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A NASA divulgou as primeiras imagens da Terra captadas pela missão Artemis II, após a cápsula Orion ter realizado com sucesso uma manobra decisiva para seguir em direção à Lua.

O accionamento do motor, efectuado na quinta-feira à noite, corresponde à chamada injecção translunar, etapa que retira a nave da órbita terrestre e a coloca numa trajetória rumo ao espaço profundo. Com esta manobra, a Orion entrou na denominada trajetória de retorno livre, que permitirá contornar a Lua e regressar à Terra aproveitando a gravidade lunar.

As imagens divulgadas mostram o planeta visto do espaço pelos astronautas. Um dos registos, captado pelo comandante Reid Wiseman, evidencia duas auroras e a luz zodiacal, enquanto a Terra aparece a eclipsar o Sol. Na fotografia, é também visível o continente africano. Outra imagem apresenta o planeta através de uma das janelas da cápsula.

Segundo a NASA, esta é a primeira vez desde a missão Apollo 17, em 1972, que astronautas deixam a órbita terrestre com destino à Lua.

A missão, com duração prevista de cerca de dez dias, tem como objetivo testar sistemas essenciais da nave com tripulação a bordo, incluindo suporte de vida, comunicações e navegação fora do alcance dos satélites terrestres, antes de futuras missões de alunagem.

O Papa Leão lavou os pés a 12 padres esta quinta-feira, 2 de abril, num ritual tradicional da Quinta-Feira Santa, apelando aos católicos para que demonstrem solidariedade com os mais vulneráveis.

A cerimónia, que evoca o gesto de humildade de Jesus Cristo na véspera da sua morte, decorreu na Basílica de São João de Latrão, em Roma, e marcou o início das celebrações pascais no Vaticano.

Durante a homilia, o pontífice destacou a importância da compaixão num contexto global marcado pela violência. “Num momento em que a humanidade é colocada de joelhos por tantos atos de brutalidade, devemos também ajoelhar-nos como irmãos e irmãs ao lado dos oprimidos”, afirmou.

Leão sublinhou ainda que o exemplo de Deus não é o do poder, mas o da libertação: “Deus deu-nos um exemplo — não de como dominar, mas de como libertar”.

Após as palavras, o Papa ajoelhou-se para lavar, secar e beijar os pés dos 12 homens, repetindo o gesto simbólico de serviço e humildade.

Esta foi a primeira celebração da Quinta-Feira Santa presidida por Leão desde que assumiu o pontificado, em maio do ano passado. A escolha da Basílica de São João de Latrão representa um regresso a uma prática mais tradicional, após o seu antecessor, Francisco, ter optado por realizar este ritual em locais como prisões, lares e hospitais, numa abordagem mais próxima das periferias sociais.

Cerca de 214 pessoas ligadas a grupos armados que actuam no leste da República Democrática do Congo foram reintegradas esta semana na sociedade, em Ruanda. Entre os beneficiários estão ex-combatentes e civis associados a movimentos rebeldes, incluindo, segundo as autoridades, membros das FDLR, um dos grupos que continuam a preocupar o Governo ruandês em matéria de segurança.

Antes do regresso às comunidades, os reintegrados passaram vários meses no centro de desmobilização de Mutobo, onde participaram em programas de educação cívica, apoio psicossocial e preparação para a vida civil.

 O processo é conduzido pela Comissão Ruandesa de Desmobilização e Reintegração, que desde 2001 já apoiou mais de 12 mil pessoas neste tipo de transição.

As autoridades destacam que a reintegração não depende apenas dos ex-combatentes, mas também da forma como as comunidades os recebem. O apelo é para que deixem de ser vistos como ameaças e passem a ser encarados como cidadãos com uma nova oportunidade de vida, após abandonarem os grupos armados.

Grande parte dos reintegrados deverá regressar às suas zonas de origem, com destaque para o distrito de Rubavu, junto à fronteira com a cidade de Goma. 

O processo decorre num contexto em que a presença de grupos armados na região continua a ser um dos principais desafios de estabilidade entre Ruanda e a República Democrática do Congo.

Os países do Golfo intensificaram a pressão diplomática junto da Organização das Nações Unidas para uma intervenção no estreito de Ormuz, após alegações de que o Irão está a impedir a livre circulação de navios comerciais e petroleiros. 

A posição foi defendida pelo Conselho de Cooperação do Golfo, que acusa Teerão de condicionar a passagem marítima, colocando em risco uma das rotas mais estratégicas do comércio internacional.

