Os terminais interprovinciais e internacionais da cidade de Maputo registam um fluxo reduzido de passageiros nesta Páscoa. O cenário está associado ao receio de viajar devido às interrupções frequentes na EN1, devido às inundações e as longas filas na fronteira de Ressano Garcia, factores que já começam a impactar as receitas dos transportadores.
Habitualmente marcados por enchentes e intensa circulação de pessoas que deixam a capital em direcção às suas zonas de origem, os terminais apresentam agora um ambiente calmo, com poucos passageiros e longos períodos de espera.
Nos terminais de transporte, motoristas e operadores descrevem um cenário difícil, longe das expectativas para um período que, em anos anteriores, garantia ganhos significativos. O transportador, Eugénio Abílio, relata a fraca procura desde as primeiras horas do dia. “Não há movimento nenhum. Eu cheguei aqui às 5h30… estou a seguir os carros, vou a Xai-Xai, mas o primeiro carro ainda não saiu para essa hora. Nem parece ser o Good Friday… não estamos a ter passageiros. Nem as chapas de Inhambane estão aqui retidas, por falta de passageiros. É quebra para nós, de verdade”, afirma, sublinhando que algumas viaturas são obrigadas a sair com menos de metade da sua capacidade, o que compromete seriamente a rentabilidade das viagens.
A preocupação estende-se também aos representantes do sector, que apontam a insegurança nas estradas como um dos principais factores para o afastamento dos passageiros. Raul Estevão, representante dos transportadores da Junta, explica que a situação actual está ligada a episódios recentes que afectaram a circulação. “As pessoas estão a temer essa situação, porque cada vez mais há receio de interrupções. Tem que se arranjar as estradas, porque é por onde as pessoas fazem as suas deslocações”, defende. O responsável acrescenta que muitos utentes optaram por alternativas ou simplesmente desistiram de viajar, receando ficar retidos por longos períodos, sobretudo em zonas críticas como Xai-Xai.
Do lado dos passageiros e transportadores que fazem ligações internacionais, os relatos confirmam as dificuldades, sobretudo na travessia da fronteira. Pedro Sitoe, transportador, conta que a experiência recente foi marcada por horas de espera. “Levei muito tempo na fronteira. Cheguei às duas e meia e só saí às sete e trinta. O congestionamento é mesmo do lado sul-africano para entrar em Moçambique”, explica, acrescentando que, apesar de algumas medidas de alívio, como a criação de vias alternativas, o processo continua lento. A situação é confirmada também por passageiros como Jaime Oliveira, que descreve uma viagem marcada por atrasos e incertezas. “Está difícil… pode-se levar muito tempo para chegar. Até agora muitas pessoas ainda estão lá. Atrás está péssimo”, relata, referindo-se às condições enfrentadas ao longo do percurso.
Até ao fecho desta reportagem, às 12 horas desta sexta-feira, o fluxo mantinha-se reduzido, com a saída e entrada de menos de 15 transportes de passageiros, entre autocarros e mini-buses. Na Junta, apenas um autocarro havia partido com destino à Beira, enquanto outras viaturas seguiam, de forma intermitente, para diferentes pontos do país e para a África do Sul. Raul Estevão reforça que o contraste com anos anteriores é evidente. “Nos anos com movimento, poderiam ter saído mais de vinte ou trinta carros pequenos, e dois ou três grandes. Mas hoje, das sete até às dez, só entraram quatro viaturas. Normalmente, há muitos carros a entrar da África do Sul, mas agora não temos passageiros do lado”, explica.
No terminal da Baixa, apesar de algumas partidas registadas ao longo da manhã, o silêncio substitui o habitual movimento intenso da Páscoa.
Apesar das dificuldades, prevalece ainda a esperança de uma recuperação gradual do movimento nos próximos dias, à medida que se aproxima o auge das celebrações festivas.

