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O Presidente deposto da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, está, desde hoje, exilado no Senegal. A sua retirada foi negociada e facilitada pelo governo senegalês e os militares indicaram Ilídio Vieira Té, director de campanha de Sissoko para primeiro-Ministro e ministro das Finanças. Quem continua detido é o Presidente da Assembleia Nacional e do PAIGC Domingos Simões Pereira.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, CEDEAO, da qual faz parte o Guiné-Bissau realizou esta quinta-feira uma cimeira extraordinária virtual para discutir a situação do país membros. E uma das decisões foi negociar com os militares a soltura do presidente deposto Umaro Sissoko Embaló e a consequente autorização para que fosse ao exílio.

Na manhã desta Sexta-feira, o Senegal conseguiu a sua soltura e enviou uma aeronave fretada que retirou Embaló de Bissau e que neste momento encontra são e salvo em Dakar, segundo uma nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Senegal.

O Governo de transição escolheu o diretor de campanha e ex-ministro das Finanças do Governo de Sissoco como primeiro-ministro e ministro das Finanças. Ilídio Vieira Té era homem de confiança do Presidente cessante.

O CEDEAO adotou, durante a cimeira, a firme condenação da tentativa de tomada do poder pela força, o apelo à restauração da ordem constitucional e à libertação imediata do Presidente Umaro Sissoco Embaló e de todos os detidos.

“Os chefes de Estado decidiram ainda criar um pequeno comité de mediação, do qual o Senegal é membro, que se deslocará em breve a Bissau para acompanhar a implementação destas medidas”, pode ler-se na nota da diplomacia senegalesa.

O Senegal sublinhou ainda que desde o início da crise tem mantido uma comunicação direta com todos os intervenientes relevantes na Guiné-Bissau, em discussões centradas na libertação de Embaló e de alguns dos seus acompanhantes, bem como de todas as outras figuras políticas detidas.

As conversações têm sido focadas também na reabertura das fronteiras para facilitar a retirada de pessoas, incluindo membros das diversas missões de observação eleitoral.

Continua detido e em parte incerta Domingos Simões Pereira, Presidente do parlamento dissolvido por Embaló há um ano, e impedido de concorrer ao escrutínio juntamente com o partigo que dirige o PAIGC.

Os Estados Unidos anunciaram a exclusão da África do Sul do G20 em 2026 e a suspensão de toda a ajuda ao país. A decisão, comunicada por Donald Trump, gerou forte reacção do Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, que acusa Washington de agir com base em informações falsas.

Trump alega que Pretória se recusou a entregar a presidência rotativa do grupo a um representante norte-americano depois da cúpula de Joanesburgo, encontro do qual os Estados Unidos decidiram não participar.

O líder norte-americano invocou ainda alegações de perseguição e desapropriação de agricultores africânderes brancos como um dos motivos da decisão, acusações que o governo sul-africano classifica como infundadas e distorcidas.

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa considerou as declarações de Trump “lamentáveis” e baseadas em “informações falsas”, garantindo que a transição da presidência do G20 foi feita de forma oficial para um funcionário norte-americano, apesar da ausência dos EUA na cúpula. 

Ramaphosa destacou que a África do Sul continuará a defender o multilateralismo e a participar activamente no grupo.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) suspendeu a adesão da Guiné-Bissau horas depois de um general do exército ter tomado posse como presidente do país.

A decisão foi tomada em uma sessão virtual do Conselho de Mediação e Segurança (CMS) da CEDEAO, presidida pelo presidente de Serra Leoa, Julius Maada Bio, na noite de quinta-feira.

A reunião, segundo a imprensa internacional, contou com a presença de líderes de Cabo Verde, Gana, Libéria, Nigéria, Senegal e Benim, entre outros.

O texto condena a tomada do poder pelos militares como um “aborto ilegal do processo democrático” que busca subverter a vontade popular.

O golpe ocorreu enquanto a Guiné-Bissau contabilizava os votos após uma eleição presidencial decisiva.

A África Ocidental tem sido abalada por golpes de Estado cometidos por oficiais do exército, com pelo menos seis tentativas desde 2020.

A polícia federal norte-americana (FBI) anunciou ontem que está a investigar como um “acto de terrorismo” o ataque ocorrido na quarta-feira perto da Casa Branca, em Washington, no qual dois militares da Guarda Nacional foram baleados.

“Trata-se de uma investigação em curso por acto de terrorismo”, afirmou o chefe do FBI, Kash Patel, numa conferência de imprensa.

As autoridades norte-americanas já identificaram o suspeito do ataque: um cidadão afegão de 29 anos que colaborou com as forças armadas norte-americanas e a Agência Central de Informações (CIA) no Afeganistão, que foi posteriormente transferido para os Estados Unidos.

O ataque ocorre num contexto de elevada tensão política em torno da presença militar na capital federal norte-americana.

As investigações prosseguem, não havendo até ao momento indícios de potenciais cúmplices.

