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O País – A verdade como notícia

O Banco de Moçambique revela que houve um crescimento de 62% nas reclamações apresentadas por clientes contra bancos comerciais e microbancos no ano passado. O aumento perfaz mais de 1800 casos, acompanhado pela devolução de 1,4 mil milhões de meticais aos clientes, após acções sancionatórias, tratamento de queixas e inspecções.

O banco central aponta que o aumento da consciência dos direitos e deveres dos consumidores impulsionou este resultado. Relativamente às queixas sobre caixas automáticas, registou-se um incremento de casos de 230 para 860 em 2024.

No mesmo período, foram aplicadas sanções aos bancos no valor de 100 milhões de meticais, devido a várias irregularidades, sobretudo no âmbito do combate ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo.

MOÇAMBIQUE NO GRUPO DE UNIDADE DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA

Moçambique foi admitido no grupo global Egmont de Unidades de Informação Financeira, dedicado ao combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo. A informação foi tornada pública nesta quinta-feira, através de um comunicado de imprensa do Ministério das Finanças.

Na nota, consta que a decisão foi formalizada a 10 de Julho corrente, como resultado dos esforços do Executivo para tornar o sistema de prevenção e combate ao branqueamento de capitais, financiamento ao terrorismo e crimes conexos mais robusto e eficaz.

A admissão do país ocorre numa altura em que Moçambique se prepara para uma reunião de avaliação em Setembro, com vista à possível retirada da “lista cinzenta”, após ter cumprido 26 acções recomendadas pelo Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI).

“O Egmont é um fórum constituído por 170 países, criado em Junho de 1995, em Bruxelas, para promover a cooperação, a troca de informações e coordenar a capacitação entre os países membros. Para a adesão, Moçambique contou com o apadrinhamento das congéneres da África do Sul, Brasil e Maláui”, revelou o Governo.

ZÂMBIA TENCIONA ALCANÇAR 6% DE CRESCIMENTO ECONÓMICO

A Zâmbia pretende alcançar um crescimento económico de pelo menos 6% ao ano até 2028, como parte de um plano de objectivos macroeconómicos aprovado pelo Conselho de Ministros. O país também ambiciona aumentar as receitas internas em mais de 22% por ano, limitar o endividamento interno líquido a 1,7% por ano e expandir a economia de forma sustentável.

O plano prevê ainda a redução da taxa de inflação para um único dígito até ao final do período referido.

Outra meta é manter reservas de divisas suficientes para cobrir, no mínimo, três meses de importações, reforçando, assim, a segurança económica do país. O Conselho de Ministros refere que se pretende igualmente avaliar as isenções fiscais em vigor e criar um novo quadro de incentivos fiscais mais eficaz, que favoreça tanto o crescimento económico como a expansão da base tributária nacional.

CPLP APELA À COOPERAÇÃO EMPRESARIAL PARA SEGURANÇA ALIMENTAR

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) desafia os empresários a promoverem acções que garantam a soberania alimentar e nutricional. O apelo foi lançado durante o II Fórum Económico Empresarial da CPLP, que reuniu empresários dos países-membros nesta quinta-feira, na capital guineense, Bissau.

Segundo a Agência de Informação de Moçambique, no evento destacou-se que os países da CPLP dispõem de condições climáticas favoráveis à produção agrícola, mas carecem de integração entre conhecimento técnico, recursos naturais e políticas públicas. O Governo da Guiné-Bissau apelou à eliminação dos obstáculos comerciais e ao aumento dos fluxos de investimento, explorando sinergias regionais e entre blocos económicos.

Na ocasião, foi ainda apresentado o “Compacto Lusófono de Desenvolvimento”, promovido pelo Banco Africano de Desenvolvimento, para fomentar parcerias e investimentos público-privados nos países africanos da CPLP, com o apoio de Portugal e do Brasil.

A multinacional Mozal está em negociações com o Governo de Moçambique, no sentido de prorrogar o contrato de fornecimento de energia eléctrica, uma vez que o vigente termina em Março do próximo ano. A Mozal adquire anualmente 950 Megawatts de energia para o seu funcionamento normal.

De acordo com um documento partilhado pela empresa, as negociações decorrem desde o ano passado e ainda não há consenso entre as partes, o que faz com que a empresa viva na incerteza sobre o futuro do fornecimento de energia, apesar de ter como segunda opção a Eskom.

