O País – A verdade como notícia

O preço do gás na Europa disparou 35% ontem, após ataques a infra-estruturas energéticas no Médio Oriente, em particular o ataque iraniano à maior instalação de produção de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, no Qatar.

A empresa estatal de energia do Qatar reportou, nesta quinta-feira, “danos consideráveis” no complexo de gás de Ras Laffan, na sequência de um ataque com mísseis iranianos.

Doha esclareceu, posteriormente, que todos os incêndios no local estavam “controlados”, acrescentando que não houve feridos e que as operações de arrefecimento e segurança continuavam.

Uma das maiores refinarias do Kuwait também foi atingida nesta quinta-feira.

Os preços do petróleo também subiram nesta quinta-feira, igualmente influenciados pelos desenvolvimentos do conflito no Médio Oriente, com o petróleo Brent a registar uma subida superior a 5%, atingindo cerca de 113 dólares.

O Irão causou “danos extensos” à Cidade Industrial de Ras Laffan, a maior instalação mundial de gás liquefeito do mundo, localizada no Qatar, após ter prometido retaliar contra a infra-estrutura energética do Golfo pelo ataque sofrido no campo de gás South Pars, parte da maior reserva de gás do mundo e cerne do sistema de energia doméstica da República Islâmica.

O bombardeio por Israel, feito com consentimento ou coordenação dos EUA, foi a primeira investida contra a infra-estrutura de produção de combustível fóssil iraniana desde o início do conflito, a 28 de Fevereiro. O Irão acusa as monarquias árabes do Golfo de permitir que as forças americanas usem o seu território e/ou espaço aéreo para lançar ataques contra o território iraniano.

“Equipas de emergência foram imediatamente mobilizadas para conter os incêndios resultantes [em Ras Laffan], visto que os danos foram extensos”, afirmou a estatal QatarEnergy numa publicação no X na quarta-feira.

Em comunicado, o Ministério de Relações Exteriores do Qatar afirmou que o “lado iraniano mantém as suas políticas de escalada que empurram a região para o abismo”. Posteriormente, a Chancelaria ordenou que os adidos militares e de segurança do Irão deixem o país, numa escalada diplomática que simboliza a perda de confiança entre dois países que compartilham a operação do campo de gás de South Pars-North Dome.

Nas primeiras horas de quinta-feira (horário local), o Ministério da Defesa do Qatar confirmou que o Irão havia conduzido novos ataques com mísseis balísticos à Ras Laffan, que provocaram danos às instalações.

Já o Ministério de Relações Exteriores da Arábia Saudita disse que o país foi alvo de tentativas de ataques com drones contra uma das suas instalações de gás e outras estruturas de energia na região leste, enquanto os Emirados Árabes Unidos (EAU) sofreram um ataque contra a base aérea de Al Minhad, que abriga oficiais britânicos e australianos. Não há registro de danos ou vítimas.

Na madrugada desta quarta, o Irão também havia atingido Tel Aviv, matando dois israelitas, após jurar vingar na véspera pela morte do seu chefe de segurança, Ali Larijani,         assim como a de Gholamreza Soleimani, chefe da unidade paramilitar Basij, responsável pela segurança interna do Irão. O ministro da Inteligência iraniano, Esmaeil Khatib, foi assassinado nesta quarta-feira, quando destroços de um míssil deixaram quatro palestinianas mortas na Cisjordânia.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) pediu, nesta quarta-feira, apoio de parceiros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) na promoção e desenvolvimento do turismo e da formação no sector.

Maputo acolheu, durante três dias, uma reunião organizada pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, envolvendo uma missão da Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP), que incluiu representantes da AHRESP (Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal) e da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

Tratou-se de uma reunião que serviu para reforçar o intercâmbio com Moçambique no sector de turismo e no final da mesma a CTA pediu o apoio da CPLP na promoção e desenvolvimento do turismo e da formação no sector.

