O País – A verdade como notícia

A Liga Árabe exigiu, nesta terça-feira, que o Irão assuma o custo da reconstrução dos danos causados pelos “ataques ilegais” contra vários países e pague as indemnizações e reparações correspondentes, de acordo com o direito internacional.

O secretário-geral da organização, Ahmed Abulgueit, reclamou a Teerão o cumprimento imediato da Resolução 2817 da ONU de 11 de Março e que reconheça a responsabilidade pelos ataques contra os países do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico, a Jordânia e o Iraque.

“Exigimos que o Irão cumpra de imediato a resolução do Conselho de Segurança e assuma a plena responsabilidade pelos danos e perdas causados por estes ataques ilegais”, afirmou Abulgueit, ao intervir numa sessão extraordinária do Conselho da Liga a nível ministerial.

As responsabilidades do Irão devem incluir “a compensação e as reparações estipuladas pelo direito internacional” em casos semelhantes, disse o diplomata egípcio, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

O Irão atacou vários países vizinhos que acolhem interesses norte-americanos, na sequência da ofensiva que os Estados Unidos e Israel lançaram contra Teerão a 28 de Fevereiro, que desencadeou a guerra em curso no Médio Oriente.

Além de mais de quatro mil mortos em vários países, maioritariamente no Irão e no Líbano, a guerra causou o bloqueio dos transportes marítimos no estreito de Ormuz, prejudicando as economias regionais e a nível internacional.

Teerão e Washington concordaram com uma trégua de duas semanas, que termina hoje, quarta-feira, mas desconhece-se ainda se as duas partes voltam a reunir-se em Islamabad para tentar negociar um acordo de paz, após uma primeira ronda sem resultados.

No comunicado final da reunião da Liga Árabe, os ministros afirmaram que o Irão “tem plena responsabilidade internacional pelos seus ataques ilícitos contra os Estados árabes”.

A República Islâmica “está obrigada, conforme o direito internacional, a reparar integralmente todos os danos e prejuízos derivados destes ataques”, disseram.

A Liga Árabe condenou novamente os “atrozes ataques iranianos”, que qualificou de “ilegais, injustificados e inaceitáveis”.

Denunciou que os ataques de Teerão constituem uma “grave violação do direito internacional”, uma ingerência na soberania dos estados e um “flagrante desprezo” pelos princípios de boa vizinhança.

Rejeitou também as pretensões do Irão de controlar o golfo Pérsico e o estreito de Ormuz, recordando que a liberdade de navegação nessas vias marítimas internacionais está garantida pelo Direito do Mar.

“Os Estados árabes não foram, nem serão, reféns do Irão para ajuste de contas”, afirmou Abulgueit, que acrescentou que qualquer ataque contra um país da liga é considerado um ataque contra todos.

A organização, com 22 membros, solidarizou-se com os países afectados e elogiou a “resiliência e coragem” dos respectivos líderes e povos face a uma agressão que, segundo denunciou, dirigiu fogo indiscriminadamente contra civis e infra-estruturas civis.

Entre outras medidas, a Liga exortou o Conselho de Segurança da ONU a garantir a plena aplicação da Resolução 2817, que exige ao Irão a cessação imediata dos ataques.

Reafirmou igualmente o direito dos Estados árabes afectados à legítima defesa, individual ou colectiva, conforme a Carta das Nações Unidas.

Com sede no Cairo, a Liga Árabe integra Arábia Saudita, Argélia, Bahrein, Comoros, Djibuti, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iémen, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Mauritânia, Marrocos, Omã, Palestina, Qatar, Síria, Somália, Sudão e Tunísia.

Lula da Silva afirma que o Presidente dos EUA, Donald Trump, não tem o direito de proibir o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, de assistir à cimeira do G20. O Presidente brasileiro apela à união entre os membros para viabilizar a participação da África do Sul..

