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O País – A verdade como notícia

A quarta edição da maior feira de tecnologias do país já arrancou. O evento que aberto esta manhã no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, iniciou com um simbólico corte de fita, pelo Ministro da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico-Profissional, Jorge Nhambiu.

Depois, o Director da MozTech, Enoque Jerónimo, deu as boas vindas aos expositores, convidados e participantes, referindo-se ao que esta edição da feira deseja alcançar. Nesta edição “pretendemos fomentar a cultura tecnológica como pilar para desenvolver Moçambique. Por isso, vamos contar com muitas sessões de debate e com 50 oradores nacionais e internacionais”, disse Jerónimo, explicando que a escolha de um novo espaço para a feira prende-se com a necessidade de proporcionar melhores condições para o alcance das pretensões do evento.

Além disso, o Director da MozTech disse que, de modo que os debates sejam aproveitados por maior número de pessoas, a feira terá ampla cobertura através de Stv, Stv Notícias, O País e Site MozTech, o que vai permitir a participação de nacionais e estrangeiros, dentro e fora do país.

Esta edição de MozTech conta também com a participação de várias personalidades, como David Simango, Calisto Cossa, Edil da Cidade de Maputo e da Matola, respectivamente, Sidney Quintela, Director da SQ + Arquitectos Associados, do Brasil.

 

Por quê falar do digital? Antes de qualquer resposta, o Presidente da Direcção da Associação Internacional das Comunicações de Expressão Portuguesa (AICEP), João Caboz Santana, convidou os participantes da 4ª edição de MozTech a ver um pequeno filme, no qual se sintetiza o alcance do digital na época contemporânea.

João Caboz Santana disse, no princípio da sua dissertação, que as forças digitais não são algo novas, embora 15% das pessoas do mundo não tenham internet. Santana foi mais de dados no início, recordando que 40% das pessoas do mundo usa redes sociais.

Para Santana, a transformação já esta a afectar as pessoas, a vários níveis, no trabalho e no lazer e os Estados estão a ser afectados positivamente nesse processo, com aproximação dos cidadãos, inclusive, fazendo com que as pessoas pensem diferente. As tecnologias revolucionam a forma de pensar, revolucionam o modelo de Governo, com mais transparência, e a sociedade será, com isso, mais inclusiva. Mais adiante, Santana frisou: “As tecnologias aumentam a competitividade e aumenta o PIB dos países, e, com essas ferramentas, somos mais beneficiados com as ofertas que as organizações nos oferecem”.

Não obstante, o Presidente da Direcção da Associação Internacional das Comunicações de Expressão Portuguesa assume que transformar uma empresa numa digital é complexo. É preciso que se seja coragem, audácia e invistam sem que calculem esforços, contratando pessoas competentes que possam trabalhar e inovar com liberdade. As organizações devem desenvolver plataforma que possa, alcançar escala.

 

 

 

O ministro da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional, Jorge Nhambiu, dirigiu a cerimónia de abertura da 4ª edição da maior feira tecnológica do país, Moztech.

Nhambiu desafiou as empresas do ramo a contribuírem para o desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e fazer do espaço cibernético um galvanizador do sector de actividades, aumentando a divulgação de produtos e promover os serviços locais.
Por outro lado, o Ministro desafiou o sector privado a fazer da tecnologia o catalisador do desenvolvimento económico e social do país e a criar marketing digital para o sector turístico.

O dirigente relembrou a recente aprovação da Lei das Transacções Económicas e disse que o Governo vai continuar a adoptar com vista a zelar pela segurança do espaço cibernético. E porque a internet não tem fronteiras, fez saber que o Governo vai ratificar convenções internacionais com o mesmo objectivo.

Sob o lema “Era digital: uma nova forma de viver e fazer negócios”, na 4ª edição da Moztech, Nhambiu convidou aos empreendedores a transformarem ideias em produtos e serviços e apelou aos investidores a apoiarem jovens com ideias tecnológicas.

Em relação aos temas em debate na Moztech, o Ministro da Tecnologia espera contribuições positivas para implementação da lei das transacções electrónicas.

 

António Almeida Henriques falou do Papel do Estado como indutor do desenvolvimento tecnológico, na 4ª edição da feira Moztech, tendo destacado que os temas do futuro estão em debate na feira.

Almeida Henriques disse que a população jovem das cidades deve ser inovadora e criativa, usando as tecnologias para criar coisas em benefício das suas cidades.

