Mais de um milhão de pessoas no Sudão do Sul correm o risco de perder a ajuda alimentar vital, alertou o Programa Mundial de Alimentos (PMA) na terça-feira.
Conflitos, deslocamentos, choques climáticos e a guerra no vizinho Sudão estão convergindo para empurrar milhões de pessoas para uma situação de vulnerabilidade ainda maior. E os cortes na ajuda internacional estão exacerbando esses efeitos, afirmou à agência da ONU.
“Hoje, 7,8 milhões de pessoas, mais da metade da população do país, lutam para encontrar comida todos os dias. 2,2 milhões de crianças e 1,2 milhão de gestantes e lactantes precisam de apoio nutricional urgente”, disse Matthew Hollingworth, Diretor Executivo Adjunto de Operações do PMA, em uma coletiva de imprensa em Genebra.
“A menos que recursos adicionais sejam garantidos, mais de um milhão de pessoas vulneráveis poderão perder o acesso a alimentos e assistência nutricional essenciais até outubro. Portanto, essa é uma situação iminente.”
O PMA afirma que atualmente enfrenta um déficit de US$ 86 milhões e uma lacuna de mais de US$ 400 milhões nos próximos seis meses.
A crise de financiamento ocorre no auge da estação chuvosa, quando os alimentos se tornam mais escassos, os preços sobem e as estradas alagadas dificultam cada vez mais o acesso humanitário.
Muitas famílias sobrevivem comendo menos, vendendo o que possuem e cortando gastos com saúde, educação e moradia.
“Embora o Sudão do Sul seja um país que enfrentou muitos desafios em sua curta existência como nação independente, estamos vendo algo diferente agora”, disse Hollingworth. “Estamos prestes a cair em um abismo financeiro em um momento em que as necessidades estão no nível mais alto dos últimos 13, 14 anos.”
A assistência alimentar continua sendo essencial para evitar uma catástrofe humanitária, afirmou a agência, mas ressaltou que ela também deve servir como uma ponte para a recuperação a longo prazo.
O documento fez um apelo ao governo do Sudão do Sul para que comece a mobilizar seus próprios fundos para apoiar seu povo.