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A transformação do comércio informal, para o formal e a modernização da instituição Tributária configuram os desafios actuais da Autoridade Tributária, 20 anos depois da sua criação. A informação foi partilhada, hoje em Maputo, durante a cerimónia de celebração do dia do contribuinte, assinalado a 22 de Março corrente.

A 22 de Março corrente celebrou-se o dia do contribuinte, uma efeméride que coincide com a criação da Autoridade Tributária de Moçambique. 

Nesta quarta-feira, a instituição reuniu contribuintes e antigos funcionários para reflectir em torno dos 20 anos de existência, avanços e desafios do sector. 

O Presidente da Autoridade Tributária destacou o percurso da instituição que hoje dirige, com marcos notáveis na contribuição nas contas públicas.

Aníbal Mbalango disse ainda que “Apesar dos ganhos alcançados ao longo das duas décadas, estamos conscientes que ainda persistem desafios ligados ao alargamento da base tributária e da melhoria da eficiência e eficácia institucional, devido à persistência da informalidade fiscal, complexidade e sofisticação dos negócios em resultado da globalização da economia e necessidade da digitalização de processos e procedimentos tributários. A estes desafios exigem-se respostas claras e inequívocas, que vão desde o reforço permanente da capacidade técnica dos funcionários, a aceleração do processo de transformação digital, a atualização da estrutura orgânica de modo a torná-la mais ágil e funcional e também a atualização do estatuto do pessoal, com vista a garantir maior empenho e dedicação dos funcionários, bem como do reforço dos seus direitos e obrigações”, disse.

A primeira-ministra, que orientou a abertura das celebrações, diz que a transparência e integridade na gestão das receitas, é essencial para o alargamento da tão necessária  base Tributária. 

“O rácio da cobertura fiscal conheceu uma evolução progressiva, passando de 57,33% em 2006 para 78,26% em 2024, refletindo o alargamento da base tributária, o fortalecimento dos mecanismos de cobrança e o aprimoramento da administração fiscal. A tendência global aponta para uma  maior capacidade do Estado em financiar o seu orçamento com recursos próprios, reduzindo de forma progressiva a dependência de financiamento externo e reforçando a sustentabilidade das finanças públicas, apesar das flutuações conjunturais decorrentes de choques económicos internos e externos”.

Por seu turno, o investigador Hermínio Sueia entende que o executivo deve se atentar na cobrança de impostos aos grandes contribuintes, que no seu entender pouco contribuem.

“Resolvam esses problemas com os grandes contribuintes. Só para citar alguns exemplos.

Outros tantos pedidos, com finalidade de prorrogação de isenções fiscais fora da lei e até quase obrigando que as leis pontuais sejam aprovadas para acomodar a pretensão da poderosa classe dos investidores. Vejam os condicionalismos que são impostos ao Estado,  pelas multinacionais exploradoras da bacia do Rovuma, compensação por acionamento da cláusula da força maior, negociação de infinitas isenções nos contratos, etc.. Este é um dilema nacional e que tem que ser atendido para que haja efectivamente sustentabilidade orçamental”, defendeu o antigo funcionário da AT, Hermínio Sueia.

O evento serviu, também, para a premiação dos melhores contribuintes, referente ao exercício económico 2025.

Rogério Uthui diz que os sucessivos governos de Moçambique comentem indisciplina fiscal, o que leva o país ao superendividamento interno e externo. Falando no Programa Espaço de Comentário com Rogério o Uthui, da STV Notícias, o comentador desafia o actual governo a encontrar formas de financiar despesas públicas sem recorrer ao endividamento. 

O governador do Banco de Moçambique criticou, na última reunião do Comitê de Política Monetária, o atraso do Governo no pagamento da dívida pública, principalmente, a  interna. No espaço de Comentário com Rogério Uthui, o comentador analisou a situação, e acusou o país de cometer o que chamou de indisciplina fiscal. 

“Nós, primeiro, gerimos muito mal o nosso orçamento, a forma como a gente está a gerir não é correcta. Nós temos uma série de inutilidades dentro do nosso orçamento, que podemos começar, de forma muito objectiva a cortar”, recomendou Rogério Uthui. 

A caminho do superendividamento, o país, segundo Uthui, deve procurar ver novas formas de financiar as suas despesas sem se endividar. 

“A nossa receita tem que vir de uma maior diversificação, nós temos que saber cobrar impostos, temos que ter mais participantes nesta contribuição para o Estado”, explicou.   

Tais impostos, explica o comentador, não devem vir tão somente de pessoas singulares, mas também das multinacionais. 

