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O País – A verdade como notícia

O Vice-ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Olegário Banze, diz que mesmo sendo “a espinha dorçal” da economia, o potencial agrícola de Moçambique está muito longe de ser realizado. Banze destacou que Moçambique tem terrasférteis, recursos hídricos e um clima propício para a agricultura, entretanto, há ainda vários desafios por superar.

Olegário Banze falava na abertura do workshop promovido pelo Banco Africano de Desenvolvimento, tendo como principal foco o desenvolvimento da Agricultura. Na ocasião, o número dois do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural levantou alguns problemas que o sector agrícola enfrenta, como a falta de infraestruturas adequadas e falta de capacitação técnica.

Contudo, segundo avançou a fonte, o governo tem criado programas para desenvolvimento do sector agrário. “O governo está comprometido com o desenvolvimento do sector, por isso, em 2021, foi aprovado um novo plano estratégico para o desenvolvimento do sector, que veio acompanhado pelo plano de investimento. O governo também tem implementado o Plano Nacional de Agricultura denominado Sustenta que visa a integraçao do sector familiar, junto do sector comercial agrícola”.

Uma ideia de negócio, por si só, não vale nada. É fundamental conhecer as reais necessidades do público-alvo para se avançar num negócio, defende Luhane Gagnaux, o jovem fundador e director executivo da LA Business, uma empresa moçambicana.

Conta que estreou-se no mundo do empreendedorismo com aproximadamente 15 anos de idade, na altura, com facturações mensal de 30 a 40 mil meticais nas redes sociais.

“Eu simplesmente recebi aquelas mensagens que todos vocês recebem, de vendedores de telefones, com uma lista mensal. Eu simplesmente fazia copy e punha dois a três mil Meticais naqueles preços e reencaminhava para toda a minha lista”, explicou Luhane Gagnaux.

Diante de uma plateia jovem, no último dia da 11ª edição da Moztech, Luhane Gagnaux disse que é possível iniciar negócios sem possuir capital. “Nós temos que olhar para o negócio como se fosse um bem”, avançou para explicar a necessidade de formalizar um negócio.

“Eu apercebi-me que tenho que criar uma coisa que pode ter três fins: ser herdado, ir à falência ou ser vendido. Esses são os três fins de qualquer negócio. Claro que eu não quero que vá à falência. Eu vou querer vender ou vou querer que seja herdado”, considerou.

Para que tudo dê certo, Gagnaux entende que o negócio deve ser bem estruturado, com processos e principalmente, não deve depender apenas da pessoa que cria. É daí que diz ter criado uma empresa que não é digital, que usava uma tecnologia de lavar os carros sem água.

“Com uma garafinha de água, nós conseguiamos lavar um carro. Não basta ter uma boa ideia de negócios, é importante identificar para quem agente está a fazer. Não criem negócios primeiro para depois ir atrás do público, vejam primeiro o que é que o público precisa”, disse.

Só depois de se conhecer as necessidades do público, é que vem a fase de criação de uma solução do problema desse público. “Então, eu vi uma necessidade muito grande das empresas em optimizar o seu tempo”, afirmou, referindo-se ao negócio que criará.

Explica que nesse negócio, a empresa simplismente inovou algo que já existia. “Em vez de fazermos a lavagem convencional que leva duas, três, quatro ou cinco horas de tempo, nós iamos lavar onde o cliente estivesse, ou seja, na empresa dele ou na casa dele”.

Como dica para os que queiram abraçar o empreendedorismo, Luhane Gagnaux sugere que identifiquem negócios que têm muito potencial, mas que estão a cometer algumas falhas e pegar nele e procurar fazer algo similar, mas melhor.

“Uma forma de criar negócio é pegar um mercado que tem uma grande demanda, e pensar no que posso melhorar. Então, a partir daí, criamos um aplicativo chamado Bacela”, explicou.

