Ex-guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) que contestam a liderança de Ossufo Momade voltaram, ontem, a prometer acções para resgatar o partido, alertando que a convocação do Conselho Nacional é uma estratégia do actual líder para não sair.
“Gostaríamos de reafirmar, diante dos microfones da comunicação social e ao povo moçambicano, que tudo faremos para resgatar a nossa Renamo das amarras do regime Ossufista e devolver aos membros do partido e à população, em geral, e com olhos postos aos próximos pleitos eleitorais que se avizinham”, disse o porta-voz dos ex-guerrilheiros, João Machava.
Segundo a Lusa, em conferência de imprensa , em Maputo, para anunciar a chamada segunda reunião de coordenação que reúne a autoproclamada comissão nacional de gestão do partido, nos dias 12 e 13 deste mês, o representante dos guerrilheiros considerou que a convocação do Conselho Nacional da Renamo é mais uma estratégia de Ossufo Momade para não abandonar a liderança.
“Nós estamos atentos às manobras da direcção do partido e não ficaremos de braços cruzados. A reunião que estamos a convocar irá tomar medidas consentâneas e proporcionais à situação”, prometeu João Machava.
O grupo acusou a actual direcção do partido de desonestidade e de agir como “mafiosos”, por não quererem avançar com conversas entre as partes para se alcançar um consenso.
“São pessoas aliadas ao presidente do partido, Ossufo Momade (…). Ele manda a sua equipa que (…) quer ditar regras e, se for assim, vamos ao Conselho Nacional divididos e vamos sair de lá mais divididos”, disse o porta-voz dos ex-guerrilheiros.
“As manobras dilatórias são como o que aconteceu no ano passado, porque se tinha convocado o Conselho Nacional para Vilanculos [província de Inhambane] para o mês de Março, que se arrastou até Outubro. Pode ter convocado o Conselho Nacional para o ‘boi dormir’, são essas manobras e sabemos que Ossufo pode e é capaz de fazer isso”, acrescentou, defendendo a realização de um congresso extraordinário para o actual líder abandonar a liderança, garantindo que “ele vai sair”.
A 28 de Agosto, a Renamo anunciou a realização do Conselho Nacional nos dias 21 e 22 de Outubro, em Maputo, para analisar a situação nacional e interna do partido, cuja liderança é fortemente contestada.
A realização do Conselho Nacional tem sido defendida pelos críticos internos de Ossufo Momade, como o histórico e ex-deputado António Muchanga, que defende publicamente a saída do líder, e também por antigos guerrilheiros, que exigem a sua saída da liderança da Renamo, ocupando as sedes em protesto.
Esse Conselho Nacional chegou a estar convocado para Março. Contudo, não se realizou, tendo sido promovida em alternativa uma reunião de generais e oficiais superiores em Chimoio, província de Manica, a 27 e 28 de Março.
Nessa altura, a Renamo anunciou do Conselho Nacional, referindo que Ossufo Momade, líder contestado do partido, poderá abandonar o cargo ainda neste ano.
Há meses que ex-guerrilheiros da Renamo pedem a demissão de Ossufo Momade da liderança, reeleito em maio de 2024, acusando-o de “má gestão”, falta de pagamento de pensões e subsídios e de “incompetência total” face à crise no partido.
Em Janeiro, Momade afirmou que as crises internas sempre marcaram a história do partido, mas que a formação nunca parou.
Em 2018, sucedeu na presidência do partido a Afonso Dhlakama, que morreu nesse ano.
Ossufo Momade, de 64 anos, foi candidato presidencial nas eleições gerais de Outubro de 2024, nas quais obteve 6% dos votos, o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pela Renamo, partido que também perdeu nessas eleições o estatuto de líder da oposição.