O País – A verdade como notícia

O Tribunal Administrativo detectou uma série de irregularidades nas contas do Estado em 2024, na altura presidido por Filipe Nyusi. Entre os problemas, consta a não canalização de parte das receitas do gás ao Fundo Soberano.

Contas desajustadas, falta de clareza e violação de diferentes leis é o que o Tribunal Administrativo apurou na hora de fiscalizar e auditar as contas de 2024.

Na Conta Geral do Estado do ano passado, documento depositado na Assembleia da República recentemente, e a ser debatido em breve, o O País destaca apenas algumas irregularidades detectadas pelo auditor das contas do Governo.

A primeira delas é na indústria extractiva. Segundo a Autoridade Tributária, a empresa Mozambique Rovuma Venture pagou ao Estado cerca de 33,6 milhões de dólares em impostos sobre produção de petróleo. Porém, na análise à documentação, o Tribunal Administrativo confirma apenas a entrada de 24,6 milhões de dólares no Orçamento do Estado e os restantes, mais de 9 milhões de dólares, não se sabe para onde foram.

“Não foi possível certificar o remanescente montante (…) devido à ausência de guias de recolhimento e respectivo modelo 51, documentos essenciais para a descriminação da receita e confirmação da recolha à CUT – Conta Única do Tesouro. Este facto confirma a falta de canalização destas receitas à Conta Transitória e contraria, de forma substancial, a informação do Executivo”, lê-se no documento.

Pela falta de canalização da referida receita, o Tribunal alerta para a elaboração com clareza, exactidão e simplicidade da Conta Geral do Estado. Neste caso, o Governo promete regularizar a situação e o Tribunal aguarda pelo desfecho.

A conta transitória, aberta no Banco de Moçambique, é onde são depositadas as receitas arrecadadas nos projectos de petróleo e gás, antes de serem canalizadas para o Fundo Soberano e o Orçamento do Estado. O Tribunal Administrativo alerta ainda para a falta de coordenação institucional que está a lesar o Estado.

“Existe fraca articulação entre as principais instituições intervenientes na monitoria e fiscalização da actividade mineira e da actividade petrolífera, nomeadamente, o Instituto Nacional de Minas (INAMI), o Instituto Nacional de Petróleo (INP) e a AT – Autoridade Tributária, o que concorre para o funcionamento de empresas à margem do controlo do sistema tributário e, consequentemente, para a perda de receitas a título de impostos e para a disparidade da informação reportada por estas instituições”, escreve o Tribunal Administrativo.

O Tribunal alerta ainda que o Instituto Nacional de Petróleos, na qualidade de regulador do sector de hidrocarbonetos, tem sido ignorado pelas concessionárias, quando este faz exigências nas auditorias que realiza.

“Estas continuam a apresentar, nos seus relatórios, saldos irreais, numa evidente afronta à validade das auditorias realizadas. Esta realidade representa (…) um risco de ao longo do projecto na partilha de ‘petróleo-lucro’ os custos não aceites virem a ser incorporados no ‘petróleo-custo’ e, em razão disso, serem deduzidos em prejuízo das receitas do Estado”. 

Para evitar que o Estado seja lesado continuamente, o Governo assegurou ao Tribunal Administrativo que está em revisão a legislação sobre a matéria. 

De acordo com o Tribunal, embora permaneça na condição de força maior, a Total Energies tem reportado custos cada vez mais crescentes desde ano 2023, o que pode atrasar a arrecadação de receitas mais significativas no projecto .

“Em 2024, reportou o valor de USD 1 163 671 314, que eleva significativamente o acúmulo de custos recuperáveis deste projecto, cujo início de produção permanece incerto. A esse respeito, o Instituto Nacional de Petróleos informa que ‘houve necessidade de se manter e realizar algumas actividades de manutenção e reabilitação do local das operações’”.

Por ter reportado grande parte de custos não aceites até Dezembro de 2024, o Tribunal Administrativo recomenda que haja maior atenção à Total Energies.

