O País – A verdade como notícia

A tensão pós-eleitoral poderá comprometer o desempenho económico do país, no fecho deste ano. O Banco de Moçambique diz que a economia pode cair e prevê subida de preços. 

Em geral, o crescimento económico deste ano já não estava a ser grande coisa, quando comparado com o do ano passado, e, agora, com a tensão pós-eleitoral, a situação pode piorar. 

Segundo o Banco Central, num relatório publicado, na sexta-feira, sobre conjuntura económica e perspectivas de inflação, se, em termos cumulativos, nos primeiros nove meses do ano passado, a economia cresceu 5,6%, de Janeiro a Setembro de 2024, o crescimento foi de apenas 3,8%.

E para o futuro breve, o Banco Central não tem boas notícias para a atividade económica do país. 

Segundo o Banco, “no curto prazo, excluindo a produção de GNL (Gás Natural Liquefeito), prevê-se uma desaceleração da actividade económica, a traduzir o funcionamento condicionado da economia, decorrente dos efeitos da tensão pós-eleitoral”.

Isto quer dizer que o sector que vai manter o crescimento é o do gás, que, em geral, não assegura uma maior redistribuição do poder de compra, até porque o país exporta matéria-prima, o que não dá espaço para criação do efeito multiplicador.

Normalmente, os economistas consideram que o crescimento económico, quando alto, pode compensar a inflação, se ele for impulsionado por sectores que permitem uma distribuição do poder de compra. Mas, neste caso, o crescimento económico vai desacelerar e, como se não bastasse, os preços terão de subir.

E a situação já não tinha sido muito boa em Outubro, porque a inflação anual acelerou para 2,68 %, a reflectir, sobretudo, o aumento dos preços dos bens alimentares.

Para o curto prazo, as perspectivas apontam para uma aceleração da inflação anual, a traduzir, essencialmente, as restrições no fornecimento de bens e serviços decorrente dos efeitos da tensão pós-eleitoral

Recorde-se que, apesar destas perspectivas de aceleração da inflação, o Banco de Moçambique reduziu, recentemente, a taxa de juro de referência, de 13,50% para 12,75%. Numa sequência de seis vezes consecutivas, rumo ao anunciado um dígito em 36 meses, contados desde o início do ano.

O ministro dos Transportes e Comunicações diz que a Fly Modern Ark cumpriu com o seu mandato, que era devolver a sustentabilidade das Linhas Aéreas de Moçambique e torná-las mais competitivas no mercado. Mateus Magala pede paciência para que a companhia de bandeira volte a ser robusta.

Durante mais de um ano, a empresa sul-africana Fly Modern Ark esteve à frente das Linhas Aéreas de Moçambique, com a missão de revitalizar e tornar a companhia de bandeira mais competitiva no mercado.

Falando à imprensa, nesta sexta-feira, o ministro dos transportes e comunicações disse que a sul-africana cumpriu com sucesso a sua missão. 

A companhia estava insolvente. Significa que ia fechar as portas. E eles, em menos de um mês, mostraram que não, não estava insolvente. Só isso é muito. São milhões de dólares. Milhões de dólares, em um mês. Então, se nós não conseguimos apreciar isso como um passo positivo, penso que não seremos razoáveis. 

E mais. Magala disse ainda que a Sul-africana introduziu novas rotas. 

“Estamos aí em Portugal, mas não só ao nível nacional; Há mais frequência, etc. Na verdade, nós fizemos uma pequena análise na semana antepassada. E constatamos que todas as rotas nacionais, com exceção de uma, que penso que é Tete-Maputo, numa ida ou numa direção, é que ainda tem uma pequena deficiência em termos de lucro ou rendimento. As outras são rentáveis”.

Mateus Magala diz que é preciso mais tempo para que os resultados sejam mais visíveis.

Ora, um ano passou. Certamente, estamos dentro das nossas previsões de que o assunto é complexo e precisa de tratamentos diversos. A primeira fase foi realmente tentar estabilizar. Portanto, reduzir todas aquelas reclamações que havia. O avião atrasou, o avião não saiu, o avião voltou, o preço é incomportável. Penso que conseguimos atingir isso. Essa discussão já não existe. Mas agora é daí para lá. O que é que fazemos? Temos que aumentar a frota, temos que ter uma frota nova,  temos que melhorar o nosso serviço, porque esse é o nosso objetivo. E isso, certamente, requer tempo, recursos e conhecimento”, disse.

Sobre a rota Maputo-Lisboa, que já registou cancelamento e reprogramação de voos, Magala diz que é preciso ter paciência.

