O antigo Presidente da República, Armando Guebuza, manifestou reservas em relação ao mais recente relatório do Banco Mundial que coloca Moçambique como o segundo país mais pobre do mundo, questionando os critérios e a interpretação dos dados apresentados.
Falando nesta terça-feira, à margem das celebrações do 7 de Abril, na Praça dos Heróis, Armando Guebuza relativizou as conclusões do documento e afirmou não haver razões para alarmismo.
“Quem é que disse que não somos pobres? Alguma vez o Banco Mundial disse que não somos pobres? Os relatórios sempre disseram que a pobreza é moçambicana e depois dizem que somos pobres. Nós aceitamos e propagamos”, declarou.
O antigo Chefe de Estado, que liderou o País durante uma década e manteve contacto directo com parceiros internacionais, incluindo o Banco Mundial, sugeriu que as conclusões devem ser analisadas com cautela, tendo em conta o histórico das avaliações feitas ao País.
Também a antiga Primeira-Dama, Maria da Luz Guebuza, levantou dúvidas sobre o retrato traçado pelo relatório, defendendo que Moçambique tem registado avanços em vários sectores, com destaque para o papel da mulher no desenvolvimento económico.
“A mulher moçambicana, em todos os cantos do País, acorda às três ou quatro da manhã para trabalhar no campo”, afirmou, acrescentando que a presença feminina nos mercados e na produção alimentar demonstra a sua contribuição decisiva para a economia nacional. “Nós vemos um número grande de mulheres que trabalham e alimentam o País, tanto nas cidades como no campo”, sublinhou.
Apesar das críticas, Maria da Luz reconheceu que os métodos de avaliação pertencem à instituição internacional. “Eles sabem como fazem as avaliações, não sei, é avaliação deles”, disse.
As declarações surgem num contexto em que o relatório do Banco Mundial reacende o debate sobre os níveis de pobreza no País e os desafios persistentes no desenvolvimento económico e social, mesmo perante sinais apontados por alguns sectores como indicadores de progresso.