A tecnologia deve ser um meio ao serviço das pessoas, considerou, desafiando o poder público a criar condições para o desenvolvimento do sector urbano e envolver as comunidades.

No âmbito das cidades inteligentes, Almeida Henriques destacou que a partilha de experiência entre as cidades é uma prática de eficiência. A colaboração das cidades de língua portuguesa pode ser um acelerador de projectos a nível da lusofonia.

João Confraria concentrou-se e muito nas vantagens que o universo digital oferece aos usuários. Nisso, o Administrador da ANACOM disse que, no mundo actual, se ganha dinheiro fornecendo-se acessos aos clientes, porque as plataformas digitais são intermediárias na venda de produtos e serviços.

As plataformas digitais, para Confraria, são fornecedores de aplicações, de conteúdos, algo que, sim, gera dinheiro.

Outrossim, na percepção de Administrador da ANACOM, de Portugal, quando se pensa num plano nacional de banda larga deve-se ter em consideração o cidadão, as suas prioridades e especificidades. Além disso, é preciso os operadores das telecomunicações tenham a proteção de dados pessoais e cibersegurança.

 

Whynde Kuehn, Consultora e Especialista em Economia Digital, explicou sobre a transformação digital, como a usar para fazer negócios, suas tendências e o significado para Moçambique, esta manhã, no MozTech.

Durante a sua apresentação, Kuehn explicou que a transformação digital não depende apenas da tecnologia. Segundo a especialista, é preciso haver conectividade nos sectores das organizações e ajustar os negócios à abordagem digital. Por outro lado, disse ser necessário trabalhar em colaboração para se desenhar a transformação do ponto de vista do cliente. É preciso que a nova realidade esteja ajustada à realidade e traga soluções práticas. Para o efeito, apontou que a solução passa por se reinventar a forma de fazer negócios e, sobretudo, investir no factor humano. O investimento no factor humano passa pela formação, é necessário, diz a especialista, buscar novas formas e definir novas regras, criando a mudança do ‘tradicional’ na educação.

Nos países desenvolvidos, com a transformação digital pode se criar dois terços de emprego, daí a aposta na formação. Porém, há um ponto a ter em conta. “Que tipo de emprego pode ser optimizado pelo digital e o que isto significa para os jovens?”, questionou, e como resposta, destacou a consciencialização e adaptabilidade humana à nova realidade. Um dos constrangimentos apontados da era digital é que embora mais pessoas estejam interconectadas, as relações interpessoais são deixadas de lado. Por isso, Kuehn diz ser importante analisarmos onde estamos, como nos vemos na era em que vivemos e acima de tudo, o que está e o que não está a funcionar.

E sobre de que maneira Moçambique pode tirar proveito da transformação digital, a consultora diz que a fórmula séria é “trabalharmos todos juntos para um objectivo”, apostar na formação de forma a impulsionar o desenvolvimento do país, usando meios digitais.

 

A nova realidade digital traz consigo benefícios e constrangimentos, um dos quais, a segurança cibernética. João Confraria, administrador da ANACON, de Portugal, defende que os Estados devem definir, claramente, o que pretende regular.

O espaço cibernético, diz o administrador, é um espaço comercial e para sua segurança e flexibilidade deve ser devidamente regulado. Confraria termina dizendo que mais do que criar leis, é necessário penalizar a negligência dos utilizadores, que, muitas vezes, não actualizam nos seus dispositivos os serviços de segurança, deixando-os desta forma vulneráveis

No debate sob moderação de Olívia Massango, directora de Informação da STV, Américo Muchanga, Director-Geral do Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique, entidade reguladora do espaço aéreo nacional, assumiu que a segurança cibernética continua a ser um desafio no país, porém, não deixou de destacar que há avanços. “O país está progressivamente a caminhar para a nova realidade digital”, disse, acrescentando que o objectivo actual é expandir a banda larga para mais sítios e criar condições e capacidade para dar respostas aos desafios que se impõem.

Já Cláudio Banze, Director de Distribuição, Canais e Serviços no Standard Bank, destacou o papel das mudanças tecnológicas na indústria financeira. Banze disse ser necessário alterar o comportamento do consumidor e capitalizar a tecnologia para garantir a interação com os clientes. O gestor não deixou de destacar o papel do regulador, tendo apontado a criação da interactividade entre os bancos e as agências de telefonia móvel.