Os pronunciamentos foram feitos após as declarações prestadas pelo presidente norte americano, Donald Trump, no mês de Novembro último, segundo as quais a África do Sul não será convidada a participar na cimeira do G20, que se realizará este ano na cidade de Miami, na Florida. 

Na ocasião, Trump afirmou que a África do Sul mostrou ao mundo que não é um país digno de participar em nada. 

Em reacção, na noite desta segunda-feira, o presidente brasileiro, Lula da Silva afirmou que os EUA não têm o direito de proibir um membro fundador de participar do G20

O líder brasileiro disse ter aconselhado o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, a viajar para a cúpula mesmo sem o aval dos EUA. 

No ano passado, Donald Trump cortou assistência financeira a África do Sul depois de acusar o governo de genocídio contra pessoas brancas, alegando que estavam a ser alvos de perseguição racial e de assassinatos.  

Nos seus pronunciamentos, Lula da Silva acrescentou que impedir que o país africano participe da reunião, é abrir espaço para  que mais países sejam afastados. 

As declarações do presidente brasileiro foram feitas em uma entrevista na Alemanha, após se reunir com o chanceler Friedrich Merz.

O ministro da Defesa nigeriano, Christopher Musa, defendeu o ataque aéreo militar ao mercado de Jilli, no estado de Borno, insistindo que não se tratou de um erro, como alguns críticos alegaram.

O ministro afirmou que os alvos eram “todos terroristas ou indivíduos que colaboram com eles”, sublinhando que a operação foi baseada em informações fidedignas. “O incidente em Jilli não foi um erro. Qualquer pessoa encontrada com eles é um deles”, disse, alertando os civis contra o fornecimento de qualquer tipo de apoio a grupos terroristas, incluindo alimentos ou assistência médica. 

Acrescentou que esta assistência permite aos terroristas sustentar as suas operações, referindo: “Se as pessoas pararem de os abastecer, este problema acabará completamente”. 

Abordando as preocupações sobre os repetidos ataques aéreos acidentais que afectam civis, negou que tais incidentes estejam a ocorrer, dizendo que nenhum erro semelhante ocorreu desde o episódio de Tudun Biri. 

Entretanto, homens armados atacaram um autocarro de passageiros no estado de Benue, no Centro-Norte da Nigéria, raptando alguns estudantes que estavam a caminho de fazer o exame de admissão, disseram as autoridades. Os estudantes e outros passageiros foram sequestrados na auto-estrada Otukpo-Makurdi, disse Hyacinth Alia, governador de Benue, em comunicado.

O governador não especificou quantas pessoas foram levadas, mas os meios de comunicação locais informaram que havia um total de 14 passageiros a bordo. “O ataque a cidadãos inocentes, particularmente estudantes a caminho de fazer provas, é inaceitável e vai contra todas as normas de humanidade e ordem civil”, disse Alia.

O filho mais novo do falecido ex-líder do Zimbabwe, Robert Mugabe, declarou-se culpado por apontar uma arma de fogo e estar ilegalmente na África do Sul. Bellarmine Mugabe fê-lo depois de ter sido detido em Fevereiro, na sequência do tiroteio que deixou ferido um homem de 23 anos na sua casa, em Joanesburgo.

O jovem de 28 anos está detido juntamente com o co-arguido Tobias Matonhodze e compareceu na sexta-feira em tribunal, em Alexandria. Os advogados dos homens disseram ao tribunal que estes estavam preparados para regressar ao Zimbabwe, o seu país natal, por conta própria, caso não recebessem uma pena de prisão.

Mugabe, que também já tinha sido acusado de tentativa de homicídio, falou apenas para confirmar que compreendia as acusações e para apresentar a sua declaração de culpa.

A acusação de apontar uma arma refere-se a um incidente separado e sem relação com o primeiro, mas Mugabe aceitou que os dois casos fossem julgados em conjunto, disse à BBC o porta-voz da Autoridade Nacional de Acusação (NPA), Magaboke Mohlatlole.

