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O Ministério da Planificação e Desenvolvimento (MPD), em colaboração com o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), realiza, nos dias 4 e 5 de Novembro, no Centro Cultural Moçambique-China, em Maputo, a Conferência sobre População e Desenvolvimento em Moçambique, um encontro de alto nível destinado a promover o diálogo e a definição de prioridades para transformar a dinâmica demográfica do país numa oportunidade de crescimento económico, criação de emprego e melhoria do bem-estar da população.

Subordinada ao tema “População, Transformação Económica e Bem-Estar: Políticas para Aproveitar o Dividendo Demográfico em Moçambique”, a conferência reunirá representantes do Governo, instituições públicas, parceiros de cooperação, academia, sociedade civil, sector privado e organizações juvenis e de mulheres, entre outros actores relevantes para o desenvolvimento nacional.

A iniciativa decorre num contexto em que Moçambique apresenta uma população predominantemente jovem, com cerca de 66% dos cidadãos com menos de 25 anos. Esta realidade representa uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento do País, mas exige investimentos coordenados em educação, saúde, formação profissional, emprego produtivo, igualdade de género e protecção social.

A conferência pretende reforçar a articulação entre as políticas de população e as estratégias de desenvolvimento económico e social, promovendo decisões fundamentadas em evidências e compromissos concretos para responder aos desafios demográficos do País.

Um dos principais objectivos do encontro será recolher contribuições para o aperfeiçoamento da proposta da nova Política Nacional de População, assegurando a sua articulação com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE 2025–2044) e o Programa Quinquenal do Governo (PQG 2025–2029).

Os participantes irão analisar as tendências demográficas do País e as suas implicações para o mercado de trabalho, os serviços públicos, as finanças públicas e o desenvolvimento territorial, identificando reformas e investimentos prioritários para acelerar a transição demográfica e aproveitar o potencial da população jovem.

A agenda inclui igualmente a apresentação da Análise da Situação da População de 2025 e do estudo sobre o Dividendo Demográfico, documentos que deverão contribuir para fundamentar as discussões e orientar a formulação de políticas públicas.

SAÚDE E DIREITOS

Entre as principais áreas de debate destacam-se a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos, a prevenção e resposta ao HIV/SIDA, a qualidade da educação, o desenvolvimento de competências, o emprego juvenil, a produtividade, o empoderamento económico das mulheres, a inclusão das pessoas com deficiência, a protecção social, a urbanização resiliente e as mudanças climáticas.

A conferência abordará também a necessidade de reforçar os sistemas de produção e utilização de dados demográficos, melhorar a integração das variáveis populacionais nos instrumentos de planificação e orçamentação e promover mecanismos sustentáveis de financiamento do desenvolvimento.

Além da reflexão técnica, a conferência pretende produzir resultados concretos que contribuam para a implementação de políticas públicas mais coerentes, inclusivas e orientadas para resultados. O encontro deverá culminar na validação da Declaração de Maputo sobre População e Desenvolvimento, que estabelecerá uma visão partilhada e compromissos políticos e sectoriais para responder aos desafios e aproveitar as oportunidades demográficas de Moçambique.

Está igualmente prevista a consolidação de uma matriz de acções e de um roteiro de seguimento, com prioridades, instituições responsáveis, prazos, indicadores e opções de financiamento, de modo a reforçar a responsabilização e o acompanhamento dos compromissos assumidos.

A participação de jovens, mulheres, pessoas com deficiência, representantes das províncias, organizações da sociedade civil, investigadores e sector privado será fundamental para assegurar que as recomendações reflectem diferentes realidades territoriais e necessidades da população.

Com esta iniciativa, o Ministério da Planificação e Desenvolvimento e os seus parceiros pretendem fortalecer o diálogo entre os diferentes sectores e promover uma abordagem integrada da relação entre população, transformação económica e bem-estar.

Mais detalhes sobre a conferência, incluindo informações sobre o programa e a participação, serão divulgados oportunamente.

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A selecção nacional de futebol da categoria de sub-17, Mambinhas, prepara-se para participar no Campeonato Africano das Nações que está previsto para os finais de Abril e início de Maio no Reino de Marrocos. Os Mambinhas sub-17 sonham com a primeira qualificação ao Mundial da categoria depois do aumento do número de selecções a disputar a prova intercontinental de três para dez vagas para África.

Há sensivelmente um mês que a selecção nacional de futebol de sub-17 prepara a sua participação na edição deste ano do Campeonato Africano das Nações da categoria, a ter lugar em Marrocos.

