O País – A verdade como notícia

A Zâmbia decidiu suspender a assinatura de um acordo de financiamento para a saúde proposto pelos Estados Unidos da América, no valor de cerca de mil milhões de dólares. Para justificar a posição, o país diz que certas cláusulas do documento não estão alinhadas com os interesses nacionais. 

Trata-se de um acordo que  visava apoiar o sector da saúde da Zâmbia na área de saúde materno-infantil e na prevenção e  tratamento de doenças como  HIV/SIDA e malária.

A suspensão da assinatura do acordo surge após a Zâmbia discordar de parte das cláusulas previstas no documento, sendo que o país  deveria co-financiar o projecto com 340 milhões de dólares. 

Da parte norte-americana, o acordo permitiria o desembolso de  mais de mil milhões de dólares em financiamento para os próximos cinco anos, e visava, entre outros aspectos,   melhorar a preparação zambiana para fazer face à epidemias.

O acordo, cuja conclusão estava prevista para Novembro de 2025, foi suspenso depois de versões alteradas do documento terem gerado divergências. 

Entre as cláusulas de que a Zâmbia não concorda está uma parceria no sector mineiro com Washington, não sendo pela primeira vez que um país africano rejeita acordos semelhantes  devido às preocupações relacionadas com a cedência aos EUA de minerais críticos tal como foi o caso do Zimbabwe. 

Recorde-se que em África, pelo menos 16 países já assinaram acordos para o financiamento à saúde incluindo Nigéria, Uganda e Quénia.

O presidente e CEO do Fórum Económico Mundial, Borge Brende, anunciou, esta quinta-feira, que se demite do cargo, depois de reveladas as suas ligações a Jeffrey Epstein, financeiro norte-americano condenado por crimes sexuais.

A saída, anunciada num comunicado, acontece poucas semanas após a organização ter iniciado uma investigação independente à relação de Brende com Epstein, levada a cabo por advogados externos e aberta na sequência de divulgações feitas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (EUA), segundo as quais o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega teve três jantares de negócios com o multimilionário.

Os documentos das autoridades norte-americanas revelaram também comunicações estabelecidas entre os dois por correio eletrónico e mensagens de texto.

Através de um comunicado o noruegues que liderava desde 2017 o Fórum Económico Mundial declarou

“Após cuidadosa reflexão, decidi demitir-me do cargo de Presidente e CEO do Fórum Económico Mundial. O meu tempo aqui, ao longo de oito anos e meio, foi profundamente gratificante”.

No comunicado, Borge Brende não fez qualquer menção direta a Epstein.

“Estou grato pela colaboração extraordinária com colegas, parceiros e constituintes, e acredito que este é o momento certo para o Fórum continuar o seu importante trabalho sem distrações”, referiu.

Numa nota separada, co-presidentes do Fórum Económico Mundial, indicaram que a investigação independente às ligações de Brende a Epstein já foi finalizada. Concluiu-se que não há preocupações adicionais para além do que já foi previamente divulgado. Alois Zwinggi assumirá funções como presidente e CEO interino.

O peso da dívida da África do Sul está a estabilizar-se pela primeira vez em quase duas décadas, anunciou o Ministro das Finanças na quarta-feira. A economia  do país mostra sinais de recuperação.

A África do Sul conquistou sua primeira grande melhoria de crédito em 17 anos. 

Segundo o Ministro das Finanças do país Godongwana, que falava nesta quarta-feira ao parlamento, a dívida vai estabilizar e continuará a cair nos próximos anos. 

Espera-se que a dívida, que atingiu um recorde próximo a 80% do PIB, diminua para 77,3% em 2026/27 e caia ainda mais para 76,5% em 2028.

O país também foi removido da lista cinzenta do observador global de lavagem de dinheiro. Godongwana chamou isso de sinais de credibilidade restaurada, de resiliência renovada.

Para este e próximo ano o governo planeia gastar 2,67 trilhões de rands com o financiamento de paz e segurança aumentando para 291,2 bilhões de rands até 2028.

Isso segundo o Ministro das Finanças  vai financiar a implantação do exército juntamente com a polícia em áreas de alta criminalidade, à medida que as autoridades enfrentam criminalidade violenta persistentemente elevada  com média de cerca de 60 assassinatos por dia.