“Nós temos que saber impor aquilo que são as dificuldades e os impostos em Moçambique, porque, no país deles, também pagam impostos e bem, por isso é que são empresas grandes e respeitadas nos países deles. Então, têm que pagar impostos aqui também”, explicou. 

O comentador desafia o país a redefinir prioridades e a fazer cortes em despesas que considera desnecessárias. 

“Nós temos que nos preocupar em sermos disciplinados, temos que nos preocupar em sermos honestos, temos que nos preocupar e ter mais contribuintes para o orçamento do Estado. Devemos olhar para aquilo que são os nossos gastos ou a forma que a gente usa o nosso orçamento. Temos que  ser muito moderados e olhar para as despesas com o pessoal, principalmente com empresas públicas, temos muitas empresas públicas que não produzem nada (…) E temos uma série de agências que são criadas, agências de desenvolvimento, secretarias de todo o tipo, gabinetes (…) Isso é um caminho para não termos medo de contrair as dívidas, desde que estejamos a usar o dinheiro para o desenvolvimento do país  

O Programa Comentários de Rogério Uthui continua disponível, para ver na íntegra, no Stv Play.

O Governo moçambicano estimou em 1,6 mil milhões de dólares (102,4 mil milhões de meticais) o valor necessário para concretizar o plano de recuperação e reconstrução após danos causados pelas inundações que já mataram 298 pessoas.

“Neste momento, temos a indicação de que em todo o País e de forma cumulativa desde o início da época chuvosa e ciclónica de Outubro a esta parte temos pouco mais de um milhão de pessoas afectadas e as previsões e estimativas que temos actualmente é que o plano de recuperação e reconstrução (…) rondará, não é nada definitivo, em cerca de 1,6 mil milhões de dólares”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Salim Valá, ao fim de uma sessão do órgão, em Maputo.

O Executivo moçambicano adiantou que a elaboração do plano está na fase conclusiva, destacando que é um instrumento dividido em cinco domínios, nomeadamente o salvamento de vidas e assistência humanitária e reposição da transitabilidade.

Os outros domínios são a reposição das infra-estruturas, a recuperação económica e a criação de condições para garantir uma melhor capacidade de prevenção e mitigação dos desastres naturais no País, explicou o porta-voz do Governo.

Durante as inundações de Janeiro, o Executivo tinha explicado que o plano de recuperação e reconstrução vai traduzir-se na decisão política de instituir uma nova orientação, em que a gestão do risco climático, a prevenção, a preparação e reconstrução resiliente das infra-estruturas são integradas de forma transversal no modelo de governação e desenvolvimento do País.

Com este plano, o Governo quer, concretamente, colocar a protecção da vida humana no centro da acção governamental, orientando a planificação, resposta e reconstrução para a salvaguarda das populações, promover um desenvolvimento territorial seguro assente numa planificação que integra mapas de risco e ordenamento territorial e adoptar a reconstrução resiliente, assegurando que infra-estruturas e assentamentos humanos sejam concebidos para resistir a eventos climáticos extremos.

Em Janeiro, Moçambique tinha avaliado em 644 milhões de dólares (39,8 mil milhões de meticais) as infra-estruturas destruídas e afectadas pelas inundações.

O número de mortos na actual época das chuvas subiu para 298, com mais de um milhão de pessoas afectadas, desde Outubro, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

De acordo com informação da base de dados do INGD actualizada até ao final de segunda-feira, contabilizam-se mais dois mortos em cerca de 24 horas, tendo sido afectadas 1 024 390 pessoas (mais 10 mil face ao balanço anterior) na presente época das chuvas, correspondente a 233 998 famílias, havendo também 17 desaparecidos e 351 feridos.

No total, 21 719 casas ficaram parcialmente destruídas, 10 236 totalmente destruídas e 206 379 inundadas. Ao todo, 304 unidades de saúde, 104 locais de culto e 724 escolas foram afectados em menos de seis meses.

Especialistas alertam para sinais de falência financeira e irresponsabilidade estatal. Com a dívida fixada em 17 mil milhões de dólares (pouco mais de 1,2 mil biliões de meticais), o debate centra-se agora na urgência de converter empréstimos em investimento produtivo.

O agravamento da dívida pública em Moçambique, actualmente situada nos 17 mil milhões de dólares (pouco mais de 1,2 mil biliões de meticais), voltou a dominar o debate no programa Noite Informativa, da STV.

Entre críticas à gestão do Executivo e alertas sobre a sustentabilidade da economia, os comentadores André Mulungo, Esaú Cossa e Jorge Matine convergiram na necessidade de uma mudança radical de paradigma: a transição para o modelo de “dívidas inteligentes”.

