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O País – A verdade como notícia

Facto: os campeões nacionais foram mais esclarecidos na quadra. Cometeram menos erros que o seu adversário. E mais: tem, de sobra, soluções e maior ritmo competitivo para revalidar o título. Ontem, num jogo em que até entrou mal, o conjunto de Milagre “Mila” Macome teve, inicialmente, dificuldades para fazer face à defesa homem homem adoptada pelos vice-campeões nacionais. De resto, “turnovers” e falta de capacidade para girar melhor a bola e colocá-la dentro e fora para aparecerem os atiradores, foram nota dominante.

Os “locomotivas” do Chiveve, esses, tiveram no jogo interior- onde o musculado e combativo Elton Ubisse foi destaque- a força do seu jogo. Com 7:23 segundos por se jogar no primeiro quarto, o Ferroviário de Maputo ainda não havia feito pontos. Não tinha esclarecimento ofensivo. Sentia dificuldades para fazer os ataques de posição. “Time out”, ou seja, desconto de tempo pedido para fazer os ajustes na sua equipa. Veio, depois, o Ferroviário de Maputo que todos nós conhecemos: forte nas transições em contra-ataques, com o extremo Hermelindo “Mindo” Novela a ser uma unidade desequilibradora. No final do primeiro quarto, a marcha do marcador indicava 19-11, vantagem de oito pontos para o Ferroviário de Maputo. Havia que corrigir, por parte de Nazir “Nelito” Salé, o balanço defensivo da sua equipa. Faltavam os bloqueios defensivos.

O Ferroviário de Maputo mostrava capacidade de salto e luta nas tabelas. Consequência? Muitos pontos marcados nas segundas bolas. O segundo trouxe um Ferroviário da Beira a passar de uma defesa homem homem para à zona 2-3. Ainda assim, os “locomotivas” da capital conseguiram criar desequilíbrios ofensivos com penetrações quer pelo corredor central, quer pela linha de fundo. Nessa etapa do encontro, Nelito fez alterações ao nível da posição um, com o sérvio Bojan Seckiki a fazer a armação do jogo, em troca com o veloz Ivan Cossa. 

O Ferroviário de Maputo fez pressão, defesa dois contra um, forçando o seu adversário a cometer muitos “turnovers”. Os campeões nacionais foram alargando a sua vantagem. Nazir Salé pediu um desconto de tempo. E a sua equipa respondeu bem na quadra. Com uma defesa a toda a largura do campo sobre o base Orlando Novela (exercida por Ivan Machava), os donos da casa foram depois reduzindo a desvantagem. Luís “Lulu” de Barros sentia dificuldades para fazer a armação do jogo da sua equipa. Macome, apercebendo-se deste cenário, lançou para o jogo Pio Matos Jr, jogador que regressou às quadras após uma lesão sofrida nas vésperas da competição. No final do segundo período, o Ferroviário de Maputo comandava a marcha do marcador:37-31. E voltou melhor para o terceiro quarto com dois tiros exteriores de Custódio Muchate, uma unidade que tem aparecido a jogar mais em zonas distantes do cesto nos últimos tempos com lançamentos exteriores. 

O Ferroviário da Beira fez dois ataques sem esclarecimento, o seu adversário respondeu com contra-ataques. Os “locomotivas” da capital dispararam, nessa altura, para uma vantagem de 17 pontos. E, para piorar a situação, Elton Ubisse, a sua melhor unidade, ficou no limite das faltas: 4. Ao cabo do terceiro período, os campeões nacionais venciam por 64-47. No quarto e decisivo período, o Ferroviário da Beira procurou pressionar para discutir o jogo. Com lançamentos exteriores de Bojan Seckiki e Ismael Normamad, ganharam algum alento. Mas, defensivamente, persistiam os erros. E o conjunto de Milagre Macome soube aproveitar este facto para vencer o jogo por 86-68. Hoje, o dia será reservado ao descanso e sexta-feira terá lugar o jogo dois do “play-off” da final, a melhor de cinco. Destaque, em termos individuais, para Ermelindo Novela que contabilizou 24 pontos, quatro ressaltos durante os 33:12 minutos em que esteve na quadra. O mesmo foi bem secundado pelo espanhol Álvaro Maso que colectou um duplo-duplo: 22 pontos e 10 ressaltos.