São 32 jogadores que trabalham às ordens do técnico português Luís Guerreiro, que buscam um lugar na convocatória final para a prova a ter lugar no final deste mês de Abril e início de Maio, em Marrocos.

A participação de Moçambique no CAN da categoria foi conquistada após o terceiro lugar alcançado no torneio regional do COSAFA, ano passado, abrindo a possibilidade de sonhar com a primeira presença de sempre no Campeonato do Mundo do Qatar.

É que desde o ano passado que o continente africano tem direito a dez vagas para o Mundial sub-17, em detrimento das três que tinha nas edições anteriores, após aumento do número de selecções que vão disputar a prova.

O sorteio da fase de grupos será realizado após a conclusão da etapa de qualificação na zona norte do continente africano.

Os dois primeiros classificados dos quatro grupos da fase final do CAN sub-17, garantem automaticamente a vaga na fase final do Mundial. Os três colocados da fase de grupos defrontam-se em play-offs para ocupar as últimas duas vagas.

Para já, a lista dos pré-convocados apresenta como principal novidade a integração de sete atletas que actuam no estrangeiro, com destaque para Espanha, de onde vêm Tiago Francis (Deportivo Mosquito) e Eros Monteiro (Alcocom). De Portugal chegaram Muhammed Omar (Vitória de Setúbal) e Ricky Santos (Famalicão), completando o grupo dos “estrangeiros” António Nhampule (SG Eintracht, Alemanha), Khensani Machel (Curitiba, Brasil) e Kevin Vilanculos (Allashornetts, Estados Unidos da América).

Os clubes internos contribuem com mais atletas, sendo a Black Bulls a que mais manda jogadores, num total de dez atletas, nomeadamente Allan Perreira, Diego Pelembe, Chausson Nhabanga, Ricardo José, Nelton Picardo, Demi Pascoal, Pires Vieira, Jaydane Namali, Joel Catamo e Carlos Júnior.

O Costa do Sol contribui com cinco jogadores, nomeadamente João Jofrisse, Kristoph Machava, Shelton Sitoe, Joaquim Mubai e Valentim Pecane, sendo que da Academia de Dondo foram chamados Marcos Lázaro e João Pega, enquanto o Ferroviário de Quelimane contribui com Inácio Luís e Joel Francisco. Integram igualmente a lista Rodolfo Sérgio e Hanifo Madeira, do Ferroviário de Maputo, bem como Sekou Kante (Académica de Maputo), Cloude Bangue (Ferroviário da Beira), Euclésio Nhampossa (Atlético de Moçambique) e Steys José (Ferroviário de Nampula).

Nos próximos dias a lista será reduzida aos 25 jogadores que Luís Guerreiro levará para Marrocos, onde vai lutar pela honra e glória de chegar ao Mundial pela primeira vez.

Recorde-se que sob o comando de Luís Guerreiro, os Mambinhas de sub-17 conquistaram o torneio lusófono de Cascais, em Portugal, e terminaram em terceiro lugar no torneio regional do COSAFA.

A crise alimentar que assola a população da Somália está a ser agravada pelo aumento dos preços dos combustíveis, provocado pela guerra no Médio Oriente, denunciou, nesta segunda-feira, a organização Save the Children.

Segundo a Save the Children, os preços dos combustíveis neste país do Corno de África aumentaram neste mês 150%, atingindo 1,5 dólares (quase 90 meticais) por litro, o que provocou uma subida no preço dos alimentos num território onde um terço da população passa fome diariamente.

“O aumento vertiginoso dos preços está a agravar uma das crises de fome mais graves que a Somália enfrentou nos últimos anos, após três épocas de chuvas escassas que reduziram ainda mais a agricultura local”, revelou a organização num comunicado.

Os cereais básicos para os somalis, como o sorgo e o milho, registaram um aumento de 25% e 33% no seu preço.

O director da Save the Children na Somália, Mohamud Mohamed Hassan, sublinhou que o país “não pode suportar mais crises sem consequências catastróficas para a infância” e apelou a uma mobilização da comunidade internacional para fazer face a esta crise.

“Os alimentos que antes eram apenas acessíveis são agora inatingíveis, o custo do combustível afecta todos os aspectos da resposta e os alimentos terapêuticos que mantêm vivas as crianças gravemente desnutridas estão retidos nas cadeias de abastecimento”, referiu.

