O escritor moçambicano Eduardo Quive apresenta, na próxima terça-feira, 22 de Setembro, em Maputo, o seu primeiro romance, “A cor da tua sombra”, numa sessão que promete aproximar o autor dos leitores e colocar em debate temas como memória, identidade, trauma e relações humanas.
O lançamento terá lugar às 17h30, no Business Lounge by Nedbank, em Maputo, sob a chancela da Catalogus.
O encontro contará com a participação do autor numa conversa com a jornalista Leia Chingubo, além de momentos de leitura conduzidos por Negro. A iniciativa pretende proporcionar aos leitores um contacto directo com Eduardo Quive e com o universo ficcional que sustenta a sua estreia no romance.
Autor de obras de poesia e contos, entre as quais “Mutiladas”, finalista do Prémio Mia Couto, em 2026, Quive tem desenvolvido um percurso literário marcado por uma abordagem ficcional e poética de questões ligadas à memória, às identidades, às tensões sociais, à família e às relações humanas, explorando também a forma como as experiências individuais se cruzam com a história colectiva.
Ambientado num Moçambique contemporâneo, “A cor da tua sombra” percorre diferentes espaços e realidades, da Zambézia a Maputo. A narrativa parte de uma família desestruturada por sucessivas tragédias e desenvolve-se entre memórias fragmentadas, dilemas identitários e desafios sociais que tornam mais complexas as relações entre as personagens.
No centro da história está uma família estilhaçada, onde o passado permanece como uma ferida aberta. A narrativa é construída a partir de duas vozes: a de Eurípedes, que carrega consigo a imagem da irmã à beira do suicídio, e a de Anchia, marcada desde cedo pelo abandono, pelo preconceito e por uma violência que parece acompanhá-la ao longo da vida.
Unidos por uma dor comum, os dois protagonistas vêem-se confrontados com acontecimentos que julgavam enterrados, entre eles o regresso do pai de Anchia, o mesmo homem que, no passado, tentou vendê-la para um ritual de sacrifício.
Entre o trauma e a resistência, a culpa e a sobrevivência, “A cor da tua sombra” propõe uma travessia por algumas das zonas mais profundas da condição humana, ao mesmo tempo que interroga as marcas que o passado deixa sobre os indivíduos e as famílias.
Com esta obra, Eduardo Quive estreia-se no romance, ampliando um percurso literário já reconhecido na poesia e no conto e trazendo para a narrativa longa uma escrita centrada nas feridas da memória, nos conflitos identitários e nas múltiplas dimensões das relações humanas.