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O País – A verdade como notícia

A nível global, a população urbana tende a aumentar e, com isso, surgem problemas sociais como trânsito, criminalidade, desemprego, falta de habitação.

Na necessidade de se investigar soluções para esses problemas, surgem as cidades inteligentes, segundo explica Sidney Quintela, arquitecto e director da SQ + Arquitectos Associados, Brasil. “Criar cidades inteligentes não é construir novas cidades, é requalificar/adaptar o que já foi construído, para a nova realidade”.

Chamado a explicar sobre o conceito de cidades inteligentes, o arquitecto referiu que as mesmas são pensadas para tornar os serviços mais eficientes, proporcionando melhores ambientes para se viver, tendo como ferramentas a tecnologia.

Um dos pressupostos imprescindíveis para a criação de cidades inteligentes é a educação, acesso à informação e oferta ampla da banda larga. “Educação é o pré-requisito para se pensar e investir em cidades inteligentes. Cidadãos inteligentes constroem cidades inteligentes, mas é preciso permitir acesso à informação pública”, frisou.

A tecnologia não pode ser o principal actor no desenvolvimento das cidades inteligentes, o foco deve ser a cultura, “é preciso manter a tradição da cidade, para não perder a sua essência”, referiu.

 

As tecnologias continuam a proporcionar muitas mudanças ao modo de vida das pessoas em todo mundo. Graças à evolução tecnológica, produto do conhecimento humano, actualmente, já não basta ter um bom aparelho tecnológico para resolver problemas diários. Além de um telemóvel, uma viatura ou uma televisão de sei lá quantas polegadas, o Homem contemporâneo tem necessidades maiores, que exigem da tecnologia uma dimensão mais abrangente. É a pensar nisto tudo que o painel da MozTech, o segundo da tarde, discutiu, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, a problemática à volta das “Cidades inteligentes”. Na verdade, esse foi o tema de discussão que envolveu Simão Mucavel, do Conselho Municipal de Maputo, Sofia Nogueira e Silva, Directora da Nova Base Moçambique, Sidney Quintela, Director da SQ + Arquitectos Associados (Brasil), e António Almeida Henriques, Presidente da Câmara Municipal do Viseu (Portugal).

Começando pelo primeiro interveniente, Simão Mucavele, referindo-se às cidades inteligentes, disse que é urgente tornar os espaços urbanos mais humanos, e que o Conselho Municipal de Maputo está nessa caminhada, algo que se vai materializando com o envolvimento das pessoas, de forma progressiva. “Como exemplo de que a cidade de Maputo quer tornar-se inteligente é o serviço MOPA. Esta plataforma faculta ao cidadão, por via do telemóvel, poder participar na gestão urbana, ao ter a possibilidade de informar as autoridades casos sobre lixo espalhado nas ruas ou incêndios, sem que haja necessidade de se recorrer à infra-estrutura do Conselho Municpal”, afirmou.

Confrontando sobre a fragilidade do MOPA, em termos de adesão e funcionalidade, por um dos participantes, Mucavele sugeriu que se cobre respostas ao vereador da área urbana do Conselho Municipal, que ele está mais focado a aspectos atinentes à educação.
A única voz feminina do painel, Sofia Nogueira e Silva, também interveio, partilhando com o auditório do Centro de Conferências Joaquim Chissano, mais uma vez muito concorrido, sustentou a ideia de que o investimento nas cidades inteligentes deve ter como objectivo fulcral tornar as pessoas mais felizes. “A tecnologia, e esta é a visão da Novabase, não é um fim nesse processo, mas um meio”. Continuou: “há 20 anos, a Novabase implementou primeiro sistema de bilhete electrónico, em Portugal, e de lá para cá investiu em sistemas para os municípios conseguirem gerir as cidades, adquirindo possibilidades de melhor controlo de tráfego de pessoas. Além disso, a nossa empresa investe em serviços que, por via do celular, possam ajudar o cidadão a locomover-se pela urbe sem informações que se baseie no contacto humano, o que permite às pessoas terem mais informações sobre os locais e mais independência”. Concluindo? “A tecnologia tem sido usada para simplificar processos, algo atractivo para empresas que podem criar serviços que antes eram complexos serem materializados em curto espaço de tempo”.

