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A antiga primeira-dama moçambicana e presidente do Conselho de Administração da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, Graça Machel, foi distinguida, esta sexta-feira, em Luanda, com o Prémio “Individualidade Lusófona 2026”, atribuído pela Forbes África Lusófona.

A distinção reconhece o contributo de Graça Machel na promoção dos direitos humanos, da educação e do desenvolvimento sustentável em África e no espaço lusófono, ao longo de várias décadas de intervenção política e social.

Durante o discurso de agradecimento, a homenageada evocou figuras históricas da luta de libertação africana, sublinhando o espírito de missão colectiva que marcou a sua geração.
“Numa altura das nossas vidas, decidimos que não nos pertencíamos a nós próprios. Dedicámo-nos à luta de libertação nacional e, neste momento, evoco muitos, em particular Agostinho Neto, Aristides Pereira e Samora Machel”, afirmou.

O prémio destaca personalidades que, para além da esfera política, têm influenciado políticas públicas e mobilizado diferentes sectores em torno de causas estruturais, como a educação, a igualdade de género e a inclusão social.

Nascida Graça Simbine, em Moçambique, construiu um percurso marcado pelo activismo desde cedo. Em 1968, integrou a Casa dos Estudantes do Império e, no contexto da luta anti-colonial, aproximou-se da FRELIMO, onde viria a desempenhar um papel activo.

Após a independência, assumiu o cargo de Ministra da Educação, liderando reformas no sistema educativo num período de reconstrução nacional. Ao longo da sua trajectória, colaborou com organismos internacionais como a UNESCO e o UNICEF, contribuindo para estudos sobre o impacto dos conflitos armados na infância e para a definição de políticas orientadas ao desenvolvimento humano.

Reconhecida como uma das vozes mais influentes na defesa dos direitos das mulheres em África, Graça Machel tem também contestado práticas tradicionais que limitam o desenvolvimento feminino, promovendo a igualdade de género no continente.

A cerimónia, realizada em Luanda, reuniu líderes empresariais, representantes institucionais e organizações da sociedade civil. Na mesma ocasião, foi igualmente distinguido o antigo Presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, pelo seu contributo para a democracia, os direitos civis e o desenvolvimento em África.

Grupos de defesa do clima alertam que o adiamento do encerramento de usinas termelétricas a carvão na África do Sul pode levar à morte de até 32 mil pessoas ​​entre 2026 e 2050. A zona industrial mais poluente do país dista a 300 quilómetros de Maputo.

Cerca de 80% da energia da África do Sul é fornecida pelas usinas termelétricas a carvão, uma das fontes energéticas que mais poluem o ambiente. Devido a esta e outras situações, a África do Sul ocupa a 11ª posição em emissões de gases de efeito estufa no mundo. 

Embora o país esteja no caminho do cumprimento do Acordo de Paris, para limitar o aquecimento global, no ano passado o governo aprovou a prorrogação do prazo de operação de 14 usinas termelétricas a carvão, duas delas até 2050, contra o prazo inicial de 2030.

Entretanto, um relatório de organizações ambientais baseadas na terra do Rand, aponta que o atraso no encerramento das usinas, baseadas em Mpumalanga província  fronteiriça com Moçambique, poderá levar a milhares de mortes e provocar 41 mil partos prematuros.

Boa parte das usinas de carvão estão no Mpumalanga, incluindo 12 centrais de energia eléctrica a carvão da estatal Eskom. A província que até 2024 concentrava cerca de 800.000 moçambicanos, tem um dos ares mais poluídos pela concentração de dióxido de nitrogénio.

A presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, prometeu uma reforma constitucional em resposta à violência pós-eleitoral do ano passado, que deixou centenas de mortos. 

A promessa da presidente da Tanzânia surgiu após o anúncio das conclusões, nesta quinta-feira, da comissão governamental criada para investigar o derramamento de sangue naquele país da África Oriental depois da violência pós-eleitoral. 

Segundo as conclusões, 518 pessoas foram mortas e pelo menos 2 mil ficaram feridas, dados que, para Hassan, vão orientar emendas constitucionais, incluindo a criação de uma comissão de reconciliação.

Além disso,  a presidente também anunciou a criação de um órgão de investigação criminal para revisar a agitação pós-eleitoral.