Trata-se, na verdade, de um aplicativo que dá descontos em mais de seis estabelecimentos comerciais na cidade de Maputo, ou seja, permite ao público usar o aplicativo para beneficiar-se de 10% de descontos em qualquer compra, quantas vezes quiserem.

“Esse aplicativo foi um sucesso, ganhamos premos aqui na Moztechm, ganhamos prémios na Ungria, em Portugal e aqui em Maputo. Se eu tenho 100 parceiros, 100 lojas a darem-me descontos, significa que elas têm um problema, de clientes”, concliui o empreendedor.

É através desse problema de clientes das lojas que criou uma solução para ajudar a esta a vender mais. “Surgiu assim a minha agência de marketing digital. Hoje fazemos a comunicação da Federação Moçambicana de Futebol, Frozy, Lande Rover, Jaguar, etc”, disse.

E, por fim, por já ter resolvido o probelma financeiro, que o motivou a abrir o primeiro negócio, agora diz que ganha dinheiro ensinando outras pessoas, principalmente através das plataformas digitais – como forma de ganhar escale – e faz isso porque gosta.

“É necessário identificar modelos de negócios que sejam escaláveis. É aqui onde entra o digital. Quando pensarem nos vossos negócios, pensem como fazer para fazer maiores entregas e vender mais, nos canais de comunicação, daí vem o digital”, aconselhou.

Por fim, mais uma dica do jovem empreendedor: “é preciso identificar o público-alvo. Um plano de negócio é complexo, mas foquem-se na proposta do valor e no modelo de negócios. Como é que vocês vão ganhar dinheiro”.

Por seu turno, Mahomed Adam, gestor da Yango em Moçambique, fez saber que a ideia para se implatar o negócio em Moçambique foi quase a mesma. A empresa identificou fragilidades existentes np sistema de transporte e procurou soluções adequadas.

“Os problemas são: o horário limitado, frotas limitadas, indisponibilidade do serviço, relactivamente ao taxi de praça – empresas de taxi, txopelas e boleia paga, tinham que negociar as entrevistas que aqui a amiga mencionou”, arolou os problemas.

As dificuldades não param por aí. Para quem tem um carro próprio, o gestor também fala de outros problemas: um deles é o congestionamento. “Depois de enfrentarmos o congestionamento, chegamos para um sítio, e temos o problema de estacionamento”.

Como solução, a empresa propôs-se em criar um serviço em que qualquer pessoa consegue movimentar-se de um ponto A para um ponto B de forma instantânea. Tal foi possível fazer através da tecnologia, atendendo que há já no país muita gente a usar smartfones.

“Criamos uma plataforma em que qualquer pessoa consiga registar-se como um passageiro ou como motorista, no entanto, é preciso realsar que temos medidas de segurança para a validação de todos os motoristas”, explicou.

De acordo com o gestor da Yango, com a base de dados, consegue-se garantir que haja densidade dos motoristas nas cidades de Maputo e Matola. Tal densidade, diz o gestor, faz com que se consiga ter tarifas relactivamente assessíveis.

“Antigamente usava-se um taxi por chamada. Estamos na baixa da cidade, ligamos para um operador para nos vir buscar. O motorista teria que cobrar o valor para ir à baixa e depois para o destino. Tendo densidade, podemos ter serviços muito mais acessíveis”, explicou.

Painelistas da Moztech defendem o uso de recursos tecnológicos e da inteligência artificial com vista à maximização de soluções para problemas económicos do país. O posicionamento é de Valquiria Ponja, coordenadora da Women Techmaker, Yasser Nazir, fundador da Volet, Ussene Indobe, fundador da PIMENDER, Celma Sitoe, directora Comercial da Carta Fácil no último dia do maior evento tecnológico do país.

Subordinados ao tema “Desafios do Empreendedorismo 4.0”, que corresponde ao uso de recursos como o Big Data, automação dos processos, inteligência artificial, realidade virtual e outras soluções tecnológicas que promovam a expansão das possibilidades de negócios, as empresas do ramo das tecnologias dizem que é “urgente que se encontrem soluções mais lucrativas”.