Sidney Quintela, por seu turno, afirmou que as cidades inteligentes dependem de complementaridade, possível com participação de diferentes actores. “No caso de Maputo, a primeira coisa que deve ser feita é criar-se um grupo de trabalho para pensar num plano para desenvolvimento nos próximos 50 anos, “porque não se pensa cidade de um dia para outro. Tal facto envolve força humana até se chegar às plataformas digitais, com um plano que deve ser revisitado em cada 10 anos, para se adaptar às novas condições que vão surgindo. Assim, é importante ter-se respeito pelos espaços públicos e pelas pessoas. Temos de planejar o futuro para nada dar errado, o que implica ouvir a todos, políticos, taxistas, cidadãos e empresários”, sugeriu o brasileiro.

Por fim, António Almeida Henriques clarificou que a inteligência das cidades depende das pessoas. Elas é que marcam a diferença, com acções concretas que possam permitir concentrar competências no universo urbano. “Isso é importante porque ajuda a tomar boas decisões rumo ao desenvolvimento. Nesse sentido, a ideia de cidades inteligentes não deve ser algo virtual, todos os esforços sobre a matéria devem convergir para um objectivo comum: interferir positivamente na vida das pessoas”.

 

 

 

 

 

“Empreendedorismo tecnológico” é o tema da última conferência da quarta edição da MozTech. Devido à sua relevância, Alan Browning, Hyper Converged Lead da Lenovo para o Médio Oriente, enalteceu que se deve encontrar formas inovadoras de mudar modelo de negócio, porque o mundo está em constante transformação, já que várias pessoas têm acesso ao conhecimento.

Alan Browning entende que o ciclo antigo de fazer negócio deve ser alterado, dando-se vozes a toda a gente nas empresas, porque disso surge o empreendedorismo tecnológico fundamental nesta época. “E com a tecnologia das coisas, as pessoas podem-se juntar em todo mundo com muita facilidade”, afirmou, apontando exemplos de empresas distintas na área de empreendedorismo tecnológico, casos da Ubber, Amazon, que veiculam serviços acessíveis aos cidadãos.

À parte a necessidade de investimento no empreendedorismo. tecnológico, Browning foi mais acutilante no que o continente deve fazer para alcançar o desenvolvimento. “Precisamos que África tenha inovação, com envolvimento do Governo, para investirmos nas nossas ideias e pensar em como apostar nas tecnologias. Disso depende a sedução dos nossos negócios. Isso é importante porque a inovação cria emprego, algo que, infelizmente, não é levado com seriedade, por se julgar ser apenas para estudantes”. Alan Browning defende que África precisa de dar passos urgentes em relação ao empreendedorismo tecnológico para poder levantar e consolidar-se como continente inovador.

 

O “Empreendedorismo tecnológico” encerrou os debates da 4ª edição da maior feira tecnológica do país, Moztech.
A criação e desenvolvimento de startups dominaram o debate. Alan Browning, responsável da Lenovo para o Oriente Médio, Turquia e África, disse que os jovens devem criar plataformas que permitam o desenvolvimento em seus países.  

“Se temos que resolver o problema de desemprego, primeiro devemos criar plataformas e políticas estáveis de criação de emprego”, considerou.
Muitas startups surgem de sonhos, inquietações ou problemas que os empreendedores identificam e buscam soluções, é o caso da Izyshop, em Moçambique, segundo revelou o fundador Titos Munhequete. Mas nem sempre essas ideias são sustentáveis, daí muitos investidores não apostarem.

