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Governo fixa metas ambiciosas para agricultura e aposta na industrialização rural

O Governo quer produzir 3,4 milhões de toneladas de cereais, 929 mil toneladas de leguminosas e mais de 10 milhões de toneladas de raízes e tubérculos durante a campanha agrária 2025/2026, anunciou, ontem, o Presidente da República, Daniel Chapo, no lançamento oficial da nova época de produção, em Mafambisse, província de Sofala.

As metas, alinhadas ao Plano Estratégico de Desenvolvimento do Sector Agrário (PEDSA 2030), pretendem impulsionar a produtividade e garantir autossuficiência alimentar num país onde mais de 70% da população depende da agricultura para sobreviver. Segundo o Presidente, a nova campanha “marca o início de um ciclo de transformação económica que deve tornar a agricultura o verdadeiro motor da independência económica nacional”.

De acordo com Daniel Chapo, o Governo quer inverter a estrutura da economia, ainda dependente de produtos primários, e promover cadeias de valor que vão da produção à transformação e exportação. Além das metas de cereais e leguminosas, o plano prevê aumentar em 13% a produção de castanha de caju, 5% no gado bovino e 26% na produção de ovos, sectores considerados estratégicos para dinamizar o emprego rural e reduzir a dependência das importações alimentares.

“Cada machamba que floresce é uma fábrica viva. Cada agricultor é um herói anónimo da prosperidade nacional”, afirmou o Chefe de Estado, sublinhando que o novo desafio do país é “produzir mais, transformar localmente e exportar o excedente”.

Chapo considera que a agricultura é a “coluna vertebral da economia moçambicana” e que o futuro do país depende da sua capacidade de “gerar emprego, criar riqueza e garantir a estabilidade macroeconómica”. Para tal, o Executivo aposta num modelo de agricultura comercial inclusiva, com base em inovação tecnológica, acesso ao financiamento e fortalecimento do sector privado.

Durante a cerimónia, Daniel Chapo destacou três pilares centrais para sustentar a nova etapa do desenvolvimento agrário: um sector privado forte e inovador, uma juventude engajada e capacitada, bem como uma mulher rural empoderada.

“O campo deve ser visto como um espaço de negócios e de criação de riqueza, não como destino de pobreza. Queremos que os jovens encontrem na agricultura uma oportunidade de alta renda e dignidade”, declarou, acrescentando que “a mulher rural é a guardiã da semente e espinha dorsal da produção nacional”.

Anunciou ainda reformas estruturantes, com destaque para a revisão da Lei de Terras, que visa “garantir acesso justo e produtivo” e favorecer “jovens e mulheres com vocação agrícola”. A iniciativa pretende conciliar segurança jurídica, investimento e sustentabilidade, incentivando o uso produtivo das áreas cultiváveis e combatendo o abandono de terras.

Outro ponto de destaque foi a inauguração da Fábrica de Descasque e Processamento de Gergelim de Sofala, na localidade de Nhamayabué, distrito de Dondo. A unidade industrial, dotada de tecnologia moderna, permitirá transformar localmente o produto, que antes era exportado em bruto.

“Com esta fábrica, Sofala deixa de ser apenas produtora. Passa a ser também transformadora e exportadora, gerando emprego, rendimento e valor acrescentado para o país”, sublinhou o Chefe de Estado.

A nova fábrica representa, segundo Daniel Chapo, um marco na industrialização rural, ao conectar a agricultura à indústria e às exportações, e contribuir para a diversificação da base produtiva. “A independência económica constrói-se com trabalho, inovação e coragem. É isso que queremos simbolizar aqui em Sofala”, sublinhou.

No campo ambiental, o Presidente defendeu a integração da economia azul e da sustentabilidade ecológica na estratégia agrícola nacional, através de reflorestamento, uso racional dos recursos naturais e práticas adaptadas às mudanças climáticas. A aposta é consolidar uma agricultura sustentável e resiliente, capaz de garantir a segurança alimentar sem comprometer o futuro das próximas gerações.

O Governo prevê ainda o fortalecimento da investigação agrária e da extensão rural, modernizando o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique e a Direcção Nacional de Biossegurança e Sanidade. Estas instituições terão papel crucial na disseminação de tecnologias, insumos e boas práticas para aumentar a produtividade.

O Presidente encerrou o seu discurso com um apelo à união de esforços entre Estado, sector privado, parceiros de desenvolvimento e produtores, para garantir que a campanha agrária 2025/2026 “seja marcada por abundância, inovação e sustentabilidade”.

“Foi pela terra que lutamos. É na terra que trabalhamos. E será pela terra que conquistaremos a nossa independência económica”, concluiu Daniel Chapo, diante de agricultores, jovens e mulheres rurais presentes na cerimónia.

Fora do habitual  formalismo, e com foco na melhoria da produção, o Presidente da República, Daniel Chapo, liderou nesta quinta-feira, no posto administrativo Mafambisse, no distrito de Dondo, o plantio de arroz, ladeado por mulheres que são membros de associações camponesas daquele distrito, num gesto que simbolizou  o lançamento da campanha agrária 2025-2026.

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