Uma resposta satisfatória para a renovação do contrato parece estar longe de se concretizar, tudo porque o Governo de Moçambique veio a público apresentar a sua visão no tocante ao contrato. Inocêncio Impissa, porta-voz do Executivo, disse, durante a vigésima quinta sessão ordinária do Conselho de Ministros, que a Mozal deve passar a adquirir a energia junto da Electricidade de Moçambique, empresa instituída para a venda no país.

Com base nas novas regras do jogo que o Governo quer estabelecer, a tarifa deverá ser definida de forma a tornar o contrato viável e sustentável, evitando impacto negativo na operação da fábrica.

A posição do Executivo significa que o formato da comercialização da electricidade para a Mozal muda drasticamente, abandonando-se os modos antigos em que a empresa adquiria directamente a energia à Hidroeléctrica de Cahora Bassa, através de um gerador posicionado na hidroeléctrica.

Continuamos a dialogar com o Governo da República de Moçambique, a HCB e a Eskom para garantir o fornecimento de electricidade acessível para permitir à Mozal operar para além de Março de 2026 e manter o seu substancial contributo para a economia de Moçambique”, lê-se num comunicado da South 32 o maior accionista com 63,7 por cento.

AFINAL, O QUE SIGNIFICA A MOZAL PARA A ECONOMIA MOÇAMBICANA?

A Mozal contribui com aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e é uma importante empregadora industrial, gerando empregos para milhares de funcionários e contratados. O seu peso financeiro é de mais de 43 mil milhões de meticais. As contribuições da Mozal aos cofres do Estado não ficam por aqui: a empresa encaminha dividendos aos cofres nacionais por o Estado ser detentor de 3,9% do capital social.

De acordo com a Conta Geral do Estado de Moçambique, em 2022 a Mozal pagou 839,8 milhões de meticais em dividendos ao Estado e, no ano seguinte, reduziu cerca de 560 milhões de meticais, tendo conseguido transferir cerca de 274 milhões de meticais. Entretanto, em 2024, a empresa não pagou dividendos ao Estado devido aos prejuízos averbados.

REPENSAR O CONTRATO DE FORNECIMENTO DE ELECTRICIDADE À MOZAL É NECESSÁRIO, DIZ JOAQUIM DAÍ

Reagindo ao assunto durante o programa O País Económico de ontem (quinta-feira), o economista e gestor Joaquim Daí disse ser urgente a mudança dos termos do contrato entre o Estado moçambicano e a Mozal, para melhor controlo do negócio, concordando com a proposta do Governo que defende que o negócio deve ser feito directamente com a Electricidade de Moçambique.

Segundo o economista, durante 27 anos, a multinacional do alumínio beneficiou de um contrato especial de fornecimento energético a preços preferenciais, sem intermediação da Electricidade de Moçambique, uma situação que enfraquece o papel da empresa pública no sector.

“De que vale termos uma EDM, se as entidades não compram energia da EDM?”, questionou o economista, acrescentando que a empresa estatal deve ser reposicionada como fornecedora central de energia para todos os sectores estratégicos.

Daí reconheceu que a Mozal continua a ter um peso relevante na economia nacional, representando cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) e sendo uma das maiores exportadoras do país. No entanto, frisou que a sua contribuição fiscal é “extremamente limitada”.

“A Mozal não paga IVA nem direitos de importação sobre bens de produção, e os dividendos do Estado, que detém apenas 3,9% das acções, são insignificantes. Em 27 anos, a empresa contribuiu com apenas 3,2 milhões de dólares em dividendos. Isso é quase nada”, afirmou.

A instabilidade no fornecimento de energia, registada principalmente no último trimestre de 2024, teve impacto directo na produção da Mozal e reflectiu-se na performance económica do país. Segundo o economista, houve uma quebra de cerca de 4,9% na contribuição do sector industrial para o PIB, anulando o crescimento registado nos trimestres anteriores.

Face a este cenário, Daí defende que o Estado deve adoptar uma abordagem estratégica e dialogar com os megaprojectos para rever cláusulas contratuais, mesmo sem recorrer à força legal. “Não é uma questão de legalidade, mas de interesse nacional. Temos que explicar por que razão os contratos devem ser ajustados às novas exigências do país”, argumentou.