“Vai haver um trabalho coordenado pela CTA e outras entidades moçambicanas de forma a poder entender como pode preparar também, não só na cooperação de negócios, mas também na preparação daquilo que pode ser a mão-de-obra especializada, formada, que pode ser uma oportunidade para muitos jovens moçambicanos também trabalharem num mercado mais desenvolvido no sector do turismo”, disse Salimo Abdula, representante daquela confederação para o sector do turismo.

Abdula acrescentou que existe um sector muito importante que Moçambique prioriza como um dos seus pilares no aumento social e económico, “que é o sector do turismo”.

“É um sector que vem a agregar aquilo que nós ambicionamos, que é a geração de emprego, e é nesta esfera que a CTA e a CE-CPLP, através dos outros parceiros, a AHRESP e a ASAE, tencionam explorar, aprendermos, e também cooperar para que o sector de turismo em várias vertentes possa trazer a grande alavancagem de que precisamos no desenvolvimento social e económico”, acrescentou.

Por outro lado, Salimo Abdula destacou que a missão tem uma particularidade: “Moçambique foi o primeiro país [a] que eles vêm para este tipo de interacção. Certamente vão também trabalhar com outros países-membros da CPLP neste objectivo de interacção no sector específico, o sector do turismo”, reconhecendo ainda que Moçambique, também nesta área, ainda “precisa de muita coisa” para se afirmar.

Berta Montalvão, vice-presidente do CE-CPLP, explicou que esta missão visa “acompanhar o intercâmbio e o diálogo com a CTA”, para “desenvolver e capacitar” trabalhadores na área do turismo, incluindo restauração e hotelaria, neste caso em Moçambique.

“Nós sabemos que aquilo que nos une é a língua portuguesa. Acaba por ser a ponte da nossa comunidade, no entanto é preciso, também, desenvolver e capacitar as nossas empresas no sector, no sentido de também promover e desenvolver a economia dos nossos países”, destacou Berta Montalvão.

A vice-presidente do CE-CPLP prevê, nos próximos dias, contactos com várias associações e entidades do sector do turismo e da restauração moçambicanas.

Mas sobre a reunião, Berta Montalvão disse que se falou de três eixos principais, nomeadamente o desenvolvimento das infra-estruturas, o desenvolvimento e melhoria da qualidade dos serviços prestados e do capital humano.

“Eu diria que essas são as três áreas de foco e obviamente que temos de encontrar um caminho de colaboração entre todas as entidades para podermos levar a bom porto aquilo que são as prioridades do sector do turismo”, defendeu a dirigente portuguesa.

O objectivo, acrescentou, é definir, nos próximos dias, de que forma será possível “colaborar” com Moçambique nesta área.

“Moçambique tem recursos naturais, é uma prioridade do nosso Governo explorar a área de turismo, é também uma prioridade para a CTA. Nós precisamos de duas coisas importantes: formar e investimento, para alavancarmos os recursos que nós temos, todas as esferas, desde o turismo de praia, sinergético, montanhas, nós temos muitas coisas, precisamos de evoluir a qualidade do serviço. Porque, como se diz, no turismo, quando se é bem servido, as pessoas voltam. Mas se a coisa corre mal, as pessoas falam mal de nós e não regressam. Portanto, é preciso termos cuidado”, apelou, por seu turno, Abdula.

A Total Energies tem cerca de 4,5 biliões de dólares para comprar bens e serviços no país durante a construção do seu projecto de gás em Afungi. O anúncio foi feito, esta terça-feira, em Maputo, num seminário sobre conteúdo local.  

Depois de anunciar oportunidades de negócios em Pemba e Palma, na província de Cabo Delgado, onde será implantado o projecto de gás natural orçado em cerca de 20 biliões de dólares, a TotalEnergies fez o mesmo, nesta terça-feira, em Maputo.

Diante de representantes de várias empresas que operam no país, a multinacional de origem francesa mostrou que está mesmo de volta ao país, depois da suspensão do seu projecto devido à insegurança, e anunciou oportunidades para os homens de negócios. 

