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O País – A verdade como notícia

Governo compromete-se a valorizar os combatentes e preservar a sua história

O Presidente da República reafirmou, nesta segunda-feira, o compromisso do Estado moçambicano com a valorização dos combatentes da Luta de Libertação Nacional, destacando a necessidade de preservar a memória histórica e de transformar o legado da geração que conquistou a independência em inspiração para a construção de um país mais próspero, justo, unido e soberano.

O Chefe do Estado falava na Ponta Vermelha, durante a Gala Nacional dos Combatentes, realizada no âmbito das celebrações do 7 de Setembro, Dia da Vitória, que reuniu veteranos provenientes de diferentes províncias do País.

Pelo segundo ano consecutivo, a residência oficial do Presidente da República abriu as suas portas para acolher os combatentes da Luta de Libertação Nacional, num momento de confraternização e reconhecimento pelos sacrifícios feitos durante a luta.

Na sua intervenção, o Presidente da República destacou a presença de veteranos provenientes de diferentes pontos do País. 

Segundo o Presidente, o encontro permitiu aos combatentes recordar as longas marchas, missões, combates e sacrifícios que marcaram a sua juventude durante a luta pela libertação nacional.

“Em nome do povo moçambicano, hoje, Dia da Vitória, muito, muito, muito obrigado”, declarou o Chefe do Estado, dirigindo-se aos combatentes e, através deles, a todos os veteranos espalhados pelo País.

 

PONTA VERMELHA COMO SÍMBOLO DA DESCOLONIZAÇÃO

 

O Presidente da República explicou que a escolha da Ponta Vermelha para acolher a gala tem também um significado histórico, uma vez que o local faz parte da história colonial do País.

Recordou que, há cerca de 52 anos, muitos dos combatentes presentes na gala não tinham autorização para entrar naquele espaço. Hoje, afirmou, esses mesmos homens e mulheres entram pela porta principal, são recebidos com honra e sentam-se à mesma mesa na residência oficial do Chefe do Estado.

Para o Presidente, esta transformação representa uma das dimensões da independência nacional.

“Isto significa que nós descolonizámos a Ponta Vermelha”, afirmou, defendendo que a residência oficial do Presidente da República deve ser entendida também como “a casa de todos os moçambicanos”.

“Caros combatentes, sejam bem-vindos à vossa casa e à casa do povo”, acrescentou.

 

7 DE SETEMBRO COMO DIA DA VITÓRIA

 

Ao abordar o significado da data, o Presidente da República recordou que o 7 de Setembro de 1974, com a assinatura dos Acordos de Lusaka, marcou uma etapa decisiva no caminho para a independência nacional, proclamada a 25 de Junho de 1975.

Para o Chefe do Estado, o 7 de Setembro não deve ser visto apenas como mais uma data do calendário nacional, mas como “o dia da nossa vitória”.

O Presidente aproveitou igualmente a presença dos jovens na gala para apelar à valorização dos testemunhos dos combatentes.

Pediu à juventude que aproveite a oportunidade para conversar com os veteranos, conhecer as suas histórias e compreender como foi possível acreditar num Moçambique livre numa altura em que a independência ainda parecia distante.

Na sua perspectiva, a preservação da memória histórica é fundamental para o futuro do País. “Um país que preserva a memória dos seus heróis fortalece também a sua capacidade de construir o futuro”, afirmou.

 

Governo destaca medidas de apoio aos combatentes

O Presidente da República apresentou igualmente algumas das medidas tomadas pelo Governo para apoiar os combatentes durante os primeiros 18 meses de governação.

De acordo com os dados apresentados, foram distribuídos cerca de 3500 cartões de identificação dos combatentes e prestada assistência médica e medicamentosa a perto de 15 mil combatentes.

O Governo concedeu ainda subsídios de funeral a mais de mil famílias e atribuiu 426 bolsas de estudo a descendentes dos combatentes, entre outras acções.

O Chefe do Estado reconheceu que estas medidas estão a ser implementadas num contexto financeiro difícil, mas defendeu que a valorização dos combatentes não pode limitar-se a discursos.

“Valorizar o combatente não se faz apenas com palavras, mas também com acções concretas”, sublinhou. Na gala, 11 combatentes, representando as 11 províncias do País, receberam brindes das mãos do Presidente da República, num gesto simbólico de reconhecimento.

 

PROCESSO DE FIXAÇÃO DE PENSÕES

Outro dos pontos destacados pelo Presidente da República foi a situação das pensões dos combatentes. O Chefe do Estado manifestou preocupação com o facto de o número de combatentes registados continuar a crescer, enquanto o processo de fixação de pensões permanece por concluir. Segundo afirmou, trata-se de um processo que se arrasta há mais de 40 anos.

Perante esta situação, anunciou que o Governo decidiu encerrar o processo de fixação de pensões dos combatentes. Para o Presidente, esta decisão está igualmente relacionada com a necessidade de garantir maior rigor na identificação dos verdadeiros combatentes. “Valorizar o verdadeiro combatente é também purificar as suas fileiras”, afirmou.

 

Preservar o legado e conquistar a independência económica

Na parte final da intervenção, o Presidente da República defendeu que as celebrações de datas históricas devem levar o País a realizar um exercício de reflexão sobre o passado, o presente e o futuro. Segundo explicou, é necessário olhar para o passado “com orgulho e admiração”, encarar o presente com responsabilidade e perspectivar o futuro “com ambição e esperança”.

A primeira responsabilidade, acrescentou, é honrar os combatentes e preservar a memória daqueles que participaram na Luta de Libertação Nacional. O Presidente recordou ainda a cerimónia realizada durante a manhã na Praça dos Heróis Moçambicanos, sublinhando que iniciativas semelhantes tiveram lugar nas províncias e distritos.

Para o Chefe do Estado, honrar os combatentes significa também cuidar deles e garantir que o seu contributo seja reconhecido através de medidas concretas.

Na sua mensagem final, o Presidente afirmou que Moçambique não esquece os que tombaram durante a Luta de Libertação Nacional, nem aqueles que sobreviveram, às famílias que se sacrificaram e todos os homens e mulheres que acreditaram na liberdade quando esta ainda parecia impossível. “A vossa vitória deu-nos uma pátria”, declarou.

Segundo o Presidente, cabe à actual geração transformar essa conquista numa Nação cada vez mais próspera, justa, unida e soberana.

“A vossa geração cumpriu com honra a missão que a história lhes confiou. Cabe-nos honrar esse legado, cumprindo a nossa missão de conquistar a independência económica”, afirmou. O Chefe do Estado encerrou a intervenção reiterando a necessidade de preservar o legado dos combatentes e saudando a Gala Nacional dos Combatentes, o Dia da Vitória e Moçambique.

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