“O regulador deve ser rigoroso na análise dos relatórios trimestrais desta concessionária por forma a recomendar quanto antes a correção das anomalias eventualmente decretadas nos relatórios. No que concerne a este tema, o Executivo, em sede de contraditório, reiterou que o projecto Golfinho/Atum, operado pela Total Energies, continua em força maior e que aquando da submissão do contraditório do Governo, decorria a auditoria aos custos recuperáveis referentes aos anos 2021 a 2024”.

O Tribunal Administrativo alerta ainda para irregularidades na Presidência da República.

Consta na Conta Geral do Estado de 2024, a execução do projecto (….) de Reabilitação e Apetrechamento de Infra-estruturas da Presidência da República no montante de 520,3 milhões de Meticais, ainda para o mesmo projecto, o Governo recorreu a empréstimo interno (emissão de BT’s), no montante de 1 300 milhões de Meticais, cujo resgisto não consta do Plano Económico e Social e Orçamento de Estado, nem da Conta em análise. 

O Tribunal alerta ainda para a violação, por parte do Banco de Moçambique, do princípio de comparabilidade de orçamentos, ao reportar em 2024 apenas dados sobre Reservas Internacionais Brutas, enquanto nos anos anteriores, 2020 a 2023, fez referência a informações sobre Reservas Internacionais Líquidas.  

“Importa referir que esta mudança de metodologia, para além de inviabilizar a comparação directa da evolução do indicador no último ano do quinquénio, compromete a capacidade de aferir com rigor a trajetória da posição externa líquida do país. (…) Esta situação induz a uma percepção favorável de robustez de moeda externa, quando na realidade, o país enfrenta constrangimentos efectivos de disponibilidade de divisas”.

No que diz respeito à dívida pública, o Tribunal Administrativo aponta que esta atingiu um valor histórico de cerca de um trilhão de meticais em 2024, situação que pressiona as contas do Estado.

“Os rácios dos indicadores de sustentabilidade da dívida, no exercício de 2024, (…) encontram-se fora dos parâmetros estabelecidos pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial”.

Esses são apenas alguns extratos das irregularidades destacadas pelo Tribunal Administrativo na Conta Geral do Estado de 2024, há mais.

A Primeira-Ministra, Benvinda Levi, diz que não houve desvio de 33,6 milhões de dólares norte americano referentes à exploração de gás na Bacia do Rovuma. Benvinda Levi que o valor das primeiras vendas de gás foi cobrado entre 2022 e 2023, antes da criação do Fundo Soberano. 

“Tendo sido cobrado pela autoridade tributária, que é a entidade responsável, entrou na conta única do tesouro e foi usado uma despesa normal feita pelo Orçamento do Estado”, explicou a Primeira-Ministra à margem da II sessão ordinária da Assembleia da República. 

Benvinda Levi disse ainda que não é possível que tenha havido desvio, visto que o Fundo Soberano só foi criado em 2024. A Governante remeteu a Ministra das Finanças para mais esclarecimentos.  

O nível geral de preços registou um aumento de 4,93% no mês de Setembro último, segundo dados mais recentes publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Trata-se da segunda subida consecutiva do custo de vida, depois do incremento de 4,79% em Agosto.

Os produtos alimentares, as bebidas não-alcoólicas e os preços de aquisição de veículos automóveis foram os que mais contribuíram para o aumento da inflação anual em Setembro, medida pela variação do Índice de Preços no Consumidor (IPC) calculada pelo INE.

Os dados foram recolhidos, em Setembro findo, nas cidades de Maputo, Beira, Nampula, Quelimane, Tete, Chimoio, Xai-Xai e na província de Inhambane.

Comparativamente a Setembro do ano passado, todos os locais onde o INE fez a recolha de preços, no país, tiveram aumentos do custo de vida. Em destaque está a cidade de Tete, que teve o maior aumento dos preços, que rondou os 9,74%, seguida de Quelimane (5,77%).

