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O País – A verdade como notícia

Há inovações tecnológicas para a área de saúde, reciclagem e gestão de resíduos sólidos expostas na décima segunda edição da feira Moztech, que decorre em Katembe, Cidade de Maputo. 

Já imaginou fazer uma consulta médica com apenas um clique no seu dispositivo conectado à internet?

Pois é! Não só é possível, como também é um facto, que está exposto na décima segunda edição da feira Moztech. 

“Na Dr. Online, a pessoa pode agendar uma consulta com um clínico geral ou especialista de acordo com a sua preferência e, depois disso, será gerado um link, onde poderá conversar com o médico, directamente na plataforma por um vídeo chamada”, revelou Marlene Issaca, administrativa da Dr. Online. 

Mas nem tudo termina na plataforma. Caso seja necessário realizar exames, o laboratório é que vai ao encontro do paciente, e não o contrário. 

“Nós temos laboratórios que vão ao encontro do paciente para a extracção de amostras e os exames. Depois de ter os resultados, eles são colocados directamente na plataforma, o médico terá acesso e dará o seu diagnóstico. O paciente não precisa deslocar-se”, detalhou Marlene Issaca. 

E esse exercício, garante a Dr. Online, é seguro e confiável. 

Ainda na janela de inovação na Moztech, há objectos que, de longe, não parecem ter sido gerados a partir do que quase todo mundo descarta: o plástico e garrafas pet. 

Através de uma impressora de três dimensões, a SEA GLASSES transforma o nada em algo tão valioso como óculos, chaveiro e outros objectos de adorno. 

“O nosso produto principal são os óculos 3D, mas também temos os outros produtos que podemos ter a partir da personalização dos nossos clientes. Temos logotipos e outras coisas que são solicitações dos clientes. Os nossos produtos são feitos à base de plástico reciclado desde a recolha nas praias, ruas até ao produto final”, explicou Cláudia Machaieie, expositora da SEA GLASSES. 

E o meio ambiente agradece por este gesto. “Trabalhamos com algumas associações. Elas nos dão o plástico e nós, também, recolhemos. Temos que limpar, processar o plástico até chegarmos ao produto final. Nós é que estamos envolvidos em todo o processo de produção”, sublinhou Cláudia Machaieie. 

A tecnologia está à disposição da gestão de resíduos sólidos. 

O sistema exposto na Moztech foi concebido para emitir alertas aos gestores de lixo quando um contentor estiver cheio.

“O sistema é composto por sensores e eles captam o nível de lixo que está no contentor. Através de GCM, o sistema manda mensagem para a central sobre a localização exacta do contentor que está cheio e o nível em que ele está. O sistema recebe os dados e são passados para o sistema web e processados. Isto dá-nos uma visão geral dos contentores de lixo e tomar melhores decisões”, expôs Cleyton Mundlovo da Command Line. 

Ao apresentar este sistema na feira de tecnologia, a Command Line espera ajudar as instituições públicas e privadas a melhor gerir os resíduos sólidos.

“Isso permite que as entidades gestoras de resíduos sólidos tenham dados para poderem agir em tempo real porque, muitas vezes, não é a falta de recursos, mas a capacidade de responder e saber onde temos uma situação fora do controlo. É  tecnologia ao serviço da recolha de lixo”, concluiu Cleyton Mundlovo. 

É tudo isto, e muito mais, que está exposto na décima segunda edição da feira Moztech, evento que decorre na Arena 3D, KaTembe, Cidade de Maputo até sexta-feira.

Várias empresas subiram ao palco do Moztech para apresentar soluções e contributos para o processo de transformação digital das PME’s. Houve também a exibição de algumas IAs no âmbito de uma parceria entre a Moztech e Comunidade de Desenvolvedores de tecnologias em Moçambique.

São 12 anos da Moztech e uma das reflexões propostas foi a migração digital. Da tradição para o digital, o crescimento tecnológico facilita nos vários processos de gestão das empresas.

Esta quarta-feira, primeiro dia da décima segunda edição da maior feira de tecnologias do país, várias empresas apresentaram soluções para a transformação digital das PME’s.

