Skip to main content

O País – A verdade como notícia

António Almeida Henriques falou do Papel do Estado como indutor do desenvolvimento tecnológico, na 4ª edição da feira Moztech, tendo destacado que os temas do futuro estão em debate na feira.

Almeida Henriques disse que a população jovem das cidades deve ser inovadora e criativa, usando as tecnologias para criar coisas em benefício das suas cidades.

A tecnologia deve ser um meio ao serviço das pessoas, considerou, desafiando o poder público a criar condições para o desenvolvimento do sector urbano e envolver as comunidades.

No âmbito das cidades inteligentes, Almeida Henriques destacou que a partilha de experiência entre as cidades é uma prática de eficiência. A colaboração das cidades de língua portuguesa pode ser um acelerador de projectos a nível da lusofonia.

João Confraria concentrou-se e muito nas vantagens que o universo digital oferece aos usuários. Nisso, o Administrador da ANACOM disse que, no mundo actual, se ganha dinheiro fornecendo-se acessos aos clientes, porque as plataformas digitais são intermediárias na venda de produtos e serviços.

As plataformas digitais, para Confraria, são fornecedores de aplicações, de conteúdos, algo que, sim, gera dinheiro.

Outrossim, na percepção de Administrador da ANACOM, de Portugal, quando se pensa num plano nacional de banda larga deve-se ter em consideração o cidadão, as suas prioridades e especificidades. Além disso, é preciso os operadores das telecomunicações tenham a proteção de dados pessoais e cibersegurança.

 

Whynde Kuehn, Consultora e Especialista em Economia Digital, explicou sobre a transformação digital, como a usar para fazer negócios, suas tendências e o significado para Moçambique, esta manhã, no MozTech.

Durante a sua apresentação, Kuehn explicou que a transformação digital não depende apenas da tecnologia. Segundo a especialista, é preciso haver conectividade nos sectores das organizações e ajustar os negócios à abordagem digital. Por outro lado, disse ser necessário trabalhar em colaboração para se desenhar a transformação do ponto de vista do cliente. É preciso que a nova realidade esteja ajustada à realidade e traga soluções práticas. Para o efeito, apontou que a solução passa por se reinventar a forma de fazer negócios e, sobretudo, investir no factor humano. O investimento no factor humano passa pela formação, é necessário, diz a especialista, buscar novas formas e definir novas regras, criando a mudança do ‘tradicional’ na educação.

Nos países desenvolvidos, com a transformação digital pode se criar dois terços de emprego, daí a aposta na formação. Porém, há um ponto a ter em conta. “Que tipo de emprego pode ser optimizado pelo digital e o que isto significa para os jovens?”, questionou, e como resposta, destacou a consciencialização e adaptabilidade humana à nova realidade. Um dos constrangimentos apontados da era digital é que embora mais pessoas estejam interconectadas, as relações interpessoais são deixadas de lado. Por isso, Kuehn diz ser importante analisarmos onde estamos, como nos vemos na era em que vivemos e acima de tudo, o que está e o que não está a funcionar.

E sobre de que maneira Moçambique pode tirar proveito da transformação digital, a consultora diz que a fórmula séria é “trabalharmos todos juntos para um objectivo”, apostar na formação de forma a impulsionar o desenvolvimento do país, usando meios digitais.

 

A nova realidade digital traz consigo benefícios e constrangimentos, um dos quais, a segurança cibernética. João Confraria, administrador da ANACON, de Portugal, defende que os Estados devem definir, claramente, o que pretende regular.

O espaço cibernético, diz o administrador, é um espaço comercial e para sua segurança e flexibilidade deve ser devidamente regulado. Confraria termina dizendo que mais do que criar leis, é necessário penalizar a negligência dos utilizadores, que, muitas vezes, não actualizam nos seus dispositivos os serviços de segurança, deixando-os desta forma vulneráveis

No debate sob moderação de Olívia Massango, directora de Informação da STV, Américo Muchanga, Director-Geral do Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique, entidade reguladora do espaço aéreo nacional, assumiu que a segurança cibernética continua a ser um desafio no país, porém, não deixou de destacar que há avanços. “O país está progressivamente a caminhar para a nova realidade digital”, disse, acrescentando que o objectivo actual é expandir a banda larga para mais sítios e criar condições e capacidade para dar respostas aos desafios que se impõem.

Já Cláudio Banze, Director de Distribuição, Canais e Serviços no Standard Bank, destacou o papel das mudanças tecnológicas na indústria financeira. Banze disse ser necessário alterar o comportamento do consumidor e capitalizar a tecnologia para garantir a interação com os clientes. O gestor não deixou de destacar o papel do regulador, tendo apontado a criação da interactividade entre os bancos e as agências de telefonia móvel.

