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O ministro da Economia reafirmou o compromisso do Governo em criar um ambiente mais propício para o desenvolvimento das  Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME). Basílio Muhate falava, nesta quinta-feira, durante a reunião com a Associação Nacional de Jovens Empresários de Moçambique (ANJE). 

Realizou-se hoje um encontro entre o ministro da Economia, Basílio Muhate, e a Associação Nacional de Jovens Empresários de Moçambique (ANJE), com o objectivo de ouvir as preocupações e desafios enfrentados pelos jovens empresários do país. A reunião teve como foco principal a busca de soluções conjuntas e ajustadas para as dificuldades actuais que o país enfrenta, com especial ênfase para as MPME, lideradas por jovens.

Durante o encontro, Muhate destacou a importância do apoio às MPME como um pilar essencial para o crescimento sustentável da economia nacional. Reconheceu que, apesar das dificuldades macroeconômicas, as Pequenas e Médias Empresas lideradas por jovens têm demonstrado uma resiliência admirável e um grande potencial de inovação e criação de emprego.

Por sua vez, os representantes da ANJE apresentaram um conjunto de preocupações e sugestões, incluindo a necessidade de um ambiente de negócios mais favorável, acesso facilitado a crédito, capacitação técnica e empresarial, e a redução da burocracia para o estabelecimento e funcionamento das empresas. A Associação também sublinhou a importância da inclusão digital e da adaptação às novas tecnologias como forma de garantir a competitividade das empresas jovens no mercado global.

Basílio Muhate reafirmou o compromisso do Governo em criar um ambiente mais propício para o desenvolvimento das MPME, particularmente as lideradas por jovens. Ele assegurou que as propostas apresentadas pela ANJE serão cuidadosamente analisadas, e que novas medidas serão tomadas para enfrentar os desafios mencionados, com destaque para a promoção do acesso ao financiamento, a simplificação de processos e o fortalecimento das capacidades empreendedoras.

O encontro terminou com o compromisso de uma colaboração contínua entre o Ministério da Economia e a ANJE, visando a criação de um ecossistema empresarial mais robusto e sustentável para os jovens empresários de Moçambique.

Houve aumento significativo de preços dos produtos de primeira necessidade no país, no mês de Janeiro, de acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas. Na cidade de Maputo, os munícipes dizem que estão sufocados e pedem redução dos preços.

O nível geral de preços aumentou 4.7 por cento de Janeiro de 2024, para Janeiro de 2025. É isso o que dizem os dados do Índice ao Consumidor do Instituto Nacional de Estatística. 

Segundo o INE, o aumento é justificado pelo incremento dos preços dos produtos alimentares de primeira necessidade, uma realidade verificada nos principais mercados e supermercados da Capital do país. Quem vai às compras fala de novos preços, todos os dias.

O telefone serve de calculadora e a lista é actualizada no local, tudo para comprar apenas o imprescindível. Os munícipes clamam pela redução dos preços através da adopção de políticas económicas. 

Recorda-se que a inflação mensal de Dezembro de 2024 foi de 4,15%,  influenciada pelos aumentos em produtos alimentares e bebidas não alcoólicas.

A Empresa Hidroeléctrica de Cahora-Bassa (HCB) prevê contribuir, este ano, para os cofres do Estado com cerca de 18 milhões de Meticais.

Esta informação foi avançada, esta terça-feira, pelo presidente do Conselho de Administração da HCB. 

Segundo Tomás Matola, citado pela Rádio Moçambique, a empresa vai continuar a dar o seu contributo na melhoria das condições de vida das comunidades.

“ Através da sua política de responsabilidade social, a HCB apoia a Educação; construção de escolas, aquisição de carteiras e vários outros apoios que têm a ver com o sector da Educação. A HCB apoia o sector da Saúde através da construção de hospitais e centros de saúde. Nos distritos, ainda em finais do ano passado, inauguramos um Centro de Saúde no distrito de Mueda, província de Cabo Delgado e vários outros apoios que incluem também a aquisição de equipamentos e apetrechamento de hospitais e centros de saúde” , afirmou o presidente do Conselho de Administração da empresa.

