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Israel manteve ataques no sul do Líbano e realizou bombardeios no Irão nas últimas horas, no mesmo dia em que entrou em vigor um cessar-fogo​​​​​​​ de duas semanas entre Washington e Teerão.

O Exército israelita atacou o sul do Líbano nesta quarta-feira, deixando várias vítimas mortais, segundo meios de comunicação libaneses, apesar de Telavive ter declarado aceitar a trégua com o Irão, mas excluindo o território libanês do acordo.

Citada pel;a DW, a agência oficial libanesa “ANN”, informou que um ataque contra uma ambulância em Al Hulaylah provocou várias mortes, sem número confirmado. Em Chaqra, pelo menos quatro pessoas morreram após um bombardeamento atingir um edifício próximo ao Hospital Hiram e um centro médico, causando ainda vários feridos.

Outras localidades atingidas incluem Haddatha, Rabaa Thalathin, Abbasieh, Kfar Dunin, Haniyeh Mansouri e Jmeijmeh.

O conflito no Líbano intensificou-se após ataques do Hezbollah, aliado do Irão, em resposta à ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra Teerão, iniciada em 28 de fevereiro. Desde então, mais de 1.500 pessoas morreram e 4.800 ficaram feridas. Israel reiterou ainda a intenção de ocupar a faixa sul até ao rio Litani.

As Forças de Defesa de Israel anunciaram que realizaram, durante a noite, uma série de bombardeios contra bases de lançamento de mísseis em todo o território iraniano, com o objetivo de reduzir a capacidade de ataque de Teerão.

Segundo comunicado militar, citado pela DW, a Força Aérea atingiu “dezenas de locais de lançamento” para impedir uma ofensiva maior de mísseis balísticos contra Israel. As autoridades israelitas não esclareceram se os ataques terminaram antes ou depois da entrada em vigor do cessar-fogo à 0 hora.

Israel registou ainda o lançamento de mísseis iranianos cerca de 15 minutos após o início da trégua, sem novos ataques desde então.

A Argélia prepara-se para receber uma visita papal, pela primeira vez, quando Leão XIV pisar o território magrebino, nos dia 13 e 15 de Abril, antes de se deslocar a Angola.

Na bagagem, o Bispo de Roma trará consigo o apelo de renovação ao diálogo inter-religioso, reforçando a mensagem de paz e convivência num país de maioria muçulmana.

Segundo a Africanews, que avança a informação, o Papa vai desembarcar, em Argel, na próxima segunda-feira, onde vai homenagear os mártires da independência e reunir-se com o Presidente daquele país norte-africano, Abdelmadjid Tebboune, antes de seguir para Annaba, cidade que guarda o legado de um dos nomes mais influentes do Cristianismo, Santo Agostinho.

Na Basílica de Santo Agostinho, os fiéis e o clero aguardam com entusiasmo a celebração de uma missa histórica. 

Citado pela mesma fonte, o reitor da basílica, padre Fred Wekesa, expressou gratidão e expectativa pela deslocação, que considera importante porque “demonstra a proximidade da Igreja connosco”.

Enquanto estiver na Argélia, o Papa Leão XIV visitará, ainda, a Grande Mesquita de Argel.

O périplo do Chefe de Estado do Vaticano por África incluirá, ainda, passagens por Camarões, Angola e Guiné Equatorial e marcará um gesto de aproximação entre culturas e credos.

As últimas visitas do Santo Padre ao Norte de África foram realizadas por João Paulo II a Marrocos, em 1985, e Egipto em 2000, além do Papa Francisco ao mesmo país em 2017.

Milhares de pessoas formaram, nesta terça-feira, cadeias humanas junto a centrais eléctricas e pontes em várias cidades do Irão para protestar contra as ameaças de ataque do Presidente norte-americano, Donald Trump, noticiaram as agências iranianas.

Trump advertiu na segunda-feira que vai atacar pontes e centrais de energia no Irão se Teerão não terminar com o bloqueio ao Estreito de Ormuz, uma via fundamental de abastecimento energético dos mercados internacionais.

Em Teerão, centenas de pessoas concentraram-se diante da maior central eléctrica do País, Damavand, empunhando bandeiras do Irão e condenando as ameaças norte-americanas de atacar infraestruturas vitais, segundo imagens difundidas pela televisão estatal iraniana.

Na cidade ocidental de Kermanshah, um grupo de manifestantes reuniu-se em frente à central eléctrica de Bisotun para denunciar que atacar infraestruturas eléctricas constitui um crime de guerra, informou a agência Mehr.

Os manifestantes exibiam fotografias do ex-líder supremo, Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra, a 28 de Fevereiro, e do sucessor e filho, Mojtaba Khamenei, segundo a agência de notícias espanhola EFE.