A CEGID  propôs a ANA, um IA que funciona como um assistente virtual.

“É a nossa Ana, com quem mais de 1200 colaboradores podem interagir e ter o seu dia muito mais flexível, em reportes financeiros, em fazer gráficos e análises de gráficos”, explicou a  Diretora de negócios da CEGID Eliana Araujo.

Para a empresa Huawei Moçambique a conectividade é a chave para a transformação digital.

Temos que olhar para a segurança. É importante também acompanhar o avanço tecnológico e garantir que todo o mundo tenha acesso à comunicação digital ” referiu o Gestor de vendas da Huawei Moçambique, Vagner Bango .

Mas o acesso continua um obstáculo bem notável para muitas pessoas em Moçambique o que gerou um debate entre os participantes.

“A questão de pessoas sem acesso a tecnologias é grave, acredito que muito menos do que se fala, da população tem acesso às tecnologias ou aos meios para as adquirir”, contribuiu Cláudia Santos, participante.

De acordo com a presidente da Comunidade dos maiores Desenvolvedores de tecnologias em Moçambique,Valquiria Pondja, um dos problemas é encontrar startups que trabalham para solucionar problemas reais dos clientes.

Numa parceria entre a Moztech e a Comunidade de Desenvolvedores de tecnologias em Moçambique 20 startups foram escolhidas para uma rede de facilitação de busca e troca de experiências.

“Tivemos 45 startups a concorrer e selecionamos 20. cinco das quais estão a expor hoje”, acrescentou Valquiria Pondja.

Uma das seccionadas é a IA Doutora Online, uma plataforma de consulta online, que une médicos das várias especialidades aos pacientes na comodidade das suas casas. A plataforma também permite acesso a laboratórios e documentos médicos variados.

As tecnologias abrem e ajudam a fechar portas, literalmente, atraves de uma inovação que consiste em uma fechadura inteligente acessada por meio de um smartphone, apelidado de E-kay.

Estas foram intervenções e contribuições de empresas e startups no momento TECH TALKS da Moztech. A feira tecnológica segue por mais dois dias, nesta quinta-feira e sexta-feira

O Ministro da Economia, Basílio Muhate, reiterou, esta quarta-feira, no parlamento, Cidade de Maputo, que a aparente crise de combustíveis que se tem registado nos últimos meses, nas principais cidades do país, resulta de problemas logísticos e não de falta de stock.

Basílio Muhate explica que o país tem disponibilidade de combustível suficiente, no entanto, o facto de haver dependência nos combustíveis fósseis, “que não temos”, impõe o desafio de se apostar no gás, gás veicular.

Basílio Muhate, que falava nesta quarta-feira, na Assembleia da República, apontou as medidas em curso para contenção do custo de vida: “Isenção do IVA para produtos de primeira necessidade, que agora se estendeu ao açúcar, sabões e óleo, mas também a isenção das taxas aduaneiras para a indústria transformadora, no que tange às importações de matérias-prima”.

Para que as medidas surtam efeitos, o Governo garante fiscalização dos preços dos produtos que se beneficiam das isenções.

Respondendo à pergunta da Renamo, sobre o impacto dos megaprojectos na economia e melhoria de vida das populações, Muhate respondeu nos seguintes termos: “Os megaprojectos têm contribuído em várias vertentes para a economia, sobretudo na criação de oportunidades para as pequenas e médias empresas. Por exemplo, temos o registo de mais de 2500 empresas moçambicanas que prestam serviços subsidiários aos empreendimentos, bem como a criação de mais de 10 mil postos de emprego, para além da previsão de empregar mais de 25 mil pessoas com o início de exploração do gás NLG, podendo reduzir gradualmente em função das necessidades”.

O Presidente do Conselho de Administração da Mozambique Community Network (MCNet), Rogério Samo Gudo, defende que o Estado deve capitalizar o uso da inteligência artificial para melhorar a prestação de serviços públicos.