O FBI e a presidente da câmara de Washington, Muriel Bowser, informaram que os militares foram hospitalizados em estado crítico, tendo sido submetidos a cirurgia, enquanto o suspeito, também ferido por disparos, permanece em custódia.

A Procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, afirmou que as acusações dependerão do prognóstico das vítimas e admitiu a possibilidade de ser pedida a pena de morte, descrevendo o agressor como um “monstro”.

O suspeito, identificado como Rahmanullah Lakanwal, entrou nos Estados Unidos em 2021 ao abrigo da Operação Allies Welcome, programa de retirada de afegãos que colaboraram com as forças internacionais após a saída das tropas norte-americanas do Afeganistão, e residia no estado de Washington com a família.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, classificou o tiroteio como “um crime contra toda a nação” e apelou à reabertura dos processos de todos os refugiados afegãos admitidos durante a administração anterior, liderada pelo democrata Joe Biden.

Na sequência do ataque, o Governo ordenou o envio de mais 500 membros da Guarda Nacional para Washington, elevando para cerca de 2.200 o número de militares destacados na cidade.

Pelo menos 75 pessoas morreram na sequência do incêndio que atingiu edifícios habitacionais em Hong Kong na noite de quarta-feira, segundo um novo balanço anunciado pelo porta-voz do Governo daquela região administrativa especial (RAEHK).

Até ao princípio da noite desta quinta-feira, 75 pessoas tinham morrido no incêndio de Hong Kong, declarou à agência France-Presse um porta-voz do Governo da região, acrescentando que os bombeiros tinham tratado até então 76 feridos, 11 deles bombeiros.

Num balanço anterior, o porta-voz do corpo de bombeiros de Hong Kong disse que 51 pessoas foram encontradas já sem vida no local, enquanto outras quatro foram declaradas mortas no hospital.

Ainda esta quinta-feira o Governo de Hong Kong criou um fundo com 300 milhões de dólares locais para as vítimas do incêndio mais mortífero na cidade em mais de um século.

Numa conferência de imprensa, adiada por duas vezes, o chefe do executivo, John Lee Ka-chiu, disse que o fundo, criado no banco estatal Banco da China, começará a aceitar donativos a partir desta quinta-feira.

Na mesma ocasião, John Lee anunciou ainda que o Governo começou a distribuir 10 mil dólares de Hong Kong (cerca de 85 mil meticais) a cada família afectada pelo incêndio no complexo de habitação social Wang Fuk Court.

John Lee disse que os mais de 700 bombeiros envolvidos na operação já conseguiram controlar as chamas nas sete torres atingidas pelo incêndio, que deflagrou na quarta-feira à noite.

Este é já o incêndio mais mortífero desde 1918, quando Hong Kong ainda era uma colónia britânica. Nesse ano, um incêndio causou o colapso da bancada principal do hipódromo de Happy Valley, causando mais de 600 mortos.

A polícia deteve três homens por suspeita de homicídio involuntário, após a descoberta de materiais inflamáveis deixados durante trabalhos de manutenção que levaram o fogo a propagar-se rapidamente pelos andares de bambu.

A Comissão Independente Contra a Corrupção de Hong Kong criou “um grupo de trabalho para iniciar uma investigação completa sobre a possível corrupção no grande projecto de renovação do Wang Fuk Court em Tai Po”.

O incêndio levou a que 900 residentes do Wang Fuk Court fossem realojados em abrigos temporários, assim como os habitantes do vizinho Kwong Fuk Estate, retirados pelas autoridades por precaução.

John Lee disse que o Departamento de Assuntos Internos e da Juventude reservou mil apartamentos em pousadas da juventude e hotéis, onde os residentes afectados poderão ficar por um período máximo de duas semanas.

O antigo Presidente da República e Chefe da Missão de Observação Eleitoral da União Africana, Filipe Nyusi, falou à STV sobre a situação política na Guiné-Bissau e reitera que as eleições decorreram de forma ordeira e pacífica. Filipe Nyusi diz também não saber o que terá motivado o golpe de Estado e que o ambiente neste momento é de relativa calma.

O chefe da missão de observação eleitoral da União Africana descreveu um cenário de “elevada maturidade cívica” durante o dia da votação, sublinhando que os guineenses demonstraram vontade clara de participar num processo eleitoral pacífico, apesar do golpe de Estado que interrompeu a divulgação dos resultados.

Filipe Nyusi destacou que a missão acompanhou o processo em “todo o território, incluindo Bissau”, e constatou mesas de voto a funcionarem “com ordem, abertura pontual e contagem pública”. Segundo afirmou: “Vimos claramente que as eleições foram livres. Havia segurança discreta, não se violentou nenhum votante.”

No entanto, Filipe Nyusi relatou que o ambiente se alterou após o encerramento da votação, quando começaram a surgir informações de tiroteios próximos da Comissão Nacional de Eleições (CNE) e de edifícios do Governo. A missão tentou deslocar-se ao local, mas não foi autorizada pela polícia.

“Perguntámos quem estava a disparar, contra quem e por quê. Não houve resposta. Apenas nos disseram para aguardar comunicação oficial. Pouco depois, as Forças Armadas anunciaram a suspensão do processo eleitoral”.

