O País – A verdade como notícia

Diante de diversas percepções que colocam em dúvida a verdade sobre a exportação de feijão bóer de Moçambique para a Índia, a Confederação das Associações Económicas (CTA) veio a público, esta terça-feira, esclarecer que o mercado está aberto a todos os agentes económicos interessados, apesar de estar a correr em tribunal um litígio entre duas empresas exportadoras.

O presidente da agremiação, Agostinho Vuma, reitera que o livre acesso às exportações de forma indiscriminada deve ser para todos os agentes económicos que se interessam pelo sector. Quando se trata de ferir o mercado, a preocupação tem que ser de todos nós, porque quando o mercado fecha, não vai fechar apenas para os litigiantes, vai fechar para todos nós.

Segundo o sector privado, a exportação a partir dos portos da Beira e de Nacala atingiu, este ano, 200 mil toneladas e está a decorrer, em geral, dentro da normalidade, havendo, neste momento, cerca de 40 empresas a exportar.

“Moçambique já atingiu a meta. Nós andamos preocupados a cerca de três semanas, quando estávamos a cerca de 60%, então com o despacho do ministro da economia e finanças foi possível tirar mais alguma produção. Neste momento, nas mãos dos nossos pequenos produtores não existe nenhuma produção, só existe em armazéns de um operador que faz parte deste conflito judicial”, disse Vuma.

Aliás, o presidente da CTA faz saber que o preço de compra do feijão bóer ao produtor subiu dos anteriores 12 para 50 meticais o quilograma.
Estamos perante uma transferência clara de rendimentos através desta que é a principal cultura de rendimento na província de Zambézia e de Nampula, abrangendo mais de um milhão de pequenos produtores”.

Nesta senda, a CTA apela a todas as autoridades administrativas a assegurar através de uma actuação isenta e responsável o cumprimento escrupuloso das decisões emanadas pelo tribunal administrativo da Cidade de Maputo e pelo ministro da Economia e Finanças respeitante a salvaguarda de todos interesses envolvidos na cadeia de produção e exportação de desta commodities agrícola.

No entender da Confederação, o litígio que está no tribunal entre duas empresas tem impacto negativo na reputação do país, mas condiciona o mercado como um todo.

 

 

 

As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) lançaram um voo que liga Lanseria, em Joanesburgo, ao aeroporto Filipe Jacinto Nyusi, em Chongoene, província de Gaza. Grande parte dos beneficiários são mineiros, que passam a poder viajar em menos tempo.

As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) continuam a desbravar o mercado aéreo além-fronteiras. Desta vez, a LAM lançou um voo a partir do aeroporto privado de Lanseria, Cidade de Joanesburgo, África do Sul para o Aeroporto Filipe Jacinto Nyusi, Chongoene, província de Gaza.

A cidade de Joanesburgo é a capital da província de Gauteng, a mais rica da Terra do Rand, sobretudo em recursos minerais. E as minas daquelas terras empregam mais de 16 mil moçambicanos, que buscam melhores condições de vida por lá.

Quando chega a quadra festiva, voltar à terra natal tem sido um martírio, sobretudo por conta da longa espera nas fronteiras terrestres. É a partir do Aeroporto Internacional de Lanseria, norte de Randburg e Sandton, que a LAM faz um check in de uma nova página na história dos mineiros moçambicanos na África do Sul.

Salvino Mucavele é mineiro da África do Sul há 18 anos. A pobreza e a falta de emprego em Moçambique obrigaram-no a lá ir parar.

“Com o trabalho das minas, consigo sustentar a minha família e, actualmente, tenho uma barraca aberta, de onde os meus buscam sustento enquanto trabalho nas minas”, contou Salvino Mucavele, mineiro nas minas da África do Sul.

Durante os 18 anos de trabalho nas minas sul-africanas, Salvino conta que nunca foi fácil voltar a Moçambique para visitar sua família.

“Para nós, os mineiros, somos muito beneficiados porque sai hoje (no próprio dia) e chega cedo a casa. Antes, a situação era muito difícil, principalmente, nesta quadra festiva. Há muito congestionamento nas fronteiras e chega a levar entre dois e três dias ainda no caminho”, referiu Silvino Mucavele.

Mas agora, os mineiros têm o meio aéreo como alternativa às longas e cansativas horas de viagem via terrestre.