A proposta, liderada pelo Bahrein e apoiada pelos Estados Unidos, prevê a possibilidade de uso da força para garantir a reabertura da via marítima. O documento está em discussão no Conselho de Segurança e já passou por várias revisões, numa tentativa de alcançar consenso entre os membros com poder de veto, num contexto de forte tensão geopolítica.

Apesar dos ajustes, a iniciativa enfrenta resistência de países como a China e a Rússia, que alertam para o risco de escalada militar. As duas potências defendem que a autorização do uso da força pode agravar o conflito e comprometer ainda mais a estabilidade na região. Também o Presidente da França manifestou reservas quanto à viabilidade de uma operação militar neste cenário.

A versão mais recente da resolução introduz a possibilidade de acções de carácter “defensivo” para proteger a navegação, numa tentativa de suavizar posições divergentes. 

O Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, enviou uma carta a homólogos de 20 países africanos costeiros a propor o reforço da cooperação bilateral e regional para enfrentar os desafios marinhos, sobretudo o lixo proveniente da pesca industrial.

“Ciente de que o lixo marinho, nomeadamente o plástico, não é um desafio isolado de Cabo Verde, mas um problema transfronteiriço que afecta a saúde dos oceanos e a sustentabilidade das economias azuis, proponho o reforço da cooperação bilateral e regional”, lê-se num comunicado da Presidência da República.

As cartas foram dirigidas a homólogos de países com costa atlântica, incluindo Angola, Senegal, Nigéria e África do Sul.

O objectivo passa pela harmonização de políticas de gestão de resíduos, incentivo ao uso de materiais de pesca mais biodegradáveis e integração de cláusulas de responsabilidade ambiental em acordos de pesca, visando reduzir a poluição marinha.

A proposta inclui ainda uma posição conjunta em fóruns internacionais, como conferências sobre o oceano, para defender soluções globais e financiamento para mitigar os impactos de resíduos transfronteiriços.

Segundo o mesmo comunicado, cerca de 75% do lixo acumulado nas costas do país – incluindo redes, cordas e boias – terá origem na pesca industrial, afectando a fauna endémica e zonas de nidificação de espécies marinhas, como as tartarugas.

A iniciativa surge na sequência da recente visita do chefe de Estado à reserva natural integral de Santa Luzia, a ilha desabitada do norte do arquipélago, 10 quilómetros a leste de São Vicente.

José Maria Neves defende ainda que a cooperação entre os países africanos pode transformar esta ameaça ambiental numa oportunidade para reforçar a protecção e valorização do património marinho.

Um incidente ocorrido esta segunda-feira, quando um protesto anti-imigração se tornou violento na cidade costeira de KuGompo, na província do Cabo Oriental, culminou com o alegado esfaqueamento de um sul-africano, por parte de um estrangeiro, e degenerou em ataques contra negócios geridos por migrantes e no incêndio de vários veículos.

O Governo da África do Sul condenou esta quinta-feira a violência desencadeada esta semana durante um protesto contra a imigração, mas salientou que é necessário lembrar aos migrantes nigerianos que “são visitantes no país”.

“É profundamente preocupante que as queixas legítimas sobre este assunto tenham dado origem a actos de violência e criminalidade. O Conselho de Ministros recorda aos sul-africanos que o direito à manifestação acarreta uma responsabilidade: deve ser exercido de forma pacífica e dentro dos limites da lei”, afirmou a ministra da Presidência, Khumbudzo Ntshavheni.

Ntshavheni referiu-se, numa conferência de imprensa em Pretória, ao incidente ocorrido esta segunda-feira, quando um protesto anti-imigração se tornou violento na cidade costeira de KuGompo (anteriormente chamada East London), na província do Cabo Oriental (este).

A marcha, convocada por diferentes organizações e partidos políticos, começou de forma pacífica, mas, depois de um dos manifestantes alegar ter sido esfaqueado por um estrangeiro, degenerou em ataques contra negócios geridos por migrantes e no incêndio de vários veículos.

A manifestação foi motivada pela tensão desencadeada após a recente nomeação de um chefe tradicional pela comunidade imigrante nigeriana local, com um título que pode ser traduzido como “rei do povo igbo em East London”.

Alguns sul-africanos residentes na zona viram este acto como uma tentativa de controlar o poder político num país onde as autoridades tradicionais locais gozam de reconhecimento oficial por parte do Estado.

“O Conselho de Ministros manifestou a sua indignação pela alegada coroação de um cidadão nigeriano como suposto chefe na cidade de KuGompo (…) e salientou que se trata de uma mera palhaçada infantil que carece de qualquer efeito legal”, afirmou Ntshavheni.

O Governo continuará a dialogar com a Embaixada da Nigéria em Pretória, referiu a ministra, “sobre a conduta inaceitável dos nigerianos na África do Sul, que não é própria de visitantes”.

