A época futebolística 2018 está prestes a começar e os “artistas” da bola querem dar o gosto no pé o mais rápido possível. Entretanto, o jornal O País traz-lhe uma entrevista do avançado “canarinho” Isac, publicada no sítio do clube e transcrevemos na íntegra. Depois de uma época de muito trabalho, onde os seus golos e grandes exibições ajudaram o Costa do Sol a lutar até às últimas jornadas pelo título e a conquistar a Taça de Moçambique, vamos conhecer de perto: Isac de Carvalho
No trecho que se segue encontre o passado, presente e o futuro do avançado “canarinho” que foi o melhor marcador da equipa na temporada 2017 e decisivo na final da Taça, ao apontar o único golo que deu o troféu ao clube, dez anos depois da última conquista.
Quem é Isac de Carvalho, lembra-se dos primeiros toques na bola em Nampula?
Claro. Isac é um rapaz que nasce em Nampula. Começa a jogar futebol em 2000. Primeiro, no bairro com amigos, na rua de casa, mas entra para o futebol federado das portas do Benfica de Nampula. Lá começa nos infantis e faz toda a formação no Benfica de Nampula, sobe aos seniores em 2006 e, naturalmente, algumas boas exibições começam a despertar os olhares de algumas equipas grandes e sou contratado pela porta do Desportivo de Maputo e aí começa toda essa história.
Quando começou a dar os primeiros toques na bola em Nampula tinha como objectivo ser um jogador profissional?
Se eu dissesse que sim, agora, talvez estaria a enganar-me, mas quando a gente vai crescendo, quando a gente vai observando melhor o futebol e quem está ao nosso redor e quem está numa equipa federada, aí sim começa aquela vontade de ser alguém no futebol, começas a ter ídolos, começas a ver pessoas em quem te inspirar, mas obviamente que no inicio não tinha essa noção de ser um profissional de futebol.
PASSAGEM PELO DESPORTIVO FOI UMA BÊNÇÃO
Como correu a tua passagem pelo Desportivo de Maputo, um clube histórico do futebol moçambicano?
Foi muito boa, Desportivo é que me abre as portas e quando eu estava em Nampula, o Desportivo estava muito forte e todo o jovem sonhava em jogar numa equipa com muitos bons nomes, com ídolos, inclusive com grandes jogadores, o Dominguez, Maurício, Micas, Carlitos, grandes jogadores do futebol nacional. E, naturalmente, tive aquela curiosidade, quem sabe um dia estar numa equipa com esta dimensão e foi o que aconteceu, acho que foi uma bênção.
A tua passagem pela Liga Desportiva de Maputo, porquê foi curta?
De uma forma simples vou responder essa pergunta, a Liga Muçulmana na altura tinha os melhores jogadores do país e cada um dava o melhor de si, e a Liga tinha muitas opções, e na minha posição, inclusive que sou atacante/extremo, também na altura era quase difícil, e com a minha idade, foi um momento muito complicado, mas tendo noção de que sou um jogador que não gosta de se aconchegar, não sendo opção na Liga, achei que era o momento de me afastar e procurar uma equipa que tivesse mais oportunidades e foi isso que eu fiz.
Depois da Liga vai ao Maxaquene, outro clube histórico do futebol moçambicano. Acha que é no Maxaquene que Isac explode?
Se quisermos considerar um Isac que privilegia muito os números, os golos, eu acho que é por aí, eu explodi no Maxaquene, porque começo a fazer golos, até porque encontro um treinador que me adapta a uma nova posição, porque as pessoas que me acompanharam desde o início sabem que eu era um extremo e não um avançado. E chego ao Maxaquene encontro o mister Chiquinho, dá-me outra visão de como posso jogar numa outra posição que foi avançado e, neste caso, tudo deu certo e comecei a fazer golos, e acho que nesta perspectiva sim, é no Maxaquene que Isac dá o salto mais alto da carreira.
Depois de termos recuado no tempo, precisamente para o ano 2000, que marcou o país pela negativa devido às cheias que fustigaram esta pérola do Índico, mas para Isac foi o inicio de uma carreira que está a ser coroada com muitos golos, passando agora a falar do presente do novo camisola dez dos “canarinhos”.
TRAI O MAXAQUENE
Acaba de chegar ao Costa do Sol. Acha que traiu os adeptos do Maxaquene?
