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O País – A verdade como notícia

Foram lançadas, esta segunda- feira, em Maputo, duas obras de autoria do escritor moçambicano, Hélder Muteia. Com a primeira, intitulada “Como a História nos Fez Pátria e Nação”, o autor defende que o país registou avanços na criação das bases para a consolidação da ideia de Estadonação.

Muteia explica que, não obstante a diversidade etnolinguística e cultural de que Moçambique é característico, a pátria una e a história comum abriram caminho para a construção de uma cultura e identidade próprias.

“A conclusão que se pode tirar daquilo que eu escrevo, é que a história nos conduziu a uma situação que nós hoje somos uma nação, uma pátria, e que os moçambicanos estão a construir a sua identidade cultural,
social e política. Estamos, conjuntamente, a construir um ideal comum e esta é que é a minha perspectiva e há muitos desafios que os coloco nos diferentes textos para reflexão de cada um dos moçambicanos. Naturalmente que nenhuma pátria está encerrada em termos de construção. Este é um processo dinâmico, mas o mais importante é que, como Moçambique, nós já temos uma identidade, uma perspectiva, plataforma, história e sonho comum, que é de tornar esta pátria muito sólida e que pertença aos moçambicanos, livre dos grandes problemas que alguns deles nos afectam, que são os conflitos e as crises, mas juntos poderemos encontrar solução”, detalhou Muteia.

Não fugindo tanto à poesia ou ao conto, desta vez, o autor traz, também, uma análise sobre o país nas dimensões social, económica e agro-alimentar.

Já na obra “Passo a Passo”, a segunda, Muteia traz reflexões sobre algumas realidades do país, tais como a velha discrepância entre o trabalho e o salário, o comércio informal transfronteiriço, o mercado negro e o transporte público.

“Por exemplo, eu explico a natureza do fenómeno mukhero, que é uma realidade moçambicana e o seu impacto económico. Explico, também, o fenómeno ‘txova xita duma’, como se aplica no nosso contexto e qual é a sua origem. Explico o fenómeno chapa- 100 de forma didáctica e falo de outros conceitos económicos, como por exemplo, vantagens comparativas, competitivas no contexto moçambicano. Procuro trazer os temas que parecem complexos da economia e da sociedade e abordá-los de forma muito simples, digeríveis para o cidadão comum”, concluiu Muteia.

Hélder Muteia, natural de Quelimane, nasceu a 21 de Setembro de 1970, é escritor, político e profissional do sector agropecuário moçambicano.

Formado em medicina veterinária pela UEM, mestrado em agroeconomia pela Universidade de Londres, é coordenador da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) para África Central.

Entre as obras por si publicadas, constam “Verdades dos Mitos” (1988); “Nhambaro” (1996); “Sonhos ao Avesso” (2009); “Vozes de Sangue” (1988), “Reflexões sobre a agricultura, ambiente, desenvolvimento
rural e alimentação” (2015) e “O barrigudo e outros contos” (2018).

A agro-pecuária é, em Moçambique, uma actividade tida como elemento impulsionador do desenvolvimento local. Os administradores de Doa Boane e Mapai partilharam, na 3ª edição da Mozgrow, da Fundação Soico, as suas experiências locais que estimulam o crescimento económico nesses distritos.

Moçambique é rico em diversas culturas e o seu uso racional pode contribuir para um agronegócio sustentável. Em Doa, província de Tete, por exemplo, o grande potencial é a agricultura. Para Impulsionar a produção local, a administração integrou os agricultores em associações, de forma a dar assistência e formação para a promoção das culturas, explicou Henrique Mandava, Administrador de Doa.

A administração trabalha com os extensionistas agrários distribuídos por vários pontos do distrito, de modo a trazerem produtos com qualidade para competir no mercado de comercialização com alguma categoria.

 

DESENVOLVIMENTO LOCAL NO DISTRITO DE MAPAI

Um outro distrito que tem visto resultados no agronegócio é Mapai, província de Gaza. A administração apostou na pecuária, por ser um dos grandes vectores de desenvolvimento local e, para impulsionar a produção animal, o Governo distrital optou por apostar nos recursos humanos e o resultado desta acção foi o aumento da renda familiar.

Este trabalho resumiu-se na identificação do efectivo que lida com o gado bovino e reforçar a acção por meio da formação para que tenha a capacidade de fazer o diagnóstico das principais doenças que afectam os animais.