Bellarmine afirmou que inicialmente não estava claro quem tinha disparado sobre o homem de 23 anos, mas depois de Matonhodze ter admitido ter sido ele, as acusações de tentativa de homicídio contra Mugabe foram retiradas.

Ambos os homens foram detidos a 19 de Fevereiro, depois de a polícia ter sido chamada à casa de Mugabe, no bairro nobre de Hyde Park, em Joanesburgo.

Um homem, que se acredita ser um segurança, foi levado para o hospital em estado crítico depois de ter sido baleado. Os procuradores disseram anteriormente ao tribunal que o tiroteio ocorreu após uma discussão entre os três homens dentro da propriedade e que a vítima foi baleada duas vezes nas costas do lado de fora, enquanto tentava fugir. As autoridades, que realizaram uma busca em casa, ainda não encontraram a arma.

A audiência de sentença foi adiada para 24 de Abril, informou a NPA. Desde a detenção de Mugabe, o caso sofreu vários atrasos e a sua audiência de fiança foi adiada duas vezes. Esta não é a primeira vez que Mugabe se envolve com a justiça. Em 2024, foi detido por alegadamente ter agredido um polícia na cidade fronteiriça de Beitbridge, no Zimbabwe.

Foi-lhe concedida fiança, mas foi emitido um mandado de detenção posteriormente, após não ter comparecido em tribunal, conforme noticiado na altura pelo jornal estatal zimbabweano Herald. Um ano depois, em Junho, foi novamente detido por agredir um segurança numa mina em Mazowe, a uma hora de carro a norte da capital, Harare. O caso permanece em curso.

Bellarmine Mugabe é um dos dois filhos que Robert Mugabe teve com a sua segunda mulher, Grace. O ex-Presidente, que morreu em 2019, esteve no poder durante 37 anos, antes de ser deposto num golpe de Estado em 2017.

Polémica com a coroação do “Rei Igbo”

Os membros do grupo étnico Igbo foram proibidos de instalar os seus “reis” fora da Nigéria. Isto acontece após uma recente controvérsia sobre a coroação de um “Rei Igbo” na África do Sul, que provocou indignação entre os sul-africanos. 

Agora, a organização guarda-chuva sociocultural do povo Igbo em todo o mundo, Ohaneze Ndigbo, anunciou a proibição de qualquer coroação deste tipo no estrangeiro. O Governo nigeriano apoiou a decisão.

A ministra de Estado dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, Bianca Odumegwu-Ojukwu, que participou na reunião do órgão máximo de decisão da Ohaneze, onde a decisão foi tomada a 9 de Abril na cidade de Enugu, disse que a “prática preocupante de coroação de ‘reis’ Igbo no estrangeiro” impactou negativamente a imagem e as relações diplomáticas da Nigéria.

O nigeriano Solomon Ogbonna Eziko foi empossado como líder tradicional da comunidade Igbo na África do Sul a 24 de Março de 2026. Bianca Odumegwu-Ojukwu, também do grupo étnico Igbo, afirmou que a instalação de governantes tradicionais no estrangeiro é muitas vezes vista como uma afronta pelas populações de acolhimento.

Ela acrescentou que a ostentação e a exibição excessiva de riqueza por parte dos nigerianos durante estas cerimónias de coroação, enquanto em alguns casos os cidadãos dos países de acolhimento enfrentam dificuldades económicas, são totalmente insensíveis. 

Israel encerrará na terça e quarta-feira as passagens por onde entra a ajuda humanitária na Faixa de Gaza devido aos feriados israelitas, dificultando ainda mais a situação dos dois milhões de palestinianos que vivem no enclave, foi divulgado nesta segunda-feira.

“Informamos que as passagens fronteiriças entre Israel e a Faixa de Gaza permanecerão fechadas nesta terça e quarta-feira (21 e 22 de Abril) por ocasião do Dia Nacional da Memória e do Dia da Independência de Israel”, indicou, em comunicado, o COGAT, o órgão militar israelita que administra os territórios palestinianos ocupados.

