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O País – A verdade como notícia

LAM reforça frota com duas aeronaves Embraer

As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) receberam, duas aeronaves Embraer, que passam a integrar o processo de renovação e reforço da frota da transportadora nacional.

LAM reforça frota com duas aeronaves Embraer

As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) receberam, duas aeronaves Embraer, que passam a integrar o processo de renovação e reforço da frota da transportadora nacional.

O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, inaugurou, nesta quarta-feira, a Secção 3 da Vulcan Moçambique, localizada no distrito de Moatize, província de Tete. Considerada a primeira mina eléctrica do País, a nova infra-estrutura introduz equipamentos movidos a energia eléctrica com o objectivo de reduzir o impacto ambiental da actividade mineira e aumentar a capacidade de produção de carvão.

A Secção 3 representa uma nova etapa para a indústria extractiva nacional. A unidade passa a operar com escavadoras, basculantes e outros equipamentos de grande porte alimentados por energia eléctrica, tornando-se a primeira mina em Moçambique a adoptar este modelo de exploração.

Durante a cerimónia de inauguração, o ministro dos Recursos Minerais e Energia afirmou que a introdução desta tecnologia permitirá reduzir significativamente os níveis de poluição sonora e as emissões de poeira, contribuindo para uma exploração mineira mais eficiente e ambientalmente sustentável. Segundo o governante, o projecto representa também um importante avanço na modernização do sector mineiro e reforça o compromisso do País com práticas de produção mais responsáveis.

Por sua vez, o CEO da Vulcan Moçambique, Mukesh Kumar, revelou que o empreendimento representou um investimento de cerca de 160 milhões de dólares norte-americanos. Explicou que, além da produção de carvão, o projecto prevê a construção de uma central eléctrica própria para assegurar o fornecimento de energia às operações da mina, aumentando a eficiência operacional e reduzindo a dependência de fontes externas de energia.

Com uma capacidade estimada de 900 mil toneladas de carvão por mês, a nova secção deverá reforçar a produção nacional, aumentar as exportações do minério e consolidar a posição de Moçambique como um dos principais produtores de carvão da região.

Os agentes económicos dizem que a falta de uma relação saudável entre o sector público e o privado pode ser um dos principais problemas que dificultam o acesso ao financiamento pelas empresas nacionais. Os pronunciamentos foram feitos nesta quinta-feira, durante a divulgação das métricas empresariais da FUNDEC.

As dificuldades de acesso ao financiamento do sector empresarial no País não são de hoje, mas continuam a tirar o sono ao sector privado.

Durante os painéis de discussão promovidos pela FUNDEC, nesta quinta-feira, os empresários voltaram a sentar-se à mesa para debater as razões da persistência das dificuldades de acesso ao financiamento, apesar da disponibilidade de verbas por parte das instituições financeiras internacionais. Os agentes económicos dizem que a falta de uma relação saudável entre o sector público e o privado pode ser um dos principais problemas que dificultam o acesso ao financiamento das empresas no País.

A solução para o financiamento das empresas e para a empregabilidade depende do investimento público, com a promoção de grandes projectos. Outras soluções passam pela gestão dos riscos. A curto e médio prazo, defende-se que o Estado deverá trabalhar para a redução dos riscos sistémicos.

Inocêncio Paulino | Presidente Honorário da APME

Eu acredito que esta relação pouco saudável entre o sector privado e o sector público também pode estar a contribuir negativamente. Por vezes, é necessário um no objection ou uma aceitação por parte do Estado ou, por exemplo, de um determinado sector a nível distrital. Imaginemos que seja no sector da energia: o ministério competente, por vezes, tem de reconhecer que determinado projecto é relevante, importante e que contribui para a melhoria das condições de vida da população em várias dimensões.

Mas, como não existe esta troca de informação nem complementaridade de esforços, estas linhas de financiamento destinadas às PME podem acabar por ficar comprometidas. Basta olhar para o custo do dinheiro. Estamos a falar de taxas acima dos 20%. É muito difícil, em Moçambique, encontrar um negócio que gere mais de 30% de lucro.