O gestor apela ainda à diversificação das fontes de energia e à aposta em projectos como Mphanda Nkuwa, gás natural e outras centrais hidroeléctricas, para garantir maior capacidade de produção interna e autonomia energética.

Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) aprovou um orçamento de 17 milhões de dólares (mil milhões de meticais) para apoiar os programas de reconstrução da província de Cabo Delgado, região Norte de Moçambique, afectada pelo terrorismo desde 2017.

Num comunicado citado pela agência Lusa, a entidade refere que a verba deverá contribuir para a criação de 24 mil postos de emprego para jovens com idades entre 18 e 35 anos, sendo que 50% do valor será destinado a apoiar mulheres, beneficiando um total de 100 mil.

“O desemprego juvenil atinge actualmente 25% da população da província, na maioria jovens sem emprego e sem estarem matriculados em cursos de educação ou formação”, afirmou Babatunde Omilola, gestor de Capital Humano, Juventude e Desenvolvimento de Competências do Gabinete Regional do BAD.

Mencionado na nota, o responsável explicou que o fundo vai ser alocado no âmbito do Projecto Investimento Resiliente para o Empoderamento Socioeconómico, Paz e Segurança (RISE-PS) que visa combater as fragilidades de Cabo Delgado através do empoderamento. “O programa coloca os jovens como agentes de construção da paz, libertando o seu potencial por meio do desenvolvimento de competências, do empreendedorismo e de oportunidades de trabalho dignas para impulsionar os esforços de estabilização económica”, sustentou.

Omilola frisou que de entre as várias iniciativas a materializar, a RISE-PS vai avançar, dentro do mesmo pacote de financiamento, com a criação de um Centro de Investimento para a Paz e a Segurança, a ser coordenado pela Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) de Moçambique.

A Mozal está a enfrentar dificuldades para a renovação do contrato de fornecimento de energia elétrica com a Hidroelétrica, cujo término será em março do próximo ano. Entretanto, o Governo diz estar a acompanhar as negociações e quer que a compra seja feita através da Empresa Electricidade de Moçambique e não directamente da HCB.

O contrato de fornecimento de energia elétrica entre a Hidroelétrica de Cahora Bassa e a multinacional Mozal termina em março do próximo ano, e as negociações para a sua renovação têm-se revelado menos conseguidas. Através de um documento da gigante fundida de alumínio, apresentado em Moçambique desde 1998, a que O País teve acesso, a companhia afirma estar em negociações com o Governo de Moçambique para a extensão do acordo, entretanto, até esta parte, nada está assegurado.

“Temos vindo a trabalhar com o Governo da República de Moçambique, a HCB e a Eskom nos últimos seis anos para garantir o fornecimento de eletricidade à Mozal para além de março de 2026. Até à data, a Mozal ainda não chegou a acordo sobre uma tarifa de preços de eletricidade acessível. A HCB também fez recentemente consultas com os clientes para considerar o impacto do aumento dos custos de eletricidade e da capacidade de geração hidroelétrica prevista para este ano”, lê-se no documento.

Devido à situação, a empresa assume estar a viver na incerteza relativamente ao futuro do fornecimento de energia elétrica, maioritariamente gerada em Moçambique por um gerador hidroelétrico da HCB, e diz estar a avaliar a previsão das opções financeiras disponíveis no mercado. Para além da hidroelétrica nacional, a empresa tem recorrido à Eskom, outro parceiro no fornecimento de energia para a dinamização dos seus serviços, mas em quantidade insuficiente, daí o diálogo com a parte moçambicana.

“Continuamos a envolver-nos com o Governo da República de Moçambique, a HCB e a Eskom para garantir a continuidade do fornecimento de eletricidade à Mozal para além do termo do contrato existente em março de 2026 e manter a sua contribuição substancial para a economia de Moçambique”, predispõe-se a empresa.

O Governo de Moçambique diz ter consciência do contributo da empresa para a economia nacional; entretanto, o fornecimento de energia eléctrica deverá passar a ser feito através da Electricidade de Moçambique e não pela HCB.

Segundo Inocêncio Impissa, “hoje a contratação é feita de forma direta, e o que se pretende é introduzir o jogador, que é a EDM, que é uma entidade responsável pela comercialização da energia produzida pela nossa hidroelétrica. E há aqui elementos que têm de ser fechados para o efeito. Então, tem de haver uma transição entre o atual fornecedor desta energia para a EDM, para que a EDM possa fazer o braço comercial deste negócio.”