“Veja como estou, viajarei assim mesmo até chegar à casa, em 30 minutos e sequer irei transpirar. Vejo com bons olhos (esta iniciativa)”, afirmou Lucas Machava, também mineiro nas terras do rand, num tom carregado de felicidade.

Entretanto, os mineiros pedem uma redução dos pouco mais de três mil rands do preço da passagem do voo.

“O que preocupa é o preço que é um pouco alto. Há necessidade de uma negociação de modo a reduzir um pouco. Pelo menos baixar até dois mil rands e tal”, expôs a preocupação Lucas Machava.

Reagindo à reclamação dos mineiros sobre o preço da passagem, o ministro garantiu que a questão vai merecer a atenção do Governo.

“Vamos, sempre na medida do possível, tentar encontrar preços que possam ser compatíveis com as possibilidades dos mineiros, mas eu posso garantir que a preço de cinco mil meticais uma viagem e onze mil meticais ida e volta, somos competitivos. Então, vamos trabalhar em pacotes diversos à medida que temos volumes necessários, podemos baixar os preços e ajudar os mineiros e outros viajantes a usufruir desta oportunidade”, avançou Mateus Magala, ministro dos Transportes e Comunicações.

E como ficam os bens que comprovam na África do Sul e transportavam em viaturas? “Já não se faz. A gente só leva dinheiro e tudo vai se comprar lá em casa”, revelou Belmiro Munguambe, mineiro na África do Sul.

E Lucas Machava acrescentou: “Caso tenha alguma coisa, pode colocar num carro e levar para casa. Vai encontrar os seus bens lá. É melhor assim”.

Enquanto aguardam pela hora do embarque no conforto do Aeroporto de Lanseria, os mineiros desconstroem os mitos e medos em torno do avião.

“Há pouco receio. Há um pouco de medo. Não sei o que vai acontecer, mas enfim…dizem que o bom soldado morre na guerra”, falou do seu medo, Lucas Machava.

O voo das Linhas Aéreas de Moçambique a partir de Lanseria para a província de Gaza não beneficia apenas aos mineiros.

“É a melhor coisa que já nos aconteceu. De três horas para uma. O aeroporto é bom”, elogiou Christina Zaiman, turista com destino à Xai-Xai.

E Johan olha para o voo numa perspectiva além do turismo.

“Este voo vai criar facilidades para as pessoas que viajam por curto período de tempo, ao invés de recorrer a fronteira terrestre. Tenho ido a Moçambique por sete anos conduzindo e temos tido muitos problemas indo e voltando. Penso que este voo, especialmente, este vai tornar possível a mobilidade de pessoas local e internacionalmente, fazendo negócios. Poderão viajar mais e fazer isso mais rápido e seguro”, apontou o cidadão sul-africano.

Já no interior do avião, o ministro dos Transportes e Comunicações assumiu o papel de assistente de cabine e deu boas vindas aos passageiros.
Os mineiros pareciam crianças curiosas…perguntavam tudo, recebiam explicações, mexiam em quase tudo e, claro, não faltaram fotos, muitas fotos. O medo tomou conta dos viajantes.

“Assustou-me um pouco. Só não falei, mas no coração sentia medo, mas já me sinto bem. Percebe-se que está em movimento. Parece estar a andar em terra, mas percebe-se que está em movimento”, contou Constantino Machava, mineiro a bordo no voo da LAM.

Aos jornalistas, Magala contrariou o que muito já se disse sobre o Aeroporto Filipe Jacinto Nyusi, afirmando que a infra-estrutura é viável.

“O que nós precisamos, é termos criatividade na forma como identificamos os passageiros que possamos levar ao destino, que é Xai-Xai”, justificou Mateus Magala.

O voo foi lançado neste período para capitalizar o fluxo de mineiros que regressam ao país para celebrar as festas junto dos seus familiares.

A partir de Fevereiro haverá dois voos semanais de Lanseria para Gaza e vice-versa.

“Esta rota é mais do que uma conexão aérea, é uma ponte que une pessoas, culturas e negócios. Juntos estamos a construir uma nova era para a aviação moçambicana, que se destaca pela eficiência, conforto e compromisso com cada passageiros”, destacou Sérgio Matos, gestor do Projecto de Reestruturação da LAM.

Para o sucesso deste voo, a ministra do Trabalho e Segurança Social conta com a contribuição de cada mineiro.