E porque a formação é tida como chave para a transformação digital, o Director de Programas de Graduação do ISUTC, Elton Sixpence, disse que a instituição ensina aos alunos a desenvolverem habilidades para implementar sistemas que resolvam problemas de várias organizações e do ensino em si. Sixpence enfatizou a importância da utilização correcta dos sistemas digitais e referiu que a sociedade deve estar consciente de que a tecnologia também traz desvantagens. “A sociedade deve se autorregular e aprender a viver com as tecnologias”, frisou.

Convidada a partilhar da sua experiência nas vantagens do uso das tecnologias digitais, Whynde Kuehn disse que podem ser usadas não só para ampliar o mercado de compra e venda a nível global, como podem ser usadas em vários sectores como saúde, educação entre outros. A tecnologia pode ser usada para melhorar o desempenho na educação através da implementação de cursos online, ajustados à realidade local.  

 

O primeiro painel desta tarde, na MozTech, debateu o tema “Community bulding”, que juntou representantes de três continentes: África (Moçambique e África do Sul), Ásia (Emirados ‘Árabes Unidos) e América (Brasil).

O primeiro a pronunciar-se sobre a tecnologia tendo em consideração o tema proposto foi Lourino Chemane, Professor universitário e Assessor do Ministro da Ciência Tecnologia, Ensino Superir e Técnico-Profissional. Para Chemane, uma das responsabilidades do Governo quando se fala de tecnologias e “Community bulding” é criar condições para que o sector privado possa sentir-se atraído a investir na área. Tal situação, está acontecer. A prova disso, de acordo com Jamo Macanze, Director de Formação, Inovação e Investigação Científica da Empresa Nacional de Parques de Ciência e Tecnologia, é a incubadora da Maluana, província de Maputo, que tem contribuído de modo que os estudantes locais possam assimilar hábitos e experiências tecnológicas capazes de vincar no mundo digital. “Mas, infelizmente, não temos um sector privado incentivado a pensar na inovação, mas nos impostos”, rematou.

Da África do Sul, também houve uma contribuição, de Wonder Ndlovu, Especialista em Inovação e Fundador da Mbula, quem concorda com a ideia de que o Governo deve, sim, preocupar-se em atrair multinacionais ao país porque isso traz conhecimento importante para o desenvolvimento das comunidades. Nesse sentido, avança Ndlovu, a colaboração entre o Governo e as multinacionais é fundamental porque já se perdeu muito tempo no que diz respeito à inovação tecnológica. “O papel do Governo permanece o mesmo conducente ao que se pretende, com agenda, ao nível da comunidade, o que não significa que estamos a retirar o seu papel de liderança. Pelo contrário, deve estar interventivo”. Para que tal aconteça, de acordo com Frank Hendricks, Responsável de Negócio de Vendas da IBM para o Médio Oriente, nos Emirados Árabes Unidos, os investidores devem estar interessados e focados na colaboração e, por sua vez, o Governo deve ser capaz de dar respostas que satisfaçam a inovação na área digital.

Contudo, Guilherme Calheiro, Director de Inovação e Competitividade Empresarial do Porto Digital, no Brasil, não acredita que haja uma forma concreta para criar plataformas tecnológicas, mas desafios, com políticas públicas com incentivos fiscais, que incluam academias de formação e articulação com o sector empresarial. “Tudo resume-se na capacidade de diversas entidades participarem na discussão”, disse o brasileiro.

Os debates continuam no Centro de Conferências Joaquim Chissano, com o tema “Tecnologia no desporto de alta competição”, moderado por Jeremias Langa.  

 

Guilherme Calheiros, Director de Inovação e Competitividade Empresarial do Porto Digital, no Brasil partilhou a experiência e benefícios da criação do parque tecnológico, desenvolvido para responder os problemas locais e a crise económica, usando meios digitais.

Segundo Calheiros, a “Community building”, construção de comunidade, permite a criação de mais postos de emprego e também serve para alavancar a economia nacional atraindo novos investidores, para além de formar e apoiar novos empreendedores.

O parque tecnológico, Porto Digital, reúne pequenas e médias empresas locais de tecnologia no Pernambuco, no Brasil, e, além do suporte à geração de novos negócios, fortalece os jovens no desenvolvimento e implementação de suas ideias. Uma das actividades do parque é atrair investidores e desenvolver empresas locais, a partir das tecnologias, daí a aposta na qualificação do capital humano.
O parque tecnológico Porto Digital é também uma incubadora e aceleradora de empresas voltadas para a área da tecnologia.

 

O segundo painel da tarde deste dia inaugural da MozTech debateu “Tecnologia no desporto de alta competição”. O painel, contou com a participação de Ângelo Muria, Especialista em Desporto e Docente Universitário, quem entende que falar de tecnologia é falar de conhecimento, que deve ser produzido e aplicado. E, no país, as tecnologias para o desporto existem, o que falta é a interligação do conhecimento produzido nas universidades com as de outras áreas. “Existem tecnologias no país, por exemplo, que podem medir a composição corporal, óssea do atleta, e com laboratórios com essas condições. Precisamos é da extensão dos conhecimentos produzidos pelos estudantes para a prática desportiva”, disse Muria.