O presidente também anunciou a formação de um órgão de investigação criminal para analisar os distúrbios ocorridos após as eleições.

“O que aconteceu em Outubro de 2025 não interrompeu nem diminuiu os problemas que enfrentamos como país. O caos se instaurou, mas o caos e a violência não resolveram nossos problemas. Pelo contrário, agravaram-nos”, disse Hassan, citada por African News.

Ela afirmou que o órgão irá identificar aqueles que planejaram, financiaram e estiveram envolvidos em actos criminosos como saques e danos à infra-estrutura.

Hassan afirmou que a investigação também abrangerá casos de corpos desaparecidos e alegações de sequestros.

Refira-se a Tanzânia foi palco de violência pós-eleitoral em 29 de Outubro, após jovens saírem às ruas acusando o Governo de silenciar a oposição, enquanto o líder do principal partido de oposição permanecia preso por traição e o candidato presidencial do segundo maior partido de oposição estava impedido de concorrer.

A Comissão Europeia promete agir em caso de agressão a um Estado-membro, afirmou esta sexta-feira o Presidente de Chipre aos jornalistas. A medida foi tomada durante a cimeira informal de chefes de Estado e de Governo que decorre em Nicósia, Capital do Chipre.  

Em declarações esta sexta-feira aos jornalistas à chegada no segundo dia da cimeira informal de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, em Nicósia, o presidente do Chipre foi questionado sobre o que é que os líderes acordaram quanto ao artigo 42.7 dos tratados, que consagra o princípio de defesa mútua em caso de agressão a um Estado-membro, e que discutiram esta quinta-feira à noite.

“O que concordamos ontem à noite é que a Comissão vai preparar um plano sobre como responderemos caso um Estado-membro ative o artigo 42.7. Há várias questões para as quais precisamos de ter uma resposta”, afirmou.

O presidente de Chipre disse ainda  que, por exemplo, se França decidir activar o artigo 42.7, é preciso perceber qual é que vai ser o primeiro Estado-membro a responder e que meios é que poderão ser mobilizados.

O artigo 42.7, que consagra o princípio de defesa coletiva em caso de agressão a um Estado-membro, só foi ativado uma vez na história da Uniao Europeia: pela França, em 2016, após os atentados terroristas em Paris.

Uma refinaria atingida pela Ucrânia numa cidade do sul da Rússia está em chamas há quatro dias, causando uma significativa poluição do ar, chuva negra e obrigando a restrições da população, avisaram esta quinta-feira as autoridades locais.

“O incêndio na refinaria de Tuapse ainda está activo. Quatro tanques de armazenamento estão em chamas”, disse um responsável do centro de gestão de emergências da região de Krasnodar.

Devido à intensidade do incêndio, “os produtos da combustão foram libertados para a atmosfera” e “caíram com a chuva de quarta-feira, criando um depósito negro nas superfícies”, acrescentou, em declarações à agência de notícias francesa AFP.

Os residentes foram aconselhados a limitar o tempo ao ar livre, a manter as janelas fechadas, a usar óculos em vez de lentes de contacto, a não fumar e a usar máscara caso precisem de sair.

De acordo com medições oficiais, a concentração de partículas tóxicas na atmosfera, libertadas pelo incêndio, é actualmente duas a três vezes superior aos níveis permitidos.

Vídeos e fotos publicados nas redes sociais, mas cuja veracidade não foi verificada pela AFP, mostram imensas nuvens sobre a cidade e resíduos negros no mobiliário urbano e até nos pelos de gatos e cães.

Na segunda-feira, as autoridades regionais reportaram um “grande ataque de drones ucranianos” em Tuapse, que matou uma pessoa e provocou um incêndio no porto daquela cidade costeira do mar Negro.

Já há uma semana, o governador regional, Veniamin Kondratiev, tinha denunciado as mortes de uma rapariga de 14 anos e de uma outra jovem num ataque nocturno de drones ucranianos na mesma cidade.

Desde o início da sua ofensiva na Ucrânia, em Fevereiro de 2022, a Rússia tem bombardeado regularmente todo o território ucraniano, particularmente as suas infra-estruturas críticas.