“E devemos lembrá-los de que são visitantes”, repetiu.

Por seu lado, a Embaixada nigeriana pediu prudência aos seus cidadãos e instou-os a tomar medidas de segurança, como limitar os seus movimentos ou “suspender qualquer tipo de actividades socioculturais”.

A missão diplomática também enviou uma carta de desculpas às autoridades sul-africanas.

Segundo relataram à imprensa os vizinhos igbos da zona, a nomeação desta figura tradicional é uma prática habitual entre os nigerianos na diáspora, mas trata-se de um título tradicional sem poder político real.

As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul e, frequentemente, têm resultado em ondas de protestos violentos e distúrbios, especialmente nos bairros mais vulneráveis.

Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, com 18 estrangeiros mortos, segundo dados da organização Human Rights Watch (HRW).

Inúmeras comunidades de imigrantes foram então repatriadas pelos seus próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de duras críticas internacionais por xenofobia.

Pelo menos 30 pessoas morreram após terem sido atacadas por um grupo criminoso na localidade de Jean-Denis, no Haiti. A informação foi partilhada por fonte oficial na capital daquele país, Porto Príncipe.

População haitiana continua a ser vítima de massacres perpetrados por gangues criminosos, denuncia a porta-voz da Comissão de Diálogo, Reconciliação e Sensibilização de Haiti, citada pela African News.

De acordo com a organização denunciante, o grupo Gran Grif, cujos membros já estiveram envolvidos em outros ataques deste tipo, é responsável pelo ataque. Segundo um jornal local, há cinco pessoas da mesma família que foram mortas.

Os atacantes incendiaram também casas e estabelecimentos comerciais. Duas pessoas morreram carbonizadas no interior das suas casas, enquanto outras em consequência de ferimentos provocados por disparos e enquanto fugiam.

Os atacantes tentaram assumir o controlo da localidade de Jean-Denis, mas depararam-se com a resistência de grupos de autodefesa da zona, que acusaram a Polícia de intervir demasiado tarde, após os confrontos terem terminado.

Os ataques foram protagonizados na madrugada do último domingo e, segundo activistas de direitos humanos citados pela African News, o grupo de criminosos voltou a atacar na última segunda-feira.

O Papa Leão XIV afirmou esperar que o presidente norte-americano, Donald Trump, “procure uma saída” para a guerra no Médio Oriente, reiterando o seu apelo à paz a poucos dias da Páscoa.

“Disseram-me que o presidente Trump declarou recentemente que quer pôr fim à guerra, espero que ele procure uma saída”, afirmou o papa aos jornalistas no início da noite, à saída da residência papal de Castel Gandolfo, perto de Roma.

 “Espero que ele procure uma forma de reduzir a violência e os bombardeamentos, o que contribuiria grandemente para apaziguar o ódio que se cria e não cessa de crescer no Médio Oriente e noutros locais”, acrescentou.

“Continuarei, sem dúvida, a apelar a todos os líderes mundiais para que regressem à mesa das negociações para dialogar e encontrar soluções para os problemas”, prosseguiu o papa.

Com a aproximação das festividades da Páscoa, “este deveria ser o momento mais santo e sagrado de todo o ano”, insistiu.

“É um tempo de paz, um tempo de recolhimento, mas, como todos sabemos, em muitos lugares do mundo, constatamos novamente tanto sofrimento, tantas mortes, até mesmo de crianças inocentes, lançamos incessantemente um apelo à paz, mas, infelizmente, muitos procuram promover o ódio, a violência e a guerra”, acrescentou Leão XIV, que se prepara para celebrar a Páscoa pela primeira vez como soberano pontífice no domingo.

O exército do Mali negou, nesta segunda-feira, que tivesse libertado cerca de 200 suspeitos de serem jihadistas em meados de Março para garantir o fim dos ataques a comboios de combustível que estão a paralisar a economia da Nação.

Fontes de segurança e políticas citadas pela imprensa internacional tinham inicialmente reportado a libertação de mais de 100 jihadistas, e posteriormente houve confirmação de que cerca de 200 tinham sido libertados.

Estas declarações, segundo o exército do Mali, têm como objectivo manchar a imagem do pais e minar a confiança entre o povo e as suas instituições, e particularmente entre o povo maliano e as suas forças de defesa e segurança.

Desde Setembro, jihadistas do Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos, um grupo filiado da Al-Qaeda, têm atacado comboios de camiões-tanque. 

Apesar de vários meses de calma, os habitantes de Bamako enfrentaram uma escassez de gasóleo no início de Março, com o combustível a ser prioritariamente destinado ao sector energético.

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