Esta situação deve-se, também, ao facto de as importações de alimentos representarem mais de 70% do consumo alimentar na Somália, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

O Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas anunciou, também, que os preços dos produtos básicos aumentaram pelo menos 20%.

Mais de 6,5 milhões de pessoas na Somália, quase um em cada três habitantes, enfrentam uma situação de insegurança alimentar aguda, e mais de 1,84 milhões de crianças com menos de cinco anos correm o risco de sofrer de desnutrição aguda, de acordo com a Classificação Integrada da Segurança Alimentar por Fases (IPC, na sigla inglesa).

Esta situação é agravada pelos recentes surtos de diarreia, cólera, sarampo e difteria registados em algumas localidades do Sul e Centro do País.

A Save the Children lamentou ainda que o Plano de Resposta Humanitária da Somália para 2026 continue a apresentar um “défice crítico” de financiamento, com, no início de Março, apenas 10,9% dos 852 milhões de dólares necessários.

Os países do Golfo estão unidos no seu apelo pelo fim da guerra do Médio Oriente, afirmou esta terça-feira o Governo do Qatar, enquanto o Irão continua a atacar os vizinhos na região. Os Emirados Árabes Unidos distinguiram-se nos últimos dias dos seus vizinhos ao adoptarem um tom mais ofensivo em relação a Teerão.

Os Estados ricos em petróleo da região têm sido alvo de centenas de mísseis e drones iranianos desde o lançamento da ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irão a 28 de Fevereiro, enquanto as exportações de hidrocarbonetos são afectadas pelo encerramento do estreito de Ormuz por Teerão.

Uma situação que levou os países do Golfo a unirem-se no seu apelo pelo fim da guerra do Médio Oriente, segundo disse o Governo do Qatar esta terça-feira, enquanto o Irão continua a atacar os vizinhos na região.

“Parece-nos que existe uma posição muito unânime no Golfo a pedir uma desescalada e o fim da guerra”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed al-Ansari, numa conferência de imprensa em Doha.

Na segunda-feira, uma comissão parlamentar iraniana aprovou um plano para impor taxas de passagem aos navios que transitam pelo estreito estratégico por onde passa cerca de um quinto do petróleo bruto e gás natural liquefeito do mundo.

O estreito foi “fechado devido a uma operação militar” e o seu futuro é “uma questão que toda a região e os parceiros internacionais devem decidir colectivamente”, disse ontem o responsável qatari.

“Creio que tomámos uma decisão colectiva, no Golfo, de tratar isto como uma ameaça colectiva”, insistiu.

Os Emirados Árabes Unidos, o país que tem sido mais atingido pelos ataques iranianos, distinguiram-se nos últimos dias dos seus vizinhos ao adoptarem um tom mais ofensivo em relação a Teerão.

“Um simples cessar-fogo não chega. Precisamos de um resultado conclusivo que aborde todas as ameaças iranianas: capacidades nucleares, mísseis, drones, proxies terroristas e bloqueios das rotas marítimas internacionais”, escreveu o embaixador qatari em Washington, Yousef Al Otaiba, na semana passada num artigo de opinião no Wall Street Journal.

O diplomata afirmou que Doha estava pronta “para aderir a uma iniciativa internacional para reabrir o estreito e mantê-lo aberto”.

 

Costa pede a Teerão “espaço para diplomacia” e desbloqueio de Ormuz

O presidente do Conselho Europeu pediu esta terça-feira ao Presidente do Irão um “espaço para a diplomacia” na guerra iniciada por Israel e Estados Unidos, que a União Europeia pode mediar, bem como o desbloqueio do Estreito de Ormuz.

“A situação actual no Médio Oriente é extremamente perigosa. Hoje, na minha conversa telefónica com o presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, apelei ao alívio das tensões e à moderação, à protecção dos civis e das infraestruturas civis, bem como à necessidade de todas as partes respeitarem plenamente o direito internacional”, informou António Costa numa publicação na rede social X.

Além disso, e para atenuar a situação, Costa diz que “exortei o Irão a pôr termo aos ataques inaceitáveis contra países da região e a empenhar-se de forma positiva na via diplomática, nomeadamente com as Nações Unidas, para garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz”.

“Tem de haver espaço para a diplomacia. A UE está pronta a contribuir para todos os esforços diplomáticos destinados a reduzir as tensões e a encontrar uma solução duradoura para pôr fim às hostilidades, abordando simultaneamente as preocupações de segurança mais amplas suscitadas pelo Irão”, defendeu o antigo primeiro-ministro português, que agora assegura a representação externa da União Europeia (UE) nas novas funções.

