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Hélder Mendonça questiona liderança de Forquilha e admite assumir PODEMOS

Hélder Mendonça alerta que, se Albino Forquilha se mantiver na gestão do partido, o PODEMOS não vai conseguir eleger nenhum deputado nas próximas eleições. Mendonça acusa a direcção de limitar a democracia interna, aponta situações que considera nepotismo e admite aceitar uma eventual indicação para liderar a formação política.

O membro do PODEMOS, Hélder Mendonça, considera que Albino Forquilha não está a conseguir liderar e agregar os membros do partido e alerta que, sem mudanças na gestão interna, a formação política poderá comprometer a sua representação parlamentar nas próximas eleições. Em entrevista exclusiva ao O País , Mendonça aponta a falta de diálogo, as fragilidades no funcionamento dos órgãos e a perda de confiança pública como alguns dos factores que ameaçam o futuro do partido.

“Eu penso que não”, respondeu Hélder Mendonça, quando questionado se considera Albino Forquilha a pessoa indicada para dirigir os destinos do PODEMOS. O membro fundamenta a sua posição nos processos judiciais envolvendo o partido e na dificuldade de encontrar consensos entre os seus membros.

“Quando começamos a sentir que também há dificuldades de dialogar e encontrar consenso com os membros a nível interno, esse é mais um elemento que nos faz pensar que a liderança não está a conseguir, neste momento, agregar os seus membros”, afirmou.

Mendonça considera ainda que a democracia interna está comprometida, apontando discrepâncias entre listas de composição do Conselho Central, referentes a sessões realizadas em Maio de 2025 e Fevereiro de 2026. Segundo explica, há nomes que terão integrado o órgão sem terem sido eleitos ou passado por um processo de preenchimento de vagas, conforme defende que estabelecem os estatutos do partido.

“A democracia interna está bastante beliscada”, declarou, acrescentando que a indicação de membros para órgãos partidários, em vez da eleição prevista nos estatutos, pode condicionar a liberdade de actuação dos militantes, por estes recearem perder os cargos que ocupam.

Sobre as questões de nepotismo levantadas na sua nota pública, Hélder Mendonça afirma que não pretende formular acusações, mas expor situações que, no seu entender, exigem esclarecimento dentro do partido.

“Não trago acusações, trago algumas matérias reais para que os membros possam reflectir aquilo que se pretende com a organização política”, afirmou, defendendo a criação de mecanismos que permitam esclarecer os procedimentos internos e responder às preocupações dos militantes.

O membro sustenta que as divergências deveriam ter sido resolvidas através do diálogo interno, mas afirma que o presidente do partido optou por remeter as questões para os tribunais.

Questionado sobre a possibilidade de vir a candidatar-se à presidência do PODEMOS, caso seja indicado por outros quadros do partido, Hélder Mendonça não exclui essa hipótese e afirma que estaria disponível para assumir a responsabilidade.

“Se houver essa possibilidade, é claro, vai ser uma missão e não direi não aos meus membros”, declarou, ressalvando, contudo, que, na ausência desse cenário, o partido deverá encontrar um representante capaz de garantir o funcionamento interno e recuperar a confiança da sociedade.

Para Mendonça, a reestruturação do PODEMOS é indispensável para recuperar a credibilidade política e jurídica da organização, fortalecer os seus quadros e melhorar a capacidade de mobilização eleitoral.

O membro alerta que a actual exposição pública dos conflitos internos poderá prejudicar os resultados eleitorais do partido.

“Não creio que, se nós continuarmos a permitir que a opinião pública continue tão a nosso desfavor como está neste momento, a gente consiga eleger deputados nas próximas eleições”, advertiu.

Hélder Mendonça defende, por isso, mudanças na gestão do PODEMOS, maior respeito pelos estatutos e a criação de condições para que o partido recupere a estabilidade institucional e a confiança dos eleitores.

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