Se olharmos para todo o ambiente de negócios, para as suas complexidades e até para a questão das comissões informais que acabam por existir, torna-se muito difícil justificar, junto da banca, que um projecto é viável, porque os bancos analisam os números e concluem que não existem margens de lucro suficientemente confortáveis.

Roberto Tibana | Economista

O crescimento económico de Moçambique acelerou em vários momentos, sobretudo em períodos de grandes obras de reconstrução pós-desastre ou de construção de novas infra-estruturas. Refiro isto porque estas obras criam um ambiente favorável à actividade económica, sobretudo numa altura em que a economia enfrenta diversos choques.

As grandes infra-estruturas, sejam elas novas ou de reconstrução, são fundamentais. Se olharmos para 1995, 2006 e 2010, verificamos taxas de crescimento próximas dos 6%. Recordamo-nos das grandes obras que decorriam, particularmente em Maputo, mas também noutras regiões, com construção de estradas, pontes e outras infra-estruturas.

O que quero demonstrar é o papel do Estado na criação de um ambiente empresarial favorável, que não passa apenas pelo crédito, mas também pelas estradas, pelas pontes e pela redução do risco operacional enfrentado pelas empresas. As empresas terão de actuar com muita prudência, e o Estado terá de investir fortemente na redução dos riscos operacionais, o que implica mais investimento público e um forte investimento na formação.

Falamos de 40 anos de crescimento económico e, ainda assim, as empresas continuam a queixar-se da falta de mão-de-obra qualificada. Formar mão-de-obra qualificada exige uma geração inteira. Actualmente, o índice de capital humano de Moçambique ronda os 40%. Isto significa que uma criança que nasce hoje, quando atingir a idade produtiva, terá apenas cerca de 40% do potencial que teria caso crescesse com um sistema de saúde, educação e formação de qualidade.

Se continuarmos a tratar as nossas crianças da forma como temos tratado, daqui a 24 anos a produtividade da nossa força de trabalho continuará muito abaixo do seu potencial.

Singapura apresenta um índice de capital humano na ordem dos 93%. Assim, hoje não temos qualquer hipótese de competir com esse país, apesar de termos portos que podem constituir uma base importante para o desenvolvimento da nossa economia e do nosso sistema financeiro.

Santos Magaia | Administrador Executivo da EMOSE

Verificamos que a transformação económica de Moçambique exige que as PME cresçam e se formalizem. Uma empresa segurada tem maior probabilidade de sobreviver a uma crise e de competir a nível nacional e regional. Sem seguros, o tecido empresarial permanece frágil e vulnerável aos choques externos.

A competitividade empresarial começa com uma gestão profissional do risco, porque o risco está sempre presente quando as empresas investem. Por isso, é fundamental que exista uma componente de seguro para proteger esse investimento. Na apresentação anterior falou-se das pequenas e médias empresas e das garantias exigidas para a obtenção de financiamento. É precisamente aí que está uma das chaves para o sucesso no acesso ao crédito.

Normalmente, os bancos comerciais consideram as pequenas e médias empresas entidades de elevado risco, porque não dispõem de colaterais líquidos que facilitem o acesso ao crédito. Como consequência, verifica-se um acesso difícil ao crédito bancário, a aplicação de taxas de juro elevadas e, muitas vezes, a concessão de financiamentos com prazos muito curtos.

A ferramenta do seguro é essencial para apoiar as PME no acesso ao crédito e ao financiamento.

A Fundação para a Competitividade Empresarial (FUNDEC) considera que Moçambique continua a enfrentar dificuldades para transformar o crescimento económico em emprego de qualidade. A conclusão resulta dos indicadores económicos divulgados nesta quinta-feira, que revelam a persistência de desafios no mercado de trabalho e no ambiente de negócios.

De acordo com os dados apresentados, o Índice de Emprego e Produtividade fixou-se em 28,01 pontos no primeiro trimestre de 2026, enquanto o Rating de Competitividade Empresarial atingiu 38,62 pontos, reflectindo fragilidades na criação de emprego formal, na produtividade e na competitividade das empresas.