Face à crise, a UA, a CEDEAO e o Fórum dos Anciãos emitiram uma declaração conjunta apelando ao prosseguimento normal do processo eleitoral e ao respeito pela vontade expressa nas urnas.

Nyusi enfatizou que os observadores não interferem, apenas registam o que veem: “Não somos árbitros do jogo. Somos apenas comissários sentados na bancada. A proclamação dos resultados cabe exclusivamente à CNE”, repisou.

Apesar da tensão, a União Africana afirma acreditar que existe “espaço para o diálogo” e destacou o forte sentido de pertença nacional observado entre os cidadãos durante o processo e a solução definitiva terá de partir do povo guineense. “A solução vai depender dos guineenses. A nossa recomendação é clara: o processo deve ser concluído”.

Enquanto aguardam orientações finais, Filipe Nyusi e parte da missão permanecem em Bissau. “Estamos aqui e estamos bem. Quando algo estiver mal, comunicaremos”, afirmou.

A Guiné-Bissau continua em expectativa, enquanto a comunidade internacional segue de perto os desdobramentos do golpe e a possibilidade de retomar o processo eleitoral interrompido.

O general Horta Inta-A foi, hoje, empossado Presidente de transição da Guiné-Bissau, numa cerimónia que decorreu no Estado-Maior General das Forças Armadas guineenses, um dia depois de os militares terem tomado o poder.

A informação está a ser veiculada nas redes sociais de meios de comunicação guineenses.

A DW refere que a coligação política PAI-Terra Ranka condenou hoje o aparente golpe de estado desta quarta-feira e considerou, em comunicado, que “é uma tentativa desesperada de Embalo para travar a proclamação dos resultados eleitorais que o colocam como candidato derrotado na 1ª volta das presidenciais”.

A formação reivindica ainda “a retoma e a conclusão do processo de apuramento eleitoral, incluindo o anúncio previsto dos resultados eleitorais, nos termos da lei”. No comunicado de hoje, o PAI-Terra Ranka reprova “qualquer tentativa de coação junto da CNE com o propósito de adulterar os resultados eleitorais, que dão claramente o candidato Fernando Dias da Costa como vencedor das presidenciais”.

Pelo menos treze pessoas, incluindo várias crianças, morreram, devido às fortes inundações na província de Sumatra do Norte, no oeste da Indonésia, onde também ocorreram deslizamentos de terra, declararam esta quarta-feira as autoridades locais, indicando que mais podem ter sido arrastadas pelas enxurradas.

As inundações foram causadas pelas fortes chuvas que começaram no fim-de-semana e continuaram a cair no país nos dias posteriores.

A situação levou ao transbordamento de vários rios e, de acordo com a Agência de Gestão de Desastres da região (BPBD), a retirada da população continua em várias regiões como medida preventiva.

As áreas mais afectadas são Tapanuli Central e Tapanuli do Sul, em Sumatra Norte, na ilha de mesmo nome, que concentram a maioria das mortes.

Além disso, cerca de 40 pessoas ficaram feridas, segundo fontes médicas que falaram à agência de notícias Antara.

A União Europeia (UE) admitiu ontem que todos “querem que a guerra acabe” na Ucrânia, mas avisou que “a maneira como acaba também tem de interessar”, rejeitando qualquer proposta que isente Moscovo de “obrigações a longo prazo”.

“Todos queremos que esta guerra acabe, mas a maneira como acaba também tem de interessar”, disse, citada pelo Notícias ao Minuto, a alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, em conferência de imprensa, em Bruxelas, no final de uma reunião ministerial extraordinária por videoconferência.

Kaja Kallas insistiu que para a União Europeia, “têm de haver obrigações do lado da Rússia para haver paz” e que essas obrigações “têm de ser a longo prazo”, para evitar que o Kremlin decida voltar a invadir a Ucrânia ou qualquer outro país.

No plano de paz apresentado pelo Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, “não há qualquer concepção por parte da Rússia”, advogou a alta representante da UE para a diplomacia, considerando que, pelo contrário, Moscovo “pede mais do que aquilo que já tirou”.

“A longo prazo tem de haver obrigações, por exemplo, a Rússia tem de honrar as obrigações que já existiam, nomeadamente não atacar mais ninguém, podemos começar por aí”, comentou Kaja Kallas, ex-primeira-ministra da Estónia.

Questionada sobre as declarações do secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Mark Rutte, que considerou que a guerra podia acabar até ao final do ano, Kaja Kallas rejeitou essa ideia, respondendo que até hoje “não há quaisquer indicações disso por parte da Rússia”.

“Há zero indicações de que a Rússia queira parar esta guerra”, sustentou.

Kaja Kallas também aludiu à possibilidade de mais invasões russas, uma vez que o Kremlin reforçou o investimento na área da defesa e a alta representante da UE para a Política de Segurança considerou que nenhum país faz um investimento destes sem pensar no que pode fazer com o que investiu nesse domínio.

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