A CTA diz que há empresas que não mais voltarão a funcionar, depois dos protestos pós-eleitorais, por falta de capacidade e dinheiro para a sua recuperação. A informação foi revelada nesta segunda-feira pelo sector privado, que manteve um encontro com o Ministério da Economia, no qual apresentou algumas propostas de solução para a actual crise.

 

O Ministério da Economia abriu as suas portas, nesta segunda-feira, para receber o sector privado, num encontro que visa encontrar caminhos para a recuperação da economia afectada pela onda de protestos no país.

Depois do encontro, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, disse que ainda está a fazer o levantamento dos prejuízos decorrentes dos protestos, mas já há cenários previsíveis.

“Estamos a fazer o estudo, neste momento, até em conjunto o Ministério da Economia, para ver e avaliar qual é que foi o valor da destruição até agora, mas, claramente, há muitas centenas de empresas que não vão voltar a abrir, umas por falta de capacidade, outras por falta de moeda para comprar e requalificar a sua indústria e outras, simplesmente, por destino”, revelou Paulo Oliveira, porta-voz da CTA.

E para a recuperação da economia, os empresários propuseram ao Governo alguns caminhos. 

“Trazemos um conjunto de medidas em que nos possam ser aliviadas algumas cargas, deferimento, alguns impostos. Viemos, também, com algumas propostas reais para que a economia do nosso país possa desenvolver-se, nomeadamente, a requalificação da Estrada Nacional Número Um, que é muito importante. É a nossa espinha dorsal e onde passa toda a mercadoria de Norte a Sul. Trouxemos, também, preocupações com taxas, nomeadamente dos combustíveis e, igualmente, falamos da questão das portagens, de arranjarmos modelos que sejam mais sustentáveis e que sejam mais confortáveis para todos os utilizadores. Defendemos o modelo de utilizador–pagador”, enumerou Paulo Oliveira.

Já o Ministério da Economia destaca que este tipo de encontro com o sector privado vem para ficar e é uma plataforma de diálogo para se achar uma bola de oxigénio para recuperação económica.

“É um mecanismo que pretendemos consolidar centrado numa análise mais pragmática sobre medidas de curto, médio prazo estruturais ao processo da nossa transformação económica, mas, claramente, voltada para o que podemos fazer para recuperar a nossa economia, sobretudo naquelas centralidades geográficas que foram as mais afectadas. Refiro-me à cidade e província de Maputo”, referiu Claire Zimba, porta-voz do Ministério da Economia.

Neste encontro, o sector privado fez-se representar por uma delegação de 30 empresários. 

Mais de 15 empresas estão em risco de fechar as portas devido à dificuldade de realizar importações associada à escassez de moeda estrangeira no país. A informação foi avançada pelo sector privado, que disse, nesta quinta-feira, que o défice continua a minar o ambiente de negócio.

Há quase um ano que o sector privado reclama do défice de moeda estrangeira no mercado financeiro, o que, em várias ocasiões, foi rebatido pelo Banco de Moçambique, que afirma estar a fazer de tudo para manter os níveis mínimos para evitar o colapso do mercado. Entretanto, o sector privado diz não sentir o efeito de tais acções do banco central na resolução do problema que mina o futuro de muitas empresas, que, por falta de divisas, deixaram de realizar importações.

Trata-se de empresas dos sectores da indústria de transformação e de turismo, sendo que, neste último, as companhias aéreas internacionais suspenderam a emissão dos bilhetes em algumas agências a partir de Moçambique, devido à dificuldade de repatriar a respectiva receita que deve, sempre, ser em dólar.

“O volume agregado das operações de compra e venda tendeu a aumentar do primeiro ao terceiro trimestre de 2024, tendo crescido cerca de 13%. Desagregando os dados, pode-se perceber que esse crescimento do turnover resultou do rápido aumento das compras de moeda externa dos bancos comerciais aos seus clientes em 18%, contra um crescimento menor de 7% das vendas dos bancos comerciais aos seus clientes”, explicou Agostinho Vuma.

O sector privado diz ainda que o ano de 2024 foi dos mais difíceis para o sector económico, período em que os bancos comerciais chegaram a funcionar por um mínimo de 5,5 milhões de dólares. A situação continua, disse Agostinho Vuma que falava nesta quinta-feira, em conferência de imprensa.