O Papa Leão XIV efectua uma visita a Angola entre 18 e 21 de Abril, anunciou esta quarta-feira o presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), José Manuel Imbamba, manifestando alegria pela vinda do líder da Igreja Católica a Angola.

A informação foi avançada em conferência de imprensa, em Luanda, pelo arcebispo católico angolano que convidou os fiéis a participarem activamente na recepção e nas actividades que serão desenvolvidas no país lusófono africano.

Segundo a Igreja Católica angolana, Leão XIV vai ter encontros com o Presidente angolano, João Lourenço, com a comunidade religiosa, sociedade civil e vai igualmente visitar o Santuário da Muxima e a província angolana de Lunda-Sul.

José Manuel Imbamba enalteceu a visita do Papa Leão XIV a Angola e pediu aos fiéis católicos angolanos a se prepararem “espiritual e materialmente para um acolhimento condigno”.

“O Santo Padre é o vigário de Cristo cá na terra, é ele que garante a comunhão aqui na terra (…), por isso pedimos para que todos os fiéis católicos se envolvam nos vários serviços que foram criados na mobilização, na angariação de fundos e em tudo aquilo que uma visita deste âmbito e desta natureza implica”, frisou.

Por outro lado, o coordenador geral da visita do Papa e porta-voz da CEAST, Belmiro Chissengueti, apresentou a agenda de Leão XIV a Angola, recordando que este chega ao país no dia 18 de Abril e será acolhido no Aeroporto Internacional 04 de Fevereiro.

De acordo com o responsável, neste mesmo dia o Papa vai manter encontro com as autoridades angolanas, com o Presidente da República, João Lourenço, com a sociedade civil e no final da tarde vai ser reunir com os bispos na Nunciatura Apostólica.

No segundo dia da visita, o Bispo de Roma vai presidir às 09:00 locais (menos uma hora em Maputo) a uma missa na Centralidade do Kilamba e, posteriormente, tem um encontro com os peregrinos e fiéis no Santuário da Muxima (maior espaço de peregrinação da África Subsaariana), localizado na província do Icolo e Bengo, cujas obras estão em curso.

“Esta obra [do Santuário da Muxima] foi assumida pelo Presidente, João Lourenço, as obras decorrem e sendo um lugar de maior peregrinação em África é natural que o Papa o visite também para abençoar e dar este sentido de universalidade”, respondeu Belmiro Chissengueti aos jornalistas.

No dia 20 de Abril, logo pela manhã, o Papa irá a Saurimo (capital da província angolana da Lunda Sul – leste de Angola) onde vai presidir a uma missa e depois visitará um centro de acolhimento de idosos, estando ainda previsto às 16:00 (17:00 em Maputo), já em Luanda, encontro com os bispos, padres, religiosas, catequistas na paróquia de Nossa Senhora de Fátima.

O dia 21 de Abril está reservado para as despedidas, no fim da visita papal a Angola.

Pelo menos 8.000 escuteiros estão já mobilizados para participarem nas celebrações, actividades, acolhimento e demais actos enquadrados na visita do Papa Leão XIV nas províncias de Luanda, Icolo e Bengo e Lunda-Sul.

Leão XIV será o terceiro Papa a visitar Angola, depois de João Paulo II, em 1992, e Bento XVI, em 2009.

Um grupo de 11 homens sul-africanos alegadamente aliciados para combater ao lado de soldados russos na guerra contra a Ucrânia deverá regressar em breve ao país, segundo anunciou o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa.

Segundo Lusa, com este regresso, sobe para 15 o número de cidadãos sul-africanos que voltaram ao país, depois de quatro homens terem chegado a Joanesburgo na semana passada, após meses a combater nas linhas da frente do conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

Os homens terão sido enganados para viajar para a Rússia sob o pretexto de que receberiam formação em segurança.

A Organização Não-Governamental (ONG) INPACT, sediada na Suíça, lançou este mês um relatório em que descreve que o recrutamento de soldados africanos ocorre de diversas formas: através de falsos anúncios de emprego, como segurança privada, construção civil, indústria, trabalho agrícola; promessas de salários elevados e regularização de estatuto migratório; pela facilitação de vistos para a Rússia e transporte e pela utilização de redes informais, intermediários privados e agências de recrutamento.

Segundo Ramaphosa, outros dois sul-africanos permanecem na Rússia, um hospitalizado e outro em fase de processamento antes da viagem de regresso prevista.