Para o comentador André Mulungo, o cenário actual é o reflexo de uma gestão irresponsável que drenou os recursos do país. “Estamos claramente com um Estado que está falido”, afirmou de forma incisiva, sublinhando que a falta de produção interna, aliada a decisões políticas questionáveis, deixou os cofres públicos em situação crítica.

Segundo Mulungo, a economia actual não tem capacidade para sustentar o peso das falhas de governação acumuladas ao longo dos anos.

Jorge Matine, por sua vez, trouxe para o debate as consequências práticas dos atrasos na liquidação da dívida interna. O analista alertou que esta “rigidez” no mercado afecta directamente a atractividade de Moçambique para investidores estrangeiros e diminui o interesse por títulos públicos.

Matine destacou ainda sectores nevrálgicos que podem sofrer as consequências imediatas.

“Na questão dos combustíveis, Moçambique terá de fazer um esforço enorme para manter a economia a funcionar”, disse.

Para o especialista, embora não seja viável parar de contrair dívida no imediato, o Governo deve focar-se em “reduzir as gorduras” e criar incentivos fiscais que dinamizem o sector privado.

Esaú Cossa reforçou que o problema central não é o acto de contrair empréstimos, mas a finalidade dos mesmos. O comentador defende que o endividamento só se justifica se for “inteligente”, ou seja, direccionado para a produção e auto-suficiência.

“O problema é fazer a dívida com o quê, para quê e com que finalidade”, questionou Cossa, advertindo que o serviço da dívida, que é o pagamento de juros e capital, está a “sufocar” investimentos vitais em áreas como a saúde, educação e criação de emprego.

O painel de analistas foi unânime ao instar o Estado a reforçar o apoio às empresas nacionais, identificadas como o verdadeiro motor para a recuperação económica. A mensagem deixada é clara: sem uma “moralização” da gestão fiscal e um foco claro no investimento produtivo, o País continuará refém de um ciclo de endividamento que compromete o futuro das próximas gerações.

O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária (MIMO) em 9,25%, interrompendo o ciclo de reduções iniciado em Janeiro de 2024, numa altura em que se agravam os riscos e incertezas associados às perspectivas de inflação.

A decisão surge num contexto marcado pela intensificação de factores externos adversos, com destaque para o conflito no Médio Oriente, cujo impacto tem vindo a pressionar a cadeia logística global, bem como os preços de produtos energéticos e alimentares. Estes desenvolvimentos levaram à revisão em alta das projecções inflacionárias.

Internamente, o banco central aponta para incertezas adicionais relacionadas com os efeitos dos choques climáticos na oferta de bens, o ritmo de recuperação da capacidade produtiva e a persistência de riscos fiscais, nomeadamente os atrasos nos pagamentos do Estado.

Dados recentes indicam uma ligeira aceleração da inflação anual, que passou de 3,0% em Janeiro para 3,2% em Fevereiro de 2026. A inflação subjacente, por sua vez, manteve-se estável. Ainda assim, o CPMO antevê uma tendência de subida dos preços no curto e médio prazo, impulsionada por factores externos e pelos impactos das recentes inundações, apesar da relativa estabilidade do metical.

No que diz respeito à actividade económica, o país registou um crescimento de 4,7% no quarto trimestre de 2025, recuperando de uma contracção de 0,9% no trimestre anterior. A retoma foi transversal a todos os sectores, embora as perspectivas apontem para um crescimento moderado nos próximos períodos, condicionado por choques climáticos e pelo abrandamento da economia global.

Entretanto, o endividamento público interno continua a aumentar, tendo atingido 487,3 mil milhões de meticais, mais 12,7 mil milhões em relação a Dezembro de 2025. Os atrasos nos pagamentos por parte do Estado continuam a afectar o funcionamento do mercado financeiro, reduzindo o interesse por títulos públicos e contribuindo para a rigidez das taxas de juro no mercado interbancário.

O Banco de Moçambique reafirma que as próximas decisões de política monetária continuarão dependentes da evolução dos riscos internos e externos que influenciam a inflação.

O United Bank for Africa (UBA), em parceiros, anunciou a disponibilização de mais de 25 milhões de meticais para apoiar jovens empreendedores moçambicanos, no âmbito da 12.ª edição do Programa de Empreendedorismo da fundação.

No total, 80 jovens moçambicanos integram o grupo dos 3.200 empreendedores seleccionados em 54 países africanos, beneficiando de financiamento e de um pacote de capacitação destinado a impulsionar os seus negócios.

