O País – A verdade como notícia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, conversaram ao telefone ontem sobre a situação política internacional. Um dos focos da conversa bilateral foi a guerra no Irão.

Num contexto em que o mundo procura encontrar saídas paras as guerras que envolvem vários países, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos pediu para ter uma conversa com seu homólogo da Rússia, Vladimir Putin.

O pedido foi aceite e a conversa foi por via telefónica, na noite desta segunda-feira. Durante cerca de uma hora, os presidentes falaram sobre a situação sócio-política internacional, com destaque para a guerra no Irão. 

Coube ao assessor presidencial russo, Yuri Ushakov, confirmar a conversa tida como produtiva entre as partes, que também abordou as negociações para o fim da guerra que tem lugar na Ucrânia. 

Putin sugeriu uma solução política e diplomática rápida para o conflito no Irã, que inclui a avaliação dos contactos já mantidos entre os líderes dos países do Golfo Pérsico, o presidente do Irã e líderes de outros países.

Por sua vez, o presidente dos EUA apresentou a Putin sua avaliação da evolução da operação militar conjunta em curso dos EUA e Israel.

O assessor de Putin referiu ainda que Trump reiterou seu interesse em ver  um cessar-fogo em breve na Ucrânia, que tenha uma duração de longo prazo.

O papa Leão XIV pediu que “cessem o quanto antes” as hostilidades no Médio Oriente e transmitiu “profunda dor” pelas vítimas dos bombardeamentos, entre elas “muitas crianças” e um sacerdote assassinado no Líbano, quando realizava trabalhos humanitários.

O papa Leão XIV expressa a sua profunda dor por todas as vítimas dos bombardeamentos destes dias no Médio Oriente, pelos numerosos inocentes, entre eles muitas crianças, e por aqueles que lhes prestavam ajuda, como o padre Pierre El-Rahi, sacerdote maronita, assassinado em Qlayaa [Líbano]”, informou o Gabinete de Imprensa da Santa Sé.

 A partir do Vaticano, o gabinete acrescentou que o pontífice “acompanha com preocupação o que está a acontecer e reza para que cessem o quanto antes todas as hostilidades”.

El-Rahi, pároco de Qlayaa, no sul do Líbano, e capelão regional da Cáritas, morreu ontem quando tentava socorrer os afectados por um bombardeamento que ocorreu perto da sua paróquia, segundo informaram meios do Vaticano.

O sacerdote tinha-se deslocado ao local dos acontecimentos após uma primeira explosão, momento em que ocorreu um segundo ataque sobre o mesmo ponto que atingiu o religioso.

Embora tenha sido trasladado de urgência para um hospital local, faleceu pouco depois devido à gravidade dos ferimentos.

Estiveram presentes na cerimónia de investidura de António José Seguro, para além do Presidente moçambicano Daniel Chapo, altas individualidades estrangeiras, nomeadamente o Rei Filipe VI, da Espanha, os Presidentes de Angola, João Lourenço; de São Tomé e Príncipe, Carlos Manuel Vila Nova; de Cabo Verde, José Maria das Neves; e de Timor-Leste, na sua dupla qualidade de presidente da CPLP, José Ramos-Horta.

Em cerimónia realizada na Assembleia da República Portuguesa, António José Seguro tomou posse como XXI Presidente da República, tendo prestado juramento com a mão direita sobre a Constituição da República Portuguesa, a que se seguiu a execução do Hino Nacional com salva de 21 tiros de artilharia.

A passagem de testemunho formal aconteceu na manhã desta segunda-feira, na Assembleia da República, mas o programa cerimonial da tomada de posse decorrerá ao longo de dois dias.

António José Seguro tomou formalmente posse como Presidente da República na manhã desta segunda-feira, sucedendo a Marcelo Rebelo de Sousa no desempenho do mais alto cargo da Nação, função que este cumpriu durante dez anos, correspondentes a dois mandatos.

O programa das comemorações associadas à tomada de posse teve início nesta segunda-feira, em Lisboa, mas irá continuar na terça-feira, com deslocações do novo Chefe de Estado a Arganil, Guimarães e Porto.

A sessão solene teve oficialmente lugar em sede de plenário, tendo prestado, nesse momento, juramento sobre a Constituição da República Portuguesa.

“Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa”, afirmou António José Seguro, tal como previsto na Constituição, perante o Parlamento, onde se escutou imediatamente o Hino Nacional, numa cerimónia presidida por José Pedro Aguiar-Branco.