A partir da própria experiência, na sua intervenção, Valquiria Ponja encorajou as mulheres a superarem o estigma e desenvolverem mais competência na área STEM sigla em inglês que compreende o estudo da (ciências, tecnologia, engenharia e matemática). “Quando comecei a fazer ciências de computação, era a única menina. Então, tinha de ir contra todos os rapazes e contra alguns docentes, também, que pensavam que era impossível uma mulher fazer parte deste mundo e ainda ser competente.”

A fonte alertou que a mulher deve ser integrada quando realmente estiver pronta e não apenas para igualar as estatísticas de género.

Por sua vez, a directora comercial da empresa tecnológica Mahonelo, responsável pela aplicação Carta Fácil, referiu que se trata de uma inovação para os utilizadores que poderão concluir os seus estudos à distância. “A carta Fácil traz vídeo-aulas gravadas e conteúdos apresentados de forma dinâmica  para que o aluno passe a aprender em tempo útil”.

A boa nova estende-se também para as aulas práticas que poderão ser feitas, igualmente, à distância.

Ainda no âmbito do uso da tecnologia para a resolução de problemas, a PIMENDER, através de uma aplicação com o mesmo nome, que estará disponível para as empresas moçambicanas, vai potenciar o uso da tecnologia no processo de cobranças com “custos mais justos”.

“A aplicação PIMENDER poderá ser usada por pequenas, médias e grandes empresas. Isso democratizará, de certa forma, o acesso a tecnologia por empresas que não têm recursos para ter um bom desenvolvimento.”

A Volet, tendo identificado como problema a cobrança de taxas elevadas em pagamentos e transferências através das carteiras móveis, propôs a “digitalização de  negócios” como uma solução eficiente.

O país passará a ter mais capacidade de internet e aceleração da conectividade, através do cabo submarino lançado pela Vodacom Moçambique, há cerca de duas semanas. A informação foi partilhada por Marco Marques, assistente de operações submarinas na Vodacom Moçambique, que falava no Tech Talks da 11ª edição da Moztech, maior feira de tecnologias no país, organizada pelo Grupo Soico.

Trata-se de uma tecnologia do consórcio 2Africa, composta por oito empresas, nomeadamente China Mobile International, Meta (Facebook), MTN GlobalConnect, Orange, center3 (stc), Telecom Egypt, Vodafone/Vodacom e WIOCC, através da qual os fornecedores de serviços poderão obter capacidade numa base justa e equitativa, encorajando e apoiando o desenvolvimento de um ecossistema saudável nos serviços de Internet.

“Nós activámos essa capacidade e, certamente, vai ajudar na transformação digital. Moçambique passa a ter mais capacidade de internet, mais ligações para o mundo e vai, certamente, com os investimentos que estão a ser feitos, atrair grandes empresas multinacionais para o país”, disse Marco Marques, assistente de operações submarinas na Vodacom Moçambique.

Em um mês e meio, a Vodacom vai, igualmente, lançar um novo centro de dados, com cerca de oitocentos racks disponíveis para o uso no mercado.

“Vai ser construído em fases. Nesta inicial, terá cerca de duzentos racks e estará disponível para o uso no mercado”, disse Marques.

E porque o espaço é propício para falar de tecnologias, a MCNet fez também o lançamento de um data center XCLOUD, uma iniciativa inclusiva comprometida com a transformação digital, que pretende ser rápida, optimizada e acessível.

“Estamos a criar uma infra-estrutura que vai permitir que o académico, a pequena empresa, possam ir para lá e fazer o seus trabalhos com recursos à medida, pagando somente pela sua necessidade no exacto momento”, avançou o director de operações da MCNet, Ricardo Taca.