O COGAT salientou que, apesar do encerramento, o trabalho de recolha de ajuda humanitária já presente em Gaza continuará.

Este órgão militar já fechou as passagens fronteiriças de Gaza, que Israel controla na totalidade, durante as duas festas judaicas da Páscoa no início de Abril.

Também as encerrou desde o início da guerra com o Irão, a 28 de Fevereiro, durante dois dias, excepto na passagem de Rafah, na fronteira com o Egipto e a única por onde se realizam evacuações médicas de palestinianos. Esta passagem só reabriu a 18 de Março.

O COGAT diz que permite a entrada de cerca de 600 camiões de ajuda humanitária em Gaza por dia, embora apenas cerca de 120 deles sejam de agências humanitárias.

O restante é carga comercial, que a maioria dos habitantes de Gaza não consegue pagar.

A 07 de Outubro de 2023, um ataque do movimento islamita palestiniano Hamas em Israel causou cerca de 1200 mortos, na maioria civis, e 251 reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala na Faixa de Gaza, que provocou mais de 72 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, a destruição de quase todas as infraestruturas e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.

O cessar-fogo na Faixa de Gaza entrou em vigor a 10 de Outubro de 2025, sem que Israel esteja a cumprir o acordado em relação à ajuda humanitária, reconstrução, protecção de civis, liberdade de circulação ou autogovernação, de acordo com um relatório elaborado por cinco organizações não-governamentais, com a presença da França.

Desde o início da trégua, Israel e Hamas têm-se acusado mutuamente de violações ao cessar-fogo. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, tutelado pelo Hamas, desde então os ataques israelitas causaram 777 mortos e 2193 feridos, incluindo mais de 180 crianças.

O Irão recusa negociações com os Estados Unidos sobre um possível cessar-fogo, segundo informações divulgadas, neste domingo, pela agência estatal iraniana. A decisão ocorre em meio ao aumento das tensões entre os dois países, especialmente após trocas de acusações envolvendo o descumprimento de acordos recentes.

O governo iraniano justificou a recusa  de participar em mais conversações com vista a paz com os Estados Unidos, alegando que as exigências feitas por Washington são excessivas. 

Além disso, autoridades de Teerão criticaram o que classificaram como mudanças frequentes de posição por parte dos Estados Unidos. Dessa forma, o impasse compromete a continuidade do diálogo diplomático. 

“De momento, não temos planos para uma próxima ronda de negociações e não houve qualquer decisão sobre isso. EUA, ao adoptarem comportamentos contraditórios e violarem de forma contínua os termos do cessar-fogo, demonstraram que não têm seriedade no processo diplomático”, avançou o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros iranianos, Ismail Bagei em conferência de imprensa. 

O mesmo responsável sublinhou que tudo “intensifica a desconfiança” perante os EUA, que, em menos de nove meses, atacou o Irão em duas ocasiões enquanto decorriam negociações e matou altos dirigentes e cidadãos iranianos.

Trump alertou que se Teerão não aceitar a proposta de Washington, as forças armadas norte-americanas podem destruir todas e cada uma das centrais elétricas e pontes do Irão.

Donald Trump não detalhou que oficiais dos Estados Unidos estarão presentes nas negociações, uma segunda ronda após o vice-presidente JD Vance ter participado em conversas, também em Islamabad, na semana passada. Entretanto, o Irão reafirmou que o bloqueio naval norte-americano constitui um acto ilegal e criminoso.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse este domingo que negociadores norte-americanos estarão esta segunda-feira no Paquistão para encetar conversações com o Irão, de acordo com uma publicação nas suas redes sociais.

“Os meus representantes irão para Islamabad, no Paquistão – estarão lá amanhã [segunda-feira] à noite, para negociações”, pode ler-se numa publicação de Donald Trump na sua rede social, Truth Social.

