Margarida Mapandzene Chongo diz deixar o cargo de governadora de Gaza com a consciência tranquila e o sentimento de dever cumprido. A antiga dirigente provincial, que cessou funções após a Assembleia Provincial confirmar Alfeu Cuna como seu sucessor, rejeita qualquer envolvimento em alegados casos de corrupção e afirma estar disponível para responder às autoridades de justiça, caso seja solicitada.
Falando à imprensa à saída da II Sessão Extraordinária da Assembleia Provincial, Mapandzene disse sair “em paz, de cabeça erguida e com sentido de missão cumprida”, depois de seis anos e meio à frente do Governo de Gaza.
“Fiz o que foi possível fazer. Foram sonhos durante seis anos e meio. Foram noites perdidas, foram digressões em toda esta província para o contacto permanente com a nossa população”, afirmou a antiga governadora.
Mapandzene aproveitou o momento para agradecer à população da província de Gaza pelo apoio recebido durante o mandato, bem como à Assembleia Provincial, sociedade civil e confissões religiosas, que considera terem contribuído para a concretização dos programas apresentados pelo executivo.
“Quero, do fundo do coração, agradecer à população da província de Gaza pelo carinho, pelo suporte que me deram durante o meu mandato. Mas também agradecer à Assembleia Provincial que me sustentou e apoiou durante esses seis anos e meio”, declarou.
Sobre as críticas e comentários relacionados com alegações de corrupção, a antiga governadora afirmou estar tranquila e disse não existir, até ao momento, qualquer acusação directa contra si.
“Estou com a minha consciência bem tranquila. Tenho estado a acompanhar nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais, mas eu pessoalmente não tenho uma acusação directa”, disse.
A ex-governante defendeu que eventuais suspeitas devem ser tratadas pelos órgãos de justiça, garantindo disponibilidade para prestar esclarecimentos caso surjam indícios da sua participação em qualquer processo.
“Deixemos os órgãos da justiça, porque eles estão aptos, estão atentos a tudo o que está a acontecer. Estamos livres de responder em caso de haver indícios da nossa participação”, afirmou.
Ao fazer um balanço da sua governação, Mapandzene destacou áreas que considera terem registado avanços, incluindo o abastecimento de água, criação de oportunidades de autoemprego para jovens e o aumento da produção agrícola.
Segundo a antiga governadora, Gaza deixa actualmente uma cobertura de cerca de 70% no abastecimento de água e vários jovens beneficiários de kits de autoemprego.
“Deixamos a província de Gaza num bom ritmo de desenvolvimento e queremos encorajar o novo governador para dar continuidade a esse ritmo”, afirmou.
Na agricultura, Mapandzene destacou o aumento da produção e produtividade, apesar dos desafios impostos pelas condições climáticas, incluindo períodos de baixa precipitação e o fenómeno El Niño.
A antiga dirigente garantiu ainda que pretende colaborar para uma transição tranquila com o novo governador, Alfeu Cuna, assegurando que serão prestados todos os esclarecimentos necessários para a continuidade da governação provincial.
“Queremos fazer uma transição tranquila e dar todo o esclarecimento possível e necessário para que essa transição seja, de facto, tranquila”, disse.
Margarida Mapandzene Chongo deixa o cargo de governadora de Gaza após a Assembleia Provincial formalizar a sua saída e confirmar Alfeu Cuna como novo responsável máximo do executivo provincial.