O responsável falava, esta quarta-feira, num painel de debate sobre os caminhos para acelerar a transformação digital na 12ª edição da Moztech, na Katembe, em Maputo, evento no qual partilhou a experiência da entidade que dirige na área digital. 

Samo Gudo diz ainda que para haver transformação digital em economias como a moçambicana é necessário que haja uma liderança capaz de usar as políticas e as estratégias para o benefício das pessoas. 

Por sua vez, Cameron Smith, director da Bubble Cloud Mozambique, que é também engenheiro de software e informático, referiu durante o mesmo painel que a transformação digital não é e nem deve ser apenas para os informáticos.

Para Smith, as pessoas são essenciais para interligar os sistemas digitais e o mundo, durante o processo de transformação digital, mas alerta que é necessário transformá-las para que saibam utilizar devidamente os sistemas informáticos.

Como desafios, Cameron Smith diz que para haver acesso aos sistemas digitais é necessário que as pessoas tenham acesso a dispositivos, aprendam a usar com pessoas especializadas, de modo a tirarem maior proveito dessas tecnologias.

Cameron Smith diz ainda que é preciso facilitar o acesso à internet e aos dispositivos informáticos, tornando os dados ilimitados para uso didático.

Essencialmente, Smith defende que é necessário respeitar os recursos humanos, bem como os processos necessários para a aceleração da transformação digital e os objectivos que se pretendem alcançar com a mudança nos sistemas.

Da África do Sul, Itumeleng Segal, director de estratégia e transformação da Sentech, referiu que actualmente a transformação digital está a mudar radicalmente e que dados são fundamentais para que haja melhores resultados.

Segal aponta ainda as políticas e os regulamentos como fundamentais para que a transformação digital seja uma realidade. Diz ainda que é necessário investir nas camadas mais jovens para terem maior interesse na transformação digital.

O Presidente do Conselho de Administração do Centro de Desenvolvimento do Sistema de Informação de Finanças (CEDSIF), Manuel dos Santos, falou da importância do Estado no processo de aceleração da transformação digital.

Manuel dos Santos considera que o cumprimento de normas internacionais por parte do Estado moçambicano e do sector privado é importante para evitar a invasão dos sistemas públicos e privados por hackers.

 

Na sessão de abertura da décima segunda edição da MozTech – Feira de Tecnologia de Moçambique, Daniel David anunciou que, durante o evento, será lançado um ecossistema para startups que vai ajudar a impulsionar as ideias dos jovens empreendedores numa competição digital de Moçambique, para, depois, concorrerem com Angola.

Na sua intervenção inaugural, na manhã desta quarta-feira, na Arena 3D, KaTembe, Cidade de Maputo, Daniel David convidou as startups interessadas em apresentar soluções tecnológicas, quer para o Estado, quer para as empresas privadas, a participarem na MozTech porque vão ter a oportunidade de concorrer a um prémio. 

“O objectivo maior é sermos um ecossistema disruptivo ao nível de África”, disse David, reforçando que a Feira de Tecnologia de Moçambique está comprometida em tornar sonhos realidades. “Quem não sonha, não realiza. Tudo o que fazemos, partiu de uma visão e, nessa visão, tivemos a coragem de tomar decisões, executando com acções concretas, com apoio do Governo, das instituições públicas e do sector privado”.

A propósito de sonhos, Daniel David acrescentou que a MozTech vai realizar uma pretensão ainda maior, a de tornar Moçambique uma referência pragmática em termos de inovação tecnológica, com acções locais que impactem globalmente ao nível africano. 

“Quem estiver connosco, ao longo dos três dias [do evento], vai acompanhar as inovações e os lançamentos que se vão realizar”, garantiu, reforçando que as  instituições públicas reconhecem na MozTech um papel impulsionador na transformação digital do país. 

 

A abertura da décima segunda edição da MozTech – Feira de Tecnologia de Moçambique, na Arena 3D, Cidade de Maputo, foi confiada ao Ministro da Planificação e Desenvolvimento. No seu discurso de ocasião, Salim Valá realçou que as tecnologias de informação e comunicação são fundamentais no processo de desenvolvimento nacional. 