Segundo o presidente da FUNDEC, Agostinho de Vuma, o mercado de trabalho continua marcado por elevados níveis de informalidade, baixa produtividade, reduzida capacidade de absorção de mão-de-obra qualificada e forte concentração em actividades de baixo valor acrescentado. Para o responsável, o crescimento do Produto Interno Bruto, por si só, não garante mais oportunidades de emprego.

“O nosso mercado de trabalho continua marcado por elevados níveis de informalidade, baixa produtividade, reduzida absorção de mão-de-obra qualificada e forte concentração em actividades de baixo valor acrescentado. Durante muito tempo habituámo-nos a avaliar o desempenho económico apenas através do crescimento do Produto Interno Bruto. Mas crescer não significa, necessariamente, criar oportunidades. Este resultado deve ser interpretado como um importante sinal de alerta”, afirmou Agostinho de Vuma.

No que respeita ao ambiente empresarial, a FUNDEC indica que o Rating de Competitividade Empresarial, fixado em 38,62 pontos, confirma a tendência de deterioração iniciada em 2025. O indicador recuou dos 46,64 pontos, registados no início daquele ano, para o nível actual, acompanhando a desaceleração da actividade económica.

Agostinho de Vuma afirma que as empresas continuam condicionadas pelos elevados custos financeiros, pelas dificuldades de acesso ao crédito, pela redução do investimento e pelos baixos níveis de confiança económica.

“Os resultados mostram uma evolução que merece profunda reflexão. Depois de iniciar 2025 nos 46,64 pontos, o indicador registou sucessivas reduções até atingir os 38,62 pontos no primeiro trimestre de 2026. Na prática, isto significa que as empresas continuam confrontadas com elevados custos financeiros, dificuldades de acesso ao crédito, reduzida intensidade de investimento e baixos níveis de confiança económica”, afirmou.

Perante este cenário, a FUNDEC defende a adopção de uma estratégia nacional para o emprego e a produtividade, a modernização do tecido empresarial e a criação de mecanismos que facilitem o acesso ao financiamento e à qualificação profissional.

O economista-chefe da instituição, Clésio Foia, considera que o País deve apostar na produtividade, na transformação digital das empresas e no reforço das competências da força de trabalho.

“Temos de adoptar uma estratégia nacional para o emprego e começar a pensar de forma diferente. A produtividade é hoje uma das principais respostas para os nossos desafios. Precisamos de acelerar a digitalização das empresas e criar linhas de financiamento para a qualificação e o desenvolvimento de competências da nossa força de trabalho”, defendeu Clésio Foia.

Presente na cerimónia, o ministro da Juventude e Desportos, Caifadine Manasse, afirmou que os indicadores apresentados pela FUNDEC constituem um importante instrumento para apoiar o Governo na formulação de políticas públicas e na tomada de decisões.

Segundo o governante, num contexto de incerteza económica e de rápida transformação tecnológica, a produção de informação credível permite ao Estado planificar melhor as reformas, monitorizar os seus resultados e actuar com maior precisão em benefício dos cidadãos e das empresas.

“As métricas hoje apresentadas não são apenas exercícios estatísticos. São instrumentos de planificação, de monitorização das reformas e de apoio às políticas públicas. Ao retratarem a evolução do mercado de trabalho, da produtividade e da confiança empresarial, estes indicadores permitem ao Estado actuar com maior precisão”, afirmou Caifadine Manasse.

Apesar dos constrangimentos identificados, a FUNDEC assinala uma ligeira recuperação da actividade económica no primeiro trimestre de 2026, mas defende a implementação de reformas estruturais que reforcem a competitividade empresarial e promovam a criação de emprego de qualidade.

Moçambique e a China pretendem reforçar a cooperação económica e empresarial nas áreas da agricultura, tecnologia e turismo. A intenção foi reafirmada, esta terça-feira, em Maputo, durante um encontro entre empresários moçambicanos e uma delegação empresarial da China Continental e da Região Administrativa Especial de Macau.