Segundo a mesma publicação, os Estados Unidos vão propor “um acordo bastante justo e razoável”.

“Espero que aceitem porque, se não o fizerem, os Estados Unidos vão arrasar todas as centrais eléctricas e pontes no Irão”, ameaçou o presidente norte-americano.

Donald Trump diz ainda que caso o Irão não aceite o acordo será sua “honra fazer o que tem de ser feito, o que já deveria ter sido feito ao Irão, por outros presidentes, nos últimos 47 anos”, acrescentando, em maiúsculas, que “é tempo da máquina de matar iraniana acabar”.

Na publicação, Donald Trump não detalhou que oficiais dos Estados Unidos estarão presentes nas negociações, uma segunda ronda após o vice-presidente JD Vance ter participado em conversas, também em Islamabad, na semana passada.

O Presidente dos Estados Unidos também acusou o Irão de violar o acordo de cessar-fogo no Estreito de Ormuz.

O Irão reforçou a sua intenção de restringir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz enquanto os Estados Unidos bloquearem portos iranianos, à medida que os mediadores tentam estender a trégua, cujo prazo termina na quarta-feira.

Teerão reitera que bloqueio naval dos Estados Unidos “viola cessar-fogo”

O Irão reafirmou este domingo que o bloqueio naval norte-americano constitui “não só uma violação do cessar-fogo”, mas também “um acto ilegal e criminoso”.

“Ao infligir deliberadamente punição colectiva ao povo iraniano, configura-se um crime de guerra e um crime contra a humanidade”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmail Baghai, à agência X.

Este domingo, o presidente norte-americano, Donald Trump, acusou o Irão de violar o acordo de cessar-fogo no Estreito de Ormuz.

O Irão reforçou a sua intenção de restringir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz enquanto os Estados Unidos bloquearem portos iranianos, à medida que os mediadores tentam estender a trégua, cujo prazo termina na quarta-feira.

O Irão impediu, este domingo, a passagem de dois petroleiros, um deles com bandeira de Angola, quando tentavam atravessar o Estreito de Ormuz, depois de emitirem avisos, e afirmou que a ação foi uma resposta ao bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos.

“Dois petroleiros que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz sem autorização foram obrigados a regressar esta manhã, após avisos das Forças Armadas iranianas”, informou a agência Tasnim, controlada pela Guarda Revolucionária iraniana.

A agência indicou que as embarcações navegavam sob as bandeiras do Botswana e de Angola e pretendiam atravessar esta via navegável estratégica, mas, após a “intervenção oportuna” das Forças Armadas iranianas, “foram obrigadas a mudar de rumo e a retirar”.

O presidente do parlamento iraniano, Mohammed Bagher Qalibaf, disse no sábado numa entrevista citada pela Associated Press (AP) que “é impossível outros passarem pelo Estreito de Ormuz” enquanto os próprios iranianos também não conseguirem.

Qalibaf, que é o negociador-chefe do Irão nas conversas com os Estados Unidos, atacou o bloqueio dos Estados Unidos, catalogando-o como “uma decisão ingénua tomada por ignorância”, garantindo ainda que “não haverá retirada no campo da diplomacia” apesar da desconfiança entre as partes.

O Irão anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz depois de uma trégua de dez dias entre Israel e o grupo militante Hezbollah (apoiado pelo Irão) no Líbano, mas depois de Trump afirmar que o bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos iria “continuar com toda a força” até se alcançar um acordo, Teerão anunciou que iria continuar a restringir as passagens no estreito.

A República Democrática do Congo e o grupo armado M23 concordaram em facilitar a ajuda humanitária e libertar prisioneiros no prazo de 10 dias, segundo um comunicado conjunto divulgado este domingo, após negociações na Suíça.