 

DESENVOLVIMENTO LOCAL NO DISTRITO DE BOANE

O distrito de Boane, na província de Maputo, tem um elevado potencial, tanto na agricultura como na pecuária, entretanto apostou na produção de hortícolas. Para incrementar esta cultura, o posto administrativo reabilitou três sistemas de regadios e construiu mais um. Como resultado, explica Tereza Mawai, administradora de Boane, hoje o distrito tem hortícolas em todos os anos e o agronegócio tem crescido naquela região.

O especialista em genética bovina, Ricardo Remondino, sugere uma produção pecuária que não se limite apenas à criação, mas também que congregue todo o processo, como o processamento, conservação e distribuição do gado e seus derivados.

Partilhando a experiência do seu país sobre a actividade pecuária, Remondino disse que a produção animal à escala industrial depende muito das políticas estratégicas que um país adopta.

“A região sul da América e o continente africano, no seu todo, enfrentam quase os mesmos problemas. É que, às vezes, as nossas políticas não nos levam a uma estabilidade ao longo do tempo.”

Ricardo Remondino considera que a fragilidade das políticas no sector pecuário fez com que o gado registasse desequilíbrios na sua produção ao longo de alguns anos, tendo apontado Argentina como exemplo das suas asserções.

“Hoje, podemos estar com mais ou menos 3 milhões de cabeças, o que nos faz estar em 1º lugar, mas, amanhã, podemos cair para sexto ou oitavo lugar”, disse Remondino.

Remondino foi cauteloso ao afirmar que um plano de políticas de produção pecuária não se concebe de noite para o dia.

“É necessário juntarmos todos os actores da cadeia de valor, tentarmos encontrar uma ideia comum, delimitarmos um ponto focal e começarmos a trabalhar”, acautelou.

Falando especificamente de Moçambique, o especialista, acredita que, a princípio, o país tem o potencial de conquistar um lugar de destaque na produção pecuária, mas, para tal, é preciso um plano bem definido com uma estratégia adequada às condições que o país possui.

“Moçambique pode, paulatinamente, criar um plano a longo prazo, tomando em consideração o facto de a maioria dos criadores do gado ser do sector familiar. Portanto, esse plano deve espelhar estes aspectos”, rematou.

Entre outros subsídios, o especialista argentino propõe para Moçambique uma produção pecuária competitiva, com olhos postos para o mercado externo.

Ricardo Remondino falava, esta sexta-feira, na terceira edição da plataforma MozGrow, cujo painel estava subordinado ao tema “Povoamento Pecuário”.

A raça do gado bovino, denominada “Senepol,” faz do Brasil o país com o maior rebanho do mundo e, segundo Itamar Netto, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Bovinos, a raça é propícia para a sua criação em Moçambique.

“Os cruzamentos de Senepol, não importa qual raça seja, não têm contra-indicações, podendo, junto das raças existentes em Moçambique, resultar numa melhor reprodução”, afirmou Itamar Netto.

Um dos grandes desafios na criação de gado bovino, que no país é feita maioritariamente por produtores familiares, é a falta de condições para confinar os animais num único lugar. Para o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Bovinos, a raça Senepol é propícia em qualquer região de pasto.

“A raça Senepol sobrevive em qualquer situação climatérica e é capaz de se adaptar em relevos ou altos ou baixos. Portanto, garanto que esta raça não é refém do confinamento”.

Itamar Netto aponta, igualmente, a reprodução precoce da raça Senepol como uma das vantagens para a multiplicação desta espécie. É que já aos 16 meses, este tipo de gado bovino já dá indícios de reprodução.

“Após os 16 meses, a raça Senepol, ao ser colocada a pasto, num curto espaço de tempo, começa a mostrar sinais de reprodução.”

A raça Senepol está presente no Brasil há mais de 20 anos e acredita-se que teria resultado da juncão de duas raças, uma africana, especificamente do Senegal, e outra europeia, concretamente da Inglaterra.

Itamar Netto falava na terceira edição da Mozgrow, no painel subordinado ao tema “Diversificação de raças em bovinos”.

Os gestores de aquacultura reflectiram, neste último dia da terceira edição da Plataforma MOZGROW, sobre o “Desenvolvimento da cadeia de valor da aquacultura”. Para Rafael Rafael, José Vedar e Mateus Bila, políticas protecionistas podem ajudar a estimular o sector. No entanto, há quem entende que Moçambique não tem condições para satisfazer a procura do pescado apenas com a produção nacional.

