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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ofereceu-se para mediar os esforços para alcançar a paz no Médio Oriente após o fracasso das negociações entre os EUA e o Irão, em Islamabad.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, conversou, neste domingo, com o seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, após o fracasso das negociações entre os Estados Unidos e o Irão, em Islamabad, no Paquistão, e ofereceu-se para “mediar os esforços para alcançar a paz” no Médio Oriente.

“Vladimir Putin enfatizou a sua disponibilidade para facilitar ainda mais a procura de uma solução política e diplomática para o conflito e para mediar os esforços para alcançar uma paz justa e duradoura no Médio Oriente”, afirmou o Kremlin num comunicado, citado pela Al Jazeera. 

A Rússia, sublinhe-se, tem em curso uma guerra contra a Ucrânia desde Fevereiro de 2022, quando invadiu o país vizinho, na qual tem contado com o apoio do Irão no fornecimento de armamento, nomeadamente de drones Shahed.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, deu por terminadas as negociações entre Washington e Teerão, sem acordo de paz, depois de os iranianos se recusarem a aceitar as condições americanas de não desenvolverem uma arma nuclear.

“A verdade é que precisamos de ver um compromisso afirmativo de que não irão procurar obter uma arma nuclear, nem irão procurar as ferramentas que lhes permitiriam alcançar rapidamente uma arma nuclear”, disse Vance aos jornalistas, numa breve conferência de imprensa em Islamabad.

Segundo a Irib, a televisão estatal iraniana, foram as “exigências irracionais” dos Estados Unidos que levaram ao fracasso das negociações.

“A delegação iraniana negociou incansavelmente e de forma intensiva durante 21 horas para defender os interesses nacionais do povo iraniano. Apesar de várias iniciativas da parte [iraniana], as exigências irrazoáveis da parte americana impediram que as negociações avançassem. As negociações chegaram, portanto, ao fim”, anunciou a Irib na rede de mensagens Telegram.

Já o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que liderou as delegações do seu país nas negociações com os Estados Unidos, no Paquistão, afirmou este domingo que Washington “não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana”.

“Os Estados Unidos compreenderam a nossa lógica e os nossos princípios, e agora é tempo de decidirem se podem ou não merecer a nossa confiança”, acrescentou.

Os Estados Unidos da América abandonaram as negociações com o Irão, realizadas em Islamabad, no Paquistão, sem alcançar um acordo de paz, devido a divergências nas exigências entre as partes beligerantes. 

As negociações de alto nível entre Washington e Teerão iniciaram na última sexta-feira, no Paquistão, e neste sábado, terminaram sem consenso, depois de mais de 20 horas de conversações marcadas por divergências profundas, sobretudo em torno do programa nuclear iraniano.

A má notícia é que não chegamos a um acordo, e eu acho que é má notícia para o Irão do que os Estados Unidos da América. Voltamos aos Estados Unidos, não tendo chegado a um acordo. Nós deixamos muito claro quais são nossas linhas vermelhas, quais são as coisas que estávamos dispostos a acomodá-las e quais coisas não estávamos dispostos a acomodá-las. disse JD Vance Vice-presidente norte-americano

Apesar de estar aberto para continuar a negociar, o Irão aponta que não esperava um acordo imediato e acusa os Estados Unidos de terem inviabilizado qualquer progresso, apontando para aquilo que classifica como exigências inaceitáveis.

E nós deixamos isso o mais claro possível, e eles escolheram não aceitar nossos termos. Nós esperamos que os dois lados continuem com o espírito positivo para alcançar a paz duradoura e prosperidade para toda a região. É imperativo que as partes continuem com o compromisso de apoiar o cessar fogo.Esmaeil Baghaei  Ministério das Relações Exteriores iraniano. Contudo, o Paquistão espera dias melhores. 

O Paquistão tem sido e continuará a fazer seu papel para facilitar o engajamento e o diálogo entre a República Islâmica do Irão e os Estados Unidos da América nos próximos dias.

As negociações poderão ser retomadas nos próximos dias, mas o cenário é de incerteza e de posições ainda distantes entre Washington e Teerão, o que poderá colocar em causa o cessar-fogo de duas semanas e passagem de navios no Estreito de Ormuz.

 

A guerra no Sudão continua a agravar uma das maiores crises humanitárias da actualidade, com cerca de 14 milhões de pessoas obrigadas a abandonar as suas casas em quase três anos de conflito, segundo dados da Organização das Nações Unidas.

São milhões de vidas e sonhos roubados desde 2023,  pela força da guerra no Sudão, que causou deslocados internos e nos países vizinhos, de acordo com a Organização das Nações Unidas. 

“À medida que a crise no Sudão entra no seu quarto ano, os combates continuam a assolar grande parte do país, provocando novas deslocações e prolongando a tragédia diária de milhões de pessoas, sem que se vislumbre um fim claro (…) Desde o início da guerra, em 15 de Abril de 2023, cerca de 14 milhões de pessoas foram forçadas a fugir. Nove milhões permanecem deslocadas dentro do Sudão e 4,4 milhões através das fronteiras”.