“Nós temos um objectivo forte. Por exemplo, durante a fase de construção, nós queremos gastar 4,5 biliões de dólares em contratos com fornecedores locais. Nós também vamos empregar sete mil moçambicanos no momento de pico da construção. Portanto, vocês podem ver que o conteúdo local é muito importante para o Mozambique LNG”, confirmou Jean-Pascal Clemeçon, representante da TotalEnergies. 

Essencialmente, a multinacional vai comprar bens e serviços de empresas moçambicanas por imposição legal e por pretender alavancar a indústria nacional, segundo o director do projecto Mozambique LNG, que deverá produzir gás natural.

“Nós queremos reforçar todas as contribuições que fizemos no passado para este desenvolvimento de indústrias locais, e não só queremos que seja claro, mas queremos ter certeza de que podemos ter um contacto directo com vocês”, disse Nicolas Cambefort, Director da Mozambique LNG. 

Mas, esse trabalho não será feito apenas pelo consórcio liderado pela TotalEnergies. Há um grupo de empresas de nível internacional já contratadas para executar grande parte dos trabalhos e estas, por sua vez, vão precisar de subcontratar as mais pequenas.

“Nós queremos reforçar toda a contribuição que fizemos desde o passado para este desenvolvimento local e industrial. E não só queremos isso ser claro, mas queremos ser certos que podemos ter um contacto directo com todos. A ver, a necessidade de aluguer de máquinas, tais como gruas, autocarros, pás carregadoras, pás escavadoras, entre outras. Uma das áreas de compras que nós focamos é o aluguer de serviços e equipamentos”, disse o representante de uma empresa contratada. 

Presente no seminário, o especialista em petróleo e gás, José Mendes, alerta que o Ministério das Finanças devia estar atento a este tipo de eventos para garantir a efectiva participação das empresas nacionais nos negócios e os impostos.

“É importante que o sector tenha disposição, que tenha noção, que tenha que aproveitar esta oportunidade do gás. Mas é preciso que quem lidera estes processos, quem realmente dá o modo, que é o Governo neste caso, através do Ministério das Finanças, esteja atento também a estes processos de difusão e de disseminação de informação para poder criar uma lista de serviços que devem ser e isto não é nada novo. Nós podemos inventar o que os outros países fazem, o Gana e Angola, já tem um leque de serviços que são exclusivamente feitos por empresas nacionais”, disse.

Por seu turno, o Presidente da Câmara de Energia de Moçambique, Florival Mucave, aponta os elevados custos de financiamento como um dos maiores obstáculos para as empresas nacionais e deixa ficar um trabalho de casa para a TotalEnergies.

“Os pagamentos feitos pelas subcontratadas da TotalEnergies são feitos no prazo de 60 a 90 dias. Em 60 a 90 dias como é que a empresa moçambicana pequena vai sobreviver e vai poder ir ao banco, levantar o dinheiro, pagar os materiais e depois ficar a espera 90 dias para ela ser paga?”, questionou, esclarecendo que “não é possível”.

Para tal, segundo Mucave, é preciso uma estratégia muito clara e única de participação. “Neste momento, dada a pressão que existe da TotalEnergies que eles não podem esperar mais tempo por causa do projecto, o mesmo tem de iniciar sem parcerias, sem joint ventures entre as empresas moçambicanas e empresas estrangeiras. Portanto, o nosso apelo aqui é realmente a TotalEnergies que se faça uma roadshow com empresas estrangeiras com as quais eles já trabalharam, as quais eles conhecem, que as tragam para cá para poderem fazer as parcerias com as empresas moçambicanas para facilitar a participação dos moçambicanos”, disse.

O projecto Mozambique LNG prevê produzir 13,12 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano durante 25 anos e empregar sete mil moçambicanos no pico da sua construção.