Nos restantes pontos, a subida generalizada de preços comportou-se da seguinte maneira: em Xai-Xai, os preços aumentaram 5,42%; Chimoio, 5,13%; na província de Inhambane, 4,96%; em Maputo, 3,85%; na Beira, 3,82%; e na cidade de Nampula aumentaram 3,80%.

“As divisões de Alimentação e bebidas não-alcoólicas e de Restaurantes, hotéis, cafés e similares foram as que tiveram maior aumento de preços, ao variar cerca de 11,85% e 9,01%, respectivamente”, segundo os dados recolhidos pelo Instituto Nacional de Estatística.

O “O País Económico” ouviu algumas donas de casa em Maputo, para ter a sua sensibilidade em relação à variação do nível geral de preços em Agosto e Outubro. Dona Mércia diz que os preços aumentaram pelo facto de grande parte dos produtos consumidos serem importados.

“Os produtos de primeira necessidade são importados da África do Sul, então notamos aquela diferença de cinco meticais aqui, 10 meticais ali, o que no final das contas faz muita diferença no bolso de qualquer dona de casa que vai às compras”, referiu Mércia.

Para Mércia, o único produto da sua cesta básica que teve o seu preço reduzido foi o açúcar. “Estava com uma tendência de subir, mas percebi que depois baixou uns cinco meticais o quilograma, mas, em relação ao óleo, o arroz e o feijão, não senti qualquer redução do preço”.

Em relação à recente época chuvosa e à quadra festiva que se avizinha, Mércia acredita que os preços vão “disparar”, à semelhança dos anos passados. Sugere, por isso, a quem tiver possibilidade, que compre agora produtos não perecíveis para usar até Fevereiro do ano 2026.

“Quem não pode acaba sofrendo, porque preços, nesta época, sufocam. Falta tomate porque chove, temos os legumes com tendência de subir, temos as verduras cujos preços sobem e escasseiam, e os produtos de primeira necessidade disparam pela elevada procura”, explicou.

Quem também sentiu a subida generalizada de preços na Província de Maputo é a Laura, nome fictício da dona de casa. “O valor que uso para fazer o rancho da casa não foi suficiente para adquirir os produtos que normalmente tenho adquirido. Tive de largar alguns produtos”.

Laura disse que notou aumentos no preço do óleo alimentar, no preço das carnes, no preço dos produtos higiênicos. Entretanto, referiu que o preço do frango se manteve. “Quase tudo aumentou”, afirmou a dona de casa que espera uma situação pior nos meses que se seguem.

“Receio que a situação fique grave, porque vimos nos anos anteriores: produtos como hortaliças ficaram escassos no tempo chuvoso. Não temos tomate, não temos verduras. Quando há, compramos os importados, que chegam a ser mais caros para nós”, disse Laura.

Segundo Laura, “quando chega o fim do ano, para as donas de casa, é um pesadelo. Têm de fazer um exercício económico terrível. As carnes, os ovos e frangos disparam no mercado. Na verdade, nos últimos anos, já não sabemos o que é ter festas como deve ser”, segundo Laura.

O aumento do custo de vida em Agosto e Setembro ocorre depois de os preços dos bens e serviços terem registado uma redução em Julho, quando a inflação atingiu 3,96%. Na altura, a desaceleração da inflação anual foi explicada pela redução de preços dos alimentos.

Contrariamente à Laura e à Mércia, a dona Nélia diz não ter sentido a pressão dos preços nos últimos dois meses pelo facto de não ter feito compras. “Eu não senti, porque faz tempo que não faço compras. Tenho produtos em casa, felizmente”, disse Nélia.

A dona de casa revela que, desde o início deste ano, com excepção de Agosto e Setembro, os preços de produtos como açúcar, vegetais e hortícolas reduziram. “Não sei se era pela época, mas a alface, a couve, por exemplo, a tendência foi de redução, e isso aliviou o meu bolso”.

