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Governo promete reabilitar Instituto Agrário de Chókwè 60 anos depois da sua entrada em funcionamento

Seis décadas depois da sua entrada em funcionamento, o Instituto Agrário de Chókwè continua a enfrentar problemas de degradação e falta de carteiras, agravados pelas cheias de Janeiro. Mais de 400 alunos estudam em condições consideradas inadequadas. Perante o cenário, o Governo promete reabilitar a instituição.

Oito meses depois das chuvas que deixaram um rasto de destruição num dos maiores institutos agrários do país, em Gaza, os efeitos ainda se fazem sentir.No Instituto Agrário de Chókwè, há salas e dormitórios com portas e janelas danificadas, compartimentos alagados e espaços sem energia eléctrica.

“A água que vem do internato, sim, aquela água dos banheiros cai directo no quarto, então outros quartos estão abandonados. É muito escuro porque está muito danificado e não tem energia”, relatou um estudante do Instituto Agrário de Chókwè.

As limitações atingem igualmente a componente prática da formação. Os estudantes dizem que a destruição provocada pelas chuvas reduziu as possibilidades de aprender directamente no campo.

“Queremos aprender muito mais sobre a produção de culturas industriais, culturas em larga escala. E não temos essa oportunidade de estar frente a frente porque os nossos tractores foram danificados durante as chuvas”, explica outro estudante.

Ao todo, dois tractores ficaram danificados com as chuvas, comprometendo as actividades práticas dos estudantes.

Os estragos não se limitaram ao equipamento agrícola. A administração estima a perda de cerca de 250 colchões e danos numa área de produção agrícola de aproximadamente dez hectares, onde eram cultivadas culturas destinadas também a apoiar a alimentação dos estudantes.

“Bem, sofremos em termos de infra-estrutura. Tivemos uma aceleração da degradação. Perdemos colchões. Também perdemos, estimamos, cerca de 250 colchões. Além disso, tivemos perda de produção em uma área de 10 hectares. Tínhamos plantações no campo, que seriam muito úteis para os estudantes e moradores do centro, em termos de alimentação”, explica o administrador de Chókwè, Narciso Nhamuco.

Para mitigaros efeitos das cheias, o Governo e parceiros entregaram diversos bens ao Instituto Agrário de Chókwè, entre colchões e outro material de apoio.Parte dos bens existentes na instituição foi danificada pelas águas, enquanto outro material terá sido alvo de vandalismo e furto.

A Itália disponibilizou 2,5 milhões de meticais para a aquisição de material de emergência, enquanto a sociedade civil italiana mobilizou outros 500 mil meticais.

O vice-embaixador da Itália em Moçambique, Eugeniu Rotaru, considera a intervenção uma resposta inicial aos danos provocados pelas chuvas e destaca a necessidade de apoiar a recuperação da instituição.

“Esta é uma fase inicial da resposta a este pedido de apoio, levando em consideração o impacto das chuvas na área do próprio instituto e nos seus edifícios, onde residem 118 dos 421 estudantes”, afirma Eugeniu Rotaru.

Apesar da intervenção, os estudantes dizem que ainda há problemas por resolver. A falta de carteiras continua a afectar mais de 400 alunos e obriga grande parte dos estudantes a assistir às aulas sentados no chão.

“Sentar no chão não é fácil de estudar. Você se cansa, às vezes a coluna dói. Quase a escola inteira”, queixa-se Lina Manhique, estudante do Instituto Agrário de Chókwè.

É perante este cenário que o Governo anunciou a reabilitação do Instituto Agrário de Chókwè, numa intervenção que pretende recuperar as infra-estruturas e melhorar as condições de formação agrícola.

O anúncio surge quando a instituição se aproxima dos 60 anos desde a sua entrada em funcionamento “Vamos reformar o centro de treinamento e também fazer melhorias em termos de equipamentos e materiais voltados para a área agrícola. Portanto, trata-se de uma instituição que se beneficiará com essa intervenção”, assegura o secretário de Estado do Ensino Técnico e Profissional, Leo Jamal.

Segundo o Governo, o empreiteiro terá um mês para se mobilizar e iniciar as intervenções.Ao todo, mais de 30 milhões de euros serão investidos na reabilitação e apetrechamento de nove instituições de formação técnico-profissional em diferentes pontos do país.

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