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FIFA e UEFA satisfeitas com acordo com Real Madrid sobre a Superliga

Os presidentes da FIFA, Gianni Infantino, e da UEFA, Aleksander Ceferin, manifestaram, ontem, satisfação pelo acordo estabelecido com o Real Madrid, cujos princípios servirão para resolver os litígios jurídicos relacionados com a criação da Superliga europeia de futebol.

O Real Madrid anunciou, nesta quarta-feira, ter alcançado um “acordo de princípio” com a UEFA e a European Football Clubs (EFC), com vista à resolução das disputas relacionadas com o projecto da Superliga Europeia, colocando assim um ponto final num processo que se arrastava desde 2021.

Em comunicado divulgado através dos canais oficiais, o clube espanhol refere que o entendimento foi alcançado “após meses de discussões conduzidas no melhor interesse do futebol europeu” e que tem como objectivo o “bem-estar do futebol europeu a nível de clubes”, sublinhando o respeito pelo princípio do mérito desportivo, a sustentabilidade financeira a longo prazo e a melhoria da experiência dos adeptos através da tecnologia.

Segundo a nota, o acordo de princípio permitirá igualmente resolver os litígios judiciais associados à Superliga Europeia, desde que os princípios agora estabelecidos venham a ser formalmente executados e implementados. O Real Madrid não detalha, contudo, os termos concretos do entendimento alcançado.

O anúncio surge poucos dias depois de o Barcelona ter comunicado a desistência formal do projecto, deixando o clube madrileno como o último dos promotores iniciais ainda ligado à iniciativa.

O acordo agradou as lideranças da FIFA e da UEFA, que consideram uma decisão bem tomada por parte do Real Madrid, para o bem do futebol europeu.

“Ontem [quarta-feira] tomámos conhecimento das notícias fantásticas sobre o acordo entre a UEFA, a EFC [Associação dos Clubes Europeus de Futebol] e o Real Madrid. O futebol ganha quando está unido”, disse Infantino, durante o 50.º Congresso da UEFA, em Bruxelas.

Ceferin assinalou que “todos estão cansados de confrontos” e que “o único vencedor [com o acordo] foi o futebol”: “Tivemos alguns desentendimentos com o presidente do Real Madrid, mas nunca deixámos de nos respeitar e nunca perdemos o amor pelo futebol”, observou o presidente da UEFA.

O Real Madrid e o promotor da Superliga, a A22 Sports Management, ameaçavam reclamar judicialmente mais de quatro mil milhões de euros em indemnizações à UEFA, organismo que tutela o futebol europeu, acusando-a de ter inviabilizado o projecto em 2021.

Em Dezembro de 2023, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) determinou que a UEFA abusava da sua posição dominante no mercado das competições europeias de clubes, violando o Direito da Concorrência da União Europeia.

No seu acórdão, confirmado em Outubro último pela Audiência Provincial de Madrid, o TJUE exigiu à UEFA a abertura do mercado a terceiros organizadores, como a A22.

Em 2025, a A22 solicitou formalmente à UEFA o reconhecimento da Liga Unify, a sua proposta para novas competições europeias, ajustada aos “requisitos estabelecidos pelo acórdão do TJUE”, num processo negocial que decorreu durante sete meses (entre Março e Setembro de 2025), o que a empresa interpretou como “um esforço para alcançar uma solução global e cooperativa para os litígios em curso” com a UEFA.

No sábado, os catalães, em período eleitoral, com Joan Laporta a tentar a recandidatura, anunciaram que notificaram “formalmente” a Superliga Europeia e os clubes envolvidos sobre a desistência do projecto, que juntava 12 dos maiores emblemas do Velho Continente.

Além do Real Madrid e do FC Barcelona, o projecto foi igualmente assumido, a 18 de Abril de 2021, pelos também espanhóis do Atlético de Madrid, pelos ingleses do Arsenal, Chelsea, Manchester City, Liverpool, Manchester United e Tottenham, e pelos italianos do AC Milan, Inter e Juventus.

A competição, de elite, seria disputada em circuito semifechado, concorrente da Liga dos Campeões, organizado pela UEFA.

A reacção enérgica do mundo do futebol e o repúdio dos mais variados quadrantes da sociedade e até dos governos de vários países levaram a que, três dias após o anúncio, perante a oposição dos próprios adeptos, apenas Real Madrid, FC Barcelona e Juventus se mantivessem no projecto.

A UEFA decidiu fazer um exemplo dos dissidentes e, em Maio de 2022, anunciou a aplicação de pesadas multas – agravadas no caso dos três clubes que ainda se mantinham fiéis à Superliga –, empurrando a Juventus para fora da iniciativa, apesar de o afastamento apenas ter sido consumado em 2023.

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