No médio prazo, o Banco de Moçambique prevê que a inflação continue abaixo de 10%, uma estimativa que reflecte, essencialmente, “a postura da política monetária, a estabilidade do metical e a tendência de redução dos preços internacionais de mercadorias”, segundo o banco.

Os economistas Edgar Chuze e Gift Essinalo consideram que a recente decisão da companhia aérea Fly Emirates de suspender a emissão de bilhetes em Moçambique é um reflexo da grave escassez de divisas que o país enfrenta, contrariando o discurso oficial de estabilidade cambial.

Para os analistas, os sinais deste problema já vinham sendo observados há meses, nomeadamente nas dificuldades de importação de combustíveis e noutras operações que exigem pagamentos externos, daí a urgência em o Governo encontrar meios para a sua solução.

Dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), publicados em Junho passado, mostravam que 1,3 mil milhões de dólares em fundos de companhias aéreas estão bloqueados de repatriação pelos governos desde Abril de deste ano, e Moçambique é destaque e o primeiro na lista, com 205  milhões de dólares.

O economista Edgar Chuze sublinha que o Banco de Moçambique, enquanto regulador, possui poderes suficientes para fiscalizar os bancos comerciais e identificar as causas reais da falta de moeda estrangeira no mercado, mas questiona a aparente falta de acção das autoridades.

“Tais práticas contribuem para alimentar o mercado negro e agravam a escassez de dólares no sistema formal. Se nada for feito, o caso da Fly Emirates poderá repetir-se com outras companhias ou empresas estrangeiras, afastando potenciais investidores e reduzindo a confiança na economia nacional. “Nenhum agente económico quererá investir num país onde não há garantias de repatriamento dos lucros”, afirma.

Para Chuze, a situação cambial tem efeitos directos sobre os preços e a oferta de bens e serviços. A saída de operadores internacionais cria espaço para oligopólios e monopólios que, inevitavelmente, encarecem os produtos.

“A falta de divisas limita também a importação de mercadorias essenciais, o que gera escassez e especulação interna”, diz o economista, ao mesmo tempo que adverte que esta conjuntura poderá afectar as receitas fiscais do Estado, uma vez que a redução das transacções comerciais implica menor arrecadação de impostos e, consequentemente, maior dificuldade na execução orçamental.

Por sua vez, o economista Gift Essinalo considera que a crise de escassez de divisas em Moçambique é real e antiga, apesar das garantias do Banco de Moçambique em sentido contrário. Segundo o analista, o problema reside no mercado formal, onde os agentes económicos enfrentam dificuldades para aceder às moedas estrangeiras. Esta limitação tem levado à migração das operações para o mercado informal, que hoje movimenta a maior parte das divisas no país.

A situação, acrescenta, está a afectar directamente o funcionamento de sectores estratégicos como a aviação e o turismo, exemplificada pela recente decisão da Emirates de suspender a emissão de bilhetes em Moçambique, devido à impossibilidade das agências de viagem transferirem receitas para o exterior.

“O desalinhamento entre a taxa de câmbio oficial e a praticada no mercado paralelo é a principal causa do problema. Enquanto o banco central fixa o dólar em torno de 63 meticais, no mercado informal o valor chega a 74 ou 77 meticais, criando um incentivo especulativo. Este diferencial encoraja bancos comerciais e outros agentes a direccionarem as divisas para o circuito informal, onde obtêm margens de lucro superiores”, explica.

O economista entende que, sem um realinhamento gradual da taxa de câmbio, continuará a haver fuga de divisas e fragilidade no sistema financeiro, com consequências directas sobre a actividade económica e a previsibilidade dos sectores produtivos.

“O Banco de Moçambique deve liberalizar a taxa de câmbio, permitindo que esta reflicta mais fielmente a realidade do mercado. Embora reconheça que essa medida possa provocar uma subida da inflação e do serviço da dívida externa. A escassez de divisas reduz a capacidade de importação, cria carência de bens e serviços e, inevitavelmente, leva ao aumento dos preços”, sublinha o economista.