Na sequência de um abraço entre o Chefe de Estado cessante e aquele que inicia agora funções, o presidente da Assembleia da República dedicou algumas palavras a Marcelo Rebelo de Sousa, destacando que “poucos dedicaram tanto da sua vida à causa pública” como ele fez.

Sobre Marcelo Rebelo de Sousa, referiu ainda que este “foi mais amado pelo país real do que, muitas vezes, pelo país político”. Tendo considerado também que este “foi sempre igual a si próprio”, isto é, “de uma previsível imprevisibilidade, de uma proximidade irrepetível” e “de um afecto muito mais genuíno do que estamos, tantas vezes, dispostos a conceder”.

Já na mensagem endereçada a António José Seguro, José Pedro Aguiar-Branco começou por mencionar: “Ouvimos dizer que a democracia está em crise e, no entanto, 5.519.808 cidadãos saíram de casa para votar. Uma das maiores participações de sempre.” Algo que, na ótica do Presidente da Assembleia, significa que “os portugueses acreditam no nosso regime democrático, construído ao longo de 50 anos”.

“Ouvimos dizer que o debate político está polarizado e, no entanto, 3.505.846 pessoas, a maior votação de sempre, foi num candidato que defendeu, abertamente, a necessidade de consensos e de acordos”, disse ainda Aguiar-Branco, em palavras referentes ao ex-dirigente socialista.

António José Seguro, por sua vez, no seu primeiro discurso enquanto chefe de Estado, deixou uma “palavra de gratidão, pela sua dedicação a Portugal e à defesa do interesse nacional”, ao seu antecessor.

“Qualquer que seja o balanço que cada um faz dos seus mandatos, ninguém pode negar-lhe o amor a Portugal.” Anunciou, de seguida, que tomou a decisão de condecorar Marcelo Rebelo de Sousa com “o grau mais alto da Ordem da Liberdade”, o Grande-Colar, em cerimónia que aconteceu ainda esta segunda-feira.

O sexto Presidente da República eleito em tempos de democracia reiterou igualmente o seu compromisso com o país perante o povo português. “Afianço a minha cooperação institucional no respeito pela Constituição da República […]. Assumo hoje perante vós e perante o povo português a honra e a responsabilidade de servir Portugal como Presidente da República […]. Fico eternamente agradecido pela confiança”, afirmou.

Reafirmou a sua vontade de ser “Presidente de Portugal inteiro e Presidente de todos os portugueses que vivam em Portugal ou no estrangeiro”.

O Exército israelita exigiu, no sábado, a retirada imediata dos moradores que ainda se mantêm nos arredores do Sul de Beirute, numa antecipação de novos ataques de Telavive na capital do Líbano.

“Alerta urgente aos moradores dos subúrbios do Sul de Beirute, especialmente àqueles que ainda não se retiraram da área. Repetimos: salvem as vossas vidas e retirem-se das vossas casas imediatamente”, disse o coronel Avichay Adraee, porta-voz do Exército de Israel, num comunicado citado pela Lusa.

O comunicado antecipa novos ataques israelitas nos subúrbios da capital libanesa, justificando a agressão ao país vizinho com actividades do grupo xiita pró-iraniano Hezbollah.

Segundo a declaração publicada no Telegram e ilustrada com um mapa da área em questão, o Exército diz que irá “agir com força” nos subúrbios do Sul de Beirute, tido como bastião do movimento Hezbollah.

O aviso surge dois dias depois de o ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich, ter ameaçado os habitantes do Sul de Beirute de sofrerem a mesma devastação que Israel infligiu a Gaza, onde o país foi acusado de genocídio. “Muito em breve, Dahiyeh (bairro a Sul de Beirute) será parecida a Khan Yunis”, declarou o membro do Governo, associado à extrema-direita israelita.

Na quinta-feira, avisos de retirada naquela zona de Beirute levaram milhares de habitantes a fugir da área, juntando-se também àqueles que fugiam do Sul do Líbano, alvo de vários ataques e incursões israelitas.

 

Já foram mortas 300 pessoas

Os ataques israelitas já mataram quase 300 pessoas no Líbano, país que foi arrastado para a guerra em curso no Médio Oriente, provocada por um ataque conjunto de Israel e Estados Unidos contra o Irão.

Segundo o Exército israelita, o Hezbollah disparou 70 foguetes e drones contra o território desde o recomeço das hostilidades, e, no sentido contrário, 26 vagas de ataques aéreos foram lançadas por Israel no Líbano.