“As partes concordaram em abster-se de qualquer acção que comprometa a entrega de ajuda humanitária baseada em princípios humanitários nas áreas afectadas pelo conflito” e “avançar, dentro 10 dias, com a libertação de prisioneiros” a fim de “continuar a construir confiança”, refere o documento.

A República Democrática do Congo e o Ruanda ratificaram um acordo de paz mediado pelos EUA em Dezembro, mas a iniciativa não pôs fim aos combates.

Entretanto, de 13 a 17 de Abril, decorreram negociações mediadas pelo Qatar, em Montreux, na Suíça.

Um memorando de entendimento também foi assinado, definindo mecanismos de verificação do cessar-fogo.

As negociações de Montreux reuniram representantes do governo da República Democrática do Congo e do M23, bem como do seu braço político, a Aliança do Rio Congo (AFC).

Estiveram ainda presentes representantes do Qatar, dos Estados Unidos, da Suíça, da Comissão da União Africana (UA) e do Togo, na qualidade de mediador da UA.

Desde o final de 2021, o Movimento 23 de Março (M23), com o apoio de Ruanda, tomou o controlo de grandes extensões de território no leste da RDCongo, região rica em recursos naturais e devastada por conflitos há mais de 30 anos.

O grupo rebelde – composto principalmente por tutsis congoleses – assumiu em 2025 o controlo de grande parte das províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, incluindo as respetivas capitais, Goma e Bukavu, no âmbito de uma ofensiva que agravou as tensões entre Kinshasa e Kigali e deu posteriormente origem a um processo de negociações para evitar a expansão do conflito na região.

O Papa Leão XIV apelou, este domingo, em Luanda, à construção de um País, ainda marcado pelo passado da guerra, onde as antigas divisões sejam superadas para sempre e o ódio e a violência desapareçam.

O apelo foi feito pelo Santo Padre, na homilia da celebração eucarística, que se realizou na centralidade do Kilamba, província de Luanda, no segundo dia da visita que o Papa Leão XIV cumpre em Angola, no quadro da sua primeira visita apostólica a África.

Para as mais de 600 mil pessoas que participaram na missa campal, o Papa Leão XIV fez uma analogia do Evangelho dos discípulos de Emaús e a história de Angola, um “país belíssimo e ferido, que tem fome de sede, de esperança, de paz, de fraternidade”.

“Na verdade, ao longo do caminho, a conversa dos dois discípulos, que recordam com desânimo o que aconteceu ao seu mestre, traz à memória a dor que marcou o vosso país. Uma longa guerra civil, com o seu rasto de inimizades e divisões, de recursos desperdiçados e de pobreza”, disse o sumo pontífice.

Segundo o Papa Leão XIV, “quando durante muito tempo se permanece imerso numa história tão marcada pela dor, corre-se o mesmo risco dos dois discípulos de Emaús – perder a esperança e ficar paralisado pelo desânimo”.

De acordo com o Papa, “as consequências ainda difíceis que os angolanos suportam”, nomeadamente os problemas sociais e económicos e as diversas formas de pobreza exigem uma presença de uma Igreja que saiba estar próxima do caminho e saiba ouvir o clamor dos seus filhos.

“Uma Igreja que, como a luz da palavra e o alimento da eucaristia, saiba reactivar a esperança perdida, uma Igreja feita de pessoas como vós, que se doam tal como Jesus parte o pão para os dois discípulos de Emaús”, disse.

O sumo pontífice disse que Angola precisa de bispos, sacerdotes, missionários, religiosas e religiosos, leigas e leigos que tenham no coração o desejo de repartir a sua vida, doá-la uns aos outros, desempenhar no amor e no perdão mútuos.

“De construir espaços de fraternidade e de paz, de realizar gestos de compaixão e solidariedade para com quem mais precisa”, acrescentou, vincando a necessidade de se construir um País “onde as antigas divisões sejam superadas para sempre, onde o ódio e a violência desapareçam, onde a chaga de corrupção seja curada por uma nova cultura de justiça e partilha”.