E porque a formação é tida como chave para a transformação digital, o Director de Programas de Graduação do ISUTC, Elton Sixpence, disse que a instituição ensina aos alunos a desenvolverem habilidades para implementar sistemas que resolvam problemas de várias organizações e do ensino em si. Sixpence enfatizou a importância da utilização correcta dos sistemas digitais e referiu que a sociedade deve estar consciente de que a tecnologia também traz desvantagens. “A sociedade deve se autorregular e aprender a viver com as tecnologias”, frisou.

Convidada a partilhar da sua experiência nas vantagens do uso das tecnologias digitais, Whynde Kuehn disse que podem ser usadas não só para ampliar o mercado de compra e venda a nível global, como podem ser usadas em vários sectores como saúde, educação entre outros. A tecnologia pode ser usada para melhorar o desempenho na educação através da implementação de cursos online, ajustados à realidade local.  

 

O primeiro painel desta tarde, na MozTech, debateu o tema “Community bulding”, que juntou representantes de três continentes: África (Moçambique e África do Sul), Ásia (Emirados ‘Árabes Unidos) e América (Brasil).

O primeiro a pronunciar-se sobre a tecnologia tendo em consideração o tema proposto foi Lourino Chemane, Professor universitário e Assessor do Ministro da Ciência Tecnologia, Ensino Superir e Técnico-Profissional. Para Chemane, uma das responsabilidades do Governo quando se fala de tecnologias e “Community bulding” é criar condições para que o sector privado possa sentir-se atraído a investir na área. Tal situação, está acontecer. A prova disso, de acordo com Jamo Macanze, Director de Formação, Inovação e Investigação Científica da Empresa Nacional de Parques de Ciência e Tecnologia, é a incubadora da Maluana, província de Maputo, que tem contribuído de modo que os estudantes locais possam assimilar hábitos e experiências tecnológicas capazes de vincar no mundo digital. “Mas, infelizmente, não temos um sector privado incentivado a pensar na inovação, mas nos impostos”, rematou.

Da África do Sul, também houve uma contribuição, de Wonder Ndlovu, Especialista em Inovação e Fundador da Mbula, quem concorda com a ideia de que o Governo deve, sim, preocupar-se em atrair multinacionais ao país porque isso traz conhecimento importante para o desenvolvimento das comunidades. Nesse sentido, avança Ndlovu, a colaboração entre o Governo e as multinacionais é fundamental porque já se perdeu muito tempo no que diz respeito à inovação tecnológica. “O papel do Governo permanece o mesmo conducente ao que se pretende, com agenda, ao nível da comunidade, o que não significa que estamos a retirar o seu papel de liderança. Pelo contrário, deve estar interventivo”. Para que tal aconteça, de acordo com Frank Hendricks, Responsável de Negócio de Vendas da IBM para o Médio Oriente, nos Emirados Árabes Unidos, os investidores devem estar interessados e focados na colaboração e, por sua vez, o Governo deve ser capaz de dar respostas que satisfaçam a inovação na área digital.

Contudo, Guilherme Calheiro, Director de Inovação e Competitividade Empresarial do Porto Digital, no Brasil, não acredita que haja uma forma concreta para criar plataformas tecnológicas, mas desafios, com políticas públicas com incentivos fiscais, que incluam academias de formação e articulação com o sector empresarial. “Tudo resume-se na capacidade de diversas entidades participarem na discussão”, disse o brasileiro.

Os debates continuam no Centro de Conferências Joaquim Chissano, com o tema “Tecnologia no desporto de alta competição”, moderado por Jeremias Langa.  

 

Guilherme Calheiros, Director de Inovação e Competitividade Empresarial do Porto Digital, no Brasil partilhou a experiência e benefícios da criação do parque tecnológico, desenvolvido para responder os problemas locais e a crise económica, usando meios digitais.

Segundo Calheiros, a “Community building”, construção de comunidade, permite a criação de mais postos de emprego e também serve para alavancar a economia nacional atraindo novos investidores, para além de formar e apoiar novos empreendedores.

O parque tecnológico, Porto Digital, reúne pequenas e médias empresas locais de tecnologia no Pernambuco, no Brasil, e, além do suporte à geração de novos negócios, fortalece os jovens no desenvolvimento e implementação de suas ideias. Uma das actividades do parque é atrair investidores e desenvolver empresas locais, a partir das tecnologias, daí a aposta na qualificação do capital humano.
O parque tecnológico Porto Digital é também uma incubadora e aceleradora de empresas voltadas para a área da tecnologia.

 

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