 

Durante a sessão subordinada ao tema “Desenvolvimento da cadeia de valor da aquacultura”, os gestores participantes referiram-se aos caminhos que o país deve percorrer para estimular o sector. Nesse sentido, Rafael Rafael, Gestor do CEPAQ, foi categórico: “Nós devíamos vedar a entrada de tilápia. Tenho conhecimento de que há produtores que não têm mercado fácil a nível nacional para colocação da tilapia, mesmo neste momento que a indústria é incipiente. Se nós continuarmos a receber a tilápia de fora, nunca iremos desenvolver a indústria nacional. Eu sou da opinião que devemos limitar a entrada da tilápia em Moçambique”.

A posição de Rafael Rafael foi apoiada por José Vedar, para quem a protecção do comércio da tilápia é necessária. “Qualquer país faz isso. Mesmo os Estados Unidos de América têm problemas com a China. Eles protegem o seu comércio com medidas. Não têm vergonha e nem receio de ninguém. O nosso país pode tomar estas medidas, e, fazendo isso, vai obrigar o sector privado a produzir em quantidade e qualidade para o mercado”.

Entretanto, de acordo com Proprietário da empresa Tilápia do Bilene (Província de Gaza), não é só a produção da tilápia que constitui um desafio para o sector. “Nós temos outro desafio, que é a questão da importação do carapau. O carapau tem estado a assegurar, digamos assim, uma proteína barata para a nossa população. É barata porque o Estado está a subsidiar. Se esse subsídio ou parte desse subsídio for direccionado para a produção da tilápia, para que os custos de produção sejam mais baixos, imediatamente, a tilápia começa a ser consumida no mercado com uma maior frequência. O preço vai estabilizar e comparar-se ao do carapau. É incompreensível que estejamos a receber tilápia da China”.

Ainda que a posição de Rafael e Vedar tenha encontrado apoio em Mateus Bila, Gestor do Programa de Desenvolvimento REM/ RMPPO, Selso Cuaira, Director de Serviços no IDEPA, clarificou: “O Governo deve proteger a produção nacional porque contribui para o desenvolvimento do nosso país. O que os colegas estão a dizer é verdade. Precisamos de proteger a nossa tilápia, mas é preciso que este mesmo Governo garanta que haja disponibilidade de alimentação para o povo. Neste momento, temos um défice de 80 mil toneladas de pescado em Moçambique. A produção nacional ainda não garante a quantidade a nível interno. O Governo não pode apenas decidir proteger a tilápia interna em detrimento da importação porque, neste momento, não vai conseguir satisfazer as necessidades”. Por isso mesmo, o Director de Serviços no IDEPA salientou que Moçambique continua a importar a tilápia para corresponder as necessidades do povo. “A médio prazo, é do interesse do Governo produzir para sustentabilidade da questão do consumo interno. Portanto, há necessidade de protegermos a produção interna, mas não podemos cortar neste momento”.

As palavras de Cuaira tiveram eco em Vicente Ernesto, Director de Produção de Aquapesca. “A nossa aquacultura não é suficiente para abastecer o mercado nacional. Não podemos dizer que a veda vai nos garantir maior produção da aquacultura neste momento”. Ao invés da proibição da importação da tilápia, o Director de Produção de Aquapesca acredita que o principal objectivo para o desenvolvimento da cadeia de valor da aquacultura é o investimento na infra-estrura, nas vias de acesso. “Temos de ter fontes de energia e vias de acesso para transportar os insumos e comercializar”. E José Vedar sublinhou que os pequenos produtores nacionais precisam de assistência tecnológica e de insumos que não existem no país.

Ano passado, o Governo aprovou uma estratégia para o desenvolvimento da aquacultura e, nos últimos anos, Moçambique passou de uma produção de 800 toneladas para 3 mil. Mas por que investir na aquacultura? Selso Cuaira explicou: “O que o mar nos dá para o consumo humano tem estado a diminuir. A aquacultura tem sido a componente que tem contribuído para a disponibilidade do pescado para o consumo humano”.

No painel que discutiu “Os desafios da produção de carnes vermelhas”, na plataforma Mozgrow, os intervenientes concordam que há boas perspectivas para o aumento da produção de carne bovina no país, mas é preciso melhorar as políticas e o financiamento aos produtores.

