O País – A verdade como notícia

O Irão ameaçou ontem bloquear o tráfego no mar Vermelho, com o qual não faz fronteira, e todo o comércio no Golfo Pérsico se os Estados Unidos mantiverem o bloqueio aos portos iranianos.

As poderosas forças armadas da República Islâmica não permitirão nenhuma exportação ou importação no Golfo Pérsico, no mar de Omã ou no Mar Vermelho”, afirmou o chefe das forças iranianas, general Ali Abdollahi, num comunicado divulgado pela televisão estatal.

Se os Estados Unidos mantiverem o bloqueio e “criarem insegurança para os navios comerciais do Irão e petroleiros”, tal constituirá o prelúdio para uma violação do cessar-fogo, acrescentou Abdollahi, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

O Irão não faz fronteira com o Mar Vermelho, mas pode contar com os aliados no Iémen, os rebeldes huthis, que ameaçaram atacar navios naquele sector a partir de posições montanhosas no país do sudoeste da península da Arábia.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs um bloqueio a “navios de todas as nacionalidades que entrem ou saiam dos portos e zonas costeiras iranianos”, que entrou em vigor na segunda-feira.

O Irão bloqueia o Estreito de Ormuz desde o início da guerra, desencadeada a 28 de Fevereiro por um ataque israelo-americano, a que Teerão respondeu com ataques contra Israel e os países da região.

Um cessar-fogo de duas semanas entrou em vigor em 08 de Abril para permitir negociações entre os Estados Unidos e o Irão sob mediação do Paquistão.

As duas partes não conseguiram chegar a um acordo no fim-de-semana em Islamabad, mas as autoridades paquistaneses anunciaram que estavam a desenvolver esforços para novas negociações.

O bloqueio aos portos iranianos foi imposto devido à ausência de acordo em Islamabad após 21 horas de reuniões entre delegações chefiadas pelo vice-presidente norte-americano, JD Vance, e o presidente do parlamento do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf.

Apesar do bloqueio, alguns navios provenientes de portos iranianos atravessaram o estreito na terça-feira, indicam dados de monitorização marítima.

De acordo com a agência de notícias iraniana Tasnim, que cita fontes que não identificou, a navegação a partir dos portos iranianos prosseguiu apesar do bloqueio.

“Navios comerciais rumaram a vários locais do mundo” nas últimas 24 horas, segundo a mesma fonte, citada pela AFP.

Quase 700 civis foram mortos em ataques com drones no Sudão desde janeiro. A informação foi partilhada pela Organização das Nações Unidas ressaltando o  crescente número de vítimas de uma guerra civil que já dura quatro anos.

De acordo com o chefe humanitário da ONU, a maioria das mortes ocorreu nos primeiros três meses de 2026, com relatos de ataques com drones quase diários em todas as zonas de conflito.

Os ataques afectaram particularmente regiões como Kordofan e Darfur, onde os combates permanecem intensos.

A agência da ONU para a infância alertou que os drones são responsáveis ​​por grande parte das vítimas infantis, com ataques atingindo casas, mercados e escolas.

A guerra entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido , um grupo paramilitar, iniciada em 2023, matou dezenas de milhares de pessoas e deslocou mais de 11 milhões.

Segundo a ONU, mais de 21 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda, e dois terços da população necessitam de assistência urgente, enquanto os combates se intensificam em Kordofan (no centro do Sudão) e no estado do Nilo Azul (no sudeste).

Enquanto se espera pelo regresso às negociações, os Estados Unidos garantem que já interromperam o comércio marítimo do Irão. Donald Trump garantiu em entrevistas a jornalistas que a guerra no Irão está perto do fim e que as negociações podem regressar esta semana.

Segundo escreve a RTP, o presidente dos EUA, Donald Trump, ao falar sobre a possibilidade de novas negociações entre os EUA e o Irão, disse que “algo poderia acontecer” em Islamabad nos “próximos dois dias”.

Os comentários foram feitos horas depois de uma fonte diplomática ter dito à agência de notícias estatal iraniana IRNA que “não havia informações” sobre novas negociações.

Segundo a IRNA, foram trocadas mensagens entre Teerão e o Paquistão, que tem funcionado como mediador, mas nada foi confirmado.

A fonte disse que o Paquistão “continua empenhado nos seus esforços de mediação” depois de as negociações anteriores entre os EUA e o Irão em Islamabad terem terminado sem acordo.

Sete em cada 10 pessoas vivem na pobreza no Sudão, devido ao conflito armado entre exército e forças paramilitares, quase o dobro de antes da guerra, disse à agência noticiosa francesa AFP fonte da ONU.

Segundo o director do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) na região, Luca Renda, “provavelmente, cerca de 38% da população vivia na pobreza”, antes de Abril de 2023, “e, agora, estima-se que o número seja à volta de 70%”, tendo como critério quatro dólares por dia (3,40 euros).

