O nível geral de preços em Moçambique voltou a registar uma subida no início do ano, com a inflação anual a fixar-se em 3,20% em Fevereiro, segundo dados do Índice de Preços no Consumidor (IPC). O indicador, que mede a variação média dos preços de bens e serviços consumidos pelas famílias nas principais cidades do País, confirma uma tendência de encarecimento gradual do custo de vida.
De acordo com o relatório do Índice de Preços no Consumidor, os preços aumentaram 0,68% apenas no mês de Fevereiro, enquanto a inflação acumulada desde o início do ano atingiu 1,94%.
“Em termos homólogos, a variação do Índice de Preços no Consumidor fixou-se em 3,20%”, lê-se no documento, que sublinha que a subida dos preços foi influenciada, sobretudo, pelo comportamento do sector alimentar e de alguns combustíveis domésticos.
Na prática, o indicador mostra que os consumidores estão a pagar mais pelos mesmos bens e serviços quando comparados com o mesmo período do ano passado, com impacto directo sobre o poder de compra das famílias.
A análise da composição da inflação revela que a divisão de alimentação e bebidas não-alcoólicas voltou a assumir um peso determinante na variação mensal do índice.
Segundo o relatório, “esta divisão foi a que mais contribuiu para o aumento do índice no mês em análise”, reflectindo a subida de preços de vários produtos de consumo corrente.
Entre os itens que mais pressionaram a inflação, destacam-se o carvão vegetal, o tomate, o carapau, a couve e a alface. O carvão vegetal, amplamente utilizado nas zonas urbanas como fonte de energia doméstica, registou um aumento de cerca de 9,8%, posicionando-se entre os produtos com maior impacto na inflação do mês.
No período em referência, produtos alimentares frescos, particularmente hortícolas e pescado, registaram variações positivas de preços, tendência frequentemente associada a factores como custos logísticos, disponibilidade de oferta e sazonalidade agrícola.
Tratando-se de produtos que integram a base alimentar da maioria das famílias urbanas, a subida destes preços tende a repercutir-se rapidamente no orçamento doméstico.
Apesar da trajectória de subida, alguns produtos registaram redução de preços durante o período em análise, contribuindo para moderar a variação global do índice.
Entre os bens que registaram descidas figuram o coco, a batata reno, os ovos de galinha, a cenoura, o milho em grão e a cerveja consumida fora de casa.
“O comportamento descendente de preços destes produtos contribuiu negativamente para a variação mensal do índice”, refere o relatório.
Ainda assim, a magnitude destas reduções não foi suficiente para neutralizar a pressão exercida pelos aumentos registados em alimentos e combustíveis domésticos.
A análise em termos anuais mostra igualmente aumentos em sectores ligados aos serviços. A divisão de restaurantes, hotéis, cafés e estabelecimentos similares registou uma subida próxima de 4,95% em termos homólogos.
Esta evolução reflecte, em grande medida, o encarecimento de insumos utilizados por estes estabelecimentos, incluindo alimentos, energia, transporte e outros custos operacionais, que acabam por ser parcialmente transferidos para os preços finais cobrados aos consumidores.
Embora o relatório se limite a apresentar a evolução estatística dos preços, a dinâmica inflacionária é frequentemente explicada por uma combinação de factores estruturais da economia.
Entre eles destacam-se custos de transporte, dependência de importações, variações na produção agrícola e oscilações de preços nos mercados internacionais.
Moçambique continua dependente da importação de diversos bens de consumo e matérias-primas, o que torna a economia sensível a alterações nos custos de importação e nas cadeias globais de abastecimento.
Paralelamente, o comportamento da produção agrícola interna, fortemente condicionado por factores climáticos, influencia a disponibilidade de alimentos no mercado e, consequentemente, a formação de preços.
Para os consumidores, a inflação traduz-se numa redução gradual do poder de compra. Quando os preços aumentam, o rendimento disponível tende a adquirir uma quantidade menor de bens e serviços.
Este efeito é particularmente visível em produtos de consumo frequente, como alimentos e energia doméstica, que representam uma parcela significativa das despesas das famílias.
Nas áreas urbanas, onde o carvão vegetal continua a ser amplamente utilizado para cozinhar, a subida do preço deste combustível pode representar um encargo adicional relevante para milhares de agregados familiares.
Perante o comportamento dos preços, as autoridades económicas têm reiterado o compromisso de manter a inflação dentro de níveis considerados sustentáveis.
O Banco de Moçambique tem mantido uma política monetária orientada para a estabilidade macroeconómica, procurando equilibrar o controlo da inflação com a necessidade de apoiar o crescimento económico.
Ao mesmo tempo, o Governo tem apostado em iniciativas destinadas a reforçar a produção agrícola nacional, com o objectivo de aumentar a oferta de alimentos e reduzir a vulnerabilidade do país a choques externos.
Programas de incentivo à produção e melhoria das cadeias de abastecimento são frequentemente apontados como instrumentos fundamentais para estabilizar os preços no médio prazo.
Apesar da aceleração registada em Fevereiro, os níveis actuais de inflação permanecem relativamente moderados quando comparados com períodos anteriores marcados por aumentos mais expressivos do custo de vida.
Ainda assim, o comportamento dos preços ao longo de 2026 continuará dependente de factores como a evolução dos preços internacionais de combustíveis, o desempenho da campanha agrícola e as condições logísticas de abastecimento interno.