No mesmo evento, a PHC lançou o seu primeiro Software de inteligência artificial para gestão. A Cris é a nova aposta para a gestão eficiente nas empresas.

“Quando nós conseguimos juntar a inteligência artificial e o sistema integrado de gestão empresarial, temos um resultado que é a excelência, que para nós tem nome: é inteligência artificial que está dentro do PHC, que nos ajuda nas nossas tarefas do dia-a-dia. Funciona como um chat Gpt”, explicou Victor Cau, representante da PHC.

As estatísticas indicam que, até 2030, a juventude africana vai representar 42% da população mundial, e que uma pessoa em cada cinco poderá estar em África Subsariana, daí a necessidade de Moçambique se preparar para responder à demanda da tecnologia no ecossistema digital.

Um adolescente de 17 anos de idade expõe, na Moztech, drones que ele próprio monta com recurso a material local reciclado. Os dispositivos têm um alcance de até sete quilómetros. Ainda na feira tecnológica, várias empresas expõem seus produtos e serviços.

Há inovações tecnológicas na 11ª edição da maior feira de tecnologias do país. Um adolescente de 17 anos de idade, de nome Cleyton Michaque, está a expor na Moztech drones que ele próprio monta, reciclando material local.

“Eu uso um programador do CNA, que é para desenhar o escopo, o frame e o corpo do drone, de como vai ser em função das finalidades, se é para corrida, filmagem ou freestyle. Depois, uso um configurador, que é better flight, que se comunica com o drone, mas usa a linguagem python, que é para poder ter a conexão com o visor e o remote e, para voar, é necessário um motor específico.

Se quiser motor para corrida, procuro um de altos quilovolts e, se for para filagem, baixo os quilovolts”, explicou Cleyton Michaque, expositor na Moztech.

As cheias e ciclones que assolaram o país em 2019 é que serviram de inspiração para esta inovação. “Fiquei preocupado. As pessoas mandam bombeiros para fazer resgate. Só que mandar essas pessoas para o resgate é, também, um risco para elas, e foi daí que pensei: porque não levam máquinas?”, perguntou Cleyton, de forma retórica.

E foi dessa resposta que surgiu a inovação de montar drones. “Eu pensei numa coisa que voa e que transmitisse em tempo real, que é o drone. Em vez de ir fazer o mapeamento e voltar a mostrar-me informações, ele (o drone) pode dar-me informação em tempo real”, contextualizou o adolescente inovador.

Estes dispositivos têm um alcance de até sete quilómetros e Cleyton só precisa de 45 minutos para montar um drone. “Então, quando eu identificar alguém, é possível dar coordenadas de que zona poderá estar e os que ajudam lá podem chegar. E os drones por mim montados são flexíveis. Porque é feito de fibra carbono, ainda que bata em alguma coisa, ele não se quebra. Ele continua a percurso”, destacou Cleyton Michaque.

Empresas continuam a vender produtos e serviços

Além de inovações tecnológicas, houve exposição de produtos e serviços. A MCNet está a expor o seu centro de dados, que traz a componente da cibersegurança como diferencial.

“Temos uma infra-estrutura robusta e, também, a parte de disaster recovery, bem como da cibersegurança. Temos parceria com empresas de fora, que lidam com a componente da cibersegurança, e este é um dos pontos fortes da actualidade”, referiu Sérgio de Lobo, da MCNet.

E a BCX leva para a Moztech uma das soluções para a segurança de dados das empresas e instituições públicas, ao expor o que se chama de cloud local. “Nós, ao colocarmos uma cloud local, estamos a permitir que as organizações criem as suas instâncias localmente. Todos os seus dados são processados a nível local, em Moçambique. Para além de ter o suporte, tem a legislação moçambicana, ao contrário das outras clouds públicas, que estão fora de Moçambique e a lei é do país que detém a infra-estrutura”, avançou Mussa Mussagy, responsável pela área comercial na BCX.