Formaram-se também cadeias humanas junto à central termoeléctrica da cidade de Tabriz (noroeste) e a central de Shahid Rajaei, na cidade de Qazvin (norte).

As mobilizações repetiram-se noutros pontos do país.

Em Dezful (sudoeste), estudantes formaram uma cadeia humana sobre a ponte histórica da cidade, com mais de 1.700 anos, em sua defesa perante as ameaças de Trump.

Estas acções fazem parte de uma campanha do Governo, que apelou aos jovens do país para formarem cadeias humanas para “encenar um símbolo de unidade e resistência face ao inimigo”.

O vice-ministro para os Assuntos da Juventude, Alireza Rahimi, disse ontem que “os jovens do Irão, de qualquer ideologia ou preferência, unir-se-ão para dizer ao mundo que atacar infraestruturas públicas é um crime de guerra”.

Figuras da cultura iraniana, entre as quais o músico Ali Gamsari e o cantor Benyamin Bahadori, começaram a instalar-se nas imediações de centrais eléctricas e pontes na segunda-feira.

A concentração começou depois das ameaças de Trump de “desencadear o inferno” se Teerão não reabrir Ormuz antes das 20:00 de ontem em Washington (02h00 desta quarta-feira em Moçambique).

Teerão tem bloqueado o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, permitindo apenas a passagem a embarcações de países que considera aliados, o que disparou o preço do petróleo e de outros produtos.

Os Estados Unidos e o Irão receberam a estrutura de uma proposta de paz para encerrar as hostilidades no Médio Oriente, mas Teerão rejeitou de imediato a reabertura do Estreito de Ormuz como condição de um cessar-fogo temporário. 

A proposta  que apela os Estados Unidos e Irão a um cessar-fogo de 45 dias, segundo a africanews, também pede que o Irão afrouxe o seu controlo sobre a rota marítima do Estreito de Ormuz.

O mesmo foi apresentado por mediadores paquistaneses, egípcios e turcos, que esperam que o prazo de 45 dias proporcione tempo suficiente para que as discussões cheguem a uma trégua permanente.

Este plano surge depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter dado um ultimato a Teerão, ameaçando atacar a sua infraestrutura crítica caso não reabra o Estreito.

Um alto funcionário iraniano citado pela Reuters disse que o país não reabrirá o estreito como parte de uma trégua temporária e não aceitará prazos enquanto analisa a proposta. O funcionário acrescentou que Washington não demonstra disposição para um cessar-fogo permanente.

No terreno, no Irão, os EUA e Israel continuam com a sua campanha de ataques aéreos. 

Os EUA vão deportar migrantes de terceiros países da administração Trump para o Congo, assolado por conflitos ao abrigo do novo acordo,  numa altura em que esta nação africana enfrenta violência do M23.

A República Democrática do Congo vai tornar-se a mais recente nação africana a receber migrantes deportados dos EUA.

Os Estados Unidos chegaram a um acordo controverso com a República Democrática do Congo para deportar imigrantes de terceiros países para a nação africana assolada por conflitos.

Os deportados começarão a chegar ao Congo este mês, segundo o Ministério da Comunicação congolês citada pela africa News, sem ter avançado mais detalhes sobre a data ou o número de deportados esperados.

O ministério descreveu o acordo como temporário e que reflete o compromisso do Congo com a dignidade humana e a solidariedade internacional. 

Anunciado em abril de 2026, os EUA pagarão pela transferência e acomodação temporária de migrantes não americanos nem congoleses, enviando-os para um país com uma das piores crises humanitárias do mundo. Este é o mais recente de uma série de acordos semelhantes da administração Trump com nações africanas.

A República Democrática do Congo enfrenta conflitos há décadas, com violência particularmente no leste.

Pelo menos 10 pessoas morreram na estrada que liga o condado queniano de Nakuru a Nairobi, perto da cidade de Gilgil (sudoeste), na sequência da colisão entre um autocarro e um camião, anunciou este sábado a polícia local.

O acidente ocorreu na zona de Gilgil, perto da ponte Lake Oil. Segundo as autoridades locais, um mini-autocarro de passageiros embateu violentamente na traseira de um camião que estava estacionado na berma da estrada.

O impacto foi fatal para os dez dos ocupantes do veículo de passageiros, que morreram no local. Várias outras pessoas ficaram feridas com gravidade e foram socorridas para hospitais próximos. 

A polícia de Gilgil já confirmou que iniciou uma investigação para apurar as causas exactas do sinistro, mas o excesso de velocidade ou a falta de visibilidade são as hipóteses mais prováveis.

O acidente ocorreu por volta das 21h30 locais, 20h30 de Maputo.