O Ferroviário de Maputo conquistou, recentemente, o campeonato nacional de basquetebol seniores femininos, ao derrotar na final, a melhor de dois jogos, o Costa do Sol, por uma diferença de dois pontos, no conjunto dos dois jogos. O título conquistado teve uma mão cheia de uma das melhores jogadores da actualidade. Foi quem ajudou as “locomotivas” a conquistar o terceiro título nacional. Estamos a falar da Odélia Mafanela, ou simplesmente “Mafra”, como carinhosamente é tratada pelas companheiras em campo.

Como fruto das boas prestações ao longo do “nacional? de seniores femininos, “Mafra” foi eleita melhor marcadora e melhor ressaltadora do Campeonato Nacional de Basquetebol Sénior feminino, edição 2017. Aos 28 anos de idade, soma quatro épocas ao serviço do clube Ferroviário de Maputo, que no campeonato da cidade entrou a disputar com o nome de Ferroviário de Maputo “A”. 
 

Da Beira para Maputo

Ora, recuemos para conhecer o percurso desta talentosa atleta. Mafanela iniciou a sua jornada como atleta de basquetebol aos 11 anos, na Cidade da Beira, sua terra natal, na equipa da Associação provincial de Basquete de Sofala. Em 2004, entrou para a equipa da Académica da Beira, ao nível de juvenis, e já nessa altura rubricava boas exibições em campo, facto que fez com que fosse eleita melhor ressaltadora, num ?nacional” de clubes. 
Em 2006, Odélia foi chamada a reforçar o conjunto da selecção de sub-20, que conquistou o primeiro lugar na Namíbia, no torneio do SCASA, isto é, competição regional da África Austral. Daí para frente, ?Mafra” não parou de brilhar dentro da quadra. Após o africano de 2006, Mafanela teve passagens pelo Maxaquene, Desportivo de Maputo, a extinta Liga Muçulmana, sendo que actualmente se encontra a serviço do Ferroviário de Maputo. 
 

Honrada por ser parte das jogadoras mais experientes
Membro da selecção principal desde 2009, Mafanela diz sentir-se honrada por fazer parte do grupo das atletas mais experientes e por ter partilhado a quadra com a retirada Clarisse Machanguana, única jogadora moçambicana que já evoluiu na WNBA. “Sinto-me honrada por ter partilhado a quadra com alguém que considero uma ídola, a Clarisse Machanguana. Foi um momento único para mim, pois aprendi muito dela. Agora faço parte do leque das jogadoras mais experientes da selecção nacional e isso me satisfaz. É tão bom estar nessa posição”, disse “Mafra”.
Com um curriculum invejável, Mafanela conquistou a Taça dos Clubes Campeões Africanos de Basquetebol em seniores femininos em 2007 e 2008, ao serviço do Desportivo de Maputo, e em 2012, em representação da então Liga Muçulmana de Maputo.
Em Setembro de 2014, representou a selecção nacional no Campeonato do Mundo de Basquetebol, prova que teve lugar na Turquia. “Para nós foi um momento único. Fomos para Turquia a pensar que íamos assistir as outras a desfilarem a sua classe, mas aos poucos fomos nos apercebendo que era possível fazer mais que o que esperávamos”, explicou Odélia Mafanela.
 

Gravidez não ofuscou seu talento
As excelentes exibições na Taça dos Clubes Campeões Africanos, em Dezembro de 2016, em Maputo, representando o Ferroviário de Maputo, desmentiram quem duvidava de que pudesse brilhar pouco depois de regressar às quadras, um mês após ter sido mãe.
Odélia jogou, deu luta nas tabelas e só não conseguiu ajudar a sua equipa a ser campeã africana, terminando em segundo lugar, após perder na final para o Interclube de Luanda de Angola.
Com uma boa capacidade de recuperação de bola e de salto, Odélia Mafanela esteve novamente em destaque no último Campeonato Nacional de Basquetebol, prova na qual se destacou como melhor marcadora e melhor ressaltadora.
 

Com um painel constituído por quatro figuras ligadas ao futebol, a derrota dos “mambas” e consequente eliminação na corrida ao CHAN-18 foi analisada ao pormenor. Abel Xavier, o seleccionador nacional, esteve entre os presentes e afirmou que em momentos como este, em que se perde e aparece o desapego dos adeptos, é importante que a figura do líder esteja presente de modo a acalmar os ânimos. Xavier explicou a derrota de Moçambique como tendo sido a consequência do excesso de ansiedade demonstrada pelos jogadores em Maputo. Segundo ele, aqueles acusaram alguma pressão externa, aliás uma grande maioria nunca tinha jogado num Estádio Nacional do Zimpeto (ENZ) lotado e perante pressão dos adeptos, midia e outros actores. Com o jogo empatado em Antananarivo, pensava-se ter meio caminho andado para a transição à fase seguinte, daí que a aposta foi num jogo em que o meio campo foi bem povoado e onde as transições ofensivas pelas alas fariam o jogo de Moçambique mais forte. 

