O presidente da FIFA, Gianni Infantino, garantiu, esta segunda-feira, numa extensa entrevista concedida à estação televisiva mexicana Univision, que o Irão irá mesmo participar no Campeonato do Mundo, apesar da guerra com os Estados Unidos da América, um dos organizadores da prova, juntamente com o Canadá e o México.
“Isso é fundamental, e temos, todos juntos, de defendê-lo. Vivemos num contexto geopolítico muito complexo. Nós não temos a possibilidade de resolver problemas e conflitos geopolíticos, mas temos, sim, a possibilidade de unir, de criar oportunidades para unir o mundo, fisicamente”, começou por afirmar o líder do organismo que rege o futebol internacional.
“São 48 países, com milhões de adeptos, que virão ao México, ao Canadá e aos Estados Unidos da América, e virão com um espírito de paz, um espírito de celebração, porque querem estar juntos e querem celebrar. Temos de defender… Sim, no mundo, há divisões. O nosso objetivo, a nossa tarefa, a nossa visão e o nosso trabalho é a união, construir pontes para todos”, acrescentou.
Gianni Infantino assumiu, ainda assim, que a tarefa não é fácil: “É claro que vivemos no mundo real, e sabemos qual é a situação, que é muito complicada, mas trabalhamos e vamos fazer com que o Irão jogue este Mundial nas melhores condições. Uma seleção nacional, seja ela a do Irão ou qualquer outra, é a seleção do povo, de todo o povo”.
“Do povo que está com o governo, do povo que está contra o governo, em qualquer país, seja da oposição ou dos que estão no poder. É igual, é o povo, e o Irão representa o seu povo, viva ele no Irão ou fora do Irão. Qualificaram-se desportivamente para este Mundial, foi uma seleção que se qualificou muito cedo”, sublinhou.
“É um país de futebol. Queremos que jogue, e vai jogar o Mundial. Não há planos B, C ou D. É o plano A. Vamos unir, juntos, em harmonia e felicidade. É isso que temos de fazer, e vamos fazer”, completou o ítalo-suíço, que ocupa este cargo já desde 2016, aquando da polémica exoneração de Joseph Blatter.
“O Irão não tem condições para participar no Mundial”
Esta tomada de posição por parte de Gianni Infantino surge menos de um mês depois de o próprio ministro do Desporto do Irão, Ahmad Donyamali, ter aberto caminho à desistência do Campeonato do Mundo, face ao escalar da tensão bélica que se tem vindo a viver, ao longo de todo o Médio Oriente.
“Uma vez que este governo corrupto assassinou o nosso líder [o aiatola Ali Khamenei], não temos condições para participar no Mundial”, afirmou, em declarações reproduzidas pela agência noticiosa alemã Deutsche Presse-Agentur (DPA), referindo-se ao executivo norte-americano, liderado por Donald Trump.
“Na sequência das medidas maliciosas tomadas contra o Irão, duas guerras recaíram sobre nós, no espaço de oito ou nove meses, e vários milhares de pessoas foram assassinadas. Nesse sentido, não temos, definitivamente, possibilidade de participar desta forma”, acrescentou.
O Irão, recorde-se, está inserido no Grupo G do Mundial, juntamente com Nova Zelândia, Bélgica e Egito, e irá disputar todos os jogos desta fase inicial nos EUA, ainda que o México já se tenha disponibilizado para os receber, de maneira a contornar qualquer tipo de conflito entre ambos os países.