Em 2024, Moçambique havia bloqueado 127 milhões de dólares das companhias ao nível do mundo. A região da África e do Oriente Médio (AME) é responsável por 85% do total de fundos bloqueados, equivalentes a 1,1 mil milhões de dólares.

PERDÃO DE JUROS DA DÍVIDA COM A CHINA PODE AMAINAR A SITUAÇÃO

Apesar do cenário preocupante, Edgar Chuze reconhece como positiva a decisão da China de perdoar os juros da dívida moçambicana e financiar parte do Orçamento do Estado, por aliviar temporariamente a pressão sobre as reservas cambiais. Contudo, deixa um aviso: “Nada é dado de graça nas relações bilaterais.” Para o economista, o país deve assegurar que o perdão da dívida não acarrete custos políticos ou económicos superiores ao benefício imediato.

Chuze defende ainda medidas urgentes e transparentes para restaurar a confiança no sistema financeiro e travar a degradação da economia moçambicana.

Chamado a reagir ao assunto, o economista Gift Essinalo alerta que o alívio que poderá sair deste perdão de dívida deve ser usado para a recuperação económica.

“O perdão de juros da dívida concedido pela China deve servir para criar espaço fiscal e estimular a economia, e não para contrair novas dívidas. Caso contrário, o país arrisca-se a ver a sua classificação financeira degradada e perder a confiança dos investidores internacionais”, advertiu.

O grupo CFAO Mobility Mozambique, representante oficial das marcas Toyota, Suzuki e Hino, lançou, na quinta-feira, a primeira pedra da sua nova sede em Maputo. O projecto, com duração estimada de 12 meses, visa consolidar a operação da marca em Moçambique, elevando os padrões de atendimento, pós-venda e eficiência operacional. O investimento, na ordem dos 10 milhões de dólares, reflecte o compromisso do grupo com o desenvolvimento económico, social e urbano da capital, acompanhando a expansão já em curso da sua rede nacional.

Com dois pisos e mais de 27 mil metros quadrados, o novo complexo incluirá um novo showroom de viaturas novas Toyota, outro de viaturas usadas, uma oficina de última geração, lojas de Peças Genuínas Toyota, áreas técnicas e zonas verdes. O projecto privilegia processos mais flexíveis, maior conforto para clientes e colaboradores, e soluções de eficiência de recursos, como iluminação técnica optimizada e mobiliário e equipamentos mais modernos.

Como parte integrante deste projecto, estão também em curso obras de requalificação das vias de acesso às futuras instalações, com o objectivo de melhorar significativamente a mobilidade dos clientes, colaboradores e da população local. Paralelamente, está a ser desenvolvido um sistema de escoamento seguro de águas pluviais, abrangendo tanto o edifício como a via pública. Esta iniciativa visa mitigar os riscos ambientais associados à erosão, contribuindo directamente para a promoção de condições de vida mais seguras e dignas para a comunidade envolvente.

“Com esta nova sede, damos um passo decisivo para servir melhor os nossos clientes, sempre de acordo com os padrões técnicos de referência da marca Toyota. É um investimento na qualidade do serviço e no futuro da mobilidade em Moçambique. O grupo CFAO acredita no nosso mercado e, apesar de vivermos períodos menos bons, continuamos a investir. Esta infra-estrutura materializa a nossa visão de crescimento sustentado, combinando tecnologia, excelência operacional e um design moderno, permitindo oferecer aos colaboradores e clientes mais conforto e eficiência nos nossos serviços”, considera Henrique Bettencourt, Director-geral da CFAO Moçambique.

O grupo CFAO Mobility está presente em Moçambique com dois showrooms, duas oficinas e duas lojas de Peças Genuínas Toyota em Maputo, e mais recentemente na Matola. Presente em todas as províncias, através de uma rede nacional de Centros de Serviços Autorizados Toyota (CSAs), com técnicos certificados e equipamentos de alta performance, assegurando assim um serviço de excelência, maior proximidade ao cliente, prazos de atendimento reduzidos e a qualidade Toyota, onde quer que esteja.