A ONU aponta que mais de 14.000 sudaneses chegaram à Europa entre 2024 e 2025, um aumento de 232% desde o início do conflito, numa altura em que  mais de 58 mil crianças sudanesas atravessaram fronteiras sozinhas, separadas das suas famílias.

A violência continua intensa em várias regiões, como Darfur, Cordofão e Nilo Azul, com relatos de bombardeamentos, uso crescente de drones e graves violações dos direitos humanos. 

A organização ainda lamenta pelo facto das agências de ajuda internacional tenham recebido até agora 16% dos 2,8 mil milhões de dólares necessários para prestar assistência dentro do Sudão, e 8% dos 1,6 mil milhões de dólares para a resposta regional aos refugiados, alerta ainda para o colapso dos sistemas de saúde e justiça, criando “um clima de impunidade generalizada”.

Os EUA aconselham os seus cidadãos a reconsiderar viagens à Nigéria devido a riscos de segurança. O alerta surge na sequencia do terrorismo, agitacao civil e sequestros. 

O Departamento de Estado dos Estados Unidos da América emitiu um alerta, no qual colocou pelo menos 23 estados nigerianos na categoria mais grave, não recomendando visitas, afirmando que a situação de segurança nessas áreas é instável e incerta.

Os EUA alertam para riscos de terrorismo, agitação civil e sequestro. O país autorizou a saída de funcionários não essenciais e seus familiares da Embaixada dos EUA em Abuja, citando o que descreveu como uma deterioração do ambiente de segurança.

Autoridades americanas não informaram quando as saídas autorizadas da embaixada ocorrerão, nem se a medida afeta apenas o pessoal americano ou também os funcionários contratados localmente.

A medida ocorre em meio a um recente aumento de ataques mortais em partes da Nigéria, apesar da cooperação contínua entre Washington e Abuja no combate ao terrorismo, segurança marítima, compartilhamento de informações e treinamento militar.

O alerta advertiu que ataques podem ocorrer “com pouco ou nenhum aviso prévio” em locais públicos, incluindo mercados, hotéis, locais de culto, escolas e terminais de transporte.

As autoridades nigerianas ainda não responderam formalmente ao último alerta. No passado, autoridades argumentaram que tais avisos não refletem melhorias na segurança em partes do país e correm o risco de prejudicar a imagem internacional da Nigéria.

O primeiro-ministro do Senegal acusa o presidente dos Estados Unidos da America de criar instabilidade no mundo. Ousmane Sonko critica os ataques de Donald Trump ao Irão.

É a primeira vez que o Governo senegales, através do Primeiro Ministro, assume posicionamento face ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irao.

Ousmane Sonko, que falava numa conferência internacional sobre soberania, em Dakar, criticou duramente Donald Trump pela guerra contra o Irão, considerando que visa desestabilizar a ordem global, sem nenhum benefício.

“A redução da capacidade balística do Irão não foi alcançada. Forçar o Irão a abandonar todos os seus programas nucleares, tanto civis quanto militares, não é um objetcivo atingido”. 

O primeiro Ministro do Senegal afirmou igualmente que Trump não é um homem de paz.

“Nenhum dos objectivos foi alcançado e, ainda assim, o mundo mergulhou em um caos injustificável. O Sr. Trump não é um homem de paz; ele é um homem que desestabiliza o mundo”.

Sonko apelou às nações africanas para que unissem forças e compartilhassem seu poder, apontando a juventude africana como uma “força a ser mobilizada”, afirmando que a soberania não pode ser alcançada sem o seu envolvimento.

     

Um ataque levado a cabo por grupos jihadistas contra uma base militar no nordeste da Nigéria provocou a morte de um general do exército e de vários soldados, segundo fontes governamentais e de inteligência citadas pela Africanews.

O Brigadeiro-General Oseni Omoh Braimah é o segundo oficial de alta patente a ser morto em cinco meses, numa altura em que se regista um agravamento da violência no norte do país, maioritariamente muçulmano.

De acordo com quatro fontes, incluindo o exército, o ataque ocorreu durante a noite numa base localizada a cerca de 75 quilómetros de Borno. Uma fonte de inteligência apontou para pelo menos 18 mortos.

Este balanço eleva para quase 100 o número de vítimas mortais desde domingo no norte da Nigéria, onde grupos jihadistas e gangues criminosos têm intensificado ataques contra instalações militares e aldeias, sobretudo em zonas próximas do Sahel.

A Nigéria, o país mais populoso de África, enfrenta há cerca de 17 anos uma insurgência jihadista, iniciada em 2009 com o grupo Boko Haram e posteriormente agravada com o surgimento de dissidências, como a Província da África Ocidental do Estado Islâmico.

Mais de 70 países juntaram-se esta sexta-feira à Indonésia para condenar os ataques contra a Força Interina da ONU para o Líbano , num contexto de escalada da guerra contra Beirute, apesar das conversações de paz com Israel.

