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O País – A verdade como notícia

Mais de 200 pessoas foram detidas na Índia, na sequência de manifestações contra o presidente da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar, acusado pela oposição de permitir irregularidades no processo de revisão dos cadernos eleitorais. Os protestos intensificaram-se este sábado, em Nova Deli, num contexto de crescente tensão política.

A contestação teve início no princípio de Outubro e envolve estudantes, activistas e representantes de partidos da oposição, que exigem maior transparência no processo de registo dos eleitores e a demissão do responsável pela Comissão Eleitoral.

No centro da polémica está a revisão dos cadernos eleitorais, um processo que, segundo as autoridades, visa eliminar registos duplicados, actualizar informações e retirar os nomes de pessoas falecidas. A oposição, contudo, receia que cidadãos com direito de voto estejam a ser excluídos indevidamente, colocando em causa a transparência e a credibilidade dos futuros processos eleitorais.

Perante o agravamento da situação, as autoridades reforçaram as medidas de segurança em Nova Deli, com o destacamento de efectivos policiais, restrições à circulação e o encerramento temporário de algumas estações de metro. As medidas condicionaram a mobilidade dos cidadãos e dificultaram a realização de concentrações públicas.

Enquanto as autoridades defendem a legalidade do processo de revisão eleitoral, os manifestantes exigem garantias de que nenhum cidadão elegível será privado do direito de voto.

A contestação volta a colocar em debate a transparência dos processos eleitorais, a independência das instituições e a salvaguarda do direito dos cidadãos à participação democrática na Índia.

 

A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay tem um longo percurso na defesa dos direitos humanos, da justiça internacional e da dignidade humana, marcado pela luta contra o apartheid e pelo exercício de funções de destaque em instituições judiciais internacionais.

Nascida em Durban, Pillay tornou-se, em 1967, a primeira mulher a abrir um escritório de advocacia na então província sul-africana de Natal. Durante o apartheid, actuou como advogada de defesa de activistas contra o regime, denunciando práticas de tortura e contribuindo para a defesa dos direitos fundamentais dos reclusos na Ilha Robben.

Com o fim do apartheid, em 1995, foi nomeada juíza interina do Tribunal Superior da África do Sul e integrou o Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, onde exerceu funções durante oito anos, incluindo quatro como presidente.

Entre 2008 e 2012, Pillay ocupou o cargo de Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, consolidando o seu papel na promoção da justiça e na protecção das liberdades fundamentais à escala internacional.

Mais recentemente, presidiu à Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre o Território Palestino Ocupado.

O seu percurso profissional é marcado pelo compromisso com a responsabilização por violações dos direitos humanos e pelo reforço do direito internacional.

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, reuniu-se, quarta-feira, em Tshwane, com o Presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit, para discutir os preparativos das eleições previstas para 22 de Dezembro e o processo de paz naquele país.

O encontro teve lugar poucos dias depois de Ramaphosa, na qualidade de Presidente do Comité Ad Hoc de Alto Nível da União Africana para o Sudão do Sul, ter liderado consultas regionais sobre o nível de preparação do país para as eleições.

Durante a reunião, os dois dirigentes analisaram a implementação do Acordo de Paz Revitalizado de 2018, o diálogo político e os preparativos para o escrutínio, estando prevista a participação da África do Sul no apoio ao processo eleitoral.

Ramaphosa instou as autoridades sul-sudanesas a enfrentarem os desafios políticos, de segurança e logísticos que ainda persistem, de modo a assegurar que as eleições decorram de forma pacífica, credível e inclusiva.

A África do Sul pretende tornar-se o primeiro país do continente africano a acolher os Jogos Olímpicos, ao apresentar a sua candidatura para a edição de 2036.

O país foi seleccionado entre os sete Estados que deverão apresentar oficialmente as suas candidaturas para acolher o evento, num processo que deverá avançar em Novembro.

Além da África do Sul, estão na corrida o Qatar, a Índia, a Hungria, a Turquia, a Alemanha e a Coreia do Sul.

A eventual escolha da África do Sul representaria um marco para o continente africano, que nunca acolheu uma edição dos Jogos Olímpicos. A cidade sul-africana de Durban chegou a ser escolhida para acolher os Jogos da Commonwealth de 2022, mas acabou por perder o direito de organização devido a dificuldades financeiras.