Falha de Victor determinante
Abel Xavier confessou, durante o programa Ao Ataque, que a reacção malgaxe nos primeiros vinte minutos de jogo obrigou a repensar a sua estratégia, uma vez que os insulares trouxeram um futebol mais agrupado baseado na exploração das capacidades técnicas das suas principais unidades. Assumiu ainda que o momento do jogo, e que acabaria por determinar o curso de todos acontecimentos, foi aquele em que Victor falha o passe e permite a intervenção de um contrário e que resulta em golo. Abel Xavier discutiu, entretanto, que como grupo não é sua filosofia penalizar “o jogador”, afirmando que neste tipo de situações todos assumem as responsabilidades, assim como em caso de vitórias todos partilham a alegria. Xavier fez questão de lembrar que este mesmo jogador fez defesas de grande mérito em Lusaka, Zâmbia, na vitória de 1-0, e que não será o infortúnio no Zimpeto, algo atípico, que vai tirar todo mérito do guardião Victor.

Comentadores surpreendidos
Renato Caldeira, comentador residente do programa, disse ter ficado surpreendido pela forma apática com que a selecção encarou o jogo, aliás o decano jornalista desportivo disse repetidamente que aos “mambas” faltou raiva em vários momentos, e que não souberam reagir a pressão imposta pelos malgaxes, tão pouco demonstraram espírito combativo. Para Caldeira, depois de ter sofrido o primeiro golo, a selecção deveria ter jogado o tudo ou nada, lutando para se refazer do prejuízo, mas tal não se verificou. Na sua análise ao jogo, o comentador disse ainda que o futebol apresentado pelo combinado nacional espelha a qualidade do campeonato interno, o “Moçambola”, onde as equipas demonstram fraco nível competitivo.
Por sua vez, Jorge Fernandes, “Jójó”, ex-jogador da selecção nacional, e que participou em várias campanhas com os “mambas” sendo uma das de maior destaque a presença no CAN realizado no Bourkina Faso, e que jogou no Espinho de Portugal, Belenenses, antes de passar por Suíça e Estados Unidos e se radicar na como desportista na Austrália, viu o jogo e fez suas análises. Jójó, considera que a selecção moçambicana jogou bem, pese embora a ansiedade, pressão e inexperiência demonstrada ao jogar perante um público daquela natureza. Para o ex-craque, a selecção malgaxe não fez nada de extraordinário no ENZ para conseguir a transição à fase seguinte. Para o ex-mamba, Madagáscar foi uma equipa fria que aproveitou bem os momentos e os erros de Moçambique para “matar” o jogo. Jójó disse ainda, durante o programa “Ao Ataque”, ser importante dar apoio contínuo ao trabalho que está a ser desenvolvido por Abel Xavier, recordando que estes mesmos “mambas” recentemente venceram a Zâmbia, facto que não deve ser considerado fruto do acaso.
O comentador residente, Elvino “Vino”, também ex-jogador dos Mambas e do Ferroviário de Maputo, destacou, na sua análise, alguma apatia dos seleccionados de Abel Xavier em algumas fases do jogo. Porém, de longe se deve responsabilizar o seleccionador pelo desaire. Vino explica a derrota e fala em situações anormais, como a que ditou o primeiro golo, no qual Victor é mal batido. Para o “ex-mamba”, o Madagáscar foi astuto, soube ler o jogo de Moçambique e explorar bem cada oportunidade. Os visitantes foram para si uma equipa bem esclarecida durante algumas fases do jogo e isso confundiu os nossos atletas.
 

FILOSOFIA DE FORMAÇÃO DE ABEL XAVIER

Os convidados ao programa foram unânimes em afirmar que a formação nas camadas de base é determinante, para que se consigam sucessos nas selecções principais. Abel Xavier falou da transmissão de metodologias aos treinadores das selecções de base, de modo que assim que quando os jogadores dos sub-17 e sub-21 chegarem a equipa principal, estejam com os princípios harmonizados. Xavier explica que esta filosofia é usada em vários países cujos resultados são notáveis. As selecções devem ter um único “fio de jogo” que é instituído desde cedo. Entretanto, não deixa de lado o desejo de ver o país dispor de  uma academia de formação ou centro de estágio integrado para os atletas, lugar onde estes podiam ficar aglutinados pelo menos três meses, visando obter resultados desportivos bem melhores.
 