Os repatriamentos foram facilitados por via diplomática, na sequência de um compromisso assumido no início deste mês pelo Presidente russo, Vladimir Putin, acrescentou o chefe de Estado.

Segundo a imprensa internacional, pelo menos três pessoas estão a ser investigadas devido à alegada ligação com o recrutamento dos homens para a Rússia, incluindo Duduzile Zuma-Sambudla, filha do antigo Presidente sul-africano Jacob Zuma.

Zuma-Sambudla negou qualquer irregularidade, mas se demitiu do cargo de deputada no parlamento sul-africano na sequência das acusações.

O Governo sul-africano tinha anunciado em Dezembro que recebeu pedidos de socorro de cidadãos que afirmavam estar presos na região oriental do Donbass, devastada pela guerra na Ucrânia.

Os homens, todos com idades entre os 20 e os 39 anos, terão aderido a forças mercenárias sob o pretexto de contratos de trabalho lucrativos, segundo o Governo sul-africano.

O Japão anunciou, nesta terça-feira, planos para deslocar mísseis terra-ar para uma ilha japonesa perto de Taiwan até 2031, ao mesmo tempo que as autoridades japonesas aumentam os alertas sobre as ambições militares da China na região.

“O nosso plano é deslocar ‘mísseis terra-ar de médio alcance’ durante o ano fiscal de 2030”, ou seja, durante o período de 12 meses que termina em Março de 2031,  para a ilha de Yonaguni, a cerca de 110 quilómetros a leste de Taiwan, anunciou o ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, durante uma conferência de imprensa regular.

O Japão já tinha declarado em 2022 que planeava este envio de mísseis, mas não tinha especificado um calendário.

A ilha de Yonaguni, isolada e localizada a aproximadamente 2000 quilómetros de Tóquio, já alberga uma base das Forças de Autodefesa do Japão.

Este anúncio surge quando a China tem tomado uma série de medidas económicas, políticas e simbólicas contra o Japão desde Novembro, em retaliação a comentários feitos pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi.

A líder do Japão sugeriu que uma intervenção militar do seu país seria possível no caso de um ataque chinês a Taiwan, ilha que é reivindicada por Pequim.

Desde então, a China tem desencorajado os seus cidadãos a viajar para o Japão. Ontem, anunciou que iria sancionar 40 empresas e organizações japonesas acusadas de participar na nova militarização do Japão, nomeadamente proibindo 20 destas de adquirir bens e tecnologias com potencial tanto civil como militar a empresas sediadas na China.

Sanae Takaichi acusou a China na sexta-feira de querer “mudar o ‘status quo’ pela força ou coerção” nas zonas marítimas sobre as quais disputa soberania com os seus vizinhos, sublinhando, no entanto, que o seu desejo era o de estabelecer “relações estáveis construtivas” com a China.

De acordo a Organização das Nações Unidas, há 3,7 milhões de ucranianos deslocados internamente, sendo que 10,8 milhões de pessoas no país vão precisar de ajuda humanitária neste ano.

A ONU alertou, nesta terça-feira, para a existência de 3,7 milhões de pessoas deslocadas na Ucrânia, número que tem aumentado nos últimos meses, devido ao Inverno rigoroso e à falta de energia provocada por ataques russos contínuos.

“Após quatro anos de guerra, a resiliência tem limites”, afirmou o director regional do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), Philippe Leclerc, em conferência de imprensa realizada nesta terça-feira em Genebra, na Suíça.

“Dentro da Ucrânia, os repetidos ataques a habitações, sistemas energéticos e serviços essenciais durante o Inverno deixaram milhões de pessoas sem aquecimento ou electricidade durante longos períodos”, descreveu, referindo que, embora as temperaturas estejam a subir lentamente, os danos permanecem.

De acordo com este responsável, há 3,7 milhões de ucranianos deslocados internamente, sendo que 10,8 milhões de pessoas no país vão precisar de ajuda humanitária este ano.

“Depois de sobreviverem ao Inverno mais rigoroso da década, milhões de ucranianos deslocados enfrentam uma crise crescente marcada por dificuldades e ataques contínuos, enquanto as perspectivas de paz permanecem distantes”, disse, num apelo a que seja mantida a ajuda humanitária e o financiamento necessário.