Já a Tmcel, com o seu parceiro Limitless VR, leva aos presentes na Moztech para uma viagem virtual com pacotes de internet acessíveis e bonificados. “Nós estamos a fazer viagens para as várias cidades do mundo e estamos a usar a internet da Tmcel para mostrar o quão rápido se pode sair de Maputo até Nova York, por exemplo, com os nossos óculos de realidade virtual”, expôs Tozé João, da Limitless, numa parceria com a Tmcel.

Para quem quer inscrever-se na escola de condução e não tem tempo de ir às aulas teóricas, na Moztech, está exposta uma solução virtual. “Nós também pensamos nesses que não têm tempo de ir à escola de condução todos os dias. Eles podem inscrever-se na escola de condução e, de seguida, baixar o aplicativo Carta Fácil MZ, através do qual poderão ter acesso às aulas perdidas. Temos mais de 40 vídeo aulas das escolas de condução”, revelou Vânia Macheque, da Mawo Nelo.

As startups e as fintechs também estão a expor seus produtos e serviços na maior feira tecnológicas do país. “Nós, a Hiveonline, como fintech, contribuímos com a ligação de acesso ao mercado, ajudamos os produtores a chegarem ao financiamento, através dos bancos e aquisição de insumos”, indicou Gilton Simango da Hiveonline, uma Fintech presente da feira Moztech.

Há, na feira de tecnologias, empresas emergentes. “Somos incubadora de negócios, onde temos algumas startups, com destaque para Rhumuka, Conecta Saúde e temos uma de Sabor e Saúde, que produz alimentos saudáveis”, enumerou o representante da Incubadora de empresas, uma startups que expõe na Moztech.

Mais de 50 empresas estão a expor os seus produtos e serviços na 11ª edição da Moztech, que decorre sob o lema: Cibersegurança – Desafios da Transformação Digital.

Os ataques cibernéticos podem estar a ganhar terreno no país pelo facto de haver ainda muita gente que não conhece os riscos associados às conexões na Internet. Por isso, encontra-se uma saída na literacia digital.

Uma das grandes ameaças da segurança na internet são as pessoas malformadas e sem entendimento básico dos aspectos de segurança, considera o Presidente do Conselho de Administração (PCA) do CEDSIF.

No entender do responsável da entidade, Manuel António dos Santos, tanto as instituições públicas como as privadas devem apostar na formação dos seus quadros, de modo a evitar que sejam surpreendidas.

Segundo o PCA do Centro de Desenvolvimento de Sistemas de Informação de Finanças (CEDSIF), o Banco de Moçambique, no dia 24 de Março de 2024, lançou um aviso que visa ajudar as empresas ou instituições.

“Falo de bancos, instituições de moeda electrónica, entre outras. Devem fazer uma análise, uma reflexão daquilo que acontece nas suas próprias empresas, devem ter um Centro de Operações de Segurança”, lembrou.

Manuel António dos Santos falava, ontem, em KaTembe, Cidade de Maputo, no segundo dia da expo digital de Moçambique, a Moztech, num painel que debateu a Segurança e a Privacidade na Era da Conectividade.

Quem também defende a necessidade da literacia digital é o responsável pela segurança cibernética na Vodacom e no M-pesa. “Penso que temos muitos desafios, e o principal é a literacia digital”, disse o responsável.

Em nome da Vodacom e do M-pesa, Marco Correia considerou muito importante o equilíbrio entre a literacia e o uso habilitado de produtos e serviços. Define ainda a segurança como confidencialidade e privacidade.

“É possível fazer um investimento nos dois, em simultâneo. Em alguns casos específicos, pode ser que haja uma canalização maior para uma área e menor para outra, mas estão interligadas uma às outras”, disse Correia.

No mesmo painel de debate, Aristides Parruque, gestor da BCX em Moçambique, disse que a questão da segurança é crucial nos dias de hoje. É ainda seu entender que a segurança e a privacidade devem andar sempre juntos.