O Quénia costuma registar um elevado número de acidentes de trânsito com vítimas mortais e, só nesta sexta-feira, morreram 20 pessoas em acidentes separados, dos quais 16 passageiros e quatro condutores.

O líder da junta militar do Burkina Faso diz que a democracia “mata” e que, neste momento, é inadequada para a realidade do seu país. Ibrahim Traoré afirma que a prioridade deve ser o restabelecimento da segurança e da soberania nacional, antes de qualquer processo eleitoral.

As declarações foram feitas recentemente, num discurso dirigido à nação, num contexto de agravamento da crise de segurança no país, marcada por ataques persistentes de grupos armados em várias regiões. Traoré sustenta que a realização de eleições, nas actuais circunstâncias, não resolveria os problemas estruturais e poderia, inclusive, agravar a instabilidade.

No mesmo posicionamento, o líder militar defendeu que o modelo democrático liberal não responde às especificidades do Burkina Faso e de outros países africanos, argumentando que, em certos contextos, a sua aplicação tem contribuído para o enfraquecimento do Estado e para o aumento da insegurança. Como exemplo, apontou situações de instabilidade vividas noutros países, associadas a processos políticos considerados frágeis.

Ibrahim Traoré chegou ao poder em Setembro de 2022, através de um golpe de Estado que derrubou o então líder da transição, num cenário já marcado por forte contestação popular e deterioração das condições de segurança. Na altura, a junta militar assumiu o compromisso de conduzir uma transição com vista ao regresso à ordem constitucional.

Entre as promessas iniciais estava a realização de eleições e a transferência do poder para um governo civil, assim que estivessem reunidas condições mínimas de estabilidade. No entanto, desenvolvimentos recentes indicam um afastamento desse calendário, com o prolongamento da transição e a adopção de medidas que reforçam o controlo do poder pela junta.

O Burkina Faso insere-se num contexto regional mais amplo, marcado por uma vaga de regimes militares no Sahel, onde a luta contra o terrorismo e a contestação à influência externa têm servido de base para redefinir modelos de governação.

A NASA divulgou as primeiras imagens da Terra captadas pela missão Artemis II, após a cápsula Orion ter realizado com sucesso uma manobra decisiva para seguir em direção à Lua.

O accionamento do motor, efectuado na quinta-feira à noite, corresponde à chamada injecção translunar, etapa que retira a nave da órbita terrestre e a coloca numa trajetória rumo ao espaço profundo. Com esta manobra, a Orion entrou na denominada trajetória de retorno livre, que permitirá contornar a Lua e regressar à Terra aproveitando a gravidade lunar.

As imagens divulgadas mostram o planeta visto do espaço pelos astronautas. Um dos registos, captado pelo comandante Reid Wiseman, evidencia duas auroras e a luz zodiacal, enquanto a Terra aparece a eclipsar o Sol. Na fotografia, é também visível o continente africano. Outra imagem apresenta o planeta através de uma das janelas da cápsula.

Segundo a NASA, esta é a primeira vez desde a missão Apollo 17, em 1972, que astronautas deixam a órbita terrestre com destino à Lua.

A missão, com duração prevista de cerca de dez dias, tem como objetivo testar sistemas essenciais da nave com tripulação a bordo, incluindo suporte de vida, comunicações e navegação fora do alcance dos satélites terrestres, antes de futuras missões de alunagem.

O Papa Leão lavou os pés a 12 padres esta quinta-feira, 2 de abril, num ritual tradicional da Quinta-Feira Santa, apelando aos católicos para que demonstrem solidariedade com os mais vulneráveis.

A cerimónia, que evoca o gesto de humildade de Jesus Cristo na véspera da sua morte, decorreu na Basílica de São João de Latrão, em Roma, e marcou o início das celebrações pascais no Vaticano.

Durante a homilia, o pontífice destacou a importância da compaixão num contexto global marcado pela violência. “Num momento em que a humanidade é colocada de joelhos por tantos atos de brutalidade, devemos também ajoelhar-nos como irmãos e irmãs ao lado dos oprimidos”, afirmou.

Leão sublinhou ainda que o exemplo de Deus não é o do poder, mas o da libertação: “Deus deu-nos um exemplo — não de como dominar, mas de como libertar”.

Após as palavras, o Papa ajoelhou-se para lavar, secar e beijar os pés dos 12 homens, repetindo o gesto simbólico de serviço e humildade.

Esta foi a primeira celebração da Quinta-Feira Santa presidida por Leão desde que assumiu o pontificado, em maio do ano passado. A escolha da Basílica de São João de Latrão representa um regresso a uma prática mais tradicional, após o seu antecessor, Francisco, ter optado por realizar este ritual em locais como prisões, lares e hospitais, numa abordagem mais próxima das periferias sociais.

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