O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu, esta sexta-feira, no distrito de Caia, província de Sofala, que a paz deve começar dentro da família, através do diálogo, do respeito e da compreensão mútua. O Chefe do Estado afirmou que não há desenvolvimento sem paz, sublinhando que esta vai além do silêncio das armas e exige também o fim da violência nas famílias e nas comunidades.
Durante um comício popular, Chapo considerou que a ausência de confrontos armados não é suficiente para garantir a paz, enquanto persistirem situações de violência no seio familiar e na sociedade.
“A paz não significa apenas o silêncio das armas. As armas podem calar-se, mas isso, por si só, não significa que haja paz. A paz significa também ausência de violência nas nossas casas, nas nossas famílias e nas nossas comunidades. Onde há violência, não há paz”, afirmou.
Para o Chefe do Estado, é no ambiente familiar que devem ser cultivados os valores necessários à convivência pacífica, nomeadamente o diálogo, o respeito e a capacidade de resolver divergências sem recurso à violência.
“A paz tem de começar na família, em casa, entre o pai, a mãe e os filhos. É dentro das nossas famílias que devemos cultivar o diálogo, o respeito e a compreensão mútua. É aí onde temos de aprender a resolver as nossas diferenças sem recorrer à violência”, defendeu.
Respeito pela diferença
O Presidente da República apontou igualmente o respeito pela diferença como uma condição essencial para a harmonia social, apelando aos moçambicanos para que aprendam a conviver, independentemente das suas convicções e escolhas.
Segundo Daniel Chapo, a diversidade faz parte da natureza humana e deve ser encarada como uma oportunidade para a convivência pacífica, e não como motivo de conflito.
“Temos de aprender a viver em paz, mesmo quando somos diferentes. A diferença é uma criação de Deus e, por isso, devemos respeitá-la. Aqui onde estamos, não existem duas pessoas completamente iguais. Mesmo os gémeos, por mais parecidos que sejam, têm as suas próprias formas de pensar”, afirmou.
Chapo destacou que, no mesmo distrito, existem pessoas com diferentes preferências desportivas, filiações políticas e crenças religiosas, defendendo que essas diferenças não devem constituir motivo de inimizade.
“Cada um de nós deve compreender que ser diferente não significa ser inimigo do outro. Ninguém pode ser obrigado a escolher aquilo que não quer, a acreditar naquilo em que não acredita ou a vestir aquilo que não deseja vestir”, frisou.
Para ilustrar a importância da diversidade, o Chefe do Estado recorreu ao exemplo dos dedos da mão, que, apesar das diferenças, coexistem sem se prejudicarem.
“Olhem para os dedos da minha mão. São diferentes uns dos outros. Não há dois dedos exactamente iguais. No entanto, nenhum dedo corta o outro só porque é diferente! Da mesma forma, aqui onde estamos, somos todos diferentes. Uns são mais magros, outros têm uma constituição física mais forte; uns têm a pele mais clara, outros mais escura. Mas essas diferenças não nos impedem de viver juntos”, declarou.
Segurança e protecção dos bens públicos
Na abordagem à segurança, Daniel Chapo defendeu que não há paz sem segurança e considerou que a população tem um papel fundamental no apoio à Polícia, através da vigilância e da denúncia de indivíduos que promovem o ódio e a divisão.
O Presidente condenou igualmente os actos de vandalismo contra bens públicos registados no contexto pós-eleitoral, sobretudo a destruição de escolas e hospitais, alegadamente em protesto contra os resultados eleitorais.
“E eu pergunto: que culpa tem uma escola? A escola não vota. A escola não tem cartão de eleitor. A escola não foi recenseada e não escolhe nenhum partido político. A escola existe para servir as nossas crianças, os nossos jovens e as gerações futuras. Quando destruímos uma escola, prejudicamos as nossas crianças. Quando destruímos um hospital, prejudicamos os nossos doentes”, criticou.
Para o Chefe do Estado, os procedimentos eleitorais devem ser respeitados, tal como acontece nas competições desportivas, em que o resultado só pode ser considerado definitivo após o fim da partida.
Chapo comparou a situação a um jogo de futebol, afirmando que ninguém pode declarar-se vencedor antes de o árbitro apitar o fim do encontro.
Chapo alerta contra a disseminação de boatos
No final do comício, o Presidente da República alertou para a circulação de informações falsas em algumas comunidades, considerando que estas contribuem para gerar pânico, insegurança e instabilidade social.
Segundo Daniel Chapo, a disseminação de boatos constitui uma estratégia de indivíduos que, na sua perspectiva, pretendem impedir a consolidação da paz e do desenvolvimento no país.
“Boateiros inventam mentiras. Quando viram que esta mentira não pegou, inventam outra, só para o povo não estar em paz, só para o povo não estar em segurança. Este é o objectivo deles. Não gostam de paz, gostam de violência, gostam de ódio, gostam de ver o povo a sofrer”, acusou.
O Chefe do Estado referiu-se, concretamente, a um boato segundo o qual o simples contacto físico ou cumprimento entre pessoas poderia provocar a atrofia ou o desaparecimento dos órgãos sexuais.
“Disseram que há pessoas que, quando encosta outro ou cumprimenta outro, o sexo se atrofia ou desaparece. É mentira, é boato. São inimigos da paz e do desenvolvimento”, afirmou, apelando à população para que não partilhe informações falsas e denuncie os seus disseminadores.
Daniel Chapo concluiu reiterando que a construção da paz exige mais do que o fim dos confrontos armados, defendendo a rejeição do ódio e da violência e a promoção do diálogo e do respeito pelas diferenças como bases para a convivência entre os moçambicanos.