O embate desta tarde entre as formações da União Desportiva de Songo e do Ferroviário da beira é de extrema importância para o futuro das duas equipas, embora com mais pressão para a turma de Chiquinho Conde, que lidera o Moçambola Zap, com 42 pontos. A diferença pontual entre os dois conjuntos já mostra claramente a intenção da turma de Songo em conquistar o título nacional, falhado ano passado, a favor deste mesmo Ferroviário da Beira, que curiosamente foi vencer em Songo para conquistar o título. 
Uma desforra por parte dos jogadores da União Desportiva de Songo, que perderam em casa, não só por uma bola sem resposta, mas também o título de 2016, é o que se espera nesta partida, também como forma de manter a diferença pontual e a distância para com o segundo classificado. Mas também a desforra pela derrota na primeira volta, no “Chiveve”, à tangente, será outra motivação para a turma de Chiquinho Conde. 
Mas ai está. O campeão nacional não está a atravessar um bom momento no campeonato nacional. Se na Liga dos Campeões faz uma campanha de luxo, no Moçambola Zap ainda não se acertou. Até ao fim da primeira volta, ocupava a 8ª posição com 20 pontos e, rodadas cinco jornadas desta segunda volta, fez apenas um jogo, no empate sem abertura de contagem, diante do Maxaquene, tendo descido para a 12ª posição, agora, com 21 pontos. Mas conta com quatro jogos em atraso e 12 pontos por discutir, nomeadamente com o Desportivo de Nacala e Costa do Sol, em casa, e UP de Lichinga e ENH de Vilankulo, fora de portas. 
Esta paragem de duas semanas terá servido para Rogério Gonçalves renovar energias e traçar a melhor estratégia para o que resta do campeonato, bem como harmonizar as ideias do novo treinador. Aliás, este é o primeiro grande teste de Rogério Gonçalves no comando dos “locomotivas” do Chiveve.
Costa do Sol espera desaire do líder
Na cola da União Desportiva de Songo está o Costa do Sol, que espera, nesta jornada, por um desaire da turma de Songo, para se aproximar da liderança. Os “canarinhos” de Nélson Santos recebem a Associação Desportiva de Macuácua, num jogo a ser transmitido em directo pela Stv Notícias. E em caso de vitória, o Costa do Sol pode reduzir a diferença pontual para dois pontos, podendo ainda ultrapassar a líder, caso vença o jogo que tem ainda por disputar, diante do Ferroviário da Beira.
Há 10 pontos da líder e 5 do segunda classificado está o Clube de Chibuto, que procura aproximar-se dos dois primeiros lugares ou então cimentar a sua actual posição, para depois tentar uma ultrapassagem nos jogos que ainda terá que fazer com estas duas equipas (UD Songo e Costa do Sol), em sua casa. Mas nesta jornada terá a visita do Chingale de Tete, uma equipa ao seu nível e que poderá vencer, com ou sem dificuldades, uma vez que os “canarinhos” de Tete estão em baixo de forma, embora a procura de reerguer-se na prova. Artur Semedo já recuachutou a equipa, agora é esperar para ver onde vai chegar este Chibuto. 
Por seu turno, o Textáfrica do Chimoio, outra equipa em franco crescimento, vai procurar fugir ainda mais dos lugares da despromoção, na recepção que vai fazer a Liga Desportiva de Maputo, equipa que trocou o treinador e que procura uma recuperação na tabela classificativa. Uma grande partida se espera neste jogo.

Deslocação difícil de Barrarrijo a Nacala
Quem anda de mal a pior é o Ferroviário de Maputo, que tem uma deslocação nada fácil a Nacala, onde defronta o seu homónimo local. Até ao fecho da primeira volta, o Ferroviário de Maputo era terceiro, com 27 pontos, e o seu homónimo de Nacala estava na 5ª posição, com 22 pontos. Decorridas cinco jornadas desta segunda volta, as posições inverteram-se, agora com os “locomotivas” de Nacala a subirem para a quarta posição, com 32 pontos, enquanto o seu adversário desceu para a quinta posição, tendo somado apenas 3 pontos, passando a ter 30 pontos. Uma derrota da turma de Maputo nesta jornada pode comprometer a continuidade de Lucas Barrarrijo e seus pares, pois a pressão vai aumentar, numa equipa que precisa, desesperadamente, de vitórias.
Finalmente, o Maxaquene, em franca recuperação na tabela classificativa, desloca-se a Lichinga, onde mede forças com a UP local, numa partida de difícil prognóstico. Aliás, os quatro pontos que separam estas duas equipas são prova clara das dificuldades que as duas equipas vão enfrentar neste jogo.
Facto mesmo, é que uma derrota da União Desportiva de Songo não vai tirar a liderança a turma de Chiquinho Conde e nem uma vitória, ainda que improvável, da Associação Desportiva de Macuácua, vai tirar a equipa da última posição.