Parruque diz que, muitas vezes, a segurança e a privacidade são tratados de forma diferente e de forma separada a nível institucional, o que, no seu entender, não faz sentido. O gestor da BCX em Moçambique explica-se.

“Posso criar condições para garantir segurança dentro da minha instituição, mas, se as outras com quem lido no dia-a-dia não estiverem seguras, significa que a minha vulnerabilidade é possível que venha de alguém com quem lido”, alerta o gestor.

Por seu turno, Adilson Gomes, gestor do Instituto Nacional de Comunicações (INCM) disse que a questão da cibersegurança hoje é muito mais complexa do que vírus, malwares, e por aí além.
No entender do painelista da Moztech, é preciso que o Governo olhe para esse problema com mais responsabilidade, dado que há 19 milhões de subscritores que usam Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).

“Estamos a permitir que as pessoas usem as TIC para facilitar a sua vida e para facilitar a nossa interacção, então, começa de ali o grande desafios, porque, a partir do momento em que eu permito, devo garantir que aquela pessoa está segura ou vai usar de forma segura”, disse Adilson Gomes.

A maior fragilidade na protecção de dados no sistema financeiro está nas pessoas. Este é o entendimento dos oradores do painel sobre segurança e privacidade de dados da expo digital, Moztech, que defendem mais investimento dos bancos comerciais e das carteiras móveis na educação dos clientes.

No segundo dia da Moztech, os discursos estavam ligados à segurança e privacidade de dados no sector financeiro.

O sector financeiro está entre os mais avançados na digitalização de serviços aos clientes. No entanto, as facilidades andam de mãos dadas com os riscos. Esta quinta-feira, a Moztech juntou bancos comerciais, carteiras móveis, especialistas em fintechs e o regulador das TIC para diagnosticar o problema e apontar soluções.

“Nessa altura, o que nós percebemos é que as pessoas que perpetraram aquelas fraudes tinham sistemas que punham números de um a cem, vamos dizer assim, e ficavam ali a adivinhar os nomes e mandavam aqueles spam. Mediante essas cem tentativas, acabavam por ter sorte de uma delas cair. Na segunda perspectiva, quando já introduzimos a possibilidade de os clientes não necessariamente verem o nome do destinatário por inteiro, mas aquele nome mascarado já dava um pouco mais de confiança ao remetente de que estava a enviar o valor realmente para a pessoa certa”, explicou Stélio Matias, director de Tecnologia e Operações do M-Pesa.

As pessoas são o elo mais fraco em materiais de ataques cibernéticos

“Há um sector em Moçambique cuja regulamentação é forte: é a banca. Estamos aqui hoje, 2024, a falar da privacidade de dados e, em 2017, Moçambique já legislava sobre a privacidade de dados. Portanto, se formos a olhar o passado e se formos a cumprir aquilo que a lei estabelece, tanto para as instituições financeiras quanto para os outros sectores, nós teríamos aqui um nível considerável de segurança sobre os dados do cliente”, disse Arafat Mohamed da Associação Moçambicana de Bancos.

Arafat Mohamed explicou, ainda, que, na banca, para além daquilo que é legislado em Boletins da República, o Banco de Moçambique é muito incisivo com os avisos que os bancos comerciais e outras instituições de crédito financeiro devem cumprir, desde a recolha e o tratamento de dados, os níveis de segurança que esses dados devem ter, a rotulagem e a classificação que os dados devem ter.

Sobre a protecção de dados, Mohamed diz que, às vezes, se cria uma situação de ficção científica, como se de algo fácil se tratasse. Esclarece ainda que há dados que não podem ser tornados públicos de uma forma deliberada. Para a sua divulgação, torna-se necessária uma autorização judicial.

“Existe um conjunto de requisitos que as instituições financeiras devem seguir. Cada instituição, provavelmente, vai adoptar a sua estratégia de como proteger esses dados”, acrescentou.