“Os nossos mineiros devem ser os porta-voz para os demais pela maneira como foram tratados a partir do aeroporto até à nossa chegada aqui (província de Gaza), mas sobretudo o tempo que gastaram. Alguns daqui, saíram das minas e no próprio dia conseguiram viajar de volta às suas origens”, apelou Margarida Talapa, ministra do Trabalho e Segurança Social.
O voo inaugural das Linhas Aéreas de Moçambique tinha a bordo mais de 100 mineiros e a previsão é que mais 1.500 usem este meio de transporte até dia 02 de Janeiro de 2024.

 

 

 

 

 

 

 

 

A circulação de comboios na linha-férrea Cuamba-Moatize está interrompida. Descarrilamento de vagões e locomotiva no troço é a razão da interrupção.

Desde o dia 25 de Dezembro último, a circulação dos comboios no troço entre Cuamba, na Província de Niassa, e Moatize, na Província de Tete, encontra-se temporariamente interrompida devido a um acidente ferroviário.

“Por volta das 12h, na localidade de Tóbue, distrito de Mecanhelas, Província de Niassa, no ponto quilométrico 591.140, a Nacala Logistics registou um descarrilamento e tombamento de 36 vagões de carvão, bem como de duas locomotivas e semi-tombamento de mais duas locomotivas”, lê-se na nota de imprensa.

É através da linha férrea que o carvão mineral extraído na Província de Tete é transportado para o porto de Nacala. Actualmente, decorrem trabalhos de reposição das condições da linha férrea para a circulação segura dos comboios.

“Desde o ocorrido, a Nacala Logistics mobilizou diversas equipas técnicas e operacionais para o mais rapidamente possível repor a transitabilidade da via. Ainda estão em análise as causas prováveis da ocorrência ferroviária, e a empresa tem total consciência da relevância da infra-estrutura para o desenvolvimento da região em particular, e de Moçambique no geral”.

De acordo com a Nacala Logistics, não há registo de pessoas feridas, nem de danos à comunidade ao redor.

Nacala Logistics é uma empresa ferro-portuária, responsável pela gestão do Terminal Portuário Multiusuário de Nacala-à-Velha e dos 1.600 km do sistema ferroviário (Nacala-Porto – Cuamba com os dois ramais Cuamba-Entre-Lagos e Cuamba-Lichinga e Nacala-à-Velha – Moatize, passando por Malawi).

 

O feijão bóer virou um produto de destaque na zona Norte do país, com a abertura do mercado indiano. Estima-se que perto 300 mil toneladas já tenham sido exportadas este ano, representando 80% do produto.

O feijão bóer é um dos principais produtos da dieta alimentar na Índia. Com a crescente procura, em 2016 a Índia assinou um memorando de entendimento com Moçambique que numa primeira fase previa o fornecimento de 125 mil toneladas na época 2017-2018, tendo depois aumentado para 200 mil toneladas por ano, até 2021. 

Com um mercado garantido, os pequenos e médios agricultores, sobretudo, do Centro e Norte do país, passaram a apostar nesta cultura, estimando-se que neste momento, cerca de um milhão de pessoas estão na cadeia de valor, que vai do produtor até ao armazenista.    

A entrada de mais empresas no ramo do agronegócio valorizou ainda mais o feijão bóer, tendo saído dos anteriores 20 a 28 meticais pagos por cada quilograma ao agricultor, para 30 a 52 meticais praticado actualmente, representando uma subida do preço na ordem de 24 meticais, tendo em conta o preço mais alto.  

A exportação de feijão bóer de Moçambique para a Índia vinha sendo através de um modelo de quotas, onde anualmente era lançado um concurso público para a selecção de empresas para a atribuição de quotas para exportarem até 200 mil toneladas. Na sequência, em Abril deste ano foi lançado o concurso público no qual foram selecionadas 33 empresas, das quais a ETG, e outras admitidas posteriormente através de uma adenda ao concurso público, perfazendo 45.  

Entretanto, em finais do ano passado a Índia registou uma baixa produção, tendo decidido abolir o modelo de quotas e abriu o mercado para comprar todo o produto de Moçambique. 

Até ao dia 15 deste mês, segundo a CTA, a Índia já havia comprado 230 mil toneladas de feijão bóer de Moçambique. Neste momento, o volume do exportado aumentou e estima-se que 80% do que foi produzido no país já saiu para a Índia, confirmando o desbloqueio depois de muita polémica. 