A sede da Câmara de Comércio de Moçambique acolheu, esta terça-feira, um encontro entre empresários nacionais e uma delegação empresarial da China Continental e de Macau. Durante cerca de uma hora, o encontro permitiu identificar áreas estratégicas de cooperação, com destaque para a agricultura, a tecnologia, o turismo e outros sectores com elevado potencial de crescimento.

O presidente da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), Lucas Chachine, reafirmou o compromisso da instituição com o fortalecimento das pequenas e médias empresas, por considerar que estas constituem o principal motor do desenvolvimento da economia nacional. Segundo o dirigente, esta visão está alinhada com as prioridades definidas pelo Presidente da República, Daniel Chapo, nomeadamente o aumento da produção nacional, a industrialização e a criação de emprego.

“Assumimos o compromisso de trabalhar para fortalecer as pequenas e médias empresas, por acreditarmos que elas constituem o verdadeiro motor do desenvolvimento da economia, alinhados com a visão de Sua Excelência o Presidente da República, Daniel Chapo, de promover o aumento da produção nacional, a industrialização e a criação de emprego em prol do desenvolvimento da economia moçambicana. A Câmara de Comércio definiu este como um dos focos para os quatro anos de mandato que agora iniciamos”, afirmou Lucas Chachine, presidente da CCM.

A iniciativa enquadra-se nos esforços de aproximação entre os sectores privados de Moçambique e da China, com o objectivo de promover o investimento, dinamizar as trocas comerciais e criar mais oportunidades de emprego e desenvolvimento económico.

Na ocasião, Lucas Chachine propôs a criação de um fórum das Câmaras de Comércio dos países da SPALOC, com o apoio da Câmara de Comércio de Macau, como forma de reforçar a cooperação, facilitar a troca de experiências e potenciar as capacidades de cada país para responder aos desafios comuns do desenvolvimento.

“Queremos propor a criação de um fórum das Câmaras de Comércio da SPALOC, também com o apoio da Câmara de Macau, que mantém a ligação à língua portuguesa, para podermos criar um espaço de troca de experiências e aproveitar as capacidades que cada país possui, de modo a resolver, num curto espaço de tempo, os problemas que caracterizam os nossos países como menos desenvolvidos”, propôs Chachine.

Por sua vez, o líder da delegação empresarial da China Continental e de Macau reiterou a disponibilidade dos empresários chineses para estabelecer novas parcerias com empresas moçambicanas.

“A CCM, enquanto nosso parceiro na expansão de mercado, tem também contribuído activamente para o fortalecimento da cooperação económica e comercial entre a China Continental, Macau e Moçambique”, afirmou Sam Lei, líder da delegação empresarial.

O encontro terminou com a entrega de uma carta de reforço da parceria entre os empresários moçambicanos e as delegações empresariais da China Continental e de Macau. O documento formaliza o compromisso de aprofundar a cooperação empresarial e impulsionar novas iniciativas de investimento e comércio entre os dois mercados.

A empresa Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) já saiu do vermelho. No ano passado, obteve um lucro de cerca de 5,3 mil milhões de meticais, como resultado da reestruturação em curso na companhia de bandeira.

Depois de um longo período com as contas no vermelho, a companhia de bandeira Linhas Aéreas de Moçambique voltou a ser lucrativa em 2025. Para tal, teve de cortar despesas diversas, incluindo com a mão-de-obra.

Com a entrada de três novos accionaistas, a empresa decidiu, entre outros, reduzir mais de 130 trabalhadores como forma de aliviar despesas com salários, o que ajudou a reduzir significativamente as suas despesas operacionais.

“Os resultados aprovados evidenciam uma redução de aproximadamente 13% do passivo, acompanhada por uma diminuição significativa da dívida a fornecedores, bem como um crescimento de 37% dos activos”, refere a nota.

No ano passado, a LAM assegura ter reduzido os custos operacionais em cerca de 20%, fruto da racionalização da estrutura organizacional, da optimização dos recursos disponíveis e renegociação de contratos com fornecedores estratégicos.

