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Mais de 50 mil pessoas consomem água imprópria em Mabalane e Chibuto 

Ainda há mais de 50 mil pessoas que recorrem a poços artesanais e à água salobra para uso doméstico, nos distritos de Mabalane e Chibuto, na província de Gaza. Os governos dos dois distritos precisam de 280 milhões de meticais para a construção e melhoria de mais 20  sistemas de abastecimento de água.

O fornecimento de água potável em Mabalane, na província de Gaza, está a revelar-se uma grande dor de cabeça. De acordo com o governo distrital, pelo menos  40 comunidades continuam a consumir água salobra. 

Dados  que escondem histórias de centenas de  mulheres, que como Nórdia Baloi e Angélica, residentes de Combomune estação,  têm de percorrer diariamente mais de três horas para contornar a dura realidade agravada pela seca, que assola os distritos mais a norte da província.

“Ficamos aglomerados e regressamos para casa sem água. É longe de casa. Tiramos a água nos charcos que, de seguida, ficam de repouso para posterior uso” disse, Nórdia Baloi.

O Director de Serviços Distritais de Infraestrutura de Mabalane, Rafael Dava, avançou que a solução passa pela construção de 15 represas para retenção de águas, uma intervenção que precisa de um investimento avultado.

“Há acima de 40 comunidades que têm problema de água até, mas é uma água salobre. Queremos capitalizar em represas. Significa que nós vamos precisar, pelo menos,  acima de 10 a 15 represas, na ordem de 140 a 180 milhões”, revelou Dava, acrescentando que o projecto inclui, entre outros, a abertura de furos com trezentos metros de profundidade.

“80% da nossa água é água salobra.  E para ter uma boa água no nosso distrito, precisamos fazer um furo acima de 300. Principalmente, a maior parte da zona alta do distrito, vou falar da localidade de Nyatimamba e  combomune estação,  na zona alta, onde não passa o rio”, explicou.

Não são só as comunidades que sofrem, os animais também não escapam. Trata-se do segundo distrito na província, com mais efectivo bovino, aliás, mais de 70 mil cabeças de gado.

“Há criadores que têm acima de 200, 300 cabeças. É um banco que ele tem, que ele possa fazer o próprio furo para o abeberamento do seu gado, enquanto o governo se prepara” Concluiu Dava.

Ainda na província, no distrito de Chibuto, mais de três comunidades recorrem a um poço na zona baixa como alternativa, para lavar a roupa, entre outros fins domésticos.

“Aquela água é suja e tem cor, na verdade, mas, sem ela não  temos como cozinhar, nem lavar, nem beber, isso,  faz um bom tempo”, reclamou um dos  residentes.

Assim como muitos, Jessica joel, de 25 anos de idade, vive  o dilema acordar muito cedo para procurar o precioso líquido, e diz: “o governo deve urgentemente trabalhar para nos dar água”.

Questionada  durante a cerimónia de lançamento da terceira edição do festival da Bambeni, a administradora de Chibuto, Cacilda Banze, reconheceu o problema e avançou que  são necessários cerca de 100 milhões de meticais para reverter o actual cenário.

“Mas apenas 39%,  não têm água, há três localidades, com mais  problemas.(…) Estamos a ter problemas de montar os sistemas,  cada sistema está acima de 10 milhões”, avançou a administradora de Chibuto.

Só em Chibuto mais de 34 mil pessoas continuam a consumir água imprópria.

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