De acordo com os “patrões” as estimativas mostram que em 2024, os bancos comerciais absorveram dos seus clientes liquidez em moeda externa de cerca de 1,8 mil milhões de dólares, de forma acumulada. Então, porque os bancos comerciais aumentaram as compras líquidas aos seus clientes? A primeira razão estaria ligada ao comportamento dos passivos e activos líquidos. O que aumenta a tendência de redução dos activos líquidos.”

Para além das evidências de que a liquidez em moeda externa não está a fluir dos bancos comerciais para os clientes, a CTA apresentou uma lista de empresas com facturas submetidas aos bancos comerciais para pagamento e que, tais solicitações, não tinham sido satisfeitas. Os valores desta lista apresentada ao Banco de Moçambique estavam estimados em 402 milhões de dólares no terceiro trimestre de 2024.

Entretanto, como forma de pressionar o Banco de Moçambique a tomar medidas urgentes,  os empresários vão submeter dentro de uma semana junto do banco central, as facturas de solicitação de pagamento.  

De acordo com Agostinho Vuma, “chegados a este nível, e dado que o Banco de Moçambique diz que está disposto a resolver os problemas das empresas porque não problemas de liquidez em moeda externa, a CTA vai reunir todas empresas que tenham pedidos de pagamentos de facturas de importação e/ou termos de compromissos em aberto há mais de três meses, mas que não tenham sido satisfeitos para submeter nos seus escritórios as respectivas cópias para que possam ser encaminhadas ao Banco de Moçambique para o respectivo pagamento.”

O Banco de Moçambique sancionou nove instituições de crédito e sociedades financeiras com penas de multa, por violação de normas prudenciais, de prevenção e combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, cambiais e de protecção do consumidor de produtos e serviços financeiros.

As instituições em causa são: Multicâmbios, E-Mola, Banco Letshego, Banco Société Générale Moçambique, Banco Comercial e de Investimentos, Absa Bank Moçambique, Moza Banco, First National Bank e Ecobank Moçambique.

Das nove instituições financeiras, o E-Mola e o  Banco Comercial e de Investimentos (BCI) são as que mais infracções cometeram entre 2023 e 2024, de acordo com o Banco de Moçambique, e deverão pagar multas de mais de 40 milhões de meticais.

 

MULTAS E VIOLAÇÕES COMETIDAS PELAS INSTITUIÇÕES

A Multicâmbios, de acordo com o Banco de Moçambique, tera de pagar  1 251 692,40 MT (um milhão, duzentos e 2023 cinquenta e um mil, seiscentos e noventa e dois meticais e quarenta centavos), pelo facto de não ter  registado as operações cambiais e nao ter normas de controlo interno.

O E-Mola teve uma multa no valor de 44 979 782,00 MT (quarenta e quatro milhões, 2023 novecentos e setenta e nove mil, setecentos e oitenta e dois meticais) pelas seguintes infracções: Constituição inadequada do conselho de administração e das comissões de trabalho; Falta de estabelecimento de políticas e procedimentos destinados a enfrentar riscos relacionados com a prevenção e combate ao branqueamento de capitais e nanciamento do terrorismo; Falta de comunicação de transacções em numerário acima dos limiares; Falta de planos de acção para resolver as causas de reclamações de clientes e incumprimento do prazo para o tratamento de reclamações); Criação e gestão inadequada da moeda electrónica em circulação; Disponibilização de produtos e serviços de pagamento electrónico sem comunicação prévia ao BM e Realização de transacções fora da rede única nacional de pagamentos electrónicos.

Banco Letshego tem uma multa no valor de 1 434 085,00 MT (um milhão, quatrocentos e 2023 trinta e quatro mil e oitenta e cinco meticais).

Entre as violações, destaque vai para: inobservância do prazo de resposta às notificações do BM, no âmbito de processos de reclamações de clientes e prestação de informação falsa susceptível de induzir a conclusões erróneas sobre o cumprimento do dever de resposta às notificações do BM em sede de tratamento de reclamações.

O Banco Société Générale Moçambique tem uma multa de 4 015 438,00 MT (quatro milhões, quinze mil, 2023 quatrocentos e trinta e oito meticais), pela inobservância do prazo de resposta às notificações do BM, no âmbito de processos de reclamações de clientes.