Mas, pelo menos, um quarto da população sudanesa vive com menos de dois dólares por dia (1,70 euros), sublinhou o mesmo responsável da ONU, apontando como áreas mais complicadas Kordofan do Sul, agora o principal campo de batalha, e Darfur do Norte.

A guerra entre o exército e as Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla inglesa) já matou dezenas de milhares de pessoas, deslocou mais de 11 milhões e mergulhou diversas regiões na fome e na miséria.

Segundo um relatório publicado na terça-feira pelo PNUD e pelo Instituto de Estudos de Segurança (ISS, na sigla inglesa), quase sete milhões de pessoas caíram na extrema pobreza só em 2023, e os rendimentos médios baixaram para níveis de 1992.

“Estes números não são abstratos, reflectem famílias desfeitas, crianças fora da escola, meios de subsistência destruídos e uma geração cujas perspectivas estão a diminuir inexoravelmente”, continuou Luca Renda.

De acordo com a ONU, mais de 21 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda e dois terços da população precisam urgentemente de assistência, à medida que os combates se vão intensificando em Kordofan (Sudão central) e junto ao Nilo Azul (sudeste).

Ao longo de três anos de guerra, cerca de 14 milhões de pessoas foram forçadas a fugir e nove milhões permanecem deslocadas internamente, além dos 4,4 milhões de refugiados em países vizinhos, segundo dados avançados pela ONU a 10 de Abril.

A polícia nigeriana deteve 33 suspeitos de integrarem um gangue que raptou 38 fieis em Novembro numa igreja católica no estado de Kwara (oeste da Nigéria), confirmaram, nesta terça-feira, as forças de segurança.

“A polícia nigeriana anunciou um progresso significativo na sua campanha contínua contra crimes de grande impacto, resultando na detenção de 50 suspeitos ligados a terrorismo, sequestro e roubo à mão armada”, declarou a polícia nigeriana na sua conta na rede social X.

“Entre as conquistas mais notáveis está o desmantelamento de um gangue de 33 membros responsável por atos de terrorismo, roubo de gado e o ataque violento à Igreja Apostólica de Cristo no estado de Kwara”, acrescentaram.

O ataque a esta igreja na cidade de Eruku ocorreu a 18 de Novembro, no decorrer de uma missa. Durante a celebração, indivíduos armados invadiram o local, abriram fogo e mataram pelo menos duas pessoas, antes de raptarem os sobreviventes, incluindo o padre.

Após cinco dias em cativeiro, os fieis foram libertados graças aos esforços das forças de segurança e dos representantes do Governo, segundo as autoridades de Kwara.

Alguns estados da Nigéria, particularmente nas regiões central e noroeste do país, sofrem ataques constantes de “bandidos”, termo utilizado para descrever os gangues criminosos que cometem agressões e raptos em massa para obter resgate e que as autoridades classificam por vezes como “terroristas”.

Pelo menos oito pessoas morreram e outras sete  estão desaparecidas na província angolana de Benguela, na sequência do transbordo do rio Cavaco e fortes chuvas no fim de semana, divulgou hoje o serviço de bombeiros.

O balanço provisório do Serviço de Proteção Civil e Bombeiros, citado pela RTP, destacou que 3 624 pessoas foram salvas em consequência das chuvas e 7 mil famílias alojadas no centro de acolhimento provisório do Campismo, no município de Benguela.

Os bombeiros descreveram que 367 residências desabaram e 3 313 pessoas ficaram isoladas, bem como 62 cabeças de gado bovino, na zona ribeirinha do rio Halo.

As chuvas provocaram a destruição da ponte sobre o rio Halo e parcial da ponte sobre o rio Hondio, além de danos em paineis solares, motobombas, postes de transporte de energia, infraestruturas de captação e distribuição de água, viaturas e várias inundações.

Um comunicado do Governo provincial de Benguela destacou que as autoridades contabilizam 9 mil famílias afectadas, apontando para uma tendência de normalização na maioria dos bairros atingidos, com a diminuição da pluviosidade e eficácia das primeiras intervenções de drenagem.

O Governo da província de Benguela sublinhou que, no quadro do reforço das infra-estruturas de escoamento, foram concluídas as obras no rio Hôndio, no município de Caimbambo, prevendo-se que a infraestrutura entre em funcionamento já na terça-feira.

A medida foi considerada determinante “para reduzir o risco de cheias e melhorar a drenagem das águas pluviais naquela zona”.

Mais de 200 pessoas morreram em ataques aéreos no nordeste da Nigéria, enquanto aeronaves militares caçavam grupos terroristas de Boko Haram. A Amnistia Internacional confirmou o sucedido e exige investigação imediata, independente e imparcial 

Um ataque de aviões militares da Nigéria resultou, neste domingo, na morte de pouco mais de 200 de civis, quando o exército perseguia um grupo terrorista de Boko Haram.