75% dos empreendedores tem chances de falhar na implementação de suas ideias, nos primeiros três anos, por isso, explica Sasha Vieira, gestora da incubadora de negócios do Standard Bank, existem elementos a ser tomados em consideração, antes de se buscar o investimento, que são a capacitação, desenvolvimento do negócio, acesso aos mercados, acesso à mentoria e financiamento, para ensinar os empreendedores a evitar ou reduzir riscos de falhar. “Falta acesso à informação por parte dos empreendedores e falta ecossistema que permite se evitar riscos de falhas”, disse Vieira.

Chamados a partilhar da sua experiência e desafios, Munhequete e Frederico Silva, co-fundador da UX, disseram que o quadro legal e a cultura conservadora dos investidores foram os desafios para a criação de suas startups.

Para se manter, por exemplo, Silva e sua equipa criaram serviços de valor acrescentado para as grandes empresas, o que possibilitou serviços gratuitos para as pequenas empresas e ofereceram consultoria técnica para obter receitas e subsidiar a startup.
“Não há cultura de se investir em startups, talvez pelos riscos” lamentou Munhequete, exortando as empresas a investir em startups. “As grandes empresas têm problemas em inovar. Mas é possível ganhar dinheiro, apostando em startup”.

Os jovens empreendedores referiram que há muitos desafios na legislação moçambicana para as startups.
Boaventura Mucipo, Director do jornal O País, quis saber de Alan Browning qual é o papel dos Estados na promoção de startups. Browning disse que o registo da propriedade intelectual das iniciativas para salvaguardar os direitos dos criadores está sob tutela dos Governos.

Questionada sobre como o empreendedorismo pode empoderar as mulheres, a gestora da incubadora de negócios do Standard Bank explicou que no país existem muitas mulheres a apostar no empreendedorismo e falou dos programas da agência que possibilitam que elas partilhem suas experiências e desafios.

"Muito obrigado”. Daniel David, Presidente da Comissão Executiva da MozTech, no seu derradeiro discurso, não se esqueceu de agradecer a todos participantes, expositores, público, oradores, parceiros, patrocinadores, colaboradores, Governo e demais entidades que ajudaram na realização da quarta edição da feira digital, “evento de grande envergadura, que foi um grande sucesso e que contou com muita adesão”.

Não obstante, os agradecimentos não foram a principal aposta do discurso, no qual Daniel David ainda revelou que a MozTech assinou um protocolo com a Porto Digital, do Brasil, para dinamizar cada vez mais as actividades da feira naquele país americano e daquela empresa em Moçambique. E não terminou por aí. David anunciou que, este ano, a MozTech vai tentar criar um portal, o qual deve acomodar as startups. O desejo tem pelo menos um ano, e pode estar prestes a concretizar-se.  .

Porque as opiniões do público são sempre indispensáveis para o aperfeiçoamento do evento, Daniel David, mesmo antes dos seus agradecimentos, convidou ao auditório do Centro de Conferências Joaquim Chissano a manifestar o seu desejo em relação ao que a MozTech deve ser na próxima edição. Alguns, pediram mais tempo para as discussões, outros, são da opinião de que a feira digital não deve restringir-se apenas num encontro anual.  

O ministro da Ciência, Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional dirigiu a cerimónia de encerramento da 4ª edição da Moztech.

Nhambiu congratulou a realização do evento pelas lições aprendidas e disse estar convicto de que a feira abordou debates que vão possibilitar a melhoria do potencial tecnológico no país e aceleração do processo de implementação da Lei das Transacções.

O ministro da tecnologia disse que o Governo vai investir na juventude e garantir a formação de técnicos de qualidade.

Aos empreendedores, desafiou-os a centrar-se na actividade criativa e, em benefício da sociedade, inovarem em áreas estratégicas do desenvolvimento no país. Também felicitou os premiados da Gala Moztech e encorajou-os a tornarem-se referências de inovação.

 

 

 

O Presidente da Comissão Executiva da MozTech, Daniel David Daniel, exortou a todos os presentes na Gala do MozTche Awards a arregaçarem as mangas e a trabalharem para gerar riqueza para o país e para as suas empresas.