Em resposta, Kiev está a atacar alvos na Rússia, indicando visar instalações militares e energéticas para reduzir a capacidade de Moscovo de financiar o seu esforço de guerra.

No início deste mês, a Rússia acusou a Ucrânia de realizar ataques com drones contra uma importante infraestrutura petrolífera em Novorossiysk, no mar Negro, e de “tentar desestabilizar” o mercado global de hidrocarbonetos.

O exército tinha anunciado na terça-feira a intercepção de outro navio sujeito a sanções e ligado ao Irão, o “M/T Tifani”, que se encontrava também no oceano Índico.

Os Estados Unidos (EUA) interceptaram um navio que transportava petróleo iraniano no oceano Índico, a segunda operação militar deste tipo realizada esta semana, anunciou esta quinta-feira o Departamento de Defesa norte-americano.

“Durante a noite, as forças norte-americanas procederam a uma intercepção marítima e a uma inspecção a bordo do navio apátrida sancionado ‘M/T Majestic X’, que transportava petróleo proveniente do Irão, no oceano Índico, na zona de responsabilidade do INDOPACOM”, o comando militar norte-americano para a zona Indo-Pacífico, afirmou o Departamento de Defesa na rede social X.

“Continuaremos a realizar operações globais de controlo marítimo com o objectivo de desmantelar as redes ilícitas e interceptar os navios que prestam apoio material ao Irão, independentemente do local onde operem”, acrescentou o Pentágono (sede do Departamento).

O exército tinha anunciado na terça-feira a intercepção de outro navio sujeito a sanções e ligado ao Irão, o “M/T Tifani”, que se encontrava também no oceano Índico.

As forças norte-americanas também apreenderam um navio porta-contentores no fim de semana.

Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana, o exército ideológico da República Islâmica, apreendeu na quarta-feira dois navios no estreito de Ormuz por “operarem sem as autorizações necessárias”.

“Dois navios infractores, o ‘MSC-FRANCESCA’ – ligado ao regime sionista [Israel] – e o ‘EPAMINODES’, que operavam sem as autorizações necessárias e tinham manipulado os seus sistemas de navegação, colocando em risco a segurança marítima, foram apreendidos pela Marinha da Guarda Revolucionária”, anunciou o corpo militar de elite iraniano em comunicado citado pela agência Tasnim.

Os navios foram depois conduzidos até à costa iraniana. No comunicado emitido pelas forças iranianas não é referida a origem dos navios nem o que aconteceu às respectivas tripulações.

Algumas agências de monitorização marítima reportaram também pelo menos três ataques a embarcações na mesma região.

Estes acontecimentos ocorrem após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter prorrogado indefinidamente o cessar-fogo com o Irão, que expirava na quarta-feira, para permitir negociações com a República Islâmica.

Trump assegurou, no entanto, que manterá o bloqueio naval imposto ao Irão, o que Teerão denunciou como uma violação da trégua, recusando por isso participar numa nova ronda de negociações.

Trump ordena destruição de barcos que lancem minas no estreito de Ormuz

O presidente norte-americano ordenou esta quinta-feira a destruição de todas as embarcações que coloquem minas nas águas do estreito de Ormuz e acrescentou que os navios de desminagem de Washington vão trabalhar “em triplicado”.

“Ordenei à Marinha dos Estados Unidos que dispare e destrua qualquer embarcação, por mais pequena que seja (…), que esteja a colocar minas nas águas do estreito de Ormuz”, escreveu Donald Trump na rede social Truth Social.

O republicano sublinhou que a Marinha não deve ter “qualquer hesitação”, acrescentando que os navios caça-minas norte-americanos “estão neste momento a limpar o estreito” e que os ordenou a continuar a sua actividade “a um nível triplicado”.

O ataque a embarcações pode significar uma nova escalada num conflito que entrou há mais de duas semanas numa fase de trégua mas de impasse ao mesmo tempo, devido à incapacidade dos beligerantes chegarem a um acordo após o fracasso de uma primeira ronda de negociações no Paquistão.

No total, os Estados Unidos impediram a passagem de pelo menos 31 navios desde o início do bloqueio naval ao Irão, de acordo com dados divulgados quarta-feira pelo Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM).