Assim, conforme fundamentou o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, o Governo tem apostado nas tecnologias para melhorar serviços públicos e privados e aproximar os cidadãos à administração pública, com abrangência e inclusão. 

Na óptica de Salim Valá, justifica-se o investimento nas tecnologias porque possuem capacidade de mudar a forma como as pessoas trabalham. Nesse sentido, defendeu, é crucial que se garanta uma boa utilização das mesmas tecnologias, com ética e assertividade, no quadro legal em matérias de lei. 

Uma das estratégias defendidas por Valá na questão das tecnologias digitais tem a ver com a expansão da estrutura digital em todo o território nacional, o que deve incluir centros de dados; o fortalecimento de instituições nacionais, com coordenação entre ministérios e parceiros, de modo que a transformação digital possa ser inclusiva; o melhoramento de serviços públicos; e toda a transformação que permita ao cidadão, por exemplo, ser atendido a partir de onde vive. 

Para o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, fazer de Moçambique país de renda média e mais competitivo vai depender da maior coordenação e conjugação de factores, que incluem o papel determinante das tecnologias na modernização da sociedade. Por isso, disse, o Governo criou um ministério para atender as questões de ordem tecnológica, pois, inclusivamente, compreende-se a percepção de que Moçambique se encontra numa fase crucial, em que as tecnologias estão a moldar a sociedade como um todo. 

Na sua intervenção, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento defendeu que a exclusão digital deixa muitos desconectados. Entretanto, deve servir como ponte para novas oportunidades de negócio. Paralelamente, acrescentou que, na Educação, as tecnologias estão a permitir aprendizagem mais inclusiva, via online, permitindo que estudantes de zonas recônditas tenham acesso a instrumentos que, de outra forma, seria impossível. Na Saúde, a tecnologia está a melhorar o sector com sessões virtuais que permitem aos pacientes um acesso aos serviços de Saúde sem terem de percorrer longas distâncias.

A fim de que o ecossistema tecnológico continue a melhorar a vida dos moçambicanos, Salim Valá considera que o país tem de continuar a criar oportunidade para os jovens continuarem  a lançar aplicativos inovadores e, assim, tornarem-se líderes do sector. 

A Arena 3D, em Katembe, Cidade de Maputo, será palco da 12ª edição da Moztech. A feira de tecnologia junta desenvolvedores e empresas de diversos ramos, para, durante três dias, reflectir sobre a inteligência artificial, transformação digital e cibersegurança. Expositores prometem soluções inovadoras para os desafios do país.

ARAFATE COSSA, Palestrante

Olá, Moçambique! A maior feira de tecnologia do país está de volta e, mais uma vez, eu tenho o privilégio de participar como orador. Neste ano, no dia 30 de Maio, eu vou participar na Moztech para falar sobre os segredos esquecidos da comunicação que conecta.

Eu espero vê-lo lá. Vamos juntos aprender e tirar o maior proveito possível deste momento de conexão. Até lá!

ZUNEID KARIM, Director-geral da Triana Business

Neste ano, a Triana Business celebra 25 anos. 25 anos a garantir que, por trás do que funciona, está uma base sólida. Data centers que não cedem à pressão. Sistemas que mantêm operações em movimento. Segurança digital com resposta quando mais importa. E, agora, levamos isso ainda mais longe. Nesta 12ª edição da Moztech, apresentamos a Baba Cloud, uma solução de computação em nuvem totalmente soberana, que garante o processamento e armazenamento de dados em solo nacional.

E a AQR, uma solução de cibersegurança desenhada para proteger o que mais conta, as organizações moçambicanas. Este é o futuro digital em que acreditamos, mais local, mais resiliente, mais nosso. Visite-nos nesta 12ª edição da Moztech. 

O digital pode vir de qualquer lado, mas a confiança é essa que se constrói aqui. Até lá!

ELIANA ARAÚJO, Cegid 

Estou aqui para afirmar que a Cegid, neste ano, irá fazer parte da Moztech nos dias 28, 29 e 30 Maio. Venham conhecer as novidades que trazemos para a transformação digital das PME em Moçambique, juntamente com as nossas Cegid Primavera, Cegid Vendus.