Embaixadores de uma dezena de países expressaram profunda preocupação com a escalada da tensão no Líbano desde 02 de março do ano corrente e o impacto na segurança das forças de paz, na sequência da morte de três forças de manutenção de paz das Nações Unidas e depois de militares de França, Gana, Nepal e Polónia terem ficado feridos.

As missões diplomáticas sublinharam que as forças de paz nunca devem ser alvo de ataques e alertaram que estes factos podem constituir um crime de guerra, ao mesmo tempo que fizeram um apelo à ONU para que continue a investigar todos os ataques.

Estas delegações também deram ênfase à situação humanitária no Líbano, especialmente devido ao elevado número de vítimas civis, à destruição generalizada de infraestruturas e à deslocação em massa de mais de um milhão de pessoas.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que o Governo israelita iniciará negociações directas com o Líbano para desarmar o Hezbollah e estabelecer relações pacíficas. 

Israel foi instado a cessar imediatamente a agressão militar contra o Líbano, reiterando que o cessar-fogo também inclui este país. Os bombardeamentos massivos violam o direito internacional, após o assassínio de mais de 300 pessoas no Líbano desde o início da trégua.

O Presidente Volodymyr Zelensky disse que os militares ucranianos abateram drones Shahed, de fabrico iraniano, em vários países do Médio Oriente, durante a guerra com o Irão, confirmando a participação em missões no estrangeiro. 

Zelensky fez o primeiro reconhecimento público das operações internacionais na quarta-feira, em declarações à imprensa.  

Segundo o Presidente da Ucrânia, citado por Lusa, as forças de Kiev participaram em operações no estrangeiro utilizando aparelhos aéreos não tripulados de intercepção de fabrico ucraniano, eficazes contra drones Shahed de fabrico iraniano utilizados pela Rússia na Ucrânia.

A Ucrânia participou nas operações defensivas antes do cessar-fogo provisório no Médio Oriente, alcançado entre o Irão e os Estados Unidos.

Zelensky não identificou os países envolvidos, mas afirmou que os efetivos ucranianos operaram “em várias nações”, ajudando a reforçar os respectivos sistemas de defesa aérea.

Anteriormente, Zelensky tinha declarado que 228 especialistas ucranianos estiveram destacados na região do Médio Oriente.

Em troca, a Ucrânia está a receber armamento para proteger as instalações de energia, bem como petróleo, gasóleo e, em alguns casos, apoio financeiro, disse o chefe de Estado.

O líder ucraniano afirmou que os acordos vão reforçar a estabilidade energética da Ucrânia e descreveu as parcerias como algo que será promovido, à medida que Kiev procura formalizar e expandir conhecimentos no setor da defesa.

A revelação surgiu no momento em que há preocupações de que o conflito no Médio Oriente possa desviar o apoio militar ocidental da Ucrânia, particularmente o fornecimento de equipamento para a defesa aérea.

Zelensky afirmou que os parceiros da Ucrânia continuam a fornecer mísseis aos sistemas Patriot, adiantando que um novo lote chegou nos últimos dias e que a Ucrânia está a trabalhar com todos os parceiros para garantir que as defesas aéreas se mantêm em funcionamento.

Doze pessoas morreram, incluindo seis crianças, na quarta-feira, num ataque com drones numa cidade controlada por paramilitares no estado do Darfur do Norte, no Sudão, noticiou ontem a agência France-Presse (AFP) citando uma fonte médica e ativistas locais.

Doze corpos foram levados para o hospital, 16 pessoas ficaram feridas, incluindo mulheres e crianças, e estão a receber cuidados médicos, segundo a fonte médica. O comité de resistência de Al-Fashir, um grupo pró-democracia, precisou que o ataque atingiu o bairro de Al-Salama, perto de uma escola para raparigas, atribuindo a responsabilidade pelo ataque ao exército, em guerra com os paramilitares das Forças de Apoio Rápido desde Abril de 2023.

No dia 24 de Março, as Nações Unidas indicaram que os ataques com drones mataram mais de 500 civis entre Janeiro e meados de Março, alertando para o “impacto devastador” destas armas em zonas povoadas.

Na sexta-feira, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) confirmou a morte de pelo menos 10 pessoas, incluindo sete profissionais de saúde, também num ataque com drone contra um hospital no estado do Nilo Branco, no sul do Sudão.

A guerra civil no Sudão, que eclodiu em Abril de 2023 devido a desacordos em torno da integração do grupo paramilitar nas Forças Armadas, resultou já na morte de dezenas de milhares de pessoas.

O número pode ultrapassar 400 mil, segundo os Estados Unidos. Este conflito, que mergulhou o país numa crise humanitária considerada das piores do mundo, interrompeu a transição que havia começado após a queda do regime de Omar al-Bashir, em 2019, que já estava enfraquecido após o golpe que depôs o então primeiro-ministro Abdalla Hamdok.

Há registo de milhões de deslocados e refugiados, bem como alarme internacional devido à propagação de doenças e aos danos em infraestruturas críticas, o que dificulta o atendimento a centenas de milhares de pessoas afectadas.

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