O director-executivo da TotalEnergies disse, nesta terça-feira, em Bruxelas, que há, agora, condições de segurança em Cabo Delgado, para a continuidade do Projecto Mozambique LNG. Patrick Pouyanné falava após um encontro com o Presidente da República, Daniel Chapo, que cumpriu o quarto dia de visita à Bélgica. 

O Presidente da República manteve, nesta terça-feira em Bruxelas, conversações com o Director Executivo da TotalEnergies, um encontro que acontece numa altura em que a multinacional prepara o seu regresso ao projecto Mozambique LNG em Cabo Delgado, após suspensão em 2021 por insegurança.

Após o encontro, Patrick Pouyanné mostrou-se confiante em relação à segurança no Norte. “A segurança está boa hoje. Vamos continuar a trabalhar. Muito obrigado”, reconheceu Patrick Pouyanné.

Agradeceu, mas não apenas pelas perguntas. O CEO considerou o encontro produtivo. “Foi uma boa oportunidade para nós analisarmos o progresso do projecto. Hoje temos quase 6.000 pessoas em terra, então nós visitamos a Afungi e continuamos executando o projecto. Foi uma oportunidade para analisarmos juntos o progresso”, disse, enaltecendo que o próximo passo é continuar a construir.

Patrick Pouyanné disse ainda que provavelmente virá a Maputo para continuar a acompanhar o processo. “É muito importante manter uma boa relação entre o presidente moçambicano e eu, porque é um grande projecto de 20 bilhões de dólares. Então é bom estarmos na mesma página e regularmente analisarmos o progresso. Ele não irá parar, de certeza. Estamos lá para fazê-lo realidade. Não só para Moçambique, mas também para a Europa e para o mundo”, disse.

O registro mais importante do penúltimo dia de trabalho de Daniel Chapo na Bélgica foi o encontro com António Costa, presidente do Conselho Europeu, um dos órgãos mais importantes da União Europeia. 

E é pela importância e influência do órgão, que Daniel Chapo sentou à mesa com o líder, numa altura em que o país busca a manutenção dos apoios directos ao orçamento do Estado. 

Ainda no âmbito da diplomacia, o Presidente da República manteve, nesta terça-feira outros 4 encontros, embora sem prestar declarações à imprensa. 

Reuniu-se com Kaja Kallas, Vice-Presidente da Comissão Europeia e Alta Representante da UE para a Segurança e Negócios Estrangeiros, com Javi Lopez, Vice-Presidente do Parlamento Europeu, Laura Cereza, Chefe da Missão de Observação Eleitoral da União Europeia em Moçambique, às Eleições Gerais de 2024, e terminou o dia no fórum de negócios da Eurobussness. 

A disponibilização de 20 milhões de euros para a assistência humanitária a Moçambique devido às cheias e conflitos aparece como o primeiro resultado imediato da presença do Chefe do Estado moçambicano nas instituições europeias, sendo que mais dados podem ser apresentados durante a reunião de balanço da visita de Bruxelas esta quarta-feira. 

A TotalEnergies está a equacionar o regresso ao projeto Mozambique LNG em Cabo Delgado, após suspensão em 2021 por insegurança, com previsão de reinício da produção para 2029. 

Foi lançado, nesta segunda-feira, o Sistema de Pagamentos Instantâneos de Moçambique, uma plataforma electrónica de pagamentos de retalho, que permite o envio e a disponibilização de fundos ao beneficiário de forma imediata. Segundo o Governador do Banco Central, a plataforma vai permitir que as transferências entre bancos, realizadas por particulares, sejam isentas de custos. 

“Trata-se de um sistema cómodo e de fácil acesso, que poderá ser utilizado através do website, aplicações móveis ou por via de canais USSD dos bancos. O canal USSD garante o acesso ao sistema através de qualquer tipo de telemóvel, sem necessidade de ligação à internet ou de dados móveis, permitindo assim a sua utilização por qualquer cidadão”, explicou o Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, durante o seu discurso. 