Segundo a fundação, “o investimento no empreendedorismo é um investimento directo no recurso mais sustentável de África: o seu povo”, sublinhando a aposta contínua na transformação económica do continente através da juventude.

Cada empreendedor seleccionado terá acesso a capital inicial não reembolsável, formação intensiva, mentoria especializada e à plataforma digital TEFConnect. “Mais do que financiamento, o programa oferece ferramentas completas para o desenvolvimento sustentável dos negócios”, refere a organização.

Desde a sua criação, em 2010, a TEF já desembolsou mais de 100 milhões de dólares para apoiar mais de 24 mil empreendedores africanos. Como resultado, mais de quatro milhões de famílias foram impactadas positivamente e cerca de 2,1 milhões de africanos saíram da pobreza.

A fundação destaca ainda que “cerca de 80% dos negócios apoiados ultrapassam a fase inicial”, um desempenho acima da média global, reforçando a eficácia do modelo implementado.

Outro dado de relevo nesta edição é o protagonismo feminino, com 51% dos empreendedores seleccionados a serem mulheres. De acordo com a TEF, “a selecção foi baseada exclusivamente no mérito, demonstrando que, quando têm acesso a oportunidades, as mulheres lideram processos de transformação económica”.

O programa assenta no conceito de Africapitalism, que defende que o sector privado africano deve liderar o desenvolvimento do continente. Neste contexto, a fundação reafirma o seu compromisso com um modelo de crescimento baseado na capacitação interna e na criação de oportunidades para os jovens africanos

A dívida pública em Moçambique subiu 2.16%, entre Janeiro e Dezembro de 2025, de acordo com o relatório  de Gestão da Dívida do Ministério das Finanças, situando-se em 17.1 mil milhões de dólares. A dívida interna, que corresponde à maior parte do bolo, registou um crescimento de 9%, situando-se em 470 milhões de dólares.

Em 2025, o Governo não conseguiu controlar o endividamento público, tendo registado, apesar de mínimo, um crescimento, entre Janeiro e Dezembro, de acordo com o Relatório do Ministério das Finanças. 

O documento indica que o stock da Dívida Pública passou dos iniciais 16.775,3 milhões de USD no primeiro trimestre, para 17.138,1 milhões de USD no quarto trimestre, o que representa um crescimento de 2,16%.

Este aumento foi influenciado pelo crescimento da contratação da dívida interna, em pouco mais de 3 mil milhões de dólares.

“As Obrigações do Tesouro mantêm-se como o principal instrumento da dívida interna, representando 40,8% do total no quarto trimestre, tendo registado um acréscimo de 9% face ao primeiro trimestre e maior emissão no IV trimestre, seguindo os Bilhetes do Tesouro (33,7%), que registaram um aumento de 5,8% face ao primeiro trimestre”.

O documento explica que “no IV trimestre, a estrutura da dívida externa manteve-se estável, com predominância do crédito multilateral, com proporção de 56,3% do total, seguido do crédito bilateral, que apresentou uma ligeira redução no peso (34,5%), e dos títulos MOZAM 2032 (9,2%), cujo stock permaneceu inalterado ao longo do período em análise”.

Em relação ao financiamento para o desenvolvimento, em 2025 o País assinou acordos de donativos com parceiros multilaterais, num total de USD 516,48 milhões de dólares, sendo o maior beneficiário o Ministério da Saúde, com pouco mais de 126 milhões de dólares. 

Com o objectivo de alavancar o empreendedorismo juvenil, o United Bank for Africa, em parceria com a Tony Elumelu Foundation, anuncia este domingo, 22 de Março, os jovens empreendedores seleccionados para a 12.ª edição do seu programa emblemático em África.

A iniciativa prevê apoiar 3200 empreendedores em todo o continente, no âmbito de diversas parcerias estratégicas com instituições internacionais, entre as quais a Heirs Holdings Group, a European Commission, a GIZ e o UNDP.

Segundo o comunicado, o programa recebeu mais de 265 mil candidaturas, oriundas dos 54 países africanos, o que demonstra “o dinamismo do ecossistema empreendedor no continente, bem como a necessidade crescente de financiamento para negócios em fase inicial”. Os sectores mais representados incluem a agricultura, a inteligência artificial, a saúde e a economia verde.

Os candidatos seleccionados beneficiarão de um pacote de apoio, que inclui capital semente não reembolsável no valor de 5 mil dólares, formação em gestão de negócios através da plataforma TEFConnect, mentoria individual e acesso a uma rede alargada de investidores e parceiros.

O processo de selecção é conduzido pela Ernst & Young, garantindo, de acordo com a organização, “rigor, transparência e independência na avaliação das candidaturas”.