O contacto surge quando se assinala um mês desde que os Estados Unidos e Israel lançaram, a 28 de Fevereiro, um ataque militar contra o Irão e, em resposta, Teerão encerrou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada com a oferta, pressionando os preços, com o petróleo a ultrapassar os 100 dólares por barril.

Na mensagem, António Costa disse ainda que “a perda de vidas inocentes, incluindo na escola de Minab, é profundamente lamentável”.

A tensão no Médio Oriente volta a escalar depois de o parlamento do Irão aprovar um plano que prevê a cobrança de portagens a navios que atravessem o estratégico Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo. 

A proposta inclui mecanismos financeiros em moeda local e cooperação com Omã, país que partilha o controlo da via marítima.

O plano vai mais longe e estabelece a proibição de passagem para embarcações associadas aos Estados Unidos e a Israel, bem como a outros países que tenham imposto sanções a Teerão. A medida surge num contexto de forte escalada militar, após ataques registados a 28 de Fevereiro, que levaram o Irão a declarar o encerramento da rota.

Desde então, o tráfego marítimo caiu drasticamente, com uma redução estimada em cerca de 95%, afectando directamente exportadores como a Arábia Saudita e o Qatar. As consequências já se fazem sentir nos mercados globais, com pressão sobre os preços e risco crescente de instabilidade energética à escala mundial.

Ainda assim, Washington garante que a situação tende a normalizar. Enquanto isso, o Presidente norte-americano, Donald Trump fala em progressos diplomáticos, mas mantém ameaças de novas acções caso não haja acordo com Teerão.

O parlamento de Israel aprovou uma lei que prevê a aplicação da pena de morte a palestinianos condenados por ataques considerados terroristas, uma decisão que está a gerar forte contestação internacional e a intensificar as tensões na região.

A proposta foi aprovada com maioria parlamentar, com apoio do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir. 

A legislação estabelece o enforcamento como método de execução e define prazos curtos para a sua aplicação, podendo ocorrer até 90 dias após a sentença.

A reacção foi imediata. O movimento Hamas prometeu uma resposta proporcional, enquanto a Autoridade Palestiniana acusou Israel de tentar legitimar execuções extrajudiciais. 

Organizações de direitos humanos já avançaram com recursos judiciais, alertando que a decisão pode agravar ainda mais o conflito e comprometer a estabilidade no Médio Oriente.

A deportação do antigo ministro das Finanças, Manuel Chang, voltou a falhar, devido à falta de articulação entre a Embaixada de Moçambique nos Estados Unidos e a transportadora aérea TAP Air Portugal.

Em causa está um problema relacionado com o documento de viagem de emergência emitido pela missão diplomática moçambicana, que não terá sido previamente validado pelas autoridades portuguesas, condição obrigatória para a escala em Lisboa.

Libertado a 26 de Março, Manuel Chang continua a enfrentar dificuldades para regressar ao País, sendo que, desta vez, o impasse envolve directamente a transportadora aérea portuguesa.

Segundo uma carta dos advogados do ex-governante, dirigida ao juiz Nicholas G. Garaufis, a viagem estava prevista para o mesmo dia da sua libertação, com partida do Aeroporto Logan, em Boston, com destino a Maputo, via Lisboa.

O que parecia um plano definido acabou por falhar no último momento. A defesa refere que a TAP recusou o embarque por falta de validação do documento de viagem pelas autoridades portuguesas.

“Infelizmente, quando o Sr. Chang chegou ao aeroporto, foi informado que a TAP Air Portugal não permitiria o seu embarque porque o documento de viagem de emergência não tinha sido previamente aprovado pelas autoridades em Portugal”, lê-se na carta.

Sem autorização para viajar, Chang voltou à custódia das autoridades norte-americanas, sob responsabilidade da ICE.

“Como resultado, o Sr. Chang não foi autorizado a embarcar, permaneceu sob custódia da ICE e encontra-se detido no Estabelecimento Correcional do Condado de Plymouth, em Plymouth, Massachusetts, há cerca de 24 horas à data desta comunicação”, escreve.

Desde então, os advogados dizem estar a enfrentar dificuldades para viabilizar a deportação, incluindo limitações no acesso a informações junto das autoridades migratórias.