O Município de Nampula perde cerca de um milhão de meticais por mês devido à venda informal, com bancas vazias nos mercados municipais e ruas transformadas em centros de comércio desordenado. A autarquia aponta perdas significativas de receita e anuncia medidas para inverter o cenário, numa altura em que a Procuradoria provincial intensifica a pressão e a ameaça com sanções caso o município não actue com urgência.

O comércio informal na cidade de Nampula tornou-se num dos maiores desafios da governação local, com impactos directos na economia municipal, na segurança e na imagem urbana. De acordo com o vereador da Salubridade e Gestão Funerária, Assane Ussene, o a edilidade perde cerca de um milhão de meticais por mês, resultado da existência de bancas vazias e da resistência de muitos vendedores em ocupar os mercados formais. Esta perda de receita tem consequências imediatas: compromete o pagamento de salários, a recolha de resíduos, a reabilitação de vias de acesso e o funcionamento regular dos serviços municipais.

O vereador admite, ainda, que a escassez de receita limita investimentos em sectores como saúde, saneamento, educação e infra-estruturas. “Se tivéssemos mais receitas, poderíamos construir mais maternidades, adquirir mais equipamentos para manutenção de estradas e intervir simultaneamente em vários bairros”, destacou o vereador, alertando que a actual situação compromete o desenvolvimento previsto no plano quinquenal do município.

Estima-se que mais de dois mil vendedores ambulantes ocupem diariamente as principais avenidas da cidade, como a Paulo Samuel Kankhomba, a zona dos bombeiros e as imediações do Mercado Central, preferindo os locais de maior movimento. O centro urbano tornou-se o ponto de concentração de quem procura vender, de quem compra e também de quem sobrevive do improviso, mas o preço é alto. As ruas estão congestionadas, o ambiente é caótico e aumentam os relatos de furtos e agressões. 

“A nossa estimativa aponta para uma perda na ordem de um milhão de meticais por mês só por causa do mercado de Namicopo”, afirmou o vereador, explicando que esta receita perdida “acaba por afectar directamente o funcionamento da autarquia e atrasar projectos essenciais”, refere o vereador que falava no programa Manhã Informativa da STV.

O município reconhece que o desemprego é um dos principais factores que empurram os jovens para o comércio informal, mas sublinha que o problema está na desorganização e na ocupação indevida das vias públicas. “Precisamos de espaços próprios, ordenados e seguros, que garantam dignidade tanto para os vendedores como para os cidadãos”, afirmou Ussene.

Entre as medidas anunciadas, destacam-se o reforço do uso dos mercados existentes, como o de Namicopo, com capacidade para cerca de 300 vendedores, e a requalificação do mercado do Matadouro, preparado para acolher novos comerciantes. O mercado grossista do Waresta, apontado como um dos pontos mais críticos da cidade, também será alvo de um estudo com vista à sua reestruturação, tornando-o num espaço digno e funcional que sirva não apenas Nampula, mas também as províncias de Cabo Delgado, Niassa e Zambézia.

Enquanto o município tenta organizar o comércio, a Procuradoria Provincial apertou o cerco. Pela terceira vez, intimou a edilidade a retirar os vendedores das ruas, sob pena de incorrer em sanções por desobediência. A edilidade reconhece a legitimidade da intervenção e diz estar também preocupada, mas defende uma abordagem negociada. “Encara­mos a acção da Procuradoria como um esforço conjunto para resolver um problema que também é nosso. Estamos a trabalhar com base na sensibilização e na criação de comissões que vão calendarizar as actividades para resolver esta questão (…) sem violência”, disse o vereador.

Ussene sublinha que a actual gestão quer romper com práticas do passado, em que a força foi usada para retirar vendedores, gerando tumultos e destruição. “Não queremos violência; queremos que a população compreenda os seus direitos e deveres de viver numa cidade organizada”, frisou, acrescentando que o processo envolverá líderes comunitários, religiosos, a Polícia da República de Moçambique e os próprios encarregados de educação. “Quem é pai ou encarregado de um jovem vendedor deve encorajá-lo a procurar um espaço adequado, porque a via pública é perigosa tanto para ele como para a cidade.”