Os termos deverão continuar a ser debatidos nos próximos dias, mas o Governo garante que a Mozal não ganhará sem energia. “Os termos dos contratos ainda devem ser debatidos, mas com certeza a Mozal não vai ficar sem energia, porque é uma indústria cujo interesse não é só da própria Mozal, mas sobretudo dos moçambicanos”, disse Inocêncio Impissa, porta-voz do Conselho de Ministros.

A Mozal é um dos principais projetos industriais do país, responsável por cerca de 3% do Produto Interno Bruto moçambicano, empregando milhares de trabalhadores diretos e indirectos.

Os preços de bens e serviços aumentaram 4,15% no mês passado, segundo revelam os dados do Instituto Nacional de Estatística. Os preços de alimentos, refeições e bebidas, roupa e calçados foram os que mais subiram.

Depois da estabilidade dos preços de bens e serviços registada no mês de Maio, os preços voltaram a subir no mês de Junho último. De acordo com dados mais actualizados do Instituto Nacional de Estatística, a subida foi de 4,5%.

Trata-se de uma subida explicada grandemente pelo agravamento dos preços de produtos alimentares em 9.38%, das refeições e bebidas em 8,65%, bem como de roupa e calçados, cujos preços aumentaram 2,30%. 

Com estes e outros aumentos de preços registados no mês passado, a vida ficou mais cara, com a cidade de Tete a registar o maior aumento de preços, na ordem de 6,31%, seguida de Xai-Xai com 5,67%, província de Inhambane com 5,53%.

Em termos acumulados, durante o primeiro semestre do ano em curso, todas as cidades e províncias registaram um aumento do nível geral de preços, com Tete a liderar as subidas com 3%, seguida da província de Inhambane e Xai-Xai.

Para o presente ano, o Governo prevê que a subida generalizada de preços seja de 7%, cumprindo assim com os objectivos do Banco de Moçambique de manter a taxa de inflação abaixo de um dígito, ou seja, em nível inferior a 10%.

A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela dos Santos  Lucas, reiterou o compromisso de Moçambique de continuar a avançar com o  processo de implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana. 

Ao intervir na 47ª Reunião do Conselho Executivo da União  Africana (UA), na qual participa desde quinta-feira, em Malabo,  capital da Guiné Equatorial,  Maria Manuela dos Santos Lucas assegurou que estão a ser criadas  todas as condições para a implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana, com a intenção de  promover o comércio intra-regional e intra-continental. 

Felicitou o Secretariado da Zona de Comércio Livre Continental Africana pelo  excelente trabalho realizado, que se reflecte no aumento do número de países a  aderirem à iniciativa. 

Neste evento, a ministra testemunhou a eleição da Comissária de Desenvolvimento Económico, Comércio,Turismo, Indústria e  Minerais, Francisca T. Balope da Guiné Equatorial, do Comissário de Educação,  Ciência, Tecnologia e Inovação da União Africana, Gaspard Banyankibona do  Burundi, e de cinco membros do Conselho Consultivo da UA contra a  Corrupção. 

O país registou uma ligeira redução do custo de vida em Junho deste ano, com uma deflação de 0,07%, impulsionada sobretudo pela queda dos preços do tomate, couve, alface, feijão manteiga, gasóleo e gasolina. No entanto, comparando com Junho de 2024, o custo de vida continua mais elevado, com uma inflação homóloga de 4,15%, reflectindo aumentos persistentes nos preços de alimentos e serviços básicos.

Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o alívio verificado em Junho marca uma inversão momentânea na tendência de subida de preços registada ao longo do primeiro semestre. No acumulado do ano, a inflação situa-se, agora, em 1,20%, com destaque para as divisões de Alimentação e bebidas não-alcoólicas e Restaurantes e similares, que contribuíram com 0,43 pontos percentuais cada para esse valor.

Em Junho, vários alimentos básicos ficaram mais baratos nos mercados moçambicanos. Hortaliças como o tomate, a couve e a alface registaram quedas de preços entre 7% e 9%, enquanto o feijão manteiga e o coco também baixaram, com reduções entre 3% e 6%. Esses produtos, amplamente consumidos pelas famílias, ajudaram a aliviar o custo de vida no mês.