Na sexta-feira, o Primeiro-Ministro libanês, Nawaf Salam, alertou que se aproxima um “desastre humanitário” com a deslocação em massa da população libanesa, devido aos ataques das forças israelitas no país.

Apesar de esta ofensiva ser lançada no contexto da guerra contra o Irão, Telavive realizou nos últimos meses dezenas de bombardeamentos contra o Líbano, violando o cessar-fogo alcançado em Novembro de 2024.

Nesses ataques anteriores, Israel, que mantém cinco postos no território do país vizinho, alegou que actuava contra actividades do Hezbollah, em acções que foram condenadas pelas autoridades libanesas e pelas Nações Unidas.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de Fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989. O Conselho de Liderança Iraniano assume actualmente a direcção do país.

O Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infra-estruturas em países da região, como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projécteis iranianos também foram registados no Chipre e na Turquia.

 

Cidade histórica do Líbano alvo de bombardeamentos

As Forças Armadas israelitas bombardearam ontem a periferia da cidade histórica de Tiro, no Sul do Líbano, de acordo com a imprensa estatal libanesa e um fotógrafo da agência francesa citados pela Lusa.

A agência de notícias libanesa NNA afirmou que aviões de guerra israelitas atacaram três prédios nos arredores de Tiro que tinham sido identificados como alvos e imagens da AFP mostravam densas colunas de fumo preto a subir de prédios que Israel alega serem usados pelo grupo xiita libanês Hezbollah. 

Horas antes, Telavive instou os moradores daquele bairro a retirarem-se, ao mesmo tempo que dava ordem a todos os cidadãos para abandonar o território libanês situado a Sul do rio Litani, onde estão cidades como Tiro, Sidon, Nabatiye e Yezin.

Numa ofensiva militar contra o Hezbollah, grupo pró-iraniano, a força aérea israelita já tinha atacado na sexta-feira Tiro, considerada uma das mais antigas cidades do mundo continuamente habitadas, com sítios arqueológicos classificados como Património Mundial.

Ontem, o ministro da Cultura libanês, Ghassan Salameh, denunciou que os bombardeamentos israelitas provocaram danos materiais no perímetro de um complexo de ruínas romanas de Tiro, inscritas no património classificado.

Apesar desta ofensiva ser lançada no contexto da guerra conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irão, Telavive realizou, nos últimos meses, dezenas de bombardeamentos contra o Líbano, violando o cessar-fogo de Novembro de 2024.

 

Estados Unidos começam a usar as bases britânicas

As Forças Armadas Americanas começaram a usar bases militares britânicas para conduzir “operações defensivas” contra o Irão, afirmou, ontem, o Ministério da Defesa britânico.

“Os Estados Unidos começaram a usar bases britânicas para operações defensivas específicas, a fim de impedir que o Irão lance mísseis na região, o que coloca em risco vidas britânicas”, afirmou o Ministério da Defesa, na rede social X (ex-Twitter).

Bombardeiros B-1 da Força Aérea americana pousaram na base aérea da RAF (Força Aérea Britânica) em Fairford, no Sudoeste da Inglaterra, observou a agência francesa France Presse.

O aval de Londres para que os Estados Unidos utilizem algumas das suas bases militares, incluindo Fairford e Diego Garcia (no Oceano Índico) para realizar ataques contra o Irão, surge depois de o Governo britânico ter sido criticado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por se recusar a permitir o uso dessas bases para os ataques iniciais conjuntos de Washington e Telavive contra o Irão.

“O que eu não estava preparado para fazer era levar o Reino Unido à guerra sem uma base legal e sem um plano viável e bem-elaborado”, defendeu-se o Primeiro-Ministro britânico, Keir Starmer, na quarta-feira.

Segundo uma sondagem publicada na sexta-feira, 56 por cento dos britânicos apoiam a decisão inicial do primeiro-ministro e 49 por cento consideram que o Reino Unido deve permanecer neutro neste conflito. 

Ontem, em Fairford, manifestantes concentraram-se à frente da base militar contra o conflito no Médio Oriente, enquanto as agências internacionais de notícias davam conta de milhares de pessoas a protestarem em Londres contra a guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

O presidente do Irão garantiu que os países vizinhos do Golfo deixarão de ser atacados. Já Trump ameaça expandir ataques a áreas e grupos de pessoas que nunca foram alvo.

O Presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, garantiu que os países vizinhos do Golfo deixarão de ser atacados pelo Irão, excepto se forem lançados ataques contra território iraniano a partir desses Estados.