ENH perde e compromete
A turma da ENH de Vilankulo, orientada por João Chissano, perdeu na recepção ao Desportivo de Nacala e compromete suas aspirações de chegar aos lugares cimeiros, para além de estar próximo da zona da despromoção. Os “canarinhos” de Nacala foram vencer por uma bola sem resposta e passaram da sexta posição para a quinta, agora com 31 pontos, contra os 25 do seu adversário de ontem. Aliás, o Desportivo de Nacala jogou os últimos minutos da primeira parte e toda segunda parte com menos um jogador, devido à expulsão de um jogador. Mas a turma de Antero Cambaco soube gerir a vitória que já trazia da primeira parte e fez por merecer os três pontos. O jogo inseria-se no arranque da 21.a jornada do Moçambola Zap 2017.

A história repete-se. Um ano depois de terem protagonizado uma final emocionante, decidida apenas no jogo cinco, Ferroviários de Maputo e da Beira voltam a estar na decisão do título de campeão nacional de basquetebol sénior masculino. Com um palco diferente, neste caso o renovadíssimo pavilhão do Ferroviário da Beira. 
Campeão nacional em título, o Ferroviário de Maputo venceu o seu homónimo da Beira na fase regular da prova por 80-61, num jogo em que o conjunto de Milagre Macome foi mais esclarecido na quadra.
O Ferroviário de Maputo quer conquistar o troféu e manter o estatuto de melhor equipa da actualidade. Mas, para tal, terá que ultrapassar um Ferroviário da Beira reforçadíssimo e que quer aproveitar o factor casa para conquistar o seu terceiro campeonato nacional na sua história.
Sem o mesmo ritmo competitivo que os seus adversários- até porque as provas no Chiveve resumem-se a quatro equipas- os vice-campeões nacionais esperam estar no seu melhor nível na final para chegarem ao tão almejado título.
O jogo um do “play-off” da final, a melhor de cinco, está marcado para quarta-feira, às 18 horas, no pavilhão do Ferroviário da Beira.
Na quinta-feira, de acordo com a Liga Moçambicana de Basquetebol, será observado um dia de descanso. Já na sexta-feira, a mesma hora e no mesmo local, terá lugar o jogo dois desta grande final. Sábado, às 17h30, Ferroviários de Maputo e da Beira protagonizam o jogo três do “play-off” da final da Liga Moçambicana de Basquetebol Mozal. Caso seja necessário, segunda-feira, está agendado o jogo quatro da final da competição.
 

Jogos emocionantes havidos ano passado
Em 2016, no pavilhão do Maxaquene, Ferroviários da Beira e de Maputo protagonizaram uma final muito bem disputada. O Ferroviário de Maputo sagrou-se campeão nacional de basquetebol em seniores masculinos, após vencer, no quinto jogo do “play-off” da final, o seu homónimo da Beira (69-56). No jogo um do “play-off”, realizado a 7 de Agosto de 2016, o Ferroviário da Beira foi mais forte, tendo vencido o seu adversário por 77-56. No dia seguinte, ou seja, a 8 de Agosto, houve “jogo de loucos” com o Ferroviário de Maputo a vencer por apenas um ponto: 62-61. Depois de um descanso a 9 de Agosto, as duas equipas voltaram a bater-se para a decisão do título no jogo três, disputado a 10 de Agosto. 
O Ferroviário da Beira foi novamente mais forte ao vencer por 73-64. A 11 de Agosto, num jogo em que os “locomotivas” da capital eram obrigados a vencer, o conjunto de Milagre “Mila” Macome esteve melhor na quadra, vencendo por 71-63. Já a 13 de Agosto, no dia de todas as decisões, o Ferroviário de Maputo venceu o seu homónimo da Beira (69-56) e conquistou o título de campeão nacional de basquetebol sénior masculino. Nessa partida, recorde-se, o Ferroviário da Beira entrou melhor no jogo conseguindo um parcial de 7-0. Mas, no final do primeiro período, o parcial era de 15-14 a favor do conjunto orientado por Milagre Macome que procurava conquistar um título 15 anos depois! 
 Ao cabo dos dois primeiros quartos, a marcha do marcador indicava 39-18 a favor do Ferroviário de Maputo. Mais forte colectivamente, o Ferroviário de Maputo encontrou soluções debaixo da tabela para manter a sua vantagem. Edson Monjane e Elton Ubisse deram muita luta quanto se fartaram! Ainda sobrou espaço para espectáculo. 
No final do terceiro período, o conjunto da capital vencia 53-39. À entrada do quarto e último período, a palavra de ordem de Nazir Salé foi intensificar a pressão e obrigar o Ferroviário de Maputo a muitas perdas de bola. Até resultou, em algum momento, mas depois… foi uma lição de basquetebol por parte de Borjan Sekic. Não houve pernas para travar o base do Ferroviário de Maputo que venceu, no final, por 69-56.