Zandamela explicou que o sistema de pagamento instantâneo oferece aos cidadãos diversos benefícios, entre os quais: os fundos serão disponibilizados de forma imediata, ou seja, em poucos segundos; as transferências entre bancos, realizadas por particulares através desta plataforma, serão isentas de custos; e o sistema estará disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana e 365 dias por ano, o que permitirá ao cidadão realizar transacções a qualquer momento. 

“É nossa convicção de que, com a introdução do Sistema de Pagamentos Instantâneos, estão criadas as condições para que os cidadãos possam realizar as suas transacções interbancárias de forma mais simples, rápida, económica e cómoda, num ambiente cada vez mais seguro, inclusivo e moderno”, disse.

O Banco de Moçambique apela a todas as instituições financeiras para o reforço contínuo de iniciativas na área de tecnologia, garantindo que todos possam utilizar estas ferramentas com confiança, responsabilidade e segurança.

A paralisação de importações e exportações em Moçambique, provocada pela actual insegurança marítima mundial, foi confirmada pela empresa privada Exportamos, que actua no sector de exportação. A situação está a criar constrangimentos logísticos que afetam o comércio internacional e preocupam o setor empresarial.

Segundo responsáveis da empresa, o problema está relacionado com o encerramento temporário de rotas marítimas estratégicas, em particular o Estreito de Hormuz, devido ao agravamento das tensões no Médio Oriente.

“Moçambique não vive isolado do mundo e actualmente estamos a enfrentar um dos maiores desafios logísticos globais, que é o encerramento temporário do Estreito de Hormuz por causa da guerra entre Israel, Estados Unidos e o Irã”, explicou Miguel Santos, CEO do ExportaMoz.

De acordo com a empresa, a situação está a criar um estrangulamento no comércio internacional, afectando tanto as importações como as exportações. Como consequência, mercadorias destinadas ao mercado externo encontram-se actualmente armazenadas à espera de transporte.

“Neste momento temos mercadoria por exportar nos armazéns de exportação e também no porto de Pemba, o que demonstra o impacto direto desta situação nas cadeias logísticas”, acrescentou Miguel Santos.

O bloqueio nas operações comerciais pode ainda afectar o ambiente de investimentos no País e comprometer projectos estratégicos, incluindo o desenvolvimento do gás natural na Área 1 da Bacia do Rovuma, recentemente retomado após anos de suspensão devido à insegurança provocada pelo terrorismo em Cabo Delgado.

Apesar dos desafios, a iniciativa Exportamos pretende dinamizar o sector exportador na província. “O que queremos é acelerar ao máximo as exportações dentro do ecossistema de Cabo Delgado, para que a província tenha acesso a mais divisas e maior capacidade de importação”, sublinhou Governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo.

A situação do comércio externo foi apresentada na cidade de Pemba durante um workshop dedicado à aceleração das exportações na província de Cabo Delgado.

O encontro reuniu empresários de diversos sectores, membros do governo e representantes da sociedade civil, que partilharam experiências e discutiram estratégias para impulsionar as exportações locais.

Segundo os participantes, apesar dos progressos registados em algumas iniciativas, a província continua a enfrentar desafios significativos, entre os quais se destacam as acções terroristas que ainda afectam parte do território.

O Tribunal Administrativo mandou suspender quatros contratos de adjudicação de serviços de consultoria do Ministério dos Transportes orçados em cerca de 4,5 milhões de dólares por irregularidades. É que estes foram assinados sem a publicação formal do processo de adjudicação.

O novo caso polémico de adjudicação de serviços de consultoria corre desde o ano de 2022, mas começou a circular recentemente nas redes sociais através deste anúncio feito no jornal.