Estes produtos foram responsáveis por cerca de 0,32 pontos percentuais negativos na variação mensal. A redução dos preços destes itens, essenciais na dieta diária, contribuiu diretamente para o alívio no custo de vida durante o mês.

Outro factor que contribuiu para a redução do custo de vida em Junho foi a queda nos preços dos combustíveis. Em comparação com o mesmo mês do ano passado, o gasóleo ficou 3,1% mais barato e a gasolina teve uma redução de 1,0%, aliviando os custos com transporte e distribuição de produtos.

PRODUTOS QUE CONTRARIARAM A QUEDA:

Apesar da queda geral de preços, alguns produtos ficaram mais caros em Junho e reduziram o impacto da deflação. Entre os que subiram estão o pão de trigo (+2,8%), o carapau (+2,1%), o peixe fresco e seco (ambos +1,2%) e a galinha viva (+1,5%). Também houve aumento nos produtos para o lar, como lençóis e fronhas (+4,9%), e nos veículos em segunda mão, com uma subida de 3,4%. Esses aumentos reflectiram-se no dia-a-dia, especialmente em produtos de consumo regular e bens duráveis.

Esses produtos contribuíram com 0,20 pontos percentuais positivos para a variação mensal.

Embora Junho tenha registado uma ligeira queda nos preços, os dados mostram que a vida continua mais cara do que há um ano. A inflação homóloga foi de 4,15%, o que significa que, em média, os preços subiram 4 meticais por cada 100, em comparação com Junho de 2024. Os maiores aumentos foram nas áreas de alimentação e bebidas não alcoólicas (+9,38%) e restaurantes, hotéis e cafés (+8,53%), sectores que pesam directamente no bolso das famílias.

Produtos como pão de trigo, arroz em grão, feijão manteiga, sumos naturais, refeições em restaurantes e sabão em barra mantêm tendência de subida e contribuíram com 0,98 pontos percentuais para a inflação acumulada.

Por exemplo, uma refeição que custava 100 meticais em Junho de 2024 passou a custar 109 meticais em Junho deste ano.

Já a análise regional mostra que o aumento do custo de vida foi mais sentido em algumas zonas do país. As maiores subidas de preços, em comparação com Junho de 2024, ocorreram em Tete (+6,31%), Xai-Xai (+5,67%), Inhambane (+5,53%), Beira (+4,43%) e Chimoio (+4,07%), indicando que estas regiões enfrentaram uma inflação acima da média nacional.

Maputo registou uma inflação homóloga de 3,68%, enquanto Quelimane teve a mais baixa, com 2,72%.

A deflação registada em Junho oferece um alívio momentâneo às famílias, sobretudo em produtos alimentares e transportes. No entanto, a inflação homóloga revela que a vida continua mais cara do que há um ano. O impacto é sentido principalmente pelas famílias com rendimentos mais baixos, que destinam grande parte do orçamento mensal para alimentação, transporte e serviços básicos.

Apesar do recuo pontual, os dados indicam que o custo de vida em Moçambique mantém-se pressionado por factores estruturais e globais, exigindo monitoria constante da evolução dos preços e da capacidade das famílias em enfrentar as dificuldades económicas.

O secretário de Estado em Gaza diz que, apesar do enorme potencial, Gaza não passa de um “mero produtor de matéria-prima para os mercados nacional e internacional”. Jaime Neto afirma ainda que a produção está longe de responder à necessidade da população.

A província de Gaza tem elevado potencial para um sector agrário diversificado, competitivo e dinâmico. No entanto, de acordo com secretário de Estado na província, Jaime Neto, a fraca transformação e modernização do sector reduziu a província a um “mero produtor de matéria-prima”.

“Na agricultura, para além de extensas áreas ociosas, enfrentamos grandes desafios de mecanização, disponibilidade e uso da semente melhorada, deficiências no sistema de regadio de campos, facto que coloca Gaza como mero produtor de matérias-primas para os mercados nacionais e internacionais. O seu aproveitamento continua aquém das expectativas e das reais necessidades da nossa população”, sublinhou.

Jaime Neto defende que é preciso mudar esta realidade e propõe soluções, entre elas a melhoria das infra-estruturas agrárias, investimento e recursos tecnológicos para dinamizar a cadeia produtiva.

“A dinamização destes e de outros sectores vitais para a nossa economia, para além de estimular o desenvolvimento económico, podem contribuir na resposta a vários outros desafios, que incluem o desemprego, e na disponibilidade de produtos de primeira necessidade a preços acessíveis”, concluiu.