Jorge Zitha, produtor de carne bovina, afirma que não é fácil criar gado em Moçambique, por diversas razões. “Precisamos de uma linha de crédito adequada para o gado. Não é fácil trabalhar com esta actividade. O SUSTENTA devia ser mais abrangente e abarcar a componente pecuária. Precisamos de apoio tanto quanto os que trabalham na agricultura”, refere.

Quem corrobora com o produtor Zitha, é Alexandre Rafael, representante da Canelfood Alimentar, ao defender que é preciso melhorar às políticas que incentivam o sector familiar a produzir.

Por outro lado, Américo da Conceição, Director Nacional do Desenvolvimento Pecuário, explicou que, em termos de produção de carnes, no país, cerca 70 por cento provém do sector familiar.

Ainda assim, Inácio Matsinhe, Director da Dhocolo Bovinos e Serviços, defende que é preciso fazer mais. “Entendo que a criação familiar é algo tradicional e ninguém pode multiplicar a produção tendo em conta apenas isso”.

O frango nacional já é consumido no país. Mas persistem desafios para que esse produto chegue à mesa de todos os moçambicanos e comece a ser exportado. Essas são algumas das ideias partilhadas esta manhã, no painel que discutiu o “Desenvolvimento e competitividade do sector avícola”, no último dia, da 3ª edição da Mozgrow.

O Secretário Executivo da Associação Moçambicana da Indústria Avícola (AMIA), Zeiss Lacerda, entende que o frango nacional já conseguiu penetrar nos mercados das grandes superfícies. “Isso deve-se ao facto de o frango nacional ter muita qualidade e, na maior parte dos supermercados já é possível encontrá-lo. Entretanto, continuamos com o desafio de ter a ração ideal para uma boa produção. Mas creio que em cinco anos podemos ter progressos e começar a exportar”.

Uma ideia partilhada por Rui Gomes, produtor de frango em Mahubo, na província de Maputo, “acho que atingimos o topo de produção e temos frango nacional no mercado. Temos que criar condições para que Moçambique produza insumos para avicultura, suficientes para este mercado. No entanto para mim o processo de exportação ainda vai demorar em torno de 20 anos ou mais. Temos muitos desafios”, disse.

Por seu turno Jorge Mondlane, CEO da Tongasse Alimentos SA, acredita que a autossuficiência de produção de frango é uma realidade que estamos quase a alcançar. “Precisamos de mais intervenientes no meio do processo de produção de cereais para avicultura. Nosso objectivo é chegar aos consumidores de baixa-renda. Porque a classe média e a alta têm uma diversidade de opções. Quando os mais carentes querem uma moela, patinhas, carcaça para levar à sua mesa. Por isso este segmento é o nosso foco, para que possamos chegar ao nível de o frango começar a ser um substituto do carapau, por exemplo. Se chegarmos a este nível, conseguimos começar a exportar, em 10 anos no máximo”, rematou.

Já Andrew Cunningham, fundador e PCA da Novos Horizontes, diz que Moçambique está muito perto da autossuficiência de frango nacional, “mas temos de ter formas de armazenar o milho para que durante todo o ano possamos alimentar o sector da avicultura”.

O exemplo vem de um agro-sivicultor que, em décadas, construiu uma floresta, onde produz cacau, hortícolas, feijões e através dela travou efeitos dos ventos e das inundações que eram preocupação da região onde está instalado no Estado da Bahia, no Brasil.

Num contexto em que as mudanças climáticas estão a produzir impactos negativos na produção agrícola em todo o mundo, o homem está a procurar soluções para fazer frente a desafios futuros. No Brasil, surge um agente revolucionador, que, através da sua iniciativa desenvolvida numa área de 500 hectares, mostrou ao mundo que é possível produzir comida sem agredir o meio ambiente.

A iniciativa é do suíço Ernst Ghostsch que hoje é conhecido como pai da agricultura sintrópica e tem vindo a rodar o mundo para mostrar os resultados do seu trabalho. À Mozgrow, o agro-sivicultor revelou a essência do seu trabalho. “Procuramos reverter a tendência dos últimos mil anos em que houve um afastamento em relação à floresta. Através desta iniciativa, integramos culturas alimentares dentro da dinâmica da floresta”, explicou Ghostsch para depois avançar que não poderia estar mais feliz com os resultados obtidos.