Inicia hoje o transporte aéreo de mineiros moçambicanos, da África do Sul para o Aeroporto Filipe Jacinto Nyusi, no distrito de Chongoene, em Gaza. Espera-se que cheguem ao país mais de quatro mil mineiros moçambicanos que trabalham na África do Sul através dos voos das Linhas Aéreas de Moçambique.

Para esta sexta-feira, a partida do voo, na África do Sul, está prevista para as 11 horas com chegada às 12 horas ao Aeroporto Filipe Nyusi, em Chongoene.

Os ministros dos Transportes e Comunicações e do Trabalho e Segurança Social, respectivamente Mateus Magala e Margarida Talapa, vão testemunhar, no país vizinho, o voo inaugural.

Hoje, estarão a bordo mais de cem mineiros, dos cerca de quatro mil que serão transportados até ao fim desta operação.

O Banco de Moçambique multou, hoje, o Banco Comercial e de Investimento (BCI) em cerca de 135 milhões de Meticais devido à  aceitação de forma alternativa e indirecta de cumprimento de uma obrigação de crédito, enfraquecendo a sua posição, enquanto credor; exoneração indevida de um cliente institucional, das suas responsabilidades creditícias; abate, infundado, de parte de juros gerados em uma relação creditícia; e  assumpção de custos contratualmente adstritos a um cliente institucional.

No mesmo comunicado de imprensa, o Banco Central decidiu multar dezasseis  membros do Conselho de Administração do BCI em mais de 16 milhões de Meticais por terem aprovado,  de forma alternativa e indirecta, o cumprimento de uma obrigação de crédito de um cliente institucional;  assim como  aprovação de abate, infundado, de parte de juros gerados em uma relação creditícia.

No mesmo comunicado, o Banco Central aplicou multas  a outros quatro  bancos, nomeadamente,  FNB, Letshego,  Millenium BIM e  My Bucks Banking, por diferentes tipos de irregularidades. As multas aplicadas a estes bancos variam de quase 29 milhões a oito milhões de Meticais.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) tem reforçado a atenção às políticas de resiliência climática. Em Moçambique, apesar de haver importantes avanços, há desafios pela frente. O objectivo é fortalecer os mecanismos de defesa do país, diz Alexis Meyer-Cirkel, representante residente do FMI em Maputo.

Moçambique tem um quadro de políticas para enfrentar os efeitos das alterações climáticas há, precisamente, uma década. É a designada Estratégia Nacional de Adaptação e Mitigação de Mudanças Climáticas 2013-2025. Adicionalmente, é indicado um conjunto de acções transversais a todos os sectores, que incluem reformas institucionais e legais, formação e transferência de tecnologia.

Este aspecto ainda constitui preocupação, de acordo com o representante do FMI em Moçambique, Alexis Meyer-Cirkel, citado pelo site Diário Económico que, numa entrevista, partilhou os pontos essenciais sobre a forma como o Executivo conduz as políticas nacionais de resiliência climática, os avanços alcançados, os desafios prevalecentes e, sobretudo, os vários instrumentos que aquela instituição tem disponíveis para ajudar o país neste âmbito.

Segundo o representante do FMI em Moçambique, para um país com fragilidades, sob conflito e com um alto nível de endividamento público, o impacto que os eventos climáticos extremos têm sobre a economia é exacerbado por esta limitação na capacidade de resposta.

“A lei orçamental estabelece que o Governo aloque 0,21% da despesa total para fazer face a despesas não previsíveis e inadiáveis, em particular os desastres naturais. Porém, dada a elevada frequência das intempéries – dois a três eventos por ano –, e face à magnitude desses choques, afectando mais de um milhão de pessoas, as contingências do Estado não têm sido suficientes para uma resposta cabal. No entanto, o Governo, com o apoio de vários parceiros, têm estado a levar a cabo diversas acções no âmbito da implementação da sua estratégia nacional de adaptação às mudanças climáticas, aprovada em 2013”, avançou o economista.

O FMI diz que tem como principal responsabilidade, na sua actuação, a monitorização das políticas económicas e financeiras nos países-membros e dar aconselhamento. Neste processo, o organismo identifica os potenciais riscos para a economia e recomenda ajustamentos para garantir a estabilidade macroeconómica, promover a estabilidade financeira e sustentar o crescimento.

