atenção às chuvas.

“É importante reabrirem os ribeiros, que é para água ter passagem. Enquanto não reabrirem os ribeiros não haverá solução, pois assim que chover a água não terá para onde ir e isso vai acelerar a degradação da estrada e terão sempre que reabilitar”.

Já Mário Mondlane, acredita que a estrada reabilitada vai melhorar a transitabilidade e a suspensão dos carros já não será vítima, como vinha sendo.

Por um lado, na Matola 700, os munícipes celebram, mas por outro, na Avenida das Indústrias as lamentações continuam. É que a estrada degradada revolta quem por ali conduz. Os munícipes exigem soluções urgentes.

Luís Dodlas, conhece bem o problema e desabafa. “Praticamente todos os dias temos que fazer manutenção nas viaturas. Agora estou aqui com os mecânicos a reparar o carro, porque partiu-se uma peça, então os gastos são eminentes, quase sempre temos que reparar os carros”.

Outro problema que inquieta os automobilistas é que nesta avenida o troço com problemas é curto e a inspecção do carro que vezes sem conta é exigida pela polícia, de carros que circulam em estradas sem condições.

O filme “18 de Março”, de Xavier Bila, é o grande vencedor do Concurso de Curta-Metragem, organizado pelo Centro Cultural Moçambicano-Alemão 2024. “Tristânia”, dirigido por Lutergado Lampião, ficou em segundo lugar na oitava edição do concurso.

De acordo com uma nota de imprensa do Centro Cultural Moçambicano-Alemão, Elisio Bajane, Ivandro Mahocha e Stélio António, membros do corpo de júri, deliberaram que a película “18 de Março” merece classificação de “Melhor filme” e o “Melhor argumento”, ocupando, dessa forma, a primeira e a terceira posição. “Tristânia” arrecadou a segunda posição, na categoria de “Melhor Realizador”.

No concurso, estiveram em avaliação “Narrativa e Argumento”, “Aspectos Técnicos”, “Actuação”, “Realização”, “Criatividade e Inovação”, “Aderência ao Tema”, “Tempo e Rítmo”, “Relevância Cultural ou Social” e “Impacto Geral”.

A classificação, com efeito, foi de 775 para o “Melhor filme”, 769 “Melhor Realização” e 152 pontos para o “Melhor Argumento”.

De acordo com a sinopse, o filme de Xavier Bila retrata uma história baseada em factos reais, na qual, “no seu regresso da missão de contencão de uma marcha pública, onde ele e seus colegas agiram com violência contra os manifestantes”.

Um agente da polícia, prossegue o resumo da película, é confrontado pela sua filha com uma revelacão chocante, que toma o centro da narrativa.

Por sua vez, a proposta de Lutergado Lampião é um enredo que decorre num vale perdido chamado Tristânia, governado por um tirano implacável chamado Lord Mafuta, sob o seu domínio, o exercício de cidadania era um conceito desconhecido.

“A população vivia constantemente sob o peso do medo e opressão, neste regime qualquer sinal de revolta era rapidamente esmagado, a constante presença dos seus soldados nas ruas era lembrança da sua força brutal, no meio a este caus Nhembete, uma jovem determinda e seus dois parceiros Muzila e Luana decidem despertar a população e começar uma revolução”, lê-se na sinopse.

Após a submissão de candidaturas através de sinopses, de 10 a 28 de Junho, a Afrocinemakers, produtora parceira da presente edição, orientou, na Galeria do CCMA workshops técnicos, para os 35 candidatos que tinham sido admitidos ao concurso na presente edição.

Na sequência, os participantes produziram e enviaram os vinte filmes que foram objecto de avaliação para que se encontrasse o vencedor deste concurso que já premiou mais de 20 cineastas moçambicanos.

O contributo deste concurso é notavél, de tal modo que vários produtores que tiveram neste a primeira oportunidade de mostrar o seu trabalho ao grande público e, na sequência, passaram a grandes produções, tal é o caso, por exemplo, dos Afrocinemakers e Gigliola Zacara.

A novidade deste ano é que os filmes produzidos no contexto do Concurso de Curta-Metragem estarão disponíveis na plataforma de streaming moçambicana NetKanema. Já lá estão disponíveis as curtas desde a 4ª edição, não apenas os vencedores.

Com efeito, a tónica generalizada dos filmes é de uma abordagem holística, que transcende a discussão imediatamente política das temáticas “Democracia e cidadania”, o que reflecte uma percepção mais aberta sobre os assuntos supracitados.