“O país depende de nós”, reforçou o presidente da Comissão Executiva da MozTech.

Com a geração de riqueza, Daniel David acredita que o país irá desenvolver e proporcionar melhor qualidade de vida aos moçambicanos.

Daniel David aproveitou o momento para agradecer o apoio que o Governo, dos parceiros estratégicos, MCNet e Standard Bank por ajudarem a tornar esta iniciativa uma realidade. Um especial obrigado foi também dirigido aos presidentes do Município da Cidade de Maputo e da Matola e da Camera de Viseu.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico-Profissional, Jorge Nhambiu começou por felicitar os premiados da noite. Nhambiu desafiou os vencedores a prosseguirem em frente nas suas carreiras e a promoverem soluções para os problemas enfretados pelo cidadão.

O ministro afirmou que através de iniciativas como a MozTech que são descobertos os inovadores e encontradas soluções para o desenvolvimento do país. No fim o ministro reiterou o compromisso do Governo em continuar a apoiar a MozTech.

“O papel das fintech (uso da tecnologia no sector financeiro) na promoção da inclusão financeira” foi o tema de abertura dos debates do segundo dia da 4ª edição da Moztech. Matteo Rizzi, co-fundador da FintechStage, na Itália, disse que a o processo de inclusão financeira pode significar uma excelente oportunidade para a projecção das fintechs.

O uso da tecnologia no sector financeiro faz com que as pessoas não usem as suas contas bancárias somente para fazer levantamentos dos seus ordenados mas, por exemplo, para fazer compras e aceder a outros produtos online. Graças ao uso das fintechs, diz Rizzi, os clientes podem ter acesso às suas contas ainda que estejam em locais sem agências bancárias.

Através das fintechs, acrescenta Rizzi, os bancos podem aceder a dados e informação dos seus clientes, através dos seus perfis em redes sociais, ainda que por algum motivo tenham as contas desactivadas.

“Os actores têm muito a fazer, quando se fala de inclusão financeira nos países. Para o efeito, é importante o papel do Governo, dos servidores, dos bancos e da população em geral, num trabalho em colaboração”. Quem pensa assim é Ngarambe Philip, Director de Implementação e co-fundador do Grupo AC, no Ruanda, um dos painelistas no debate sobre “O papel das fintech na promoção da inclusão financeira, ou seja, o papel das tecnologias na dinamização do sector financeiro, algo que passa pela inovação do sector.

No segundo dia feira de tecnologia, representantes de diversas instituições especializadas referiram-se a várias situações atinentes as fintech. É o caso de David Milligan, Director Executivo da Matchi, Hong Kong, quem entende que as fintech devem melhorar os seus serviços para atrair os clientes e, com isso, desenvolver capacidades de adquirir financiamento. Milligan defende que as pessoas devem perceber que as fintech devem combinar capacidades de encontrar soluções para clientes, evitando ciclos longos de negócio que podem trazer prejuízos.

Além disso, o Director Executivo da Matchi, em Hong Kong, acrescenta: “o que notei, trabalhando com bancos, é que as empresas fintech ajudam a disciplinar os mercados.

Outro painelista que deixou ficar seu parecer neste segundo dia de MozTech foi Matteo Rizzi, co-fundador da FintechStage, na Itália. Em relação ao tema em debate, Rizzi afirmou que “o regulador deve ser amplo, mas próximo ao star-up, tendo padrão que os bancos possuem com as fintech. Nisso, defende Rizzi, é importante saber-se o que se está a fazer no mercado em termos de investimento, para que se contorne a competitividade.

Complementando, Mercy Zulu, da Reseach Associate da Goodwell Investiments, na África do Sul, disse que a sua instituição investe em quem se preocupa com a inclusão em vários sectores, trabalhando com Finecth que liga o sector formal e informal.

A moderação do debate sobre “O papel das fintech na promoção da inclusão financeira” contou com Esselina Macome, Assessora de Políticas na Financial Sector Deepening Moçambique.

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