“Se eu tiver acesso a um sistema através do qual eu consigo ter acesso às informações dos clientes, porque consigo rapidamente aceder às credenciais de um cliente, porque consigo ter o reverso daquilo que é a credencial, então tenho uma fragilidade enorme.”

De acordo com Mohamed, muita das vezes, o que acontece é que o elo mais fraco são as pessoas. Muita das vezes, o que acontece, quando há esses casos de quebra de segurança sobre as contas, é que o cliente foi deliberadamente ou de forma inocente vítima de um ataque.

A digitalização da maioria dos serviços financeiros veio aumentar ainda mais a vulnerabilidade dos clientes à violação da privacidade dos seus dados. O Presidente da Associação das Fintechs fala do risco associado às compras online e aos cartões bancários sem exigência de código para algumas transacções.

João Gaspar diz que os cartões contactless são os mais seguros olhando para o actual cenário do mercado financeiro e dos recorrentes ataques cibernéticos.

Com o contactless, não tenho de passar o cartão para uma terceira pessoa. Sou eu que toco no meu cartão no terminal. Se eu dou o meu cartão bancário, mesmo de débito, a uma terceira pessoa, se ela for minimamente astuta, consegue fixar alguns números deste cartão, depois, quando me vou embora, basta chegar a qualquer site de comércio electrónico amazon, Alibaba ou qualquer que seja e utiliza os números do meu cartão e é a minha conta que paga o produto dele. A protecção começa no utilizador do cartão.

País ainda não tem uma lei específica de segurança de dados financeiros

Moçambique tem um vazio legal na área de segurança e privacidade de dados, embora já existam regulamentos que, apesar de não serem “mandatórios”, contribuem para o combate a ataques cibernéticos. A informação foi avançada pelo director da Divisão de Segurança e Protecção de Dados no INTIC, Eugénio Geremias.

Os ataques cibernéticos constituem um dos maiores problemas com os quais o país se tem debatido nos últimos anos.  Só no ano passado, Moçambique sofreu cerca de  1,5 milhões de ataques cibernéticos por mês, o que configura uma urgência no estabelecimento da segurança.

Como solução para o problema, Eugénio Jeremias aponta para a necessidade de criação de uma legislação específica sobre cibersegurança.

O director da Divisão de Segurança e Protecção de Dados no INTIC explica, por exemplo, que, actualmente, questões viradas para a segurança de dados no sector financeiro são norteadas por regulamentos elaborados pelo Banco de Moçambique.

“Os vários instrumentos aprovados fazem menção da protecção de dados, mas não são mandatórios. Mesmo a Constituição da República já faz menção da protecção de dados e recomenda a implementação de legislação específica nesta matéria, daí que é necessária a elaboração da lei de protecção de dados”, explicou.

 

Diversas personalidades que participaram, esta quarta-feira, na 11ª. Edição da Moztech destacam a organização do evento e a importância do tema em debate, que é a “Cibersegurança – o Futuro da Transformação Digital”.

O Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional das Comunicações (INCM), Autoridade Reguladora das Comunicações, Tuaha Mote, destacou que a Moztech se tem revelado cada vez mais relevante para o sector público, privado e a sociedade, em geral, devido à relevância dos temas trazidos para o debate e seu impacto nos diferentes sectores de actividades.

“Não podemos falar da transformação digital sem falar da segurança cibernética. É fundamental que, ao adoptarmos as Tecnologias de Informação e Comunicação, ao adoptarmos a transformação digital, este ambiente seja seguro e confiável, porque se todos os serviços forem digitais, esses serviços têm de ser seguros”, referiu Tuaha Mote.

Alexandre Mano é um dos especialistas em cibersegurança que opera em Moçambique, na África do Sul, em Portugal e em Dubai. Diz ser importante discutir a cibersegurança por se tratar de um tema actual e relevante, na medida em que envolve informação sensível.