No mesmo painel, contou, igualmente, com intervenção de Deolinda Ngulela, Deolinda Ngulela, capitã da selecção nacional de basquetebol feminino e jogadora/treinadora do Costa do Sol. Referindo-se ao tema proposto para debate, a atleta disse que a tecnologia no Desporto ainda é carga de grande emoção, porque concretiza a questão da exclusão para quem não tem as mesmas condições. Ngulela revelou que as equipas moçambicanas usam pouco as tecnologias para treinamento e preparação dos jogos e que os clubes têm um grande défice na aquisição de equipamentos, básicos, como sapatilhas modernas para o caso do basquetebol.

Reagindo a percepção de Deolinda Ngulela, Alcides Chambal, seleccionador nacional-adjunto dos Mambas, reconheceu que a pouca tecnologia usada para o futebol vem do estrangeiro, mesmo no caso da selecção nacional. De acordo com Chambal, a implementação das tecnologias no desporto nacional constitui um grande desafio porque existem, inclusive, treinadores de futebol que nem um lap top possuem para que possam trabalhar, ficando sem hipótese para analisar jogos dos adversários.

Como forma de reverter todos os problemas que abrangem o desporto nacional quanto às tecnologias, Ilídio da Silva, Consultor, Formador e Docente na Escola Superior de Ciências e Desporto da UEM, propõe que se invista na informação e formação dos treinadores e desportistas. Tal cenário, na opinião de Ângelo Muria, passa por desconstruir a forma de fazer desporto no país, em que os treinadores, em muitos casos, exercem essa profissão por terem sido atletas e não por terem conhecimento.  

 

O desporto é visto por Ilídio da Silva, Consultor, Formador, e Docente na Escola Superior de Ciências de Desporto da UEM, como um processo que impacta política, económica e socialmente as comunidades.
Antes de partir para sua apresentação sobre a “Tecnologia no desporto de alta competição”, Da Silva começou por louvar a iniciativa da Moztech, de debater uma área que era muitas vezes, segundo ele, deixada de lado.

“Actualmente, o desporto começa a ser prioridade nas nações, porque ajuda a levantar a autoestima do povo, para além de movimentar biliões de dólares”. Neste sentido, Da Silva aponta duas vertentes importantes a destacar no desporto de alta competição, o desempenho desportivo e lucrativo. “O mundial da Rússia, a realizar-se em 2018, está orçado em 20 biliões de dólares e nas copas do mundo do Brasil e África do Sul foram gastos 13 e seis biliões, respectivamente. “Em 2000, o futebol gerou mais de 13 mil empregos no Brasil”, disse o professor, sustentando a sua tese.

A tecnologia mostra-se bastante importante no desporto, visto que intervém na performance dos atletas e possibilita o acesso à informação em tempo real. Daí que, como resultados do impacto da tecnologia no desporto, Ilídio da Silva destaca a avaliação do desempenho dos atletas, a revisão dos lances. Por outro lado, diz Silva, a tecnologia permitiu o desenvolvimento e inclusão no desporto. “Graças à criação de próteses, pessoas com deficiência física já podem praticar desporto. A rápida recuperação em caso de lesões e a possibilidade de análise dos adversários, também fazem parte do vasto leque das inovações trazidas pela tecnologia no desporto”.

Em relação ao estágio da tecnologia no desporto no país, o professor diz haver falta de conhecimento da importância das novas tecnologias e sugere a formação de agentes na matéria.

Uma componente não menos importante no desporto, de acordo com Silva, é o consumidor, ou melhor, os torcedores. “Grande parte da massa orçamental dos clubes vem dos adeptos, por isso, é importante satisfazê-lo, apresentando bons resultados.

Para terminar, Ilídio da Silva desafiou os empresários a apostarem no desporto, tendo em conta todas elementos abordados. “Peguem nesta componente de negócios e vejam que desporto dá dinheiro”, concluiu.

 

 

 

Das mãos do ministro da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico-Profissional, José Murta recebeu o prémio carreira da quarta edição da Gala dos MozTche Awards. O engenheiro, José Murta, é professor universitário e também foi consultor do Governo para a criação da Politica de Informática. Esteve directamente ligado ao desenvolvimento do Governo digital.

Murta dedicou o prémio aos seus pais pela educação que lhe foi dada e a sua esposa.

O prémio carreira é dedicado a uma personalidade que contribuiu de forma activa para o desenvolvimento do sector de tecnologias. Este é considerado o ponto mais alto da gala.

+ LIDAS

Siga nos

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE