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Empresários cépticos quanto às condições da linha de crédito

Os empresários dizem que a linha de crédito especial lançada na semana passada, de 10 mil milhões de Meticais para recuperação económica das empresas afectadas pela tensão pós-eleitoral, é bem-vinda, mas as condições impostas não ajudarão  as empresas a recuperarem-se.

Para o presidente do Pelouro de Indústria da CTA e também presidente do Conselho de Administração da Infarma, Evaristo Madime, a taxa de juro de 15% a ser aplicada no primeiro ano, para a realidade actual, não é muito benéfica, visto que há empresas que perderam.

Para Madime, a solução que mais útil neste momento seria uma linha de financiamento com taxas de juro de zero ou quase zero, ou mesmo algo como um “fundo perdido”.

“Para as empresas que estão numa situação em que devem reinvestir  completamente do zero e pensar que têm uma taxa de juros de 15%, acho que é difícil. Você não consegue trabalhar e pagar esse custo e ainda por cima ter uma margem para poder continuar a vida”, disse Madime.

Além da taxa, outra condição é que sejam excluídas as empresas que apresentarem incumprimentos na central de registos de crédito do Banco de Moçambique e outras instituições como INSS e Autoridade Tributária.

Onório Manuel, director-geral da Moz Parks, entende que este ponto deve ser analisado com cautela, porque grande parte das empresas, de Outubro a esta parte, podem estar numa situação de incumprimento, derivada do momento em que o país se encontra.

“Vamos supor que antes de Outubro uma empresa, de Setembro para trás, tenha estado em incumprimento. Esta empresa, sim, pode estar fora daquelas que se pretende que adiram a esta facilidade. Mas para todas as empresas que apresentarem a situação de incumprimento que tenha sido causado ao longo deste período de Outubro até esta parte, é necessário que não se conte como um impedimento”, propôs Onório Manuel.

Já o economista Hélio Cossa diz que, de forma geral, a taxa de juro é boa, quando comparada com a vigente no mercado, mas há factores que dão alguma desvantagem, dependendo de cada empresa. 

O economista aponta, por exemplo, a capacidade das empresas de gerar retornos, tendo em conta as condições associadas ao mercado, o caso da inflação e outros custos de produção.

“Isto tudo depende da capacidade das próprias empresas de gerar fluxos de caixa suficientes para cobrir as suas despesas de funcionamento e também cobrir o serviço da dívida e garantir o retorno do investimento colocado na sua actividade económica.”

Por outro lado, o economista Dimas Sinoia chama, para o sucesso desta linha de financiamento, a intervenção do banco central.

“Se, por exemplo, uma das medidas fosse exactamente a questão do acesso às divisas, isso ia fazer com que as empresas, ao conseguirem estes empréstimos, tivessem um pouco mais de facilidade até na importação e reposição de investimentos que são necessários para a importação”, explicou o economista, que depois acrescentou que esta medida evitaria “congestionamento” na procura de dólares.

A linha de financiamento prevê que, no primeiro ano, a taxa de juro seja de 15%, e, para os anos subsequentes, será a taxa de juro de referência no mercado menos 4%.

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