Visite o nosso stand e fique a conhecer uma transformação digital segura e com confiança para a sua organização.

Ainda não há data para a assinatura do novo pacote de financiamento do Fundo Monetário Internacional a Moçambique (FMI). A ministra das Finanças assegura que está em curso a concepção da proposta de actividades a financiar.

A ministra das Finanças esclareceu, nesta quarta-feira, que o Governo já trabalha no documento que contém as acções que carecem de financiamento junto do Fundo Monetário Internacional. 

O processo ocorre depois de Moçambique decidir cancelar o pacote de financiamento junto do FMI, por entender que os desafios e necessidades actuais do país são outros.

“Na articulação feita com o FMI, foi decidido que o país devia trabalhar num novo programa, não porque estamos perante um novo governo, mas também porque estamos perante novos instrumentos de planificação.”

Carla Louveira referiu-se à Estratégia Nacional de Desenvolvimento, ENDE 2025–2044, de 20 anos, que, segundo explica, reviu todos os indicadores e citou “crescimento populacional, evolução das receitas, o Produto Interno Bruto, vários outros indicadores macroeconómicos que são a chave para a governação, evoluir da economia nos próximos 20 anos, bem como os alicerces para o alcance da independência económica, se esquecer o Plano quinquenal e orçamento de Estado, todos alinhados ao ENDE”.

De acordo com Louveira, “neste momento, há uma equipa conjunta do Ministério das Finanças, mas também de todo o Governo nas suas áreas de especialidade e articulação com o fundo (FMI), a trabalhar, tanto na revisão do programa, como na preparação do novo programa para os próximos anos. Portanto, alicerçado nas novas metas de governação constantes nestes documentos já aprovados, neste momento estamos a definir o draft inicial deste novo programa para que seja acolhido, para que o Fundo Monetário possa definir qual é a data em que poderão vir fazer uma visita para aferir as bases deste novo programa”.

A governante não avança data para a implementação, mas garante haver interesse em flexibilizar os processos.

“O programa pode ser elaborado entre seis meses e um ano.  No entanto, depende da celeridade que o Governo tiver na preparação da proposta e, também, da celeridade que o Fundo Monetário Internacional tiver na apreciação positiva da proposta final.”

Questionada sobre a saúde das finanças públicas, tendo em conta as dificuldades enfrentadas no pagamento de horas e, às vezes, atrasos salariais, a ministra passou ao lado da resposta.

“Nós não estamos a ter atrasos de pagamentos de salários, estamos a fazer uma gestão criteriosa do nosso orçamento, tendo atenção, não só àquilo que são as necessidades de financiamento aprovadas pela própria Assembleia da República, de modo a que também não possamos fazer despesas, acima daquilo que é a nossa capacidade de financiamento. Então, se conseguirmos a todos os níveis fazer uma gestão criteriosa do nosso orçamento, poderá ser possível, sim, estarmos em conformidade com aquilo que é o nosso pacote orçamental. O exercício é mesmo esse, assegurar a solidez do nosso orçamento dentro da limitação do nosso orçamento existente.”

Carla Loveira, que falava à margem da visita do Presidente da República ao seu ministério, revelou ainda que o Estado moçambicano deve cerca de 7 mil milhões de Meticais a empresas públicas e privadas que venderam bens ou prestaram serviços até 2023 e que a dívida de 10 mil milhões de 2024 já está totalmente paga.

“Nós fizemos um levantamento, que está efectivamente publicado em sede da Estratégia de Financiamento da Dívida Pública, que mostra qual é o valor total de 6,9 mil milhões inscritos no sistema, mas também está a correr um trabalho para aferir se existem outras dívidas potenciais. Portanto, este trabalho está a correr. Havendo outras dívidas potenciais, o trabalho que deve seguir é a sua verificação pela Dispersão Geral de Finanças, para que possa positivamente ser validada e possa ser paga. Portanto, os 6,9 mil milhões de meticais são dívidas não existentes no sistema, acumuladas até 2023, mas as dívidas de 2024, aferidas em 10 mil milhões de meticais, foram efectivamente pagas, portanto, das referentes ao período de 2024. Esse é o estágio.”