Duas semanas depois do interregno para dar lugar aos trabalhos da selecção nacional e respectivos jogos da eliminatória de CAN-Interno, diante do Madagáscar, o Moçambola Zap está de regresso. É a festa do futebol moçambicano com a realização da 21ª jornada do campeonato nacional, uma prova que está ao rubro, com surpresas atrás de surpresas, a cada jornada.
E o regresso está marcado para tarde, em Vilankulo, onde a ENH local vai receber o Desportivo de Nacala. Trata-se de um embate entre duas equipas moralizadas pelos últimos resultados, nomeadamente uma vitória e um empate. Os “hidrocarbonetos” foram a Gaza derrotar a Associação Desportiva de Macuácua por claros 0-3, enquanto os “canarinhos” de Nacala empataram sem abertura de contagem diante do Maxaquene.
Três pontos separam as duas equipas, a maior para os nacalenses, que somam 28 pontos contra 25 dos treinados por João Chissano, que jogam em casa. Desta forma, em caso de vitória da ENH de Vilankulo, esta equipa poderá subir da 9ª para a 7ª posição, ainda que a condição, uma vez que a jornada só terá o seu epílogo na quarta-feira. Mas é um grande embate em perspectiva.

Campeão visita “vice”
A enfrentar uma série de maus resultados nas últimas jornadas, derivado do cansaço das viagens e jogos seguidos, contando com os da Liga dos Campeões africanos, está o campeão nacional, que, de certeza, aproveitou-se bem desta paragem para renovar energias e traçar a melhor estratégia para o que resta do campeonato, bem como harmonizar as ideias do novo treinador, Rogério Gonçalves, que ainda tem quatro em atraso por disputar. E o primeiro grande teste de Gonçalves será num terreno bastante difícil, onde as recordações são para guardar, uma vez que foi em Songo que o Ferroviário da Beira conquistou o título do ano passado. E vai enfrentar a líder, União Desportiva de Songo, ávida em vitórias para fugir à perseguição do Costa do Sol, segundo classificado. Uma vitória dos “hidroeléctricos” coloca a equipa mais próxima do título que fugiu ano passado. Mas a derrota da turma de Songo pode ser um duro golpe, caso o Costa do Sol vença a Associação Desportiva de Macuácua, num jogo a ser transmitido em directo, pela Stv Notícias. É que os “canarinhos” da capital podem reduzir a diferença pontual para dois pontos, podendo ainda ultrapassar a líder, caso vença no jogo que tem ainda por disputar, diante do Ferroviário da Beira.

Deslocação difícil de Barrarrijo a Nacala
Quem anda de mal a pior é o Ferroviário de Maputo, que tem uma deslocação nada fácil a Nacala, onde defronta o seu homónimo local. Até ao fecho da primeira volta, o Ferroviário de Maputo era terceiro com 27 pontos e o seu homónimo de Nacala estava na 5ª posição, com 22 pontos. Decorridas cinco jornadas desta segunda volta, as posições inverteram-se, agora com os “locomotivas” de Nacala a subirem para a quarta posição, com 32 pontos, enquanto o seu adversário desceu para a quinta posição, tendo somado apenas 3 pontos, passando a ter 30 pontos. Uma derrota da turma de Maputo nesta jornada pode comprometer a continuidade de Lucas Barrarrijo e seus pares, pois a pressão vai aumentar, numa equipa que precisa, desesperadamente, de vitórias.
O Clube de Chibuto, que averbou a última derrota caseira ao Ferroviário de Maputo, está bastante moralizado e a equipa já está recauchutada por Artur Semedo, carburando agora na terceira posição, com 32 pontos, recebe o Chingale de Tete, também sedento de bons resultados. Quem também procura bons resultados é o Textáfrica de Chimoio, que recebe a visita da Liga Desportiva de Maputo. Aliás, a Liga Desportiva, que trocou de treinador, deve ter aproveitado este interregno para preparar melhor os jogos que ainda restam, como forma de subir na tabela classificativa.