“A cibersegurança é um assunto da actualidade que está na ordem do dia, sobretudo o que tem acontecido, o que acontece no mundo, actualmente, nas organizações, connosco a nível pessoal, também com a nossa segurança e todos os desafios que passamos. Estamos num evento em que está de parabéns o Grupo Soico pelo tema que escolheu, muito bem organizado e que está aqui a trazer um conjunto de temas extremamente interessantes”, considerou Alexandre Mano.

Por seu turno, Taís, advogada de profissão, em entrevista ao jornal O País, explicou que veio à Moztech para saber mais sobre cibersegurança, uma vez que há, nos últimos tempos, crimes relacionados com o uso da Internet.

“Acho que é relevante, sim, porque agora estamos num contexto em que existem muitos ataques cibernéticos e muitos riscos com o uso da Internet, especialmente nas fintech”, disse Taís.
Os participantes da Moztech, que são provenientes de diferentes sectores de actividades, mostraram-se satisfeitos com o evento.

A BCX Moçambique, empresa especializada no desenvolvimento e apoio à transformação digital em três sectores críticos para a economia do país: mineração e energia, serviços financeiros e sector governamental, procedeu, esta quarta-feira, na 11 edição do Moztech, o lançamento de uma plataforma na núvem denominada “BCX ALP CLOUD”.

O projecto traz inovações tecnológicas para o país, que vão contribuir para o melhoramento do ambiente de negócios.

Falando no acto do lançamento da plataforma, no segundo painel da Moztech, o Director-executivo da BCX, Jonas Bogoshi, disse que esse acto constiui um momento histórico para a empresa, que opera em Moçambique desde 2005.

“É um dia especial, não só para mim ou na minha vida, mas também para a vida da BCX Moçambique. Hoje lançamos a BCX ALP CLOUD. A parceria entre a BCX e Alibaba Cloud traz para Moçambique uma das melhores plataformas do mundo”, disse.

Jonas Bogoshim explicou ainda que a plataforma foi lançada na África do Sul, no ano passado, sendo Moçambique o segundo país a beneficiar do projecto. Justificou que a escollha do país prende-se ao facto de ser um exemplo no que diz respeito ao desenvolvimento.

“A aposta em Moçambique enche-nos de esperanças, pois acreditamos que esta plataforma vai contribuir para a qualidade da tecnologia neste país. Vamos, com os nossos serviços, fazer a diferença pela forma como olhamos para o desenvolvimento tecnológico”.

Por seu turno, o Eric Wan, responsável pela Alibaba Cloud, empresa voltada para o mercado de computação em núvem, entende que a aposta em novas soluções tecnológicas vai permitir o avanço do país na área de tecnologias.

Intervindo na Moztech, Wan acrescentou que a parceria com a BCX tem como foco melhorar a qualidade dos serviços tecnológicos tendo como foco a satisfação dos clientes.
“Trazemos uma nova concepção de como lidar com a tecnologia em Moçambique, através de inovações que vão permitir maior dinâmica em vários sectores”.

Para Jan Bouwer as soluções propostas pela BCX são relevantes para o desenvolvimento tecnológico no país. Disse também, na sua intervenção, que as inovações tecnológicas são uma oportunidade para a África desenvolver-se rapidamente.

O Instituto Nacional de Tecnologoias de Informação e Comunicação (INTIC) desafiou a BCX a inscrever-se, tendo em conta que esta é a única instituição na qualidade do provedor desses serviços.
“Já há muitas empresas que se inscreveram no INTIC. A nossa luta é que mais empresas possam juntar-se a nós. Todos estamos a trabalhar para o mesmo objectivo, que passa por melhorar a qualidade dos serviços tecnológicos no país”, explicou Louruno Chemane, PCA do INTIC.

Durante o lançamento da plataforma, a BCX assinou um memorando de entendimento com a Universidade São Tomás de Moçambique (USTM), que vai permitir que haja troca de serviços entre as duas instituições.

 

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