Na última sexta-feira, a cidade de Inhambane foi o epicentro de uma importante iniciativa de apoio ao sector privado: o lançamento oficial da IV Edição do Fundo Catalítico para Inovação e Demonstração. Este mecanismo de financiamento, que integra o Projecto Mais Oportunidades, disponibiliza 17 milhões de dólares para Pequenas, Médias e Grandes Empresas (PME) das províncias de Manica, Sofala, Gaza e Inhambane, com foco nos sectores de agronegócio, turismo e construção civil.
A cerimónia, que contou com a presença de altas figuras do Governo, representantes do sector privado e empresários locais, marca um novo capítulo no apoio ao desenvolvimento económico sustentável em Moçambique.
Nelson Rodrigues, Director de Assistência Técnica e Financeira da Agência de Desenvolvimento do Vale do Zambeze, sublinhou a relevância deste lançamento, que pela primeira vez estende o Fundo Catalítico às províncias de Gaza e Inhambane. “Este alargamento confere uma dimensão nacional ao fundo, reforçando o compromisso do Governo e dos seus parceiros no apoio às empresas, independentemente da sua localização geográfica”, explicou.
Com o apoio do Banco Mundial, o fundo tem como objectivo melhorar o acesso ao mercado das PME através de subvenções comparticipadas, permitindo aos empresários investir em projectos inovadores e geradores de impacto social e económico. Segundo Rodrigues, o processo de candidatura será regido por critérios rigorosos e transparentes, sendo supervisionado por um Comité de Investimento independente, constituído maioritariamente por membros do sector privado.
A Ministra das Finanças, Carla Louveira, destacou o simbolismo do evento num contexto marcado por desafios económicos severos. “Este fundo surge num momento crucial, quando o sector privado enfrenta os impactos das manifestações violentas e de uma economia em recuperação. Estamos a oferecer um instrumento poderoso para revitalizar as empresas e, consequentemente, a economia nacional”, afirmou.
A governante referiu ainda que esta iniciativa se junta a outras medidas do Governo, como a recente criação de uma linha de crédito bonificada no valor de 10 mil milhões de meticais, destinada a apoiar a tesouraria e o investimento das empresas. “Acreditamos que, com o Fundo Catalítico e outras iniciativas, será possível criar condições para que o sector privado continue a desempenhar o seu papel como motor do crescimento económico”, concluiu Louveira.
Francisco Pagula, Governador de Inhambane, enalteceu a escolha da província para acolher o evento, considerando-o um reconhecimento do seu potencial económico. “Inhambane é uma terra de oportunidades, rica em recursos energéticos e minerais, mas também com desafios consideráveis no emprego e na qualidade de vida das suas comunidades. Este fundo é uma oportunidade de ouro para transformar o nosso potencial em realidade económica”, afirmou.
O governante apelou aos empresários da província para que aproveitem esta oportunidade única, apresentando projectos que impactem positivamente as suas comunidades e promovam o desenvolvimento inclusivo.
Bruno Comini, Presidente da Câmara de Comércio de Moçambique em Inhambane, acolheu o fundo com otimismo, mas apontou desafios para a sua implementação. “Este é um sinal claro de que o Governo está empenhado em apoiar o sector privado. No entanto, será necessário que as empresas estejam bem organizadas e cumpram os requisitos legais para acederem a este financiamento”, disse.
Comini acredita que o fundo representa uma oportunidade para dinamizar os negócios na província, particularmente no turismo, um sector duramente afetado nos últimos anos. “É uma lufada de ar fresco num período difícil para o empresariado”, acrescentou.
Armindo Hamene, operador turístico, partilhou um sentimento semelhante. “O fundo é exactamente o que precisamos. Embora saibamos que será um processo competitivo e exigente, estamos confiantes de que muitas empresas poderão beneficiar deste apoio”, afirmou.
O Fundo Catalítico não é apenas um mecanismo financeiro, mas também uma ferramenta de transformação económica. Segundo os dados apresentados, o programa visa financiar cerca de 100 empresas nas quatro províncias abrangidas, com o potencial de gerar milhares de empregos diretos e indiretos.
Os intervenientes concordaram que o sucesso do fundo dependerá da capacidade dos empresários em apresentar propostas viáveis e de impacto, bem como da agilidade e transparência no processo de seleção.
Para Nelson Rodrigues, a experiência acumulada pela Agência do Zambeze na implementação de edições anteriores do fundo é um trunfo que garante a sua eficácia e credibilidade. “Estamos determinados em continuar a promover o crescimento económico sustentável através do apoio ao sector privado”, assegurou.
A cerimónia terminou com um apelo coletivo às empresas para submeterem candidaturas e abraçarem esta oportunidade histórica. “O Fundo Catalítico não é apenas um financiamento; é um compromisso do Governo com o sector privado e o futuro económico de Moçambique”, concluiu a Ministra das Finanças.
Este lançamento consolida o Fundo Catalítico como um instrumento estratégico para revitalizar o sector privado e impulsionar o desenvolvimento económico nas regiões abrangidas. Com critérios rigorosos, mas com o potencial de transformar empresas e comunidades, esta iniciativa reforça a aposta no crescimento inclusivo e sustentável do país.