Topos não serão mexidos
O Maxaquene, que está em franca recuperação, desloca-se a Lichinga, onde mede forças com a UP local, numa partida de difícil prognóstico.
Claro que os resultados desta jornada vão provocar mexidas na tabela classificativa, mas sem mexer na liderança e na cauda, uma vez que a derrota da União Desportiva de Songo, ainda não vai tirar o seu estatuto, bem como a vitória, improvável, diga-se, da Associação Desportiva de Macuácua, vai tirar a equipa da posição de lanterna vermelha.

A equipa do Textáfrica de Chimoio diz estar preparada para vencer no seu território, a Liga Desportiva de Maputo, em partida inserida na vigésima primeira jornada do Moçambola ZAP a ter lugar amanhã.

Em sessão de treinos que marcam os preparativos do embate entre o Textáfrica de Chimoio e a Liga Desportiva de Maputo, a equipa prioriza aspectos técnicos e tácticos, tudo para vencer a Liga que na primeira volta em Maputo derrotou os comandados de Fábio Costas, por três bolas a uma.

"Estamos optimistas e respeitamos o nosso rival, vai ser um jogo duro mas faremos o nosso melhor", afirmou Fábio Costas, treinador do Textáfrica.

Os atletas reconhecem a potencialidade do seu adversário, mas prometem fazer de tudo para mandar e vencer no seu próprio território. "Será um jogo difícil pedimos o apoio dos adeptos, que venham em massa”, disse Osvaldo Alexandre, jogador do Textáfrica.

O Textáfrica de Chimoio ocupa a 11ª posição da tabela classificativa do Moçambola ZAP, com 22 pontos.

Pela segunda vez consecutiva, a província de Manica sagra-se campeã absoluta dos Jogos Desportivos Escolares. A delegação de Manica ficou em primeiro lugar em quatro modalidades a saber: Atletismo e Voleibol em masculinos e femininos; Basquetebol em femininos e Jogos Tradicionais em masculinos. Ficou em segundo lugar em Xadrez, Futebol, Basquetebol em femininos e em Andebol em masculinos.

Assim, a província de Manica repete a proeza do 12o Festival dos Jogos Desportivos Escolares de Pemba, em Cabo Delgado, quando venceu a competição. E o próximo festival, que terá lugar em 2019, será sediado nesta província, tendo ontem recebido o bastão entregue pela governadora da província de Gaza à secretária permanente da província de Manica, que a partir de agora tem a missão de preparar a logística para superar Gaza na organização dos jogos. A governante de Manica diz que a partir desta segunda-feira a sua província vai trabalhar para garantir que, em 2019, os alunos que forem apurados para os Jogos Escolares encontrem as melhores condições para praticar as modalidades definidas para o festival, acomodação, alimentação entre outros. Mas Manica quer também voltar a conquistar pela terceira vez consecutiva os Jogos Escolares, por isso, ao nível desportivo, vai continuar a trabalhar para atingir esse objectivo, garantiu a secretária permanente.

Os Jogos Escolares de Gaza tiveram um levantamento estatístico do desempenho dos atletas nunca antes feito, desde que estes jogos existem há 39 anos. Mais de 60 técnicos de várias instituições ligadas as Ciências do Desporto estiveram a acompanhar todas as partidas e a recolher dados sobre o desempenho dos atletas. Os técnicos são provenientes da Universidade Pedagógica, Instituto Nacional do Desporto, do Comité Olímpico de Moçambique e de Federações Desportivas e Clubes. Nos próximos dias este grupo deverá apresentar ao Governo o relatório técnico da capacidade e potencialidades dos atletas que participaram destes jogos e recomendar o tipo de acompanhamento a que devem ser submetidos a partir de já.