“Estes indicadores demonstram uma melhoria do desempenho económico e operacional da LAM, reflectindo o compromisso da administração, dos trabalhadores, dos accionistas e dos parceiros estratégicos na implementação do processo de recuperação da empresa”, aponta a nota informativa da LAM.

Mesmo com o resultado líquido positivo de cerca de 5,3 mil milhões de meticais alcançado em 2025, a empresa admite que ainda não é hora para festejar.

“A LAM reconhece que o processo de recuperação ainda não está concluído. Persistem desafios importantes, nomeadamente ao nível da consolidação financeira, do reforço da liquidez e da continuidade das medidas de melhoria da eficiência operacional”, admitem os accionistas da empresa.

No período em análise, os capitais próprios da companhia aérea registaram uma melhoria de cerca de 5,3 mil milhões de meticais, impulsionada pelos resultados positivos alcançados e pelas medidas de recapitalização dos accionaistas. 

Importa sublinhar que, recentemente, a LAM e a Aeroportos de Moçambique foram apontadas como empresas de grande risco para as contas públicas, no relatório sobre riscos fiscais 2025 publicado pelo Ministério das Finanças. 

“As empresas LAM e ADM continuam a constituir uma grande fonte de risco para as finanças públicas, tendo beneficiado de aportes do Estado na ordem de aproximadamente 1,5 mil milhões e 0,5 mil milhões de meticais”, indicava.

Apesar dos avanços registados na inclusão financeira, o país continua a enfrentar profundas desigualdades no acesso aos serviços financeiros. Um relatório do Banco de Moçambique revela que as províncias de Niassa, Nampula, Zambézia e Cabo Delgado continuam com fraca cobertura de serviços financeiros, o crédito à economia voltou a diminuir e persistem limitações na literacia financeira.

O Relatório de Inclusão Financeira de 2025 conclui que a expansão dos serviços digitais permitiu aumentar o número de moçambicanos com acesso ao sistema financeiro. No entanto, o Banco de Moçambique alerta que os benefícios continuam distribuídos de forma desigual entre as províncias e entre homens e mulheres.

O documento refere que, apesar dos progressos alcançados, persistem desafios estruturais que impedem uma inclusão financeira mais abrangente e equilibrada.

Apesar dos progressos registados, persistem desafios estruturais associados à necessidade de reduzir as desigualdades regionais e de género no acesso e uso de serviços financeiros. As referidas desigualdades caracterizam-se por limitações de literacia financeira e digital, bem como dificuldades de protecção do consumidor, o que reforça a necessidade de intervenções mais direccionadas.

O relatório identifica também fortes disparidades na distribuição dos pontos de acesso aos serviços financeiros. 

Há disparidades significativas na distribuição dos pontos de acesso por província, em termos demográficos e geográficos, que afectam o desenvolvimento económico e a penetração dos serviços financeiros. Enquanto a Cidade e Província de Maputo apresenta os maiores níveis de cobertura dos serviços financeiros, Niassa, Nampula, Zambézia e Cabo Delgado registam os valores mais baixos, evidenciando desafios estruturais.

Embora o número de pontos de acesso tenha crescido 36 por cento entre 2024 e 2025, impulsionado pelos agentes de moeda electrónica, o crédito à economia reduziu para 19 por cento do Produto Interno Bruto.

Importa intensificar as acções de literacia financeira e digital, bem como reforçar a protecção do consumidor, tendo em conta as especificidades dos diferentes segmentos populacionais existentes no país. A bancarização deve ser impulsionada através da expansão da rede de agências e agentes bancários e do reforço da adesão aos pagamentos digitais.

O Banco de Moçambique considera que a consolidação da inclusão financeira dependerá da implementação destas recomendações, de forma a reduzir as desigualdades regionais e garantir maior acesso da população aos serviços financeiros e ao crédito.

O sistema financeiro nacional tem um novo pilar. Foi aprovada a Lei 15/2026, que estabelece o novo regime jurídico do Sistema Nacional de Pagamentos, com o objectivo de promover a segurança, transparência e estabilidade financeira.

Os operadores de sistemas têm, agora, um prazo de 180 dias para se adequarem às novas exigências da lei. Os que já operam no mercado estão dispensados do licenciamento inicial, devendo registar-se junto do Banco de Moçambique.