“A minha produção está mais do que satisfatória, está acima do valor médio da região e eu não só produzo cacau, mas também, em resultado dessa interação com a floresta, tenho um constante melhoramento das terras que utilizo, sem uso de adubo trazido de fora, sem irrigação, nem agrotóxicos”, salientou.

O agricultor revelou ainda que usa a estratégia de poda de ramos e folhas de árvores plantadas que acabam por ser matéria orgânica para alimentar a sua plantação de cacau. “Isso resulta numa quantidade imensa dessa matéria que fica na terra; esse exercício dá-me entre 80 e 140 toneladas de material fresco por ano. Isso faz com que eu tenha disponibilização altíssimo e natural de nutrientes para as minhas culturas. Além do cacau, nesse local, produzimos as hortícolas, frutícolas feijões, milho entre outras culturas”, detalhou.

O agro-sivicultor reitera que, quando comprou o espaço, as autoridades consideravam que era inapropriado para a produção do cacau, por serem consideradas terras pobres. Sem adubos, nem outros aditivos, através das árvores que conseguiu enriquecer os solos em cinco anos e ter boa produção e produtividade. Um dado mais interessante é que, além das espécies por ele plantadas, germinam outras espécies que eram inimagináveis naquele local. O milho, soja, tomate, papaia entre outras culturas crescem sem nenhum tipo de aditivos e os frutos são de elevada qualidade.

O especialista disse, ainda, que além de produzir comida, a sua actividade está a trazer soluções para problemas resultantes das mudanças climáticas. “Antes, havia problemas de água e, quando chovia, tínhamos inundações, mas agora a realidade é outra. Antes, tínhamos problemas de ventos fortes que danificavam as infra-estruturas, mas hoje o ecossistema é mais equilibrado”.

No final da entrevista, quando questionado se Moçambique tem ou não capacidade de embarcar no mesmo sentido, o agro-sivilcultor recorreu às três visitas que fez ao nosso país para dizer que é possível. “Um país como o vosso, com muita população rural muito criativa, não é impossível acontecer. O que pode faltar nesse sentido são bons exemplos que podem estimular essa vontade. Trata-se de um país rico, o que resta é saber explorar esse potencial”, concluiu Ghostsch.

O uso do pó de rocha na agricultura impulsiona a actividade agrícola em cerca de cinco à 50 por cento, em função da aplicação do produto na terra, garantiu António Bizão, um dos participantes da III edição da plataforma Mozgrow.

Este sistema é uma alternativa de fertilizante natural que fortalece a lavoura. António Bizão, especialista em adubação, defende que o uso deste método agrícola é sustentável e barato.

A aplicação deste sistema significa o retorno do período em que a agricultura era bastante produtiva bem como rentável, avançou o especialista, acrescentando que a produção com base na química contraria o ciclo da natureza, explicando que, “até porque este tipo de adubação pode ajudar, entretanto não é sustentável”. Por isso, na busca de novas alternativas, Bizão viu a necessidade de recorrer ao método natural e de fácil acesso.

Uma das principais causas que fragiliza o sistema de fertilização química é o grande consumo de energias fósseis para a produção de alimentos, o que gera questionamento. “Se não houver mais energias fósseis, a humanidade vai perecer”, afirmou Bizão, que explica que por este motivo optou em voltar para as práticas remotas de forma a garantir não, apenas, uma agricultura sustentável, mas, também contribuir para um bom estado do ecossistema a longo prazo.

O especialista agrícola garante que a produção que provem da adubagem do pó de rocha, para além das inúmeras vantagens, é, também, indigesta a pragas por conta da sua composição e dos nutrientes que passa à produção, o que gera uma barreira para que os vermes não destruam as plantações.

António Bizão diz que embora este sistema não seja actual, assegura que é inovador e pode ser um grande aliado para o desenvolvimento da economia local.

De todos os produtores que operam em Moçambique, cerca de 97 por cento são do sector familiar, de todos eles, 95 não usam produtos agroquímicos, o que constitui uma vantagem na aplicação deste sistema, que pode contribuir na redução significativa da agricultura química e empobrece a qualidade do solo, gerando ácido clorídrico que destrói os micro-organismos do solo.

Bizão aponta ainda, a necessidade de o Governo moçambicano implementar o processo de rochagem no país e deixar à disponibilidade da sociedade de forma a criar uma independência agrícola.

O especialista reitera que aplicar este processo, é apostar numa agricultura sustentável e sublinha a grande vantagem dos solos moçambicanos não terem consumido ainda muitos químicos.

 

 

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