O governante falava durante a sessão do Fórum de Consulta e de Concertação Social (FOCCOS), onde, entre outros, foi discutido o ambiente de negócios pós-protestos eleitorais. A Confederação das Associações Económicas (CTA) questionou o ponto da situação da dívida com os fornecedores há quatro anos.

“Excelência, ficamos muito satisfeitos com o pronunciamento do Governo sobre o início de pagamento de dívidas com fornecedores no plano dos 100 dias, mas consta que nenhuma empresa da província de Gaza foi paga”, apontou Ernesto Mausse, presidente do pelouro de Negócio e Turismo na CTA.

Outro ponto em destaque foi o impacto do salário mínimo no sector privado.

“Estamos preocupados com o salário que é pago aos trabalhadores nas empresas. A lei diz que o trabalhador deve ser remunerado em função da quantidade e qualidade do trabalho que presta, mas posso dar exemplo de uma empresa de comércio. Lá encontramos que o promotor de vendas recebe o mesmo salário que um carregador. E isso não é justo”, reclamou Ana Leonardo, da Organização dos Trabalhadores Moçambicanos (OTM) em Gaza.

Na sequência dos protestos pós-eleitorais, quatro empresas fecharam as portas, deixando 80 pessoas no desemprego na província de Gaza.

CTA DEFENDE BANCO AGRÍCOLA PARA FINANCIAR AGRO-NEGÓCIO

O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, defendeu, ontem, em Nampula, a criação urgente de um banco agrícola com capacidade financeira e enquadramento legal para impulsionar os sectores produtivos, sobretudo o agro-negócio.

Segundo escreve a AIM, Massingue lançou o apelo na abertura da primeira Conferência Internacional de Nutrição e Agro-Negócios de Nampula, que reúne mais de 300 participantes dos sectores público, privado, sociedade civil e partidos políticos. “É urgente a criação de um banco agrícola robusto para financiar o agro-negócio. O momento de agir é agora”, afirmou o líder da CTA, citado pela AIM.

Massingue lembrou que Moçambique possui 36,5 milhões de hectares de terras aráveis, mas apenas 15 por cento estão em produção, situação que considera exigir transformação imediata.

Também alertou para a desnutrição crónica, que atinge 37 por cento das crianças moçambicanas, número que sobe para 47,6 por cento em Nampula, comprometendo o desenvolvimento cognitivo e a futura inserção no mercado de trabalho.

“Ou continuamos a importar alimentos e pobreza, ou produzimos localmente, alimentamos melhor o nosso povo e criamos riqueza. O sector privado tem aqui um papel central”, destacou.

Reafirmou ainda o compromisso da CTA com a nutrição, sublinhando que “não é apenas saciar a fome, mas garantir dignidade, saúde e desenvolvimento humano”. O presidente da CTA convidou os empresários a transformarem os desafios do país em oportunidades de negócios sustentáveis e socialmente responsáveis.

A conferência encerra nesta sexta-feira e antecede a Feira Económica de Nampula, a decorrer de 11 a 13 de Julho.

O Governo decidiu vender 30% das acções do projecto Mphanda Nkuwa como parte das estratégias para garantir activos que permitam a concretização da central hidroeléctrica no rio Zambeze, cuja entrada em funcionamento está prevista para 2030, seguindo-se a sua operacionalização comercial, dois anos depois.

A decisão foi tornada pública pelo executivo à margem da décima sessão ordinária do Conselho de Ministros, que “aprovou a resolução que autoriza as empresas Electricidade de Moçambique, Empresa Pública, e a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, Sociedade Anónima, a subscreverem, cada uma delas, até 15% das participações sociais da Central Hidroeléctrica de Mphanda Nkuwa”. Contudo, não foram avançados os detalhes que fundamentam esta decisão.

Avaliado em cerca de 4,5 mil milhões de dólares norte-americanos, o projecto hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa inclui uma barragem a fio de água, localizada a 61 quilómetros a jusante da barragem de Cahora Bassa, também no rio Zambeze, em Tete, bem como uma linha de transporte de energia de cerca de 1300 quilómetros, em alta tensão, que ligará Tete a Maputo, no Sul do país.

