O Governo lançou um concurso público internacional para a implementação de um sistema moderno de transporte colectivo na Área Metropolitana de Maputo, baseado numa solução inovadora, totalmente eléctrica e sem carris, denominada Autonomous Rapid Transit (ART). A iniciativa visa responder, de forma estrutural, aos crescentes desafios de mobilidade urbana que afectam a capital e as zonas adjacentes.
O anúncio foi feito através do Ministério dos Transportes e Logística, que convida empresas e consórcios qualificados a apresentarem manifestações de interesse para a concepção, financiamento, implementação e operação inicial do sistema. O concurso, aberto até 13 de Maio, inclui ainda a posterior transferência do projecto para o Estado, num modelo de parceria público-privada.
O projecto prevê a criação de uma rede composta por três linhas estruturantes, com uma extensão total aproximada de 52 quilómetros. A Linha 1 vai fazer a ligação entre o centro da cidade e o Zimpeto, incluindo um ramal para o Aeroporto Internacional de Maputo. A Linha 2 ligará Maputo à Matola, enquanto a Linha 3 será uma linha urbana ao longo da Avenida 24 de Julho, um dos principais corredores de circulação da capital, segundo a divulgação do Governo.
A proposta insere-se num contexto de forte pressão sobre o sistema de transportes urbanos. Actualmente, grande parte da mobilidade em Maputo depende de transportes semicolectivos informais, conhecidos como “chapas”, que frequentemente operam sobrelotados, sem horários regulares e com limitações na cobertura das rotas, o que contribui para a ineficiência do sistema. A par disso, o aumento do número de viaturas privadas e o crescimento populacional acelerado têm agravado os níveis de congestionamento rodoviário.
Actualmente, a Área Metropolitana de Maputo enfrenta desafios estruturais no sector dos transportes, incluindo fraca conectividade, limitações na rede viária e insuficiência de oferta de transporte público de qualidade. Estes factores impactam directamente o tempo de deslocação dos cidadãos, os custos de mobilidade e a produtividade urbana.
É neste contexto que o Governo aposta no sistema ART, uma tecnologia relativamente recente que combina características de autocarros articulados com funcionalidades típicas de sistemas ferroviários ligeiros. Trata-se de um transporte eléctrico guiado por sensores ópticos, capaz de circular sobre pneus em vias existentes, sem necessidade de carris físicos.
Os veículos ART podem transportar entre 170 e 500 passageiros, dependendo da configuração, oferecendo uma capacidade significativamente superior aos autocarros convencionais. Além disso, apresentam vantagens como menor custo de implementação em comparação com sistemas ferroviários tradicionais, maior flexibilidade operacional e redução do tempo de construção das infra-estruturas.
Outro aspecto relevante é o impacto ambiental para a selecção deste tipo de transporte. Por serem totalmente eléctricos, estes sistemas contribuem para a redução das emissões de gases poluentes e do ruído urbano, alinhando-se com as metas globais de sustentabilidade e transição energética.
O projecto também se enquadra numa estratégia mais ampla de reforma da mobilidade urbana, que inclui iniciativas como o programa MOVE Maputo, concebido para melhorar a acessibilidade, a conectividade e a qualidade dos serviços de transporte público na região metropolitana.
Este programa prevê investimentos significativos em infra-estruturas e sistemas de transporte de massa, incluindo soluções como o Bus Rapid Transit (BRT), amplamente utilizado em várias cidades do mundo.
No âmbito do concurso recém-lançado, os critérios de pré-selecção incluem a experiência comprovada das empresas concorrentes em projectos similares, bem como a sua capacidade técnica e financeira.
O objectivo do Governo é assegurar que o projecto seja executado com elevados padrões de qualidade, eficiência e sustentabilidade.
A entidade seleccionada será responsável pela elaboração do projecto de engenharia detalhado, fornecimento de material circulante, construção das infra-estruturas, implementação do sistema e sua operação inicial. Após esta fase, o sistema será transferido para o Estado, garantindo a sua gestão pública a longo prazo.
Com esta iniciativa, o Governo pretende, não apenas aliviar os congestionamentos e melhorar a mobilidade, mas também impulsionar o desenvolvimento económico, reduzir desigualdades no acesso ao transporte e promover uma cidade mais organizada, sustentável e preparada para o futuro.
Caso seja concretizado, o sistema ART poderá transformar profundamente a forma como os cidadãos se deslocam em Maputo, oferecendo uma alternativa moderna, eficiente e ambientalmente responsável, à altura das exigências de uma metrópole em crescimento acelerado.