Mas, certamente, como qualquer negócio, quando começa, começa com algum investimento. Alguns chamam custo, mas se temos um horizonte em que nós confiamos que vamos poder recuperar esse custo, eu chamo isso de investimento.  Então, nessa primeira fase, ainda não estamos na área positiva que nós queremos, mas penso que, dentro de um a três anos, vamos estar na rota de rentabilidade, nessa rota, por causa da reestruturação e modernização dos serviços que queremos oferecer na rota Maputo-Lisboa”, defendeu.  

Mateus Magala falava à margem do lançamento do projecto Internet Para Todos.

As receitas de exportação de gás natural extraído em Moçambique foram de 901 milhões de dólares durante o primeiro semestre do presente ano, o que significa um crescimento em 33% em relação a igual período de 2023, segundo o Relatório Semestral da Balança de Pagamento e Posição de Investimento Internacional, publicado pelo Banco de Moçambique.

O relatório indica que “o incremento nas receitas do gás natural é explicado pelo aumento do volume exportado, associado ao início da exploração e exportação do gás da área 4 da Bacia do Rovuma, num contexto em que, no mercado internacional, o preço médio baixou 28%”. 

Simultaneamente, houve registo de crescimento nas receitas de energia eléctrica, com uma produção de 349 milhões de dólares, um acréscimo de 68 milhões de dólares, quando comparado com o desempenho do primeiro semestre de 2023.

O documento aponta para um crescimento de 24 por cento no sector da energia, resultante do incremento da produção e ajustes tarifários implementados pela empresa exportadora aos principais clientes no segundo semestre de 2023 e início de 2024.

Contrariamente ao crescimento supra-indicado, houve mau desempenho em alguns produtos, como, por exemplo, carvão mineral, que rendeu ao país 1025 milhões de dólares, menos 19,3 por cento face a igual período de 2023. A diminuição “deveu-se, principalmente, à queda em 32%, do preço médio no mercado internacional”, lê-se no documento.

Outros produtos que tiveram um desempenho negativo durante o primeiro semestre foram o alumínio e as areias pesadas. Ainda citando o relatório do banco central, o país rendeu 480 milhões de dólares, a um decréscimo de 15%, que reflecte a diminuição do volume de exportação. A referida redução “é consequência da contracção da produção influenciada pela avaria registada nos equipamentos em 2023”. 

 

ÁFRICA DO SUL FOI O PRINCIPAL PAÍS DE ORIGEM DAS IMPORTAÇÕES MOÇAMBICANAS

No período em análise, a factura de importação de bens reduziu 2,6%, fixando-se em 4210,3 milhões de dólares, porém a África do Sul foi a principal origem das importações moçambicanas, com o peso de 24,6 por cento, que corresponde a 1034,6 milhões de dólares. Dos principais produtos que o país adquiriu na África do Sul, destacam-se a energia eléctrica, automóveis para transporte de mercadorias, barras de ferro e milho.

A China é o segundo país que mais vendeu bens e serviços para Moçambique, com um peso de 16,2%, com o fornecimento de tractores, pesticidas, máquinas pesadas e automóveis para transporte de mercadorias. Singapura, Índia e Emirados Árabes Unidos fecham a lista dos países que mais venderam bens e serviços para Moçambique durante os primeiros seis meses de 2024, com 20,1 por cento de importações avaliadas em 562,5 milhões de dólares.

 

POSIÇÃO LÍQUIDA DEVEDORA DE MOÇAMBIQUE AGRAVOU-SE FACE AO EXTERIOR

Dados do Relatório Semestral da Balança de Pagamentos e Posição de Investimento Internacional indicam que a posição líquida devedora de Moçambique face ao exterior se agravou em 257,1 milhões de dólares no fim do II trimestre de 2024 em relação ao I trimestre do corrente ano, tendo-se o saldo situado em 71 524,9 milhões de dólares.

Dados publicados pelo Banco de Moçambique indicam que “a economia moçambicana reduziu a procura por recursos financeiros de não residentes para financiar as suas necessidades de consumo e investimento em 12,5%, tendo-se o saldo conjunto das contas corrente e de capital situado em 1 244,2 milhões de dólares”. Ademais, o resultado negativo deve-se, segundo a instituição financeira, à contratação de défice da corrente em 14,2 por cento fixado em 1305,8 milhões de dólares e, por outro lado, à diminuição do saldo superavitário da conta capital em 39,0%.

O documento refere, outrossim, que “as transacções económicas entre Moçambique e o resto do mundo resultaram num saldo global superavitário de 112 milhões de dólares, o que contribuiu para o aumento dos activos de reserva da autoridade monetária”. Entretanto, as reservas internacionais brutas fixaram-se em 3705,4 milhões de dólares, montante suficiente para cobrir 3,1 e 4,9 meses de importação de bens e serviços.

O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique reduziu a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, de 13,50% para 12,75%. 

O Banco Central explica, em comunicado enviado ao “O País”, que a “decisão é sustentada pela contínua consolidação das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo, não obstante as incertezas quanto à duração da tensão pós-eleitoral e o seu impacto sobre os preços de bens e serviços”.

A sessão do CPMO foi precedida da reunião do Comité de Estabilidade e Inclusão Financeira do Banco de Moçambique, que fez uma avaliação do risco sistémico e principais vulnerabilidades, igualmente reflectida no comunicado, e concluiu que o sistema financeiro nacional continua sólido e resiliente.

“As perspectivas da inflação mantêm-se em um dígito, no médio prazo. Em Outubro de 2024, a inflação anual fixou-se em 2,7%, após 2,5% em Setembro. A inflação subjacente, que exclui as frutas e vegetais e bens com preços administrados, manteve-se estável. A manutenção das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo, reflecte, essencialmente, a estabilidade do Metical e o impacto das medidas tomadas pelo CPMO”, lê-se no documento do Banco Central.

“Perspectiva-se, no médio prazo, um crescimento económico moderado. No terceiro trimestre de 2024, o crescimento do produto interno bruto (PIB), excluindo o gás natural liquefeito (GNL), situou-se em 2,8%, após 3,6% no trimestre anterior, e antevê-se que se mantenha modesto até finais de 2024. Quando incluído o GNL, o PIB cresceu 3,7%, após 4,5% no trimestre anterior. Apesar da prevalência de incertezas quanto aos impactos da tensão pós-eleitoral e dos choques climáticos na produção agrícola e nas infra-estruturas diversas, prevê-se, no médio prazo, que a actividade económica cresça de forma moderada.”

A pressão sobre o endividamento público interno mantém-se elevada. A dívida pública interna, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 408,1 mil milhões de Meticais, o que representa um aumento de 95,7 mil milhões em relação a Dezembro de 2023.

O sector bancário mantém-se sólido, capitalizado e resiliente. Em Outubro de 2024, os rácios de solvabilidade e de liquidez fixaram-se em 25,8% e 48,6%, respectivamente, cifras acima dos níveis mínimos regulamentares, de 12,0% e 25,0%. Por seu turno, os rácios de rendibilidade dos activos (ROA) e dos capitais próprios (ROE) mantiveram-se em níveis satisfatórios, fixando-se em 4,3% e 17,9%, respectivamente.

O risco sistémico, que avalia o potencial efeito de contágio decorrente de perturbações no sector bancário, manteve-se no nível moderado. Este comportamento reflecte a manutenção da recuperação gradual da actividade económica e da desaceleração da inflação, não obstante a exposição do sector bancário a factores climáticos adversos e ao crescente endividamento público.

As reservas internacionais mantêm-se em níveis confortáveis. As reservas internacionais brutas, excluindo grandes projectos, situam-se em níveis suficientes para cobrir cerca de cinco meses de importações de bens e serviços. 

As taxas de juro do mercado monetário continuam a reduzir. A taxa de juro de referência para o crédito, Prime Rate, continua a reduzir em linha com as decisões de política monetária.

O mesmo comportamento observa-se nas taxas de juro que os bancos praticam com os seus clientes. Adicionalmente, o crédito à economia continua a aumentar. A avaliação dos riscos e incertezas associados às projecções da inflação mantém-se favorável. Destacam-se como possíveis factores de contenção da inflação, no médio prazo, a estabilidade do Metical e a redução dos preços das mercadorias no mercado internacional, não obstante as incertezas quanto à duração da tensão pós-eleitoral e o seu impacto sobre os preços de bens e serviços.

O CPMO, segundo o comunicado, continuará com o processo de normalização da taxa MIMO no médio prazo. O ritmo e a magnitude continuarão a depender das perspectivas da inflação, bem como da avaliação dos riscos e incertezas subjacentes às projecções do médio prazo. 

De acordo com o banco, a próxima reunião ordinária do CPMO está marcada para o dia 27 de Janeiro de 2025.

Os Governos de Moçambique e de Malawi lançaram, esta terça-feira, em Blantyre, o Projecto de Facilitação da Mobilidade e do Comércio Transfronteiriço de Pequena Escala. Financiada pelo Banco Mundial, no âmbito do Projecto de Comércio e Conectividade da África Austral (PCCAA), a iniciativa introduz o “Cartão de Facilitação de Mobilidade Transfronteiriça (e-Pass)”, que visa modernizar a gestão fronteiriça e impulsionar o comércio nos Corredores de Nacala e da Beira.  

A cerimónia contou com a presença de ministros, diplomatas, líderes comunitários dos dois países e representantes da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

O e-Pass, apoiado pelo Sistema de Informação e Análise de Dados de Migração (MIDAS), permitirá simplificar os processos de circulação fronteiriça, reduzir custos e desbloquear novas oportunidades económicas, especialmente para as mulheres, que constituem 70% dos comerciantes de pequena escala nas comunidades transfronteiriças. 

Em representação de Moçambique, o director-geral do INACE, Dr. Armando Pedro Muiane, apelou ao compromisso total da OIM na implementação do projecto, agradecendo ao Banco Mundial pelo apoio contínuo. 

O ministro da Segurança Interna do Malawi salientou o impacto do projecto na integração regional e no desenvolvimento de um comércio sustentável.

Os chefes de Missão da OIM destacaram o papel essencial dos Governos dos dois países no sucesso da iniciativa, sublinhando que este projecto poderá servir de inspiração para outras acções semelhantes na região, promovendo uma migração segura e eficiente.

Tende a aumentar o número de pessoas adultas com pelo menos uma conta de moeda electrónica no país. “Salienta-se a seguinte informação: manutenção da tendência para aumento das contas de moeda electrónica por cada 100 adultos, que se fixaram em 99%, no 3.º trimestre, após 95% no 2.º trimestre, associada às campanhas de angariação de clientes realizadas ao nível nacional pelas instituições de moeda electrónica”, refere o mais recente relatório de inclusão financeira do Banco de Moçambique.

No tocante a contas bancárias, o Banco de Moçambique refere que em cada 100 adultos, 30,9 possuíam pelo menos uma conta bancária entre Julho e Setembro, contra 32,5 no trimestre anterior, o que representa um incremento de 5%, impulsionado pela simplificação dos requisitos para abertura de contas.

No seu mais recente relatório, o regulador do sistema financeiro nacional destaca, ainda, a redução, entre o 2.º e 3.º trimestres, de cartões bancários por cada 100 adultos, de 19,0 para 17,0 cartões, devido à descontinuidade de algumas linhas de cartões.

Os indicadores de inclusão financeira do Banco de Moçambique apresentam informação estatística referente ao 3.º trimestre do ano em curso, nas dimensões de acesso geográfico, acesso demográfico e uso dos serviços financeiros no país, com desagregação por género e área (urbana e rural).

O documento inclui, igualmente, a distribuição dos pontos de acesso aos serviços financeiros nos 154 distritos de Moçambique.

No período em referência, observou-se, no geral, uma variação positiva de 47% no total de pontos de acesso em relação ao trimestre anterior, impulsionada pelo incremento significativo dos agentes de moeda electrónica, que cresceram 60% entre Junho e Setembro de 2024. 

“Esta expansão reforça a inclusão financeira em áreas previamente menos servidas, contribuindo para um acesso mais amplo e equitativo a serviços financeiros em todas as regiões do país”, refere o Banco de Moçambique.

O sector das pescas já atingiu uma produção de 71 por cento do planificado para o presente ano, isto é, 372 286 toneladas de pescado de Janeiro a Outubro. A cifra representa um crescimento na ordem de 6 por cento, quando comparado a igual período de 2023.

De acordo com a ministra do Mar, Águas Interiores e Pescas, Lídia Cardoso, o sector artesanal foi um dos que mais produziu, com 95 por cento do que já foi conseguido até esta parte. Segundo o Governo, 420 398 pessoas praticam este tipo de pesca em todo o país.

Entretanto, a pesca ilegal é um dos grandes problemas que minam o desempenho do sector, segundo a governante. Cardoso diz ainda que, apesar dos esforços para combater o mal, o Estado Moçambicano se debate com limitações relativas a recursos para o seu controlo.

“A pesca ilegal acontece em duas vertentes: aquela que nós vemos nas nossas comunidades, a fazerem com uso de redes nocivas, que danificam o ecossistema marinho e fazem a captura de recursos em fase embrionária; e aquela pesca ilegal que nós conhecemos, de grande dimensão, que ocorre em vários países do mundo e temos dificuldades de fazer o controlo”, lamentou.

Entretanto, o Governo afirma estar presente na costa em trabalhos de fiscalização.

Segundo a governante, o aumento dos níveis de produção neste subsector resulta do envolvimento dos Conselhos Comunitários de Pesca no processo de recolha da informação estatística da pesca artesanal nos centros de pesca não cobertos pelo Sistema de Amostragem da Pesca Artesanal. 

 

Aquacultura ganha espaço nas províncias

Neste momento, mais de 23 mil pessoas em todo o país, principalmente nas províncias, estão envolvidas em projectos de aquacultura, sector que, nos últimos tempos, tem estado a oferecer muitas oportunidades, de acordo com o Governo.

Falando no âmbito da veda da captura do camarão e caranguejo do mangal, em todo o território nacional, a governante apelou para o cumprimento escrupuloso do período, a fim de permitir que as fêmeas façam sua reprodução natural até à próxima época.

O período de veda e de defeso visa a recuperação, manutenção e garantia da exploração sustentável da espécie.

O camarão de superfície no país encontra-se no banco de Sofala, baía de Maputo, foz do rio Limpopo e no distrito de Govuro, sendo que, no banco de Sofala, se iniciou no dia 15 de Novembro corrente e estende-se até Março de 2025. Neste local, a captura é efectuada através da frota industrial, semi-industrial e artesanal.

Quanto ao caranguejo do mangal, o período de veda e defeso arrancou na primeira quinzena de Novembro e vai até Janeiro próximo. “A veda de polvo nas províncias de Inhambane, Nampula e Cabo Delgado, iniciar-se-á em Janeiro de 2025 e irá até Fevereiro”, referiu a governante, que fez saber que, durante este período, os pescadores estão autorizados a efectuar a captura de outro tipo de pescado, citando o exemplo o atum, lagosta, polvo e kapenta.

“Ficam interditos de algum transporte, manipular, processar ou vender novos lotes de camarão de superfície e caranguejo do mangal”, disse a fonte.

Em 2023, foram capturadas 7150 toneladas de camarão de superfície, mais 2150  toneladas do que o conseguido no presente ano, que é de 5000 toneladas. Já a captura do mangal conheceu uma desaceleração, sendo que no presente ano foi de 6100 toneladas, contra 7150 do ano transacto.

Nesta quarta-feira, o mundo assinala o dia “Dia Mundial da Pesca”, e, para celebração do efeméride, o Governo de Moçambique tem programadas várias actividades culturais, a saber: actividades náuticas (canoagem e natação), espectáculos musicais, teatro, palestras de consciencialização para a pesca sustentável, entre outras.

Com a promoção destas actividades culturais, o Governo pretende que seja desenvolvida uma pesca responsável e sustentável, mobilizando os pescadores artesanais para cumprirem deveres de cidadania e formalizando esta actividade por meio de registo, pagamento de impostos, taxas e inserção no sistema de segurança social.

“Esperamos a partilha de oportunidades de registo do negócio em toda a cadeia de valor da   bpesca e aquacultura, mobilizar a sociedade no combate à pesca ilegal, poluição marinha e corte ilegal do mangal”, disse Cardoso durante a cerimónia de lançamento das festividades.

420 398 

Número total de pessoas que praticam pesca artesanal em todo o país

De acordo com o governo, a pesca artesanal contribui em 95 por cento do pescado de Janeiro a Outubro do presente ano. 

A Província de Inhambane comercializou, nos últimos quatro anos, cerca de 70 mil toneladas de castanha de caju, grande parte no mercado nacional.
Os pequenos processadores da castanha de caju dizem que encontram dificuldades para certificar a castanha produzida naquela província.

Inhambane é o terceiro maior produtor de castanha de caju do país, mas, apesar disso, não tem nenhuma indústria de processamento. Por outro lado, existem pequenos processadores cuja capacidade de processamento está abaixo de mil toneladas por ano. Para estes, o grande problema tem que ver com a certificação da castanha produzida em Inhambane.

O preço de venda da castanha de caju no exterior é outro problema enfrentado pelos processadores que muitas vezes preferem vender no mercado local.

Os distritos produtores da castanha de caju dizem que deve haver incentivos para atrair investimentos para o processamento industrial da oleaginosa.

O governador de inhambane revela que, nos últimos cinco anos, foram implantados três milhões de mudas de cajueiro ao mesmo, que eram tratados 700 mil árvores por ano. Estes números permitiram um aumento da produção da castanha de caju.

Os intervenientes falavam em Inhambane durante o Fórum Provincial do caju, um evento que juntou, na mesma mesa, produtores, processadores, compradores e o regulador, para discutir as melhores estratégias de produção da oleaginosa.

 

A África debate-se com uma grande crise referente à falta de acesso a cozinha limpa, que afecta 1,2 mil milhões de pessoas em todo o continente e leva a mortes prematuras anualmente. Os líderes políticos africanos e parceiros reforçaram, nesta terça-feira, a necessidade de mais investimento para o alcance de uma solução.

A sessão da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas do corrente ano (COP29) sublinhou a necessidade de soluções inovadoras e colaboração para oferecer opções de cozinha seguras e sustentáveis às comunidades africanas.

Cerca de 83% da população na África subsaariana depende de combustíveis tradicionais de biomassa, o que tem graves repercussões na saúde, no ambiente e na economia. A dependência de combustíveis poluentes custa aproximadamente 791,4 mil milhões de dólares por ano, sendo os impactos relacionados com a saúde estimados em 526,3 mil milhões de dólares.

O vice-presidente da Tanzânia, Philip Mpango, diz ser inaceitável que as mulheres continuem a morrer por não terem acesso a soluções de cozinha limpa. Philip Mpango apelou ainda para que se dê prioridade aos investimentos em infra-estruturas de cozinha limpa e se apoiem “políticas que permitam o acesso de todos a soluções de cozinha sustentáveis e a preços acessíveis. Isto é essencial, não só para a saúde, mas também para o desenvolvimento económico e a sustentabilidade ambiental”.

A preocupação com a salvação do ambiente é tão grande que o director da Comissão Africana de Energia (AFREC), Rashid Abdallah, anunciou o lançamento do Programa Africano de Cozinha Limpa, destinado a criar um plano de acção para melhorar o acesso à cozinha limpa em todo o continente.

“Procuramos criar uma plataforma em que os Estados-membros possam aprender uns com os outros e partilhar as melhores práticas”, disse Rachid Abdallah, que apresentou também os resultados do novo relatório “Sustainable Scaling: Meeting the Clean Cooking Challenge in Africa”.

Segundo o documento, cerca de mil milhões dos 2,3 mil milhões de pessoas sem acesso a cozinha limpa em todo o mundo encontram-se em África e o continente perde anualmente cerca de 3,9 milhões de hectares de floresta devido a práticas de cozinha não sustentáveis.

Em corroboração com os resultados apresentados pelo relatório de Abdallah, Kevin Kariuki, vice-presidente do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento para a Electricidade, Energia, Clima e Crescimento Verde, reagiu dizendo que cozinhar de forma limpa não é apenas uma questão de saúde, é uma questão de dignidade humana.

“Não podemos permitir que as nossas irmãs e mães sofram em silêncio enquanto temos o poder de mudar esta situação. Temos de mobilizar pelo menos 4 mil milhões de dólares por ano para alcançar o acesso universal à cozinha limpa até 2030”, avançou Kevin Kariuki.

Em Maio de 2024, numa cimeira realizada em Paris, o presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, Dr. Akinwumi Adesina, comprometeu-se a atribuir 20% do financiamento do banco a projectos energéticos que promovam alternativas de cozinha limpa, ajudando a garantir 2,2 mil milhões de dólares em compromissos dos sectores público e privado para melhorar as práticas de cozinha em toda a África.

As discussões no fórum da Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas   enfatizaram a integração da cozinha limpa em estratégias mais amplas de acesso à energia para garantir que nenhum africano seja deixado para trás na mudança para a energia sustentável.

Fatih Birol, director-executivo da Agência Internacional de Energia, apelou a uma acção de colaboração. “Temos o conhecimento e as ferramentas para fazer a diferença. É imperativo que nos unamos, governos, sector privado e sociedade civil, para implementar soluções inovadoras que garantam que todas as famílias tenham acesso a uma cozinha limpa. Não se trata apenas de uma questão de saúde, trata-se de criar um futuro sustentável para todos”, afirmou.

Damilola Ogunbiyi, directora-executiva e representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para a Energia Sustentável para Todos, salientou a urgência, referindo as dificuldades diárias enfrentadas pelas mulheres que passam horas a recolher combustível e sofrem com a poluição do ar interior. “Temos de garantir que as soluções de cozinha limpa cheguem a todos os cantos de África para proteger a vida das mulheres e das crianças”, avançou.

 

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