O Banco Comercial e de Investimentos deverá pagar mais de 44 milhões de meticais devido a várias infracções, entre elas: a inobservância do prazo de resposta às notificações do BM, no âmbito de processos de reclamações de clientes; Contratação de derivados over-the-counter (OTC) sem autorização do BM; Falta de registo e reporte de derivados OTC; Violação do dever de aplicação de medidas de diligência reforçada na constituição da relação de negócio com uma cliente PEP (pessoa politicamente exposta);  Violação do dever de aplicação de medidas reforçadas proporcionais aos riscos em relação às operações realizadas em uma conta bancária, entre outras.

O Absa Bank Moçambique tem uma multa de mais de 3 milhões de meticais pelas seguintes violações: Contratação de derivados OTC sem autorização do BM (ALC e Aviso do BM); Falta de registo e reporte de derivados OTC (ALC e Aviso do BM); Violação do dever geral de verificação e informação na realização de operações cambiais (ALC e Aviso do BM) e Violação do dever de registo.

O Moza Banco  tem de pagar 900 000,00 MT (novecentos mil meticais) por violar o dever geral de verificação e informação na realização de operações cambiais. O First National Bank também tem de pagar o mesmo valor, pela mesma infração.

Já o Ecobank Moçambique tem uma multa no valor de 894 066,00 MT (oitocentos e noventa e quatro 2024 mil e sessenta e seis meticais)  por violar o prazo regulamentar para submissão ao BM do relatório e contas referente ao exercício económico de 2023.

As referidas normas foram violadas entre Dezembro de 2023 e Dezembro de 2024.

O Governo vai alienar 91% das acções do Estado na empresa Linhas Aéreas de Moçambique por negociação particular. O executivo autorizou, ainda, as empresas públicas EMOSE, CFM e HCB a adquirirem a participação do Estado na empresa.

Com o valor a ser arrecadado com a venda das acções do Estado, estimado em 130 milhões de Dólares, o Governo diz que pretende adquirir oito novas aeronaves e investir na reestruturação da empresa.

“Na verdade, aqui está a se dar uma forma indirecta de gestão desta empresa e o que se prevê é que estas empresas utilizem regras de gestão  das empresas de caráter internacional. Desta forma, julgamos que os accionistas poderão não só ter maior controlo sobre o dinheiro que vão gastar,  mas também utilizem regras que vão permitir acompanhar a vida normal da empresa”, explicou o porta-voz do Governo, alertando que, por se tratarem de empresas do sector empresarial do Estado, estas deverão prestar informação periódica ao Governo.

Falando, esta terça-feira, após mais uma sessão do Conselho de Ministros, o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, disse que serão alocados 8 mil milhões de Meticais para apoiar na reconstrução das infra-estruturas destruídas pelo ciclone CHIDO.

O Conselho de Ministros apreciou, também, o plano de acção dos primeiros 100 dias de governação, que tem como prioridade: Estabilidade Social e Política, Educação, Saúde, Combate à corrupção, Emprego e Juventude, Infraestruturas e serviços públicos, Justiça, Agricultura e segurança alimentar, Crescimento económico e mobilização de recursos e Gestão de recursos naturais. “Algumas destas acções já estão a ser implementadas desde a tomada de posse deste Governo” garante Impissa.

Sobre o ano lectivo que arrancou oficialmente no dia 31 de Janeiro último,  Inocêncio Impissa fez saber que, dos cerca de 13 milhões de livros necessários para os alunos, 12 milhões já se encontram nas províncias e em processo de distribuição para as escolas.

O custo do dinheiro vai manter-se inalterado durante todo o mês de Fevereiro. A decisão é da Associação Moçambicana de Banco.

Quem for contratar, renovar ou renegociar a dívida com o banco no mês de Fevereiro vai passar a pagar uma taxa mínima de 19%, que é prime rate dos bancos, usada como referência pela Associação de bancos. Isto abrange transacções entre os bancos e as empresas e famílias. 

Isto não é nenhuma contrariedade ao anúncio do Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique, que reduziu a taxa de juro de política monetária de 12.75% para 12.25%. Uma espécie de um preço que os bancos pagarão ao Banco Central como juro, se de lá fossem buscar dinheiro. 

Mesmo assim, a Associação Moçambicana dos Bancos olha de forma positiva a redução da taxa  MIMO, pelo Banco Central.

Neste momento, a Associação Moçambicana de Bancos está a fazer o levantamento dos danos causados pelas manifestações, e reconhece ter sido bastante devastada.