“Os riscos dos eventos climáticos extremos e as oportunidades relacionadas com o clima têm sido gradualmente integrados no aconselhamento que o FMI dá aos seus membros. O foco tem sido no desenvolvimento de capacidades de apoio à adaptação, mitigação e transição para economias de baixo carbono”, disse o responsável. 

Há também, segundo Alexis Meyer-Cirkel, a concessão de financiamentos através de um programa complementar, o Fundo para Resiliência e Sustentabilidade (RST, na sigla em inglês), introduzido no ano passado. O objectivo do RST é apoiar países de baixo rendimento, reforçar a sua capacidade de resiliência aos choques externos e assegurar um crescimento sustentável, contribuindo para a estabilidade da sua balança de pagamentos a longo prazo.

“Na transição para economias de baixo carbono, temos analisado questões específicas de política através da ferramenta de Avaliação da Política Climática (CPAT, na sigla em inglês), que analisa o impacto da fixação do preço do carbono e de outras políticas nos compromissos assumidos em Paris, assim como impactos de subsídios à energia, avaliações de Gestão de Investimento Público (C-PIMA) face ao clima, programas-piloto de avaliação macroeconómica do clima (CMAP), a par de outras questões mais específicas do sector financeiro, relacionadas com os riscos climáticos e as políticas públicas de apoio à transição”, disse o responsável pelo FMI em Moçambique.

Alexis Meyer-Cirkel lembra que, tal como outros instrumentos financeiros do FMI, para que um país tenha acesso ao RST, há um protocolo a ser seguido. Primeiro, deve ter em curso um programa financeiro, com mais de 18 meses até ao seu termo – no caso de Moçambique é a actual Linha de Crédito Alargada (ECF, na sigla em inglês). Segundo, os desembolsos são ancorados numa série de reformas políticas a serem implementadas num período de tempo acordado – no caso, reformas relacionadas com mudanças climáticas.  A avaliação dessas reformas é feita em simultâneo com as avaliações do programa ECF.

“O Governo demonstrou interesse em aceder ao RST para fazer face a obstáculos estruturais para reforço da resiliência às alterações climáticas e à preparação para pandemias. Há um trabalho em curso para o potencial RST em Moçambique, incluindo a interacção com as autoridades e parceiros de desenvolvimento. Algumas áreas potenciais para reformas têm sido identificadas e, adicionalmente, uma missão de avaliação das lacunas da política climática associada ao C-PIMA terão lugar no próximo ano para apoiar no desenho das medidas de reforma”, explicou Meyer-Cirkel.

O economista avançou que, para fazer face ao impacto das mudanças climáticas, exige uma conjugação de esforços dos vários actores para aumentar a resiliência, principalmente nos países de baixo rendimento, altamente vulneráveis aos choques extremos. “É verdade que os fundos existentes são reduzidos, comparando com as necessidades. Por isso, a mobilização de recursos adicionais continua a ser uma prioridade, mas precisamos também de estabelecer mecanismos claros de coordenação e fortalecer o quadro institucional para dar melhor resposta à agenda climática”, concluiu o representante do FMI em Moçambique.

A Eni Rovuma Basin (ERB) anunciou, hoje, o início da produção de óleo vegetal que será utilizado como matéria-prima nas bio-refinarias da Eni, na Itália. Esta iniciativa enquadra-se na estratégia da Eni de contribuir para a descarbonização do sector dos transportes e inclui Moçambique na cadeia de valor da mobilidade sustentável.

“Este projecto é apoiado pelo Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADER), no âmbito do Acordo Específico assinado em Fevereiro de 2022, para o desenvolvimento e cultivo de culturas oleaginosas”, lê-se no comunicado enviado ontem pela Eni.

A multinacional não revela, no comunicado, o valor do investimento no projecto em causa, mas avança que o óleo vegetal que é extraído de subprodutos de fábricas locais de agro-processamento está certificado de acordo com os padrões ISCC-EU (International Sustainability Carbon Certification European Union), que garantem que os insumos para a produção de biocombustíveis são produzidos de forma sustentável e permitem a rastreabilidade, o respeito pelo meio ambiente e pelos direitos humanos.