Mais de 10.000 militares norte-americanos, cerca de 17 navios de guerra e 100 aeronaves patrulham as águas próximas do Irão para garantir que nenhuma embarcação entre ou saia dos seus portos, segundo o CENTCOM.

Trump afirmou que aguarda que Teerão lhe apresente uma proposta unificada de acordo, acrescentando que existe a possibilidade de as negociações de paz serem retomadas na próxima sexta-feira no Paquistão.

No meio das tensões, o Pentágono anunciou ontem a demissão do secretário da Marinha dos Estados Unidos (principal responsável civil da Marinha norte-americana), John Phelan, após vários meses de relatos de disputas internas entre a liderança do Departamento de Defesa e altos oficiais militares. 

A Organização das Nações Unidas estimou, nesta terça-feira, que mais dois milhões de sudaneses, deslocados pela guerra civil no Sudão, regressem a casa até ao fim do ano em zonas onde o conflito abrandou, como a capital Cartum.

“Muitos regressam porque acreditam que a segurança melhorou, mas outros o fazem porque a vida como deslocados se tornou insuportável devido a pressões económicas”, indicou em conferência de imprensa a subdirectora-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM) para Gestão e Reforma, SungAh Lee.

Lee, que falou por videoconferência desde o Sudão, recordou que nove milhões de sudaneses continuam deslocados internamente após três anos de guerra civil, que também provocou a fuga de cerca de quatro milhões de pessoas para países vizinhos.

Em Cartum, assinalou a subdirectora-geral, muitos regressam a zonas onde as habitações e infra-estruturas críticas como o abastecimento de água, saúde ou electricidade ficaram destruídas ou sofreram graves danos.

Outros regressaram ao estado de Al-Jazira, a sul da capital sudanesa e uma das principais regiões agrícolas do país, onde os sistemas de rega também sofreram graves danos, o que ameaça os seus empregos e a produção de alimentos para todo o país num momento crítico.

“Sem investimento urgente para restabelecer os serviços essenciais, reconstruir infra-estruturas e retomar as actividades, os retornos de deslocados estão em risco”, assegurou Lee.

“As pessoas querem voltar à sua terra, reconstruir a sua vida e os seus lares”, afirmou a ‘número dois’ da OIM, agência da ONU, que solicitou 170 milhões de dólares para atender às necessidades humanitárias no Sudão, mas até agora recebeu apenas 70 milhões de dólares.

A guerra entre o exército do Sudão e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), iniciada a 15 de Abril de 2023, mergulhou o país na pior catástrofe humanitária do planeta, segundo a ONU, e, de acordo com estimativas dos Estados Unidos, cerca de 400 mil pessoas podem ter perdido a vida durante o conflito.

O conflito no Sudão interrompeu a transição que havia começado após a queda do regime de Omar al-Bashir, em 2019, que já estava enfraquecido após o golpe que depôs o então primeiro-ministro, Abdalla Hamdok.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais de 4300 crianças foram mortas ou mutiladas na guerra e pelo menos oito milhões ainda não frequentam a escola.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, condecorou, nesta terça-feira, 61 pessoas com a Legião de Honra, a mais alta distinção de França, por terem enfrentado os terroristas islâmicos que atacaram a sala de espectáculos Bataclan de Paris em 2015.

A maior parte das pessoas condecoradas são ou foram membros do corpo de polícia que fizeram frente ao grupo extremista que atacou a sala de espectáculos na noite de 13 de Novembro de 2015.

O ataque provocou a morte a 90 pessoas na mesma noite em que outros membros do mesmo grupo realizaram vários ataques nas esplanadas de bares e restaurantes e nos arredores do Estádio de França, Paris, elevando o número total de mortos para 130, além de centenas de feridos.

A cerimónia de condecoração decorreu nesta terça-feira, no Palácio do Eliseu, com muitos dos polícias homenageados usando máscaras para não serem reconhecidos.

O Presidente francês Emmanuel Macron disse durante o discurso que as condecorações constituíam “o reconhecimento de uma nação leal”.

Macron acrescentou que “no Bataclan”, a resposta policial foi uma operação singular, uma intervenção “pela sobrevivência” realizada sob fogo dos terroristas, que exigiu coragem.