Para além da taxa MIMO, o Banco de Moçambique decidiu também reduzir o coeficiente de reservas obrigatórias de 39% para 29%.

Situada em 435,6 mil milhões de Meticais, um aumento de 20,1 mil milhões face a Dezembro do ano passado, O Banco de Moçambique alerta que a dívida pública está, neste momento, num nível muito elevado e precisa de ser controlada, sob risco de se agravar e atingir uma fasquia insustentável. Porém, as reservas internacionais mantêm-se em níveis confortáveis. 

Segundo o governador da instituição, Rogério Zandamela, a quitação da dívida que o país tem no exterior vai depender do comportamento da actividade económica, neste momento descrita como de incertezas, devido aos protestos pós-eleitorais eleitorais que se registam no país há três meses, responsáveis pela devastação de bens públicos e privados.

Zandamela afirma que a retoma da normalidade só pode ser possível “se a economia crescer de uma maneira razoável, aumentado receitas, com uma certa forma de controlo da situação fiscal”, não obstante a necessidade de adequação de políticas cruciais para o impulsionamento da economia.

“Estamos a falar da necessidade de reformas profundas na área do ambiente de negócios, investimentos, de toda uma série de entraves que impedem a economia de arrancar e crescer ao seu potencial. Com certeza, quando essas coisas acontecerem, podemos, com uma certa segurança, afirmar que a economia vai começar a crescer e acelerar”, afirmou Rogério Zandamela.

Para o alcance deste desiderato, o trabalho deve ser multisectorial e abrangente, afirma o dirigente, que aponta o Governo como o guia. Para este, “o controlo da economia é uma agenda ampla, complexa e difícil. Por isso, não só depende do Banco de Moçambique”.

Sobre o impacto dos protestos pós-eleitorais na economia nacional, o Banco de Moçambique não apresenta números, uma vez que a avaliação dos impactos ainda está em curso em várias instituições, mas afirma que o sector em particular foi muito castigado. Os bancos comerciais tentam, neste momento, reerguer-se após a destruição das infra-estruturas.

“É difícil para qualquer um de nós saber como é que vamos sair disso. O que posso dizer é que tudo depende de nós, colectivamente, e, de forma colegial, devemos trabalhar para que essa seja uma realidade do passado. Essas coisas não se resolvem também de um dia ou outro,  porque são, pela sua natureza, de diálogo, de entendimento”, explica Zandamela.

Como resultado das destruições e vandalização de empresas, o banco central não tem dúvidas de que vários bancos irão sofrer devido a créditos mal parados, originados pelo facto de que muitas empresas fecharam as portas e dispensaram boa parte da sua massa laboral.

“Com as danificações da infra-estrutura, não só da actividade, os bancos sofreram muito, é preciso dizer isso. Balcões danificados, ATM que foram severamente danificados, em alguns casos, até algumas viaturas deles foram danificadas, não foram poupadas dessa tensão pós-eleitoral. Então, a crise pode ser muito mais abrangente do que nós pensamos. O crédito malparado vai começar a indicar que há problemas, empresas, famílias, que normalmente pagavam o seu crédito e já não estão em condições de honrar esses compromissos.  Alguns, até conhecemos, têm cara, são coisas abstractas”, concretizou a fonte, afirmando que a inflação pode disparar nos próximos dias.

Rogério Zandamela falava na segunda-feira, em Maputo, durante o evento de anúncio da redução da taxa de juros da Política Monetária, onde o Banco de Moçambique decidiu reduzir a taxa MIMO de 12,75% para 12,25%, uma redução de 0,50% do custo de dinheiro nos bancos comerciais para empresas e famílias.

De acordo com o banco, “a decisão decorre da manutenção das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo, não obstante o aumento dos riscos e incertezas associados às projecções, com destaque para os decorrentes da tensão pós-eleitoral, o risco fiscal e os choques climáticos.”

Para além desta medida, o Comité de Política Monetária decidiu reduzir os coeficientes de reservas obrigatórias para os passivos em moedas nacionais, de 39% para 29%, uma redução de 10 pontos percentuais. Em moeda estrangeira, a redução foi de 39,50%  para 29,50%. As mexidas vão possibilitar a facilitação e a disponibilidade de mais liquidez para apoiar a economia na reposição da capacidade produtiva e da oferta de bens e serviços.

No encontro, que contou com a presença de quadros do bancos e representantes dos bancos comerciais, o Governo deu a conhecer os níveis de inflação. “As perspectivas da inflação mantêm-se em um dígito no médio prazo. Em Dezembro de 2024, a inflação anual aumentou para 4,15%, depois de 2,84% em Novembro, a reflectir a redução da oferta de bens e serviços decorrente da tensão pós-eleitoral.”

Entretanto, as incertezas associadas às projecções da inflação aumentaram. De acordo com o banco “destacam-se, como factores de aumento da inflação, no médio prazo, os impactos da tensão pós-eleitoral, dos choques climáticos e do agravamento da pressão sobre a despesa pública, num contexto de reduzida capacidade de financiamento”. A instituição explica que o ritmo e a magnitude continuarão a depender das perspectivas da inflação, bem como da avaliação dos riscos e incertezas subjacentes às projecções do médio prazo.

“Patrões” felizes com reduções, mas apontam pecados

Em relação às mexidas da taxa MIMO e reservas obrigatórias em moeda nacional e estrangeira, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, diz que as medidas vão facilitar o acesso a empréstimos pelo empresariado. Os “patrões” dizem, entretanto, que o banco central deveria obrigar a banca a estender o prazo para cobrar juros de mora devido ao contexto de crise pós-eleitoral.

Falando em conferência de imprensa, os “patrões” afirmam que a medida é acertada, porém deve ser acompanhada por várias acções e medidas. “Apesar de se tratar de uma medida positiva, que vem trazer algum alívio ao mercado e recuperar, paulatinamente, a confiança, ela peca por ser bastante conservadora, diferentemente da postura assumida no momento da subida da mesma, onde duplicou, e atendendo ao fundamento do Banco de Moçambique para manter as taxas directoras altas, segundo o qual existe um elevado nível de liquidez no mercado”, disse Paulo Oliveira, do pelouro da informação na CTA.

O sector privado, que afirma que esta foi a única medida por enquanto atendida no universo do quadro proposto ao Governo em Novembro passado, acusa o banco central de nada ter feito para melhorar a economia. Segundo o sector privado, “o Banco de Moçambique sugou moeda externa do mercado através das reservas obrigatórias estimadas em 1,8 milhões de dólares. Adicionalmente, o banco central sugou cerca de 286 milhões de dólares através de compras diversas de divisas no mercado.”

De acordo com a CTA, o banco central, em coordenação com o Governo, deve, de forma urgente, arranjar mecanismo de facilitação de pagamentos das dívidas que muitas empresas têm para com os bancos centrais, à margem da queda do ambiente normal dos negócios no país.

“Actualmente no mercado, temos muitas empresas com facturas de importação não pagas há mais de 9 meses e com os respectivos termos de compromisso em aberto. Estes constrangimentos de liquidez em moeda estrangeira poderão afectar o processo de importação de equipamentos e acessórios das empresas afectadas pelas manifestações pós-eleitorais, atrasando, assim, a retoma das actividades produtivas pelas mesmas”, explicou Oliveira. 

Sobre a suspensão de projectos financiados pelos Estados Unidos da América, a CTA e o Banco de Moçambique divergem em observações. Enquanto o sector privado afirma categoricamente que a medida vai penalizar o ambiente de negócios durante o primeiro trimestre do presente ano, o banco central diz ser prematuro fazer tais projecções, uma vez que a notificação dos EUA não contém detalhes suficientes.

Para o director-executivo da CTA, Eduardo Sengo, “sem dúvidas, as actuais medidas decretadas pelos EUA vão afectar a entrada de divisas via projectos paralisados que estavam em curso e que tinham financiamento directo do país hoje liderado por Donald Trump. Reconhecemos que estes projectos também faziam parte da fonte de entrada de divisas e que alimentam as reservas nacionais.”

Tal como o Banco de Moçambique, a CTA tem dificuldades em fazer projecções do crescimento económico a curto e longo prazo devido às incertezas face à onda de protestos no país, porém são unânimes na visão de que as decisões do actual Governo liderado por Daniel Chapo visam implementar políticas urgentes para o aprimoramento da economia bastante lesada pelos protestos-pós eleitorais.

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