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Israel continua a atacar o Líbano e faz mais nove mortos em Tiro

Vários ataques israelitas causaram nove mortos e três dezenas de feridos na cidade libanesa de Tiro, a cerca de 80 quilómetros a sul de Beirute, noticiou esta terça-feira a agência estatal libanesa NNA. Os ataques ocorreram depois de as forças israelitas terem emitido ordens de evacuação de várias zonas da cidade milenar, incluindo pela primeira vez o bairro cristão.

Alguns dos feridos ficaram em estado grave e as autoridades libanesas admitiram a possibilidade de o número de mortos aumentar nas próximas horas, de acordo com agência espanhola Europa Press (EP).

Um dos ataques atingiu na manhã desta terça-feira um bairro de Tiro onde se encontra a mesquita de Rifai, noticiou o jornal libanês L’Orient-Le Jour.

A mesquita localiza-se a menos de 200 metros de um dos locais arqueológicos mais importantes de Tiro, classificada como património da humanidade pela UNESCO desde 1984.

Apenas alguns minutos antes dos ataques, o exército israelita divulgou novas ordens de evacuação para Tiro e várias localidades, bem como para campos de refugiados palestinianos próximos.

“Alerta urgente aos residentes da cidade de Tiro, incluindo o bairro cristão, e aos campos e bairros circundantes”, disse o porta-voz em árabe do exército israelita, Avichai Adrai.

“Perante as violações do cessar-fogo por parte do grupo terrorista Hezbollah e os ataques à frente interna israelita, o exército vê-se obrigado a agir contra ele com força”, avisou.

O porta-voz militar israelita aconselhou os residentes das zonas a sair de casa e a dirigir-se para o norte do rio Zahrani.

“A vossa presença perto de elementos do Hezbollah ou das suas instalações ou meios de combate põe em perigo a vossa vida”, alertou.

Justificou que as alegadas actividades do Hezbollah no bairro cristão de Tiro eram a causa da intervenção militar numa zona que até há pouco tempo tinha ficado excluída das ordens de evacuação.

Os governos libanês e israelita alcançaram na semana passada um acordo sobre um mecanismo para aplicar um cessar-fogo no Líbano, que foi arrastado para a guerra pelos ataques do Hezbollah contra Israel em apoio ao Irão.

O acordo implicava que o Hezbollah pusesse fim aos ataques contra Israel e se retirasse para o Norte do rio Litani.

O grupo xiita libanês apoiado pelo Irão recusou estas condições por o acordo não contemplar a retirada das tropas israelitas do Sul do Líbano nem mecanismos de garantias.

O Hezbollah assegurou, por isso, que manteria as operações, o que levou Israel a continuar os bombardeamentos, incluindo um no domingo contra Beirute.

A capital libanesa deveria estar fora dos objectivos militares israelitas na sequência do acordo e o ataque levou a que o Irão lançasse uma bateria de mísseis contra território israelita.

Os ataques iranianos provocaram uma resposta israelita, desencadeando um intercâmbio de confrontos pela primeira vez desde o cessar-fogo em vigor desde 08 de Abril no Irão, por acordo de Teerão com os Estados Unidos.

Israel e o Irão concordaram na segunda-feira cessar os ataques após uma exigência nesse sentido por parte dos Estados Unidos.

As forças armadas iranianas anunciaram que suspenderiam os ataques, mas advertiram para uma resposta caso Israel continuasse com os bombardeamentos contra o Líbano.

Estes desenvolvimentos ocorrem no meio de conversações entre Teerão e Washington para alcançar um acordo de paz que encerre a guerra desencadeada pela ofensiva israelo-americana de 28 de Fevereiro contra o Irão.

O Irão está há semanas a advertir contra as acções israelitas no Líbano e na Faixa de Gaza sob o argumento de que o acordo de cessar-fogo alcançado em Abril com os Estados Unidos cobria toda a região.

Israel considerou o Líbano excluído do acordo, intensificou os bombardeamentos contra o Hezbollah e acelerou a invasão do País vizinho do Norte.

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