“Desde que o Sr. Chang foi colocado sob custódia da ICE, os seus advogados têm envidado inúmeros esforços para coordenar com o escritório da ICE em Boston, com vista a permitir a sua deportação imediata para Moçambique, conforme previamente acordado e aprovado”, destaca.

Outras dificuldades relatadas pelos defensores de Chang têm a ver com a ausência de informações para compreender que documentos adicionais são necessários para a sua deslocação. Face a esta situação, os advogados de Manuel Chang temem pela saúde do seu cliente, que se tem vindo a tornar crítica.

Extraditado para os Estados Unidos a 12 de Julho de 2023, Manuel Chang foi condenado a mais de oito anos de prisão, no âmbito do escândalo das dívidas ocultas, por crimes de fraude e branqueamento de capitais.

O Governo vai financiar com mais de 11 milhões de dólares, iniciativas rurais de desenvolvimento econômico no país. A informação foi partilhada, esta segunda-feira, após a assinatura de um memorando de entendimento entre o Ministério da Planificação e Desenvolvimento e o Moza Banco.

A assinatura deste acordo, entre o Ministério da Planificação e Desenvolvimento e o Moza Banco visa estabelecer uma Linha de Financiamento para apoiar iniciativas dos sectores agrícola e agro-industrial como forma de impulsionar a economia. 

“E estes recursos são para dar o suporte financeiro a empresas, a empreendimentos rurais, e nós sabemos ainda que em Moçambique 65% da população vive nas áreas rurais, e é lá onde existe o grande potencial de desenvolvimento econômico do nosso país. Mas esta iniciativa também está orientada para as micro, pequenas e médias empresas.Elas hoje em Moçambique representam mais de 95% da paisagem económica moçambicana”, explicou Salim Valá, ministro da Planificação e  Desenvolvimento.O Moza Banco, gestor financeiro, explica que os beneficiários do crédito têm a missão de garantir a continuidade da linha, por meio dos reembolsos.

“Sabemos que o acesso a financiamento é um dos maiores constrangimentos ao crescimento das micro, pequenas e médias empresas, às cadeias agrícolas e aos empreendedores rurais.É precisamente para responder a este desafio que nasce a Linha de Financiamento de Empreendimentos Rurais, a LFER. Com ela, queremos garantir que o crédito chegue de forma estruturada, transparente e sustentável, permitindo que projetos produtivos floresçam e que o impacto positivo se espalhe por toda a comunidade. Mas não podemos deixar de referir que os beneficiários têm um papel importantíssimo no sucesso desta linha. Sem o reembolso, não será possível expandir para outros beneficiários. O Moza Banco assume com orgulho a responsabilidade de gestor financeiro da linha, intermediário entre os recursos disponibilizados e os beneficiários finais, e garante que cada metical aplicado esteja alinhado com critérios técnicos rigorosos e com os mais altos padrões de integridade e transparência”, explicou Manuel Soares, representante da comissão  Executiva do Moza Banco.

A Linha de Financiamento é de mais de 11 milhões de dólares e o Fundo Internacional para o Desenvolvimento agrícola promete continuar a mobilizar fundos para cofinanciar outras iniciativas.

“Neste projeto, o governo, com base na experiência de projetos anteriores na área de finanças rurais, inovou, adaptou-se e criou um veículo especial para assegurar o financiamento para os empreendedores rurais de uma forma adaptada, ajustada e sustentável” , explicou Jaana Keitaanranta , representante do IFAD em  Moçambique

Com esta iniciativa pretende-se promover o empreendedorismo rural, criar mais fontes de emprego e a inclusão financeira.  

Os seis detidos são dos distritos de Muembe e Mandimba, com o administrador deste último a avançar que os funcionários em causa forneciam os fármacos a proprietários de farmácias privadas.

As autoridades da província de Niassa, no norte de Moçambique, detiveram seis funcionários da saúde por suspeitas de envolvimento no desvio de medicamentos e material médico-cirúrgico.

“O ponto mais alto foi a captura de dois indivíduos que, neste momento, aguardam julgamento”, disse Cássimo Abudo, administrador de Muembe, citado pela imprensa nacional, apontando os antimaláricos como os fármacos mais desviados naquele distrito.

Os seis detidos são dos distritos de Muembe e Mandimba, com o administrador deste último a avançar que os funcionários em causa forneciam os fármacos a proprietários de farmácias privadas.

Emídio Xavier apontou os centros de saúde de Mitande e Mississi, em Mandimba, como os que registam frequentemente casos de desvio de medicamentos, tendo também relatado desvio de bolsas de recolha de sangue, o que obrigou ao reforço de medidas de segurança nas unidades de saúde do distrito.