A decisão sobre o país anfitrião dos Jogos Olímpicos de 2036 será tomada pelo Comité Olímpico Internacional, no âmbito do processo de selecção em curso.

Tropas da Eritreia foram mobilizadas nos últimos dias nos arredores de uma cidade na região de Tigray, no norte da Etiópia, disseram nesta quarta-feira um funcionário local e moradores, após duas semanas de conflito interno que ameaçam desencadear uma guerra regional mais ampla.

Em 23 de Setembro, eclodiram confrontos entre a Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF), grupo rebelde, e as forças federais etíopes, reacendendo os temores de um retorno à devastadora guerra civil de 2020-2022.
A Etiópia acusa a Eritreia de apoiar os rebeldes . As tensões de longa data entre os dois países vizinhos se intensificaram na semana passada, quando romperam relações diplomáticas.

O exército etíope conseguiu repelir os rebeldes tigrínios com a ajuda de milícias locais e entrou na capital regional de Mekelle no fim de semana sem resistência, após a Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF) abandonar a cidade.
Diversas fontes disseram à AFP que tropas eritreias estavam em Adigrat, a cerca de 115 quilómetros (70 milhas) ao norte de Mekelle, a caminho da fronteira com a Eritreia, e avançavam para o sul.

Analistas afirmam que a Eritreia está empenhada em evitar que a guerra se alastre para seu território caso a TPLF seja forçada a recuar para o outro lado da fronteira.
“O exército eritreu entrou em Tigray uniformizado e equipado com armamento pesado”, disse Gebreigziabher Beyene, comandante da Força de Paz de Tigray, a milícia pró-governo que lutou ao lado do exército federal.

“Essa força está sendo atacada por drones”, disse ele, acrescentando que a Eritreia estava “deliberadamente mobilizando suas forças para que os combates ocorressem dentro de Tigray, em vez de se alastrarem para a Eritreia” .
Em Adigrat, duas testemunhas oculares viram soldados eritreus nas ruas, caminhando em direção ao sul.
Um funcionário local, falando à AFP sob condição de anonimato, disse que as tropas estavam lá há dias e que “a população está muito preocupada”.

Uma testemunha ocular disse que “tropas eritreias, alojadas em caminhões grandes, veículos de patrulha e outros veículos”, estavam seguindo para o sul.
“Eles estão passando por aqui, carregando armamento pesado”, acrescentou a testemunha.
Também foram relatados casos de insegurança a oeste de Mekelle, com um morador de Adwa relatando à AFP que houve ataques de drones contra hotéis na cidade durante o fim de semana, matando vários civis e ferindo outros quatro.

TENSÕES REGIONAIS

A Eritreia conquistou a independência da Etiópia em 1993 e os dois lados travaram uma guerra de fronteira brutal entre 1998 e 2000.
As relações melhoraram consideravelmente com a ascensão do primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed em 2018, e a Eritreia chegou a lutar ao lado da Etiópia durante a guerra civil de 2020-2022 contra a Frente de Libertação do Povo Tigré (TPLF).
Mas a relação deteriorou-se após a guerra. A Eritreia teme que a Etiópia, país sem litoral, planeje invadi-lo para obter acesso direto ao Mar Vermelho.

No início deste mês, a Etiópia expulsou 10 diplomatas eritreus e fechou sua embaixada em Asmara, enquanto a Eritreia respondeu que ” romperia todos os laços diplomáticos “.

Havia receios esta semana de que a TPLF pudesse recuar para a Eritreia, dando à Etiópia um pretexto para invadir.
O especialista regional Kjetil Tronvoll, da Oslo New University College, disse à AFP que “para a Eritreia é essencial manter uma profundidade estratégica e uma zona tampão no norte de Tigray, e enfrentar (o exército etíope) em solo tigrayano” .

Israel assinala, hoje, três anos do ataque do Hamas, a 7 de Outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 pessoas e fez 251 reféns. Três anos depois, a guerra deixou mais de 74 mil mortos na Faixa de Gaza, segundo dados das Nações Unidas.