A Amnistia Internacional confirmou o sucedido, a partir de depoimentos de sobreviventes, afirmando estar a acompanhar de perto a situação.

“Estamos em contato com as pessoas que estão lá, falamos com o hospital. Conversamos com o responsável pelo atendimento às vítimas e com as próprias vítimas”, disse Isa Sanusi, diretor da Anistia Internacional na Nigéria, à agência de notícias Associated Press.

De acordo com a Deutsche Welle, a Amnistia Internacional cobrou das autoridades nigerianas uma investigação imediata, independente e imparcial sobre o ataque, e pediu que os responsáveis sejam levados a prestar contas

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ofereceu-se para mediar os esforços para alcançar a paz no Médio Oriente após o fracasso das negociações entre os EUA e o Irão, em Islamabad.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, conversou, neste domingo, com o seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, após o fracasso das negociações entre os Estados Unidos e o Irão, em Islamabad, no Paquistão, e ofereceu-se para “mediar os esforços para alcançar a paz” no Médio Oriente.

“Vladimir Putin enfatizou a sua disponibilidade para facilitar ainda mais a procura de uma solução política e diplomática para o conflito e para mediar os esforços para alcançar uma paz justa e duradoura no Médio Oriente”, afirmou o Kremlin num comunicado, citado pela Al Jazeera. 

A Rússia, sublinhe-se, tem em curso uma guerra contra a Ucrânia desde Fevereiro de 2022, quando invadiu o país vizinho, na qual tem contado com o apoio do Irão no fornecimento de armamento, nomeadamente de drones Shahed.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, deu por terminadas as negociações entre Washington e Teerão, sem acordo de paz, depois de os iranianos se recusarem a aceitar as condições americanas de não desenvolverem uma arma nuclear.

“A verdade é que precisamos de ver um compromisso afirmativo de que não irão procurar obter uma arma nuclear, nem irão procurar as ferramentas que lhes permitiriam alcançar rapidamente uma arma nuclear”, disse Vance aos jornalistas, numa breve conferência de imprensa em Islamabad.

Segundo a Irib, a televisão estatal iraniana, foram as “exigências irracionais” dos Estados Unidos que levaram ao fracasso das negociações.

“A delegação iraniana negociou incansavelmente e de forma intensiva durante 21 horas para defender os interesses nacionais do povo iraniano. Apesar de várias iniciativas da parte [iraniana], as exigências irrazoáveis da parte americana impediram que as negociações avançassem. As negociações chegaram, portanto, ao fim”, anunciou a Irib na rede de mensagens Telegram.

Já o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que liderou as delegações do seu país nas negociações com os Estados Unidos, no Paquistão, afirmou este domingo que Washington “não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana”.

“Os Estados Unidos compreenderam a nossa lógica e os nossos princípios, e agora é tempo de decidirem se podem ou não merecer a nossa confiança”, acrescentou.

Os Estados Unidos da América abandonaram as negociações com o Irão, realizadas em Islamabad, no Paquistão, sem alcançar um acordo de paz, devido a divergências nas exigências entre as partes beligerantes. 

As negociações de alto nível entre Washington e Teerão iniciaram na última sexta-feira, no Paquistão, e neste sábado, terminaram sem consenso, depois de mais de 20 horas de conversações marcadas por divergências profundas, sobretudo em torno do programa nuclear iraniano.

A má notícia é que não chegamos a um acordo, e eu acho que é má notícia para o Irão do que os Estados Unidos da América. Voltamos aos Estados Unidos, não tendo chegado a um acordo. Nós deixamos muito claro quais são nossas linhas vermelhas, quais são as coisas que estávamos dispostos a acomodá-las e quais coisas não estávamos dispostos a acomodá-las. disse JD Vance Vice-presidente norte-americano

Apesar de estar aberto para continuar a negociar, o Irão aponta que não esperava um acordo imediato e acusa os Estados Unidos de terem inviabilizado qualquer progresso, apontando para aquilo que classifica como exigências inaceitáveis.

E nós deixamos isso o mais claro possível, e eles escolheram não aceitar nossos termos. Nós esperamos que os dois lados continuem com o espírito positivo para alcançar a paz duradoura e prosperidade para toda a região. É imperativo que as partes continuem com o compromisso de apoiar o cessar fogo.Esmaeil Baghaei  Ministério das Relações Exteriores iraniano. Contudo, o Paquistão espera dias melhores. 

O Paquistão tem sido e continuará a fazer seu papel para facilitar o engajamento e o diálogo entre a República Islâmica do Irão e os Estados Unidos da América nos próximos dias.

As negociações poderão ser retomadas nos próximos dias, mas o cenário é de incerteza e de posições ainda distantes entre Washington e Teerão, o que poderá colocar em causa o cessar-fogo de duas semanas e passagem de navios no Estreito de Ormuz.

 

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