Nele consta que o Ministério dos Transportes e Logística adjudicou quatro concursos públicos para prestação de serviços de consultoria no valor global de cerca de 4,5 milhões de dólares, divididos da seguinte forma: Cerca de 1, 5 milhões de dólares adjudicados à JV UNeed.It para uma consultoria para desenvolver e implementar o programa de jovens profissionais para o sector de mobilidade em Maputo; Cerca de 2,4 milhões de dólares adjudicados à JV Protect Planning & Management para serviços de consultoria para a prestação de assistência técnica à implementação do projecto; Cerca de 437,5 mil dólares adjudicados à SYSTRA para concultoria para a elaboração do plano director para a mobilidade activa na área metropolitana do Grande Maputo; Por fim, 143 mil dólares foram adjudicados à Ernst and Young para desenvolver uma estratégia de comunicação para engajamento do cidadão para o projecto de mobilidade urbana na área metropolitana de Maputo.

De sublinhar que a Ernst and Young terá ganho o concurso para desenvolver estratégia de comunicação, embora seja sociedade de contabilistas e auditores.   

Diante dos factos, o Tribunal Administrativo mandou suspender a adjudicação por estar revestida de irregularidades, segundo o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa.  Caberá agora ao ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, explicar oque está por tras das irregularidades.

Impisssa respondia a perguntas de jornalistas nesta sexta-feira no habitual briefing do Governo. Na ocasião, referiu também que o ministro dos Transportes tem a missão de introduzir reformas ainda este mês para resolver o problema das cartas de condução.

Outra preocupação do Executivo é o anúncio do corte de financiamento da União Europeia às forças ruandesas que apoiam no combate ao terrorismo no norte do país.

O Governo garantiu ainda que vai pagar o décimo terceiro salário do ano passado aos funcionários públicos que ainda não receberam o mais tardar até à próxima terça-feira.

O Ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, avançou que a Mozal era responsável por 40% das receitas da província de Maputo. Impissa diz ainda que, neste momento, já não há margem de negociações com a empresa. 

“Se tivesse que reduzir a figura só para a província de Maputo, onde se localiza a Mozal, ao nível da produção global, na província de Maputo, a Mozal representa mais ou menos 40%”, avançou, hoje, Inocêncio Impissa, reconhecendo que a saída da Mozal terá grandes impactos na economia do país. 

Impissa avançou ainda que já não há espaço de negociações com a Mozal. “Houve um momento em que nós negociamos efectivamente. Pensamos que ainda era possível uma espécie, sobretudo, da capacidade energética que o país tinha (…) Se fosse possível que Moçambique pudesse fornecer energia, as negociações teriam continuado e o problema seria, eventualmente, acertar o preço mais ajustado”, explicou

O nível geral de preços em Moçambique voltou a registar uma subida no início do ano, com a inflação anual a fixar-se em 3,20% em Fevereiro, segundo dados do Índice de Preços no Consumidor (IPC). O indicador, que mede a variação média dos preços de bens e serviços consumidos pelas famílias nas principais cidades do País, confirma uma tendência de encarecimento gradual do custo de vida.

De acordo com o relatório do Índice de Preços no Consumidor, os preços aumentaram 0,68% apenas no mês de Fevereiro, enquanto a inflação acumulada desde o início do ano atingiu 1,94%.

“Em termos homólogos, a variação do Índice de Preços no Consumidor fixou-se em 3,20%”, lê-se no documento, que sublinha que a subida dos preços foi influenciada, sobretudo, pelo comportamento do sector alimentar e de alguns combustíveis domésticos.

Na prática, o indicador mostra que os consumidores estão a pagar mais pelos mesmos bens e serviços quando comparados com o mesmo período do ano passado, com impacto directo sobre o poder de compra das famílias.

A análise da composição da inflação revela que a divisão de alimentação e bebidas não-alcoólicas voltou a assumir um peso determinante na variação mensal do índice.

Segundo o relatório, “esta divisão foi a que mais contribuiu para o aumento do índice no mês em análise”, reflectindo a subida de preços de vários produtos de consumo corrente.