Em Janeiro, uma técnica de farmácia foi condenada em Sofala, centro de Moçambique, a 10 meses de prisão por furto agravado de medicamentos, num contexto em que o Governo declarou ‘guerra’ ao contrabando de fármacos.

No mesmo mês, bem como este mês de Março, o ministro da Saúde, Ussene Isse, voltou a declarar “tolerância zero” ao contrabando de fármacos no país, numa menção aos recentes casos conhecidos de roubos de medicamentos nas unidades sanitárias.

 

Profissionais de saúde acusam Governo de incumprimento

Os profissionais de saúde, em greve desde Janeiro, acusaram esta segunda-feira o Governo de não cumprir as recomendações acordadas nas negociações e ameaçaram paralisar totalmente as actividades numa nova fase da greve, que já fez 1.872 mortes.

“A greve continua e o diálogo nada está a trazer de avanços. As recomendações acordadas com o Governo não foram cumpridas e a situação nacional do Sistema Nacional de Saúde está catastrófica”, disse em conferência de imprensa o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM). 

Segundo Anselmo Muchave, actualmente, pacientes estão a morrer nas unidades de saúde nacionais por falta de oxigénio, medicamentos e equipamentos básicos, e outros perdem membros por infecções causadas por falta de material médico esterilizado.

“As consultas de uma simples doença é marcada para nove meses e quando o Governo decide mandar cobrar, cobra os pacientes que praticamente têm doenças do foro cirúrgico nos hospitais centrais. Isto é um genocídio silencioso”, avançou o representante, acrescentando que os profissionais de saúde trabalham em condições desumanas, sem recursos e sem apoio.

Quando passam quase três meses desde o início da greve da classe, iniciada a 16 de Janeiro, em reivindicação do pagamento completo do 13.º salário de 2025 e melhores condições de trabalho no sector, Muchave aponta para milhares de mortes causadas pela escassez de materiais médicos, associados a falta de atendimento nas unidades sanitárias moçambicanas.

“Há mais de 1.872 mortes por três meses por falta de medicamentos, material médico-cirúrgico e de atendimento nas unidades sanitárias”, referiu o responsável.

A APSUSM exigiu do Governo “acção imediata” para resolver a crise na saúde, garantindo o fornecimento de medicamentos e material médico cirúrgico, melhoria das condições de trabalho dos profissionais de saúde e justiça para as vítimas das pessoas que estão a morrer nos hospitais, por falta de medicamentos. 

“A APSUSM não vai recuar. A luta é pela vida, pela dignidade e pelos direitos na saúde, não vamos permitir que o Governo negligencie o Sistema Nacional de Saúde e coloque em risco a vida dos profissionais de saúde e dos moçambicanos”, reiterou Anselmo Muchave.

O presidente daquela associação, que abrange cerca de 65.000 profissionais de saúde de diferentes departamentos, garantiu que a classe continuará a lutar “até que a justiça seja feita”, assinalando também que a próxima etapa da greve, que será lançada em alguns dias, caso não se chegue a um consenso com o Governo, vai paralisar na totalidade as actividades nas unidades hospitalares nacionais.

Recorde-se que foi a 16 de Março que os profissionais de saúde prolongaram por mais 30 dias a greve, alegando falta de responsabilidade do Governo nos compromissos assumidos.

Uma família do distrito de Balama, no sul de Cabo Delgado, denuncia a soltura de um suposto assassino, que teria esfaqueado a sua mulher. Os queixosos exigem respostas por parte das autoridades da justiça.

Segundo relatos da família, o homem matou a esposa na machamba com recurso a uma faca, mas, para fugir da responsabilidade, teria dito que foi  incidente que ocorreu quando cortavam estacas para a construção de uma casa

“Estamos tristes e desgostosos porque, além de perdermos a nossa filha, as autoridades soltaram um homem que matou uma pessoa antes mesmo da realização do funeral, quando  normalmente vemos pessoas que roubam patos e galinhas a serem presos e transferidos para Montepuez, Nampula”, reclamou Raquima Blihari, avô da vítima. 

Além da família, a soltura do suposto assassino deixou a comunidade indignada com a situação, e exigem da justiça uma explicação.

O “O País” procurou ouvir a Polícia e as autoridades da justiça sobre o Caso da Morte da mulher de 30 anos de idade, no entanto, apesar das insistência, não foi possível obter resposta.

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