Não. Quem está no futebol sabe que a palavra traição não existe se quisermos colocar as coisas na lógica. É o mundo profissional, há contratos envolvidos, se um contrato chega ao fim obviamente não podes ajoelhar-te a um clube e dizer eu tenho que continuar. Se o clube ainda mais te abre as portas para tu saíres muito mais ainda, eu não acho que tenha algo haver com traição, as pessoas que estão envolvidas na estrutura do Maxaquene sabem que o contrato chegou ao fim, tinha renovado por mais um ano, mas de uma forma estranha, não sei porquê o contrato não foi validado e sai do Maxaquene da porta da frente, as pessoas sabem disso. Os adeptos se calhar não tenham a noção do que acontece lá em termos burocráticos, mas sai na porta da frente, porque as pessoas do Maxaquene entenderam que tinha chegado o momento de fazer uma nova estrutura da equipa, por acaso saiu mais do que 80% dos jogadores.
Qual foi a motivação que o fez deixar as barreiras da baixa e vir a praia da Costa do Sol?
O projecto do Costa do Sol foi muito claro e percebe-se pela época que nós fizemos, é um clube grande tem história, é organizado e deu-me oportunidade e por que não? Perguntei-me, vim para aqui, e nem tudo correu bem. Nós quando acabamos um ciclo assim desta forma como nós acabamos, às vezes temos o entendimento de que tudo correu, mas houve momentos maus, tristes.
A época 2017 foi dura e longa, não começou da melhor maneira, como conseguiram dar a volta por cima?
Nós não começamos bem, tivemos noção disso logo no inicio, também tivemos a percepção de que haviam coisas por corrigir e tínhamos que gerir os nossos egos, porque uma equipa que tem muitos bons jogadores, a questão do relacionamento de um para com o outro é algo difícil, quando sentamos e unimos as forças, acho que nós tornamos mais fortes, e foi o que aconteceu, conseguimos equilibrar as nossas emoções, fomos atrás daquilo que queríamos, foi difícil, mas graças a Deus conseguimos.
Muitos consideram-te o melhor avançado moçambicano da actualidade, qual é a tua reacção?
Não sei falar de mim mesmo, é bastante difícil, o que posso dizer é que trabalho bastante e este ano se calhar…se calhar porque tive uma época idêntica no Maxaquene, foi a melhor época e acaba depois com um jogo enfim muito bom que não me vai sair da memoria tão já, e enfim eu faço o meu trabalho, tento dar o melhor de mim em cada jogo, em cada treino (…), quanto a mim, sinto que Moçambique tem bastantes bons avançados, o que tento fazer é a minha parte e esperar para que as pessoas comentem, eu acho que futebol é assim.
2018 SERÁ O ANO DE AFIRMAÇÃO
2018 está aí à porta, muitos clubes estão a reforçar-se, como antevês o próximo Moçambola?
O próximo campeonato é sempre o mais difícil, porque o que já passou já passou. E acompanho as notícias e as novidades do futebol moçambicano, percebo que a época que vem vai ser bastante difícil. Temos aqui as nossas exigências, levantamos a fasquia, está bastante alta, as pessoas vão nos cobrar por isso, temos noção disso por isso, vamos trabalhar para dignificar o nome deste grande clube.
As “afrotaças” são uma competição difícil, mas prestigiante. Está com ansiedade para jogar nesta competição?
Bastante, por acaso nem sei se deveríamos, porque as outras equipas estão a competir e nós estamos sentados, e isso certamente cobra-se no futebol. Eu acho que tinha que se criar uma forma de os clubes manterem os seus atletas no activo, de uma ou de outra forma não sei como… quem é de direito devia pensar.
Qual é o jogador que admira? Eu acho que todos já começam a ter essa noção de que idolatro de alguma forma, se calhar só se deve idolatrar só a Deus, mas o Cristiano Ronaldo é aquele que eu vejo e digo olha, eu quero fazer isto, quero ser desta forma, quero trabalhar desta forma, tanto a nível profissional dentro de campo, tanto fora é um exemplo para todos jogadores que com o trabalho bem desenvolvido, com empenho e dedicação, é possível chegar ao topo.
O que gostaria de dizer aos adeptos do Costa do Sol?
Que estivessem nessa causa connosco, apoiassem a equipa. Este ano não posso queixar-me muito, mas muito dos jogos ficamos com metade da casa e com o trabalho que nós fizemos, acho que a casa devia estar mais cheia… portanto, queria pedir aos adeptos para que estivessem connosco nessa causa e lutassem connosco.