Desde a sua criação, a fundação já capacitou mais de 2,5 milhões de jovens africanos e investiu mais de 100 milhões de dólares em capital semente, apoiando mais de 24 mil empreendedores. Estes negócios geraram, em conjunto, cerca de 4,2 mil milhões de dólares em receitas e criaram mais de 1,5 milhão de empregos, contribuindo para retirar 2,1 milhões de africanos da pobreza e impactar positivamente mais de 4 milhões de agregados familiares. Cerca de 46% dos beneficiários são mulheres.

Para Tony O. Elumelu, fundador da fundação, “o futuro de África será construído por africanos que criam empresas, geram empregos e resolvem os desafios do nosso continente. Na Fundação Tony Elumelu, acreditamos que capacitar empreendedores é o caminho mais sustentável para a transformação económica de África”.

Sem reservas, a Federação Moçambicana de Empreiteiros (FME) acusa a vice-presidência da INT, braço investigativo do Banco Mundial, de inércia na investigação das denúncias de irregularidades no projecto Move Maputo. Sublinha que o silêncio das instituições pode comprometer o combate à corrupção nas obras públicas.

Lançado em 2021, o projecto Move Maputo foi concebido para melhorar a mobilidade urbana na Área Metropolitana de Maputo. No entanto, algumas vias recentemente construídas apresentam sinais de degradação, situação agravada pelas chuvas recentes, que expuseram problemas de drenagem e qualidade das obras, com destaque para o centro da capital do País.

Falando nesta quinta-feira, na Cidade de Maputo, durante uma conferência de imprensa, Bento Machaila, presidente da Federação Moçambicana de Empreiteiros (FME), manifestou preocupação com o estado das obras e com a falta de respostas das entidades envolvidas.

Em Janeiro de 2024, a Federação denunciou formalmente indícios de irregularidades no processo de contratação da empresa China Jiangxi International Economic and Technical Cooperation Co. Ltd., responsável por empreitadas financiadas pelo Banco Mundial. As denúncias foram submetidas ao INT e à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo Bento Machaila, a federação colaborou com as investigações e aceitou um pedido de confidencialidade por parte do INT. No entanto, passados mais de sete meses desde o contacto com a equipa investigativa daquela entidade que é braço investigativo do Banco Mundial e cerca de dois anos após a denúncia inicial, não houve qualquer retorno substantivo.

O presidente da Federação Moçambicana de Empreiteiros afirma ainda que, sempre que a organização solicitou actualizações, recebeu respostas baseadas na necessidade de confidencialidade. Segundo a agremiação, a posição mais recente do INT, de que não compartilha informações com terceiros, foi considerada inaceitável.

“A Federação Moçambicana de Empreiteiros (FME) não é um terceiro (elemento) neste processo. É a denunciante e merece um esclarecimento”, afirmou Bento Machaila. Para o responsável, esta postura revela desrespeito institucional, falta de transparência e desprezo pela opinião pública, além de desencorajar futuras denúncias.

O presidente da Federação Moçambicana de Empreiteiros destacou ainda que a população continua a enfrentar os impactos das obras de má qualidade, visíveis sobretudo após as chuvas, que evidenciaram deficiências no escoamento de águas.

Na conferência de imprensa, a federação lamentou também o silêncio da Procuradoria-Geral da República (PGR), cujo último contacto formal foi em Abril do ano de 2025, sem que tenha sido apresentada uma posição conclusiva.

De destacar que a Federação Moçambicana de Empreiteiros esclarece que não assinou qualquer acordo formal de confidencialidade que a impeça de falar sobre o caso, considerando que o silêncio mantido até aqui foi um acto de boa-fé.

Bento Machaila exige esclarecimentos sobre os resultados da investigação, a confirmação ou não das irregularidades, as medidas a serem tomadas contra os responsáveis e o ponto de situação do processo na PGR.

A federação reafirma o compromisso com a transparência na contratação de obras públicas e com o uso correcto dos fundos, apelando para uma resposta clara e pública por parte do Banco Mundial e das autoridades nacionais.

Importa lembrar que Bento Machaila é presidente da agremiação, eleito em Junho de 2023, em assembleia-geral extraordinária da Federação Moçambicana de Empreiteiros.

Na altura, prometeu resolver os problemas que preocupam a classe dos empreiteiros, entres eles, o atraso dos pagamentos das obras realizadas.

“O que tem acontecido, que não é bom para a classe dos empreiteiros, é o problema de pagamentos e o problema de acesso às obras, principalmente para as pequenas e médias empresas”, disse Machaila, falando à imprensa na altura.

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