A edilidade aposta ainda no Fundo de Desenvolvimento Local, criado para financiar projectos de empreendedorismo juvenil. O objectivo é oferecer alternativas reais à economia informal e reduzir o número de vendedores nas ruas. “Queremos que os jovens apresentem projectos, recebam financiamento e criem os seus próprios postos de trabalho, empregando outros no processo”, explicou Ussene.

O desordenamento do comércio informal, segundo o vereador, é mais do que um problema económico: é uma ameaça à segurança, à mobilidade e ao futuro da cidade. “Algumas pessoas já evitam o centro com medo de serem roubadas ou agredidas”, lamentou. Por isso, o município quer devolver a ordem e a confiança à cidade, apostando numa transição gradual e inclusiva. “A violência destrói, cria ódio e inimizade. A via da sensibilização é mais sustentável, porque quando as pessoas compreendem as razões, agem de forma consciente”, concluiu Ussene. O desafio que se impõe à edilidade é equilibrar a urgência imposta pela Procuradoria com a necessidade de planear uma solução justa e sustentável. 

A pobreza poderá atingir mais de 1,6 milhão de moçambicanos até 2050 se não forem feitos investimentos na resiliência climática. O alerta do Banco Mundial foi lançado hoje pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá.

Moçambique está entre os 10 países do mundo mais vulneráveis a eventos climáticos extremos. Nos últimos 35 anos, o país sofreu 52 desastres naturais, incluindo 14 ciclones tropicais e de 2000 a 2019, posicionou-se como o 5º país mais afectado.

Diante dos desastres, cada vez mais frequentes no território nacional, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, fez soar um alarme do Banco Mundial, segundo o qual, a falta de investimento pode aumentar a pobreza.

“O desafio que temos diante de nós é imenso. Para atingir a resiliência climática do capital humano físico e natural plena até 2030, segundo estimativas do Banco Mundial, Moçambique precisa de mobilizar 37,2 mil milhões de dólares. Se não o fizermos, mais de 1,6 milhões de moçambicanos poderão ser empurrados para a pobreza até 2050 devido aos impactos combinados de choques climáticos e degradação ambiental”, avisou Salim Valá. 

O ministro da Planificação e Desenvolvimento diz que os números não são só estatísticas. São vidas, são famílias, o futuro das crianças e dos adolescentes e dos jovens moçambicanos. 

Para evitar os referidos danos, o Governo lançou a Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025-234 que prevê a exploração de mecanismos de troca de dívida por clima, à semelhança de países como Cabo Verde. 

Segundo Valá, Cabo Verde trocou sua dívida soberana por accção climática, convertendo obrigações financeiras em investimentos para transição energética e investiu parte dos recursos em fundos nacionais de resiliência, tendo combinado sustentabilidade financeira e autonomia de desenvolvimento.

“O mercado de carbono já começa a posicionar Moçambique como líder regional, fruto da parceria com a African Carbono Marketing Initiative que prepara o lançamento da activação do mercado de carbono. Da mesma forma, a recente troca da dívida com a Bélgica que converteu 2,4 milhões de euros em investimento climático é um exemplo tangível de como a diplomacia económica pode gerar impactos ambientais e sociais positivos”, disse Valá.

Bélgica e Reino Unido estão disponíveis para apoiar Moçambique no acesso ao financiamento para investir no clima, mas sugerem a inclusão do sector privado.

De acordo com Delphine Perremans, embaixadora do Reino da Bélgica, é importante dispor das ferramentas necessárias para envolver o sector privado, bem como implementar reformas para criar um ambiente favorável. Por seu turno, Domonic Ashton, alto comissário adjunto do Reino Unido faz sugestões.