A Faixa de Gaza nunca mais foi a mesma desde 7 de Outubro de 2023.Naquele dia, combatentes do Hamas atacaram comunidades israelitas próximas da Faixa de Gaza, instalações militares e policiais e o festival de música Nova.
Cerca de 1.200 pessoas, na maioria civis, foram mortas e 251 foram levadas como reféns.Três anos depois, o conflito deixou mais de 74 mil mortos em Gaza, segundo dados das Nações Unidas.
O Hamas continua a classificar o ataque de 7 de Outubro como um marco na luta palestiniana, atribuindo a ofensiva a décadas de ocupação e confrontos com Israel.
No antigo local do festival Nova, familiares das vítimas prestaram homenagem aos mortos, rodeados de retratos e flores.
No sul de Israel, familiares e sobreviventes cumpriram um minuto de silêncio. Em Jerusalém, centenas de pessoas reuniram-se para rezar e cantar o hino nacional.
A data provocou também reações internacionais. A União Europeia apelou para que os acontecimentos de 7 de Outubro nunca se repitam e voltou a defender uma solução de dois Estados.
Um cessar-fogo alcançado em 2025 pôs fim aos combates em grande escala. Mas a violência não terminou. Ataques esporádicos continuam a ser registados, enquanto Israel e Hamas permanecem sem um acordo definitivo sobre as próximas etapas do processo de paz.

O maior mercado para a carne bovina da Namíbia, a União Europeia, anunciou na segunda-feira a suspensão das importações após um surto de febre aftosa, doença que devastou a Europa há 25 anos.

No mês passado, a Namíbia anunciou seu primeiro surto de febre aftosa em sua principal zona de criação comercial de gado em 60 anos, o que levou a uma proibição nacional da movimentação de animais e das exportações de carne.
“A UE decidiu suspender temporariamente a entrada em seu território de carne fresca de bovinos, ovinos e caprinos…”, anunciou a delegação da UE.

A suspensão incluía carne de animais de criação e selvagens com cascos, bem como certos produtos de carne processada, segundo comunicado.
A carne processada que passou pelo “tratamento de mitigação de riscos mais rigoroso” continuou elegível para entrada, afirmou.

A União Europeia é o maior mercado de carne bovina da Namíbia, representando mais de 80% das exportações do país.
Cerca de 10 milhões de quilos de carne bovina da Namíbia eram exportados anualmente para a Europa, afirmou a embaixadora da UE, Ana Beatriz Martins, em entrevista à emissora namibiana NMH.
Um quarto dos 40.000 empregos directos envolvidos nas exportações para a Europa seriam afetados pela suspensão, afirmou ela.

Durante o último grande surto de febre aftosa na UE, em 2001, mais de seis milhões de animais tiveram que ser abatidos, segundo o comunicado da delegação.
A febre aftosa causa febre e bolhas perto do casco e na boca, que impedem os animais de se alimentarem e, às vezes, levam à morte.

A doença atingiu vários países da África Austral, incluindo o Botswana, Eswatini, Lesoto, Moçambique, África do Sul, Zâmbia e Zimbabwe. Desde que o surto no sul da Namíbia foi declarado em 22 de Setembro, ele se espalhou para 11 fazendas, disseram as autoridades.

A resposta do governo ao controle da doença incluiu vigilância intensificada, rastreamento e testes, controlos de circulação, bloqueios veterinários e medidas de biossegurança, disse à AFP o porta-voz do Ministério da Agricultura, Romeo Muyunda.

O exército do Mali e os paramilitares russos do grupo Africa Corps iniciaram hoje operações aéreas e terrestres de grande escala na região da cidade estratégica de Kidal, controlada pelos rebeldes desde final de Abril.

“Estas operações têm como objectivo localizar e neutralizar os grupos armados terroristas que operam em toda a região, destruir os esconderijos e as suas redes de abastecimento, [e] restabelecer de forma duradoura a segurança das populações e a livre circulação de pessoas e bens”, indicaram as autoridades num comunicado.

Uma fonte independente de segurança disse à agência de notícias France-Presse (AFP) que “o comboio de reforços militares malianos iniciou a marcha em direção a Kidal esta manhã cedo, partindo da localidade de Anéfis”, acrescentando que nos últimos dias têm ocorrido diversos ataques, mas que ainda não se registou nenhum confronto com os separatistas tuaregues da Frente de Libertação do Azawad (FLA).