“Desde o início da guerra em grande escala, o ACNUR e os seus parceiros apoiaram 10 milhões de pessoas com ajuda de emergência, serviços de protecção e apoio psicossocial”, mas neste ano “planeia auxiliar mais 2 milhões de pessoas dentro do país”, caso tenha disponibilidade financeira suficiente, avançou.

É preciso também “dar apoio para recuperação e reconstrução para evitar novas deslocações e criar condições seguras para o regresso”, defendeu Philippe Leclerc.

“Quando as condições o permitirem, os regressos graduais e voluntários serão cruciais para a recuperação da Ucrânia”, disse, garantindo que o ACNUR está a trabalhar com Governo e parceiros para restaurar os documentos das pessoas, apoiar a reabilitação das infra-estruturas sociais e reparar as casas danificadas pela guerra.

O director regional do ACNUR pediu também aos países de acolhimento dos ucranianos que fugiram da guerra para criarem opções de estadias prolongadas que complementem o estatuto de protecção temporária, sublinhando que ainda há 5,9 milhões de refugiados.

O Chade encerrou a sua fronteira oriental com o Sudão, nesta Segunda-feira, após confrontos ocorridos no fim-de-semana ligados à guerra civil do Sudão que mataram cinco soldados chadianos.

Nesta segunda-feira, o governo chadiano anunciou o encerramento, citando incursões repetidas e violações cometidas por forças no conflito do Sudão.

Não é a primeira vez que a guerra civil sudanesa se espalha pelo território chadiano, causando vítimas e danos materiais.

Segundo um funcionário chadiano citado pela AfricaNews, os combates entre as forças paramilitares de apoio rápido do Sudão e tropas leais ao governo sudanês ocorreram na cidade fronteiriça de Tine.

Além dos cinco soldados mortos, três civis também perderam a vida e mais doze ficaram feridos. Isto acontece semanas antes de a guerra no Sudão entrar no seu quarto ano, e  o governo do Chade disse que a fronteira permaneceria fechada até novo aviso.

Fontes citadas pela imprensa internacional, que falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizadas a falar com a imprensa, disseram que mais tropas chadianas estavam a ser enviadas para a área.

Segundo as Nações Unidas, a guerra no Sudão desencadeou a pior e maior crise de fome do mundo. O conflito deslocou milhões de pessoas.

O filho mais novo do falecido ex-presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, Bellarmine Chatunga Mugabe, foi ouvido por um tribunal sul-africano, nesta segunda-feira, na sequência da  acusação de tentativa de homicídio após um jardineiro ter sido baleado em sua casa em Joanesburgo na semana passada.

Bellarmine Chatunga Mugabe, filho mais novo do falecido ex-presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, foi ouvido, nesta segunda-feira, numa breve audiência pela justiça sul-africana, ao lado do co-réu Tobias Mugabe Matonhodze. 

O advogado de Bellarmine Mugabe recusou-se a comentar quando questionado por jornalistas se os dois homens eram ou não parentes. 

Bellarmine Mugabe, de 28 anos de idade, está supostamente envolvido num tiroteio que na última quinta-feira deixou hospitalizado um cidadão que exercia a função de jardineiro na residência do ex-presidente zimbabweano.

Das acusações que pesam sobre o filho de, Robert Mugabe, estão a obstrução da justiça e posse ilegal de arma de fogo que se acredita ter sido usado durante o tiroteio.

Apesar de a polícia ainda não ter recuperado a arma de fogo, Bellarmine Mugabe compareceu ao Tribunal de Magistrados de Alexandra, na África do Sul para onde deverá retornar no dia 3 de Março para um pedido formal de restituição à liberdade mediante pagamento de fiança.

Para além de Berllamine Mugabe, seu irmão, Robert Mugabe Júnior, também enfrentou acusações de posse de drogas em Harare, em Outubro de 2025. 

De acordo com a imprensa internacional, a família Mugabe emitiu um comunicado nesta segunda-feira negando autorização para que qualquer porta-voz pudesse representar os dois acusados.

Berllamine Mugabe e o seu irmão mais velho, Robert Junior, ficaram notórios na década de 2010 por compartilharem seus estilos de vida luxuosos através das redes sociais.

Historicamente, os irmãos Mugabe são conhecidos em Joanesburgo por realizar festas extravagantes marcadas por comportamentos desviados.

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