O chefe de Estado referiu-se, em particular, aos primeiros dois polícias que entraram na sala e neutralizaram um dos atacantes, o que levou os outros membros do comando radical islâmico a recuar, pondo fim ao massacre.

“Obrigado a todos”, disse Macron aos homenageados.

Macron prestou ainda homenagem ao chefe de Estado francês na altura do atentado, François Hollande, bem como ao então primeiro-ministro, Manuel Valls, e ao ex-ministro do Interior, Bernard Cazeneuve.

“A República manteve-se firme graças às decisões tomadas”, considerou. 

Os três antigos governantes estiveram presentes na cerimónia de ontem no Palácio do Eliseu.

A Liga Árabe exigiu, nesta terça-feira, que o Irão assuma o custo da reconstrução dos danos causados pelos “ataques ilegais” contra vários países e pague as indemnizações e reparações correspondentes, de acordo com o direito internacional.

O secretário-geral da organização, Ahmed Abulgueit, reclamou a Teerão o cumprimento imediato da Resolução 2817 da ONU de 11 de Março e que reconheça a responsabilidade pelos ataques contra os países do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico, a Jordânia e o Iraque.

“Exigimos que o Irão cumpra de imediato a resolução do Conselho de Segurança e assuma a plena responsabilidade pelos danos e perdas causados por estes ataques ilegais”, afirmou Abulgueit, ao intervir numa sessão extraordinária do Conselho da Liga a nível ministerial.

As responsabilidades do Irão devem incluir “a compensação e as reparações estipuladas pelo direito internacional” em casos semelhantes, disse o diplomata egípcio, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

O Irão atacou vários países vizinhos que acolhem interesses norte-americanos, na sequência da ofensiva que os Estados Unidos e Israel lançaram contra Teerão a 28 de Fevereiro, que desencadeou a guerra em curso no Médio Oriente.

Além de mais de quatro mil mortos em vários países, maioritariamente no Irão e no Líbano, a guerra causou o bloqueio dos transportes marítimos no estreito de Ormuz, prejudicando as economias regionais e a nível internacional.

Teerão e Washington concordaram com uma trégua de duas semanas, que termina hoje, quarta-feira, mas desconhece-se ainda se as duas partes voltam a reunir-se em Islamabad para tentar negociar um acordo de paz, após uma primeira ronda sem resultados.

No comunicado final da reunião da Liga Árabe, os ministros afirmaram que o Irão “tem plena responsabilidade internacional pelos seus ataques ilícitos contra os Estados árabes”.

A República Islâmica “está obrigada, conforme o direito internacional, a reparar integralmente todos os danos e prejuízos derivados destes ataques”, disseram.

A Liga Árabe condenou novamente os “atrozes ataques iranianos”, que qualificou de “ilegais, injustificados e inaceitáveis”.

Denunciou que os ataques de Teerão constituem uma “grave violação do direito internacional”, uma ingerência na soberania dos estados e um “flagrante desprezo” pelos princípios de boa vizinhança.

Rejeitou também as pretensões do Irão de controlar o golfo Pérsico e o estreito de Ormuz, recordando que a liberdade de navegação nessas vias marítimas internacionais está garantida pelo Direito do Mar.

“Os Estados árabes não foram, nem serão, reféns do Irão para ajuste de contas”, afirmou Abulgueit, que acrescentou que qualquer ataque contra um país da liga é considerado um ataque contra todos.

A organização, com 22 membros, solidarizou-se com os países afectados e elogiou a “resiliência e coragem” dos respectivos líderes e povos face a uma agressão que, segundo denunciou, dirigiu fogo indiscriminadamente contra civis e infra-estruturas civis.

Entre outras medidas, a Liga exortou o Conselho de Segurança da ONU a garantir a plena aplicação da Resolução 2817, que exige ao Irão a cessação imediata dos ataques.

Reafirmou igualmente o direito dos Estados árabes afectados à legítima defesa, individual ou colectiva, conforme a Carta das Nações Unidas.

Com sede no Cairo, a Liga Árabe integra Arábia Saudita, Argélia, Bahrein, Comoros, Djibuti, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iémen, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Mauritânia, Marrocos, Omã, Palestina, Qatar, Síria, Somália, Sudão e Tunísia.

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