O CCMA justifica as temáticas pelo facto de, 2024, ter sido amplamente reconhecido como o maior ano eleitoral dos últimos 50 anos, e possivelmente de toda a história moderna. Pois, mais de 70 países realizarão eleições nacionais ao longo do ano.

Só a nível regional, para além de Moçambique, a África do Sul e Botswana que já foram as urnas, Namibia irá no próximo 27 de Novembro. A nível internacional, destacam-se algumas das nações mais populosas do mundo, como Índia, Estados Unidos, Rússia e México.

E a luz deste facto, o CCMA, que igualmente compreende que a arte tem uma função reflexiva, acredita que desta forma contribui para uma participação mais consciente nestes processos. Assim como, possibilita a visibilidade de novos cineastas e propostas estéticas para a cena moçambicana.

Há obras públicas, cujo prazo de conclusão está comprometido por conta das manifestações. A informação é revelada pela Federação Moçambicana de Empreiteiros, que fala de possível revisão do orçamento em alguns projectos.

As manifestações deram trégua, mas os seus impactos se fazem sentir nas obras públicas, ainda em curso nas cidades de Maputo e Matola.

“Temos obras que não estão a acontecer a todo o vapor porque as manifestações têm inviabilizado o desenvolvimento das actividades das empresas de construção e nós entendemos que se isso continuar, as empresas vão ter um desfecho negativo no final do ano”, revelou Bento Machaíla, presidente da Federação Moçambicana de Empreiteiros.

E isto vai implicar, segundo a Federação Moçambicana de Empreiteiros, o reajuste do orçamento de alguns projectos.

“O que vai acontecer é que as empresas se projectaram para executar a obra num determinado e a extensão acaba influenciando no orçamento, mas é uma questão de as empresas encontrarem uma forma de negociarem com as entidades contratantes. Contudo, era preciso perceber que os empreiteiros estão a ser forçados a esta situação. Não é normal. É preciso que haja entendimento, também, da parte das entidades contratantes para haver uma margem de negociação, primeiro, em relação aos prazos e a negociação do preço da obra”, referiu Bento Machaíla.

Às manifestações junta-se a época chuvosa que, não poucas vezes, compromete a execução de obras dentro dos prazos previstos.

O porta-voz da Renamo, Marcial Macome, apelou que houvesse calma, por parte dos membros e simpatizantes da Renamo e que se esperasse pelo fórum apropriado para apresentar as suas inquietações. Macome reagia às manifestações dos antigos guerrilheiros da Renamo, na sede do partido. 

O partido da perdiz reagiu à presença dos guerrilheiros que exigiam a demissão de Ossufo Momade do cargo de presidente do partido. Marcial Macome explicou que o processo de contestação não pode ser feito de “forma qualquerizante”, mas é preciso que entendam como os órgãos funcionam. 

“Não é assim de forma qualquerizante, que cada um sai, acorda e convoca os órgãos. É preciso que, em algum momento, as pessoas entendam como é que os órgãos funcionam.  Neste momento, até então, um partido funciona com todos os órgãos, gozando de um mandato  electivo”, disse.

O porta-voz explicou que qualquer que seja o posicionamento dos membros, satisfação ou insatisfação,  deve aguardar pelo fórum adequado. Por isso, diz ser necessário controlar os ânimos.  

“Estamos num momento em que os ânimos estão à flor da pele e, nós, como RENAMO,  apelamos a todos os membros, a todos os simpatizantes e todos os moçambicanos tenham calma, pois as coisas têm o seu tempo e elas vão se resolver. O tema da liderança, das lideranças, não é um fenómeno novo no país nem em nenhuma parte do mundo”, acrescentou.

Marcial Macome sublinhou que é normal que haja contestação à liderança, no espaço democrático, pois “as pessoas são livres de pensar e concluir em função dos seus interesses, em função dos seus objetivos, mas isso não significa de maneira alguma subverter as instituições”, concluiu.

Os membros e antigos guerrilheiros da Renamo, amotinados desde a noite de ontem na sede do partido, em Maputo, para exigir a demissão da actual direcção da Renamo, pedem que a polícia se retire do local.

Os membros e antigos guerrilheiros da Renamo convocaram, hoje, a imprensa para falar sobre a situação do partido, uma vez que, desde ontem, estão amotinados, na sede do partido, em Maputo, para exigir a demissão de Ossufo Momade e seu elenco.

O que não esperavam era que se dirigisse ao local um forte contingente, composto por cerca de 30 agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), alguns empunhando armas do tipo AKM. 

A presença da polícia criou uma forte agitação dos membros e antigos guerrilheiros da Renamo, que questionavam a razão da presença da polícia no local.

 

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