“Só assim será possível um futuro de esperança, sobretudo para os muitos jovens que a perderam”, disse o Papa Leão XIV, exortando ainda a necessidade de se olhar para o futuro com a esperança de construir a esperança de um futuro.

O Papa Leão XIV fez também uma alusão às questões do sincretismo, considerando que “é necessário estar sempre atento às formas de religiosidade tradicional”.

“Que certamente pertencem às raízes da vossa cultura, mas que, ao mesmo tempo, correm o risco de confundir, misturar elementos mágicos e supersticiosos, que não ajudam no caminho espiritual”, frisou o Papa.

O Santo Padre apelou à comunidade religiosa a permanecer fiel ao que a Igreja ensina, a confiar nos pastores e a manter “o olhar fixo em Jesus”.

Com a presença de mais de mil bombeiros, a missa campal contou com um grupo coral de mais de 500 vozes e o apoio de 1.900 escuteiros.

Depois da missa campal, o Papa Leão participa também, no santuário da Muxima, província de Icolo e Bengo, no acto de recitação do terço.

O Papa Leão XIV chegou ao início da tarde de sábado a Luanda e foi recebido no aeroporto pelo Presidente angolano, João Lourenço, por autoridades civis e religiosas, nesta que é a sua primeira visita apostólica a África, que se iniciou na segunda-feira, na Argélia, tendo já passado pelos Camarões e agora Angola, terminando na Guiné Equatorial.

João Lourenço pede “fim da guerra” e apela a Papa que “construa pontes”

O Presidente angolano, João Lourenço, defendeu sábado a abertura do Estreito de Ormuz pela via negocial e apelou ao Papa para que continue a desempenhar um papel de construtor de pontes.

O chefe de Estado angolano discursava no salão protocolar da Presidência da República, após receber o Papa Leão XIV, que chegou sábado a Angola, terceiro país do périplo africano do líder da Igreja Católica.

Num encontro que reuniu membros do executivo e do corpo diplomático acreditado em Angola, líderes religiosos e políticos e elementos da sociedade civil, João Lourenço disse que só em paz e em harmonia é possível desfrutar de todos os recursos que a Natureza coloca ao dispor, lamentando “a corrida desenfreada às matérias-primas, aos recursos energéticos, aos recursos minerais e outros, tomados pela força das armas dos exércitos mais poderosos do mundo contra países soberanos”.

“Apelamos ao fim definitivo da guerra, à abertura do Estreito de Ormuz pela via negocial e ao estabelecimento de uma paz duradoura na região”, exortou o chefe do executivo angolano, pedindo ao Papa, face à probabilidade de agravamento do conflito, “para que, do alto da sua autoridade moral, continue a desempenhar um papel de construtor de pontes, de apaziguamento dos espíritos, de resgate dos valores humanistas, de busca da concórdia e do entendimento entre os Homens”.

Para João Lourenço, “é urgente que todos os estadistas influentes e figuras públicas com reconhecida autoridade moral actuem conjuntamente para assegurar que, nas relações internacionais, a justiça e o diálogo prevaleçam sobre o uso da força”, instou.

Por outro lado, assinalou que “as empresas e os Estados, através de contratos e de acordos, podem ter acesso aos recursos que precisam para a satisfação das suas necessidades, sem que tenham de recorrer à guerra”, alertando para o “momento perigoso com os conflitos que se proliferam por todos os continentes”.

Destacou, nomeadamente, o Médio Oriente, berço do Cristianismo, do Islão e do Judaísmo, que devia ser uma zona de paz, de concórdia e de fraternidade, mas que, pelo contrário, é marcado pelo “sofrimento dos povos da Palestina, do Líbano e de todos os países do Golfo Pérsico”, levando esta região produtora e exportadora de petróleo e gás “a ruir como consequência das guerras que lhes impuseram”.

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