Entre os itens que mais pressionaram a inflação, destacam-se o carvão vegetal, o tomate, o carapau, a couve e a alface. O carvão vegetal, amplamente utilizado nas zonas urbanas como fonte de energia doméstica, registou um aumento de cerca de 9,8%, posicionando-se entre os produtos com maior impacto na inflação do mês.

No período em referência, produtos alimentares frescos, particularmente hortícolas e pescado, registaram variações positivas de preços, tendência frequentemente associada a factores como custos logísticos, disponibilidade de oferta e sazonalidade agrícola.

Tratando-se de produtos que integram a base alimentar da maioria das famílias urbanas, a subida destes preços tende a repercutir-se rapidamente no orçamento doméstico.

Apesar da trajectória de subida, alguns produtos registaram redução de preços durante o período em análise, contribuindo para moderar a variação global do índice.

Entre os bens que registaram descidas figuram o coco, a batata reno, os ovos de galinha, a cenoura, o milho em grão e a cerveja consumida fora de casa.

“O comportamento descendente de preços destes produtos contribuiu negativamente para a variação mensal do índice”, refere o relatório.

Ainda assim, a magnitude destas reduções não foi suficiente para neutralizar a pressão exercida pelos aumentos registados em alimentos e combustíveis domésticos.

A análise em termos anuais mostra igualmente aumentos em sectores ligados aos serviços. A divisão de restaurantes, hotéis, cafés e estabelecimentos similares registou uma subida próxima de 4,95% em termos homólogos.

Esta evolução reflecte, em grande medida, o encarecimento de insumos utilizados por estes estabelecimentos, incluindo alimentos, energia, transporte e outros custos operacionais, que acabam por ser parcialmente transferidos para os preços finais cobrados aos consumidores.

Embora o relatório se limite a apresentar a evolução estatística dos preços, a dinâmica inflacionária é frequentemente explicada por uma combinação de factores estruturais da economia.

Entre eles destacam-se custos de transporte, dependência de importações, variações na produção agrícola e oscilações de preços nos mercados internacionais.

Moçambique continua dependente da importação de diversos bens de consumo e matérias-primas, o que torna a economia sensível a alterações nos custos de importação e nas cadeias globais de abastecimento.

Paralelamente, o comportamento da produção agrícola interna, fortemente condicionado por factores climáticos, influencia a disponibilidade de alimentos no mercado e, consequentemente, a formação de preços.

Para os consumidores, a inflação traduz-se numa redução gradual do poder de compra. Quando os preços aumentam, o rendimento disponível tende a adquirir uma quantidade menor de bens e serviços.

Este efeito é particularmente visível em produtos de consumo frequente, como alimentos e energia doméstica, que representam uma parcela significativa das despesas das famílias.

Nas áreas urbanas, onde o carvão vegetal continua a ser amplamente utilizado para cozinhar, a subida do preço deste combustível pode representar um encargo adicional relevante para milhares de agregados familiares.

Perante o comportamento dos preços, as autoridades económicas têm reiterado o compromisso de manter a inflação dentro de níveis considerados sustentáveis.

O Banco de Moçambique tem mantido uma política monetária orientada para a estabilidade macroeconómica, procurando equilibrar o controlo da inflação com a necessidade de apoiar o crescimento económico.

Ao mesmo tempo, o Governo tem apostado em iniciativas destinadas a reforçar a produção agrícola nacional, com o objectivo de aumentar a oferta de alimentos e reduzir a vulnerabilidade do país a choques externos.

Programas de incentivo à produção e melhoria das cadeias de abastecimento são frequentemente apontados como instrumentos fundamentais para estabilizar os preços no médio prazo.

Apesar da aceleração registada em Fevereiro, os níveis actuais de inflação permanecem relativamente moderados quando comparados com períodos anteriores marcados por aumentos mais expressivos do custo de vida.

Ainda assim, o comportamento dos preços ao longo de 2026 continuará dependente de factores como a evolução dos preços internacionais de combustíveis, o desempenho da campanha agrícola e as condições logísticas de abastecimento interno.

+ LIDAS

Siga nos