Ao recomendar à EDM e à HCB a aquisição de 30% das acções do projecto, o Governo pretende garantir perto de 1,5 mil milhões de dólares para o seu financiamento, esperando-se que até 2027 esteja assegurado o montante necessário.

Em Julho passado, durante uma sessão de alto nível realizada em parceria com o Tony Blair Institute for Global Change, o ministro dos Recursos Minerais e Energia afirmou que “Moçambique está firmemente empenhado em tornar-se um centro energético regional de referência, contribuindo para um crescimento inclusivo, resiliência climática e industrialização em toda a região”, sublinhando a urgência no fechamento do financiamento.

A IDEIA É BOA, MAS PECA PELA FALTA DE DETALHES, DIZEM ECONOMISTAS

A medida do Governo é vista com bons olhos pelos economistas Dereck Mulatinho e Edgar Chuze, que lamentam, no entanto, a ausência de detalhes ou de informação suficiente que permita perceber claramente as motivações que levaram o Executivo a avançar com tal decisão.

Dereck Mulatinho considera que a decisão do Governo visa reforçar o posicionamento do Estado nos megaprojectos, assegurando uma presença mais sólida na estrutura accionista e mitigando críticas anteriores sobre a fraca participação estatal no projecto.


“A entrada destas empresas pode trazer maior credibilidade e atractividade ao projecto, dado o histórico da HCB, que possui finanças mais robustas e uma reputação consolidada. Por outro lado, a EDM poderá enfrentar dificuldades, pois recentemente precisou de injeções de capital, o que pode criar riscos fiscais se vier a depender de garantias soberanas ou da emissão de dívida para financiar a sua participação”, defendeu o economista.

Mulatinho destacou ainda que esta estratégia poderá facilitar o financiamento global do projeto, ao atrair outros investidores institucionais e fundos climáticos. “Na sua visão, esta venda de acções, por si só, não altera substancialmente o desenho técnico do projecto, mas ajuda a diluir os riscos financeiros, diversificando-os entre mais accionistas e reduzindo o peso individual do investimento.”

Como pontos fundamentais para o sucesso do projecto, o economista sugere a negociação antecipada de contratos de compra de energia com países vizinhos, como a África do Sul, Zâmbia, Zimbabwe e Namíbia, o que poderia trazer maior segurança comercial e reduzir riscos de incumprimento no futuro.

Por outro lado, Mulatinho, que falava durante o programa O País Económico desta quinta-feira, alertou para a necessidade de se abordarem cuidadosamente os impactos ambientais e sociais, em especial no que toca ao reassentamento de comunidades, e de se garantir a transferência de conhecimento e criação de emprego local durante a execução do projecto.

Já o economista e gestor Edgar Chuze considera igualmente positiva a entrada da EDM e da HCB como accionistas no projecto Mphanda Nkuwa. Sublinhou que, sendo empresas do mesmo sector energético, possuem o perfil natural de accionistas, capazes de aportar recursos e conhecimentos relevantes para o desenvolvimento do empreendimento.

Chuze criticou, porém, o facto de o Governo não ter esclarecido os critérios que levaram à escolha destas duas empresas, sugerindo que “poderia ter-se aberto a oportunidade a outras empresas, inclusive privadas, ou até recorrido ao mercado de capitais para democratizar a participação e redistribuir a riqueza”, à semelhança do que aconteceu com a HCB.

Observou ainda que a HCB tem maior robustez financeira do que a EDM, o que poderá influenciar a distribuição da participação de 30% adquirida. Ainda assim, considera que a entrada de ambas fortalece a capacidade do projecto para avançar e captar recursos. Contudo, alertou para o risco fiscal, pois, sendo empresas públicas, caso venham a recorrer a garantias do Estado ou à emissão de dívida pública, o Estado poderá ter de intervir em caso de incumprimento.

Chuze acrescentou que a entrada destas empresas poderá alterar a conceção inicial do projecto, uma vez que os novos acionistas trazem as suas próprias estratégias, podendo impactar decisões como o destino da energia ou o aproveitamento de infraestruturas já existentes, evitando novos gastos.

Concluiu defendendo que “o projecto deve ter um cronograma sério e gestores competentes, para que não se transforme em mais um empreendimento falhado, mas sim num projecto estruturante que projecte Moçambique como um grande player regional no sector da energia, trazendo benefícios diretos para o PIB, para a balança de pagamentos e para o fornecimento interno e externo de electricidade”.

 

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