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Ministra das Finanças diz que Banco Mundial usou dados de 2019

A ministra das Finanças, Carla Louveira, afirma que o relatório do Banco Mundial que aponta o País como o segundo mais pobre do mundo foi produzido com base em dados de 2019 e limitou-se à análise da pobreza de consumo. A governante disse, nesta terça-feira, que o pagamento da dívida ao FMI foi feito com recurso a activos que o País possui no exterior.

O Governo prometeu, na semana passada, pronunciar-se sobre o relatório do Banco Mundial que indica o País como o segundo mais pobre do mundo, mas precisava primeiro de avaliar os critérios usados. Nesta terça-feira, a ministra das Finanças quebrou o silêncio.

Segundo explica Carla Louveira, o referido relatório foi produzido com base em dados de 2019 e limitou-se a interpretar a pobreza de consumo.

“Devemos ressaltar que as estatísticas utilizadas são informações colhidas em período de COVID-19, publicadas em 2022, num contexto em que, para além da pandemia, decorriam fenómenos associados aos conflitos em Cabo Delgado e aos impactos climáticos. E também foi uma análise concentrada na perspectiva da pobreza de consumo, que consiste em aferir se as famílias têm condições para arcar com a cesta básica”, explicou a ministra.

A governante afirma que o País está melhor do que muitos colocados à frente por aquele organismo internacional e critica o facto de a base temporal usada para avaliar Moçambique ser diferente da aplicada a outros países.

“Há necessidade de referir o ano de comparação que está a ser feito de Moçambique com outros países. Em muitos desses países, a análise comparativa foi feita com inquéritos recentes aos agregados familiares. Se estivéssemos a comparar com esses dados mais recentes, a fotografia do nosso país seria, obviamente, outra”, acrescentou.

Sobre o pagamento ao FMI, a ministra esclareceu que o Governo não recorreu ao Orçamento do Estado, tendo utilizado reservas externas.

“A importação vem das reservas internacionais líquidas que o nosso país tem disponíveis nas contas, nas principais praças financeiras internacionais. Foi feito com recurso a essas reservas, que ainda se mantêm em níveis significativos, correspondendo a cerca de quatro a cinco meses de importação. Esse uso terá um impacto ligeiro, sem necessidade de alterar o Orçamento do Estado”, explicou.

Relativamente ao alerta do banco central sobre a dívida pública, Carla Louveira avançou que o Governo já dispõe de uma estratégia para garantir a sustentabilidade.

“Existe uma estratégia aprovada no final do ano passado, a Estratégia de Gestão e Sustentabilidade da Dívida Pública 2025–2029, que visa assegurar a estabilidade da dívida. Há vários esforços em curso, incluindo a componente do FMI, e outros ainda em preparação, bem como medidas de médio e longo prazo para criar espaço fiscal e financiar o investimento”, referiu.

A ministra das Finanças falava nesta terça-feira, em Maputo, à margem da cerimónia de comemoração do Dia da Mulher Moçambicana.

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