O Standard Bank Moçambique teve um resultado líquido de cerca de 6,1 mil milhões de meticais, o que representa uma redução de 15% em relação ao mesmo período de 2023, quando registou ganhos líquidos de 7,2 mil milhões de meticais. Os dados foram apresentados pelo administrador delegado do banco, Bernardo Aparício, que falava nesta quinta-feira aos jornalistas.

Apesar do decréscimo, o administrador afirma que o ambiente de negócios se mantém robusto e que os eventos sociopolíticos registados no último trimestre do ano passado tiveram grande influência nos resultados financeiros. “Num ano em que tivemos um trimestre com fraca atividade económica, incluindo várias intervenções na taxa de juros  em cerca de 4 a 5 pontos percentuais que, de facto, impactaram o negócio bancário. Infelizmente a redução não foi compensada pelo aumento da carteira de empréstimos nem pelo crescimento económico”, explicou.

Durante o exercício económico, o Standard Bank foi obrigado a aumentar o volume de provisões para manter a solidez do seu balanço. Em 2024, o volume de imparidades cresceu em 25%, o que resultou na alocação de 220 milhões de meticais. O banco justifica que “tal resulta destas contrariedades que impõem um exercício de previsão de risco futuro, apesar de a nossa base de imparidades ser suficientemente robusta para cobrir eventuais perdas”. Ainda assim, o dirigente assegura que a perda por crédito se manteve baixa, em comparação com o mesmo período de 2023.

O Standard Bank considera que as medidas tomadas pelo Banco de Moçambique em 2024 foram importantes para a estabilidade macroeconómica. Diante da tensão e insegurança registadas no país no último trimestre de 2023, o banco central foi forçado a intervir em quatro ocasiões nos instrumentos de política monetária para conter a inflação e evitar o colapso económico. Segundo Bernardo Aparício, estas ações “reforçaram a robustez da nossa economia, mas também ajudaram a adequá-la à nossa capacidade de geração de moeda estrangeira. Quando se redimensionam as importações através da redução da oferta parte da qual foi direccionada para reforçar as reservas, os agentes económicos sentem essas restrições”.

A instituição diz estar empenhada em avançar, a um ritmo desejável, no processo de inclusão financeira, tendo em conta os avanços registados nos mais de 120 países onde está presente. “Vamos continuar a manter infraestruturas físicas, pois ainda há muitos processos em papel e burocracias, que continuam a ser pontos de contacto e venda com os clientes. À medida que os clientes procuram serviços mais complexos, como empréstimos, seguros e poupanças, esses pontos físicos tornam-se essenciais para a interação”, afirmou Aparício.

O administrador reiterou ainda a importância do investimento na carteira móvel e nas soluções digitais. “A interoperabilidade com as carteiras móveis, aliada ao nosso investimento em soluções tecnológicas, permite aos clientes interagirem facilmente com os nossos serviços seja por POS, ATMs ou outras plataformas, reduzindo, assim, a necessidade de infraestruturas físicas”, concluiu.

Em paralelo, o banco registou um lucro líquido de 3,94 mil milhões de meticais no primeiro semestre de 2024, o que representa um crescimento de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os ativos totais atingiram 168,87 mil milhões de meticais, reflectindo um aumento de 6,25% face ao final de 2023. Este desempenho foi sustentado por uma margem financeira de 7,42 mil milhões de meticais, além de receitas com taxas, comissões e operações financeiras.

O Standard Bank reforçou a sua posição como um dos principais bancos do país ao ser classificado pelo Banco de Moçambique como uma das três instituições de importância sistémica, ao lado do BCI e do Millennium BIM. O reconhecimento destaca o papel fundamental do banco na estabilidade financeira nacional e o seu compromisso com a inovação, a digitalização e o apoio à economia. A combinação de resultados positivos e uma gestão estratégica consolidam a liderança do banco no sistema financeiro moçambicano.

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