“O Conselho de Direção Transitório decidiu [na sexta-feira] que deixará de haver ataques contra os países vizinhos, nem lançamento de mísseis, salvo se um ataque contra o Irão partir desses países”, declarou, num discurso citado pela DW.

Vários países do Golfo acolhem bases militares norte-americanas. Os vizinhos do Irão têm sido alvo de drones e mísseis desde o início do conflito, a 28 de fevereiro.

Teerão afirmou que tem visado apenas interesses ou bases norte-americanas, o que foi contestado pelos países atingidos. “Peço desculpa […] aos países vizinhos que foram atacados pelo Irão”, declarou o Presidente iraniano, citado pela DW.

Peshkian reiterou o que fora dito sexta-feira pelas autoridades religiosas iranianas, garantindo que o Irão não se renderá aos Estados Unidos e a Israel, numa resposta à exigência de Trump de uma “rendição incondicional” para pôr fim à guerra.

“Os inimigos [Israel e os Estados Unidos] podem levar para o túmulo o desejo de ver o povo iraniano render-se”, frisou Pezeshkian.

A candidatura do ex-presidente do Senegal, Macky Sall, ao cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) está a gerar contestação no seu país, com opositores e associações de vítimas a acusarem o antigo chefe de Estado de repressão política e irregularidades económicas durante o período em que governou.

Em conferência de imprensa realizada na sexta-feira, representantes de colectivos ligados a vítimas de violência política criticaram a eventual nomeação de Sall para o cargo máximo da ONU. Pape Abdoulaye Toure, membro do coletivo Famílias dos Mártires, afirmou que o antigo presidente procura “refúgio na ONU” para escapar a possíveis processos judiciais, defendendo que “não merece ser secretário-geral”.

Também o deputado Guy Marius Sagna, do atual partido governante, declarou que a ONU “não pode tornar-se um espaço de ‘lavagem’ para crimes hediondos e crimes económicos”.

Macky Sall liderou o Senegal entre 2012 e 2024 e é acusado por críticos de ter ordenado repressões contra manifestações da oposição nos últimos anos do seu mandato. Segundo um relatório divulgado em 2024 por um consórcio de jornalistas e investigadores, pelo menos 65 pessoas — na maioria jovens — morreram entre março de 2021 e fevereiro de 2024 durante protestos políticos.

As autoridades atuais estimam um número ainda mais elevado. O governo liderado pelo presidente Bassirou Diomaye Faye e pelo primeiro-ministro Ousmane Sonko aponta para mais de 80 mortos em confrontos relacionados com protestos da então oposição.

O actual executivo anunciou em Agosto a abertura de investigações à violência ocorrida durante o mandato de Sall. Ainda assim, em março de 2024, nas últimas semanas da sua presidência, foi aprovada uma lei de amnistia que abrange atos de violência política registados entre 2021 e 2024.

Paralelamente às acusações de repressão, o antigo chefe de Estado enfrenta críticas relacionadas com a gestão financeira do país. Uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu que autoridades senegalesas terão apresentado declarações incorretas sobre os défices orçamentais e a dívida pública entre 2019 e 2023, ocultando a dimensão real do endividamento.

Apesar das críticas, a candidatura de Sall recebeu apoio de alguns círculos políticos e diplomáticos que consideram que a sua eventual eleição poderia reforçar o peso internacional do Senegal.

Na segunda-feira, o Burundi, que actualmente preside à União Africana, indicou oficialmente o antigo presidente senegalês como candidato ao cargo de secretário-geral da ONU.=

Contudo, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Senegal, Cheikh Niang, afirmou na imprensa local que a candidatura não foi apresentada pelo Governo de Dakar, sublinhando que o atual executivo “não esteve envolvido nesse processo”.

A economia da Venezuela registou inflação anual de 475% em 2025, segundo dados recentemente divulgados pelo Banco Central da Venezuela (BCV), a primeira publicação oficial do índice em mais de um ano. O aumento dos preços acontece num contexto em que sanções económicas dos Estados Unidos e uma operação militar que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro alteraram os parâmetros económicos do país.

Segundo o Banco Central da Venezuela, a inflação anual passou de 48% em 2024 para 475% em 2025, impulsionada principalmente pelas restrições ao fluxo de divisas estrangeiras e pela desvalorização do bolívar face ao dólar, que reduz a capacidade de estabilização do mercado.