Segundo um oficial do exército maliano, as tropas das forças armadas do Mali e os aliados russos “estão em movimento há alguns dias na região”, sendo que a principal preocupação das autoridades é a segurança das populações e o combate ao terrorismo.

Desde 2012, o Mali enfrenta uma profunda crise de segurança, alimentada sobretudo pela violência de grupos extremistas, dos seus aliados separatistas tuaregues da FLA e de grupos criminosos comunitários.
Este país do Sahel, dirigido por uma junta militar, aproximou-se da Rússia, cujos paramilitares do grupo Africa Corps o ajudam na sua luta antiterrorista. O país está mergulhado numa situação de segurança ainda mais crítica desde o final de abril de 2026.

Os extremistas do Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (JNIM), aliados à Al-Qaida e à rebelião da FLA, lançaram então uma série de ataques coordenados contra posições estratégicas da junta e do exército em várias cidades, incluindo nos arredores de Bamako, a capital. Os ataques custaram, nomeadamente, a vida ao ministro da Defesa e a perda do controlo da cidade de Kidal.

O gabinete das Nações Unidas contra a droga e o crime (UNODC) alertou nesta terça-feira que o tráfico de medicamentos na África Central, alimentado pelas dificuldades de acesso aos cuidados de saúde, constitui uma “grande ameaça para a saúde pública”.

Nos seis países da Comunidade Económica e Monetária da África Central (CEMAC) que “apresentam indicadores de saúde que se contam entre os mais desfavoráveis do mundo” a discrepância entre as necessidades de saúde e o acesso efectivo a produtos seguros e acessíveis “favorece o desenvolvimento de um mercado ilícito”, lê-se no relatório do UNODC, assinado em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a CEMAC.

Pelo menos 251 toneladas de medicamentos foram apreendidas nos Camarões, no Gabão, no Chade, no Congo, na Guiné Equatorial e na República Centro-Africana entre 2020 e 2025, de acordo com este relatório.
E, nos últimos anos, este tráfico tem sido alvo de uma “intensificação e diversificação”, alertou hoje um responsável do gabinete UNODC durante uma conferência de imprensa.

O tráfico, que “constitui uma grande ameaça para a saúde pública” na região, segundo o gabinete da ONU contra a droga e o crime, diz respeito a medicamentos falsificados, de qualidade inferior ou não aprovados pelas autoridades, mas também a produtos desviados dos circuitos oficiais.

Antibióticos, antimaláricos, analgésicos, anti-inflamatórios ou psicoativos, como o tramadol e a pregabalina, figuram entre os produtos em causa.
Este comércio ilegal favorece “fracassos terapêuticos, intoxicações e mortes evitáveis” e contribui para o desenvolvimento de resistências aos antimicrobianos.
E os produtos resultantes deste tráfico acabam, por vezes, “em estabelecimentos autorizados, geralmente considerados seguros pelos doentes”, denuncia o relatório.

À escala da África Subsariana, a OMS estimava, em 2017, que o consumo destes medicamentos fraudulentos pudesse estar associado a centenas de milhares de mortes por ano.
Os produtos chegam, nomeadamente, através dos portos da região, antes de seguirem pelas principais vias rodoviárias, facilitadas pela porosidade das fronteiras, e também via aérea, na carga ou na bagagem dos passageiros.

Este tráfico envolve, nomeadamente, grupos armados, presentes em certas regiões dos Camarões, do Chade ou da República Centro-Africana, através da pilhagem de centros de saúde, da revenda de produtos ou da cobrança de “taxas” aos comboios.
Para além de “alimentar a criminalidade organizada e enfraquecer as instituições públicas”, este tráfico favorece o uso não médico de produtos associados a fenómenos de dependência, salienta o relatório, que apela ao “reforço da cooperação internacional” para conter o fenómeno.

No Gabão, uma apreensão, no final de Setembro, por parte das alfândegas, de 17.000 comprimidos de tramadol ilustra a existência de um “tráfico transfronteiriço” de estupefacientes que “não param de entrar” vindos do vizinho Camarões, segundo um representante das alfândegas gabonesas entrevistado na quinta-feira na televisão pública.

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