O instrumento revoga a Lei n.º 2/2008 e adapta o mercado às transformações digitais dos últimos 20 anos. A nova norma reafirma o papel do Banco de Moçambique como a autoridade central do Sistema Nacional de Pagamentos 

Compete, assim, ao regulador o licenciamento, fiscalização e supervisão de todas as componentes do sistema. Espera-se que a lei proteja o utilizador, proibindo cobrança de taxas por transacções não concluídas devido a falhas técnicas.

Passa, também, a ser obrigatório para os operadores de sistemas de pagamento o estabelecimento de quadros robustos de mitigação de riscos tecnológicos e de segurança, para lidar com incidentes de segurança de carácter severo.

Para desonerar o sistema judicial, a lei institucionaliza mecanismos alternativos de resolução de conflitos, como a conciliação, mediação e arbitragem, permitindo que litígios entre participantes sejam resolvidos de forma célere.

Estão previstas também sanções para infracções, com multas pesadas que variam de acordo com a gravidade da violação, o impacto no sistema financeiro e a situação económica do infractor, tanto pessoas singulares como colectivas.

Relatório conclui que, embora o País tenha registado progressos, persistem assimetrias significativas regionais no acesso aos serviços financeiros.

Continuam a existir em Moçambique assimetrias regionais e de género no acesso e uso efectivo de serviços financeiros, conclui o Relatório de Inclusão Financeira do Banco de Moçambique que reporta os resultados do ano de 2025.

De acordo com o documento, as referidas desigualdades caracterizam-se por limitações de literacia financeira e digital, bem como dificuldades de protecção ao consumidor, o que reforça a necessidade de intervenções mais direccionadas. 

Esses desafios continuam presentes num contexto em que, no ano passado, o sistema financeiro moçambicano continuou a registar progressos na inclusão financeira, bastante influenciado pela expansão dos serviços digitais.

“Apesar dos progressos registados, persistem desafios estruturais associados à necessidade de reduzir as desigualdades regionais e de género no acesso e uso de serviços financeiros”, aponta o Relatório de Inclusão Financeira de 2025.

Outros aspectos que devem ser impulsionados são a bancarização através da expansão da rede de agências e agentes bancários e reforço da adesão aos pagamentos digitais, segundo os elementos apresentados pelo relatório. 

Refere ainda ser importante intensificar as acções de literacia financeira e digital, bem como reforçar a protecção do consumidor, tendo em conta as especificidades dos diferentes segmentos populacionais existentes no País. 

O relatório diz ainda haver disparidades significativas na distribuição dos pontos de acesso por província, em termos demográficos e geográficos, que afectam o desenvolvimento económico e a penetração dos serviços financeiros.

Enquanto a cidade e província de Maputo apresentam os maiores níveis de cobertura dos serviços financeiros, Niassa, Nampula, Zambézia e Cabo Delgado registam os valores mais baixos, evidenciando desafios estruturais.

Entre os anos de 2024 e 2025, a componente de disponibilidade de serviços financeiros reduziu 3,6 pontos, reflectindo desafios persistentes associados à cobertura e distribuição da infra-estrutura financeira no território nacional.

Mesmo assim, em 2025, o País registou avanços na inclusão financeira, com a digitalização, expansão dos canais de acesso e o crescimento dos serviços das instituições de moeda electrónica e dos agentes não bancários.

Importa destacar que os agentes não bancários continuaram a ser o principal meio de acesso aos serviços financeiros, sobretudo nas zonas rurais. 

Esta evolução reflecte uma transição progressiva dos canais tradicionais para soluções digitais, colocando igualmente novos desafios na monitorização e concretização das metas associadas aos canais convencionais para 2025-2031. 

Comparativamente a 2024, no ano passado, o número de pontos de acesso aos serviços financeiros cresceu 36%, a reflectir fundamentalmente o aumento dos agentes de moeda electrónica (42%) consolidando, assim, o seu papel.