Sectores como de alimentos e bebidas registaram aumentos acima da média geral, enquanto a educação, saúde e habitação também tiveram variações elevadas. A inflação acumulada nos primeiros meses de 2026 já se aproxima de 52%

As sanções económicas dos EUA,  incluindo restrições às exportações de petróleo, foram identificadas como um fator relevante no endurecimento do ambiente inflacionário no último ano. A mudança de administração em Caracas e o anúncio de reabertura gradual de relações diplomáticas com Washington trouxeram alterações nas políticas económicas, mas não foram suficientes para conter a pressão sobre os preços.

A inflação de 475% em 2025 reflete não apenas desequilíbrios internos na economia venezuelana, mas também os efeitos de um cenário externo marcado por sanções e intervenções militares. A evolução dos preços em 2026 dependerá da capacidade do novo governo interino, apoiado por alterações nas políticas de comércio e divisas, em estabilizar o mercado e restaurar confiança nas instituições económicas.

Nos Estados Unidos da América, figuras de topo do Partido Democrata condenam actuação do presidente Donald Trump na escalada militar contra o Irão. Entre as vozes críticas estão o ex-presidente Barack Obama e a antiga vice-presidente Kamala Harris, que alertam para os riscos de uma guerra prolongada no Médio Oriente.

Enquanto isso, Trump declarou, neste sábado, que não haverá qualquer trégua com o Irão sem rendição total, endurecendo ainda mais o tom do conflito.

O ex-presidente norte-americano Barack Obama foi uma das primeiras figuras a manifestar preocupação com a escalada do conflito. Num discurso público recente, Obama advertiu que decisões precipitadas podem aprofundar tensões internacionais e comprometer a estabilidade global.

Outra voz crítica é a da antiga vice-presidente Kamala Harris, adversária directa de Trump nas últimas eleições presidenciais. Harris considera que a actual estratégia militar pode empurrar os Estados Unidos para um conflito mais amplo e defende maior prudência na condução da política externa.

Entretanto, o presidente Donald Trump respondeu às críticas com uma posição ainda mais dura.

Numa publicação feita este sábado na rede social Truth Social, Trump afirmou que não haverá acordo ou cessar-fogo com o Irão sem rendição total do regime iraniano.

A declaração surge num momento em que continuam ataques e contra-ataques entre forças aliadas aos Estados Unidos e posições ligadas ao Irão, aumentando receios de uma escalada regional.

 

Os Estados Unidos, a União Europeia e outros países apelaram, esta sexta-feira, ao respeito pelo cessar-fogo no leste da República Democrática do Congo (RDC), condenando as recentes violações do acordo envolvendo o grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23), alegadamente apoiado pelo Ruanda.

Num comunicado conjunto, o Grupo de Contacto Internacional para os Grandes Lagos (ICG) afirmou que todas as partes devem reafirmar, de forma urgente e clara, o compromisso de pôr fim às hostilidades e retomar o diálogo. A declaração foi divulgada pelo Departamento de Estado dos EUA, através do seu Gabinete de Assuntos Africanos, em Joanesburgo, na África do Sul.

Os signatários sublinharam que o conflito não poderá ser resolvido por meios militares. Além dos EUA e da UE, a posição foi também apoiada pelos governos da Suíça e do Reino Unido.

O ICG manifestou ainda “profunda preocupação” com as violações recentes e recorrentes do cessar-fogo acordado em dezembro entre Ruanda e a República Democrática do Congo. O entendimento foi assinado em Washington, D.C. com mediação do presidente dos EUA, Donald Trump.

Segundo o comunicado, entre as infrações registadas está o uso de drones em operações militares, situação considerada especialmente preocupante por representar um risco elevado para a população civil.

Os países envolvidos apelaram ainda ao cumprimento integral dos compromissos assumidos nos acordos e nas resoluções do Conselho de Segurança da ONU, bem como ao respeito absoluto pela integridade territorial. Também foi reforçada a necessidade de garantir acesso humanitário total, seguro e sem obstáculos para apoiar as populações afetadas pelo conflito.

Desde a assinatura do acordo de paz, em 4 de dezembro, pelo presidente congolês Félix Tshisekedi e pelo presidente ruandês Paul Kagame, ambos os países têm trocado acusações sobre alegadas violações do pacto.

A região leste da República Democrática do Congo vive em situação de instabilidade desde 1998, marcada por confrontos entre forças governamentais e diversos grupos armados, apesar da presença de uma missão de paz das Nações Unidas no país.

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