O desenvolvimento deste projecto em Moçambique vai envolver milhares de agricultores locais e vai permitir a criação de uma plataforma industrial para a produção de matérias-primas agrícolas no país, promovendo o desenvolvimento socioeconómico nas áreas rurais e a regeneração das terras agrícolas degradadas. Por outro lado, a ERB pretende, também, apoiar os agricultores através da transferência de conhecimentos e da introdução da mecanização e de melhores práticas, de modo a desenvolver e reforçar ainda mais as capacidades locais.

A Eni, presente em Moçambique desde 2006, é o operador delegado do projecto Coral Sul, que foi o primeiro a produzir gás na Bacia do Rovuma, em Moçambique. Para além das actividades Upstream, a Eni diz estar comprometida a desempenhar um papel decisivo no processo de transição energética para um futuro de baixas emissões de carbono, com o objectivo de alcançar a neutralidade líquida de carbono até 2030.

“Moçambique desempenha um papel fundamental na estratégia de descarbonização da Eni, graças aos programas de produção de matérias-primas agrícolas, projectos agroflorestais e outras iniciativas de compensação de carbono, que visam neutralizar as emissões residuais da Eni e criar impacto positivo nas comunidades locais em termos de desenvolvimento socioeconómico”, posicionou-se a instituição no comunicado. 

O Governador do Banco de Moçambique diz que a ameaça de ataques cibernéticos é real e que deve haver colaboração de todos. Rogério Zandamela diz que deve haver maior literacia digital dos moçambicanos

O Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, esteve, na noite desta segunda-feira, na cerimónia alusiva à entrada em funcionamento da rede única nacional de pagamentos, que vem modernizar o Sistema Nacional de Pagamentos e dinamizar as transacções electrónicas no país.

No seu discurso, Zandamela avisou que os ataques cibernéticos são um fenómeno real do qual não estamos isentos. “A consolidação desta plataforma requer a colaboração de todos na monitoria permanente dos riscos cibernéticos, tecnológicos, bem como no aumento dos níveis de literatura digital, por forma que toda população possa beneficiar-se deste ganho ímpar no nosso sistema de pagamentos. Os riscos cibernéticos são reais”, alertou Zandamela.

O Governador explicou este fenómeno trazendo o exemplo do que aconteceu no Lesoto. “Vocês devem ter acompanhado o que aconteceu há menos de uma semana ao Banco Central do Lesotho, onde o sistema de pagamento quebrou, paralisou, como resultado de um ataque cibernético e ficaram reféns dos que estão a pedir dinheiro para que o sistema seja restaurado. Por isso, somos todos chamados a colaborar. Foi o banco central, mas podia ter sido uma unidade periférica. Ficaram dias e não sei se já se recuperaram”, contou, frisando que o Banco de Moçambique está em contacto com os homólogos do Lesoto para se inteirar do que está a acontecer.

Diz também que a nova plataforma traz consigo desafios, por isso os bancos e outras instituições financeiras devem estar prontas, quer em meios tecnológicos, quer em humanos, para responder a esses desafios.

“Este processo de migração e integração da nova plataforma acarreta consigo um conjunto de desafios que requer uma pronta e tempestiva resposta de todos nós, por forma a garantir uma comunicação eficiente e eficaz com o público em geral. Isso é muito importante”, frisou Rogério Zandamela, acrescentado que não deve haver “boatos, pois são nocivos e infelizmente isso acontece e não é no interesse de ninguém lançar boatos. Temos todos a obrigação de nos comunicar correctamente com o público no interesse do sistema e no interesse público.”

Rogério Zandamela encorajou ainda a indústria bancária e as instituições de moeda electrónica a “investirem meios tecnológicos e humanos, por forma a responderem eficaz e eficientemente à demanda cada vez mais crescente dos consumidores financeiros nesta era da economia digital”.

REDE NACIONAL DE PAGAMENTOS TEM SUAS VANTAGENS

Numa cerimónia que contou com vários convidados, muitos deles ligados à banca, a presidente da Comissão Executiva da  Sociedade Interbancária de Moçambique, Sariel Nhabinde, disse que a rede única nacional de pagamentos traz várias vantagens e proporciona maior segurança.
O processo de revolução digital na indústria bancária iniciou em 2018. A introdução da rede única materializa os objectivos da criação da Sociedade Interbancária de Moçambique, SIMO, unificando todas as redes de pagamentos electrónicos.

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