Dados parciais permitiram aos técnicos escolher melhores jogadores em cada uma das modalidades dos jogos e a sua proveniência. Assim, foram escolhidos 16 melhores jogadores dos Jogos Escolares, sendo oito masculinos e outra metade femininos. A Cidade de Maputo contribuiu com maior número para melhores jogadores, seguida de Manica com três, e os outros oito distribuem-se pelas restantes províncias. Dentre estes, o melhor jogador de futebol masculino proveniente da província de Niassa, que ganhou uma bolsa para estágio na Academia do Sporting Clube de Portugal em Alcochete por uma semana.

“Nestes jogos escolares efectuamos o levantamento das medidas antropométricas, medição de variáveis sócio-demográficas e variáveis de performance motora, factos que viabilizarão o controlo da evolução física de cada um dos atletas que participaram destes jogos. Para uma melhor identificação dos problemas de fundamentos dos atletas, realizamos, nesta edição de Gaza, as estatísticas em todas modalidades e competições, com vista a uma correcção rápida por parte dos respectivos treinadores”, disse o ministro da Juventude e Desportos esclarecendo terem sido esses os resultados da aplicação das Ciências do Desporto na edição ora terminada dos Jogos Escolares, em parceria com a Faculdade de Ciências de Desporto da Universidade Pedagógica e do Comité Olímpico de Moçambique.

A governadora de Gaza, Stela Zeca, por seu lado agradeceu à população de Gaza e todas as entidades que apoiaram aquela província a organizar os jogos com sucesso. Realçou que o país todo saiu a ganhar, uma vez que quase todas as províncias saíram dos jogos com medalhas.

Os alunos, por seu lado, comprometeram-se em garantir que a sua geração não seja responsável pela extinção do rinoceronte, mascote dos jogos, por ser um animal vítima de uma caça furtiva intensa no nosso país, colocando-o em vias de extinção. Os alunos dizem que as palestras sobre vários assuntos e a visita ao Parque Nacional do Limpopo permitiu que aprofundassem a importância da preservação da natureza. Por outro lado, comprometeram-se a continuar a estudar e a praticar desporto e representar o país ao mais nível em competições internacionais com dignidade. Por isso, pediram que o Governo continue a investir nos jogos escolares.

O encerramento do 13º Festival dos Jogos Desportivos Escolares coube ao primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário. No seu discurso o primeiro-ministro endereçou uma mensagem aos clubes e federações desportivas. “Encorajamo-vos a prosseguirem com o trabalho de valorização destes talentos, criando oportunidades de mais treinamento e sua inserção no desporto de alta competição. É nossa esperança ver estes estudantes atletas, que se revelaram nestes Jogos Escolares, a representarem Moçambique nos próximos jogos da CPLP e outros eventos de cariz internacional” apelou o governante.

Mas para que isso aconteça, Agostinho do Rosário virou-se para os alunos e a eles também deixou outra mensagem “continuem a praticar desporto na escola e nos vossos locais de residência, sem no entanto prejudicar a vossa principal tarefa que é estudar e adquirir conhecimentos para melhor contribuírem no desenvolvimento do nosso país” disse.

O primeiro-ministro diz acreditar que o país saiu a ganhar com os Jogos Desportivos Escolares, uma vez que se reforçou a Unidade Nacional, porque os alunos tiveram a oportunidade de fazer novas amizades, conhecer mais sobre a história do país com a visita que efectuaram ao Monumento de Mwadjahane, no distrito de Manjacaze, onde nasceu Eduardo Mondlane, fundador da Frente de Libertação Nacional e de Chilembene, no distrito de Chókwè, onde nasceu o primeiro presidente de Moçambique independente. “O aprofundamento do conhecimento sobre a história do nosso país é um aspecto fundamental, para que cada um de nós, sobretudo e juventude, consolide o espírito patriótico, o que permite garantir a consolidação da unidade nacional, a defesa de valores da moçambicanidade e do processo de desenvolvimento sustentável e inclusivo” acrescentou do Rosário.

Agradeceu a população de Gaza por ter acolhido com hospitalidade os atletas das outras províncias e de ter ido apoiar os jogadores nos campos, mas também pediu que ajudassem as autoridades locais a preservarem as infra-estruturas desportivas que foram reabilitadas para acolher os jogos e que façam um bom uso dos mesmos, e através deles massifiquem a prática desportiva em Gaza.

O primeiro-ministro aproveitou a ocasião para anunciar oficialmente a realização do 14º Festival dos Jogos Desportivos Escolares na província de Manica dentro de dois anos, em 2019. E fez votos para que todas as delegações regressassem às terras de origem em segurança.

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