Tudo isso aconteceu num contexto de redução dos terminais de pontos de venda – POS (9%). Já a posse de contas de moeda electrónica atingiu 1313 por 1000 adultos, com crescimento mais acentuado entre as mulheres (24%).

“O sector segurador cresceu cerca de 4%, mas permanece altamente concentrado no seguro tradicional (98,8%) e na Cidade de Maputo. O microsseguro continua com fraco desempenho (1,2%)”, conclui o relatório. 

Por sua vez, o mercado de seguros apresentou maior inclusão feminina entre os anos 2024 e 2025, com crescimento da adesão das mulheres de 21% para 35%, enquanto a adesão masculina reduziu de 67% para 57%. 

Tendência similar verificou-se no microsseguro, com a redução da participação dos homens de 71% para 61% e aumento da participação das mulheres de 29% para 39%, o que mostra que o microsseguro tem maior adesão dos homens. 

Já o mercado de capitais manteve a trajectória de crescimento no ano passado, com a capitalização bolsista a atingir 221,9 mil milhões de meticais, correspondente a um aumento de cerca de 5% face ao ano de 2024. 

Outro aspecto de grande importância é o crédito à economia, que teve uma ligeira redução, passando para 19% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto os depósitos cresceram em 3 pontos percentuais para 51% do PIB.

Quer dizer que, enquanto os depósitos cresceram, o crédito à economia sofreu uma ligeira redução, o que demonstra persistência de desafios no acesso ao financiamento para o desenvolvimento.

Porém, persistem disparidades regionais, com aumento da desigualdade no acesso ao crédito. Nos serviços digitais, destaca-se o crescimento das transferências via instituições de moeda electrónica e redução nos pagamentos. 

O Relatório de Inclusão Financeira reporta os resultados alcançados no cumprimento do plano de acções e metas estabelecidas na Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2025-2031,  que visa promover a inclusão financeira.

A Galp decidiu levar o Estado moçambicano à arbitragem internacional por disputa fiscal na Bacia do Rovuma. Em causa estão desentendimentos ligados ao pagamento de mais-valias, devido à venda de activos da petrolífera na Área 4.

A Galp avançou para a arbitragem internacional contra o Estado moçambicano, na sequência do diferendo sobre a tributação de mais-valias obtidas com a venda da sua participação na Área 4 do projeto de Gás Natural Liquefeito, na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.

A decisão, confirmada ao “O País” pela empresa petrolífera, surge após falharem tentativas de entendimento entre as partes através do diálogo. Importa lembrar que a petrolífera notificou o Estado moçambicano sobre a existência deste litígio em Outubro de 2025.

“Não tendo sido possível alcançar um entendimento entre as partes através do diálogo institucional, a empresa apresentou, agora, um requerimento para arbitragem internacional ao abrigo dos acordos de protecção de investimento aplicáveis”.

Na altura, o Estado exigia que a Galp pagasse cerca de 336 milhões de dólares de mais-valias pela venda de seus activos no País e alertava que havia risco de o valor aumentar, ao mesmo tempo que acusava a empresa de agir com falta de idoneidade.

Segundo a Galp, o referido litígio não questiona a existência da obrigação tributária em si, mas sim a interpretação dos critérios legais que devem ser aplicados para o cálculo do imposto sobre as mais-valias geradas pela venda dos activos da empresa.

Em resposta à solicitação de informação d’O País, a empresa sublinha que mantém o seu “compromisso de cumprimento integral das obrigações fiscais” e manifesta a sua “disponibilidade para uma solução baseada na lei”.

No documento, a Galp reitera ainda o seu respeito pelas instituições moçambicanas.

Contactada pelo jornal O País para comentar o processo em curso, a Autoridade Tributária (AT) confirmou que o caso já está sob arbitragem internacional, mas declinou prestar mais detalhes sobre a disputa, afirmando que prefere deixar o processo correr os seus trâmites normais.

O recurso à arbitragem internacional constitui um mecanismo comum ao abrigo dos acordos de protecção de investimento, utilizado quando empresas e Estados não alcançam um consenso sobre disputas comerciais ou fiscais em tribunais nacionais.

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