“Para se destacar, Moçambique deve reforçar a qualidade técnica dos seus projectos e demonstrar clareza, estratégia e fortalecer a capacidade institucional para gerir fundos através de reformas que promovam a transparência e gestão financeira sustentável”, afirmou o diplomata britânico.

Estimativas do Banco Mundial apontam ainda que o impacto das mudanças climáticas poderá levar a uma redução de 4% a 14% do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique entre os anos 2040 e 2050.  

A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) deu início à fase 2 do projecto de reabilitação da Central Sul (RS2), no âmbito do seu programa de modernização e reabilitação do complexo hidroeléctrico, integrado no Plano de Investimentos “CAPEX Vital 10 Anos”.

De acordo com o Presidente do Conselho de Administração da HCB, Tomás Matola, “este projecto tem como principal objectivo melhorar a eficácia e a eficiência dos equipamentos responsáveis pela produção e transporte de energia eléctrica, assegurando a sustentabilidade, fiabilidade e competitividade do sistema de geração”.

Com a implementação do RS2, a HCB prevê aumentar em 90 megawatts (MW) a potência total de produção da Central Sul, elevando a capacidade de cada um dos cinco grupos geradores de 415 MW para 433 MW. O incremento vai reforçar o fornecimento de energia à região, apoiando o crescimento económico, além de prolongar a vida útil operacional da central para mais de 45 anos, mitigando riscos de indisponibilidade e melhorando o desempenho do sistema de geração.

Para garantir o alinhamento sobre o escopo, metas e plano de trabalho, a HCB realizou um encontro de três dias com os parceiros do projecto — o consórcio Andritz Hydro, os consultores técnicos da SIJV (Sweco e Intertechne Joint-Venture) e a Fichtner — empresas com larga experiência em matéria de hidroeléctricas.

O RS2 integra os esforços contínuos da HCB para inovar e fortalecer o sector energético nacional, assegurando que o complexo hidroeléctrico se mantenha operacional e estruturante, mesmo após 50 anos de existência.

O plano de implementação prevê a reabilitação anual de cada um dos cinco grupos geradores, incluindo substituição de equipamentos e posterior colocação em serviço. Para colmatar o défice temporário de produção, a HCB prioriza dois novos projectos estratégicos: a Central Norte de Cahora Bassa, com capacidade instalada de 1245 MW (três grupos de 415 MW cada), e a Central Solar Fotovoltaica, estimada em 400 MWac, ambas na Província de Tete.

Estas infra-estruturas reforçarão a produção de energia renovável, reduzindo a dependência hídrica e promovendo a sustentabilidade, consolidando a posição da HCB como um dos maiores produtores de energia hídrica da África Austral.

A câmara de comércio Moçambique-Portugal apela ao Governo a criar um ambiente mais favorável ao investimento estrangeiro e a acarinhar as iniciativas que promovam mais a exportação. O apelo foi feito pelo presidente do órgão, João Figueiredo, durante a celebração dos 15 anos da agremiação. 

A Câmara de Comércio Moçambique-Portugal reuniu empresários associados e não só,  o Governo e demais gestores empresariais, num jantar de celebração dos 15 anos da agremiação. 

O órgão, fundado para facilitar a interacção entre empresários dos dois países lusófonos,  sofreu, ao longo do tempo, metamorfoses que, no entender do actual Presidente, João Figueiredo, foram cruciais para o que hoje representa para as duas economias.

João Figueiredo aponta a crise de divisas como um dos desafios da actualidade que exige acções mais enérgicas.

O ministro da economia, uma das presenças destacadas no evento, aponta a cadeia de valor do turismo como carenciado e prioritário para investimento. Contudo, Basílio Muhati reconhece o papal das empresas portuguesas na economia nacional.

Os empresários  querem que o órgão seja mais actuante.

Os 15 anos da  câmara de Comércio Moçambique-Portugal foram marcados pela a entrega de diplomas de reconhecimento pelo apoio dado ao organismo, nomeadamente ao BCI, o intelec holding e ao

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